sexta-feira, 8 de março de 2019

Marielle Franco é lembrada na marcha das mulheres de Berlim

08 DE MARÇO DE 2019, 17H35

Marielle Franco é lembrada na marcha das mulheres de Berlim

A marcha que marca o Dia Internacional da Mulher na capital alemã foi aberta com a fala de uma ativista que lembrou da "situação preocupante" no Brasil diante da eleição de Jair Bolsonaro; manifestação reuniu mais de 10 mil pessoas
Reprodução/Twitter Oriol Serra
O internacionalismo na luta das mulheres se fez presente, na tarde desta sexta-feira (8), na marcha que marca o Dia Internacional da Mulher em Berlim (Alemanha). A situação brasileira, apesar dos mais de 9 mil quilômetros que separam os dois países, foi lembrada logo na abertura da marcha por uma das ativistas alemãs.
Segundo conta a jornalista Clarissa Neher, em matéria publicada canal público de comunicação da Alemanha, Deutsche Welle (DW), uma das ativistas abriu a marcha, durante a concentração na praça Alexanderplatz, destacando dados sobre a violência contra as mulheres no Brasil. Ela detalhou que a cada nove minutos uma mulher é estuprada no país e que mais de 4,2 mil brasileiras foram mortas no ano passado. Para a ativista alemã, a situação para as mulheres no Brasil é “preocupante” uma vez que o país acaba de eleger um presidente “que em diversos momentos deixou transparecer seu sexismo, machismo e homofobia”.
No discurso de abertura da marcha, foi lembrado ainda o movimento #EleNão, contra Jair Bolsonaro, e houve críticas contra o apoio do banco alemão Deutsche Bank à eleição de Bolsonaro. Ao final do discurso, a vereadora Marielle Franco, assassinada há quase um ano no Rio de Janeiro, foi homenageada com um grito de “Marielle, presente!” e aplausos dos manifestantes.
Comemorado desde o início do século XX, o Dia Internacional da Mulher, em Berlim, foi transformado em feriado neste ano.
Saiba mais sobre a marcha das alemãs na reportagem do Deutsche Welle Brasil.

Berlim celebra primeiro feriado no Dia da Mulher

Berlim celebra primeiro feriado no Dia da Mulher

Pela primeira vez, o 8 de março é feriado oficial na capital alemã; aceitação da data no país se impôs lentamente, coroando uma luta de um século

