terça-feira, 14 de agosto de 2018

ELEIÇÕES 2018 'Pela 1ª vez o povo marcha para registrar seu candidato', diz dirigente do MST

ELEIÇÕES 2018

'Pela 1ª vez o povo marcha para registrar seu candidato', diz dirigente do MST

Cinco mil camponeses chegam ao Distrito Federal e entram na reta final para acompanhar registro da candidatura de Lula no TSE, nesta quarta-feira. “É a primeira vez na história”
por Redação RBA publicado 13/08/2018 10h18, última modificação 13/08/2018 12h22
FOTOS: MST/DIVULGAÇÃO
Adolfo Pérez Esquivel
O prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel visita coluna da marcha está em Taguatinga, entorno de Brasília
São Paulo – Mais de 5 mil camponeses de diversas regiões do país estão no terceiro dia de marcha em direção a Brasília. Nesta segunda-feira (13), a marcha recebe a visita do arquiteto, artista e ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz. Também visitam a marcha, na coluna que saiu hoje de Samambaia, a deputada do Podemos (Espanha) Maria Spinoza e a presidenta e a vice da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias e Jessy Daiane.
Esquivel foi uma das primeiras personalidades do cenário mundial dedicado à defesa dos direitos humanos a tentar visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ele também apresentará indicação de Lula para prêmio Nobel da Paz.
"Temos que ter em conta que esta política, que tentam retirá-lo das eleições, está sendo replicada em todo o continente latino-americano. A extrema-direita está avançando na dominação dos povos. Por isso gritamos Lula Livre. Que o povo brasileiro decida quem tem que governá-lo", diz o ativista argentino. Assista:
Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual, a dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Ester Hoffmann observou que a marcha, ao convergir com milhares de outros manifestantes na capital federal, promoverá um feito inédito na história da República: será a primeira vez que é feito o registro de um candidatura de forma popular e com mobilização: “O povo registrar o seu candidato, isso é muito significativo. Todas as pesquisas mostram que, mesmo preso, a maioria quer que ele volte ser presidente do Brasil”, disse Ester, por telefone, direto da Coluna Prestes, que já caminhava desde as primeiras horas da manhã.
O registro de Lula como postulante à Presidência da República pelo PT, tendo Fernando Haddad como vice, está previsto para esta quarta-feira (15), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A esperança dos manifestantes é de que o tribunal acate a inscrição.
“A Marcha Nacional Lula Livre é uma forma de demonstrar que o povo tem sua força, sua organização e seu projeto”, afirma Antônia Ivoneide, também da direção do MST. “E esse projeto enxerga em Lula a possibilidade real de reverter as maldades que o golpe de 2016 trouxe para o povo pobre: fome, desemprego, ataques à saúde e educação, aumento da violência e entrega das riquezas nacionais.”
Os militantes se dividem em três colunas que partiram de pontos do entorno do Distrito Federal para percorrer em média de 50 a 90 quilômetros. São as Colunas Tereza de Benguela (com militantes da Amazônia e Centro-Oeste), Ligas Camponesas (com militantes do Nordeste) e Coluna Prestes (que reúne militantes de Sul e Sudeste).
Também se fazem presentes na Marcha Nacional Lula Livre outros movimentos da Via Campesina, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e o Levante Popular da Juventude. A expectativa é reunir, junto com caravanas de trabalhadores urbanos, pelo menos 10 mil pessoas em Brasília.
Além da marcha, outras mobilizações acontecem pelo direito da liberdade e da candidatura de Lula. Sete militantes se encontram em greve de fome há 13 dias para denunciar a volta da fome e reafirmar esperança de que Lula possa reverta essa situação. Na última sexta-feira (10) ocorreu o Dia do Basta, promovido pelas centrais sindicais e movimentos sociais.
A partir desta segunda, até quarta, estão previstos ainda atos de apoio a Lula em diversos países. A jornada internacional terá eventos hoje na África do Sul, Áustria, Canadá, Cuba, Estados Unidos (Nova York, Boston e Washington) e Reino Unido. Amanhã será na França e na quarta, em Portugal e Suíça.

