O Núcleo dos Irredentos com a publicação do livro Calabouço – Rebelião dos Estudantes contra a Ditadura Civil-Militar em 1968, de Geraldo Sardinha pretende levar à nova geração do movimento estudantil um exemplo de luta que marcou profundamente toda uma época, e permanece na memória de todos que viveram diretamente os acontecimentos. Com a morte de Edson Luis, dezenas de milhares de pessoas foram se incorporando ao movimento de combate à Ditadura.
Geraldo Jorge Sardinha foi um participante direto dessas lutas, esteve na diretoria da FUEC, foi ele junto com Paulo Gomes que levou o corpo de Edson Luís para a Assembléia, como mostra a foto da capa. Escreveu este texto em 1973, quando esteve preso no Uruguay, pretendendo relatar a sua experiência e resgatar a história de luta de uma geração.
Calabouço – Rebelião dos Estudantes contra a Ditadura Civil-Militar em 1968 Autor: Geraldo Jorge Sardinha
Palestrantes: Edilberto Veras, Zumira Batista, Paulo Gomes Neto (participantes do Calabouço), Matheus Nunes (diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES e membro da União da Juventude Rebelião – UJR)
Apresentação Musical: Vidal França (cantor, compositor e maestro arranjador) e Luiz Carlos Bahia (diretor de teatro, ator, músico e cineasta)
História
O Calabouço era um restaurante popular, criado no governo de Getúlio Vargas, para atender os estudantes carentes e se tornou uma concentração importante de oposição ao regime civil-militar instaurado em 31 de março de 1964.
Em 28 de março de 1968, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata-relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço, que deveria acontecer no final da tarde do mesmo dia. Por volta das 18 horas, a Polícia militar chegou ao local e dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Os estudantes se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta. Quando os policiais voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da Legião Brasileira de Assistência, o que provocou pânico entre os estudantes, que fugiram. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro a queima roupa no peito.
Temendo que a PM sumisse com o corpo, os estudantes não permitiram que ele fosse levado para o Instituto Médico Legal (IML), mas o carregaram em passeata diretamente para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. A necrópsia foi feita no próprio local pelos médicos Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos na presença do Secretário de Saúde do Estado. No período que se estendeu do velório até a missa da Igreja da Candelária, realizada em 2 de abril foram mobilizados protestos em todo o país. O Rio de Janeiro parou no dia do enterro.
Na manhã de 4 de abril foi realizada um missa na Igreja da Candelária em memória de Edson. Após o término da missa, as pessoas que deixavam a igreja foram cercadas e atacadas pela cavalaria da Polícia militar com golpes de sabre. Dezenas de pessoas ficaram feridas.
Outra missa seria realizada na noite do mesmo dia. O governo militar proibiu a realização dessa missa, mas o vigário-geral do Rio de Janeiro, Dom Castro Pinto, insistiu em realizá-la. A missa foi celebrada com cerca de 600 pessoas.
Temendo que o mesmo massacre da manhã se repetisse, os padres pediram que ninguém saísse da igreja. Do lado de fora havia três fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados, mais atrás estava o Corpo de Fuzileiros Navais e vários agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
Num ato de coragem, os clérigos saíram na frente de mãos dadas, fazendo um “corredor” da porta da igreja até a avenida Rio Branco para que todos os que estavam na igreja pudessem sair com segurança. Apesar desse ato, a cavalaria aguardou que todos saíssem e os encurralaram nas ruas da Candelária. Novamente o saldo foi de dezenas de pessoas feridas.
A mobilização em torno da morte do estudante foi o estopim para a primeira grande manifestação pública daquele ano, que culminaria três meses depois na Marcha dos 100 mil. O evento foi um dos principais protestos contra a Ditadura Militar.
