quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Alckmin sucateia metrô para justificar privatização, diz líder do PT

Alckmin sucateia metrô para justificar privatização, diz líder do PT

por Beatriz Drague Ramos — publicado 27/09/2017 16h28, última modificação 27/09/2017 16h33
Tribunal de Contas do Estado suspendeu o leilão das linhas 5 e 17 do metrô paulistano
Gilberto Marques/A2img
Geraldo Alckmin
Alckmin em entrega de estação de metrô, no início de setembro. Obras atrasam sistematicamente nas gestões do PSDB
Após a tentativa do governo do estado de São Paulo de privatizar as linhas 5-Lilás e 17-Ouro do Metrô paulistano, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) suspendeu o leilão agendado para a quinta-feira 28.
A decisão do conselheiro Antônio Roque Citadini responde a uma representação expedida pelo deputado estadual Alencar Santana (PT-SP), que aponta prejuízos da privatização das linhas para a população de São Paulo, além de irregularidades no processo de leilão.
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O conselheiro deu prazo de 48 horas para a Secretaria dos Transportes Metropolitanos apresentar justificativas para a concessão. É a segunda vez que o TCE barra o processo de concessão das duas linhas, a primeira foi em julho, a pedido das empresas.
Segundo o documento apresentado pelo líder do PT na Assembleia Legislativa, a privatização acarretaria em graves prejuízos aos cofres públicos, na medida em que os investimentos estatais contabilizados até agosto de 2017 chegariam a um montante de 22 bilhões de reais.
“O que Geraldo Alckmin quer fazer com o Metrô de São Paulo é crime. Gastou 22 bilhões de reais, e quer dar um lucro de mais de 10 bilhões (às empresas) e vender (as linhas) por menos de 300 milhões. Por que Alckmin quer abrir mão do dinheiro, quando aumenta tarifa por falta de verbas? As linhas geram lucro, então devem permanecer com o estado”, diz o deputado. 
 Alencar afirma que o governo quer se livrar do metrô. “O estado sucateia as linhas de metrô propositadamente para justificar a entrega para a iniciativa privada”. Procurada pela reportagem de CartaCapital, a Secretaria de Transportes Metropolitanos informou apenas que "prestará todos os esclarecimentos necessários ao tribunal dentro do prazo estipulado".
Para o deputado petista, a conta não fecha. Isso porque o valor mínimo estipulado para a outorga fixa representa menos de 2% do valor gasto pelo estado, ou seja, o valor mínimo leiloado representaria uma porcentagem irrisória quando comparado ao valor já gasto pelo próprio estado.
Além dos aspectos mencionados, Santana denuncia ainda a ausência de justificativas que comprovem a conveniência da concessão, bem como de reunião de duas linhas distintas em uma única concessão. O petista ressalta, ainda, as restrições de competição entre empresas, como, por exemplo, as exigências de qualificação econômico-financeiras não admitidas pela Lei de Licitações e a habilitação técnica da empresa declarante. Segundo essa representação, a medida é igualmente ilegal.
O capital social necessário para a participação da empresa no leilão seria de apenas 27 milhões de reais, ou com 30% a mais em caso de consórcio. A garantia do contrato é de pouco mais de 55 milhões, o que corresponde a 10% de receita tarifária mensal de todo o Sistema do Metrô paulista.
O deputado também critica a obrigação de indenização para as empresas em caso de atraso nas obras. Para ele, a medida é "irracional", uma vez que o atraso é recorrente nesse tipo de obra em São Paulo. Outro problema está na redução (de 2% para 1% ao mês) da taxa de fiscalização a ser paga pela concessionária sobre o faturamento bruto da operação das linhas.
Obras inacabadas
Obras linha 5
As obras da linha 5 – Lilás do metrô foram iniciadas ainda nos anos 1990 (Foto: Diogo Moreira/A2 FOTOGRAFIA)
Em 6 de setembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) entregou as estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin, da linha 5- Lilás do metrô. As estações estão, no entanto, incompletas e apresentam falhas, um potencial fator de risco para a população, segundo o Sindicato dos Metroviários. Inicialmente, a entrega da linha completa estava prevista para 2014. Três anos depois, apenas sete das 17 estações funcionam e outras três operam parcialmente.
Estima-se que, quando completa, a linha transportará 800 mil passageiros por dia. As obras da linha Lilás foram iniciadas em 1990, ainda na gestão Mario Covas (PSDB), e o trecho inicial foi entregue em 2002.
A obra do monotrilho da linha 17-Ouro é uma novela. Esta linha deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre o Aeroporto de Congonhas e o bairro do Morumbi. Alckmin prometeu entregar parte da obra para Copa do Mundo de 2014. Agora a previsão é que tudo fique pronto apenas em 2019. Em 2015, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que a licitação inicial foi realizada pelo governo tucano sem projeto básico nem orçamento, o que contraria a legislação. Além da demora no atendimento à população, o resultado final pode pesar ainda mais: em 2015, o orçamento encareceu 41%, somando mais 5,5 bilhões de reais.
Cartéis e corrupção
O deputado relembra as irregularidades cometidas na gestão Alckmin durante o período de obras e a formação de cartéis na linha 5 - Lilás do metrô paulistano. Segundo ele, “as obras da linha 5 começaram com maracutaias no processo de licitação, de contratação e de obras, o governo tocou as obras com empresas envolvidas na Operação Lava Jato”.
Após afirmações da Construtora Camargo Corrêa de superfaturamento e formação de cartel com as empresas Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS, na linha 5 - Lilás do metrô, foram iniciadas investigações no Ministério Público sobre supostas irregularidades cometidas em 2009, em que o consórcio Galvão/Serveng ganhou o processo de licitação.
Em novembro de 2011, uma liminar afastou Sérgio Avelleda da presidência do Metrô e suspendeu os contratos de licitação. O caso segue na Justiça.
Fonte: Carta Capital

