terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares



Odebrecht, Tom Jobim e os militares.
(Ernesto Germano Parés)
“Minha janela não passa de um quadrado / A gente só vê Sérgio Dourado / Onde antes se via o Redentor”. (Toquinho, Tom Jobim e Chico Buarque).
Muitos conhecem a história dessa música, a resposta de Tom Jobim a Vinícius que havia escrito “Carta ao Tom 74”, falando que “Mesmo a tristeza da gente era mais bela / E além disso se via da janela / Um cantinho de céu e o Redentor”.
Mas qual a relação dessas duas belas músicas com o que estamos vendo sobre escândalos da Odebrecht e com o regime militar? Por que estamos fazendo uma comparação que, inicialmente, parece tão absurda?
Em primeiro lugar, porque sempre sentimos necessidade de responder a algumas pessoas que insistem em dizer que “não havia corrupção no regime militar”. Já escrevemos, várias vezes, mostrando que havia sim, e muito pior! Era muito mais danosa à nação, envolvia muito mais dinheiro, mas sempre ficava escondida porque a maior parte da imprensa nacional também estava envolvida nos processos e apoiava o regime, e a parte que não concordava ou que tentava denunciar vivia cercada pela mais dura censura que o país já conheceu.
Mas, para o que nos propomos nesse artigo, nossa história começa no final da década de 1960 e primeiros anos da década de 1970, quando o modelo econômico adotado pelos militares apostava na corrida imobiliária e nas grandes obras como motores para tirar a economia do marasmo em que havia sido jogada desde o golpe.
Curiosamente, com uma rápida pesquisa na Internet, vamos descobrir que a empresa Norberto Odebrecht, antes uma construtora de atuação regional, no Nordeste brasileiro, começa a se expandir rapidamente. Depois de 1969 a Odebrecht chega ao Sudeste e “conquista” grandes obras que lhe renderiam fama e, certamente, muito dinheiro: apenas no Rio de Janeiro, a empresa nordestina vence as concorrências e constrói o edifício-sede da Petrobras, o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Aeroporto Internacional do Galeão e a Usina Termonuclear Angra I! E não parou mais de crescer, passando depois a atuar no exterior, em particular em países da América Latina que também viviam regimes militares ou eram “simpatizantes” do modelo implantado na região.
Mas, vamos “puxar um pouco mais pela memória”. No dia 9 de novembro de 1968, com a presença da rainha Elizabeth II, era lançado o projeto de construção da Ponte Rio-Niterói. O contrato para a construção foi assinado no dia 4 de dezembro de 1968, dias antes da assinatura do AI-5 e quando o Brasil passava por grandes manifestações populares e estudantis contra o regime. E para quem gosta de “coincidências”, uma breve busca na Internet vai mostrar que, oficialmente, o “engenheiro responsável” pela obra era o coronel Mário Andreazza!
O consórcio vencedor da concorrência era formado pelas empresas Ferraz Cavalcanti, Companhia Construtora Brasileira de Estradas, Servix de Engenharia e Empresa de Melhoramentos e Construção. Uma clara demonstração de como pululavam no país empresas voltadas para esse segmento da engenharia. Dois anos depois, o tal consórcio já havia consumido mais de 70% do valor cobrado pela obra, mas só havia entregue 20% dos serviços contratados!
Ainda em 1970, o general Médici resolve intervir no processo e passa o contrato para o consórcio composto por Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Construtora Rabello e Sérgio Marques de Souza. O dinheiro gasto com o consórcio anterior “sumiu” e o novo consórcio também não deu conta do serviço no prazo determinado.
Vocês pensam que tudo acabou assim? Engano. Em janeiro de 1971, Médici assinou um decreto considerando de “utilidade pública” a obra. Desapropriou o consórcio construtor, assumiu os equipamentos e materiais usados e criou uma “empresa pública” para continuar a obra. Ou seja, agora tudo ficaria nas mãos do próprio governo e dos seus apaniguados, sem intermediários. Foi feito um novo contrato, no valor de Cr$ 438 milhões (Cr$ 200 milhões a mais do que o consórcio que estava sendo dispensado).
E o regime começou a agir como sabia agir: com truculência e falta de democracia. O coronel Andreazza transferiu-se, com família, papagaio, cachorro e tudo o mais, para o canteiro de obras na Ilha do Fundão. Foi criada uma “empresa construtora de pontes”, a Ecex, que passou a controlar toda a obra e o canteiro com guardas armados de metralhadoras. Isso eu não vi nos livros ou na Internet. Presenciei, pessoalmente.
Para o comando “dos operários” foi deslocado o então coronel João Carlos Guedes, militar conhecido por ser da “linha dura”. Ex-assessor de Andreazza, assumiu suas novas funções fazendo os 10 mil operários e 200 engenheiros tremerem nas bases ao cobrar o cumprimento dos prazos como se estivesse comandando uma ordem unida.
E a ponte foi, finalmente, construída e inaugurada. Uma grande obra, sempre mostrada como realização do regime militar. Mas o que muitas pessoas desconhecem é que, poucos anos depois da inauguração, um relatório do banco inglês N M Rothschild & Sons, que emprestou inicialmente ao Brasil US$ 22 milhões para a construção da ponte, mostrou que com o dinheiro gasto e os constantes reajustes de preços das empresas, aquele valor daria para construir quatro outras pontes idênticas!
Neste período floresceram, cresceram e se expandiram empresas como a própria Odebrecht, a Camargo Correa, Andrade Gutiérrez, Queiroz Galvão, Sérgio Dourado e muitas outras que, depois da redemocratização e da retirada dos militares do governo, passaram a ser cabides de empregos para muitos desses militares e seus protegidos.
O que pretendíamos mostrar com esse pequeno artigo é que, ao contrário do que muitos pensam, esses escândalos que envolvem a Odebrecht e outras empresas privadas não são novidades no Brasil. Já existiam há muito tempo, foram criados e alimentados há quarenta ou cinquenta anos, mas agora estão causando espanto!
Ou, como diz a música, “É, meu amigo / Só resta uma certeza / É preciso acabar...”
Cadê o 13º que estava aqui? Decreto assinado pelo presidente interino e golpista, Michel Temer, com o novo valor do salário mínimo, foi publicado no Diário Oficial da União de sexta-feira (30). O mínimo passou de R$ 880 para R$ 937, e começa a valer a partir de 1° de janeiro de 2017. O novo salário mínimo foi anunciado ontem (29) pelo governo federal. 
Em nota divulgada no início da noite dessa quinta-feira, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão informou que o reajuste significa um aumento de R$ 38,6 bilhões da massa salarial em 2017. Esse valor representa 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB) e, segundo o governo, terá “efeitos positivos na retomada do consumo e do crescimento econômico ao longo do ano”.
No dia 15 de dezembro, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento Geral da União para 2017 estabelecendo o novo salário mínimo no valor R$ 945,80. No anúncio oficial do valor, mais baixo, o governo explicou o motivo da alteração. A justificativa está no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para calcular o reajuste do mínimo e que foi menor do que o previsto inicialmente.
O Dieese aponta o salário mínimo como um fator de ampliação do mercado e de redução da desigualdade. Em 1995, com um piso nacional era possível comprar 1,02 cesta básica. Neste ano, 2,14, em valores de janeiro. O instituto calcula que 48 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, inclusive aposentados e pessoal da ativa.
Agora, preste atenção nos seguintes números: a) reajuste do Salário Mínimo previsto por Dilma - R$ 968,00; b) do Salário Mínimo previsto no orçamento em agosto e aprovado pelo Congresso - R$ 945,80; c) reajuste do Salário Mínimo que efetivamente será pago por Temer R$ 937,00. Entendeu?
