terça-feira, 30 de outubro de 2018

CRIME DE LESA-PÁTRIA

Folha e Globo foram covardes com Bolsonaro e isso é uma grave ameaça à democracia AMARELARAM

30 DE OUTUBRO DE 2018, 11H41

Folha e Globo foram covardes com Bolsonaro e isso é uma grave ameaça à democracia

Além de ameaças aos principais grupos de comunicação do país, Bolsonaro e seus principais aliados também estão ameaçando movimentos sociais, adversários políticos, professores de universidades, artistas e jornalistas, entre outros
Bolsonaro está conseguindo vencer o braço de ferro com a imprensa tradicional nesses primeiros dias após a sua vitória. A capa de hoje da Folha de S.Paulo é o recibo mais claro e evidente dessa postura covarde. Mas há outros indícios.
Ontem Bolsonaro foi ao Jornal Nacional para dizer não só à Folha como também para a Globo que os veículos que viessem a fazer jornalismo crítico ao seu governo não irão ter verba publicitária e ainda sentirão o peso da lei.
Se fossem Dilma e Lula a dizer isso, hoje este seria o assunto de todos as rádios, jornais, TVs e geraria uma quantidade imensa de notas de associações de imprensa nacionais e internacionais.
Ontem, Bonner sequer teve a coragem de dizer a Bolsonaro que essa sua reação era anti-democrática e ilegal. Que o governo federal tem obrigação de adotar a mídia técnica na distribuição de recursos.
Bonner se limitou apenas a fazer considerações positivas acerca da Folha, mas quase que pedindo desculpas a Bolsonaro por não concordar com ele.
Aquele editor do JN de garras afiadas e que não deixava os candidatos a presidente sequer responderem questões se escondeu debaixo da mesa. Sobrou um guaguejante apresentador que rapidamente entregou a palavra a Renata Vasconcellos, quase que pedindo socorro para que ela o salvasse da saia-justa.
Bolsonaro além de ameaçar a Folha disse que o jornal fez fake news no caso da sua funcionária da Câmara que trabalhava vendendo açaí enquanto deveria estar no serviço público. Nada de Bonner falar.
Mas o mais bizarro foi a Folha dar uma nota dizendo que Bolsonaro se enganou em relação ao episódio. Bolsonaro não se enganou pipoca nenhuma. Ele mentiu de forma deliberada. Mas a Folha preferiu ficar pianinho.
Hoje quem esperava um editorial duro do veículo na sua capa por ter sido ameaçado pelo futuro presidente, se decepcionou de novo. A manchete principal ficou para a previdência. E a nota sobre o ataque mereceu pequeno destaque.
A capitulação da Globo e da Folha são sinais claros de que há medo dessas empresas do que possa vir a acontecer com suas empresas com Bolsonaro no poder.
Acontece que além dessas ameaças aos principais grupos de comunicação do país, Bolsonaro e seus principais aliados também estão ameaçando movimentos sociais, adversários políticos, professores de universidades, artistas, jornalistas etc.
Se os grandes se calam e se acovardam os pequenos fazem o quê? Globo e Folha podem ter com suas reações tímidas aberto o caminho para a ditadura de Bolsonaro.
Ainda é cedo para cravar isso. Mas os sinais e a reação de ontem e hoje são absolutamente preocupantes, porque imperou a covardia e o bundamolismo.

Como a direita construiu a vitória de Jair Bolsonaro

Fernando Frazão/Agencia Brasil

Como a direita construiu a vitória de Jair Bolsonaro

A vitória do PSL é uma vitória de um discurso construído com pesquisa, trabalho, análises e ajustes

