segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A "justiça pacificadora" do STF

11/12/2016 18:43 - Copyleft

A "justiça pacificadora" do STF

Semana começou com disputa entre Senado e STF em torno da permanência de Renan Calheiros na presidência, e terminou com Temer citado 43 vezes em delação


Tatiana Carlotti
Ueslei Marcelino/Reuters
Aumenta a tensão em Brasília. A semana começou com a disputa entre Senado e Supremo Tribunal Federal (STF) em torno da permanência de Renan Calheiros (PMDB) na presidência da Casa legislativa. E terminou com o decorativo sendo citado 43 vezes, na delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-diretor da Odebrecht.
 
Dividida em “capítulos”, a delação de Melo foi devidamente turbinada pela mídia golpista. O Jornal Nacional, por exemplo, destinou sete minutos apenas ao “capítulo Temer”, cobrindo desde sexta-feira o depoimento do ex-diretor da Odebrecht, apresentado como o responsável pelas negociações entre a construtora e o Congresso Nacional.  
 
Segundo Melo, Michel Temer teria negociado um repasse de R$ 10 milhões junto à construtora. Da soma, R$ 4 milhões foram recebidos pelo ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e R$ 6 milhões alocados na campanha de Paulo Skaff (dono do Pato) que, na época, era candidato ao governo paulista.
 
Melo cita vários políticos da entourage de Temer: Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (ex-Secretário Geral da República), Moreira Franco (Secretário de Políticas e Empreendimentos), Renan Calheiros (presidente do Senado), Rodrigo Maia (presidente da Câmara), Romero Jucá (ex-ministro e atual chefe do governo na Câmara), Eduardo Cunha...





 
E mais: 77 executivos da Odebrecht já assinaram acordos de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PRG). Como eles citam parlamentares (cerca de 200), os acordos precisam ser homologados pelo ministro Teori Zavascki (STF). Importante: somente depois da homologação, começa a fase de investigação e de busca de provas.
 
Não à toa, neste domingo, a Folha de São Paulo estampa: “Reprovação a Temer dispara sob pessimismo econômico”: 51% desaprovam o governo e 41% acham que a economia vai se deteriorar.
 
 
 
O bis de Renan
Alvo de 11 inquéritos no STF, oito só na Operação Lava Jato, Renan se tornou réu no começo do mês, sob acusação de peculato. A suspeita é que ele tenha desviado R$ 1,9 milhão em verbas indenizatórias do seu gabinete para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, entre 2004 a 2006.
 
Na segunda-feira (05.12.2016), o ministro Marco Aurélio validou uma ação cautelar apresentada pela Rede Sustentabilidade, seguindo o mesmo precedente utilizado no afastamento do ex-deputado Eduardo Cunha. Pela ação cautelar, réu em uma ação penal não pode ocupar cargo que o deixe na linha sucessória da Presidência da República.
 
Ao acatá-la, o ministro Marco Aurélio determinou o afastamento imediato de Renan que se recusou a sair da presidência do Senado, com apoio dos parlamentares, entre eles Jorge Viana (PT-AC) que o substituiria no cargo. Gilmar Mendes também entrou em ação, sugerindo “inimputabilidade” ou “impeachment” de seu colega de Corte.
 
“No Nordeste se diz que não se corre atrás de doido porque não se sabe para onde ele vai”, afirmousobre Marco Aurélio, qualificando o afastamento do presidente do Senado de “indecente”, afirmou Mendes.
 
O imbróglio foi resolvido apenas na quarta-feira (08.12.2016). Com placar de seis a três, o STF marchou na contramão da opinião pública, mantendo Renan no cargo, mas com um adendo: ele não poderá assumir a Presidência da República na condição de réu, caso a oportunidade lhe caia no colo.
 
Foi correta a decisão do STF? 
Em sua participação no Entre Aspas, o professor de Direito Penal da USP, Pierpaolo Bottini afirma que o STF agiu de forma equivocada, inclusive, em duas decisões: a que validou a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) apresentada pela Rede; e a que determinou o afastamento do presidente do Senado.
 
Lembrando a “combalida questão da presunção da inocência”, Bottini destacou “a pessoa que é ré em um processo ainda não foi condenada, não foi julgada e, portanto, não tem que perder seus direitos ou prerrogativas por conta do recebimento de uma ação penal”.
 