Colômbia: uma no cravo, outra na ferradura (1). A Colômbia foi, durante a semana, fonte de boas e péssimas notícias. Uma história complexa que remete a pensar em tudo o que aconteceu no país, desde o governo do narcotraficante Álvaro Uribe.
Na quarta-feira (28), com 121 votos na Câmara dos Representantes e 69 no Senado, o Legislativo colombiano aprovou por unanimidade a lei de anistia, que beneficiará cerca de 12.000 a 14.000 pessoas envolvidas em conflitos com as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo). O partido de oposição ao acordo de paz CD (Centro Democrático), liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, se retirou do plenário e não votou a lei.
A medida é a primeira das previstas no acordo de paz negociado em Cuba. “Este é um passo mais no longo caminho que os colombianos devem transitar em direção à paz”, disse Rodrigo Lodoño, líder das FARC-EP conhecido como Timochenko, em publicação no Twitter. Após a aprovação do Congresso, a lei deverá ser sancionada pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.
A lei de anistia deve beneficiar mais de 6.000 integrantes das FARC-EP indiciados pelos crimes políticos de rebelião, levante e conspiração, entre outros, além de outros 4.000 guerrilheiros presos, 1.200 policiais e militares detidos e mais de 1.000 líderes sociais acusados de formar parte de grupos armados. O perdão jurídico não se aplicará a acusados de delitos graves tipificados no Estatuto de Roma, como os de lesa humanidade, abusos sexuais e recrutamento de menores – esses casos serão julgados pela Jurisdição Especial de Paz, explicou o congressista pelo Polo Democrático Alternativo Alirio Uribe. O ato legislativo que cria a Jurisdição Especial de Paz será debatido no dia 16 de janeiro, segundo o ministro do Interior Juan Fernando Cristo.
Colômbia: uma no cravo, outra na ferradura (2). Por outro lado, na sexta-feira (30), a Venezuela expressou profunda preocupação com a aproximação entre o governo da Colômbia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), conhecido braço militar estadunidense para intervir em vários países.
“É altamente alarmante que se recorra à OTAN, com suas nefastas credenciais de graves a constantes violações dos direitos humanos, e que conta também com tecnologia e capacidade nuclear, para ‘modernizar’ as forças armadas colombianas e combater o crime organizado internacional”, diz o comunicado emitido pela Chancelaria venezuelana.
Um dia antes, o ministro colombiano Luis Carlos Villega disse que trata-se “simplesmente” de um acordo de cooperação “para ter forças militares modernas e bem preparadas em novas tecnologias”.
O perigo da OTAN na América Latina. A OTAN é conhecida como uma aliança militar entre os EUA e a Europa para coordenar ações diante de situações que possam colocar em perigo a segurança e a estabilidade regional europeia. Criada em 1949, com a desculpa de impedir o avanço do comunismo, o tratado cria um sistema de defesa coletiva “para responder a qualquer ataque contra a região”. Mas, como a história tem mostrado, terminada a Guerra Fria a OTAN se transformou em instrumento para intervir em países que não aceitam o modelo proposto por Washington. E tudo vira desculpa para intervenções armadas conduzidas por militares e armas estadunidenses a partir de suas bases na Europa.
Apenas para lembrar os casos mais recentes, vamos citar a Líbia (2011), o Oriente Médio (Síria e Iraque) e até mesmo na Europa (Guerra dos Balcãs).
Durante muitos anos, a OTAN criou um verdadeiro círculo militar bloqueando os países socialistas e garantindo a manutenção de bases militares estadunidenses na Europa. Na América Latina acontecia algo semelhante, com treinamentos de militares latino-americanos que voltavam aos seus países dominados pela ideologia do anticomunismo e da chamada “liberdade” econômica. E se tornaram, como todos lembram, nos verdadeiros atores em derrubadas de governos progressistas, em particular no Cone Sul da América.
Segundo números levantados em 2015, a OTAN conta com 800 bases militares permanentes, nos cinco continentes, todas devidamente armadas pelo complexo industrial militar estadunidense, o que garante um lucro fantástico para essas empresas, sem contar com a manutenção de soldados, alimentação, transporte, etc.
Na Colômbia já funcionam sete bases militares estadunidenses e, pelo que analisam os especialistas, uma ou mais dessas bases poderiam ser utilizadas pela OTAN.
Outro líder camponês é assassinado. A Rede de Direitos Humanos da Colômbia denunciou o assassinato do líder camponês Anuer José Álvarez Armero. Seu corpo foi encontrado ao sul do departamento de Cauca, no município de Argelia.
Segundo a entidade, o assassinato aconteceu na manhã do dia 25 de dezembro, na estrada que comunica a localidade de El Plateado com o centro urbano de Argelia. Álvarez Armero teria sido perseguido enquanto voltava para casa e, em determinado ponto, foi imobilizado por dois homens que estavam em uma motocicleta de cor azul. Ele recebeu três tiros no peito, com um revólver.
Mais documentos envolvem Macri em contas offshore. O deputado da Frente para a Vitória (FpV), Darío Martínez, anunciou que vai entregar novas provas que envolvem mais de 50 contas em paraísos fiscais comprometendo o presidente Mauricio Macri que já está sob investigação por suposta lavagem de dinheiro.
O parlamentar disse que será feita uma solicitação à Justiça para que se verifique a existência atual e os movimentos da conta 2048080, no Banco della Svizzera Italiana, filial de Nova Iorque. Segundo informações do jornal argentino Página 12, Martínez está requerendo ao juiz que cuida do caso que investigue a relação entre Mauricio Macri e o Grupo Socma, porque “demonstra que eram verdadeiros especialistas em movimentar em paraísos fiscais ou em suar sociedades criadas apenas para evadir e lavar dinheiro”.
Polícia alemã investiga irmãos de Macri por lavagem de dinheiro. Os irmãos do presidente argentino Mauricio Macri, Giancarlo e Sabastián, estão “na mira” da Justiça alemã por lavagem de dinheiro. E o caso ameaça desencadear um grande escândalo na Argentina, pois o próprio presidente está sendo investigado em outro caso de lavagem de dinheiro.
Falando com a imprensa, a ex-deputada Gabriela Cerruti disse que “Falamos dos parentes como se não estivéssemos falando da mesma empresa (Sociedad Macri/Socma). Isso não pode ser separado. Ninguém na família pode dizer que parte do dinheiro é de Mauricio, ou de Giancarlo, ou de Sebastián! Mauricio não tem uma única empresa só sua. Toda a sua fortuna é parte de uma empresa familiar”.
Os irmãos de Macri estão sendo investigados pela Justiça de Hamburgo, que já alertou a Interpol sobre manobras suspeitas de ambos em um banco da Alemanha, o UBS Deuschland AG. Os documentos demonstram que a empresa BF Corporation SA (citada no caso conhecido como Papéis do Panamá e cujos donos são os irmãos de Macri) fechou sua conta no UBS Deuschland e transferiu seus fundos para o Safra Bank, da Suíça, um país que não é muito conhecido por cooperar nesses tipos de investigações.
Pobreza no México está aumentando. O Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social (Coneval) do México informou que a pobreza no país passou de 44,3% para 46,2%, entre 2008 e 2014.
A situação dos mexicanos vai piorando em função da crise econômica e do aumento dos preços dos alimentos que ocasionaram uma diminuição do poder aquisitivo da população entre 2009 e 2010.
O estudo concluiu que, até 2014, no México, havia 55,3 milhões de pessoas em situação de pobreza, ou seja, cerca de 46,2% da população.
Israel vai boicotar a ONU! O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou no sábado (24) que as relações do país com a ONU serão revisadas e interromperá “de maneira imediata” o repasse de US$ 7,8 milhões a cinco órgãos da entidade.
A declaração do primeiro-ministro foi feita após a aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução que condena a política de assentamentos de Israel em territórios ocupados da Cisjordânia e Jerusalém Ocidental, aprovado na sexta-feira (23).