Posse no TSE e registro de Lula marcam semana de turbulências no Judiciário

NA AGENDA

Posse no TSE e registro de Lula marcam semana de turbulências no Judiciário

Rosa Weber assume presidência de corte eleitoral e tribunal recebe, na quarta-feira (15), pedido de registro da candidatura de Lula. No CNJ, políticos protocolam nova ação contra conduta do juiz Sérgio Moro
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 13/08/2018 18h24, última modificação 13/08/2018 19h24
ROBERTO JAYME / TSE
TSE Rosa Weber
Tribunal Superior Eleitoral terá nova presidenta a partir desta terça-feira, com posse de Rosa Weber para comandar o pleito deste ano
Brasília –  A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber será empossada, nesta terça (14), presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em substituição ao atual presidente, ministro Luiz Fux. Logo de saída, na quarta-feira (15), ela recebe o pedido de registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, sob a pressão dos movimentos populares, que prometem atos públicos pelo país e uma grande manifestação em Brasília, para garantir que Lula possa concorrer nas eleições de outubro, conforme direito garantido na Constituição Federal. A posição da nova presidenta frente à questão é desconhecida por analistas que acompanham o dia a dia da alta cúpula do Judiciário brasileiro. 
De perfil discreto e pouco afeita a entrevistas, Rosa Weber costuma votar de forma muitas vezes considerada contraditória a suas próprias posições, como no caso da decisão que levou à prisão do ex-presidente Lula. Seu voto era considerado uma incógnita até bem próximo da decisão do colegiado do STF. Isto porque ela chegou a manifestar mudança de posição em relação à prisão após condenação em segunda instância, mas cedeu ao entendimento da presidenta Cármen Lúcia de aguardar o julgamento final das ações que tratam do tema pelo tribunal.
Rosa Weber costuma dizer que seus votos expressam a forma como ela aplica "os preceitos constitucionais ao caso concreto" ou aos contornos da tese em discussão,  o que costuma muitas vezes irritar os colegas de posição mais legalista.
Esse perfil da presidenta que assume a Alta Corte Eleitoral tem deixado advogados e coordenadores de campanha de candidatos preocupados com o tom a ser adotado pela nova gestão do tribunal.
Rosa Weber, logo após a confirmação de sua eleição, em junho passado, disse estar consciente da responsabilidade que a aguarda este ano. "Justo quando o país se encontra em meio a uma disputa tão acirrada, com tantas divisões", afirmou. Ela destacou a importância do suporte que receberá do seu vice, o ministro Luís Barroso na preparação e execução das eleições de 2018.
"A troca de administração num período como esse indica, em última análise, que o que importa realmente é a instituição TSE, e não os indivíduos que a compõem. Juízes, juízas, servidores, servidoras, cada um, isoladamente, no âmbito das suas atribuições, deve atuar de modo que a instituição possa cumprir o papel de fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia em nosso país", afirmou.
A posse da ministra Rosa Weber está programada para se realizar em solenidade a partir das 20h, no térreo do edifício-sede do TSE, em Brasília.
No Supremo
Além da troca de comando no TSE, as próximas semanas têm tudo para ser de turbulências e expectativas no Judiciário, que já vive o clima para a posse do futuro novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro José Antonio Dias Toffoli, que substituirá Cármen Lúcia, a partir de 13 de setembro.
Em primeiro lugar, porque é esperado que Toffoli, indicado no governo Lula para a Corte e ex-Advogado-geral da União no governo do ex-presidente, tenha uma postura mais rigorosa em relação às ações da operação Lava Jato, em relação à adotada pela presidenta que deixa o cargo. Em segundo lugar porque Toffoli já afirmou a colegas que pretende fazer uma gestão voltada para mudanças nas regras internas do tribunal, voltada para maior integração entre os Poderes e destinada a "criar pontes internas e externas", conforme chegou a confidenciar para alguns assessores.
Toffoli é considerado um ministro negociador, bem entrosado com os pares e grande estimulador de estatísticas e metas de gestão voltadas para maior celeridade processual. Ao ser eleito para a presidência, na última semana, o ministro lembrou que a condução do seu nome consiste num "princípio republicano que esta Corte segue há décadas, o da rotatividade entre os seus integrantes". E acrescentou que "a responsabilidade deste encargo é enorme e os desafios são gigantescos".
Casa de Fachin e Lava Jato
Completando a agenda tumultuada da semana, os trabalhadores que realizam greve de fome pedindo pela soltura de Lula estão acampados desde domingo (12) em frente ao prédio onde mora o ministro relator das ações da Lava Jato no STF, Edson Fachin.
Além disso, hoje pela manhã parlamentares do PT anunciaram um fato novo no eterno confronto entre Legislativo e Judiciário. Eles vão protocolar até sexta-feira (17) mais um pedido junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de apuração de procedimento disciplinar contra o juiz federal Sérgio Moro.
Durante entrevista concedida neste fim de semana ao jornal Estado de São Paulo, o diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, confirmou que sofreu interferência de Moro em julho, quando um magistrado plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) concedeu liminar pela soltura do ex-presidente.
A situação levou a uma guerra de liminares e Galloro terminou esperando para ouvir a decisão do presidente do tribunal Thompson Flores, que manteve o ex-presidente numa cela localizada na sede da PF. Mas o diretor-geral confirmou ter recebido telefonema do juiz, que com o gesto, mais uma vez se contrapôs à ordem Supremo de um desembargador da segunda instância.

