sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Documentário apresenta depoimentos de filhos de vítimas da ditadura brasileira

Documentário apresenta depoimentos de filhos de vítimas da ditadura brasileira

15-filhos
Está no youtube um vídeo de cerca de 18 minutos chamado “15 filhos”. O documentário apresenta depoimentos de filhos de vítimas da ditadura militar. Os entrevistados, alguns deles muito emocionados, contam como foi sua infância, a relação com os pais e as dores insuperáveis. O filme foi dirigido por Maria Oliveira e Marta Nehring. Elas são filhas de guerrilheiros e também dão seus depoimentos. O vídeo está disponível aqui.

Cinebiografia de Neruda com Gael é a escolha do Chile para o Oscar


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#MulheresDeLuta: Guerrilheira curda Asia Ramazan é morta em combate no norte da Síria

#MulheresDeLuta: Guerrilheira curda Asia Ramazan é morta em combate no norte da Síria

guerrilheiras
[Por André Miguez, em Passa Palavra] Morreu, na última quarta-feira, 7 de setembro de 2016, a combatente curda Asia Ramazan Anta. A guerrilheira estava no front de batalha desde 2014 lutando em defesa das mulheres (unidade do PKK), na frente militar de libertação do Curdistão contra o Estado Islâmico na Síria. Seu falecimento foi amplamente noticiado pela mídia internacional.
A jovem de 22 anos tombou em uma batalha contra o Exército jihadista no Norte da Síria. Asia contribuiu para a libertação e instauração de um regime auto-gestionado em áreas que anteriormente estavam nas mãos do Estado Islâmico ou então da Turquia.

De Olho Na Mídia

Por Marcio Castilho, palestrante do 22º Curso Anual do NPC

castilho
[Facebook – 14.09.16] Acompanhando essa repercussão da Globo em torno do espetáculo de clichês e frases feitas, com o power point de bolinhas do MPF sobre o Lula, lembrei de um diálogo do filme “O monstro na primeira página” (Sbatti il mostro in prima pagina, 1972), de Marco Bellochio. A obra mostra como um jornal de direita “Il Gionarle”, um dos mais influentes da Itália, manipula a opinião pública para atribuir o assassinato de uma menina rica na periferia de Milão a um jovem militante de esquerda. No diálogo, o editor-chefe inescrupuloso fala para um jovem repórter que questiona a postura antiética do chefe:
“Você vê o jornalista como um observador imparcial?
E eu lhe digo que esses observadores imparciais me dão pena.
Temos que ser protagonistas e não observadores. Estamos em guerra!”
As primeiras páginas do Il Gionarle não buscavam a solução do crime, mas uma cortina de fumaça para favorecer os candidatos da direita fascista nas eleições que se aproximavam. Precisavam de um “monstro”. Ele (“o monstro”) também estará presente, nesta quinta, nas capas dos principais jornais brasileiros.

Foi lançada a campanha Mídia Sem Violações de Direitos

Foi lançada a campanha Mídia Sem Violações de Direitos

direitos
Nesta semana, houve, em Brasília, o lançamento da campanha nacional Mídia Sem Violações de Direitos. O projeto consiste basicamente em uma plataforma de denúncias de programas de rádio e TV que violem direitos. Uma análise feita anteriormente constatou diversas narrativas que iam contra leis nacionais e tratados internacionais. Além desse mapeamento crítico da mídia, a iniciativa tem como objetivo denunciar, para a sociedade, o impacto negativo de tais produções e pressionar para que haja uma real fiscalização. Para a produção de um Ranking Nacional de Violações de Direitos Humanos na TV aberta, é importante a participação do maior número possível de pessoas. Essa é uma realização do Intervozes em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo. O site do projeto éhttp://www.midiasemviolacoes.com.br.

