sábado, 24 de janeiro de 2015

Noam Chomsky: estamos à beira da total auto-destruição?

24/01/2015 - Copyleft

Noam Chomsky: estamos à beira da total auto-destruição?

Existem mais processos de longo prazo apontando na direção, talvez não da destruição total, mas ao menos da destruição da capacidade de uma vida decente.


Noam Chomsky, Alternet

Arquivo

O que o futuro trará? Uma postura razoável seria tentar olhar para a espécie humana de fora. Então imagine que você é um extraterrestre observador que está tentando desvendar o que acontece aqui ou, imagine que és um historiador daqui a 100 anos - assumindo que existam historiadores em 100 anos, o que não é óbvio - e você está olhando para o que acontece. Você veria algo impressionante.

Pela primeira vez na história da espécie humana, desenvolvemos claramente a capacidade de nos destruirmos. Isso é verdade desde 1945. Agora está finalmente sendo reconhecido que existem mais processos de longo-prazo como a destruição ambiental liderando na mesma direção, talvez não à destruição total, mas ao menos à destruição da capacidade de uma existência decente.

E existem outros perigos como pandemias, as quais estão relacionadas à globalização e interação. Então, existem processos em curso e instituições em vigor, como sistemas de armas nucleares, os quais podem levar à explosão ou talvez, extermínio, da existência organizada.

Como destruir o planeta sem tentar muito

A pergunta é: O que as pessoas estão fazendo a respeito? Nada disso é segredo. Está tudo perfeitamente aberto. De fato, você tem que fazer um esforço para não enxergar.

Houveram uma gama de reações. Têm aqueles que estão tentando ao máximo fazer algo em relação à essas ameaças, e outros que estão agindo para aumentá-las. Se olhar para quem são, esse historiador futurista ou extraterrestre observador veriam algo estranho. As sociedades menos desenvolvidas, incluindo povos indígenas, ou seus remanescentes, sociedades tribais e as primeiras nações do Canadá, que estão tentando mitigar ou superar essas ameaças. Não estão falando sobre guerra nuclear, mas sim desastre ambiental, e estão realmente tentando fazer algo a respeito.

De fato, ao redor do mundo - Austrália, Índia, América do Sul - existem batalhas acontecendo, às vezes guerras. Na Índia, é uma guerra enorme sobre a destruição ambiental direta, com sociedades tribais tentando resistir às operações de extração de recursos que são extremamente prejudiciais localmente, mas também em suas consequências gerais. Em sociedades onde as populações indígenas têm influência, muitos tomam uma posição forte. O mais forte dos países em relação ao aquecimento global é a Bolívia, cuja maioria é indígena e requisitos constitucionais protegem os “direitos da natureza”.

O Equador, o qual também tem uma população indígena ampla, é o único exportador de petróleo que conheço onde o governo está procurando auxílio para ajudar a manter o petróleo no solo, ao invés de produzi-lo e exportá-lo - e no solo é onde deveria estar.

O presidente Venezuelano Hugo Chávez, que morreu recentemente e foi objeto de gozação, insulto e ódio ao redor do mundo ocidental, atendeu a uma sessão da Assembléia Geral da ONU a poucos anos atrás onde ele suscitou todo tipo de ridículo ao chamar George W. Bush de demônio. Ele também concedeu um discurso que foi interessante. Claro, Venezuela é uma grande produtora de petróleo. O petróleo é praticamente todo seu PIB. Naquele discurso, ele alertou dos perigos do sobreuso dos combustíveis fóssil e sugeriu aos países produtores e consumidores que se juntassem para tentar manejar formas de diminuir o uso desses combustíveis. Isso foi bem impressionante da parte de um produtor de petróleo. Você sabe, ele era parte índio, com passado indígena. Esse aspecto de suas ações na ONU nunca foi reportado, diferentemente das coisas engraçadas que fez.

Então, em um extremo têm-se os indígenas, sociedades tribais tentando amenizar a corrida ao desastre. No outro extremo, as sociedades mais ricas, poderosas na história da humanidade, como os EUA e o Canadá, que estão correndo em velocidade máxima para destruir o meio ambiente o mais rápido possível. Diferentemente do Equador e das sociedades indígenas ao redor do mundo, eles querem extrair cada gota de hidrocarbonetos do solo com toda velocidade possível.

Ambos partidos políticos, o presidente Obama, a mídia, e a imprensa internacional parecem estar olhando adiante com grande entusiasmo para o que eles chamam de “um século de independência energética” para os EUA. Independência energética é quase um conceito sem significado, mas botamos isso de lado. O que eles querem dizer é: teremos um século no qual maximizaremos o uso de combustíveis fóssil e contribuiremos para a destruição do planeta.