Com esta decisão, “o Supremo disse que o Senado não está mais na linha de sucessão, porque seu presidente tem uma denúncia recebida”, afirmou, apontando duas situações perversas que podem ser utilizadas com o precedente aberto nesta semana pelo STF:
 
Primeira: “Se alguém é afastado da linha sucessória por ter uma ação penal contra ele [caso do Renan], você pode, num próximo passo, dizer que qualquer pessoa que tenha uma denúncia recebida não pode ser candidata à Presidência da República. A premissa é a mesma. Você está criando uma hipótese de ilegibilidade que não está prevista na Constituição”
 
Segunda: a decisão do STF transfere “poder a todos os juízes” ao torna-los “capazes de inviabilizar uma pessoa de ser presidente do Senado”, porque o processo seguirá para ao STF. Basta uma denúncia para inviabilizar a linha sucessória da Presidência, afirmou Bottini, ponderando que o STF “não disse isso, mas foram abertos pontos que podem levar à essa interpretação”.
 
Papel do STF
O professor de Direito Constitucional da FGV, Rubens Glezer, que também participou do Entre Aspas, destacou que “eles [STF] querem limitar o exercício do poder, sem nenhuma limitação de poder dos próprios ministros do STF”.
 
Ele apontou, inclusive, três problemas latentes na Corte, hoje: o vôo solo dos ministros do STF, a ausência de controle do poder exercido pela Corte, e o baque na reputação do STF junto à opinião pública. “A função do STF é moderar o conflito entre os Poderes. O Direito entra para esfriar a temperatura da política”, lembrou Glezer.
 
Os advogados debateram, também, as diferenças entre o afastamento de Eduardo Cunha e Renan Calheiros destacando que, no caso de Cunha, havia o agravante, com indícios, de que ele estava usando o cargo para obstruir as investigações da Lava Jato. (Confira o Entre Aspas aqui).
 
Há também um outro aspecto no afastamento de Cunha.
 
Entre o pedido de afastamento do deputado e sua efetiva saída da presidência da Câmara se passaram cinco meses. Em dezembro de 2015, quando Dilma Rousseff ainda era presidenta, Rodrigo Janot (PGR) entrou com uma ação no STF pedindo o afastamento do então deputado, alegando que ele estaria atrapalhando a Lava Jato.
 
Cunha, porém, só foi afastado cinco meses depois, em 5 de maio, pelo ministro Teori Zavasck (STF), porque, após o impeachment, Cunha se tornara o primeiro na linha sucessória. O mesmo argumento foi usado, agora no caso de Renan, mas ele não é o sucessor direto de Temer. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, seria a próxima catástrofe.
 
O Acordão
A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, entrou em ação para resolver o imbróglio Legislativo X Judiciário. Apoiando a permanência de Renan, ela disse existir “uma enorme intolerância com a falta de eficiência do Poder Público”, levando-nos a pensar “como é que temos de agir para que a sociedade não desacredite no Estado, uma vez que o Estado democrático previsto constitucionalmente parece ser até aqui a nossa única opção”.
 
A ministra foi categórica: “Ou é a democracia ou a guerra. E o papel da Justiça é exatamente pacificar”.
 
Algumas dúvidas:
 
Quando a ministra menciona a crença nas instituições, ela está se referindo ao Judiciário que vem abusando de seus poderes, com o bumbo da mídia e, pelo acordão, do STF também?
 
Ao Legislativo que votou o impeachment de Dilma sem crime de responsabilidade, agradecendo a Deus e à família?
 
Ao Executivo que deu golpe para impor o Estado mínimo que há mais de uma década, vinha sendo sucessivamente rejeitado nas urnas?
 
Como falar em confiança nas instituições democráticas se elas estão desmontando o Estado de Direito e a Constituição de 1988?
 
Outro ponto não mencionado pela presidente do STF foi seu pedido ao decorativo, domingo retrasado (27.11.2016). Temer afirmou ao jornalão da Família Marinho, que Carmem Lúcia havia feito um “apelo institucional”, encaminhado por ele a Renan, para evitar a tramitação da Lei de Abuso de Autoridades no Senado.
 
“O senador Renan Calheiros e alguns parlamentares, aos quais transmiti esse apelo, apresentaram fortes argumentos para que a matéria não fosse retirada da pauta. Eu tinha dito a eles que endossava totalmente as preocupações da presidente Carmem Lúcia. Mas eles, em função de seus argumentos, mantiveram-se irredutíveis”, disse o decorativo.
 
Como aponta Jessé Souza, o Brasil vive um “esgarçamento institucional”. Ao ao GGN de Luis Nassif, o cientista político afirmou: “você assalta a soberania popular, e na hora de dividir o saque [acontece o conflito] porque, é claro, os atores entraram apostando o que tinham”.
 