PRESO POLÍTICO Em artigo no 'NY Times', Lula reafirma: 'Não quero impunidade, quero democracia'

PRESO POLÍTICO

Em artigo no 'NY Times', Lula reafirma: 'Não quero impunidade, quero democracia'

No maior jornal dos Estados Unidos, ex-presidente denuncia golpe que levou ao poder Michel Temer e seu projeto de retroceder as conquistas dos trabalhadores e de impedir sua candidatura nas eleições
por Redação publicado 14/08/2018 09h36, última modificação 14/08/2018 13h18
©NY TIMES / REPRODUÇÃO
Lula preso político
Reprodução da página do NY Times que publica o artigo por Lula em que denuncia sua prisão política e o retrocesso movido por Michel Temer contra as conquistas populares

Há um golpe de direita em andamento no Brasil, mas a justiça prevalecerá

O Sr. da Silva, o ex-presidente do Brasil, escreveu este ensaio para o New York Times da prisão.
CURITIBA, Brasil – Dezesseis anos atrás, o Brasil estava em crise; seu futuro incerto. Nossos sonhos de nos desenvolvermos em um dos países mais prósperos e democráticos do mundo pareciam ameaçados. A ideia de que um dia nossos cidadãos poderiam desfrutar dos padrões de vida confortáveis de nossos colegas na Europa ou em outras democracias ocidentais parecia estar desaparecendo. Menos de duas décadas após o fim da ditadura, algumas feridas daquele período ainda estavam cruas.
O Partido dos Trabalhadores ofereceu esperança, uma alternativa que poderia mudar essas tendências. Por essa razão, mais que qualquer outra, vencemos nas urnas em 2002. Tornei-me o primeiro líder trabalhista a ser eleito presidente do Brasil. Inicialmente, os mercados se abalaram, mas o crescimento econômico que se seguiu os deixou seguros. Nos anos seguintes, os governos do Partido dos Trabalhadores que chefiei reduziram a pobreza em mais da metade em apenas oito anos. Nos meus dois mandatos, o salário mínimo aumentou 50%. Nosso programa Bolsa Família, que auxiliou famílias pobres ao mesmo tempo em que garantiu que as crianças recebiam educação de qualidade, ganhou renome internacional. Nós provamos que combater a pobreza era uma boa política econômica.
Então este progresso foi interrompido. Não através das urnas, embora o Brasil tenha eleições livres e justas. Em vez disso, a presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment e foi destituída do cargo por uma ação que até mesmo seus oponentes admitiram não ser uma ofensa imputável. Depois, eu fui mandado para a prisão, por um julgamento questionável de acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.
Meu encarceramento foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil. Pretende-se impedir que o Partido dos Trabalhadores seja novamente eleito para a presidência. Com todas as pesquisas mostrando que eu venceria facilmente as eleições de outubro, a extrema direita do Brasil está tentando me tirar da disputa. Minha condenação e prisão são baseadas somente no testemunho de uma pessoa cuja própria sentença foi reduzida em troca do que ele disse contra mim. Em outras palavras, era do seu interesse pessoal dizer às autoridades o que elas queriam ouvir.
As forças de direita que tomaram o poder no Brasil não perderam tempo na implementação de sua agenda. A administração profundamente impopular do presidente Michel Temer aprovou uma emenda constitucional que estabelece um limite de 20 anos para os gastos públicos e promulgou várias mudanças nas leis trabalhistas que facilitarão a terceirização e enfraquecerão os direitos de negociação dos trabalhadores e até mesmo seu direito a uma jornada de oito horas de trabalho. O governo Temer também tentou fazer cortes na previdência.
Os conservadores do Brasil estão trabalhando muito para reverter o progresso dos governos do Partido dos Trabalhadores, e eles estão determinados a nos impedir de voltar ao cargo no futuro próximo. Seu aliado nesse esforço é o juiz Sérgio Moro e sua equipe de promotores, que recorreram a gravações e vazamentos de conversas telefônicas particulares que tive com minha família e com meu advogado, incluindo um grampo ilegal. Eles criaram um show para a mídia quando me levarem para depor à força, me acusando de ser o “mentor” de um vasto esquema de corrupção. Esses detalhes aterradores raramente são relatados na grande mídia.
Moro tem sido celebrado pela mídia de direita do Brasil. Ele se tornou intocável. Mas a verdadeira questão não é o Sr. Moro; são aqueles que o elevaram a esse status de intocável: elites de direita, neoliberais, que sempre se opuseram à nossa luta por maior justiça social e igualdade no Brasil.
Eu não acredito que a maioria dos brasileiros aprove essa agenda elitista. É por isso que, embora eu possa estar na cadeia hoje, eu estou concorrendo à presidência, e por isso que as pesquisas mostram que se as eleições fossem realizadas hoje, eu venceria. Milhões de brasileiros entendem que minha prisão não tem nada a ver com corrupção, e eles entendem que eu estou onde estou apenas por razões políticas.
Eu não me preocupo comigo mesmo. Já estive preso antes, sob a ditadura militar do Brasil, por nada mais do que defender os direitos dos trabalhadores. Essa ditadura caiu. As pessoas que estão abusando de seu poder hoje também cairão.
Eu não peço para estar acima da lei, mas um julgamento deve ser justo e imparcial. Essas forças de direita me condenaram, me prenderam, ignoraram a esmagadora evidência de minha inocência e me negaram Habeas Corpus apenas para tentar me impedir de concorrer à presidência. Eu peço respeito pela democracia. Se eles querem me derrotar de verdade, façam nas eleições. Segundo a Constituição brasileira, o poder vem do povo, que elege seus representantes. Então deixe o povo brasileiro decidir. Eu tenho fé que a justiça prevalecerá, mas o tempo está correndo contra o democracia.