Rita Freire: intervenções na EBC representam ataque à estrutura democrática e plural de comunicação

Rita Freire: intervenções na EBC representam ataque à estrutura democrática e plural de comunicação


rita_freire
[Por Rosângela Ribeiro Gil – De São Paulo] A presidente do Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Rita Freire, foi eleita em novembro de 2015 para um mandato que terminava em 2017. Ela, no entanto, foi cassada por Michel Temer, tão logo este assumiu a Presidência da República após Dilma Rousseff ser afastada do mandato para o qual foi eleita. Nesta entrevista especial aoBoletim NPC, ela mostra como a sociedade brasileira está sendo prejudicada com o desmonte da comunicação pública.
Em 1º de setembro último, o governo editou a Medida Provisória 744 que alterou a Lei no 11.652, de 7 de abril de 2008, criadora da EBC. “Numa canetada só ele comete um crime contra a sociedade brasileira, desmontando toda uma estrutura democrática e plural de comunicação”, indigna-se Freire.  Para ela, a MP significa que a sociedade perdeu a voz e está sob censura.
Em tempos estranhos como o que o Brasil vive, é importante explicarmos o que é a comunicação pública e o que ela difere da oficial ou estatal. Pode falar sobre isso?
Rita Freire – Primeiramente, precisamos explicar que a comunicação pública é um direito assegurado pela Constituição, que definiu que o país deveria ter um sistema de comunicação em complementaridade ao regime privado, estatal e público. Ou seja, é quando a comunicação não está submetida aos ditames e ordens do governo de plantão, de partidos políticos e do mercado. É um sistema que existe a partir da gestão soberana da sociedade, com participação em caráter deliberativo para que seja realmente um sistema público.
Como estava estruturada a EBC, depois de oito anos de existência?
Rita Freire – Além de ser uma empresa com vários veículos, com nove rádios, a TV Brasil chegava à Amazônia e ao Tocantins. Tinha uma agência de notícias que atendia a mídia estatal, privada, livre e alternativa; e uma rádioagência que distribuía conteúdo para rádios comunitárias. Além de todo esse conjunto, a empresa tinha um papel de organizar toda a rede nacional de comunicação pública, que envolve as mídias dos estados, universitárias e, do ponto de vista do nosso entendimento, as comunitárias e alternativas.
Não é uma comunicação oficial, de governo ou governista. Não é uma comunicação de mercado.
Rita Freire –
 Exatamente. É isso que define uma comunicação pública. Em vários países do mundo essa comunicação está sob a gestão de conselhos que representam a sociedade. E era essa a condição da EBC até sair a MP 744, que afastou a sociedade da gestão da empresa ao extinguir o Conselho Curador, acabou com a sua autonomia ao determinar que a presidência da empresa pode ser trocada a qualquer tempo pelo Presidente da República. Isso significa que, se ela não estiver atendendo aos interesses do presidente ou do governo de plantão, ela muda de gestão. O Conselho Curador foi substituído por um conselho de administração formado por ministros do governo, que passa a definir todo o conteúdo a ser gerado e distribuído.
Um atentado à liberdade de expressão?
Rita Freire – Total. Com uma canetada esse governo se sentiu no direito de tirar das mãos da sociedade o seu sistema de comunicação pública. A EBC era o coração desse sistema público e democrático de comunicação, que tinha a responsabilidade, ainda, de fomentar a produção independente e regional. Ela nasceu como uma contribuição de fomento à radiodifusão pública. Foi um erro não fortalecer a comunicação pública, restringindo, inclusive, o envio de recursos públicos para a EBC. Atacar a EBC é desmontar esse sistema. Passamos a uma fase de resistência agora.
Como era formado o Conselho Curador?
Rita Freire – Ele era integrado por 22 membros, sendo 15 da sociedade civil, dois do Congresso Nacional, um da área dos trabalhadores e quatro do governo. O conselho poderia até destituir o presidente da EBC [que tinha mandato de quatro anos]. Destaco uma ação importante do nosso Conselho que era o de assegurar conteúdo infanto-juvenil de qualidade. Éramos a única TV aberta com essa programação diferenciada, feita para a criança e o jovem do País. Esse governo já cortou recurso que garantia esse conteúdo. Na verdade estamos vivendo um estado de exceção, vivendo fraudes dentro da vida institucional brasileira. A EBC está sendo tratada como um prêmio de consolação para o deputado Eduardo Cunha [cassado no dia 13 de setembro último] por ter iniciado o processo de impeachment contra a presidente eleita Dilma Rousseff, indicando o presidente da empresa, que fez muitos estragos quando também esteve à frente do setor de comunicação da Câmara dos Deputados. Se a EBC não for aniquilada, nas condições impostas pela MP, cumprirá apenas um papel de assessoria de imprensa do governo.