Destacando o “simulacro de realidade” construído pela mídia golpista, que ainda “está pautando a realidade”, Souza destaca que “a médio prazo isso vai ter uma crise importante de confiança”, porque “não se mexe em coisas como soberania popular, achando que você pode encontrar um substituto para isso. Não existe isso [a democracia] é o único acordo societário possível”.
 
Ele também denunciou que “a soberania popular está sendo soterrada por uma força sem rosto do capitalismo mundial”, questionando: “sem saber exatamente quem é o inimigo, como acertar o alvo?" Souza ponderou ainda que as investigações da Lava-Jato, por razões óbvias, “não podem chegar ao PSDB”, porque foi justamente “a banca rentista” que financiou o golpe.
 
“Acho que essas coisas todas estão sendo postas agora de modo muito nu”, afirmou.
 
Nu e cru:
 
Para além do desgoverno e das farpas trocadas entre os Poderes, uma outra guerra vem sendo travada no país: a imposição do Estado mínimo, que será consolidado com a aprovação da PEC 55 (ex-PEC 241) na próxima terça-feira, à revelia da vontade popular e contra os direitos constitucionais de milhões de brasileiros.
 
Não há mistérios. Assim como Cunha foi mantido para consolidar o golpe; Renan se manteve no cargo porque cabe a ele garantir a votação das propostas do governo. Propostas que desmontam o Estado cidadão garantido pela Constituição de 1988.
 
Essa é a guerra - do Estado golpista versus a população – que os golpistas da mídia, do Parlamento, do Judiciário, do Legislativo ocultam, enquanto se estapeiam publicamente. Note que até as Nações Unidas alertaram contra o retrocesso representando pela PEC 55.
 
É neste contexto que o senador Lindberg Farias irritou o senador Renan Calheiros ao afirmar: “Vossa Excelência tem que entregar a mercadoria agora!”. Uma mercadoria, diga-se de passagem, que será paga com o seu dinheiro e, também, com os seus direitos.


Créditos da foto: Ueslei Marcelino/Reuters




Cientista político chama atenção sobre Moro e Janot

10/12/2016 18:07 - Copyleft

Cientista político chama atenção sobre Moro e Janot

Cientista político alerta os brasileiros sobre o juiz Moro e o Procurador Geral da República, por considerar que eles "atuam com os EUA contra o Brasil"


Mario Augusto Jakobskind (*)
Reprodução
Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor do importante livro “A Desordem Mundial – o espectro da total dominação”, que apresenta aos leitores informações geralmente omitidas pelos meios de comunicação conservadores, acabou de mais uma vez brindar os brasileiros com revelações sobre a Operação Lava Jato.
 
Moniz Bandeira, cientista político, e analista abalizado do momento atual, tanto nacional como internacional, alerta os brasileiros sobre o juiz Sérgio Moro e o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, por considerá-los que “atuam com os Estados Unidos contra o Brasil"
 
Conhecido também por dissecar o poderio norte-americano na desestabilização de países, Moniz Bandeira garante que Moro e Janot “avançam nos prejuízos provocados ao país e à economia nacional”.
 
Para o cientista político, "os prejuízos que causaram e estão a causar à economia brasileira, paralisando a Petrobras, as empresas construtoras nacionais e toda a cadeia produtiva, ultrapassam, em uma escala imensurável, todos os prejuízos da corrupção que eles alegam combater. O que estão a fazer é desestruturar, paralisar e descapitalizar as empresas brasileiras, estatais e privadas, como a Odebrecht, que competem no mercado internacional, América do Sul e África".





 
Numa longa entrevista, Moniz Bandeira adverte que "a delação premiada é similar a um método fascista e Isso faz lembrar a Gestapo ou os processos de Moscou, ao tempo de Stálin, com acusações fabricadas pela GPU (serviço secreto)".
 
Moniz Bandeira também não poupa o golpista usurpador Michel Temer, por entender que ele "não governa", mas segue apenas as coordenadas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, "representante do sistema financeiro internacional".
 
E, segundo ainda Moniz Bandeira, não há dúvidas quanto ao propósito do golpista Temer de “jogar o peso da crise sobre os assalariados, para atender à soi-disant, 'confiança do mercado', isto é, favorecer os rendimentos do capital financeiro, especulativo, investido no Brasil, e de uma ínfima camada da população - cerca de 46 bilionários e 10.300 multimilionários".
 