HAROLDO CERAVOLO SEREZA

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Essa foi uma eleição política e não econômica, como foram todas as outras da redemocratização.
Esse é o ponto de partida de qualquer análise. Quem entendeu os valores e discursos melhor venceu (Bolsonaro) ou sobreviveu (PT).
Achar que Ciro venceria é um erro: ao passar pro segundo turno, ele viraria imediatamente o candidato de Lula no WhatsApp e seria desconstruído em segundos, sem a força do PT para segurar o dique dos votos se rompendo.
Alckmin quis surfar no discurso antipetista de Bolsonaro e tudo o que fez foi alimentar sua onda.
Marina buscou um centro que não existe - na verdade, ele foi diminuindo desde 2010. E não foi por obra do PT, que também perdeu votos para a direita e, agora, para a ultradireita.
Essa vitória de Bolsonaro é a vitória da resiliência da direita, que, em 2003, começou a construir um discurso antipetista calcado no mesmo texto que derrubou João Goulart em 1964.
Posso desenvolver essas teses, mas prefiro contar uma historinha: em 2002, no centenário de Os Sertões, conheci Marco Antônio Villa na bucólica cidade de São José do Rio Pardo (SP). Conversei um tanto com ele, que não ficou o meu melhor amigo. Mas tínhamos uma amiga em comum e, assim, trocamos mais do que oi, prazer, tudo bem e tchau.
Numa das caminhadas entre um evento e outro no centro comunitário, Villa, salvo engano à época presidente do Instituto Teotônio Vilela, me contou que estava pesquisando a bagunça do governo Jango: "Aquilo não podia dar certo".
Por que Villa, cuja carreira estava associada à época de Canudos, passara a pesquisar a derrubada de Jango?
Não entendi à época - apenas fiquei com aquilo na cabeça.
Hoje, me parece claro que o PSDB encomendou a Villa, mais ou menos explicitamente, um estudo sobre como desestabilizar um governo trabalhista.
Bolsonaro é resultado desses 16 anos de luta intelectual e política contra o PT. A vitória do PSL é uma vitória de um discurso construído com pesquisa, trabalho, análises e ajustes.
Esse discurso saiu das mãos do PSDB há um ou dois anos, e caiu no colo de uma fração que foi mobilizada como último recurso contra o partido de Lula.
O futuro tem de ser construído sem ignorarmos que a direita pensa, planeja, executa, corrige-se e atua também como frente, com vários cavalos puxando a carruagem.
P.S.: Temer, ao lançar três cavalos na disputa (Alckmin, Meirelles e Bolsonaro), usou os dois primeiros para proteger o mais forte nesse momento. Não havia vacina contra isso no primeiro turno. Ainda que eu tenha defendido e acreditado que o PT deveria ter começado a desconstruir Bolsonaro antes do primeiro turno, provavelmente seria um trabalho em vão e talvez até levasse ele a ter mais votos.
Alckmin e Ciro tinham credibilidade, interesse e espaço para fazê-lo. Erraram ao mão ao atacar o PT prioritariamente, tentando pegar carona na onda de Bolsonaro. Ajudaram a criar o tsunami.

A nova ditadura militar

Resultado do ódio espalhado pelo candidato nazista

30 DE OUTUBRO DE 2018, 10H02

Estudante de direito com camiseta de Bolsonaro diz em vídeo: “Essa negraiada vai morrer!”

O vídeo viralizou nas redes e o estudante perdeu o emprego
Foto: Reprodução
Um estudante de direito de Londrina identificado como Pedro Baleotti, gravou vídeo, neste domingo (28), onde diz que estava indo votar armado e pretendia matar quem encontrasse com camisa vermelha. O vídeo viralizou na internet e Baleotti perdeu o emprego. Em outro vídeo, que pode ser visto logo a seguir, o estudante canta armado: “Capitão, levanta-te, o povo brasileiro precisa de você”. Veja abaixo:
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“Indo votar… armado com faca, pistola, o diabo, louco pra ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Essa negraiada vai morrer! Vai morrer!”
De acordo com informações da reportagem do jornal Tem Londrina, o rapaz é estudante de direito e trabalhava num escritório de advocacia na cidade de São Paulo. Por conta do episódio, ele foi demitido na tarde desta segunda-feira (29). Segundo e empresa, Pedro já não faz mais parte do quadro de funcionários.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) deverá investigar o caso e o rapaz pode correr o risco de perder a possibilidade de advogar futuramente.