terça-feira, 17 de abril de 2018

O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

Política

Geopolítica

O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais


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O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais
À espera de uma "autoridade" dos EUA
Toda ideologia científica, criada para legitimar os interesses dos poderosos, precisa ter um grão de verdade para produzir uma mentira social convincente.
Assim, a ideologia científica da supremacia moral norte-americana nasce da tese de que o pioneiro protestante ascético criou uma sociedade igualitária de classe média, formada por pequenos empresários familiares no campo e na cidade, baseada na disciplina do trabalho duro, na política controlada pelo cidadão e na honestidade das relações interpessoais e contratuais. Até a Guerra Civil e 1861/1865, essa sociedade do pequeno empresário tinha seu grão de verdade.
Os Estados Unidos que nascem da guerra civil não têm, no entanto, mais nada a ver com esse passado mítico. O pequeno empresário perde qualquer importância econômica para os grandes monopólios econômicos,  que passam a dirigir de cima uma política cada vez mais corrompida para atender seus interesses.
Propaganda e indústria cultural manipulativa criam uma esfera pública colonizada pelo dinheiro onde o consumismo substitui a participação politica comunitária.
 A riqueza se concentra em poucas mãos e o assalto às riquezas de outros países, como em todo império, é usada para distribuir uma parte do butim para o próprio povo de modo a comprar solidariedade interna. Não obstante, a ideologia cientifica e cultural do “self made man”, do empresário trabalhador e honesto, é, até hoje, a imagem central da “ideologia americana”, para dentro e para fora da nação.
A elite de proprietários brasileiros, assim que termina a escravidão, procura e constrói uma ideologia cientifica que é o espelho invertido da americana para se apresentar como imagem do progresso: se não temos aqui o império do empresário diligente, honesto e trabalhador é apenas porque uma elite atrasada tomou o Estado e a política para seu interesse próprio.
Que nunca tenha existido aqui o “farmer” americano, mas o latifundiário ladrão de terras e assassino de gente, que se muda para a cidade para assaltar, agora, o orçamento do Estado e a sociedade como um todo, não parece perturbar ninguém.
A ideologia norte-americana ajuda a legitimar aqui o mercado da rapina sem freios sobre a população intelectualmente indefesa, produto de uma imprensa venal, que estigmatiza o Estado e a política para torná-los instrumentos dóceis do saque legalizado dos donos do mercado.
É apenas porque o mito nacional dos EUA travestido de ciência é reproduzido aqui na sua versão “vira-lata”, do inferiorizado moralmente, que a “informal” e ilegal “cooperação” entre o Departamento de Justiça americano e a Lava Jato pode se mostrar de público e sem nenhum disfarce.
O procurador Kenneth Blanco, do Departamento de Justiça dos EUA, elogiou, de público, sem qualquer pudor ou vergonha, a “íntima” cooperação com a Lava Jato, que permitiu ações ágeis e rápidas “fora dos procedimentos oficiais” por conta do relacionamento de “confiança individual” entre as equipes.
Que o país de uns tenha ficado mais rico e o país dos outros muito mais pobre, parece ser um mero efeito colateral sem importância. 
Em um contexto como este, onde a raposa e a galinha pensam o mundo e compartilham as mesmas ilusões, não se precisa sequer “pagar por fora”, em paraísos fiscais, aos procuradores e juízes envolvidos pelo serviço tão bem feito de acabar com as grandes empresas brasileiras, que eram o suporte de uma inserção internacional autônoma, via Brics, odiado pelos EUA.
Assim, acabar com 1,5 milhão de empregos e com a economia de vanguarda brasileira pode ser vendido como um acordo entre “gentlemen” interessados que a lei prevaleça e que a corrupção, claro, só do país atrasado, seja combatida.
Que os americanos façam muito diferente em casa, que as firmas corruptas sejam protegidas por “acordos secretos” com as autoridades administrativas, para proteger os empregos e os interesses americanos, como mostrado pela insuspeita The Economist  em agosto de 2014, também não parece preocupar ninguém.
Enquanto os funcionários norte-americanos são formados dentro de uma geopolítica e de uma ideologia científica centenária de um império que defende com unhas e dentes seus interesses, os nossos procuradores, juízes, generais e economistas só conhecem, quando muito, seu campo muito específico de ação. São vítimas da geopolítica do “vira-lata” e são perpassados por sentimentos de inferioridade aprendidos na escola, na mídia e nas universidades.
Para os brasileiros, não é necessário ter má fé, nem ser especialmente tolo, para defender os interesses norte-americanos como se fossem os seus. Basta ter nascido brasileiro e aprendido na escola e na mídia a ser um vira-lata obediente.   