Os alertas de Moniz Bandeira são importantes de serem conhecidos pelo povo brasileiro, que só tem tido informações através da cobertura midiática conservadora e reflexões dos tais colunistas de sempre. Assim sendo, leitores dos jornalões e telespectadores dos telejornalões só estão formando opinião com base em um noticiário de uma fonte, o tal “samba de uma nota só”.
 
Com isso, movimentos que se apresentam como apologistas da luta contra a corrupção, de linha ideológica nitidamente de direita, conseguem manipular setores da opinião pública que passaram pela lavagem cerebral e saem às ruas estimulados pelos meios de comunicação eletrônicos que destacam as mobilizações, inflando-as de forma a repercutir nacionalmente e com o objetivo claro de criar um fato político.
 
Foi o que aconteceu no último domingo (4), quando os telejornalões noticiaram com alarde, não escondendo o estímulo dos telespectadores a participar das manifestações em defesa da Operação Lava Jato que é apresentada como a única forma de combater a corrupção, omitindo informações apresentadas pelo cientista político Moniz Bandeira.
 
O Senador Roberto Requião, inclusive em tom irreverente, considerou os manifestantes que imaginam estar combatendo a corrupção como “mentecaptos manipuláveis”, exatamente pelo fato de estarem se guiando por informações da mídia conservadora que omite advertências com as apresentadas pelo cientista político Moniz Bandeira.
 
(*) Publicado originalmente no Brasil de Fato


Créditos da foto: Reprodução

'Povo ainda vai voltar a sentir orgulho de ser brasileiro', diz Lula

10/12/2016 17:05 - Copyleft

'Povo ainda vai voltar a sentir orgulho de ser brasileiro', diz Lula

Em Heliópolis, o ex-presidente criticou a agenda do Planalto e se diz desapontado com Henrique Meirelles: "ele sabe que deste jeito não vai consertar nada"


Redação Rede Brasil Atual (*)
RICARDO STUCKERT
São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou hoje (9) do Congresso da União dos Núcleos, Associações de Moradores de Heliópolis e Região (Unas), no CEU Parque Bristol, na zona sul da capital paulista. Lula discursou sobre a atual conjuntura política do país e a agenda do presidente Michel Temer (PMDB). “Existe um motivo para bater panela, aliás, motivo para bater a cabeça na parede”, afirmou.
 
“Parece que o sujeito que redigiu a regulamentação do trabalho escravo é que está sugerindo essa reforma da Previdência”, disse sobre a proposta do Planalto que dificulta o acesso à aposentadoria dos brasileiros ao estabelecer uma idade mínima de 65 anos para homens e mulheres acessarem o benefício, bem como 49 anos de contribuição para poder receber o teto.
 
Lula lamentou o apoio do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que está liderando posições de austeridade como a reforma da Previdência e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que congela os investimentos da União ao teto da inflação do ano anterior por 20 anos em áreas como saúde e educação. “Eu fico até chateado com o Meirelles, porque ele sabe”, disse sobre o ministro que também integrou sua equipe. “Ele sabe que do jeito que ele está fazendo não vai consertar nada. Pode até agradar os bancos, mas não vai consertar a economia”, disse.
 
O problema, de acordo com o ex-presidente, é a situação que a agenda Temer está criando para as camadas mais pobres da sociedade. “Os pobres não têm sindicato, não têm dinheiro para fazer protesto, ninguém que os represente. Essas pessoas sabiam que quando nascia seu filho, ele estava predestinado a ter o ensino fundamental e só. Nunca a elite deste país se preocupou com o ensino superior para os mais pobres”, acrescentou Lula.




 
“Quem nasceu na cidade não faz ideia da enorme conquista que foi levar energia para 15 milhões de pessoas deste país. Quem chamava o Bolsa Família de bolsa esmola não tem o menor conhecimento do povo pobre, que não vai se contentar com viver com 100, 150 reais por mês”, afirmou Lula. Para o ex-presidente, a ascensão da direita e o ódio à esquerda não é divergência política. "Na minha opinião, o ódio contra o PT, contra Lula, contra Dilma não tem outra razão a não ser o que foi feito neste país nesses 12 anos”, afirmou.
 
Por fim, Lula afirmou que a saída para o país é investir nos mais pobres, colocar essas camadas no orçamento, assim, incentivando o crescimento. “Esse povo ainda vai voltar a sentir orgulho de ser brasileiro”, finalizou.