O mundo civil e as Forças Armadas: um diálogo necessário

O mundo civil e as Forças Armadas: um diálogo necessário

por Alexandre Fuccille — publicado 27/09/2017 15h15
O controle que a sociedade tem sobre Exército, Marinha e Aeronáutica ainda é frágil
Divulgação / Exército
Exército
Falta transparência na atuação das Forças Armadas
Em tempos de pregações abertas de golpismos civis e militares, é importante nos debruçarmos sobre este último, que parecia definitivamente sepultado. De inconsistentes pedidos de “intervenção militar constitucional” ao longo do debate sobre o impeachment de Dilma Rousseff culminando nas declarações do general Antônio Hamilton Martins Mourão, que falou abertamente em golpe, a temperatura e atritos envolvendo as relações civis-militares em tempos recentes só fizeram subir.
O Brasil é uma República nascida no século XIX sob o signo da espada, na qual há um certo saudosismo, talvez um culto a momentos de ruptura institucional. A forma de romper com isso seria exercer uma clara direção política sobre o conjunto da vida militar. Não se trata de aviltar os fardados, mas ir além do frágil controle civil existente hoje.
O caso da educação militar é gritante. Há cerca de uma década, 20 anos depois do fim do regime militar, acompanhando o então ministro da Defesa em visita à Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a escola de formação de oficiais do Exército, pude verificar in locoem apostilas de futuros comandantes menções à “Revolução Democrática de 31 de março de 1964”.
Trata-se de uma visão diversa daquela existente nas escolas. Vale recordar que a Lei de Diretrizes e Bases afirma, em seu artigo 83, que “o ensino militar é regulado em lei específica, admitida a equivalência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino”. A definição do golpe contra o governo João Goulart como uma “revolução” é, assim, uma excrescência do entulho autoritário. Isso dificulta uma mudança de fundo efetiva e de mentalidade nas Forças Armadas, a despeito das renovações geracionais que se seguem.
Assim, é preciso retomar um debate mais amplo sobre esse instrumento fundamental de força do Estado chamado Forças Armadas, contemplando algumas premissas básicas:
a) O poder político define quais são os interesses nacionais basilares de sua ação e a partir deles define sua Política Externa e, em decorrência, sua Política de Defesa, que deve estar em consonância com a mesma;
b) O poder político estabelece e continuamente revisa, a partir do ponto anterior, que Forças Armadas deseja, indo desde a definição de efetivos, tipo, o quanto quer gastar e onde;
c) O poder político condiciona que as doutrinas militares estejam em sintonia com a Política de Defesa Nacional (atualmente erroneamente designada como Política Nacional de Defesa), guia norteador do que se deseja e espera do preparo militar nacional;
d) O poder político não apenas sanciona a participação militar no campo interno; esta deve ser autorizada e acompanhada pelo braço Legislativo, num importante padrão de responsabilidade compartilhada, a exemplo do que acontece quando de seu emprego no exterior;
e) O poder político controla tanto as atividades-fins quanto as atividades-meios (educação, orçamento, administração etc), existindo um Ministério da Defesa na ampla acepção do termo e não apenas um ministro da Defesa civil que consolida as demandas vindas das Forças;
f) O poder político torna a agenda sobre defesa nacional um assunto público, não mais restrito à comunidade militar e a poucos especialistas civis afeitos ao tema;
g) as Diretrizes Curriculares do ensino militar devem seguir as mesmas regras que norteiam as diretrizes curriculares nacionais, sem distinção, observadas suas especificidades.
Neste rumo seria possível criar algo imprescindível, uma relação civil-militar sustentada no diálogo, na transparência, na mútua visibilidade de intenções, na clareza dos objetivos e, sobretudo, na definição do papel de cada um dos atores dentro de um ambiente democrático e sem desconfianças recíprocas.
A direção política ultrapassa, em muito, a mera questão administrativa rotineira com respeito ao aparelho militar, e deve apontar para quais Forças Armadas são desejadas em função do perfil estratégico pretendido pelo País.