E esse é basicamente o caso em todo lugar. Admitidamente, quando se trata de desenvolvimento de energia alternativa, a Europa está fazendo alguma coisa. Enquanto isso, os EUA, o mais rico e poderoso país de toda a história do mundo, é a única nação dentre talvez 100 relevantes que não possui uma política nacional para a restrição do uso de combustíveis fóssil, e que nem ao menos mira na energia renovável. Não é por que a população não quer. Os americanos estão bem próximos da norma internacional com sua preocupação com o aquecimento global. Suas estruturas institucionais que bloqueiam a mudança. Os interesses comerciais não aceitam e são poderosos em determinar políticas, então temos um grande vão entre opinião e política em muitas questões, incluindo esta. Então, é isso que o historiador do futuro veria. Ele também pode ler os jornais científicos de hoje. Cada um que você abre tem uma predição mais horrível que a outra.

“O momento mais perigoso na história”

A outra questão é a guerra nuclear. É sabido por um bom tempo, que se tivesse que haver uma primeira tacada por uma super potência, mesmo sem retaliação, provavelmente destruiria a civilização somente por causa das consequências de um inverno-nuclear que se seguiria. Você pode ler sobre isso no Boletim de Cientistas Atômicos. É bem compreendido. Então o perigo sempre foi muito pior do que achávamos que fosse.

Acabamos de passar pelo 50o aniversário da Crise dos Mísseis Cubanos, a qual foi chamada de “o momento mais perigoso na história” pelo historiador Arthur Schlesinger, o conselheiro do presidente John F. Kennedy. E foi. Foi uma chamada bem próxima do fim, e não foi a única vez tampouco. De algumas formas, no entanto, o pior aspecto desses eventos é que a lições não foram aprendidas.

O que aconteceu na crise dos mísseis em outubro de 1962 foi petrificado para parecer que atos de coragem e reflexão eram abundantes. A verdade é que todo o episódio foi quase insano. Houve um ponto, enquanto a crise chegava em seu pico, que o Premier Soviético Nikita Khrushchev escreveu para Kennedy oferecendo resolver a questão com um anuncio publico de retirada dos mísseis russos de Cuba e dos mísseis americanos da Turquia. Na realidade, Kennedy nem sabia que os EUA possuíam mísseis na Turquia na época. Estavam sendo retirados de todo modo, porque estavam sendo substituídos por submarinos nucleares mais letais, e que eram invulneráveis.

Então essa era a proposta. Kennedy e seus conselheiros consideraram-na - e a rejeitaram. Na época, o próprio Kennedy estimava a possibilidade de uma guerra nuclear em um terço da metade. Então Kennedy estava disposto a aceitar um risco muito alto de destruição em massa afim de estabelecer o princípio de que nós - e somente nós - temos o direito de deter mísseis ofensivos além de nossas fronteiras, na realidade em qualquer lugar que quisermos, sem importar o risco aos outros - e a nós mesmos, se tudo sair do controle. Temos esse direito, mas ninguém mais o detém.

No entanto, Kennedy aceitou um acordo secreto para a retirada dos mísseis que os EUA já estavam retirando, somente se nunca fosse à publico. Khrushchev, em outras palavras, teve que retirar abertamente os mísseis russos enquanto os EUA secretamente retiraram seus obsoletos; isto é, Khrushchev teve que ser humilhado e Kennedy manteve sua pose de macho. Ele é altamente elogiado por isso: coragem e popularidade sob ameaça, e por aí vai. O horror de suas decisões não é nem mencionado - tente achar nos arquivos.

E para somar um pouco mais, poucos meses antes da crise estourar os EUA haviam mandado mísseis com ogivas nucleares para Okinawa. Eram mirados na China durante um período de grande tensão regional.

Bom, quem liga? Temos o direito de fazer o que quisermos em qualquer lugar do mundo. Essa foi uma lição daquela época, mas haviam outras por vir.

Dez anos depois disso, em 1973, o secretário de estado Henry Kissinger chamou um alerta vermelho nuclear. Era seu modo de avisar à Rússia para não interferir na constante guerra Israel-Árabes e, em particular, não interferir depois de terem informado aos israelenses que poderiam violar o cessar fogo que os EUA  e a Rússia haviam concordado. Felizmente, nada aconteceu.