Fonte: Carta Capital

Brasil? Leva que é de graça

Economia

Abertura da economia

Brasil? Leva que é de graça

por Carlos Drummond — publicado 17/04/2018 00h30, última modificação 16/04/2018 17h12
O País é único caso de nação grande e populosa a entregar incondicionalmente seu mercado ao capital internacional
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Vargas fez a CSN com capital dos EUA, mas estabeleceu condições
Caso se concretize a intenção do Ministério da Fazenda anunciada na quarta-feira 4 de reduzir a alíquota das importações de bens de capital de 14% para 4% e a de produtos de informática e de telecomunicações de entre 6% e 16% para a média internacional, conseguirá a indústria nacional sobreviver à avalanche inevitável de produtos acabados produzidos no exterior?
Há risco de um baque fatal, alertam economistas e empresários. “Não fomos chamados para discutir essa proposta. Não há estudos sobre o impacto da medida”, reclamou aos jornais José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “A ideia é absurda. Com tarifas rebaixadas o País terá pouco ou nada a barganhar com os países desenvolvidos em futuras negociações”, protestou Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
As contestações provavelmente não surtirão efeito, dada a adesão absoluta do governo à abertura econômica um dia preconizada pelo próprio empresariado e aplicada de modo incondicional por várias administrações, sem exigência de contrapartidas dos investidores estrangeiros à concessão do acesso ao mercado nacional.
Brasília deixa claro, nesta e em inúmeras outras decisões do gênero, ter abdicado por completo do papel de coordenação dos agentes econômicos com vista aos interesses do País, limitando-se à função de escritório local executor de objetivos dos investidores estrangeiros. A categoria empresarial nativa, cabe ressaltar, mostra-se também muito aquém da visão de país de um Roberto Simonsen, o primeiro presidente da Confederação Nacional da Indústria, na demarcação de limites entre empresas brasileiras e firmas estrangeiras.
Nessa toada tende a se concretizar a previsão do empresário Mario Milani de que o País demorará de 30 a 40 anos para ser uma grande potência industrial, meta que exige a redução dos juros e a desvalorização do real, entre outros requisitos. Quando a globalização se intensificou, revelou Milani, presidente da Sogefi Filtration do Brasil em depoimento ao Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, as empresas brasileiras de autopeças, sem contar com um mercado de capitais desenvolvido e diante de juros bancários altos, não tinham a menor condição de se tornar players globais e 95% do parque de autopeças foi vendido.
A abertura incondicional dos anos 1990 limitou o escopo da indústria automobilística e do País, descreve Milani: “O governo abriu o mercado, deu terrenos e reduziu impostos para montadoras se instalarem aqui, mas deveria também ter imposto regras. A primeira delas, pela qual sempre lutamos no Sindipeças, é a elaboração da engenharia de pelo menos uma das plataformas no Brasil.
uso da engenharia local é indispensável para adaptar os modelos estrangeiros às condições brasileiras de estradas ruins e de muita chuva em algumas regiões, por exemplo. A criação de uma plataforma local constituiria um mercado. Sem isso, os nossos filhos que estão na faculdade de engenharia não terão onde trabalhar. Era necessário impor, exigir, vender caro o acesso ao nosso mercado, mas o entregaram de graça.”
O industrial sofreu as consequências do aprofundamento do abismo entre as condições de operação das empresas brasileiras em comparação às das suas concorrentes nos países avançados. Fundou a Filtros Fram em 1964 e comandou-a até 1991, quando vendeu o controle ao grupo britânico Sogefi Filtration. “Não tínhamos a mínima condição de continuar.
Onde obter recursos para crescer, fazer fábricas para o mundo? Os nossos ícones eram a Cofap e a Metal Leve, todo mundo queria ser como eles. Mas nem eles aguentaram.” A Metal Leve, fundada por José Mindlin, foi vendida à alemã Mahle em 1996 e, no ano seguinte, a Cofap, criada por Abraham Kasinski, teve o controle adquirido pela italiana Magneti Marelli.
