segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O bolsonarismo e a guerra da Globo com a Record

O bolsonarismo e a guerra da Globo com a Record

REUTERS/Paulo Whitaker
No último debate do primeiro turno, em 4 de outubro, Bolsonaro reafirmou seu profundo desprezo pela democracia e pelas regras do jogo eleitoral.
Escudado num atestado médico, fugiu do debate na Globo com todos os candidatos mas, curiosamente, encontrou condições físicas e de saúde para participar de uma longa e amistosa entrevista na TV Record do "fundamentalista charlatão" Edir Macedo, como Haddad definiu o dono da Igreja Universal do Reino de Deus.
Em decisão que significou o funeral da justiça eleitoral, o tse cassou medida liminar que pedia a suspensão da entrevista. O tribunal, assim, foi cúmplice do abuso de poder religioso, foi cúmplice da conversão de uma concessão pública [rádio e televisão] em órgão de propaganda partidária, e foi leniente com a destinação desigual – e ilegal – de espaço na televisão para o candidato Bolsonaro em detrimento de todos demais candidatos.
A entrevista na Record sacramentou o casamento do Bolsonaro com o charlatão religioso que acabara de trair e abandonar a fracassada campanha do Alckmin. E assegurou ao candidato fascista um canal privilegiado para fazer proselitismo político a milhões de pessoas, principalmente da comunidade evangélica, numa aposta para vencer a eleição no 1º turno.
O plano estratégico Bolsonaro-Record transcende a eleição, e diz respeito à conformação de um poderoso e ambicioso sistema de comunicação oficial do regime bolsonarista. Reportagem do saite The Intercept que analisa os bastidores do apoio do portal R7 a Bolsonaro revela a rotina de censura prévia e de serviço sujo na redação da emissora para favorecer Bolsonaro e prejudicar Haddad.
Num eventual governo Bolsonaro, a Record teria preferência equivalente à que a Fox News tem no governo do também fake news Donald Trump, realidade que afetaria sobremaneira os interesses econômico-comerciais da Rede Globo, bem como o poder e a hegemonia política, ideológica e cultural da família Marinho.
O resultado das urnas em 28 de outubro, que dirá se o Brasil escolherá o caminho da democracia ou do despotismo, da civilização ou da barbárie, da liberdade ou da repressão, também poderá definir o futuro comercial e empresarial da Rede Globo, que passaria a enfrentar a concorrência de uma TV que se locupleta financeiramente através da exploração inescrupulosa e hipócrita da religião.
A Globo não morre de paixão pela democracia e pelo Estado de Direito, mas é capaz de se jogar numa luta de vida e morte para defender seu poder e, principalmente, seus interesses financeiros e comerciais.
Quem acompanha a grade de programação da Globo consegue perceber que nos últimos dias, notadamente depois da entrevista do Bolsonaro na Record, a emissora sutilmente tem agendado temas que, em tese, seriam conflitantes com a pregação reacionária bolsonarista.
Nos noticiários e programas variados, a Globo contrapõe com sutileza abordagem diferente dos preconceitos e das posições tacanhas defendidas pelo bolsonarismo – e desde uma perspectiva desconstrutiva da visão totalitária, binária e reducionista do Bolsonaro.
É difícil cravar que essa postura seja indício de mudança editorial da Globo para defender os valores da democracia, da pluralidade e da tolerância contra o que Bolsonaro representa; mas é perceptível que a emissora dos Marinho, historicamente empenhada em prejudicar candidatos petistas, neste segundo turno comporta-se de maneira claramente diferente – sequer destacou a nova denúncia boca-de-urna dos procuradores contra Lula divulgada pelos criminosos da República de Curitiba a 2 dias da eleição.
O destino e o futuro da democracia, paradoxalmente, poderá não ser definido através da política e da soberania popular, como deveria, porque poderá ser resultante da guerra travada entre aqueles que não têm voto, mas acumulam muito poder – os grupos empresariais, familiares ou religiosos da mídia.