Depois do golpe, por Reginaldo Moraes

Depois do golpe, por Reginaldo Moraes

golpe
A partir de agora, existe um desafio duplo, para os progressistas e para todas as tintas de esquerda: no curto e no longo prazo. Construir a resistência, derrotar os impostores e recompor o campo progressistas.
Este artigo ainda não é uma análise. É uma exposição inicial dos motivos pelos quais a esquerda e a frente progressista precisam de muita análise e, principalmente, de ações que deem consequência a tais reflexões.
O golpe de estado de agosto de 2016 abre um novo período para a luta política no Brasil. Nada será como antes amanhã ou depois de amanhã.
O que tivemos nessa decisão do Senado foi a confirmação do que vinha sendo planejado pelos poderes de fato há bastante tempo. Não se trata apenas de interromper um mandato. Trata-se de mudar o regime político, cassando a soberania popular e substituindo-a pela “opinião dos homens de bem”, isto é, pelos homens de bens. Acabou aquilo que se conquistou há mais de 30 anos, acabou a escolha dos governantes pelo voto direto. Não mais “diretas-já”, nem mesmo aquelas que tivemos até aqui, corrompidas pelo dinheiro das empresas. Eleição só vale se tiver o resultado desejado pelos homens de bens.
A partir de agora, existe um desafio duplo, para os progressistas e para todas as tintas de esquerda: no curto e no longo prazo. Construir a resistência, derrotar os impostores e, por outro lado, recompor o campo dos progressistas.
Em curto prazo, impõe-se a resistência ao choque depois do choque. Explico: o golpe pode ser um choque para muitos de nós, ainda que anunciado. Mas ele é apenas o início e um meio para implantar um programa completo de retrocessos com os quais sonham as frações mais reacionárias do capitalismo brasileiro e, sublinho, dos grandes interesses internacionais, capitaneados pelos norte-americanos, uma vez mais na história da América Latina.
É um golpe antipopular e vende-pátria. Em curto prazo, portanto, temos a necessidade de instabilizar o governo golpista e promover a reconquista das “diretas-já”.
As táticas de tortura dos golpistas
A primeira coisa que devemos perceber, para construir a resistência ao golpe, é o método de destruição que os golpistas têm utilizado e como podemos contra-atacar. A escritora Naomi Klein já alertou sobre isso. Faz pelo menos dois anos que estamos sob um cerco parecido ao que se aplica a prisioneiros, para que fraquejem e “colaborem” com seus torturadores. O prisioneiro é submetido a isolamento, para que não saiba o que fazem e dizem seus companheiros, para que duvide de si mesmo, dos outros e de suas crenças. Para que sua identidade, enfim, seja destruída.
Um ataque permanente e incessante desse tipo tem sido orquestrado pelos partidos de direita, pelo judiciário e pela mídia. Não apenas contra o PT, mas contra os movimentos populares e a esquerda em geral. Os promotores e juízes inventam qualquer bomba, mesmo que ela seja ridícula do ponto de vista legal, jurídico. Não importa, seu objetivo é nos colocar na defensiva.
O mesmo ocorre com a mídia. Muito do que eles fazem é feito para ir além de atingir a chamada “opinião pública”: é para enfraquecer nossa resistência, constranger e confundir o nosso campo. Quando não temos redes de comunicação sequer para informar nossa própria tropa, ficamos “informados” e “conformados” por aquilo que eles jogam na nossa cabeça.
A primeira coisa que precisamos fazer é resistir ao confinamento: nunca fique sozinho, nunca pense sozinho. Mas para isso é preciso construir nossa rede. Não podemos saber o que fazem e pensam nossos companheiros e nossas lideranças através do filtro deles, da mídia deles.
