terça-feira, 16 de agosto de 2016

Mundo isola Temer nas Olimpíadas

Mundo isola Temer nas Olimpíadas


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O "chanceler" José Serra está totalmente desmoralizado - e não é apenas devido à denúncia vazada na semana passada de que ele teria recebido R$ 23 milhões da Odebrecht para seu Caixa-2 na campanha presidencial em 2010. A abertura das Olimpíadas também confirmou que o "interino" é um bravateiro - para não dizer mentiroso. Ele havia garantido que 45 chefes de Estado participariam da solenidade no Rio de Janeiro. Na verdade, só compareceram 18 líderes mundiais, o que confirma o isolamento internacional do covil golpista do Michel Temer e o descrédito do tucano. A informação foi revelada pelo Estadão, mas não ganhou as manchetes da mídia chapa-branca.
Segundo relato do jornalista Jamil Chade, "o Itamaraty havia anunciado que 45 chefes-de-estado e de governo estariam na abertura dos Jogos Olímpicos, na noite desta sexta-feira. Mas uma lista obtida pelo Estado revela que o número total foi de apenas 18, sendo que os demais eram apenas vice-primeiros ministros, governadores e autoridades de segundo escalão. A reportagem do Estado foi a única a entrar nos camarotes presidenciais e constatou como muitos dos locais VIPs permaneceram vazios, enquanto ministros e autoridades circulavam sem qualquer compromisso. Alguns deles ainda tiveram tempo para abrir freezers para escolher sorvetes ou conversar sobre as apostas de medalhas".
O vexame internacional
Apesar dos notórios vínculos do jornal da famiglia Mesquita com o tucano José Serra, a reportagem não teve como esconder o fiasco do "chanceler" golpista. "Depois de Londres em 2012 receber mais de 90 chefes-de-estado, de Pequim ter mais de 70, de Atenas com 48 e de Sidnei com 24, a Rio-2016 acabou sendo prejudicada pelo caráter interino do governo brasileiro, da crise e, segundo o Itamaraty, pela 'distância' que representa a viagem até o país". Estiveram no Maracanã apenas os governantes de Andorra, Argentina, Bélgica, Eslováquia, Fiji, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Monaco, Paraguai, Portugal, República Tcheca Servia e Suíça.
"A lista se contrasta com o que o governo anunciava ainda em maio de que tinha mais de 50 pessoas confirmadas e que esperava chegar a 70 convidados VIPs. A ausência era nitidamente notada nos corredores internos do estádio, vazios e com comida, funcionários e seguranças sobrando". O vexame, porém, ainda foi maior, segundo o relato de Jamil Chade: "O governo brasileiro tentou convidar os poucos líderes a ficar no principal camarote, ao lado de Michel Temer, presidente interino. Sem sucesso, o local foi preenchido por diversos ministros do governo e autoridades municipais e do governo do estado. Antes mesmo de terminar o evento e logo depois do desfile da delegação da França, o presidente François Hollande deixou o Maracanã, à francesa".
A política vira-lata do Itamaraty