Hoje, a memória de Edson Luís segue viva no dia-a-dia do movimento estudantil. A luta por mais qualidade nos restaurantes universitários, bibliotecas e laboratórios, mais investimentos na educação mostra que suas reivindicações não foram em vão.Já é tradicional no calendário do movimento estudantil brasileiro ocupar as ruas das capitais do país na chamada Jornada de Lutas da Juventude Brasileira, que acontece anualmente em março, mês simbólico justamente pela morte de Edson. Neste ano, jovens da capital paulista e de Brasília inauguraram o evento, saindo às ruas para reivindicar pautas como a democratização da mídia, o fim do extermínio da juventude negra e a aprovação do Plano Nacional da Educação (PNE) com 10% do PIB para a educação pública.
Com vistas às próximas eleições gerais de 19 de fevereiro, oito formações políticas competem para eleger o próximo presidente do Equador. Por trás dos slogans vazios da campanha e de algumas palavras-de-ordem que facilmente ganham a mídia, existe todo um conjunto de propostas no político, no social e no econômico que são determinantes para conhecer a visão dos candidatos a respeito do futuro do Equador.
Maria Florencia Pagliarone*
Apresentamos aqui as principais propostas de Lenin Moreno (Movimento Aliança PAIS), Cynthia Viteri (Partido Social Cristiano) e Guillermo Lasso (CREO – SUMA), que são os três primeiros colocados nas pesquisas de opinião. Até o momento todas as pesquisas dão como primeiro a Lenin Moreno, e os outros dois disputam o segundo posto.
No campo político
No programa de governo de Lenin Moreno, dois conceitos são fundamentais: o protagonismo da sociedade diante do Estado e a necessidade de se estabelecer uma democracia radical. No primeiro caso, trata-se de conseguir uma maior politização da sociedade, única garantia para que qualquer mudança programática realizada pela Revolução Cidadã não seja passageira. A irreversibilidade do processo só depende de uma sociedade consciente de seus direitos e da importância de suas lutas históricas. Neste sentido, enfatizam bastante nessa seara, “de escutar às pessoas”. O segundo eixo, por sua vez, propõe a radicalização da democracia, ou seja, governar os mercados, colocar a economia a serviço da cidadania. Além de incentivar os mecanismos de participação cidadã para que a população possa participar da melhor maneira no governo.
Fonte: El Telégrafo. 13 de setembro de 2015
Para os candidatos da oposição, o político está reduzido basicamente a uma crítica: o tamanho excessivo do Estado e a necessidade de uma racionalização administrativa do setor público. Isto sendo que, como afirma a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Equador é o segundo país com menor porcentagem de empregados públicos na região (1). Como mostra o quadro abaixo, 97% dos empregados públicos estão concentrados no setor de educação e saúde. Assim, a redução prevista por Lasso e Viteri supõe a redução no número de médicos e docentes.
Sob a premissa de racionalização do setor público, os candidatos da oposição propõem a eliminação de várias instituições públicas. No caso de Lasso, a Secretaria Nacional de Educação Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (Senescyt) e o Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (Cpccs); enquanto que Vitere propõe o Conselho de Participação Cidadã e Controle Social.
Outro ponto é a revogação da Lei de Comunicação em vigor desde 2014, cujo objetivo consiste em consolidar um sistema de comunicação mais equilibrado em atores, pluralidade e oferta televisiva (2). Antes de 2008, a distribuição de frequências de rádio e televisão do espectro radioelétrico era totalmente irregular e ineficiente. A nova lei tem como foco principal a distribuição equitativa de frequências do espectro: 33% para os meios públicos, 33% para os privados e 34% para os meios comunitários. Lenin Moreno é o único candidato que se refere à necessidade de avançar na democratização do acesso às frequências e evitar o monopólio da propriedade dos meios de comunicação. Do outro lado, Lasso é partidário de suspender as licitações de frequências.
Com o Cavalo de Tróia da “liberdade de expressão”, os candidatos da oposição se apegam aos pronunciamentos da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) que cataloga a lei como “a pior mordaça da América”(3) e insistem na revogação da lei como meio de garantir a liberdade de expressão, como se expressou Viteri.