Além das medidas contra a ONU, Netanyahu enumerou medidas adotadas nas últimas horas contra Nova Zelândia e Senegal, responsáveis junto a Malásia e Venezuela pela proposta da resolução, que havia sido adiada pelo Egito após intervenção do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel explicou que o país irá suspender o financiamento a quatro órgãos da ONU, não cinco como anunciado pelo primeiro-ministro. Todos são secretarias especializadas que têm relação com o problema palestino.
Israel suspende construção de colônias na Palestina ocupada. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, suspendeu na quarta-feira (28) a aprovação de novas construções em colônias da parte palestina ocupada de Jerusalém para evitar novos choques com o governo dos EUA, após a recente resolução da ONU que condena os assentamentos.
“O presidente da Comissão de Planejamento e vice-prefeito [de Jerusalém] Meir Turgeman disse que foi o primeiro-ministro quem ordenou o adiamento da aprovação de 492 imóveis para evitar um conflito com o governo dos EUA”, disse à agência Efe Hanan Rubin, integrante da comissão. O órgão municipal tinha previsto aprovar nesta quarta a construção de centenas de casas nos assentamentos de Ramat, Shlomo e Ramot.
Israel prepara um novo confronto? O Ministério de Defesa de Israel pretende adquirir centenas de mísseis e foguetes de precisão, preparando-se para um possível conflito com o Líbano e com a guerrilha do Hezbolá. A ideia principal é atualizar e reforçar os sistemas de artilharia do Exército, para reduzir a dependência da sua Força Aérea.
Os militares israelenses pensam em ampliar o número de mísseis “de precisão” e voltam a atenção para um foguete intitulado ‘Extra’, de alcance máximo de 150 quilômetros e fabricado pela IMI Systems, além do ‘Lora’, fabricado pela Israel Aerospace Industries, com raio de ação de 300 quilômetros.
Escolas em Alepo voltam a funcionar. As autoridades de educação de Alepo, 350 quilômetros ao norte da capital Damasco, anunciaram na terça-feira (27) a reabertura de quatro escolas nos bairros orientais da cidade que foram ocupadas pelos terroristas do Daesh.
Ibrahim Masú, chefe do Departamento de Educação da cidade, disse que as escolas estão localizadas nos bairros de Masaken Hanano e Al Halak.
Segundo informes oficiais, a zona oriental de Alepo tinha 140 centros educacionais de diversos níveis e a maioria havia sido usada como quartéis pelos extremistas.
Mais uma “armação” contra a Síria. O Império (agonizante) e sua mídia amestrada não se cansam de montar farsas para conquistar a opinião pública. Sempre inventando “motivos humanitários” ou buscando sensibilizar os menos informados, armam campanhas para justificar a intenção de novas agressões.
Agora criaram uma tal “Marcha Civil por Alepo”, uma campanha que já toma forma em vários países europeus e que tem como única finalidade criar uma opinião pública contra a Síria e o presidente Bashar al Assad.
A tal “marcha” é uma iniciativa de conhecida blogueira germano-polonesa, Anna Alboth, que pretende “denunciar o conflito e a falta de democracia na Síria”. Ela diz “não estar recebendo ajuda financeira de organismos ou partidos, mas demonstra um elevado grau de organização e muitos contatos em “países amigos dos EUA”.
Pelo que já foi divulgado, a caravana partirá de Berlim e durará três meses e meio, atravessando a Alemanha, República Tcheca, Áustria, Eslovênia, Croácia, Sérvia, Macedônia, Grécia e Turquia. Em seu blog, Anna Alboth critica a libertação da cidade de Alepo pelo exército Sírio e divulga várias imagens falsas sobre “atrocidades” que teriam sido cometidas pelos soldados. Muitas dessas imagens são as que já citamos no número passado do Informativo e que, comprovadamente, são falsas.
Em 2016, os ricos mais ricos! A crise econômica mundial parece não estar afetando os “muito ricos”. Ao contrário, eles encontraram o caminho perfeito para aumentar ainda mais suas riquezas! Segundo a Bloomberg Billionaires Index, publicação especializada em acompanhar as grandes riquezas no mundo, Bill Gates, o mais rico de todos, continua ampliando sua fortuna.
A Bloomberg Billionaires Index faz o acompanhamento das 200 pessoas mais ricas do planeta e calculou que a fortuna desses “sortudos” cresceu em 147 bilhões e 300 milhões de dólares em 2016. Os números são astronômicos. Essas pessoas, juntas, agora acumulam uma riqueza equivalente a 3 trilhões de dólares!
Bill Gates, por exemplo, somou mais 9 bilhões e 500 milhões de dólares à sua fortuna. Warren Buffett, fundador da Berkshire Hathaway, recuperou sua posição de segundo homem mais rico do planeta ao aumentar sua fortuna em 12 bilhões de dólares.
A curiosidade da publicação é o mexicano Carlos Slim, que já apareceu entre os dez mais ricos, mas sofreu com a volatilidade do peso e outros problemas que causaram uma perda de 3 bilhões e 100 milhões de dólares em sua fortuna. Coitado. Ficou quase pobre!
Mais um capítulo da farsa estadunidense. Tudo indica que Barack Obama não deseja sair do poder sem uma espetacular festa para alimentar seu ego e a grande imprensa que o serviu durante todos esses anos. Não bastava uma campanha publicitária mentirosa sobre a “integridade e discrição” de sua família, ele precisa sair de cena com algo marcante. E escolheu a Rússia para isso.
Como dissemos no Informativo passado, há um projeto entre os democratas para dar o mínimo de espaço possível a Donald Trump e dificultar o seu governo. O mais claro desses golpes são as falsas acusações de que o governo de Putin teria interferido no processo eleitoral estadunidense. E agora Obama encontrou uma “melancia para pendurar no pescoço” e chamar a atenção da mídia.
O governo dos EUA decretou na quinta-feira (29) a imposição de sanções econômicas contra a Rússia, além da expulsão de 35 diplomatas pelos supostos ataques cibernéticos durante a última campanha das eleições presidenciais. Obama deu aos 35 diplomatas da embaixada de Moscou em Washington e do consulado em São Francisco apenas 72 horas para deixar o solo estadunidense, segundo o Departamento de Estado.
Mas ele precisa de mais refletores sobre ele, quer mais emoção e protagonismo em seus últimos dias de governo. Quer ser o que mais brilha diante da plateia e afirmou que estas ações “não são a totalidade da resposta à Rússia” e que outras medidas serão tomadas, algumas das quais não serão divulgadas. O presidente dos Estados Unidos declarou que durante os próximos dias será divulgado ao Congresso um relatório sobre o papel da Rússia na eleição presidencial de 2016 que elegeu Donald Trump, cujo mandado começará em 20 de janeiro.
Putin age com tranquilidade. Em comunicado oficial, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou, na sexta-feira (30), que não vai expulsar nenhum diplomata estadunidense do país em retaliação às sanções impostas pelos EUA à Rússia. O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, havia sugerido que 35 diplomatas dos EUA fossem expulsos do país em retaliação: “Não podemos deixar tais medidas sem uma resposta”, afirmou.
Putin, no entanto, avaliou que a decisão de Obama foi tomada com o objetivo de provocar uma reação russa, mas o país euroasiático não vai morder a isca. “Nós nos reservamos o direito de retaliação, mas nós não vamos nos afundar nesse nível de diplomacia de ‘cozinha’. Nós tomaremos medidas para restaurar as relações russo-americanas baseados na política que a administração do presidente eleito Donald Trump adotar”, afirmou Putin em um comunicado publicado pelo Kremlin.
“Não proibiremos as famílias e as crianças de passar as férias de Ano Novo nos locais onde estão habituados. Além disso, eu convido os filhos de todos os diplomatas estadunidenses credenciados na Rússia a participarem das festividades de fim de ano no Kremlin”, diz Putin no texto divulgado nesta sexta.