*Alexandre Fuccille é doutor em Ciência Política e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro de seu Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (Gedes). Trabalhou no Ministério da Defesa de 2003 a 2005 e presidiu a Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) de 2014 a 2016.
Fonte: Carta Capital

“Cura gay”: uma questão de política

“Cura gay”: uma questão de política

RAPHAEL FAGUNDES
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“Cura gay”: uma questão de política
Por Raphael Silva Fagundes
Poucos sabem, mas a amizade era uma maneira que se adotava na Antiguidade Clássica para a manutenção da relação homoafetiva entre um homem e um jovem. Enquanto este ainda era um estudante, o termo que se empregava era pederastia, pederasti, pais, jovem, e erastiés, amante.[1] Observa-se que a relação entre homens era vista como mais viril que uma relação com uma mulher. Podemos ver que alguns resquícios dessa cultura existe até hoje, pois entre as pessoas mais antigas ronda a ideia de que uma amizade entre um homem e uma mulher é impossível.
Mas a relação entre dois adultos nunca foi bem vista. Por mais que a idade média tenha reprimido o homossexual, na Florença do século XV, somente os sodomitas adultos eram reprimidos. Em 1542, punia-se com a pena capital as ações desses indivíduos de mais de vinte anos.

O livro V das Ordenações Filipinas de 1604, adotado no Brasil colonial, previa punições para os que cometessem o pecado da sodomia, com a justificativa do desperdício do esperma. O antropólogo e historiador Luiz Mott mostra que havia uma “perseguição àqueles que ousassem ejacular fora do vaso natural da fecundação”.[2]Logo, a própria masturbação era considerada pecaminosa em uma sociedade baseada no “crescei e multiplicai-vos”.
Mais tarde, a medicina ocidental após Samuel-Auguste-David Tissot adotou o mesmo critério cristão, “com a de perda de substância, prejudicial ao indivíduo e à sociedade toda”.[3] Em entrevista ao Roda Viva, o caricato político Enéas, no qual se inspira o famigerado Jair Bolsonaro, disse exatamente a mesma coisa. Apoiando-se em sua formação médica condena a homossexualidade como um risco a humanidade justamente porque a relação entre dois homens não há reprodução.
O mercado usa a moral contra a esquerda
A questão é que em outros tempos o homossexualismo não era um movimento de subversão simbólica. Eram atitudes privadas, vigiadas pela polícia da moral, mas os gays não pretendiam mudar a ordem simbólica, isto é, a dominação masculina. Hoje, há um interesse não apenas em se tornar visível (embora a grande mídia divulgue apenas o homossexualismo que se resume a visibilidade), mas de alterar a questão do gênero, vista como “uma construção social, uma ficção coletiva da ordem ‘heteronormatica’, que se construiu, aliás, em parte contra o homossexual”.[4]
Hoje cresce um movimento, principalmente o queer, que luta por uma nova ordem sexual em que a distinção entre os diferentes estatutos sexuais seja indiferente
Hoje cresce um movimento, principalmente o queer, que luta por uma nova ordem sexual em que a distinção entre os diferentes estatutos sexuais seja indiferente, colocando-se contrários à doxa “direita e de direita que impõe todo tipo de domínio simbólico (branco, masculino, burguês)”, afirmando que uma discriminação histórica não é natural.[5]O próprio movimento queer se posiciona contra a “assimilação da cultura gay masculina a um sistema capitalista e excludente através do chamado ‘pink money’”. O primeiro ilustre a ser chamado de “queer” foi Oscar Wilde[6] autor de “A alma do homem sob o socialismo”.
A terceira via, uma opção que se apresentou para além da esquerda e direita, como nos mostra Anthony Giddens, perdeu o espaço dos movimentos identitários de rua. O PSDB que apoia causas como a legalização da maconha e do casamento gay, não tem espaço em meio às manifestações populares. Essas pautas fazem parte hoje dos partidos à esquerda. Sem dúvida, é o PSOL o partido que participa das diversas manifestações de gênero, questões raciais, sobre drogas etc., mas também vemos a presença do PCdoB e até mesmo do PT nas ruas em defesa das liberdades individuais.