Créditos da foto: RICARDO STUCKERT

Stédile lança Lula já

10/12/2016 16:21 - Copyleft

Stédile lança Lula já

João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST, defende que Lula seja imediatamente lançado candidato à Presidência do Brasil


Jeferson Miola (*)
Reprodução: contextolivre.com.br
Em passagem por Porto Alegre para participar de evento promovido pelo deputado federal Deonilso Marcon, do PT/RS, João Pedro disse que a burguesia que perpetrou o golpe de Estado "precisa inviabilizar a volta de um projeto que seja comprometido com os trabalhadores. Faz parte do plano, portanto, a tentativa de impedir a candidatura Lula".
 
João Pedro comentou para um público de cerca de 500 ativistas e militantes que "a burguesia deu um golpe para recuperar a taxa de lucro, voltar a acumular nas suas empresas e jogar todo o peso da crise sobre a classe trabalhadora".
 
Segundo ele, os golpistas colocam em prática medidas para aumentar "a exploração dos trabalhadores e para se apropriar de dinheiro público através da PEC 55, do corte de investimentos sociais e dos bens da natureza, como o petróleo e a água".
 
O líder do MST entende que "isso só se completa com a inviabilização da candidatura Lula em 2018, porque eles sabem que este plano neoliberal é contra os trabalhadores; é anti-popular, e não vai tirar a economia da crise".





 
Para Stédile, as forças populares têm desafios fundamentais: "precisa fazer lutas de massas, ir para a rua, defender seus direitos que agora estão ameaçados com a PEC 55, com as medidas da CLT, com a reforma da previdência, que é um assalto aos direitos consagrados dos trabalhadores".
 
Para ele, "porém, só isso não basta. É preciso imediatamente garantir o direito do Lula ser candidato".
 
Stédile entende que se deve lançar já a candidatura do Lula nas ruas, "para constranger a perseguição que estão fazendo a ele e para demonstrar para a república de Curitiba que eles não vão prender um ex-presidente, eles vão tentar prender um candidato a presidente".
 
João Pedro defende, ainda, a realização de um amplo debate nacional para discutir um programa alternativo que supere tanto o neo-desenvolvimentismo como a política de conciliação dos anos Lula e Dilma que, na sua visão, não respondem aos desafios do futuro.


Créditos da foto: Reprodução: contextolivre.com.br

Delação da Odebrecht: Temer e Alckmin seriam beneficiários de caixa dois

10/12/2016 18:33 - Copyleft

Delação da Odebrecht: Temer e Alckmin seriam beneficiários de caixa dois

As delações da empreiteira Odebrecht começam a fazer primeiras vítimas, ao menos nas páginas dos jornais, já desgastando a imagem de quem se achava ileso


GIL ALESSI (*)
EVARISTO SA - AFP
As delações da Odebrecht começam a fazer suas primeiras vítimas. Pelo menos nas páginas dos jornais. O presidente Michel Temer (PMDB) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aparecem como beneficiários de caixa dois em denúncias vazadas por meio da imprensa nesta sexta-feira. As delações ainda não foram nem homologadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas já desgastam a imagem de quem vinha passando ileso pela Operação Lava Jato.
 
No caso de Temer, noticia o Buzzfeed, o caixa dois seria de 10 milhões de reais, que teriam irrigado as campanhas de Paulo Skaf ao Governo de São Paulo e outras campanhas do PMDB. O dinheiro teria sido entregue no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e conselheiro próximo de Temer. Segundo o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, Temer acertou o repasse durante um jantar em maio de 2014 no Palácio do Jaburu. Yunes negou qualquer irregularidade ao Buzzfeed e se disse "indignado" com as acusações. 
 
Temer já tinha sido mencionado no âmbito das delações da Lava Jato, mas não de uma forma tão direta, como personagem ativo em um pedido de caixa dois. A revelação de seu possível envolvimento em ilícito chega em um momento delicado para o Governo, que tenta aprovar reformas enquanto o Congresso Nacional borbulha — o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), cuja liderança no parlamento se tornou crucial para Temer, foi salvo no último minuto depois de ter o cargo em risco.
 
No final do dia, a comunicação do Planalto divulgou uma nota informando que o presidente “repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho. As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, termina a nota.





 
No caso de Alckmin, o caixa dois teria abastecido as campanhas de 2010 e 2014. A informação constaria na delação premiada dos executivos e diretores da empreiteira, firmada no âmbito da Operação Lava Jato, e foi divulgada nesta sexta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, os pagamentos teriam sido feitos a duas pessoas próximas ao político tucano: uma delas seria o empresário Adhemar Ribeiro, irmão da mulher de Alckmin. Em 2010, ele teria recebido 2 milhões em espécie, pagos em seu escritório. As delações da Odebrecht devem fazer com que a Lava Jato dobre de tamanho, e existe a expectativa que atinjam políticos tucanos — até então mantidos à margem da investigação — e o próprio presidente Michel Temer.
 