Putin também lamentou a forma como Obama deixa a Casa Branca e saudou o presidente eleito Donald Trump, bem como todos os cidadãos dos EUA.

Mídia ajudou a implodir a economia

Mídia ajudou a implodir a economia

Referências no contraponto ao discurso monolítico dos grandes meio de comunicação quando o assunto é economia, Luiz Gonzaga Belluzzo, Eduardo Fagnani e Laura Carvalho discutiram, no último dia 29 de novembr), em São Paulo, os impactos do golpe no setor, parte do Ciclo de Debates A Imprensa e o Golpe. Segundo eles, o governo Temer opta por um ajuste que subtrai direitos, preserva privilégios e ganha o endosso de quase a totalidade dos analistas da imprensa hegemônica.
Felipe Bianchi*
golpe em hondurasProfessora do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo e colunista da Folha de S. Paulo, Laura Carvalho aponta que há uma fraude nas promessas econômicas do governo que se instalou após o impeachment de Dilma Rousseff. “Há uma completa falta de perspectiva de saída do fundo do poço. Criou-se o discurso de que os investidores estariam loucos para vir ao Brasil após a queda de Dilma, mas isso não está ocorrendo”, diz.
Enquanto a frustração aumenta e chega ao ápice com a aprovação em primeiro turno da PEC55 na Câmara dos Deputados, Carvalho avalia que a imprensa começa a mudar o tom. “Antes, a PEC era a panaceia para o país. Na redação, brincam que seria o ‘Posto Ipiranga’, que daria todas as respostas para os problemas”, conta. O discurso, segundo ela, foi perdendo força e alguns já admitem que mesmo com o sacrifício dos gastos públicos, a crise persistirá.
“O grande problema da PEC é que ela não distingue o que é direito e o que é privilégio”, critica a economista. Ao passo que congela investimentos em campos como a saúde e a educação, a matéria mantém flexível a margem para aumento de salários da esfera de poder, por exemplo. “Situação é muito dramática pela crise econômica e fiscal, mas o grande problema não foi originado de nenhuma ‘gastança’, como dizem. A solução do problema está longe de ser cortar gastos e investimentos, o que lima qualquer chance de retomar a economia”.
Carvalho também acredita que há uma crise de governança, na qual a histeria da população com a corrupção empoderou certos órgãos de controle que não buscam mais a transparência e o combate à corrupção, mas passaram a ditar a política econômica do país. Esse fator trava e bloqueia investimentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), exemplifica.
“Primeiro que o Estado está longe de estar quebrado, mesmo com a dívida pública tendo saído do controle por razões como o desaceleramento da economia. Mas se o Estado for encarado como esse grande monstro que alguns pintam, fazemos coro com esse tipo de histeria, que inviabiliza a retomada”, assinala. “Não há experiências no mundo onde o setor privado retoma a economia em um cenário de recessão como o que aí está. Quem tem de fazer isso é o Estado”.
Os mantras da mídia e a ausência de debate
Se há um problema na análise econômica feita pela mídia hegemônica é que os conceitos são deformados, afirma Luiz Gonzaga Belluzzo. Para o professor da Unicamp, a discussão limita-se praticamente a repetir mantras. “A palavra austeridade, por exemplo, do jeito que é tratada, parece impossível de se posicionar contra”, argumenta. “Assistir aos comentaristas de economia na TV é um exercício de masoquismo, quase um auto-sacrifício”.
Ele lembra de Yanis Varoufakis, ministro do governo Tsipras na Grécia, em 2015, para ilustrar o que se passa no Brasil. “Quando Varoufakis colocava seus argumentos para a União Europeia, recebia caras de paisagem. É a mesma coisa. As pessoas não conseguem, de jeito nenhum, se livrar de refrões que não significam absolutamente nada”, sublinha.
Após a destituição de Dilma, as manchetes de economia da grande mídia passaram a ser no mínimo curiosas, na visão do professor. “Uma das comentaristas da Globo News diz que a crise insiste em não ir embora, como se ela fosse um hóspede incômodo!”, ironiza. “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a dizer que apesar de os indicadores estarem em queda, a indústria estaria em franca recuperação”. O paradoxo, recorda Belluzzo, não foi contestado por ninguém da imprensa.
Para ele, é preciso destrinchar o debate. “As poucas vozes dissonantes nesse meio, como a de Laura Carvalho na Folha de S. Paulo, são constantemente atacadas. A polarização que está ocorrendo leva à incapacidade de entender o argumento do outro”, diz. “A palavra ‘gastar’ virou algo ‘maldito’. Mas o gasto de um é a receita de outro. Se todos cortam o gasto, encolhem”, ilustra.
De acordo com o professor, a ausência de pluralidade na mídia brasileira é um fator crucial para a desinformação. “Sem diversidade de opiniões e ideias, onde prevalece um discurso homogêneo, fica fácil uma visão única fazer sentido. As pessoas não entendem, apenas repetem. Não porque não são inteligentes, mas porque a informação que chega a ela tem essa natureza”, diz.
Golpe, caminho para um projeto sem votos
Professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani define o golpe como a radicalização do projeto liberal no Brasil. “É antigo, mas é um projeto que não passa pelo crivo popular. Essa é a consequência do golpe na economia: levar a uma extrema reforma do Estado passando por cima do voto e da democracia”, sentencia.
O governo Dilma aceitou diagnósticos equivocados sobre a crise econômica e como enfrentá-la, pondera Fagnani. Mas o que ocorre no país após o golpe, segundo ele, é o desmonte completo do Estado social. A obediência ao rentismo, a regressão nos direitos humanos e sociais, a retirada de direitos trabalhistas e a destruição das bases financeiras do Estado descrito na Constituição de 1988 são os ingredientes da receita que vem sendo cozinhada pelo governo ilegítimo, assinala.
Há um falso consenso de que o gasto social é o grande vilão da questão fiscal, opina Fagnani. Essa tese, segundo ele, leva a uma revisão da Constituição. “O gasto social cresce junto com a democracia. Tanto a experiência nacional quanto a internacional mostram que o gasto social está longe de ser esse ponto fora da curva”, defende.
“Esse conjunto de medidas, em especial a PEC 55, não são peças de um ajuste fiscal, de medidas para a responsabilidade fiscal. Elas significam uma mudança brutal no sistema em que vivemos”, alerta Fagnani. “Assim que as medidas forem aprovadas, o artigo 6º da Constituição e todo o capítulo sobre a ordem social e a garantia de direitos serão transformados em letra morta pela asfixia financeira”.
*Original do Centro de Estudos Barão de Itararé