Campanha de Haddad recebe alerta sobre vigilância militar pró-Bolsonaro

Eleições 2018

Campanha de Haddad recebe alerta sobre vigilância militar pró-Bolsonaro

por André Barrocal — publicado 15/10/2018 00h30, última modificação 13/10/2018 15h39
Peças-chave do QG petista estariam sendo alvo de espionagem. Aviso chegou dois dias após o primeiro turno da eleição
Ian Cheibub
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Abaixo da foto de Bolsonaro, o deputado Lorenzoni: "Esta eleição não é de propostas"
Dois dias após a votação que quase levou o presidenciável da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), à vitória em primeiro turno, um cardeal do QG petista recebeu um alerta sinistro. As principais peças do comitê de Fernando Haddad têm sido monitoradas pela área de inteligência das Forças Armadas.
Por trás da espionagem estaria o general da reserva Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI, o órgão controlador da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. O objetivo seria reunir informações para ajudar Bolsonaro a triunfar daqui a duas semanas.
É um alerta crível?
CartaCapital mostrou recentemente: a maioria do Exército bolsonarizou-se. É uma identificação corporativa alimentada pela fúria antipetista que se alastrou pelo País e se converteu em 49 milhões de sufrágios no deputado do PSL, 46% dos votos válidos.
Entre oficiais da reserva, o bolsonarismo é total. O vice da chapa dele, general Antonio Hamilton Mourão, comandava até setembro o Clube Militar, ponto de encontro dos que penduraram a farda. Vários militares colaboram com a campanha e os planos do candidato extremista.
Tem mais. Etchegoyen nutre antipatia visceral pelo PT. Há uns seis, sete anos, ele esteve em uma solenidade em sua terra natal, a cidade gaúcha de Santa Maria. O atual líder petista na Câmara, Paulo Pimenta, outro filho da terra, também. O deputado estendeu-lhe a mão, e Etchegoyen deixou-a no ar. Pimenta foi puxado de canto por outro general e ouviu: “Ele não gosta do PT, coisa de família e ideologia”.
Os instintos de Etchegoyen parecem ter piorado com a Comissão da Verdade, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. A comissão listou seu pai, Leo, e um tio, Cyro, como cúmplices da violação de direitos humanos na ditadura civil-militar de 1964 a 1985.
Subordinada a Etchegoyen, a Abin foi apontada em junho de 2017, pela Veja, como espiã de um juiz do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Foi logo após a delação da JBS/Friboi que quase derrubou Michel Temer, um processo que corria no STF sob a guarda de Fachin.
Na época, o hoje chefe da articulação política de Temer, Carlos Marun, que era apenas deputado, disse à reportagem de CartaCapital: “O presidente não usou a Abin. Mas, e se tivesse usado, qual o problema?” A Lei da Abin (a 9.883, de 1999), afirmava, autorizaria a espionagem em caso de ameaça à “segurança nacional”.
O petista alertado agora lembra que, na crise que levou à deposição de Dilma, tinha recebido outro aviso, da parte de um major. O informante pediu para conversar. E que fosse caminhando, pois ficar parado era dar sopa à espionagem. No papo, o major disse: as Forças Armadas não aceitam a permanência de Dilma, ela vai ser cassada.
Em 5 de junho passado, a reportagem conversou com um deputado do PSDB, que não foi reeleito agora, sobre uma aparente inteligência na campanha bolsonarista. Ele contou que, na época do impeachment, a inteligência do Exército tinha seus próprios cálculos quanto à votação e acertou na mosca, 367 deputados contra Dilma. Nas contas dos civis do mutirão partidário anti-Dilma, seriam 369.
