segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Bolsonaro pretende culpar PT por futuras rebeliões em prisões

Bolsonaro pretende culpar PT por futuras rebeliões em prisões

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O Presidente do STF, Dias Toffoli, em seu artigo publicado neste jornal (“Um pacto republicano para o Brasil”), certamente diz mais do escreve, começando por ter escolhido para isso um jornal internacional. Suas afirmações, algumas contundentes, não deixarão de ter repercussão dentro e fora do Brasil. Ainda mais neste momento, em que acaba de ser eleito como presidente da República um ultradireitista de ideias autoritárias e agressões à oposição política, que a opinião democrática mundial vê com preocupação e até medo.
Toffoli não pôde esquecer que, ao escrever como presidente da máxima Corte Constitucional, suas afirmações adquirem um peso especial e serão analisadas nas chancelarias internacionais. Sem dúvida, seu artigo revela nas entrelinhas a grande preocupação pela democracia brasileira que, segundo não poucos analistas, se veria ameaçada pelo novo governo.
Essa Corte suprema nunca teria proposto um grande pacto republicano entre os três poderes do Estado caso se tivesse tratado da eleição de um presidente normal. Nem teria chegado Toffoli, em seu artigo, a propor ações tão concretas inclusive no campo econômico, como apoiar a tão polêmica reforma da previdência social que assusta milhões de brasileiros. Nem apresentaria o Supremo como “moderador dos conflitos sociais” e de direitos tão fundamentais como “a liberdade de expressão em todas suas manifestações”. São afirmações que parecem esconder os temores de que tais direitos possam estar em perigo.
Ao mesmo tempo, o magistrado parece fechar os olhos às preocupações que a sociedade civil democrática não esconde com a chegada do governo Bolsonaro cercado por tantas incógnitas e perplexidades. Como se quisesse tranquilizar a opinião pública e ao mesmo tempo estender a mão ao novo governo que está sendo formado. Para isso, enfatiza que as eleições ocorreram numa festa cidadã, em total liberdade, o que implica uma mensagem à oposição para que se esqueça da tentação de querer impugnar o resultado das urnas.
Toffoli não pode esquecer que, justamente neste momento, todas as instituições e partidos políticos são alvo de duras críticas e desprestígio por parte de quem condenou com o voto a velha política e os governos da esquerda. Entre as instituições acusadas de manter privilégios e de querer andar de mãos dadas com os políticos corruptos encontra-se neste momento também o Supremo, visto em seu interior confrontado entre facções políticas.
Em seu artigo, Toffoli, que, aos seus 51 anos, sabe que ainda lhe resta meia vida como magistrado do Supremo, quis assim esquecer as críticas que chovem sobre a instituição que ele preside, para se apresentar como quem toma a iniciativa para tentar livrar o país dos perigos antidemocráticos que possam rondar-lhe.
Em seu projeto de pretender um pacto republicano com outros poderes do Estado, Toffoli marca posição sobre como pretende se movimentar. Para começar, deixa aberto o caminho do diálogo com o Governo Bolsonaro. Mais ainda, em seu escrito deixa clara sua posição política e por quais trilhos pensa se mover, se não por prudência, para evitar males piores ou porque pretende aproveitar o momento para apresentar o Supremo não mais como um tribunal puramente constitucional, e sim como um centro onde também a política terá um protagonismo inédito.
Para isso quis deixar claro dentro e fora do Brasil o que opina sobre os “episódios turbulentos” que assolaram o país nos últimos anos. E quis enumerá-los. Trata-se “das investigações que envolvem a classe política: impeachment a uma presidenta da República, cassação de um presidente da Câmara de Deputados e a condenação e prisão de um ex-presidente da República”.
Segundo Toffoli, esses episódios turbulentos se desenvolveram na máxima normalidade, ou seja, “pelas vias institucionais democráticas, com total respeito à Constituição e às leis”. Quer dizer, Dilma não foi vítima de um golpe parlamentar nem Lula é um condenado político. Foram processos realizados em total legalidade jurídica.
O mínimo que se pode concluir é que Toffoli, do seu assento privilegiado de presidente do Supremo, prefere, neste momento, em vez de desafiar as feras, oferecer-lhes a mão para tentar amansá-las. Ou será algo mais?