Emir Sader: Com Temer e Macri, neoliberalismo torna-se expressão do fracasso

Emir Sader: Com Temer e Macri, neoliberalismo torna-se expressão do fracasso

As promessas eram as mesmas de há três décadas: acabar com os gastos inúteis do Estado, com sua administração ineficiente, controlar as finanças públicas como primeira prioridade, retomar a confiança na economia, recuperar o crescimento econômico. No passado, a novidade permitiu que as promessas tivessem duração mais longa: elegeram e reelegeram governos, baseados no controle da inflação, mesmo frente ao processo de estouro da dívida pública, do aumento da desigualdade e da exclusão social.
Por Emir Sader, na Rede Brasil Atual
Desta vez, no entanto, para conseguirem certo espaço, tiveram de promover o esquecimento da população em relação ao seu fracasso e ao sucesso dos governos que os sucederam. Agiram, assim que Macri e Temer assumiram, repetindo a pantomima do seu surgimento, como se nada tivesse acontecido: nem seu esgotamento, nem o sucesso dos governos que se antepuseram a eles.
Se valeram da recessão econômica internacional e seus efeitos sobre os nossos países, da reiteração da campanha de desestabilização interna promovida pela mídia, das acusações reiteradas de setores do Judiciário e da polícia, concentrados nos governos progressistas, para promover a candidatura do Macri na Argentina, o golpe no Brasil.
Tiveram, para retomar suas políticas, de retomar seus diagnósticos, negados pela realidade recente. O Estado gastou muito, as políticas sociais desequilibraram o orçamento público, a força de trabalho é muito cara, o desenvolvimento gera inflação e assim por diante. E aplicaram seu duro ajuste fiscal, sem aprender nada da realidade, revelando como não tem nada de novo a oferecer. E fracassam de novo.
Divulgação
Divulgação
Bastaram alguns meses para ficar claro que nem na Argentina, nem Brasil, nem um único índice econômico é positivo. A recessão se aprofunda, como efeito do ajuste, e se torna depressão econômica. Não há investimentos novos, ao contrário, há fuga de capitais e aumento da especulação financeira. O desemprego dispara, os salários são comprimidos, a crise social se intensifica, a desconfiança na economia se generaliza, dentro e fora dos países.
Macri e Temer fracassam ao mesmo tempo, nos dois maiores países que se haviam atrevido a ferir preceitos básicos do neoliberalismo. Que haviam provado que é possível crescer, distribuir renda e controlar a inflação. Que é possível recuperar a legitimidade do Estado, com políticas de crescimento e de inclusão social. Que a integração regional e os intercâmbios Sul-Sul são melhores do que a integração subordinada como a do México com os EUA.
Agora a comparação não é com os desenvolvimentos esgotados das décadas anteriores ao surgimento do neoliberalismo, mas com os avanços realizados neste século. Como não sobrevivem a essa comparação, os governos neoliberais promovem o esquecimento na cabeça das pessoas, mas diante da expropriação dos direitos adquiridos, sua luta é vã. Por outro lado, tentam a desqualificação dos principais responsáveis por essas conquistas – Lula e Cristina Kirchner. Tampouco conseguem, como as pesquisas apontam.
Foi um ano de imensos retrocessos para os dois países, como não havia ocorrido desde as ditaduras militares. Só comparáveis com os retrocessos promovidos pelos primeiros governos neoliberais – de Collor e FHC no Brasil, de Carlos Menem, na Argentina. Com a diferença que desta vez o impulso neoliberal tem fôlego muito mais curto e deve ser um parêntesis e não um longo período de retrocessos no Brasil e na Argentina.

AS DEZ VITÓRIAS DE MADURO EM 2016

As dez vitórias de Maduro em 2016

Ignácio Ramonet: apesar dos complôs e da conspiração da mídia, Nicolás Maduro conseguiu levar a revolução bolivariana a bom porto no ano que se encerra.

Ignacio Ramonet

Tudo se apresentava muito complicado, no início de 2016, para as autoridades de Caracas. Principalmente por três razões: 1) a oposição neoliberal havia ganho as eleições legislativas de dezembro de 2015 e controlava a Assembleia Nacional; 2) os preços do petróleo, principal recurso da Venezuela, haviam caído a seu nível mais baixo nas últimas décadas; 3) o presidente americano Barack Obama havia assinado uma ordem executiva na qual declarava que a Venezuela representava uma “incomum e extraordinária ameaça à segurança nacional e à política exterior dos Estados Unidos.”