Dez anos depois, o presidente em vigor era Ronald Reagan. Assim que entrou na Casa Branca, ele e seus conselheiros fizeram com que a Força Aérea começasse a entrar no espaço aéreo Russo para tentar levantar informações sobre os sistemas de alerta russos, Operação Able Archer. Essencialmente, eram ataques falsos. Os Russos estavam incertos, alguns oficiais de alta patente acreditavam que seria o primeiro passo para um ataque real. Felizmente, eles não reagiram, mesmo sendo uma chamada estreita. E continua assim.

O que pensar das crises nucleares Iraniana e Norte-Coreana

No momento, a questão nuclear está regularmente nas capas nos casos do Irã e da Coréia do Norte. Existem jeitos de lidar com esse crise contínua. Talvez não funcionasse, mas ao menos tentaria. No entanto, não estão nem sendo consideradas, nem reportadas.

Tome o caso do Irã, que é considerado no ocidente - não no mundo árabe, não na Ásia - a maior ameaça à paz mundial. É uma obsessão ocidental, e é interessante investigar as razões disso, mas deixarei isso de lado. Há um jeito de lidar com a suposta maior ameaça à paz mundial? Na realidade existem várias. Uma forma, bastante sensível, foi proposta alguns meses atrás em uma reunião dos países não alinhados em Teerã. De fato, estavam apenas reiterando uma proposta que esteve circulando por décadas, pressionada particularmente pelo Egito, e que foi aprovada pela Assembléia Geral da ONU.

A proposta é mover em direção ao estabelecimento de uma zona sem armas nucleares na região. Essa não seria a resposta para tudo, mas seria um grande passo à frente. E haviam modos de proceder. Sob o patrocínio da ONU, houve uma conferência internacional na Finlândia dezembro passado para tentar implementar planos nesta trajetória. O que aconteceu? Você não lerá sobre isso nos jornais pois não foi divulgado - somente em jornais especialistas.

No início de novembro, o Irã concordou em comparecer à reunião. Alguns dias depois Obama cancelou a reunião, dizendo que a hora não estava correta. O Parlamento Europeu divulgou uma declaração pedindo que continuasse, assim como os estados árabes. Nada resultou. Então moveremos em direção a sanções mais rígidas contra a população Iraniana - não prejudica o regime - e talvez guerra. Quem sabe o que irá acontecer?


No nordeste da Ásia, é a mesma coisa. A Coréia do Norte pode ser o país mais louco do mundo. É certamente um bom competidor para o título. Mas faz sentido tentar adivinhar o que se passa pela cabeça alheia quando estão agindo feito loucos. Por que se comportariam assim? Nos imagine na situação deles. Imagine o que significou na Guerra da Coréia anos dos 1950’s o seu país ser totalmente nivelado, tudo destruído por uma enorme super potência, a qual estava regozijando sobre o que estava fazendo. Imagine a marca que deixaria para trás.

Tenha em mente que a liderança Norte Coreana possivelmente leu os jornais públicos militares desta super potência na época explicando que, uma vez que todo o resto da Coréia do Norte foi destruído, a força aérea foi enviada para a Coréia do Norte para destruir suas represas, enormes represas que controlavam o fornecimento de água - um crime de guerra, pelo qual pessoas foram enforcadas em Nuremberg. E esses jornais oficiais falavam excitadamente sobre como foi maravilhoso ver a água se esvaindo, e os asiáticos correndo e tentando sobreviver. Os jornais exaltavam com algo que para os asiáticos fora horrores para além da imaginação. Significou a destruição de sua colheita de arroz, o que resultou em fome e morte. Quão maravilhoso! Não está na nossa memória, mas está na deles.

Voltemos ao presente. Há uma história recente interessante. Em 1993, Israel e Coréia do Norte se moviam em direção a um acordo no qual a Coréia do Norte pararia de enviar quaisquer mísseis ou tecnologia militar para o Oriente Médio e Israel reconheceria seu país. O presidente Clinton interveio e bloqueou. Pouco depois disso, em retaliação, a Coréia do Norte promoveu um teste de mísseis pequeno. Os EUA e a Coréia do Norte chegaram então a um acordo em 1994 que interrompeu seu trabalho nuclear e foi mais ou menos honrado pelos dois lados. Quando George W. Bush tomou posse, a Coréia do Norte tinha talvez uma arma nuclear e verificadamente não produzia mais.

Bush imediatamente lançou seu militarismo agressivo, ameaçando a Coréia do Norte - “machado do mal” e tudo isso - então a Coréia do Norte voltou a trabalhar com seu programa nuclear. Na época que Bush deixou a Casa Branca, tinham de 8 a 10 armas nucleares e um sistema de mísseis, outra grande conquista neoconservadora. No meio, outras coisas aconteceram. Em 2005, os EUA e a Coréia do Norte realmente chegaram a um acordo no qual a Coréia do Norte teria que terminar com todo seu desenvolvimento nuclear e de mísseis. Em troca, o ocidente, mas principalmente os EUA, forneceria um reator de água natural para suas necessidades medicinais e pararia com declarações agressivas. Eles então formariam um pacto de não agressão e caminhariam em direção ao conforto.