O crescimento da direita está trazendo consigo o ódio a esquerda e a tudo o que ela representa. Desta forma, as pautas liberais defendidas pela nova esquerda que surgiu nos anos 1990 tornou-se o alvo principal da direita, inclusive, a liberdade de expressão no tocante do projeto do “escola sem partido”, ou da proibição do aborto até mesmo em caso de estupro.
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A dita “cura gay”, isto é, a terapia de “reversão sexual” liberada pelo juiz Waldemar Cláudio de Carvalho representa nada mais que os “novos” ares de uma sociedade que caminha em direção ao passado, ao retorno a uma moralidade que acreditava garantir a ordem. As classes dominantes estão com medo do fortalecimento das causas sociais porque estas, cada vez mais, tendem à  esquerda, e para solucionar esse problema que as afeta, deixa crescer as forças ideológicas conservadoras, que se pautam, inclusive, no fanatismo.
É uma questão muito mais de política que de psicologia. A psicóloga Rosangela Alves Justino, que entrou com a ação na Justiça para a promoção do projeto da “cura gay”, é assessora de um deputado do DEM-RJ, apadrinhado pelo pastor Silas Malafaia. Já Marisa Lobo, outra psicóloga que entrou com a ação, articula seu fundamentalismo com parlamentares como Marco Feliciano e trabalhou na imagem de Marcela Temer na campanha da mulher “bela, recatada e do lar”.[7]
As esquerdas estavam cooptando parte da classe média para seus setores através destas causas e, desta forma, as fileiras dos grandes defensores do espírito capitalista estavam diminuindo o seu comprimento. As classes dominantes, que não prezam pela moral, mas pela moralidade dos que consomem para que reproduzam as relações sociais que ossificam o desejo pela mercadoria, querem evitar o crescimento das esquerdas deixando a direita ganhar corpo na mídia e nas redes sociais. Tratando com negligência o amadurecimento dos discursos radicais conservadores, os grupos dominantes mantêm o controle impedindo o avanço das esquerdas em um momento em que precisam enrijecer o mercado.

[1] HOYSTAD, Ole Martin. Uma história do coração. Petrópolis: Vozes, 2015. p. 60.
[2] MOTT, Luiz. Por que os homossexuais eram perseguidos? Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 7, n. 73, out. p. 22, 2011.
[3] MUCHEMBLED, Robert. O orgasmo e o Ocidente. São Paulo: Martins Fintes, 2007. p. 295.
[4] BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010. p. 146.
[5] Id. p. 147.

Raphael Silva Fagundes é Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História Política da UERJ. Professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí. 

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A democra$$ia dos liberais, comprados a bom preço

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Paulo Henrique Amorim chama a atenção para uma nota – sem trocadilho – na coluna de Lauro jardim, em O Globo.
Trata-se de um fundo que, pelo número de deputados e senadores que pretende eleger, vai substituir o patrocínio da Odebrecht e da JBS na “caixinha eleitoral” de deputados que, aos donos do dinheiro, parecem “adequados”.
À testa da montanha de dinheiro, segundo Jardim, “Eduardo Mofarej (Tarpon), Nizan Guanaes, Arminio Fraga e Luciano Huck, entre outros benfeitores da pátria.
Querem montar o maior partido do Brasil, sob várias legendas, com uma bancada entre 70 e 100 deputados.
No jornal, nas barbas da Justiça que se empenha em verificar recibos de aluguel de um apartamento em São Bernardo do Campo, monta-se um esquema que, pelas pretensões eleitorais, é coisa para passar de 100 milhões de dólares, na mais miserável das projeções.
Dois geddéis, 200 malas rochalourianas, para traduzir nos valores que frequentam nossa política.
Como a lei, esta bobagem, proíbe doações de, no máximo 10% dos rendimentos declarados no ano anterior, dá para imaginar quanto cada um dos mecenas faturou, todos eles gritando contra a alta carga tributária.
Graças aos rapazes da Lava jato, nossa democracia está salva.
Nossos deputados – representantes do povo, alguém se lembra? – não serão mais comprados com caixa 2.
Todos terão nota fiscal.
O MBL já tirou CNPJ?