AÇÃO CONTRA HADDAD É VINGANÇA POLÍTICA, DIZ PT

Lenio Streck: O drible da vaca de Moro no Conselho Nacional de Justiça

Lenio Streck: O drible da vaca de Moro no Conselho Nacional de Justiça
Reprodução de vídeo
POLÍTICA

Lenio Streck: O drible da vaca de Moro no Conselho Nacional de Justiça


19/11/2018 - 21h15
Periculum in Moro! É a lei ou não é? Eis a questão!
Aprendi com o velho Elias Díaz, jurista espanhol: quem colocaria em dúvida que, no Estado Democrático, a legalidade só poderia ser uma legalidade constitucional?
Mas, como tudo por aqui no Brasil, há controvérsias. Muitas.
Pedro Serrano e eu escrevemos um texto denunciando que o juiz Sergio Moro, ao fazer a transição de governo junto com Bolsonaro, aceitar o cargo e montar seu gabinete, infringiu a Constituição, a Loman e o Código de Ética dos juízes.
Dias depois, o CNJ abriu procedimento contra Moro, face à representação (ou mais de uma) que lá ingressou. Ou seja, nossa denuncia tinha fumus boni juris.
Para lembrar: em entrevista, Moro já havia dito por que optara por não se exonerar antes de assumir o Ministério da Justiça (razões de salário, segurança e proteção da família).
Porém, face ao procedimento aberto pelo CNJ, Moro teve que mudar os planos. No dia 15, Moro pediu exoneração, contada a partir de 19 de novembro.
Três deputados ingressaram com pedido de cautelar, para impedi-lo de se exonerar antes de resolver esta e outras pendências administrativas que contra ele tramitam.
A cautelar procede. Se Moro pode se exonerar depois do cometimento da própria infração que causou o último procedimento, abrirá um perigoso precedente, além de tornar inócua a proibição de os juízes exercerem atividade política.
Qual é o busílis? Simples: Um funcionário público comete uma infração (grave) e, como a lei somente impede a aposentadoria ou exoneração se estiver respondendo a processo (PAD), bastará que, aberto o procedimento que poderá levar à posterior abertura do PAD, peça exoneração (ou aposentadoria) para que tudo se extinga.
É a lei levando o drible da vaca. Nítido desvio de finalidade da lei.
Claro que não pode ser assim. Uma república na qual todos devem ser tratados igualmente não pode admitir esse discrimen.
Um membro do MP ou do Judiciário que entre em férias durante o período eleitoral não pode fazer o que quiser.
Nem no período eleitoral e nem nunca. Em férias, o máximo que pode fazer é descansar e viajar.
O certo é que não pode fazer atividade política. É o que aconteceu.
Observe-se que Moro aceitou o convite para ser ministro mesmo sem estar em férias.
Quando viajou ao Rio ainda não estava de férias. Aceitou o convite e depois entrou em férias.
Começou a montar o ministério. É juiz e, ao mesmo tempo, presta serviço ao Executivo, violando a separação de Poderes e a CF.
Registre-se: as férias, para o deslinde da controvérsia, são absolutamente irrelevantes.
Tanto é verdade que nem Moro acreditou na “tese das férias”, pois dela desistiu ao pedir exoneração no dia 15 último.
Se estar de férias legitimava o ato de fazer política, por qual razão então se exonerou antes do tempo?
A resposta é óbvia, pois.
Sigo. O certo é que, aberto um procedimento para apurar esse imbróglio – há outros, como sabemos –, Moro pediu exoneração.
Não teria o pedido o objetivo de tornar prejudicado um eventual PAD (que, por consequência, impediria a exoneração)? Por isso, não há outro caminho a não ser o CNJ conceder a cautelar para sustar a exoneração.
Há evidente periculum in mora, porque, exonerado, não há como o Estado buscar apurar uma infração cometida por um servidor. Não há solução diferente ou intermediária.
De observar que os fatos são ainda mais graves se levarmos em conta que o convite para ser ministro da Justiça foi gestado quando o magistrado ainda exercia sua função, conforme declarado pelo general Hamilton Mourão (e não desmentido).
Também reuniu-se, durante a campanha eleitoral, com o anunciado futuro ministro da pasta a ser denominada Ministério da Economia, Paulo Guedes.
Esse encontro foi confirmado pelo próprio juiz, tudo conforme demonstrado no pedido de cautelar feito pelos deputados.
Se for negada a cautelar, estará aberto um grave precedente: todo funcionário, sob ameaça de um PAD, pede exoneração e zera tudo. E o Estado nada poderá apurar.
Estará criada nova forma de exclusão de responsabilidade de funcionário público: o pedido de exoneração antes do PAD.
Lembro ainda das repercussões do precedente no caso de Marcelo Miller. Também estava de licença prêmio ou férias, estão lembrados?
Simples assim. “It is the law”, como disse o médico para o staff do presidente norte-americano na série House of Cards.
Explico: necessitando de um transplante de fígado, seu médico particular queria furar a fila dos transplantes. A resposta foi negativa.
O diretor do hospital agiu por princípio e não por política. Pela lei, a fila de transplantes não pode ser quebrada.
Nem se pelo presidente da República. Bingo.
Qual é princípio – que sustenta a regra – que seria violado? Simples: uma vida é igual a uma vida. E a do presidente não vale mais.
Tudo para dizer que aqui, no caso, Moro não está acima da lei. Juiz não pode exercer atividade política.
Nem por um dia. Nem por vários dias. Aliás, ele mesmo sempre disse que ninguém está acima da lei. Pois é. Nem ele.
Vamos ver como o CNJ sai dessa sinuca de bico. Numa palavra final, não se diga que há má vontade na discussão dos assuntos que envolvem Sérgio Moro.
Usa-se simplesmente Moro contra Moro. Sua rigidez no uso da lei deve também valer para si.
Daí a questão da licença vernacular e semântica que, com todo o respeito, permiti-me fazer no título deste articulum, usando a expressão latina que trata do perigo da demora em Direito. Trata-se de uma licença poético-republicana.
*Lenio Luiz Streck é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito.
Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol
Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!
A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.
Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet

GRAVÍSSIMO: a Lei não vale para todos. Pimenta: Moro manobra para fugir das acusações no CNJ

https://www.youtube.com/watch?v=GLPfMJznSsQ&feature=em-uploademail

LULA LIVRE! Com aplausos e gritos de LULA LIVRE, Dilma é recebida na Argentina

Con aplausos y al grito de "¡ libre!", la Contracumbre recibió a



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Médico cubano relata dia a dia no interior de SC

Médico cubano relata dia a dia no interior de SC

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Yosmany Vera Pelaez estava irritado com Jair Bolsonaro. O médico cubano vive há quase dois anos na cidade catarinense de Itaiópolis, de 21 mil habitantes, numa rotina intensa de trabalho — várias vezes, conta ele, não era ainda nem o horário do almoço e já tinha atendido mais de 20 pessoas.
E, na sexta-feira (16), declarações do presidente eleito tinham acabado de chegar a seus ouvidos: Bolsonaro dizia que ninguém gostaria de ser atendido por um médico cubano; ele nem tinha certeza, aliás, de que eles eram mesmo médicos.
“Vai ser difícil para quem ficar aqui. Estão desacreditando nossa medicina, nosso conhecimento”, disse Yosmany.
Na quarta-feira (14) Cuba anunciou que os mais de 8.000 médicos cubanos que atuam no Brasil por meio do programa Mais Médicos terão de ir embora. No município onde Pelaez atende, os eleitores deram 77% dos votos a Bolsonaro no segundo turno.
O rompimento foi uma reação a declarações do presidente eleito contra Cuba e seus médicos. Já Bolsonaro disse que foi Cuba que não aceitou as condições que ele impôs para a continuidade da adesão dos cubanos ao Mais Médicos — como que eles se submetam a uma prova para revalidação dos diplomas médicos
E, ainda na quarta, Bolsonaro deu novas declarações fortes contra a presença dos médicos cubanos no Brasil. “Eu duvido quem queira ser atendido pelos cubanos, pois não temos qualquer comprovação [que sejam médicos]”, disse.
“Eu jamais faria acordo com Cuba nesses termos [atuais]. Isso é trabalho escravo, não é nem análogo à escravidão, é trabalho escravo”, disse Bolsonaro.
Yosmany, que já esteve na Venezuela também num programa de cooperação no setor da saúde, disse que em lugar nenhum do mundo os cubanos tiveram sua formação profissional questionada como aconteceu no Brasil.
“Onde eu atendo, há pessoas que deveriam ir a outro posto de saúde, mas vão no meu. Alguns reclamam que os médicos que os atendem não os olham direito, não examinam bem, só querem prescrever um remédio e mandar embora, reclamam da falta de humanidade”, disse.
“Por mim eu fazia essa prova [de revalidação do diploma]. Mas não para ficar no Brasil, somente para mostrar que somos médicos mesmo”, completou.
A passagem de Yosmany no Brasil, que deve se encerrar nos próximos dias, teve início no dia 7 de janeiro de 2017.
Yosmany desembarcou em Brasília num dia tranquilo — não viu nenhum daqueles protestos de médicos brasileiros que fizeram recepções nada amigáveis para as primeiras levas de cubanos que chegaram ao país.
“Quando cheguei não teve nada de anormal. Desembarquei em Brasília e depois fui para Santa Catarina para começar a trabalhar”, disse.
Encaminhado para o município de Itaiópolis, Yosmany foi substituir uma colega, também cubana, num dos postos de saúde do local.
“Eu não tive esse tipo de problema de protesto [ou dificuldade] para ser aceito na cidade. A colega que estava antes de mim fez trabalho muito bom e era querida pela população, tive uma aceitação boa”, disse.