Ou seja, em três campos decisivos – o político, o econômico e o geopolítico – a revolução bolivariana parecia estar na defensiva. Enquanto isso a contrarrevolução, tanto interna como externa, pensava ter, afinal, o poder na Venezuela ao alcance da mão.

E tudo num contexto de guerra midiática de longa duração contra Caracas que começou com a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999, e se intensificou a partir de abril de 2013, alcançando níveis inéditos de violência depois da eleição do presidente Nicolás Maduro.

Essa atmosfera de agressiva e permanente perseguição midiática produz uma insidiosa desinformação sobre a Venezuela que confunde até os muito amigos da revolução bolivariana. Em particular porque, nesta era da “pós verdade”, a prática da mentira, da fraude intelectual e do engano descarado não é reprimida por nenhuma consequência negativa, nem em termos de credibilidade nem de imagem. Vale tudo, tudo se presta nessa ‘era de relativismo pós-factual’, e nem sequer os fatos ou os dados mais objetivos são levados em consideração.

Tampouco se aceita o argumento – tão óbvio no caso da Venezuela – do complô, da conspiração. De antemão, o novo discurso midiático dominante denuncia e ridiculariza a “pretensa conspiração” como um argumento inaceitável de uma “velha história”…

Tudo isso, em princípios de 2016, aparecia muito ladeira acima para o presidente da Venezuela. Até o ponto em que o doente opositor neoliberal Henry Ramos Allup, temporariamente embriagado por sua maioria parlamentar, se permitiu assegurar, em janeiro de 2016, no seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Nacional, que “num lapso de tempo menor que seis meses” tiraria do poder Nicolás Maduro. Inspirando-se sem dúvida no golpe de estado institucional contra a presidenta Dilma Rousseff no Brasil, e apostando numa vitória num eventual referendo revogatório.

Assim estavam as coisas quando o presidente Maduro, numa magistral sequencia de golpes de xadrez que ninguém viu – perfeitamente legais segundo a Constituição – surpreendeu a todos. Renovou, como era seu direito, os membros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), órgão superior do poder judiciário, que tem a última palavra em matéria de interpretação da Constituição.

Repleta de soberba, a oposição cometeu então dois enormes erros: “Decidiu ignorar as advertências do TSJ e realizar uma sessão com três deputados do estado Amazonas cuja eleição, em dezembro de 2015, estava suspensa cautelarmente por irregularidades. Ante essa afronta, o TSJ decidiu obviamente que a incorporação dos três deputados “não eleitos regularmente” retirava toda a validade das decisões da Assembleia Nacional. De fato, o TSJ declarou que a Assembleia estava em desacato e considerou nulas todas suas decisões. De tal modo que, por seus próprios erros, a Assembleia não só não conseguiu legislar, nem controlar o governo, mas também, como reconhecem prestigiosos especialistas em direito constitucional, se anulou a si mesma, dilapidou seu poder e se autodissolveu. Esta foi a primeira grande vitória de Nicolás Maduro em 2016.

Em seu obsessivo afã de derrotar o presidente, a oposição antichavista também decidiu ignorar os requisitos legais (art. 72 da Constituição), em termos de etapas imprescindíveis e de passos exigidos pelos regulamentos jurídicos, para lançar um referendo revogatório em 2016. Aí os opositores fracassaram igualmente de maneira estrepitosa.

E isso constituiu outra grande vitória de Nicolás Maduro.

Ainda assim, chegou um momento, entre março-abril de 2016, em que tudo se complicou enormemente. Porque, às investidas habituais das forças hostis à revolução bolivariana, somaram-se uma impressionante seca, a segunda maior desde 1950, e temperaturas extremas causadas pelo fenômeno El Niño. Na Venezuela, 70% da energia é gerada por hidroelétricas e a principal central hidroelétrica depende do reservatório Guri. Com a redução das chuvas os níveis desse reservatório diminuíram quase ao nível mínimo.

A contrarrevolução tratou de aproveitar essa circunstância para multiplicar as sabotagens elétricas, tentando criar caos energético, ódio social e protestos. O perigo era enorme porque ao problema elétrico se somava, por efeitos da seca persistente, a falta de água potável… Mas o Presidente Maduro novamente atuou com rapidez e adotou medidas drásticas: decidiu pela substituição de milhões de lâmpadas incandescentes por similares econômicas; ordenou a substituição dos velhos condicionadores de ar por outros de nova tecnologia poupadora; estabeleceu meio período de trabalho na administração pública; e decretou um plano especial de economia nacional no consumo elétrico e de água. Graças a essas medidas corajosas, o Presidente conseguiu evitar o colapso energético. E obteve assim uma de suas mais populares vitorias do ano de 2016.

Outro dos problemas importantes (talvez o mais grave) que o governo teve que enfrentar – consequência em parte da guerra econômica contra a revolução bolivariana – é o do abastecimento de alimentos. É preciso lembrar que antes de 1999, 65% dos venezuelanos viviam em situação de pobreza e que só 35% podiam desfrutar de uma alta qualidade de vida. Ou seja, de cada dez venezuelanos só três consumiam regularmente carne, frango, café, milho, leite, açúcar… Enquanto que, nos últimos dezessete anos, o consumo de alimentos (graças à inversão social massiva da revolução) disparou em 80%.

Essa mudança estrutural, em si, explica por que, logo, a produção nacional de alimentos, muito maior do que se imagina, se mostrou insuficiente. Como a demanda aumentou massivamente, a especulação também disparou. E diante de uma oferta estruturalmente limitada, os preços subiram vertiginosamente. E o fenômeno do mercado negro, ou “bachaqueo” se expandiu. Muita gente comprava os produtos subsidiados pelo Governo a preços inferiores para vender a preços superiores ao do mercado. Ou os “exportavam” em grande escala aos países vizinhos (Colômbia, Brasil) onde os revendiam pelo dobro ou triplo de seu preço subsidiado. De modo que a Venezuela era “drenada” de seus dólares – cada vez mais escassos pela derrubada dos preços do petróleo – para alimentar a alguns ‘vampiros’ que arrancavam dos mais humildes os produtos de primeira necessidade, ao mesmo tempo que enriqueciam de maneira excepcional. Semelhante imoralidade não podia continuar.

Uma vez mais o Presidente Maduro decidiu atuar com pulso firme. Primeiro – muito importante – mudou a filosofia da ajuda social. E corrigiu um enorme erro que se vinha cometendo na Venezuela havia décadas. (lustros?) Decidiu que o Estado, em vez de subsidiar os produtos, devia subsidiar as pessoas. Para que só os pobres, os que realmente necessitam, tivessem acesso aos produtos subsidiados pelo Governo. Para todos os demais, o produto se vende a seu preço justo estabelecido pelo mercado. O que evita a especulação e o bachaqueo.

E segunda medida decisiva, o Presidente anunciou que, a partir de agora, o governo colocaria todo seu empenho em mudar o caráter econômico do país para passar de um ‘modelo rentista’ para um ‘modelo produtivo.’ A esse respeito, o Presidente definiu os “quinze motores” para reanimar a atividade econômica tanto do setor privado, como do setor público e da economia comum.