Era muito promissor, mas quase imediatamente Bush menosprezou. Retirou a oferta do reator de água natural e iniciou programas para compelir bancos a pararem de manejar qualquer transação Norte Coreana, até mesmo as legais. Os Norte Coreanos reagiram revivendo seu programa de armas nuclear. E esse é o modo que se segue.

É bem sabido. Pode-se ler na cultura americana principal. O que dizem é: é um regime bem louco, mas também segue uma política do olho por olho, dente por dente. Você faz um gesto hostil e responderemos com um gesto louco nosso. Você faz um gesto confortável e responderemos da mesma forma.

Ultimamente, por exemplo, existem exercícios militares Sul Coreanos-Americanos na península Coreana a qual, do ponto de vista do Norte, tem que parecer ameaçador. Pensaríamos que estão nos ameaçando se estivessem indo ao Canadá e mirando em nós. No curso disso, os mais avançados bombardeiros na história, Stealth B-2 e B-52, estão travando ataques de bombardeio nuclear simulados nas fronteiras da Coréia do Norte.

Isso, com certeza, reacende a chama do passado. Eles lembram daquele passado, então estão reagindo de uma forma agressiva e extrema. Bom, o que chega no ocidente derivado disso tudo é o quão loucos e horríveis os líderes Norte Coreanos são. Sim, eles são. Mas essa não é toda a história, e esse é o jeito que o mundo está indo.

Não é que não haja alternativas. As alternativas somente não estão sendo levadas em conta. Isso é perigoso. Então, se me perguntar como o mundo estará no futuro, saiba que não é uma boa imagem. A menos que as pessoas façam algo a respeito. Sempre podemos.


Tradução: Isabela Palhares

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares



 