Manifestantes em marcha por Lula Livre se encontram em Brasília nesta terça

POR DEMOCRACIA

Manifestantes em marcha por Lula Livre se encontram em Brasília nesta terça

Trabalhadores passarão o dia na capital federal para, nesta quarta-feira (15), juntam-se no grande ato público para acompanhar o registro no TSE da candidatura de Lula à Presidência da República
por Redação RBA publicado 14/08/2018 09h26
MATHEUS ALVES/BDF
Marcha Lula Livre
Trabalhadores sem-terra partiram de três pontos diferentes do Planalto Central, marcharam 50 quilômetros e se juntam à manifestação pelo registro da candidatura de Lula, nesta quarta
São Paulo – As três colunas camponesas que marcham há quatro dias em defesa do restabelecimento da democracia no país e pela candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às eleições deste ano se encontram na manhã desta terça-feira (14) em Brasília. O encontro das colunas Tereza de Benguela (com militantes da Amazônia e Centro-Oeste), Ligas Camponesas (Nordeste) e Coluna Prestes (Sul e Sudeste) deve ocorrer por volta das 10h30, próximo à Fonte da Luminosa da Torre de TV, no centro da capital federal.
Juntas, as três colunas reunirão cerca de 5 mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outras organizações de trabalhadores do campo, que estarão em Brasília para o grande ato público, organizado pelas centrais sindicais e frentes populares, que vai marcar o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de Lula como postulante à Presidência da República, nesta quarta-feira (15).
integrante da direção nacional do MST Rosa Maria diz que o encontro das três colunas deve ser marcado por "muita mística", e destaca o entusiasmo e a capacidade de resistência dos participantes, que partiram no último sábado (10) de três pontos diferentes do Planalto Central e caminharam cerca de 50 quilômetros até a capital. A Coluna Prestes partiu da cidade de Luziânia, em Goiás. No mesmo estado, da cidade de Formosa, partiram os integrantes da Coluna Ligas Camponesas (Nordeste). E de Engenho das Lages, no Distrito Federal, a Coluna Tereza de Benguela. 
"Vamos ver, rever e até mesmo conhecer companheiros e companheiras de luta, que marcharam por Lula Livre e contra os retrocessos da reforma agrária e dos direitos dos trabalhadores. Temos absoluta certeza que a retomada da democracia se dá com povo na rua", disse a ativista. 
Após o encontro, os integrantes da Marcha Nacional Lula Livre devem se dirigir para o estacionamento localizado entre o estádio Mané Garrincha e o ginásio Nilson Nelson, no centro de Brasília, onde ficarão acampados em preparação para as atividades de registro da candidatura de Lula nesta quarta-feira.
Na segunda-feira (13), a marcha recebeu a visita do arquiteto, artista e ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, a deputada espanhola do Podemos, Maria Spinoza, além da presidenta e da vice da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias e Jessy Daiane. 

Cármem Lúcia mostra constrangimento ao receber manifestantes por Lula livre

DESCONFORTO DA PRESIDENTE

Cármem Lúcia mostra constrangimento ao receber manifestantes por Lula livre

Favorável à prisão após segunda instância, ministra ouviu de religiosos, juristas e do prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel que ex-presidente é ‘preso político’
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 14/08/2018 19h03, última modificação 14/08/2018 19h03
COMUNICAÇÃO DA GREVE DE FOME
Audiência com Cármen Lúcia
Audiência no gabinete de Cármen Lúcia durou cerca de uma hora. Grevistas querem ser recebidos