A medíocre presença na Rio-2016 não tem nada a ver com a "distância do país", segundo a canhestra desculpa do Itamaraty. Na prática, ela revela o total isolamento do covil de Michel Temer. A mídia internacional, que não está tão contaminada pelo golpismo da imprensa nativa, já carimbou na testa do Judas que ele é resultado de um golpe - na definição de um jornal português, ele usurpou o poder graças a uma "assembleia de bandidos, liderada por um bandido", numa referência a Eduardo Cunha. As manipulações da imprensa nativa, tentando naturalizar o "golpe dos corruptos", não convenceram os chefes de Estado de outras nações. Nem Barack Obama, interessado direto na conspiração vende-pátria, ligou para parabenizar Michel Temer ou recebeu o capacho José Serra em sua visita aos EUA.
Para agravar o isolamento, o "chanceler" bravateiro ainda comprou brigas com importantes parceiros do Brasil. Ele é um dos expoentes na tentativa de sabotar o Mercosul - o que explica porque somente o golpista paraguaio e o neoliberal argentino vieram ao Rio de Janeiro. José Serra também se indispôs com as potencias capitalistas. Irritadiço, ele chamou de "bobagem homérica" o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, divulgado em julho, que apontou as dificuldades do covil golpista de Michel Temer. "A recessão profunda deve continuar em 2016 e 2017 com um cenário de alta incerteza política e de revelações correntes de corrupção que minam a confiança dos consumidores e investidores, o que leva à contração contínua da demanda doméstica".
A mídia brasileira, totalmente engajada no esforço para criar um clima de "otimismo" na gestão do Judas Michel Temer, não deu qualquer destaque para o documento. Já a imprensa europeia, menos contaminada pelo golpismo, repercutiu as conclusões do relatório da OCDE e não poupou críticas à postura arrogante e intempestiva do "chanceler interino". O falso diplomata chegou a bater boca com jornalistas durante uma entrevista coletiva em Paris. Pouco antes, ele foi recebido aos gritos de "Fora Serra" e "golpista" por um grupo de manifestantes em frente ao prédio da OCDE na capital francesa.
Deputados dos EUA rejeitam o golpe
A rejeição ao "golpe dos corruptos" tem se alastrado pelo mundo. No final de julho, 39 deputados dos EUA divulgaram carta aberta "para expressar a nossa profunda preocupação com os acontecimentos recentes no Brasil, que acreditamos ameaçar as instituições democráticas daquele país". Endereçada ao secretário de Estado John Kerry, o documento pede que ele tenha a "máxima cautela" nos contatos com "interino" Michel Temer. "O nosso governo deveria expressar forte preocupação em relação às circunstâncias em torno do processo de impeachment e fazer um chamado à proteção da democracia constitucional e do Estado de Direito no Brasil". A carta teve a adesão de mais de 20 entidades civis, entre elas da poderosa central sindical AFL-CIO, que possuí mais de 12 milhões de fil iados.
Já uma pesquisa divulgada pelo Jornal do Brasil atesta que "a imagem do governo Michel Temer está ruim na mídia mundial. Embora a tese de golpe associada ao impeachment da presidente Dilma tenha diminuído, pesaria contra ele a percepção de um governo tolerante com a corrupção. O fato da Lava-Jato ter solicitado a prisão da cúpula do partido de Temer - o PMDB - seria um dos pontos que pesam na pesquisa... Nem a realização das Olimpíadas teria ajudado a melhorar esta imagem". Pelo jeito, o irritadiço José Serra terá muito trabalho para reverter essa visão. A generosidade da mídia nativa não será suficiente para convencer o mundo sobre a justeza do "golpe dos corruptos" no Brasil.