Segundo ele, logo no início do trabalho percebeu que a demanda por saúde era grande. “Não é como acontece no Nordeste, onde há problemas de doenças tropicais, dengue, chikungunya… Aqui tem muita criança que aparece com gripe, doenças respiratórias, e pessoas mais velhas com diabetes, hipertensão. Nesse período aqui atendi muita gente, às vezes eram 20 numa única manhã.”
Ainda sem saber direito como será sua volta para Cuba e o destino do programa Mais Médicos, o cubano disse que seu jeito de praticar a medicina acabou por fazê-lo se incorporar à rotina do pequeno município.
“Há coisas que os médicos brasileiros não costumam fazer, microcirurgias, pessoas que chegam com a unha encravada, eu resolvia tudo ali. Também ia à casa de pessoas acamadas que me ligavam, ia verificar casos de crianças com suspeita de serem vítimas de violência. Tudo isso foi me fazendo conhecer as pessoas daqui.”
O médico cubano se gaba de uma nova habilidade que ganhou na convivência com os moradores do local: “Aprendi a dirigir trator aqui”.
O cubano também falou sobre a retenção de aproximadamente 70% de seu salário pelo governo castrista da ilha.
“Não sou comunista, não sou socialista, sou um cubano e quero falar isso de forma neutra. Acho que o governo pega muito do salário. Mas, não sei se é por causa da formação que recebemos desde criança, doutrinariamente, mas acho bom a gente colaborar um pouco com a economia do nosso país.”
Segundo ele, o capitalismo é o sistema em que é possível realizar sonhos, mas “o preço a se pagar é alto demais”.
“O pessoal aqui está cego com o dinheiro. Nunca é suficiente o tanto que conseguem.”
Questionado sobre declarações de Bolsonaro, de que os médicos cubanos estão trabalhando em regime de escravidão, Yosmany falou o seguinte:
“Não acho que seja assim, escravidão. Nós assinamos um contrato, se colocamos a faca em nosso pescoço, fomos nós”, disse antes de soltar uma risada.
Yosmany negou qualquer chance de ficar no Brasil — Bolsonaro prometeu dar asilo político a quem quiser continuar no país.
“Eu tenho duas filhas, nem com a possibilidade de trazer minha mulher eu fico aqui, pois eu gosto de Cuba. A relação que temos lá com nossos vizinhos, nossa família, não temos por aqui”, disse Yosmany.
Ele conta que alguns de seus amigos que vieram da ilha para trabalhar no Mais Médicos, por sua vez, ainda tentam viabilizar maneiras de permanecer no Brasil.
“Tenho muito amigo cubano que fala que vai ficar. Segue sendo meu amigo, mas não acho legal ficar em um país sozinho com essa palavra que falou o Bolsonaro, que não somos médicos”, disse.
O médico acredita que o governo cubano proíbe que médicos do país façam o exame de revalidação do diploma justamente para evitar que tentem ficar no Brasil.
“Cuba não permite que se faça o Revalida pois não querem que ninguém fique Brasil. Se não permite fazer o Revalida, o médico tem que obrigatoriamente voltar para o país”.
Na conversa, o médico ainda comparou Bolsonaro ao presidente do EUA, Donald Trump, e disse que sua eleição foi o “pior erro na história do Brasil”.
“Vamos continuar em outros países, estamos em todos os países do mundo, trabalhamos há muito tempo em outros países e nunca fizeram uma sacanagem como essa que o Bolsonaro fez conosco, desacreditando a própria medicina. Isso está errado do ponto de vista diplomático, do ponto de vista político. Ele não sabe o que é diplomacia.”