Brasília – Irredutível desde o início na decisão de não pautar as ações para avaliar a constitucionalidade de prisão após condenação em segunda instância, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, teve de passar por um constrangimento na tarde de hoje (14). A magistrada recebeu em audiência pública um grupo que pediu, entre outras coisas, para adiantar a tramitação dessas ações e disse textualmente que considera o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “preso político” e que “as eleições 2018 estarão ameaçadas, caso Lula não possa ser candidato”.
O grupo foi formado pelo prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; por um dos integrantes da greve de fome realizada desde o início do mês pela liberdade de Lula, Frei Sérgio Görgen; pelo ator Osmar Prado; o representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile; além de juristas, intelectuais e representantes da sociedade civil. 
O recado repassado para Cármen Lúcia poderia até parecer “lugar comum” desde que foi decretada a prisão de Lula, em abril passado. Mas as frases destacadas na audiência de hoje nunca foram ditas de forma solene, oficialmente, durante uma audiência pública para a magistrada que preside a mais alta Corte do país.
Ela tentou ser diplomática mas, segundo alguns assessores do STF presentes, não conseguiu esconder em certos momentos, o ar de desconforto.
MPAentrevista
Ao lado do ator Osmar Prado e da advogada Carol Proner, Esquivel fala sobre reunião no STF
“Não tivemos a intenção de constranger a ministra, mas precisávamos deixar claro nosso entendimento de que é preciso que o Judiciário reconheça Lula como preso político e que as eleições de 2018 estarão ameaçadas caso ele não possa ser candidato, já que está na frente em todas as pesquisas”, afirmou Esquivel.
“Viemos mostrar, também, que esta é a visão que o mundo inteiro está tendo do Brasil, principalmente a América Latina: a de país que vive um momento delicado desde o golpe que tirou a então presidenta Dilma Rousseff do poder, num processo de impeachment sem provas concretas até hoje”, acrescentou.
Horas antes, foi realizado em frente ao STF, bem próximo do gabinete da ministra – que foi noviça na juventude e é católica fervorosa, do tipo de não faltar à missa aos domingos – um ato religioso “em defesa da democracia e pelo combate à fome”. Os organizadores foram manifestantes que desde segunda-feira (13) estão chegando a Brasília para apoiar, nesta quarta (15), o registro da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embora sem destacar sua opinião, Cármen Lúcia – que deixa o comando do tribunal no início de setembro – tentou dar um tom amável ao encontro, procurou mais ouvir do que se manifestar e disse, ao final, que tinha ficado “comovida” com a audiência.
Mas, bem ao seu estilo de protelar o que não tem interesse em julgar, tudo o que prometeu foi relatar o pedido feito pelo grupo aos demais magistrados que integram o tribunal para que decidam sobre a votação das ações.
Com saúde bastante frágil, o frei Sérgio Görgen, que completa hoje 14 dias de greve de fome, não aguentou caminhar da frente do Supremo até o local onde seria realizada a coletiva com os jornalistas. Ele foi encaminhado, num carro, para a frente do Centro Cultural Banco do Brasil onde descansou.
Além disso, ao contrário de reuniões com governadores e outras autoridades, em que muitas vezes câmeras e repórteres podem entrar para acompanhar a conversa, a audiência teve a presença de jornalistas vetada.