Anote-se que o problema denunciado por Milani se generalizou na economia. Dos grandes países com mercados de tamanho significativo, o Brasil é o único com vinculação ao capital estrangeiro sem exigência de contrapartida, chama atenção o economista Pedro Cezar Dutra Fonseca, professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
“Os Estados Unidos, a Rússia, a China, a Índia sempre usaram o seu mercado como um ativo para negociar. O Brasil foi o que mais se abriu para o capital estrangeiro. Nem sempre isso aconteceu. Getúlio Vargas não excluía o capital estrangeiro, por exemplo na Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, feita com tecnologia e capital americanos, mas dentro de determinadas linhas estipuladas pelo governo brasileiro. A partir de Juscelino Kubitschek, presidente entre 1956 e 1961, é que se consagra no Brasil esse tipo de industrialização que mais nenhuma nação grande e populosa fez.”
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Na época, empresariado local não se interessou pela FNM
Por que, questiona Fonseca, a burguesia brasileira, que tinha vencido heroicamente as etapas iniciais da industrialização, quando chega nos anos 1950 resolve aceitar a internacionalização? Por que o Brasil não tem uma indústria automobilística nacional, se mesmo países com mercados menores como a Itália, a Suécia e o Japão, entre outros, implantaram o setor?
Ele mesmo responde: “Vargas tentou fazer a Fábrica Nacional de Motores e o País tinha todas as condições para desenvolver o setor. Automóvel não era mais uma tecnologia impossível de dominar, mas os empresários locais não foram adiante nisso. Repare, o Estado teve de bancar a própria FNM porque eles ou não tinham interesse, ou não tinham fôlego, ou achavam mais fácil se associar ao capital estrangeiro.”
Kubitschek, prossegue Dutra, queria, entretanto, acelerar, avançar 50 anos em 5 (era seu lema), e aí tinha de ser com o capital estrangeiro, que já vem com a tecnologia pronta. Ao passo que, se fosse investir em tecnologia, fazer pesquisa, levaria mais tempo. Outras nações optaram por esse caminho mais demorado, de desenvolver sua própria tecnologia.
Ao menos parte da capitulação do País expressa na aceitação da entrada de capital estrangeiro sem obrigatoriedade de contrapartidas deve-se ao fator ideológico. A avalanche de privatizações, muitas vezes com desnacionalizações concomitantes desde os anos 1990 foi acompanhada do discurso da supremacia incontestável da empresa estrangeira sobre a nacional.
A economista Roberta Sperandio Traspadini, professora do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal da Integração Latino-Americana e da Universidade Federal de Santa Catarina, estudou a formulação daquela visão por Fernando Henrique Cardoso. Para FHC, diz, o desenvolvimento dependente e associado e a interdependência são preceitos necessários aos países latino-americanos e à sua inserção na economia capitalista mundial.
Essa alternativa, prossegue a professora, vem acompanhada do risco de esgotar qualquer possibilidade autônoma para o continente, já que no modelo por ele defendido as economias latino-americanas têm de estar alinhadas à lógica e às determinações do capitalismo central em situação de reprodução da subordinação política e dependência econômica.
“Não há como pensar o desenvolvimento nos moldes dos países centrais. Ao contrário, o desenvolvimento dependente e associado seria a única alternativa viável para a economia brasileira conseguir romper com seu atraso. É desse modo que ele defende a inserção internacional subordinada”, sublinha Traspadini.
Em Empresário Industrial e Desen-volvimento Econômico no Brasil, de 1972, FHC afirma mais de uma vez que é nas organizações estrangeiras que as “qualidades empresariais estão objetivadas nas normas da produção e administração científicas”.
Mas se assim é, como explicar que a indústria brasileira alcançou o topo mundial do setor em 1973, quando o peso do valor adicionado pela manufatura ao PIB superava os da França e dos Estados Unidos? Se só resta ao País se submeter a um desenvolvimento subordinado, de que modo se compreende a existência da Petrobras, pioneira mundial na sofisticadíssima tecnologia para exploração de óleo e gás em águas ultraprofundas, e da Embraer, terceira maior fabricante de aviões do planeta, superada só pela estadunidense Boeing, que hoje tenta anexá-la, e pela europeia Airbus?