Alguns fatos internacionais que comentamos em 2014.
1 – Por uma questão de prática em nosso Informativo, vamos começar pelos fatos que atingem diretamente a América Latina. Nesse sentido, um dos fatos mais importantes de 2014 foi o início de um diálogo entre EUA e Cuba com o reconhecimento formal de Washington de que o bloqueio que durou meio século não conseguiu dobrar a Ilha. Certamente que os próximos passos serão muito importantes, mas a libertação dos Cinco Heróis cubanos já mostra que houve uma vitória importante nesse momento;
2 – Importante percebermos que, em 2014, houve uma continuidade no rompimento da América Latina com a doutrina neoliberal. O crescimento de governos de “centro-esquerda” vai rachando a grande estrutura montada pelos neoliberais e por Washington na região. Brasil, Venezuela, Chile, Uruguai, Equador e Bolívia mostram que a América Latina caminha para se afastar do pensamento antes hegemônico. Ainda que essas vitórias não coloquem em risco a continuidade do sistema capitalista e não estejam conduzindo a uma tomada de bens para os trabalhadores (terras, minas, etc.), a verdade é que está desmascarando a política neoliberal. Cabe agora aos movimentos sociais (sindicatos, associações, partidos, etc.) conduzir o processo de conscientização e evolução dos trabalhadores;
3 – Um dos mais importantes fatos de 2014, já ao apagar das luzes do ano, foi a aproximação definitiva da China e da Rússia com os países da região. Vale lembrar que o papel do Brasil, ao compor o BRICS e trazer as duas grandes nações para uma aproximação com os países da América Latina e do Caribe foi de um significado sem precedentes em nossa história;
4 – O ano começou com uma denúncia que abalou vários países e deixou o governo dos EUA em uma situação delicada no planeta. Estamos falando das revelações sobre a prática da Agência de Segurança Nacional (ASN) que mantinha estreita vigilância e espionagem em escala mundial, além de vigiar a vida de cento e cinquenta milhões de estadunidenses. Ninguém escapou da sanha da ASN: aliados, adversários, cidadãos comuns, líderes políticos, etc. A denúncia provocou uma grande reação de diversos líderes mundiais. Alguns não passaram de um pequeno teatro, como o caso da Alemanha onde Angela Merkel fez dois ou três pronunciamentos e depois “colocou uma pedra sobre o assunto”. Mas, por outro lado, proporcionou o discurso feito pela presidenta Dilma Rousseff na ONU, acusando formalmente o governo Obama de espionagem e ingerência nos assuntos de outros países;
5 – Outro grande escândalo, também envolvendo o governo estadunidense, foi a publicação de um “informe” especial do Senado trazendo ao conhecimento do público o envolvimento da CIA (Agência Central de Informações) em torturas realizadas repetidamente e em vários países. O “informe” desmascarou o uso de bases “secretas” da CIA espalhadas em vários países onde suspeitos eram interrogados sem conhecimento da justiça ou das autoridades locais. Houve uma grande reação popular e algumas entidades internacionais passaram a exigir que alguns líderes estadunidenses fossem levados à Corte Internacional para responderem por crimes contra a humanidade. Esse processo ainda está em andamento;
6 – Um aspecto positivo de 2014 foi a aproximação econômica, política e militar entre a China e a Rússia. Ainda que não se trate de questionar o sistema capitalista, este embate, ao menos, colocou um freio do avanço desenfreado dos EUA e seus aliados neoliberais pelo planeta. Os recentes acordos entre China e Rússia garantem um novo equilíbrio e podem possibilitar um rompimento com a unilateralidade que avançava sem limites;
7 – Fato também de grande importância foi a reação russa aos avanços da União Europeia (leia-se um plano de Washington) contra a Ucrânia. O objetivo principal do Pentágono não era fazer a Ucrânia aderir à União Europeia, mas afastá-la da Rússia e permitir assim novas bases da OTAN na fronteira com o grande inimigo. Mas a reação da Crimeia e de outras regiões ucranianas não estavam nos planos de Washington e, mais importante ainda, a reação de Putin assumindo o risco de apoiar a onda separatista assustou Obama. E há outro fator pouco comentado em nossos jornais: os políticos neoliberais russos, que contavam com fácil cooptação da Ucrânia para iniciar um processo interno contra Putin saíram muito enfraquecidos nesse embate e a popularidade do presidente russo vem subindo a cada mês;
8 – Por mais estranho que possa parecer, porque nossos jornais não estão divulgando, outro fato importante em 2014 e que noticiamos aqui no Informativo é a série de depoimentos e estudos feitos por cientistas e engenheiros em várias partes do mundo, mas principalmente nos EUA, demonstrando que a queda do World Trade Center não poderia ter sido causada pelo impacto dos aviões, mas por um processo de demolição controlada, internamente. Na opinião pública estadunidense vem crescendo a exigência de que novas investigações sejam feitas;