Nobel para Lula

Os participantes do encontro lembraram também do pedido para que Lula seja indicado ao prêmio Nobel da Paz. “Ele foi um presidente que teve altos índices de popularidade e levou 36 milhões de pessoas a ter uma vida mais digna. Esperamos que isso alimente o coração da ministra”, afirmou Esquivel.
“Viemos até aqui para destacar que é preciso muita coragem de um homem como o Lula, denunciar a situação vivida por ele e o fato de estar onde está. Ele poderia ter pedido para se refugiar em algum outro país, mas preferiu ficar e ser preso para deixar clara sua inocência e o caráter ilegal da sua condenação”, disse o ator Osmar Prado.
“No fundo, eu acho que há um grande medo desse pessoal que trabalhou por tudo isso com o alvoroço que a população tem feito em torno do Lula, porque todos sabem que se ele for candidato, ganhará a eleição. Não podemos nos calar. Nosso papel é exigir que a Constituição seja cumprida, que essa prisão seja encerrada e que amanhã a candidatura seja registrada”, destacou Prado.
Os integrantes do grupo lembraram à ministra que foi levada uma mensagem sobre toda esta situação ao Papa Francisco, recentemente, e este manifestou  preocupação com o Brasil. Ressaltaram, em sequência, que além do caso de Lula, a ação do PCdoB que questiona a constitucionalidade da prisão de condenados em 2ª instância, prejudica mais de 150 mil presos no país.
Advogados presentes pediram, ainda, para ser respeitado o direito de liberdade de expressão do ex-presidente, que não tem obtido autorização para conceder entrevistas. E afirmaram para a magistrada que a interpretação feita por eles é de que, se existia alguma dúvida sobre o caráter político da prisão, essa dúvida deixou de existir no início de julho.
Na ocasião, um desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região concedeu liminar de soltura para o ex-presidente, mas a ordem foi sobreposta por outros desembargadores e depois pelo presidente do tribunal, por interferência do juiz federal Sergio Moro.
O grupo entregou a Cármen Lúcia manifesto intitulado “Eleição Sem Lula é Fraude”, com mais de 330 mil assinaturas, que tem a adesão de personalidades brasileiras e estrangeiras e denuncia ações do Poder Judiciário para impedir que o ex-presidente seja candidato.