KATE BRADY
 Berlim (Alemanha) 
Deutsche Welle Deutsche Welle
Foi em 1910, na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada naquele ano em Copenhague, que a ativista alemã Clara Zetkin sugeriu, pela primeira vez, a ideia de uma jornada internacional da mulher.
Um ano depois, ao lado da Áustria, da Suíça e da Dinamarca, a Alemanha celebrou pela primeira vez o Dia da Mulher em 19 de março. A data foi marcada por manifestações em favor do voto feminino, que as mulheres alemãs puderam exercer pela primeira vez em 1918.
Um século depois, vestida com o uniforme de cor laranja típico dos lixeiros de Berlim, a ministra alemã da Família, Franziska Giffey, andava por um subúrbio de Berlim na caçamba de um caminhão de lixo nesta quinta-feira (07/03). O objetivo: desafiar estereótipos de gênero em profissões dominadas por homens.
"Quando se trata de igualdade de gênero, avançamos muito nos últimos anos", afirmou Giffey na véspera do primeiro Dia da Mulher, que agora é também feriado oficial em Berlim. "Estamos no centésimo ano do voto feminino, mas ainda há muito por fazer."
"Temos que garantir que as mulheres possam atuar em qualquer profissão, e não apenas nas de liderança. Temos que garantir mais valor às profissões sociais. Temos que garantir que se faça mais contra a violência doméstica, especialmente contra as mulheres."
Ao longo dos 101 anos desde a iniciativa de Zetkin, a compreensão do que é o Dia da Mulher mudou muito.
A celebração em 8 de março, que se consolidou depois de 1921, foi uma ideia de Alexandra Kollontai, a mulher de Vladimir Lenin. A intenção era comemorar a greve das trabalhadoras de Petrogrado [hoje de novo São Petersburgo], no mesmo dia, em 1917. Aquela manifestação é vista como o prelúdio da Revolução de Outubro na Rússia, oito meses depois.
Na época da República de Weimar, o Partido Social-Democrata da Alemanha, então no poder, rejeitou a data devido a reservas em relação a Lenin e a revolução russa. A data também era descartada pelos fascistas.
Na Alemanha do pós-Guerra, o 8 de março foi amplamente rejeitado na Alemanha Ocidental, com o argumento de que se tratava de um dia de autocelebração na Alemanha Oriental. Nesta, o Dia da Mulher era de grande importância.
O feriado do lado oriental buscava promover a igualdade e a valorização do trabalho das mulheres, que geralmente recebiam rosas vermelhas. A Alemanha Oriental também concedia uma medalha Clara Zetkin para as mulheres e organizações que apoiaram causas feministas e socialistas no país.
No lado ocidental, as mulheres só começaram a fazer ouvir a sua voz no dia 8 de março nos anos 1970. Em 1977, as Nações Unidas declararam o 8 de março o Dia Internacional da Mulher.
Em 2019, pela primeira vez a data será também feriado na Alemanha – mas só na cidade-Estado de Berlim, o primeiro dos 16 estados da federação a adotar essa medida.
Manifestações deverão ocorrer na capital alemã, ao lado do monumento a Clara Zetkin e na praça Alexanderplatz, um dos símbolos da cidade. Sindicatos e organizações de direitos das mulheres e dos refugiados deverão se encontrar no largo e de lá marchar até o bairro de Kreuzberg para um "grito global" – um grito em uníssono de um minuto para "extravasar a raiva", segundo os organizadores.
Os principais temas da manifestação deste ano são pobreza entre idosos e a desigualdade de salários e condições de trabalho entre homens e mulheres. A diferença de 21% entre os salários de homens e mulheres também é uma das prioridades dos manifestantes.
O ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, destacou que igualdade é "sobre representação, participação, oportunidades iguais e direitos iguais." Toda pessoa que "sinceramente acredita na democracia" deve lutar pelos direitos das mulheres e por igualdade "sem qualquer porém ou mas", afirmou.
Pixabay
Dia da Mulher passou a ser feriado em Berlim

Mais uma mamata escandalosa e bilionária.

Acordo bilionário da Lava Jato é “esquisitice jurídica”, afirma Flávio Dino

 
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), classificou o acordo bilionário entre o Ministério Público Federal (MPF) de Curitiba, a Petrobras e Departamento de Justiça dos Estados Unidos como “mais uma esquisitice jurídica”.
Pelo acerto, a Petrobras vai transferir R$ 2,5 bilhões a uma fundação administração pela força-tarefa da Lava Jato.
“Mais uma esquisitice jurídica: Um acordo internacional, não aprovado pelo Congresso Nacional, gera R$ 2,5 bilhões, a serem administrados por uma fundação privada, sem fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União), sem Portal da Transparência e sem submissão ao PPA (Plano Plurianual), LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) e LOA (Lei Orçamentária Anual) ”, escreveu o governador em seu perfil no Twitter.
Flávio Dino diz que a chance desse acordo dar certo é igual a zero. “Para proteger o próprio Judiciário e o Ministério Público, melhor coisa a fazer é devolver esse dinheiro ao patrimônio público. Imediatamente”, disse o governador.
Segundo ele, quanto mais se explica sobre o assunto, mais piora.
“Quem escolhe as tais entidades gestoras? Por que essas e não outras? Onde está a lei que criou o Fundo, conforme exige o artigo 167, inciso IX, da Constituição? São 2,5 bilhões de dinheiro público, que seriam simplesmente privatizados”, diz o governador.
Com informações do Vermelho.