Essas duas decisões essenciais convergem numa original criação imaginada pelo Presidente Maduro: os CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção) que constituem uma nova forma de organização popular. Casa por casa, os representantes das comunidades organizadas entregam, a preço regulamentado, sacolas repletas de alimentos. Muitos desses alimentos são de nova produção nacional. Os CLAP deveriam abastecer, nos próximos meses de 2017 a uns quatro milhões de famílias humildes, garantindo a alimentação da população. E firmando assim uma nova grande vitória do Presidente Maduro.

Outra vitória não menor nesse ano de 2016 tão difícil, foi o recorde obtido em matéria de investimento social que atingiu 71,4% do orçamento do país. É um recorde mundial. Nenhum outro Estado no planeta dedica quase três quartos de seu orçamento em investimento social.

Em matéria de saúde, por exemplo, o número de estabelecimentos hospitalares se multiplicou por 3,5 desde 1999. E o investimento em um novo modelo humanizado de saúde pública se multiplicou por dez. A Misión Barrio Adentro, cujo objetivo é atender aos enfermos nas áreas urbanas mais humildes do país, realizou quase 800 milhões de consultas e salvou a vida de 1.400.000 pessoas. As universidades de medicina formaram 27.000 novos médicos. E outros trinta mil devem obter seu diploma em 2017. Oito Estados atingiram uma cobertura de Barrio Adentro em 100% em 2016, quando a meta era de seis.

Outra vitória social fundamental, não mencionada pela mídia dominante, é a alcançada em matéria de adultos idosos que recebem pensão por aposentadoria. Antes da revolução apenas 19% dos aposentados recebiam uma pensão, o resto sobrevivia geralmente na miséria ou às custas de seus familiares. Neste ano se 2016, a porcentagem de pessoas aposentadas que recebem uma pensão (ainda que não tenham podido pagar a previdência social durante sua vida ativa) atingiu os 90%. Um recorde na América do Sul.

Outra vitória espetacular – e que tampouco é mencionada na mídia dominante – é a conseguida pela Misión Vivenda, encarregada de construir habitações populares, a preço regulamentado, para as famílias venezuelanas humildes.

Em 2016, esta Misión entregou nada menos que 359.000 casas (a título de comparação, um país desenvolvido como a França construiu, em 2015, apenas 109.000 casas populares.) A isso é preciso acrescentar as 335.000 casas reformadas no marco da bonita Misión Barrio Nuevo, Barrio Tricolor. Uma Missão particularmente elogiada pelo gênio da arquitetura Frank Gehry, autor do Museu Guggenheim de Bilbao e do Museu Louis Vuitton em Paris, que declarou desejar se envolver nela. De tal modo que estamos falando de quase 700.000 casas populares entregues em 2016. Uma cifra sem equivalente no mundo.

Desde que começou seu mandato, em 2013, o Presidente Maduro já entregou cerca de um milhão e meio de casas a famílias modestas. Recorde mundial que transcorreu em silêncio por toda a mídia hostil à revolução bolivariana. E que até muitos amigos às vezes se esquecem de mencionar.

Recordemos, para terminar, algumas das brilhantes vitórias conseguidas no âmbito geopolítico. Por exemplo, haver impedido que a Organização dos Estados Americanos (OEA), dominada por Washington, condenasse Caracas como pretendia o secretario Geral dessa organização, Luis Almagro, que invocava a Carta Democrática contra a Venezuela.

Ou o êxito da XVII Cúpula do Movimento dos Paises Não Alinhados (MNOAL) realizada em setembro de 2016 no Centro de convenções Hugo Chávez na Ilha Margarita com a presença de numerosos chefes de Estado e de Governo e de representantes de cento e vinte países que dedicaram sua solidariedade à Venezuela.

Enfim, nesse campo, a principal vitória do Presidente Maduro, que fez várias excursões internacionais com este objetivo, foi a realização inédita de um acordo entre países da OPEP e não-OPEP para a redução organizada das exportações de petróleo. Esse acordo histórico, assinado em novembro de 2016, freou de imediato a deterioração dos preços dos hidrocarbonetos que estavam em colapso desde meados de 2014 quando ultrapassavam os cem dólares por barril. Graças a essa vitória fundamental, os preços do petróleo – que estavam a 24 dólares em janeiro – ultrapassavam os 45 dólares no final de dezembro de 2016.

Sendo assim, no ano mais duro e mais longo, em que tantos apostaram em seus tropeços, o presidente Nicolás Maduro, superando todos os obstáculos, todas as armadilhas e todas as dificuldades, demonstrou sua estatura excepcional de homem de Estado. E de líder indestrutível da revolução bolivariana.


www.nocaute.blog.br 1º/01/2017

SAIU DO PORTAL E MATOU A FAMÍLIA

Saiu do portal e matou a família

“A justiça brasileira é igual ao Lewandowski, um marginal que limpou a bunda com a Constituição no dia em que tirou outra vadia do poder.”


Os mortos e feridos na chacina de Campinas são as primeiras vítimas fatais do ódio à esquerda estimulado pela mídia nos últimos anos.
Cynara Menezes

Transeuntes diante da casa onde ocorreu uma chacina em Campinas durante o rèvéillon Para arrancar o PT do poder, revistas, jornais e emissoras de rádio e TV incentivaram o machismo, a misoginia, a homofobia, a raiva irracional a todo pensamento progressista. Alimentaram a besta.

A carta do assassino nada mais é do que uma colagem dos pensamentos toscos que lemos nos comentários dos portais noticiosos todos os dias, inspirados em (de)formadores de opinião aos quais a mídia deu espaço.

Não há nada de surpreendente ali: à parte seus problemas pessoais e psicológicos, o atirador utiliza as mesmas palavras que a direita usa nas redes sociais cotidianamente para atingir “inimigos”, sobretudo mulheres, homossexuais e defensores dos direitos humanos.

Não é à toa que o assassino machista de Campinas apela à mesmíssima expressão para se referir tanto à mãe do seu filho quanto à presidenta Dilma: “vadia”.
A palavra “vadia” aparece 12 vezes na carta. Este é o termo mais usado contra mulheres hoje no Brasil, arroz de festa nas redes sociais. Foi o primeiro insulto que recebi ao inaugurar o blog, em 2012, vindo de um roqueiro de direita que se sentiu incomodado por um texto meu – e ele recebeu em seguida o apoio de uma jornalista da Globo.

Contra Dilma, foram incontáveis as vezes em que ela foi chamada de “vadia” e outros termos homólogos a “prostituta” na internet e em cartazes nas manifestações verde e amarelas: “puta”, “vaca”, “vagabunda”, “quenga”.

Em 2010, o cartunista Nani foi pioneiro no machismo contra Dilma ao mostrar a candidata “rodando a bolsinha” numa esquina; a charge foi divulgada pelo portal mais visitado, o UOL.