A operação é alvo constante de críticas porque não estaria se aprofundando nos eventuais crimes cometidos durante governos tucanos.
 
De acordo com a delação revelada pela Folha, os valores pagos em caixa 2 para o tucano na disputa da reeleição, em 2014, ainda não são conhecidos. O intermediário dos pagamentos naquele ano seria, segundo a reportagem, o atual secretário de Planejamento do Governo de São Paulo, Marcos Monteiro. À época ele atuava como tesoureiro da campanha tucana. Nas duas eleições em questão Alckmin venceu no primeiro turno. Na prestação de contas de Alckmin para o Tribunal Superior Eleitoralnão constam doações diretas da Odebrecht, apenas de uma de suas subsidiárias, a Braskem, nos valores de 100.000 reais e 200.000 reais.
 
As informações teriam sido repassadas às autoridades por Carlos Armando Paschoal, ex-diretor da empreiteira em São Paulo e um dos encarregados de negociar as doações eleitorais para políticos. Paschoal também seria o responsável pelo repasse de 23 milhões de reais à campanha presidencial de José Serra (PSDB) em 2010, informação esta que foi noticiada em outubro pelos principais jornais do país. Atualmente o tucano ocupa a pasta das Relações Exteriores, e já afirmou anteriormente que todos os valores recebidos foram declarados à Justiça.
 
É a primeira vez em mais de dois anos de investigação que o nome do governador de São Paulo se vê associado diretamente à Lava Jato, embora o conteúdo da delação ainda não tenha sido homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Esta, porém, tem sido a dinâmica da investigação desde o princípio: informações são vazadas para alguns veículos e depois acabam se confirmando quando o material é tornado público. Até então, o PSDB era um dos partidos menos atingidos pela investigação, muito embora o ex-presidente nacional do partido Sérgio Guerra (morto em 2010), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tenham sido citados. Desta vez, é o nome de um governador do Estado mais rico do país, que já era apontado como um presidenciável competitivo para 2018, principalmente depois da vitória de seu afilhado João Doria Jr. na eleição a prefeito de São Paulo. E a delação envolvendo Alckmin tem cifras detalhadas e o nome dos operadores do esquema, ao contrário do que ocorreu com Aécio.
 
Nas planilhas da Odebrecht onde constam os balanços de pagamentos feitos a políticos, Geraldo Alckmin apareceria com o codinome Santo. Segundo os documentos, repasses da empreiteira para o tucano teriam sido feitos já em 2002, durante a primeira passagem de Alckmin pelo Palácio dos Bandeirantes. O apelido também aparece em mensagens de executivos da Odebrecht relativas à construção da linha 4-Amarela do metrô. A obra está na mira das autoridades por suspeita de pagamento de propinas.
 
Os depoimentos de 77 executivos e diretores da Odebrecht começaram nesta semana, após a empreiteira assinar um acordo de leniência. Pelos termos da negociação, a construtora se comprometeu a pagar uma multa de 6,7 bilhões de reais ao longo de 23 anos – a maior indenização paga por uma companhia brasileira por crimes de corrupção. Parte dos recursos será revertido para autoridades dos Estados Unidos e Suíça, mas a maioria irá para os cofres públicos brasileiros. A força-tarefa da Lava Jato montou um esquema especial para ouvir todos os executivos até o início do recesso do Judiciário, no dia 20 de dezembro.
 
O herdeiro da empresa Marcelo Odebrecht está preso desde junho do ano passado. Condenado em março pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, o empreiteiro fechou em novembro um acordo para cumprir pena de dez anos. Ele ainda ficará no regime fechado até o final do ano que vem, e depois irá progredir para os regimes semiaberto e aberto. O depoimento de Odebrecht deve começar na semana que vem.
 
O nome de Alckmin, e eventuais desdobramentos a partir da investigação das delações da Odebrecht, mostram que os tucanos também podem ter de explicar a 'caixa preta' do PSDB que será aberta a partir de agora. Ao menos é essa a expectativa que a própria equipe de investigadores da Lava Jato gerou quando repete que a investigação é apartidária e atinge a todos, sem exceção. “Nossa corrupção não é partidária, é decorrente do nosso sistema político”, afirmou em abril o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. “É isso que acontece, e é isso que a Lava Jato pretende investigar.” Agora, a força tarefa parece ter encontrado um fio do novelo que também envolve o PSDB.
 