9 – Pelo lado negativo, também temos uma série de fatos para lembrar em 2014. E o primeiro ponto que nos vem à lembrança é o retorno dos EUA ao Iraque, com ampliação da guerra civil naquele país e os constantes ataques contra a Síria. Quando Obama decidiu manter e até ampliar o número de soldados estadunidenses no Afeganistão mostrou que o militarismo ainda é a principal tática dos EUA no Oriente Médio. O assassinato de civis, agora com ajuda de alta tecnologia como no caso da utilização de aviões não tripulados (drones) para bombardear alvos escolhidos à distância vem aumentando assustadoramente. Por outro lado, esses ataques constantes aos países árabes e as ações de Israel contra a Palestina vão estimulando as reações islâmicas e levando ao extremismo;
10 – Diretamente relacionado ao ponto anterior, temos o apoio dos EUA aos constantes ataques e invasões de Israel a território palestino, tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza. Em uma contagem superficial, realizada por organismos internacionais, apenas em 2014 Israel assassinou 2.000 palestinos e devastou prédios e empresas na Faixa de Gaza causando um prejuízo que ultrapassa 5 bilhões de dólares. Obama e seus “embaixadores” não tiveram descanso para bloquear todas as tentativas de palestinos e outras nações solidárias na ONU e em outros fóruns internacionais;
11 – Triste, realmente muito triste, foi o papel de Obama diante do Congresso dos EUA ao tentar defender e justificar as ações de espionagem da ANS e as torturas cometidas pela CIA através do mundo;
12 – Muito preocupante é o avanço do setor mais reacionário dos EUA com a vitória dos republicanos nas recentes eleições legislativas. Isto poderá significar um endurecimento nas relações com o Irã e um avanço das propostas dos “falcões” do Pentágono em direção a novas guerras de rapina;
13 – Outra iniciativa de Washington que comentamos no Informativo e que deve trazer desdobramentos em 2015 é a promoção de novos acordos econômicos com países da Ásia e do Pacífico (claro que deixando a China de lado). O grande desafio é que os acordos não se limitam a questões econômicas e tratam também de uma expansão militar na região. O objetivo de Obama é criar um “cinturão” em torno da China;
Algumas perspectivas para 2015.
01 – Em primeiro lugar, devemos entender que os avanços alcançados em 2014 não são definitivos e não representam, ainda, uma vitória contra o neoliberalismo e o poder do “império”. Alguns dos avanços conseguidos podem ser revertidos em um futuro próximo. O que está acontecendo na França e em vários países europeus que reviveram a teoria da “guerra de civilizações” e passaram a fazer da islamofobia uma arma para reconquistar o poder absoluto e calar as reações populares é uma demonstração clara disso;
02 – Certamente que uma das nossas preocupações para 2015 deve ser a nova maioria alcançada pela direita nos EUA, agora com maioria no Congresso. Não que Obama fosse um exemplo de democrata, mas a direita mais raivosa assume agora maioria e vai pressionar para impedir o fim do bloqueio a Cuba e, com certeza, um fortalecimento das relações com Israel onde uma corrente altamente fascista vai tomando novos contornos e pressionando para novos avanços sobre território palestino;
03 – Alguns analistas pensam que Obama se fortaleceu com as sanções contra a Rússia e que pode tentar novos avanços no leste europeu. Particularmente, não tenho certeza de que as sanções sejam uma “vitória” e acredito que muitos países europeus estão tendo mais problemas com o boicote do que a própria Rússia. Obama apostou todas as suas fichas em um enfraquecimento do regime russo para a derrubada de Putin, mas as recentes pesquisas mostram que o apoio popular ao seu governo tem crescido;
04 – Ainda que contrariando os economistas e jornalistas “amigos” de Washington, acreditamos que a economia estadunidense vai continuar cambaleante, com altos e baixos, e muito desequilibrada. É muito possível que, mais uma vez, as metas fiscais não sejam cumpridas e Obama fique refém do Congresso, como aconteceu em 2014. A diferença é que, agora, os republicanos são maioria;
05 – Um fato fica claro: apesar de toda a propaganda na imprensa “amestrada”, os EUA não vão obter qualquer vitória militar de vulto no Oriente Médio. A luta contra o ISIS e outras inventadas para alimentar a indústria armamentista vai se prolongar, sem uma vitória militar;
06 – Neste momento, todas as nossas atenções devem estar voltadas para a Grécia e para a Espanha. As eleições que se aproximam e o crescimento de partidos de centro-esquerda, como o Syriza (Grécia) e o Podemos (Espanha), podem apontar para mudanças no cenário europeu. EUA e seus aliados (França, Alemanha e Reino Unido) já se preparam para enfrentar o desafio de vencer essas correntes e tentar manter a política de austeridade na região.