Depois do “choque” do golpe, vem a aplicação das políticas para intensificar a exploração e submeter o país aos interesses imperialistas. A resistência a tais retrocessos tem que se prevenir contra a tentação de enfrentar obstáculos pontuais sem integrá-los no enfrentamento global do novo governo e do novo regime, o regime dos novos coronéis, que não usam farda, embora sonhem com ela.
É bem possível que o novo governo tente fazer com a resistência aquilo que Hitler pregava: cortar a oposição como um salame e comer fatia por fatia, separadamente. Explorando nossa fragmentação e nosso isolamento, confundindo e desorientando nossas tropas.
Resistir em cada árvore, mas não perder de vista a floresta
Retrocessos são anunciados em todos os cantos – na educação, na cultura, na previdência, nos direitos trabalhistas, na saúde, na moradia, nos programas sociais. A cada um deles, um grupo de atingidos certamente tomará a frente da resistência. Mas não podem ficar sozinhos nem ter a ilusão de, sozinhos e apenas nessa trincheira, impor uma derrota sem retorno ao poder constituído.
É preciso que em seu apoio venham os demais segmentos das forças progressistas, mesmo aqueles sequer tocados pelas medidas específicas. E é preciso, em cada confronto pontual e localizado, estabelecer claramente a ligação entre esse ataque parcial e a natureza do novo governo.
Essa não é uma luta fácil, exige tenacidade, constância e criatividade. Cabeça fria e coração quente. Exige alterar profundamente o quadro da opinião existente, sacudir os bolsões de atordoamento e indiferença, sobretudo nas faixas pobres da população que mais arcarão com os custos do choque. Exige instabilizar o lado de lá e cristalizar o lado de cá, refundar a esquerda e a frente progressista. Isto é, exige vincular o imediato com o estratégico e explorar a dialética das conquistas parciais. Dizia um poeta que em situações de crise tendemos a confundir o urgente com o essencial. Temos que aprender a combiná-los.
Outro país é possível
Essa reconstrução dos sonhos e dos caminhos para viabilizá-los, vai precisar de uma bandeira, clara e forte, compreensível e sensível, ao mesmo tempo realista e ousada. Já é possível adiantar algumas estrelas dessa bandeira, dessa nova Carta do Povo, porque apareceram já nas lutas anteriores.
1.Uma reforma tributária para reconstruir o país com justiça: menos imposto para quem trabalha e produz, cobrar de quem tem mais.
2.Reforma agrária e urbana: imposto territorial progressivo, nova lei de herança, fim da sociedade de herdeiros ociosos.
3.Reforma política: novas leis para a representação, livrar as campanhas do dinheiro dos ricos.
4.“Transparência”, contra operações secretas no setor público e nas empresas privadas. Não se trata apenas de publicar todos os gastos e salários do setor público, inclusive e sobretudo o de juízes de desembargadores. Direito dos trabalhadores, nas empresas e nos órgãos públicos, de acessar informações sobre suas operações, com a garantia de eleição de comitês nas empresas, com mandato protegido. O poder de fato não está apenas nos gabinetes executivos, nas câmaras legislativas e nos tribunais, está na produção da vida cotidiana.
5.Direito de resposta, regulação da grande mídia, libertar a informação e a cultura do controle dos milionários. Rever as concessões de rádio e TV.
A seguir, em outro artigo, voltaremos à discussão das trincheiras que perdemos e dos caminhos para reconstruir o movimento popular e a frente progressista. A lua é pequena e a caminhada é longa.
Fonte: http://brasildebate.com.br/depois-do-golpe.