Bolsonaro não denunciou aumento de energia e gasolina

Bolsonaro não denunciou aumento de energia e gasolina

Mensagem falsa que circula no WhatsApp atribui a deputado federal alerta sobre reajustes que não vão acontecer
O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em entrevista coletiva, em junho
O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em entrevista coletiva, em junho. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
“Bolsonaro faz alerta sobre novo roubo do governo Temer. O Banco Central acabou de anunciar: a conta de energia elétrica terá mais um reajuste, dessa vez de 37%, e a gasolina de 14%. Vejam que absurdo! O reajuste será aplicado a partir da próxima semana. A imprensa foi comprada para não noticiar o novo reajuste abusivo. Próxima sexta haverá uma paralisação geral! CHEGA DE TANTO ROUBO!!! Se você repassar para mais 7 pessoas ou em 3 grupos, conseguiremos mobilizar esse país e esse canalha, safado do Temer vai cancelar esse reajuste absurdo.”
FalsoUma mensagem que viralizou no WhatsApp afirma que o pré-candidato à Presidência e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) denunciou um grande aumento de gasolina e de energia elétrica planejado pelo presidente Michel Temer. Bastante confuso, o texto também diz que as medidas serão anunciadas pelo Banco Central a partir da próxima semana, sem precisar uma data. De acordo com a corrente, haverá uma paralisação na próxima sexta-feira – de novo sem indicar o dia do mês –, para protestar contra o “reajuste abusivo”. O alerta, no entanto, é falso.
Truco – projeto de fact-checking da Agência Pública– analisou as informações da corrente e descobriu que nenhuma delas é verdadeira. Não foi possível identificar o autor do texto. Para tentar dar credibilidade à mensagem, foi incluído um link como fonte dos dados. O endereço, no entanto, leva para uma notícia no site Top Five TV, que traz apenas uma reprodução da corrente do WhatsApp, sem dados adicionais. O site também não informa autores ou traz dados de contato, o que é característico das páginas que publicam notícias falsas.
A menção de que o deputado federal Jair Bolsonaro teria feito o alerta sobre o aumento da energia e da gasolina também não é verdadeira. A assessoria de imprensa do parlamentar afirmou ao Truco que ele jamais fez qualquer declaração desse tipo. Buscas na internet também não revelam nenhuma entrevista em que ele tenha feito qualquer aviso do gênero. Os resultados remetem a reproduções do texto da corrente.
Outra informação falsa é atribuir ao Banco Central a responsabilidade de informar sobre esses supostos aumentos. Os reajustes na tarifa de energia são definidos e comunicados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que autoriza os aumentos para cada concessionária e permissionária do sistema. Logo, não há um anúncio de um porcentual fixo para todo o país. Na página do órgão é possível consultar todos os reajustes concedidos desde 2013. Não existe qualquer dado sobre um aumento geral de 37%.
Já a gasolina é reajustada nas refinarias pela Petrobras, também encarregada de anunciar os índices. O último ocorreu no dia 5 de setembro deste ano e foi de 3,3%. “Na última semana, em face dos impactos do furacão Harvey na operação das refinarias, oleodutos, e terminais de petróleo e derivados no Golfo do México, os mercados de derivados sofreram variações intensas de preços”, justificou a companhia, em nota. A área técnica de marketing e comercialização pode autorizar, a qualquer momento, uma mudança dentro da faixa de -7% até +7%. Quando esse limite é atingido, a decisão deve ser tomada tanto pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços (Gemp), também um órgão interno da empresa. Não há, portanto, influência direta do presidente Michel Temer nos dois casos.
A última afirmação da mensagem do WhatsApp, sobre uma mobilização marcada para a próxima sexta-feira, também é falsa. Não há qualquer entidade ou grupo anunciando que fará um protesto por conta desses aumentos – que, aliás, nem são verdadeiros. Em correntes desse tipo, marcar um dia sem mencionar a data é um truque comum, porque dá a impressão de urgência – e, por tabela, incentiva as pessoas a compartilharem a mensagem.
Fonte: Pública