Manifestantes em Brasília

Em vários lugares do Plano Piloto, da frente da rodoviária, passando pela Esplanada dos Ministérios ao trecho em frente ao estádio Nilson Nelson, onde muitos estão acampados, camponeses, agricultores, integrantes do MST e manifestantes do PT estão se encontrando, vindos de diversos estados brasileiros para o ato de apoio, amanhã (15), ao registro da candidatura de Lula.
Distribuídos por toda a capital do país, os grupos têm agregado estudantes e trabalhadores para as passeatas, provocado confusão no trânsito e até situações inusitadas, dando uma prova do ambiente de estímulo à candidatura do petista.
“Tão bonita e tão burra”, gritou para a veterinária Ana Albuquerque um motorista, provavelmente irritado com o tumulto provocado pelas passeatas e contrário à caravana. “Melhor que você que é feio e golpista”, gritou de volta ela, provocando uma reação de solidariedade das pessoas presentes, risadas e vaias ao motorista.
Conforme informações dos organizadores, já estão em Brasília perto de oito mil pessoas, mas o grupo tende a ser ampliado até amanhã.
Durante a madrugada, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS) se reuniu à marcha numa das rodovias, ao lado de deputados como Benedita da Silva (RJ), Valmir Assunção (BA), Marcon (RS), João Daniel (SE) e Leonardo Monteiro (MG). Segundo Pimenta, o movimento é uma prova de que “nada pode parar o povo que toma as rédeas do seu destino”. “Lula é muito mais que um líder popular”, afirmou.
Ao todo, estão em marcha, desde a última sexta-feira, no entorno do Distrito Federal, integrantes da Coluna Tereza de Benguela, formada por pessoas da Amazônia e do Centro-Oeste; das Ligas Camponesas, formada por nordestinos; e da Coluna Prestes, formada por moradores do Sul e Sudeste brasileiros.
De acordo com um dos coordenadores da coluna Ligas Camponesas, Antonio Rodrigues, a ação, que se concentrará amanhã na Esplanada dos Ministérios, representa a retomada dos movimentos populares por maior democracia e pela realização de eleições que contem com todos os representantes da população, numa referência a Lula.

ELEIÇÕES 2018 'Se evitarem que Lula chegue na urna, farão algo que nunca fizeram no Brasil' diz advogado


ELEIÇÕES 2018

'Se evitarem que Lula chegue na urna, farão algo que nunca fizeram no Brasil' diz advogado

Especialista em Direito Eleitoral Luiz Fernando Casagrande Pereira explica hoje, programa "Entre Vistas", legalidade da candidatura. Às 21h
por Redação RBA publicado 14/08/2018 14h38, última modificação 14/08/2018 18h09
REPRODUÇÃO TVT
Luiz Fernando Casagrande Pereira
Advogado de Lula lembra que, em 2016, 145 prefeitos foram eleitos na mesma situação do ex-presidente
São Paulo  Sem ingenuidade diante das exceções praticadas pela Justiça brasileira nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas com absoluta certeza da legalidade da candidatura do líder de todas as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Essa foi a postura do advogado e professor de Direito Luiz Fernando Casagrande Pereira em sua participação no programa Entre Vistas, apresentado pelo jornalista Juca Kfouri, e que vai ao ar nesta terça-feira (14), às 21h, na TVT.
“Eu seria ingênuo se dissesse que a candidatura do ex-presidente Lula é uma obviedade ou provável, isto não pode ser dito por quem acompanha na Justiça do Brasil o que vem sendo feito nos processos do ex-presidente”, reconheceu o advogado que atua na defesa de Lula. Apesar do “pé atrás", Luiz Fernando Casagrande Pereira é firme ao explicar que 145 prefeitos foram eleitos, em 2016, na mesma situação de suposta inelegibilidade em que agora se encontra o ex-presidente – 98 reverteram a inelegibilidade após a eleição e antes da diplomação.
Tentando ser didático em um tema complexo, Casagrande explica que, na dúvida, a lei eleitoral “deixa disputar e resolve depois”. “Se a Justiça Eleitoral não tivesse deixado disputar a eleição, teria que pedir desculpas a 98 deles e aos seus eleitores. Como terão que pedir desculpa aos 50 milhões de eleitores que querem votar no Lula”, projetou.
Em 2016, de cada 10 candidatos a prefeito que concorreram na eleição mesmo após condenação em segunda instância, sete reverteram a inelegibilidade após serem eleitos. “Levantei centenas de casos e decisões judiciais e posso dizer com certeza: se evitarem que o ex-presidente Lula chegue às urnas e ao horário eleitoral, farão algo que nunca fizeram no Brasil”, afirma, convicto, Luiz Fernando Casagrande Pereira.
“Pela estatística, Lula teria 70% de chance de reverter a inelegibilidade depois da eleição. Agora… ele tem que ter o direito de reverter depois, a não ser que atropelem o procedimento e façam no caso do Lula o que não fizeram em oito anos de Lei da Ficha Limpa e em 2.800 casos”, afirmou.
Assista aqui entrevista na TVT e também pelo Facebook e Youtube.
Ou aqui, a partir das 21h: