quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

🎙️Pauta Pública #55 | Neofascismo em campo (mais uma vez) – com Odilon Caldeira



episódio 55 do Pauta Pública recebe Odilon Caldeira, pesquisador que estuda a história do fascismo no Brasil e o crescimento da extrema direita no mundo. E você, nosso Aliado, já pode clicar aqui e ouvir o episódio antes de ele ir ao ar!

Houve um tempo em que demonstrações de simpatia por símbolos fascistas era algo restrito ao submundo envergonhado de pequenos eventos de neonazistas e neofascistas. Agora, vivemos um momento que acende alertas sobre a presença e organização desses grupos nas redes, na política, na cultura e nas instituições de forma cada vez mais explícita – dentro e fora do Brasil.

Foram inúmeros casos de demontrações neofascistas no país nos últimos anos, alguns inclusive dentro da estrutura pública, como quando um secretário de Cultura de Bolsonaro colocou em rede nacional um vídeo em que emula o discurso e a estética de Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha Nazista. Na conta das referências diretas também entraram recentemente imagens de pessoas carregando suásticas, pixações em escolas e universidades, manifestantes golpistas em Santa Catarina fazendo saudações nazistas enquanto pediam intervenção militar, entre tantas outras.

Para falar sobre a simbiose desses grupos com movimentos de extrema-direita e o bolsonarismo, o Pauta Pública recebe o historiador Odilon Caldeira, professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que desenvolve, há anos, pesquisas com foco no neofascismo. 


Boa escuta. Até semana que vem!

Um abraço, 

Letícia Gouveia
Estagiária de Comunicação da Pública

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Produtora agroecológica do MST recebe Prêmio Orgulho da Terra

 Premiação

Produtora agroecológica do MST recebe Prêmio Orgulho da Terra

A camponesa Jovana Cestille, do assentamento Eli Vive, do Paraná, é a vencedora da categoria “Produção orgânica - agroecológica"
Jovana e o esposo, Davi José da Costa, trabalham juntos na produção agroecológica. Foto: Juliana Barbosa/MST-PR 

Por Ednubia Ghisi, do Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR
Da Página do MST

A produção agroecológica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra  (MST) está entre as vencedoras do Prêmio Orgulho da Terra 2022, entregue durante a noite desta quarta-feira (30), em Curitiba. O MST esteve representado pela camponesa Jovana Cestille, vencedora da categoria “Produção orgânica – agroecológica”. 

A camponesa é assentada na comunidade Eli Vive, localizada no distrito de Lerroville, em Londrina, norte do estado, onde vive com o esposo Davi José da Costa e o filho Lorenzo Cestille Costa, no lote batizado de Sítio Novo Amanhecer. 

“Eu acredito que a agroecologia é este ‘novo amanhecer’, em vários sentidos, principalmente da preservação da biodiversidade, da garantia de uma alimentação saudável e de mostrar que é possível produzir alimentos sem veneno com qualidade e produtividade”, explica a agricultora. 

(Da esquerda para a direita) Jovana Cestille, camponesa moradora do assentamento Eli Vive, e o secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Anacleto Ortigara, durante a premiação. Foto: Ednubia Ghisi/MST-PR 

A família se dedica à produção de plantas medicinais, hortaliças e está iniciando a fruticultura, com um pomar de abacate. A comercialização da produção é feita em parte pelo cooperativa do assentamento e as plantas medicinais são cultivadas com mercado já garantido. 

Para além do reconhecimento individual e da família, a camponesa ressalta o trabalho coletivo que o MST vem desenvolvendo ao longo dos anos, de incentivo à agroecologia e novas relações entre os seres humanos e a natureza.

Fotos: Juliana Barbosa/MST-PR 

“Nós estamos colocando em prática os conceitos que o MST defende como modelo para o campo brasileiro, para produção de comida saudável, e não de commodities a base de agrotóxicos e de exploração. Por isso, para nós o maior prêmio será que a repercussão incentive outras famílias a trilharem o caminho da agroecologia”, garante a camponesa. 

Durante a entrega do prêmio, Jovana usou uma camiseta em homenagem a Ana Primavesi, agrônoma e escritora referência mundial em agroecologia. 

O prêmio é uma iniciativa do Grupo Ric em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – IAPAR-Emater (IDPR-Paraná) e do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). 

Ao todo, 16 categorias foram premiadas. As melhores práticas selecionadas serão apresentadas com mais detalhes a partir de dezembro, todos os domingos de manhã, em reportagens exibidas na RICTV e em seu canal no YouTube.

Estado precisa impulsionar a agroecologia 

Junto de Jovana, a agrônoma do IDR Cristina Celia Krawulki também foi premiada, por integrar a equipe de acompanhamento técnico da família. Também integram a equipe e estavam presentes no evento André Miguel, coordenador estadual de agroecologia do IDR, e o agrônomo do Instituto Paulo Mrtvi. 

Cristina conta que começou a acompanhar o lote da família de Jovana em 2018, quando o casal já tinha muito trabalho desenvolvido no sistema agroecológico. Com treinos e visitas com grupos de agricultores organizados pelo Instituto, o principal avanço da família é com a produção de tomate orgânico. Somente neste ano, foram colhidas 5 toneladas de tomate no sítio, e a expectativa para 2023 é de dobrar a produção.