O tema da corrupção é outro privilegiado pelos setores de oposição latino-americanos diante dos governos progressistas e repercute profundamente na campanha. No caso de Viteri, afirma taxativamente que colocará todo corrupto na cadeia e seguirá três caminhos: recuperar as comissões de investigação da corrupção e fundi-las com as comissões internacionais para dar mais transparência nos contratos no âmbito nacional; existência de um impedimento civil para as empresas relacionadas com atos de corrupção e, exposição pública de cada um dos envolvidos (4).
No caso de Lasso, afirma que iniciará uma comissão de investigação e abrirá as contas para julgamento público. Chama atenção que apesar de suas declarações contra o vice presidente Jorge Glas, por conta do caso Petroecuador, quando afirmou que “não só endividaram o país, como também se beneficiaram pessoalmente desses dinheiros”(5), Lasso se manteve em silêncio quando o escândalo da Odebrecht salpicou o prefeito de Quito, Mauricio Rodas, com quem Lasso mantém uma aliança desde outubro. Consultado sobre o tema, só respondeu que “o movimento Creo tem uma aliança com o movimento Suma, não com o Município de Quito, não com o prefeito”(6).
Os candidatos também propõem uma consulta popular com o objetivo de recuperar a democracia e a independência de poderes. No caso de Lasso destinada a que a população se pronuncie sobre as reformas da Constituição.
No econômico
O programa de governo de Viteri contempla 16 propostas vinculadas à redução do gasto público improdutivo, a geração de estabilidade tributária, a eliminação de restrições à importações, a autonomia e independência do Banco Central e taxas de juros de acordo com a liquidez, a subscrição de um tratado de comércio com Estado Unidos, bem como com a Ásia Europa, além de promover o ingresso no país da banca estrangeira.
Um tema que chama particularmente a atenção é sua fórmula de elevar os salários através da redução dos custos de produção. Algo que na prática raras vezes funciona já que a economia em custos de produção significa maior lucros para o empregador e não necessariamente se transforma em benefício para os empregados.
Com relação ao tema tributário, na última década a arrecadação tributária se incrementou em 110.511 milhões dólares. Isto constitui entre 50% e 60% do orçamento do Estado e está destinado, em sua maioria, a financiar as obras públicas e investimentos sociais. Quer dizer que os impostos são o que sustenta as obras de infraestrutura, saúde, educação e segurança. Se a arrecadação tributária diminui, necessariamente haverá um ajuste no investimento 97). Além disso, Equador é o segundo país no continente com menor carga tributária para as empresas (8).
Tanto Lasso como Viteri coincidem com a necessidade de eliminar impostos, entre os quais o imposto à saída de dividir, à terra agrícola, o imposto verde, ao comércio de veículos, aos espetáculos públicos, a antecipação do imposto de renda, a redução do IVA, a eliminação de sobretaxas alfandegárias e as restrições às importações. Um dado a levar em conta é que tais impostos não abarcam o total da população equatoriano posto que estão destinados a beneficiar os setores empresariais, banqueiros e exportadores. Claramente, um benefício pessoal em detrimento das maiorias.
Diante da interrogante de como contará com recursos econômicos para administrar o Estado, Lasso diz que se valerá do setor privado, local e internacional, capaz de substituir o investimento do governo nacional.
Nessa matéria, Lenin Moreno é partidário de um clima de estabilidade tributária embora reconheça que será necessário revisar alguns impostos de maneira responsável. Para o candidato da Revolução Cidadã não há como sustentar um sistema público que garante direitos sociais senão com soberania tributária. Para Lenin é necessário seguir melhorando a atual matriz tributária para que o sistema seja cada vez mais progressivo e eficiente.
Outro dos temas em que se concentram as propostas dos candidatos é a oferta de emprego. Viteri oferece à livre contratação de trabalhadores, ou seja, que o empregado e o empregador possa escolher o número de horas, dias ou meses de trabalho. Isto significa voltar ao velho paradigma da flexibilização que tanto dano provocou no passado. Lasso, por sua vez, propõe aperfeiçoar as modalidades de contrato temporário e contrato por tarefa. Vale tomar em conta que a eliminação dos contratos por hora é uma das grandes conquistas em matéria de direito trabalhista da Revolução Cidadã. Anteriormente, não existia estabilidade para o trabalhador e inclusive se chegava a pagar menos que o salário mínimo, violando os direitos dos trabalhadores. Esta é outra das medidas que os setores de oposição que termina por favorecer o setor empresarial.
A proposta de Lasso é chegar a um milhão de empregos em quatro anos através da revogação de impostos, a criação de zonas francas e a entrada de investimento estrangeiro. Neste último ponto, o candidato promete trazer ao país dez bilhões de dólares em investimento, o que é pouco provável si se considera que em 2015 Equador recebeu 1.060 milhões de dólares em investimentos estrangeiros, a maior soma em 20 anos. Além disso, contradizendo tal proposta, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Inec) o número de desempregados no país é 410.411.
No caso de Lenin Moreno, é o único candidato que menciona o reconhecimento do trabalho da mulher em casa. Ressalta também a mudança na matriz produtiva para passar de uma economia primária-exportadora para um diversificada e fundada no conhecimento além de fortalecer a economia popular e solidária. Com relação ao emprego, o candidato propõe a realização de um acordo nacional pelo emprego e a produção com o setor privado. Também considera que a construção de moradias, o turismo e o incremento da capacidade exportadora serão as fontes de emprego para os próximos anos. E, não basta com criar emprego, mas devem ser de qualidade.
No social
Lenin Moreno apresentou seu projeto “Toda uma vida” com cinco eixos desde o nascimento até a velhice: (9)
Plano de moradia de interesse social para a população em situação de risco ou vulnerabilidade com um investimento de 900 milhões de dólares;
“Missão Ternura” que consiste em oferecer acompanhamento às mulheres em período de gestação e seus filhos com cuidados pré-natais e estimulação precoce.
Criação de uma linha de crédito para os empreendimentos juvenis de 300 milhões de dólares. Dessa forma vão ser criadas 200 mil novo empregos.
Incremento do valor do Bônus de Desenvolvimento Humano de 50 para 150 dólares com o objetivo de erradicar a pobreza extrema num prazo de dois anos.
Adultos maiores: entrega de um bônus mensal de 100 dólares e um seguro médico gratuito destinado aquelas pessoas em situação de pobreza e vulnerabilidade.
Neste último ponto vale destacar que, no caso de Viteri não existe proposta destinada a adultos maiores em seu plano de governo. Enquanto que Lasso reduz sua iniciativa aos fundos de pensão.
No que se refere à reconstrução dos danos do terremoto (10), Lenin Moreno indica dois eixos de intervenção: moradia, emprego urgente e ambiente. Além do fomento ao turismo e à ampliação do crédito para pequenos e médios produtores. Em oposição, Lasso, de acordo com seu programa neoliberal, minimiza a intervenção do Estado no processo de reconstrução e delega essa responsabilidade para o setor privado e a sociedade civil. Além da promessa de declarar zona franca nas duas províncias afetadas pelo terremoto.
Viteri, apesar de ter votado contra a Lei Orgânica de Solidariedade e de Co Responsabilidade Cidadã para a Reconstrução e Reativação das Zonas Afetadas , para as vítimas dos terremotos, agora em campanha propõe um Plano Nacional de Habitação Popular. Isso soa bastante estranho, pois basta lembrar que em Guayaquil, bastião do Partido Social Cristiano, em 2012, foram registrados 15 casos de assentamentos humanos irregulares. Só Monte Sinai, território desconhecida pela administração que considera que está fora dos limites geográficos do município, tem cerca de 1.200 hectares em que vivem 274 mil pessoas.