A era pós-PT

A era pós-PT

Frente de esquerda não pode ser um projeto eleitoreiro que inclua parcerias com o PMDB em nome da governabilidade
por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 25/05/2016 12h11
Ocupação estudantil
Ocupação estudantil no Rio de Janeiro: novos atores políticos rejeitam a política tradicional
As experiências soviética e maoísta já nos ensinaram os efeitos nefastos da contenção da autocrítica. Acusar de traidor, vendido, revisionista e linha auxiliar do império são práticas bem conhecidas. Na China, em particular, a chantagem psicológica foi a principal arma de manutenção da Revolução Cultural – e de seu subsequente colapso. Censurada da reflexão crítica, a experiência socialista corroía-se por dentro. Sufocava-se. Tornava-se essencialmente burra. Autodestruía-se.
Não estou comparando o PT, o maoísmo e o stalinismo. Seria tanto anacrônico quanto vulgar. Meu ponto é unicamente lembrar que a autocrítica é o mais digno conceito marxista e, talvez, o menos empregado ao longo do curso histórico. Afinal, fazer autocrítica dói como remédio que se coloca sobre a ferida, mas ao mesmo tempo é a única forma de curar o machucado. 
esquerda brasileira não vinculada ao Partido dos Trabalhadores (PT) tem estado em constante saia justa. “Linha auxilar do PSDB”, “coxinha disfarçado”, “isentão”, “dando um prato cheio para a direita” e “traidor” são termos banalizados que reproduzem o pior da história socialista.
Esses chavões são usados contra toda e qualquer possibilidade de se refletir criticamente sobre rumos tomados pelo PT ao longo de sua história de institucionalização e tomada de poder. 
Ao contrário do ódio ao PT que move uma parcela da população brasileira, existe uma outra parcela – com a qual me identifico – que não é movida por este ódio, que se colocou contra o golpe e que gostaria de expressar suas críticas, justamente por entender que o partido possui um papel crucial na democracia e na esquerda brasileira.
“Mas agora não é a hora”
... diriam alguns. Mas eu pergunto: quando é a hora? Faz três anos que não é a hora. Primeiro foram os protestos de 2013. Depois veio a Copa do Mundo. Todo mundo que criticou os custos humanos do empreendimento tornou-se vira-lata: “roupa suja de lava em casa”.
No segundo turno das eleições presidenciais também não era a hora. Era preciso barrar o avanço da direita e o retrocesso das conquistas sociais. No impeachment, muito menos. Depois do golpe, criticar é jogo sujo.
Eu discordo dessa forma de pensamento. Nunca foi tão importante ouvir críticas como agora. Não há como sair desse caos em que nos enfiamos sem olhar para trás. Mesmo que doa. 
O PT sofreu um golpe – e dos mais sórdidos que existem. Também está claro que o ilegítimo governo Temer irá, em nome de um pacto pelo Brasil, ajudar a desmontar as conquistas sociais alcançadas nos últimos anos. E, sim, é preciso resistir. Esta é a posição da maior parte da esquerda com a qual tenho contato entre as mais variadas correntes.
Da mesma forma, a grande maioria dessa esquerda manifestou-se contrariamente ao impeachment. A luta contra o golpe tem sido essencial porque busca manter o que foi conquistado, lida com as forças mais retrógradas que governam o País há séculos e, principalmente, tenta resgatar o que sobra de dignidade das instituições democráticas. 
Todavia, nenhuma luta pode ser cega, sem compreender – e principalmente assumir – os erros que levaram a esse processo. Não se pensa o futuro, tampouco se resiste o presente, sem olhar para o passado. A política não é, nem nunca foi, preto ou branco – ainda que diversas forças políticas queiram que acreditamos que é.
Resistir e criticar são faces de uma mesma moeda de um pensamento sistêmico, estrutural e holista – o qual responde a uma política complexa que não é feita de azuis contra vermelho, mas de alianças que desafiam qualquer binarismo que tenta se impor nas redes sociais. 
Viramos um bando de mesquinhos e ressentidos do estilo “eu avisei”. Compartilham-se boatos, notícias antigas, ameaças e gera-se o medo – o mesmo medo que o próprio PT já foi vítima. 
A esquerda sempre criticou a ideia de que os brasileiros são um povo sem memória. Mas de repente, emerge uma brutal romantização, pasteurização e a compressão de diversas camadas interpretativas acerca do governo do PT – especialmente após o golpe. Temos um mundo de vítimas e vilões.
De repente, esquece-se que vítimas e vilões fizeram grandes acordos. Esqueceu-se Belo Monte, o alinhamento neoliberal com o capital financeiro, as alianças políticas podres em nome da governabilidade. Esqueceu-se Sarney, Ana de Hollanda e Kátia Abreu. Esquece-se que aqueles que hoje golpeiam e estrelam novos escândalos foram um dia aliados estratégicos do governo: de ministros a vice-presidente.
Esqueceu-se que o PT tentou fazer de tudo, até o último momento, para garantir as alianças que lhe dessem votos favoráveis na votação do impeachment. Esqueceu-se, mas os cortes na educação aconteceram durante a austeridade implementada pela Dilma, que havia prometido em debate eleitoral que não haveria arrocho. 