No alerta feito agora ao QG petista, há mais coisa sinistra. O mesmo STF que teria tido um de seus membros bisbilhotado há pouco mais de um ano estaria hoje sob o tacão dos quartéis. A começar pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, contra quem já haveria munição para usar.
Seria para agradar aos militares que Toffoli classificou recentemente o golpe de 1964 de “movimento de 1964”? Seria esse também o motivo para ter nomeado como seu assessor especial o número 2 do Exército até aquele setembro, o general Fernando Azevedo e Silva?
Um oficial que, soube-se recentemente, presta colaboração informal à campanha de Bolsonaro, tendo inclusive recebido Mourão em sua casa para um almoço em setembro.
Nas redondezas do gabinete de Toffoli circula uma história espantosa. Quando Bolsonaro tomou uma facada, em 6 de setembro, altos oficiais teriam se revoltado e decidido ir às ruas. A ameaça de golpe militar era real. Como Temer não tem autoridade moral para enquadrá-los, sobrou para Toffoli segurar o abacaxi. A nomeação de um general para assessor teria sido um misto de abertura de canal com o Exército e aceitação tácita de tutela fardada.
Em 9 de setembro, o Estadão publicou uma entrevista com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em que ele afirmava que haveria risco de instabilidade no País, caso Bolsonaro fosse derrotado e essa derrota, encarada como efeito da facada.
Mais: que a candidatura de Lula, se aceita pelo Judiciário, provocaria a mesma instabilidade. Até hoje, nem Toffoli nem Villas Bôas comentaram a nomeação de Azevedo e Silva.
Há sinais de que as Forças Armadas aderiram à Operação Lava Jato e não aceitam a soltura de Lula. Quando o STF negou um habeas corpus ao petista, em abril, um general da reserva, Paulo Chagas, recém derrotado na disputa pelo governo do Distrito Federal, mandou uma carta ao juiz Gilmar Mendes, que votara a favor do HC, em tom ameaçador.
“Se a última esperança de salvar a Nação do caos, depositada pelos brasileiros nas mãos dos Ministros do STF, está desmoronando, onde estará a salvação?” Nas Forças Armadas, dizia.
Em setembro, um bolsonarista general da reserva, Luiz Eduardo da Rocha Paiva, defendeu no GloboNews a ideia de um “autogolpe”, ou seja, de golpe, pois não daria para confiar nem no STF. “Vai fazer o quê? Vai esperar o esfacelamento da Nação?”
O alerta recente ao QG petista continha mais duas informações. Etchegoyen teria garantido uma espécie de salvo-conduto para Temer, quando este deixar o poder. Como se sabe, há dois processos criminais à espera do emedebista.
Além disso, já haveria articulações para blindar a Lava Jato no Supremo por meio de duas nomeações para a Corte no próximo governo, para vagas que serão abertas em 2020 e 2021. Uma nomeada seria a PGR Raquel Dodge, que gosta da ideia, segundo relatos. O outro seria o juiz Sergio Moro.
“Não tenho receio de um golpe militar que impeça o Haddad de assumir, caso ele vença. Tenho é de o Supremo impedir, por pressão militar”, disse à reportagem o petista alertado. Como seria a manobra jurídica? “O Supremo e o TSE podem inventar problemas nas nossas contas de campanha.”
Na PGR, há gente graúda com seus receios. “A preocupação é enorme. O golpe parece inevitável em algum momento, principalmente se o Haddad ganhar”, diz um subprocurador-geral da ativa.
Será?