Na Saúde
O programa de Lenin Moreno tem como foco a política de promoção sexual e reprodutiva, outorgando prioridade à prevenção da gravidez na adolescência, considerando que de acordo com o Censo de 2010, 18% de todos os nascimentos foram de mulheres entre 12 e 19 anos. Também aborda o problema da desnutrição infantil que afeta principalmente crianças em situação de pobreza extrema, particularmente nas comunidades indígenas.
No caso dos candidatos da oposição predomina uma posição xenófoba destinada à defesa dos postos de trabalho para os equatorianos em detrimento dos médicos de outros países. Não obstante, a contratação de médicas estrangeiros, especialmente de Cuba, seguiu sempre o critério de complementaridade, localizados naqueles espaços geográficos onde os médicos equatorianos não chegam ou não querem ir. (11)
Lasso confia no setor privado para a construção do modelo de Cidadelas da Saúde, além de aplicar um esquema de remuneração por incentivos para os médicos. Claramente, sua proposta é a favor de privatização do setor.
A educação
Em relação com a educação, um dos cavalos de Tróia da oposição tem sido a eliminação do Exame Nacional para a Educação Superior (Enes) que garante o livre acesso às universidades. Contudo, essa proposta é irrealizável conquanto não se conta nem com a infraestrutura suficiente nem com o número de professores necessários.
Além disso essa proposta ficou sem sustentação depois que o atual governo colocou em prática um novo sistema de ingresso às universidades através da unificação do Enes junto com o programa Ser Bacharel. (12)
Neste ponto cabe lembrar que o Equador tem sido o país que mais investe em educação superior em toda a região. O projeto de Lei Moreno menciona a necessidade de fortalecer a qualidade da educação, garantir o acesso universal e a permanência de meninas e meninos e dos jovens nas escolas priorizando a educação bilíngue e intercultural. Além disso, impulsionar a construção de bibliotecas comunitárias, evitar a evasão escolar, estimular a pesquisa vinculando-a com a economia popular e solidária e aprofundar o acesso às Tics para reduzir o fosso digital.
O internacional
O programa de Lenin Moreno propõe o fortalecimento dos organismos de integração regional, particularmente a Unasul e a Celac e dos mecanismos de cooperação sul-sul e o Fundo do Sul e estimular a criação de um portal de notícias latino-americano para contrapor ao cerco informativo dos grandes monopólios mediáticos nacionais e internacionais.
Viteri é o mais audaz neste ponto afirmando a necessidade de conseguir uma reformulação da política exterior seguida pelo Equador incluindo a desvinculação imediata de organismos como a Alba e a Unasul e a celebração de tratados de livre comércio com Estados Unidos e os países da Aliança do Pacífico. Neste sentido, tanto Lasso como Viteri declararam que desejam tirar do país a sede atual da Unasul.
A problemática de gênero
Em 2011, uma pesquisa indicou que 60,6% das mulheres no Equador sofreram algum tipo de violência (13).
As propostas dos candidatos sobre esse tema são escassas: O projeto de Viteri se funda em quatro eixos transversais: juízes e promotores especiais; mais e melhor educação para crianças e jovens; botão de pânico para casos urgentes e, consulta para perguntar ao povo sobre prisão perpétua para perpetradores de feminicídio (14). Não obstante, Viteri tem sido criticada por excluir de seu plano de governo propostas com vistas a melhorar as condições de trabalho das mulheres ou garantir o direito ao trabalho doméstico remunerado. Por ser a única mulher candidata à presidência se lhe questiona a ausência de políticas específicas referentes à liberdade reprodutiva e aborto (15). Lasso tampouco tem propostas concretas com relação ao tema. Só afirma que convocara a um diálogo para debater o tema do aborto.
Lenin Moreno por sua vez afirma taxativamente que a problemática de gênero será uma prioridade nacional. Para isso fortalecerá o Plano Nacional de Erradicação da Violência de gênero, além de estimular uma Rede Contra a Violência de Gênero.