Por outro lado, como o mundo não é binário e as análises podem ser nuançadas, ninguém nega a importância do Bolsa Família, que foi um fator decisivo na luta contra a fome, do ProUni, das cotas, do incentivo à pesquisa científica e às artes, da abertura de novas universidades e de tantas outras conquistas históricas que que o PT ajudou a construir ao lado dos movimentos sociais, as quais foram responsáveis por fazer tremer as estruturas da desigualdade social pela primeira vez na história.
A questão, portanto, é buscar incessantemente por análises menos fervorosas e mais estruturais. E isso passa pelo entendimento de que o PT tentou conciliar diversas forças, por vezes inconciliáveis, acenando para os movimentos sociais, de um lado, e articulando com o capital financeiro internacional, de outro.
O FIES é um dos melhores exemplos nesse sentido. Os conglomerados internacionais da educação foram os que mais ganharam com o financiamento do governo, mas é igualmente verdade que foi por meio desta política neoliberal que pela primeira vez na história do Brasil os filhos da classe trabalhadora se diplomaram. São processos complexos que escapam da simplicidade da análise binária. Todo binarismo é burro. Todo binarismo é falso.
O futuro da esquerda na era pós-PT
A era pós-PT não é a era do fim do PT, mas, quem sabe, a busca de suas melhores origens. A tão necessária frente de esquerda precisa do PT, assim como o PT precisará voltar, humildemente, para seus velhos companheiros não apenas para pedir apoio eleitoral, mas para lutar por uma agenda socialista e progressista de fato – de fato e de raiz.
Refiro-me à ação política das bases e para as bases, seja com movimentos de longa tradição de luta – pela reforma agrária e direitos indígenas e quilombolas – seja com osmovimentos de vanguarda de ocupações de escolas e moradia urbana.
Nos movimentos sociais que pulsam hoje no Brasil, há um descrédito nas forças partidárias e um clamor por rupturas radicais com o capital e com o patriarcado. A era pós-PT é marcada pela diversidade de todos esses movimentos, mas também por pontos em comum: essas lutas tendem a ser mais horizontais nas relações de poder e a demandar mais commons em relação à propriedade de bens, ideias e símbolos. 
É preciso que a era pós-PT rompa com o que Richard Days chama de hegemonia dos próprios movimentos sociais, cujas estruturas internas eram marcadas pela reprodução da verticalidade, do autorismo e das práticas de poder que condenavam. Tudo indica que a polarização, a disseminação de boatos, as alianças governistas e a chantagem “linha auxiliar da direita” são táticas que não funcionam mais e tendem a repelir uma parte da esquerda que procura se reinventar na prática. 
É evidente que o momento é de luta – e que é preciso apagar fogo aqui e acolá. É preciso lutar contra o desmonte do que se garantiu no passado. Mas são nas brechas desse momento histórico de colapso que temos de pensar e construir o que queremos em alguns pilares básicos. Se é possível uma frente de esquerda, isso não pode ser um projeto eleitoreiro que vá acabar no “segura as pontas aí que precisamos do PMDB para governar”.
O rompimento com a governabilidade e a realpolitik pode ser utópico, mas é da utopia e do radicalismo que a esquerda constrói seus alicerces, porque, no final das contas, tratam-se de princípios éticos que não queremos abrir mão.  
Quais são os pilares que podem fundar uma agenda ampla da frente de esquerda? No plano social, quais as políticas sociais que queremos manter e como queremos avançar? No plano político, quais são as alianças que queremos construir e, principalmente, quais não aceitaremos novamente?
No plano econômico, quais são os grupos que queremos investir? A quem queremos taxar? Como queremos incluir as camadas populares? Pelo consumo ou pela educação crítica? No plano geopolítico, qual o papel que o Brasil deve ocupar no mundo Sul-Sul? Potência ou parceria na periferia do sistema mundial?
No plano cultural, quais são as nossas histórias passadas, diversas e coloridas, que nos fundam enquanto uma sociedade comum e diversa? Qual é o currículo escolar que queremos construir?
Conquistas enormes já foram alcançadas nestes últimos anos de governo do PT na construção de uma agenda progressista em torno desses pilares. Mas também é verdade que isso teve um alto custo que uma parte da esquerda não aceita mais pagar.
E aqui é importante lembrar que não é só a esquerda que não quer pagar certos custos da governabilidade. A maioria da população brasileira está desencantada com a política tradicional e precisamos pensar alternativas para todos os setores da sociedade. Precisamos ser menos endógenos. 
O momento atual tem sido marcado por lutas diversas. É propício para superar o binarismo, o saudosismo e buscar a construção de uma esquerda que, de forma integrada tenha uma agenda sólida, ampla, solidária e horizontal – e que não abra mão de princípios éticos, tampouco da utopia radical.

O "Fora Temer" e os limites do engajamento alegórico


O "Fora Temer" e os limites do engajamento alegórico

A hora é de mobilização, não de resistir com atos que têm pouca ou nenhuma capacidade de reverter o quadro ilegítimo
por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 12/08/2016 13h10
Fernando Frazão / Agência Brasil
Protesto
Protesto contra Temer em 10 de junho: a subversão acaba por afirmar o poder do interino
Tomou conta do Brasil uma forma de engajamento lúdico e artístico-criativo para engrossar o coro do "Fora Temer". Performances corporais, cartazes nos Jogos Olímpicos e até copo do Starbucks.
Reconheço o valor destes atos e admiro-os na mesma proporção. Todavia, estrategicamente, não é hora de engajamento de subversão.
Sociologicamente, essa forma de protesto é definida como “resistência”: o ato microscópico, “o poder dos fracos” que se manifesta por meio de pequenos gestos pulverizados e individualizados ante a um poder hegemônico. Mas já estamos reconhecendo a hegemonia e o poder inabalável do governo Temer?
Atuar por meio do poder dos fracos ou de forma feliz nas redes sociais é altamente desmobilizador neste momento. Primeiro porque sua simbologia reconhece certa inevitabilidade do poder. Portanto, reforça a própria estrutura que está aí.
Segundo, porque não estamos sob um regime ditatorial, apesar do golpe. Logo, a resistência estética e individual, tão bela e necessária, corre o risco de esvaziar-se de sentido, de tornar-se o engajamento festivo individual, que ameniza a culpa da classe média, que, a esta altura, quer mais é curtir os Jogos.
Não há problema nenhum em se divertir e protestar. O problema é quando isso se torna a única forma de resistência ante a uma votação que vai acontecer e que só será revertida se o mundo vier abaixo.
Não é hora de entregar o jogo. Não é hora dar pausa para os Jogos. A votação se aproxima e, ao que tudo indica, os cartazes felizes não estão funcionando e a presidenta será afastada definitivamente.
Seria a hora de aproveitar que a imprensa internacional está no Brasil. Se este governo é ilegítimo, a hora é de afronta, protestos em massa e greves. O poder das ruas neste momento é insubstituível.
Não é meu objetivo responsabilizar as pessoas que estão protestando da maneira que podem. Muito pelo contrário, trata-se de uma ressonância pulverizada ante a frustrante incapacidade de mobilização de massas que estamos atravessando neste momento.
Ato contra Temer
Ato contra Temer em Brasília (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)
Existe aí um paradoxo imenso que precisa ser conciliado: de um lado, uma grande parte da população que não engole o presidente interino e que se manifesta como pode. De outro, a falência da capacidade mobilizadora de massa dos líderes do Partido dos Trabalhadores.
Poucos engolem Michel Temer, mas nem todos se identificam a sair às ruas para defender a bandeira do PT – pois é assim que são lidas as manifestações anti-impeachment. Parece-me que o próprio PT desistiu de puxar o barco e focar-se nas eleições municipais.
Eu havia entendido que a luta não era por Dilma ou pelo PT, mas pelos direitos constitucionais.
O que resta é a mobilização desmobilizada, individualizada e profundamente solitária daqueles que ainda acreditam que essa farsa toda é uma afronta à democracia.
Os votos já estão definidos e já se fala em crescimento econômico novamente. A população está calma e distraída com os Jogos Olímpicos. Não há a mínima chance de reverter essa votação sem reação avassaladora em massa. Há mobilização e motivação para isso? Ou teremos que passar os próximos dois anos escrevendo Fora Temer no copo de nossos cafés?