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Segundo estudo, cachorros correm para consolar seus donos quando os veem chorar


Segundo estudo, cachorros correm para consolar seus donos quando os veem chorar



Reprodução/Pixabay PublicDomainPictures
Se você tem um cão de estimação, já notou que eles parecem sentir quando estamos tristes. E se nos veem chorar, eles fazem de tudo para tentar nos agradar e saiba que essa atitude acaba de ser cientificamente comprovada.
A pesquisa foi feita por cientistas americanos e publicada no periódico Leaning & Behavior e os testes foram realizados com 34 cachorros e seus donos. Eles foram separados em dois ambientes e os animais tinham que reagir a diferentes tipos de situações.
Uma delas era quando ouviam o dono chorando e na outra, cantando uma canção tranquila. Ambos podiam se ver através de paredes de vidro e a porta que os mantinha separados foi fechada com ímãs, facilitando a abertura com as patas e focinho.
Duas situações foram criadas para descobrir a reação dos animais. Na primeira, os donos deveriam pedir por ajuda com tom de voz calmo e melódico. Na segunda, eles urgiam por socorro de forma mais calorosa, além de fazer sons de choro. Os resultados mostram que os cachorros conseguiram abrir a porta com maior rapidez ao ouvir barulho de choro do outro lado do que quando ouviam o dono cantar.
Mesmo sem uma diferença significativa na abertura das portas, a rapidez é que foi surpreendente, já que os cães reagiram mais rapidamente ao ouvir seus donos chorarem. Eles levaram uma média de 23,43 segundos para abrir a porta nesse caso, contra 95,89 segundos quando os donos cantavam.
“O experimento encontrou indícios de que cães agem para ajudar humanos, e a velocidade com que abriram a porta indica que são sensíveis ao estado emocional de seus donos”, afirma o estudo.

Kakay: “Não é minimamente razoável investir na absoluta falta de respeito aos direitos constitucionais”

15 DE OUTUBRO DE 2018, 19H54

Kakay: “Não é minimamente razoável investir na absoluta falta de respeito aos direitos constitucionais”

Advogado criminalista divulga nota contra a candidatura de Jair Bolsonaro e o que ela representa: “Que vença um mundo de esperança, que vença uma proposta de solidariedade”
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, divulgou uma nota, nesta segunda-feira (15), contra a candidatura de Jair Bolsonaro. Acompanhe a íntegra:
Meus amigos, eu quero registrar, para ser absolutamente sincero e coerente, o que penso deste embate final entre o que eu julgo ser uma decisão entre a barbárie e a esperança em um mundo civilizado e humano. O Coisa vai incrementar o mundo jurídico criminal com seu reacionarismo doentio. Profissionalmente a barbárie, desde que com as instituições funcionando, é muito boa para a advocacia criminal, sob o prisma raso de ter muitos clientes. Mas não é minimamente razoável investir na mediocridade, no terror, na absoluta falta de respeito aos direitos constitucionais.
Saibam, o risco de não termos as suas instituições funcionando é real. Ele e o vice pregam um golpe militar. Eu não quero viver neste mundo medíocre. Os motivos de ordem política, os motivos de ordem econômica estão exaustivamente postos em todos os jornais do mundo civilizado, basta nós nos informarmos. Eu quero invocar os motivos do coração, do amor, das relações de amizade. Da solidariedade. Da fraternidade. Eu não quero “ele” porque eu tenho filhos. Porque eu leio. Eu leio. E leio. Leio poesias. Leio um pouco de tudo. Eu não quero “ele” porque eu conheço um pouco a história do Brasil e do mundo.
Nós que temos acesso à informação temos que ter responsabilidade. O horror da corrupção nós enfrentamos com um Judiciário independente, com o respeito às garantias constitucionais e com a condenação, se for o caso, após o devido processo legal. Tanto que temos hoje muitas pessoas importantes do mundo político e empresarial presas. A justeza ou não nós enfrentaremos caso a caso. O fascismo, porém, nós não temos como “prender”, ele corrói as bases da sociedade e instala entre nós o medo, o ódio, a separação dos povos.
Esta é uma decisão que nós vamos ter que assumir. Não sou dono da verdade, mas tenho lado. Tudo que li na vida, as mulheres que amei, os filhos que eu respeito, a maioria dos amigos para os quais me entreguei, o que escrevi, o que falei Brasil afora, tudo, tudo me faz ter a certeza de que temos que derrotar este projeto – que não tem projeto – mas que sintetiza o ódio e o atraso. Que vença um mundo de esperança, que vença uma proposta de solidariedade. Vamos nos lembrar de Manoel de Barros: “Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”. Vamos juntos caçar um jeito de fazer um Brasil justo e solidário, sem violência.

MAIS UMA DO JUIZECO: MORO MANTÉM TODOS OS BENS DE LULA BLOQUEADOS