De que maneira se encaixam na fatalidade da inserção internacional subordinada a produção pela Marinha do Brasil do ciclo completo do combustível nuclear e o início da fabricação do primeiro submarino movido a energia atômica, ambos com a participação de cerca de 200 competentes fábricas fornecedoras locais e ainda sob a pressão constante dos Estados Unidos? E a excelência científica da Embrapa, fundamental à ascensão do agronegócio verde-amarelo ao seleto grupo dos mais produtivos do mundo, como se explica?
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Os 50 anos em 5 de JK só seriam viáveis com capital e tecnologia estrangeiras, mas ao acelerar, o país abriu mão de influenciar seu futuro
Fica difícil acomodar também na condição de desenvolvimento subordinado incontornável a história exemplar do aço brasileiro, que não era competitivo segundo sentenciou décadas atrás a consultoria dos Estados Unidos Booz-Allen (atual Booz Allen Hamilton), que desaconselhava o empreendimento autônomo nacional.
Os projetos siderúrgicos da Usiminas, da Cosipa e da Ferro e Aço de Vitória estavam em plena implantação em meados da década de 1960, requeriam elevados aportes de valores, mas os grupos acionários privados que os conceberam originalmente não tiveram meios suficientes para atender às necessidades e o então BNDE, outra criação de Vargas, era obrigado a honrar as garantias prestadas anteriormente a financiamentos externos.
O banco público aportava também recursos para assegurar a continuidade dos empreendimentos com adiantamentos que a seguir eram convertidos em participação societária, pois as empresas privadas não conseguiam pagar as antecipações de caixa.
“Assim o BNDE tornou-se o ‘Banco do Aço’ (três quartos do seu orçamento eram gastos na siderurgia) e as empresas viraram empresas estatais”, revelou Sebastião José Martins Soares, ex-superintendente do banco em entrevista à professora Maria da Conceição Tavares no livro Memórias do Desenvolvimento. Na época dessa ‘escolha de vencedores’, Roberto Campos era ministro do Planejamento.
Não adianta esperar reflexão neoliberal sobre os feitos nacionais enumerados acima, pois eles só foram possíveis com a ação firme do protagonista empresário-Estado, o inimigo número 1 dos adeptos daquela escola. Por outro lado, não se trata também de defender uma estatização só concretizável sob o stalinismo nem o fechamento da economia, de resto impossível e altamente indesejável.
A solução, ensina Celso Furtado, é de natureza política e de economia política: manter no País o centro de decisão da empresa. Só assim é possível atuar em benefício do interesse nacional dentro da própria relação de desenvolvimento dependente e associado, o que se fez com grande êxito nos casos descritos.
Roberto Simonsen, prócer do empresariado nativo, era um crítico da aplicação pura dos princípios liberais e argumentava que em nenhum país desenvolvido a premissa era praticada e que o processo de industrialização das nações avançadas contou com apoio decisivo do Estado. Uma afirmação, cabe ressaltar, rigorosamente verdadeira à luz da história, mas seu autor nunca contou com a devida atenção entre os seus pares, embora tenha merecido 11 citações por parte de Celso Furtado na sua obra principal, Formação Econômica do Brasil.
Simonsen alertava também que, enquanto o País tivesse um povo pobre, mal remunerado, jamais conseguiria sair do atraso. Costumava repisar os objetivos da Conferência de Teresópolis, das classes produtoras, realizada em 1945, por ordem de importância: combate à pobreza, aumento da renda nacional, desenvolvimento das forças econômicas, implantação da democracia econômica e obtenção da justiça social.
Os empresários de hoje, salvo raras exceções, querem distância dessas reflexões. Em suas pesquisas para a biografia Roberto Simonsen Prelúdio à Indústria, Luiz Cesar Faro e Mônica Sinelli constataram o quanto é profunda a ojeriza das chamadas classes produtoras de hoje ressalvadas as exceções aos ensinamentos do primeiro presidente da CNI.
Os autores vasculharam entidades de classe, entrevistaram partidários da industrialização, buscaram obter registros, comentários e opiniões sobre o biografado, mas o resultado foi frustrante: “Não tivemos êxito. O silêncio do empresariado sobre Roberto Simonsen é ensurdecedor. Ele ressoa o abandono do ideário de entrega e luta em prol do desenvolvimento nacional. É o depoimento mais expressivo: o que não figura na obra”.