Foto: Ednubia Ghisi/MST-PR 

A agrônoma explica que o IDR faz um trabalho de fomento, voltado à ampliação da produção agroecológica, especialmente para o atendimento de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o de Aquisição de Alimentos (PAA). 

“Nós orientamos os primeiros passos para a transição [do plantio convencional para o orgânico], apresentamos ferramentas de manejo adequado do solo, de instalação de barreira naturais, de manejo integrado de pragas e doenças, do uso de produtos biológicos para fazer o controle preventivo de pragas”, explica. 

Segundo a agrônoma, um dos principais desafios para o desenvolvimento da agroecologia no estado está na ampliação de certificadores para facilitar o acesso à certificação pelos agricultores. Até o meio deste ano, o Paraná era o maior produtor orgânico nacional, com cerca de 4 mil produtores cadastrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). 

Eli Vive é exemplo de produção de alimentos e geração de renda

A prática premiada da família de Jovana faz parte de um contexto de muita organização coletiva e luta pelo desenvolvimento da Reforma Agrária Popular. Criado em 2009, o assentamento Eli Vive é formado por 501 famílias e cerca de 3 mil moradores. É a maior área de Reforma Agrária em região metropolitana do Brasil, com 7.500 hectares. 

Desde o início da comunidade, as famílias do Assentamento Eli Vive produzem para o auto-sustento e para a comercialização. Entre as linhas de produção se destacam: leite, hortaliças, café, panificação, frutíferas e grãos, principalmente milho. Parte dos lotes já conquistaram certificação de produção orgânica e agroecológica, projeto em crescimento na comunidade. 

A  Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização (Copacon) foi criada pelas famílias assentadas para otimizar a produção e a comercialização dos alimentos. Atualmente, cerca de 360 estão associadas à cooperativa, de 13 municípios diferentes. Além da renda gerada para os produtores (as), mais de 20 trabalhadores (as), todos(as) assentados e filhos de assentados, são funcionários da cooperativa.

Assentamento Eli Vive inaugura primeira agroindústria de milho livre de transgênico do Paraná. Foto: Juliana Barbosa/MST-PR 

Os números mostram a força produtiva do grupo associado. Na última safra, a cooperativa comercializou 15 mil sacas de milho, 10 mil de soja, 10 mil de feijão preto e carioquinha. Outras 15 toneladas de alimentos são entregues na Central de Abastecimento (Ceasa) toda semana, além da comercialização de 80 mil litros de leite por mês. 

Em julho deste ano, a comunidade festejou a inauguração de uma agroindústria de derivados de milho livre de transgênicos, com capacidade de beneficiamento de 24 toneladas por dia do alimento. A expectativa é produzir 1 milhão de toneladas de derivados de milho não transgênicos e agroecológicos por ano. A estrutura atual já garante a comercialização de fubá, farinha de milho biju, canjica amarela e canjiquinha xerém. Os resíduos do milho beneficiado serão transformados em ração para bovinos e suínos. 

Os alimentos da comunidade também abastecem as escolas públicas da região. São entregues 10 toneladas por semana de alimentos por semana ao  Programa de Alimentação Escolar (PNAE), chegando a mais de 100 escolas de Londrina e região. Uma padaria comunitária, coordenada por mulheres assentadas, também produz panificados para a alimentação escolar. 

Bela Gil, apresentadora e culinarista defensora da agroecologia, visitou o sítio da família de Jovana em março deste ano, para conhecer a produção agroecológica. Foto: Barbara Zen/MST-PR 

Mais de 400 crianças e adolescentes estudam em duas escolas municipais e uma estadual do assentamento. A comunidade também tem um mercado e uma agropecuária na sede da comunidade, além de uma Associação de Mulheres e times de futebol feminino e masculino. O coletivo de saúde garante a implantação de hortas medicinais em cada lote.

As famílias têm grande preocupação em avançar na preservação e reflorestamento da área, e são guardiãs de mais de 100 minas d’água. Já foram plantadas mais de 10 mil árvores frutíferas, e ainda este ano, cerca de 40 mil mudas serão plantadas como parte do Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis.  

Cooperação e agroecologia em áreas da Reforma Agrária

A cooperação entre as famílias assentadas e acampadas e o beneficiamento dos alimentos in natura são a combinação que garante ampliação da geração de renda e de postos de trabalho no campo. No Paraná, são cerca de  60 agroindústrias, entre laticínios, padarias e agroindústrias de beneficiamento, ligadas a 24 cooperativas da Reforma Agrária. Mais de 7 mil famílias, de 200 municípios de todo o estado, fazem parte desta grande rede de produção. 

Ao todo, mais de 50 produtos são industrializados em áreas da Reforma Agrária, entre café, hortifrúti, erva mate, mel, suco, milho e grãos em geral, derivados de leite e da cana-de-açúcar. 

Foto: Ednubia Ghisi/MST-PR

Além da venda ao mercado convencional, em feiras e com venda direta ao consumidor, a produção chega também ao PNAE. Atualmente as cooperativas e associações da Rede de Reforma Agrária são responsáveis pela execução de 22% dos recursos destinados à compra de merenda escolar da Agricultura Familiar pelo estado. 

Os alimentos da Reforma Agrária Popular chegam a mais de mil escolas estaduais, garantindo refeições saudáveis a cerca de um milhão alunos da rede pública. Alimentos como feijão e arroz chegam a quase todas as escolas do Paraná. 

*Editado por Solange Engelmann