Em nota, o governador afirmou que "Apenas os tesoureiros das campanhas, todos oficiais, foram autorizados pelo governador Geraldo Alckmin a arrecadar fundos dentro do que determina a legislação eleitoral". À Folha, a assessoria de Monteiro afirmou que ele “presta contas do fundo partidário à Justiça Eleitoral com regularidade". A reportagem não conseguiu entrar em contato com os advogados de Ribeiro.
 
 
(*) Publicado originalmente no EL PAÍS


Créditos da foto: EVARISTO SA - AFP



Frente Brasil Popular atualiza plataforma política e convoca jornadas para 2017

10/12/2016 17:37 - Copyleft

Frente Brasil Popular atualiza plataforma política e convoca jornadas para 2017

Encontro homenageou Fidel Castro e teve participação de setores da sociedade, como juventude, movimentos do campo, da saúde, sindicais, setores religiosos


Redação Brasil de Fato MG (*)
Lidyane Ponciano
Durante dois dias (7 e 8), cerca de 300 lideranças, de 100 organizações populares brasileiras, se reuniram para atualizar a linha política da Frente Brasil Popular (FBP). O encontro, que homenageou Fidel Castro, ocorreu em Belo Horizonte e teve participação de amplo espectro de setores da sociedade, como juventude, movimentos do campo, da saúde, sindicais, setores religiosos. O evento se insere na construção de unidade entre as forças políticas contrárias ao golpe em curso no país. Economia, crise política e institucional foram pontos principais de discussão, que produziram, entre outros resultados, o consenso em defender “Diretas Já” para a presidência. Manifestações já estão programadas para 2017.
 
Na análise econômica, a FBP alerta para uma perspectiva de depressão econômica no país. Segundo o economista Marcio Pochmann, que participou da plenária, o país está em estado de recessão. Porém, as medidas adotadas pelo governo não eleito de Michel Temer apontam para uma destruição de direitos e a não recuperação do país, o que levaria a uma depressão econômica. “Hoje a indústria representa só 8% do PIB. Em poucos anos, o estado de São Paulo, polo industrial do país, perdeu 400 mil empregos e mais 150 mil devem desaparecer ainda ano que vem. Isso não se chama mais recessão, mas depressão”, explica o economista.
 
Resultados
A plenária nacional atualizou as bandeiras políticas e a plataforma de propostas para saídas da crise. Dentro da plataforma constam a luta contra o golpe e contra o governo Temer, e a eleição direta para presidente da República; em defesa dos direitos dos trabalhadores na educação, saúde, trabalhistas, da previdência, das mulheres, negros e LGBTs; em defesa das liberdades democráticas; a defesa de uma reforma política; e da soberania do país, contra as privatizações e proteção dos recursos naturais.
 





Para 2017, serão marcadas manifestações contra a Reforma da Previdência, contra a Proposta de Emenda Constitucional 55 e demais medidas de retirada de direitos dos trabalhadores. Em abril deve acontecer uma jornada de protestos, reforçando o calendário do Abril Vermelho, já realizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
 
A partir de janeiro a Frente propõe uma série de ocupações de órgãos municipais com intuito de pressioná-los a se posicionarem contra a Reforma da Previdência. Foi reafirmada também a convocação da II Conferência da Frente Brasil Popular para o segundo semestre de 2017.
 
Carta de Belo Horizonte
Como a plenária aconteceu na capital mineira, a síntese do encontro teve seu nome. A “Carta de Belo Horizonte” traz os principais assuntos tratados nos dois dias e as bandeiras políticas atualizadas.
 
Veja a Carta na íntegra:
Carta de Belo Horizonte - Primeira Plenária Nacional Frente Brasil Popular
 
Passados seis meses do ato de violência que consumou a deposição da presidenta Dilma Rousseff e deu posse a um presidente sem voto, o país vê agravados todos os problemas econômicos e sociais, e caminha para o caos e a convulsão  estão deteriorados, a começar pelo setor industrial, o mais sensível às crises econômicas, que, entre nós, já transita da recessão para a depressão.
 