Chamar uma mulher de “vadia”, seja ela anônima, jornalista ou presidenta da República virou algo normal, “liberdade de expressão”. No twitter e facebook, xingar mulher rende “likes”. Vão dizer que não? Se até deputados fazem isso e têm milhões de seguidores…

Quem inventou o ódio às feministas presente na carta do atirador de Campinas? Quem o disseminou? Nos programas pseudohumorísticos da televisão aberta e nas redes sociais, é considerado piada inofensiva chamar as feministas de “feminazis”, achincalhá-las noite e dia, demonizá-las.

É inegável que, para atingir Dilma, a mídia naturalizou o desprezo às mulheres que se destacam e que lutam contra o machismo. Precisa assumir sua enorme responsabilidade na misoginia que insuflou.
O caso de Campinas infelizmente não é fato isolado.

Enquanto a direita brada contra as feministas, todos os dias morrem mulheres vítimas de feminicídio no Brasil.

Esta semana, um advogado de Vitória, no Espírito Santo, espancou uma faxineira na porta de casa e teve o desplante de “pedir desculpas”, como se fosse um mero esbarrão. Ficará quanto tempo preso?

Em novembro, a sobrinha-neta do ex-presidente José Sarney foi estuprada e morta pelo próprio cunhado, dentro de casa.

Não precisa conferir as estatísticas, basta olhar os portais: todo dia uma mulher é agredida ou morta por ex e atuais companheiros.

Desta vez os alvos foram mais numerosos, mas o assassino demonstra sua motivação misógina ao escrever que iria levar junto com ele “o máximo de vadias”. Das 12 vítimas fatais da chacina, nove são mulheres.

Em março de 2015, Dilma foi criticada pelo maior jornal do país por sancionar a lei que torna o feminicídio crime hediondo. Em sua carta, o assassino de Campinas chama a lei Maria da Penha de “vadia da penha”.

A combinação de ódio com a defesa do armamento pessoal é literalmente explosiva, e conta com o apoio midiático.

Na época do plebiscito, em 2005, a revista mais vendida do Brasil não hesitou em se posicionar, na capa, contra o desarmamento.

Uma das bancadas da direita hidrófoba com mais poder dentro do Congresso, todo mundo sabe, é a da bala, formada por políticos que são financiados pela indústria do armamento –a mesma que produz balas de borracha para massacrar estudantes em protestos.

Diante das chacinas que se tornaram praticamente semanais no mundo “civilizado”, seguimos enxergando um uníssono culpado: o fanatismo religioso, esquecendo que todos os fanatismos são igualmente nocivos.

O fanatismo político também é sangrento e este encontrou um poderoso eco nas grandes corporações midiáticas, capazes de construir e destruir governantes.

Este é um sentimento perigoso, o ódio. É muita irresponsabilidade para com o país disseminá-lo em nome do antipetismo, estamos alertando há anos.

Quantas vezes escrevi aqui aquele provérbio espanhol, “cria cuervos y te sacarán los ojos”? O antipetismo desencaminhou o Brasil, estamos indo para um rumo tenebroso. O único limite para o ódio é o sangue.

E assim começamos 2017.

Minha solidariedade às vítimas desta tragédia.

Mas sabem o que é ainda mais triste? Saber que nos esgotos de onde o assassino saiu não faltará gente para aplaudi-lo.


'Somos Fidel': Desfile militar e marcha popular encerram comemorações de aniversário da Revolução cubana


'Somos Fidel': Desfile militar e marcha popular encerram comemorações de aniversário da Revolução cubana


Também foi celebrado 60º aniversário do desembarque do iate Granma na ilha; população segurava faixas e cartazes com os dizeres 'Eu sou Fidel', 'Todos somos Fidel'; veja fotos
Terminaram nesta segunda-feira (02/01) as comemorações do aniversário da Revolução cubana — primeiro sem o comandante e ex-presidente, Fidel Castro, —, com um desfile militar e uma marcha popular em Havana, que também celebraram o 60º aniversário do desembarque do iate Granma na ilha.
O desfile militar ocorreu na Praça da Revolução José Martí às 7 horas (do horário local). Nele, foram realizadas homenagens aos heróis e mártires da Revolução e aos expedicionários do iate Granma. A parada também contou com uma réplica do iate.
Agência Efe

Para desfile militar, foi feita réplicado iate Granma para comemorar os 60 anos de seu desembarque na ilha caribenha
A cúpula do governo da ilha, incluindo o presidente Raúl Castro, e representantes de seus principais órgãos, bem como do corpo diplomático credenciado no país, compareceram à parada, onde também foram vistos Dalia Soto del Valle, a viúva de Fidel Castro, e alguns de seus filhos.
Entre os convidados, estavam também o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Timochenko, e o número 2 da guerrilha e chefe negociador no processo de paz desenvolvido em Havana durante os últimos quatro anos, Luciano Marín, conhecido como Ivan Márquez.

Agência Efe

O comandante das FARC, Timochenko Jimenez, foi um dos convidados para as comemorações desta segunda

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Cubanos comemoram 58º aniversário da Revolução, o primeiro sem Fidel Castro

 
A única pessoa a discursar durante a cerimônia foi a presidente da Federação Estudantil Universitária e membro do Conselho de Estado, Jennifer Bello. Raúl Castro não se pronunciou.

Agência Efe

A única pessoa a discursar foi a presidente da Federação Estudantil Universitária, Jennifer Bello (esq), nem o presidente Castro discursou
Citando o mandatário, porém, Bello disse que Cuba “não vai renunciar nenhum de seus princípios”, e que a juventude do país dará continuidade às “lutas e vitórias” do povo cubano.
"O que acontecerá nesta manhã só é possível quando existe um povo unido, máxima expressão de contar com uma revolução de operários, camponeses, estudantes, soldados, homens e mulheres dignos que vivem orgulhosos desta sociedade", afirmou Bello.
Marcha do povo
Às 8h (horário local), se iniciou a Marcha do Povo Combatente em comemoração do aniversário do desembarque do iate Granma, da Revolução e em homenagem ao comandante Fidel Castro, que morreu em novembro.

Agência Efe

Manifestantes gritavam e seguravam faixas com os dizeres "Eu Sou Fidel", "Todos Somos Fidel"
Segurando faixas escritas “Somos Fidel” e portando fotografias do comandante, os manifestantes — majoritariamente trabalhadores e estudantes — gritavam "Eu sou Fidel", “Todos Somos Fidel”, “Fidel é um povo”, “Viva Fidel” e “Raúl, amigo, o povo está contigo”.

Agência Efe

Pessoas seguravam faixa escrito "Somos Fidel" durante Marcha do Povo Combatente
O desfile estava programado inicialmente para o dia 2 de dezembro, mas foi adiado por causa da morte de Fidel Castro em 25 de novembro de 2016, quando foram decretados nove dias de luto nacional.