No agrário
O programa de Lenin Moreno enfatiza a necessidade de avançar na diversificação produtiva, melhorar o acesso à terra e à água de irrigação e ao crédito.
Sobre esse tema existem duas propostas radicais: a de Viteri, oferece isenção do pagamento de energia elétrica aos camponeses, além de perdoar as dívidas a certos clientes do BanEquador. A de Lasso, com sua promessa de reformar a legislação de tal forma que os camponeses possam portar armas de fogo para a defesa de suas famílias. Com um comentário claramente sexista, o candidato afirmou “Vamos permitir que os camponeses equatorianos possam defender suas esposas, filhos e filhas como machos”(16. Neste ponto cabe destacar que graças ao Acordo Ministerial 749 de 2011, que proíbe importar armas no âmbito nacional e proíbe o porte de armas provocou uma redução história da taxa de homicídio (17).
[12] En el caso de las universidades categoría A, el examen valdrá 70 % y la entrevista 30 %. Por su parte para la categoría B, la evaluación significará el 80 % y la entrevista el 20 %, mientras que en caso de una universidad categoría C la prueba de conocimientos valdrá el 90 % de la nota final y la entrevista el 10 % restante.
O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica, recebeu nesta sexta-feira (17/02) o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. Após o discurso do escritor, o ministro da Cultura do governo Michel Temer, Roberto Freire, se irritou e criticou Nassar, chamando-o de "histriônico" e dizendo que "quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura". Freire chegou a sugerir que o escritor deveria ter recusado o prêmio. Durante sua fala, o ministro foi vaiado e ouviu gritos de "Fora, Temer!". Leia, abaixo, a íntegra do discurso de Nassar:
Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.
Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.
Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.
Saudações a todos os convidados.
Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua.
Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.
Portanto, Sr. Embaixador, muito obrigado a Portugal.
Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.
Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.
Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.
Fotos Públicas Raduan Nassar: 'O golpe estava consumado! Não há como ficar calado"
Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.
Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.
Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas.
É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.
O piloto do avião foi preso em um hotel próximo à rodoviária de Belo Horizonte, para onde havia fugido; a operação foi apreensão revive o escândalo do helicóptero do pó, ligado aos deputados Gustavo e Zezé Perrela, além do senador Aécio Neves, que foi abafado pela imprensa tradicional
Por Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) apreendeu em Pará de Minas (MG) uma aeronave Cessna Aircraft, modelo 210 M, que transportava 430 quilos de pasta base de cocaína. O piloto do avião foi preso em um hotel próximo à rodoviária de Belo Horizonte, para onde havia fugido. A operação foi realizada em conjunto com a Polícia Militar de Minas Gerais.
O avião foi encontrado na noite de ontem (15) em um hangar, onde iria pernoitar carregado com a droga, antes de seguir viagem. Na perícia, a PF constatou que as asas da aeronave não tinham identificação em suas partes inferiores, além de ter as extremidades alongadas para permitir o armazenamento de maior quantidade de combustível e, assim, aumentar a autonomia de voo.
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Além da pasta base de cocaína, foi encontrado um pacote com cerca de um quilo de folhas de coca de origem boliviana, segundo a PF.
O responsável pelo hangar prestou depoimento e foi liberado. Já o piloto deverá ficar à disposição da Justiça Federal e poderá ser julgado pelo crime de tráfico internacional de drogas. Se condenado, a pena é de até 25 anos de prisão.
Há três formas de destruir um país. As
duas primeiras são por meio da guerra e de catástrofes naturais. A terceira, a
mais segura e certa de todas, é entregando seu país para economistas liberais
amigos de operadores do sistema financeiro.
Em todos os países onde eles aplicaram
suas receitas de "austeridade", a recompensa foi a pobreza, a
desigualdade e a precarização.
Alguns países, como a Letônia, vendido
por alguns como modelo de recuperação bem-sucedida, viu sua população diminuir
em quase 10% em cinco anos, algo que apenas as guerras são capazes de fazer.