Perguntas que não podem deixar de ser feitas na questão do bombardeio na Síria

COLUNA

Perguntas que não podem deixar de ser feitas na questão do bombardeio na Síria

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Trump sequer esperou que uma comissão internacional ingressasse na Síri para investigar as denúncias sobre uso de armas químicas / Boris Baldinger
É muito estranha a ação que coloca o mundo inteiro em estado de alta tensão
Quem acompanha o desenrolar dos acontecimentos na Síria percebe claramente que os bombardeios dos Estados Unidos, Grã Bretanha e França tiveram objetivos que visam evitar que o governo de Bashar al Assad se consolide depois de travar batalhas contra grupos terroristas.
Várias perguntas devem ser feitas, sendo a primeira delas qual o interesse do governo sírio em utilizar armas químicas se está praticamente dominando a situação? Por que os três países mencionados atacaram a Síria antes que uma comissão internacional ingressasse no país para investigar as denúncias sobre uso e fabricação de armas químicas.
A Rússia, aliada do governo sírio, questionou a versão norte-americana, repetida inúmeras vezes pela mídia ocidental até virar verdade, sobre o uso de armas químicas na Síria. O governo de Vladimir Putin garante que a Síria não usa armas químicas. Ficam, portanto, as duas versões em choque. Realmente é muito estranha a ação que coloca o mundo inteiro em estado de alta tensão.
Trump, como se sabe, é um falastrão. Fala qualquer coisa e está mais do que vinculado ao complexo industrial militar, o setor econômico nos Estados Unidos que lucra bastante com uma guerra e bombardeios com o acontecido na Síria. O presidente norte-americano estava com a popularidade muito baixa e esperava com a ação militar contra a Síria ganhar alguma confiança da população. É a velha técnica de publicidade utilizada por dirigentes impopulares e medíocres como Trump, desta vez auxiliado por dirigentes da França e da Grã-Bretanha também dispostos a aumentar a popularidade.
Por estas e outras é preciso que a opinião pública mundial seja devidamente informada, para evitar assim que se deixe envolver por tramas que favorecem a indústria da morte que lucra com guerras e estados de tensão.
É preciso também investigar a fundo os grupos terroristas que agem nesse território. Há denúncias graves segundo as quais já foram encontradas em seus arsenais armamentos norte-americanos e israelenses. Só que essas denúncias são omitidas pela mídia ocidental e na prática tornam-se fatos de conhecimento de apenas uma parte dos povos. É preciso também investigar isso a fundo.
A partir de todos esses fatos devidamente esclarecidos é que se pode formar opinião e não aceitar logo de saída a versão do falastrão e irresponsável Donald Trump, que conseguiu o apoio de governantes da França e Grã-Bretanha, que também seguem e mesma linha de irresponsabilidade do dirigente norte-americano.
O lamentável de toda essa história trágica é que quem mais sofre é o povo sírio, que desde 2011 enfrenta um estado de beligerância que estava quase chegando ao fim com a vitória do governo de Bashar al Assad e conseqüente derrota dos Estados Unidos e grupos terroristas.
É preciso também evitar que a Síria vire uma Líbia, país destruído depois dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que já se posicionou em favor dos bombardeios na Síria.
Para finalizar fica também uma pergunta: Estados Unidos têm ou não estocados em seus arsenais armas químicas?
Edição: Brasil de Fato RJ

Partidos de esquerda se unem por liberdade para Lula

Partidos de esquerda se unem por liberdade para Lula

Sinal de que a perseguição a Lula e sua iminente retirada da disputa eleitoral, longe de colocar em primeiro plano  a disputa pela ocupação de seu espaço, parece ter sinalizado aos partidos de esquerda que, se ele for mesmo impedido de concorrer, a sorte de todos eles está liga ao comando que ele terá no processo de formação da consciência popular. Por isso, na minha opinião, Carlos Lupi, Presidente nacional do PDT; Juliano Medeiros, do PSOL; Luciana Santos, do PCdoB, além de Gleisi Hoffmann, Presidenta nacional do PT, divulgaram hoje um documento conjunto, chamando de “ato de perseguição política, que tende a aprofundar a gravíssima crise econômica, social e política do Brasil” a prisão do ex-presidente de “decisão casuística, politicamente motivada”.
Leia a nota divulgada pelos quatro presidentes de partido:
A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita ao arrepio da Constituição Federal, representa agressão à democracia brasileira e aos tratados internacionais de direitos humanos, os quais consagram, como fundamentos dos regimes democráticos, os princípios da soberania popular, da presunção da inocência e do devido processo legal.
A origem das modernas democracias assenta-se justamente nesses princípios básicos, que têm no habeas corpus sua manifestação mais significativa. Assim sendo, a prisão de ex-presidente pode ser interpretada como uma decisão casuística, politicamente motivada, que cria insuportável insegurança jurídica no Brasil. O encarceramento apressado e injustificado do ex-presidente Lula, contra o qual não há uma única prova minimamente sólida de culpa, agrava sobremaneira o perigoso e crescente clima de ódio e de instabilidade política que tomou conta do país. A decisão, destituída de fundamentos jurídicos sólidos, configura ato de perseguição política, que tende a aprofundar a gravíssima crise econômica, social e política do Brasil.
A injusta cassação política-jurídica do líder nas pesquisas de intenção de voto, significa aposta irresponsável no quadro de caos e incerteza que prejudica toda a população brasileira. Confiamos, contudo, que as forças democráticas, dentro e fora das instituições, saberão reverter esse funesta decisão e libertar Lula. O que fazem hoje com o Lula poderão fazer com qualquer pessoa amanhã. Respeitar a Constituição é respeitar a democracia.