O PIB encolheu 2,9%, numa sequência de dez meses consecutivos de queda, e fecharemos o ano com uma retração econômica de 3,4%. Os investimentos caíram 29% e o BNDES reduziu seu desembolso em 35%. Nenhum setor da economia está respondendo aos paliativos governamentais. Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE), o desemprego em dezembro é de 12%, e tende a continuar em alta. Hoje estão desempregadas 12 milhões de pessoas e a indústria paulista trabalha com nova leva 150 mil desempregados em 2017.
 
Paralelamente, o governo aposta na desnacionalização da economia e investe de forma criminosa na desestruturação da indústria petrolífera brasileira e um de seus alvos é a Petrobras, patrimônio de nossa nacionalidade.
 
A federação se esfacela com a falência de Estados e municípios, com todas as suas consequências como a maior deterioração dos serviços públicos, notadamente de saúde, educação e segurança pública, além do atraso dos salários de seus servidores. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, três dos Estados mais ricos da federação, já declararam ‘situação de calamidade financeira’.
 
Em vez de enfrentar os problemas encontrados - resultado de séculos de depredação capitalista – o governo ilegítimo os aprofunda e leva o país a uma grave crise política, ao ponto mesmo da degradação institucional e da falência administrativa. Em meio a um estado de acefalia, está instalada uma crise de Poderes, que prenuncia o esgotamento da ordem política fundada com a Constituição de 1988. Avança um estado de exceção, antipopular, antinacional e antidemocrático, que restringe direitos de defesa, ameaça lideranças políticas, dirigentes de movimentos populares e o presidente Lula.  O processo democrático, conquistado com tanta luta pela resistência popular à ditadura militar, está ameaçado. Cumpre nos preparar para construção da nova ordem, democrática e popular.
 
Parte de nossa luta deve estar voltada para a formulação de um Projeto de Brasil que se anteponha ao quadro atual, retomando o desenvolvimento, a distribuição de renda, o combate às desigualdades sociais, a defesa da economia nacional e a defesa da democracia. Esse Projeto de Brasil deve ser o resultado de amplo debate nas bases sociais, de sorte que dele possa participa o maior número de brasileiros.
 
Confiamos na capacidade de luta da classe trabalhadora brasileira, para, por meio das suas centrais sindicais, organizar a resistência aos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, construindo a greve geral.
 
Em toda e qualquer hipótese, a alternativa que se coloca para o povo braseiro é sua presença nas ruas. Foi a mobilização popular que em plena ditadura, conquistou a Anistia; foi a presença de nosso povo nas ruas que construiu a campanha das Diretas Já e assegurou a convocação da Constituinte.
 
Somente a unidade das forças progressistas e populares pode resistir aos ataques à democracia e ao mesmo tempo construir força política para implementar um programa de desenvolvimento econômico, social e político; somente nossa unidade pode enfrentar e derrotar o atual governo e as forças econômicas do atraso que o controlam. Só o voto popular pode superar essa crise político-institucional e apontar para uma nova ordem político social no interesse da Nação, do povo e da democracia, viabilizando as reformas estruturais no país.
 
A FBP avalia, em um balanço de suas atividades, que cumpriu o papel a que se destinara na sua criação, reunindo reflexão e práxis, mas se destacando em seu papel de aglutinação das forças de resistência ao golpe e agora ao governo Temer. Diante dos desafios interpostos pela conjuntura, a FPB convida todos os brasileiros a se integrarem no processo de construção da II Conferência Nacional a realizar-se no próximo ano. 
 
Bandeiras Políticas: 
1) Contra o Golpe, Fora Temer e Diretas Já; 
2) Nenhum direito a menos:  
- Em defesa do emprego, saúde, educação dos salários;  
- Em defesa dos direitos sociais (com protagonismo: LGBT, mulheres, negros e negras);  
- Contra: PEC 55, Reforma da Previdência e Terceirizações;  
3) Em defesa das liberdades democráticas e contra o Estado de Exceção;  
- Direito do Lula ser candidato;
- Contra os abusos do judiciário e do Ministério Público; 
- Contra a criminalização dos movimentos e da luta popular; 
- Contra o genocídio da juventude negra; 
- Contra o avanço do conservadorismo;
4) Por uma Reforma Política que amplie a participação e a democracia popular e propagandear a Constituinte como um horizonte estratégico;
5)  Defesa da soberania:  
- Defesa das estatais e bancos públicos, contra a privatizações;  
- Defesa das riquezas nacionais em especial a terra, petróleo a energia elétrica, minérios, água e biodiversidade;  
 
Belo Horizonte, 7 e 8 de dezembro de 2016.
 
(*) Publicado originalmente no Brasil de Fato


Créditos da foto: Lidyane Ponciano