Ou seja, o preço para essa peculiar
noção de sucesso foi expulsar quase 10% da população para refazer suas vidas em
outros países.
No Brasil, não faltou economista a
eleger, meses atrás, o Espírito Santo como um modelo de ajuste econômico e
responsabilidade fiscal. O mesmo Espírito Santo que tem números piores do que a
média nacional (retração de 13,8% até o terceiro trimestre de 2016) e que há
algumas semanas simplesmente entrou em colapso, virando uma zona de anomia em
meio à greve de policiais.
Não poderia ser diferente.
No mundo desses senhores não existe
gente, não se levam em conta reações populares a medidas econômicas, muito
menos experiências de sofrimento social e revoltas políticas contra processos
de pauperização vendidos como "remédios amargos, porém necessários".
Outros tantos desses economistas
encheram as páginas de jornais e tempo de televisão para levar a sociedade
brasileira a acreditar que, conduzindo Michel Miguel à Presidência, a
"confiança" dos mercados daria o ar de sua graça e, com ela, viria a
estabilidade.
Bem, nos últimos dias, o Banco Mundial
divulgou uma análise segundo a qual espera que, até o final do ano, 3,6 milhões
de pessoas voltem à pobreza no Brasil. Para ser mais claro, 3,6 milhões de
pessoas verão seus rendimentos caírem para menos de R$ 140 por mês.
Isso em um cenário no qual o Brasil tem
a maior taxa de capacidade ociosa da indústria dos últimos 70 anos, já que não
há mais compradores para seus produtos.
Se somarmos a isso a reforma da
Previdência, a limitação de investimentos estatais para guardar dinheiro a fim
de pagar os mais de R$ 400 bilhões em serviços da dívida pública, a proposta de
terceirização irrestrita e o colapso do sistema brasileiro de serviços públicos
teremos um cenário simples: o Brasil foi destruído pelas políticas
implementadas desde a guinada neoliberal do governo Dilma. O próximo passo será
a imigração em massa dos que puderem, normalmente os mais bem formados.
É claro que haverá aqueles que dirão que
isso é "herança maldita" de políticas econômicas esquerdistas. Mas
chamar governos que nunca foram capazes de propor a taxação progressiva de
rendas e riquezas, a transferência paulatina da detenção dos meios de produção
para as mãos dos trabalhadores e a limitação dos ganhos do sistema financeiro
de esquerdista é algo da ordem do simples jogo de palavras.
Enquanto isso, uma parcela da população
aplaude tudo, já que acredita ficar imune à degradação econômica nacional.
Essa mesma parcela julga-se hoje
detentora de alguma forma de superioridade moral que faria calar os
descontentes com este governo.
No entanto, que as coisas sejam ditas de
forma clara: eles nunca estiveram nem estão, de fato, preocupados com
julgamentos morais.
Os mesmos que gritam contra corruptos do
antigo governo sempre votaram e continuaram votando em políticos notoriamente
corruptos, continuaram calados diante de casos gritantes de corrupção neste
governo, como ficaram calados quando, nesta semana, o STF publicou uma decisão
inacreditável e criminosa para permitir o gato Angorá, vulgo Moreira Franco,
com suas citações na Lava-Jato, ocupar um ministério.
Nada estranho, já que o problema deles
nunca foi a corrupção, e sim a luta contra políticos com os quais eles não se
identificam. O discurso contra a corrupção era apenas uma grande farsa, senão
produziria ações simétricas contra toda classe política brasileira.
Julgamentos morais não aceitam usos
estratégicos. Quem usa moral de forma estratégica é um "moralista da
imoralidade". Na verdade, essas pessoas são atualmente cúmplices de um
governo cuja única preocupação é se blindar e escapar da cadeia. Até porque,
Michel Temer e os seus não governam, eles têm coisas mais urgentes para fazer.
Enquanto tentam salvar a própria pele,
terceirizaram o Brasil para gestores da catástrofe.