Novos acordos entre Venezuela e China. Maduro adiantou que, como parte dos novos convênios, o gigante asiático ampliará sua participação nos projetos da faixa petrolífera do Orinoco Hugo Chávez, onde existe a maior reserva de petróleo do planeta. De acordo com fontes oficiais, os mecanismos de financiamento entre os dois países superam os US$ 50 bilhões, por meio de 256 programas.
China é o principal investidor na Venezuela e seu segundo cliente petroleiro depois dos EUA, com um volume de 640 mil barris diários, segundo estatísticas.
Segundo o vice-presidente, Jorge Arreaza, as novas somas e recursos provenientes da China beneficiarão à Grande Missão Moradia Venezuela e a Missão Bairro Novo Bairro Tricolor, entre outras.
Venezuela empreenderá transformações estruturais em 2015 com o objetivo de sustentar um modelo econômico socialista, baseado na produtividade, destacou. E completa: “Na atual conjuntura, o país tem o papel de deixar atrás a dependência petroleira”.
O governo se reuniu com empresários do setor automotivo, como Toyota, General Motors e Chrysler, que resultaram em acordos focados em impulsionar a fabricação local de partes e peças de reposição. Atualmente, cerca do 70% das partes de um veículo podem ser produzidas na Venezuela.
José Mujica doou 550 mil dólares de seu salário. O presidente do Uruguai, José Mujica, declarou que doou 550 mil dólares [cerca de 1,5 milhão de reais] de seu salário nos últimos cinco anos, período de seu governo.
Em seu programa de rádio semanal, no sábado (10), Mujica explicou que 400 mil dólares foram destinados ao Plan Juntos, projeto de casas populares criado no país em 2010, enquanto os outros 150 mil foram destinados a seu partido Frente Ampla (FA).
“No que humildemente se pode fazer como pessoa, ao fechar o ano e o governo estamos terminando os aportes que fizemos ao Plan Juntos como parte de nosso salário. Entre doações em dinheiro e materiais vamos chegar a 400 mil dólares. Com relação à força política a que pertencemos – que significa obrigação moral e ética de colaborar com nossa renda líquida – vamos fechar o quinquênio com um aporte de 150 mil dólares”, disse o presidente uruguaio.
Mujica afirmou que as doações não mudam o mundo, mas são uma maneira de “multiplicar o compromisso com a sociedade”. O presidente do Uruguai criticou a distribuição de riqueza e a “minguada” solidariedade social no país. “Onde o Estado não intervém de alguma forma, a divisão da riqueza que se gera espontaneamente no mercado tende a se concentrar e esta concentração cria duas sociedades: uma que progride fantasticamente e multiplica seus bens e outra que vai ficando pelo caminho”, afirmou.
Mortos não falam, não é? A morte dos dois suspeitos de terem praticado o atentado na redação do semanário Charlie deixou mais duvidas no já intricado caso.
Como uma polícia que se diz altamente preparada, faz um cerco onde os suspeitos estão entrincheirados com reféns, depois de algumas conversações eles liberam os reféns e a polícia entra em ação fuzilando os dois?
Será que eles não seriam muito mais úteis vivos?
Ou essa utilidade poderia comprometer alguém ou algum país aliado da França?
Sabe-se que Françoise Hollande está com a popularidade em baixa junto aos franceses e, com certeza, nesse caso o desfecho lhe foi favorável, com aquela conclamação de união lançada à todos os franceses, como se o país estivesse revivendo a época da invasão nazista.
A França é parceira do Estado Islâmico, assim como os EUA, o Reino Unido e a Alemanha. Portanto é de se duvidar da autoria do Estado islâmico nesse ato.
A Europa vive uma Islamofobia e com esse atentado todos os partidos de direita saíram fortalecidos, além do Estado de Israel que estava furioso com o parlamento Francês por esse ter apoiado a criação de um Estado palestino.
Os constantes ataques de grupos fundamentalistas na Síria, onde milhares de civis perderam a vida e milhões estão refugiados pelo mundo, os terroristas foram saudados como heróis por políticos “ocidentais” quando atacaram civis em Trípoli e em Aleppo. Quando matam lá, são chamados de heróis, quando acontece nos países que os financiam e apóiam são vistos como terroristas fanáticos.
Liberdade de expressão ou não... Interessante, muito interessante o que se passa na cabeça desses chamados “líderes do planeta”. Uma hora defendem a “liberdade de expressão” quando se trata de ridicularizar os árabes e suas crenças. Mas mudam de opinião quando se trata de defender seus interesses.
Uma recente reunião de ministros dos países europeus com o representante dos EUA, em Paris, foi debatida a idéia de propor à Comissão Europeia uma nova lei que permita bloquear, por 24 horas, em todos os países da UE, sem precisar de decisão judicial, páginas na internet para “proteger os cidadãos”.
Bem... isto significa uma carta branca para que os governos tirem do ar qualquer sítio que divulgue notícias contra os governantes do grupo! Ou seja, querem impor uma total censura na internet, por lá. Mas se falamos em regulamentar a internet daqui eles pulam e dizem que é censura!