Joaquim Barbosa, no Datafolha, tem toda a cara de armação

Joaquim Barbosa, no Datafolha, tem toda a cara de armação

Acessei os dados completos da pesquisa Datafolha.
É um caso curioso o do ex-ministro Joaquim Barbosa.
Na pesquisa espontânea, aparece com 1%.
Nas estimuladas, vai de 8 a 10%.
Quer dizer, traduzindo os percentuais em “gente”: só um em cada cem brasileiros lembra-se do nome de Joaquim Barbosa.
Mas, quando apresentados a seu nome, multiplicam-se por oito a dez vezes.
Não se tem notícias de que o senhor Joaquim Barbosa tenha tido algum ato de heroísmo ou de intensa participação politica de fevereiro para cá. Nem mesmo publicou um post sequer nas redes sociais.
E como é que em menos de dois meses e meio Barbosa dobra suas inteções de voto, que na pesquisa datafolha de 31 de janeiro, ficavam entre 3 e 6%?
Não é, porém, a única curiosidade do Datafolha.
A Folha diz, em manchete, que Lula perdeu pontos.
Deveria ter, portanto, aumentado a rejeição a quem é apresentado como um abjeto presidiário.
Mas – que surpresa! – a rejeição a Lula caiu de 40 para 36%. Ou seja, só 36%, pouco mais de um terço, “não votaria em Lula de jeito nenhum”.
O que é absolutamente compatível com os resultados que ele alcança em simulações de segundo turno – entre 46 e 48% do total de votos, ou 60% dos votos válidos, excluídos nulos e brancos.
Os números de Barbosa, conquanto contraditórios estatisticamente, fazem todo o sentido político.
Jogam a mosca azul eleitoral nos dirigentes do PSB, divididos entre a ala que quer apoiar Lula (o governador Paulo Câmara, de Pernambuco) e a que está cooptada por Geraldo Alckmin, comandada por Márcio França.
Talvez seja isso (ou talvez não, por conta da vaidade do personagem) que esteja segurando o anúncio de sua candidatura.
Talvez a sua vaidade não o impeça de ver que os números estão inflados, para que se infle seu ego.
Dificilmente será o candidato da esquerda e lhe será difícil (e fatal) ser o candidato da direita.
O papel de “justiceiro” está, ao que parece, ocupado.
Restaria o do homem capaz de compor, com equilíbrio e diálogo, a harmonia da política.
De longe, sem tecer considerações sobre o seu pensamento político – totalmente desconhecido, por seu silêncio -, parece o perfil errado para Joaquim Barbosa.

domingo, 15 de abril de 2018

Putin diz que ataques à Síria vão gerar caos internacional

Putin diz que ataques à Síria vão gerar caos internacional

Declaração foi dada durante telefonema com presidente do Irã

Putin diz que ataques à Síria vão gerar caos internacional
Notícias ao Minuto Brasil
HÁ 7 HORAS POR ANSA
MUNDO RÚSSIA
Opresidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo iraniano, Hassan Rohani, aliados do regime de Bashar al-Assad, disseram neste domingo (15) que outros bombardeios do ocidente à Síria representariam "uma ação ilegal" com impactos negativos nas relações internacionais. A conversa realizada durante um telefonema entre os dois líderes foi divulgada pelo Kremlin à agência "Tass".   
Putin ressaltou que "se essas ações que violam os estatutos da ONU continuarem acontecendo, inevitavelmente levarão ao caos internacional".   
Segundo a imprensa russa, os dois presidentes ainda concordaram que os ataques realizados pelos Estados Unidos, França e Reino Unido estragaram as chances de se fazer um acordo político para a crise no território sírio. Com informações da ANSA.