Animais ameaçados de extinção



Animais do Estado de São Paulo precisam de ajuda
Diario do Grande ABC – 11 horas


Yahoo Brasil/Peter Schoen via Flickr - Macaco Muriqui do Norte
O Estado de São Paulo tem fauna muito rica, pois possui áreas da Mata Atlântica e do serrado. O problema é que muitos animais estão morrendo e podem desaparecer. Os principais motivos são a caça, atropelamento e, principalmente, falta de alimento, já que muitas áreas que servem de abrigo e fonte de comida para eles são destruídas pelas pessoas. No total, 487 espécies estão ameaçadas de extinção.
Para que pudéssemos conhecer melhor esses animais, o fotógrafo Ricardo Martins e a bióloga Renata Zimmermann publicaram o livro Mini Enciclopédia da Fauna do Estado de São Paulo, com belíssimas fotos e informações importantes. Nem todas as espécies publicadas estão desaparecendo, mas todas são ameaçadas pela presença do homem.
Podemos ajudá-los com simples atitudes, como não jogar lixo no chão, preservar as árvores (principalmente as que dão frutos e servem de alimento), não comprar animais silvestres ou alimentá-los, pois tornam-se dependentes dos humanos e deixam de procurar comida na natureza.
Saiba mais sobre alguns dos bichos que vivem tão perto de nós e correm perigo. Caso veja um pelas matas, não se aproxime. Admire-o de longe para que não se assuste e acabe lhe machucando. Ou, então, para que o bichinho não passe a confiar nos humanos, já que alguns podem ser malvados.
MACACO MURIQUI
CARACTERÍSTICAS – É o maior primata da América do Sul. Os machos pesam cerca de 15 kg e as fêmeas cerca de 12 kg. Quando estão pendurados, podem medir até 1,5 m de altura. Sua pelagem é bege e seu rosto parece coberto de fuligem, por isto também é chamado de mono-carvoeiro.
ONDE VIVE – Habita a cidade de São Paulo e o distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos. Também é encontrado nas matas de Minas Gerais e na Serra do Mar no Rio de Janeiro.
O QUE COME – É herbívoro, ou seja, alimenta-se de folhas, frutos, flores e sementes.
AMEAÇAS – Na natureza, são presas de onças, jaguatiricas e águias-reais. Também é comum serem vítimas de caça ilegal e destruição do habitat.
REPRODUÇÃO – Os machos podem começar a se reproduzir aos 5 anos e meio. Já as fêmeas, em geral, esperam até os 11 anos. A mãe carrega um único filhote na barriga por entre 7 e 8 meses e meio. O bebê é muito dependente dos pais e permanece nas costas da fêmea até os 2 anos de vida, quando deixa de mamar.
SAGUI-DA-SERRA-ESCURO
CARACTERÍSTICAS – Possui coloração escura, entre castanho e preto. Sua cauda parece um anel com as cores preto e cinza. O rosto costuma ser branco e, por causa do formato, é conhecido como sagui-caveirinha. Possui tufos brancos nas orelhas. Seu corpo é pequeno, pesando cerca de 300 g.
ONDE VIVE – É encontrado somente na Mata-Atlântica, principalmente em regiões montanhosas de São Paulo, Rio de Janeiro e Sudeste de Minas Gerais.
O QUE COME – Alimenta-se principalmente de insetos, frutas, sementes, gomas e fungos.
AMEAÇAS – Gavião-pega-macaco, o mamífero Irara, serpentes, aves de rapina e pequenos felinos são seus predadores. Caça ilegal e destruição do habitat também oferecem riscos.
REPRODUÇÃO – As fêmeas têm período de gestação de 138 a 170 dias, com o nascimento de um ou dois filhotes.
Leia também:
TARTARUGA-CABEÇUDA
CARACTERÍSTICAS – Tem cabeça grande com fortes mandíbulas. Sua carapaça é em formato de coração, com tonalidade marrom-avermelhada e tons de oliva (tipo verde). Possui de 85 cm a 100 cm de comprimento e cerca de 135 kg.
ONDE VIVE – Pode ser encontrada em quase todas as áreas temperadas e tropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. No Estado de São Paulo, costumam aparecer em Ubatuba.
O QUE COME – Moluscos, mexilhões e caranguejos são seu principal alimento.
AMEAÇAS – Jacaré, onças, aves de rapina e gaivotas costumam comer os ovos e os filhotes de tartaruga-cabeçuda. Também são vítimas de redes de pesca e poluição no mar.
REPRODUÇÃO – Na época da reprodução, os machos vão até as praias em busca de uma parceira. A fêmea coloca cerca de 120 ovos, que são chocados por até 60 dias. Os filhotes costumam quebrar a casca durante a noite e seguir em direção ao mar.
ARAÇARI-BANANA
CARACTERÍSTICAS – Da mesma família do tucano, possui 35 cm de comprimento, tem bico cor de oliva (tipo verde) com base vermelha, plumagem amarelada no peito e oliva-escuro na região superior e das asas. Para dormir, eleva a cauda e cobre a cabeça.
ONDE VIVE – É encontrado em diversos Estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina, além da Argentina e Paraguai. O QUE COME – Alimenta-se especialmente de frutos, insetos, ovos e filhotes de outras aves.
AMEAÇAS –Sofre com caça ilegal, destruição do habitat e desmatamento.
REPRODUÇÃO – Constrói ninhos em lugares ocos e bota em média de dois a quatro ovos.
TAMANDUÁ-BANDEIRA
CARACTERÍSTICAS – É o maior entre as espécies, com focinho longo, de até 45 cm. Tem 100 cm a 120 cm de comprimento e cauda de 65 cm a 90 cm. Pesa de 18 kg a 39 kg. Tem pele espessa, pelagem marrom com listras pretas e brancas nos ombros, além de uma crista de pelos ao longo das costas. Não possui dentes e sua língua pode se estender por até 61 cm para buscar alimento.
ONDE VIVE – Habita a América Central e América do Sul.
O QUE COME – Gosta de formigas, cupins e larvas moles.
AMEAÇAS – É presa da onça-pintada e da suçuarana. Sofre com caça ilegal, incêndios e destruição de habitat.
REPRODUÇÃO – O filhote nasce depois de até 190 dias e a mãe o carrega nas costas.