Benedita: Ao priorizar a mulher nas políticas sociais, Lula e Dilma impulsionaram o nosso protagonismo

Benedita: Ao priorizar a mulher nas políticas sociais, Lula e Dilma impulsionaram o nosso protagonismo
Assessoria de imprensa
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Benedita: Ao priorizar a mulher nas políticas sociais, Lula e Dilma impulsionaram o nosso protagonismo


08/03/2019 - 16h49
O 8 de Março é maior do que se imagina
por Benedita da Silva*, exclusivo para o Viomundo
O feminismo tem suas raízes na luta contra submissão patriarcal da mulher e também contra a discriminação racial e salarial promovidas pelo capitalismo.
Esse mesmo capitalismo que varreu no século XIX a herança feudal conservou, porém, a tradicional opressão patriarcal da mulher para mantê-la submissa ao homem.
Nos países escravistas de então, como os Estados Unidos e o Brasil, entre outros, ao lado da mulher branca oprimida pelo pai ou marido, havia a mulher negra escrava que executava trabalho igual ao do escravo e, dessa forma cruel e desumana, mostrando a igualdade de gêneros.
O feminismo no Brasil também cresceu na luta das mulheres contra a violência do machismo e por seus direitos ao voto, ao corpo, à representação política e no mercado de trabalho.
Mas ao lado desse feminismo branco se desenvolveu com força crescente o feminismo negro, colocando a tripla discriminação que sofre a mulher negra na sociedade: de raça, de gênero e social.
São essas três formas de opressão que conformam a condição de trabalho da categoria mais explorada da sociedade, a das trabalhadoras domésticas, com mais de 60% de mulheres negras e forte herança escravista.
“Como pode a empregada se aposentar antes da patroa”, é a frase que resume tudo isso dita recentemente por um defensor dessa criminosa Reforma da Previdência.
A discriminação da mulher na política em nosso país salta aos olhos, apesar das toscas justificativas do machismo dominante.
Costumamos mostrar o enorme contraste entre a maioria da população, que somos, com os 10% ou 15% de representação parlamentar, que temos.
Mas se ficarmos nessa constatação e não construirmos políticas e muita luta para mudar a mentalidade da maioria das mulheres, que aceitam a supremacia masculina, o quadro se manterá e continuaremos a ser uma minoria consciente, não obstante sermos a maioria social.
Sobre essa condição passiva da maioria das mulheres no capitalismo a escritora feminista Sue Monk Kidd relata em seu livro “A Invenção das Asas”, um interessante diálogo ocorrido no século XIX entre a jovem senhora Sarah Grimké, que se tornaria tempos depois uma grande abolicionista, e a sua também jovem escrava.
Disse esta para Sarah: “Eu sou presa pelo corpo mas você é presa pela mente”.
O protagonismo político das mulheres tem crescido fortemente nos últimos anos no Brasil como resposta ao golpe do impeachment e na campanha eleitoral contra o misógino fascista Bolsonaro.
É um feminismo plural, de mulheres brancas, negras e indígenas, no interior do qual amadurece o entendimento de se disputar a hegemonia dos direitos da mulher na sociedade. De que não se trata de uma luta contra os homens, mas contra o machismo que discrimina, agride e mata.
É o entendimento de que se a libertação da mulher depende em primeiro lugar de nossa força para lutar por seus próprios direitos, depende também de nossa capacidade política para ganhar o apoio da maioria dos homens para essa legítima e justa causa.
De certo modo o legado dos governos Lula e Dilma expressa esse envolvimento de mulheres e homens conscientes pela ampliação dos direitos das mulheres.
Ao priorizar a mulher em todas as suas políticas sociais, destacadamente o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e a política de cotas raciais, Lula e Dilma fortaleceram a participação das mulheres na sociedade, no trabalho e na universidade e como consequência, impulsionaram a consciência e o protagonismo que vemos hoje na luta contra o racismo, o feminicídio e a reforma da Previdência do fascista Bolsonaro, em que as mulheres são as mais prejudicadas.
O 8 de Março surgiu historicamente da luta das mulheres por seus direitos e se alimenta dessa luta, por isso é maior do que se imagina.
*Benedita da Silva é deputada federal (PT-RJ)

Dieese: PEC de Bolsonaro prejudica a todos. E mais ainda às mulheres.

Dieese: PEC de Bolsonaro prejudica a todos. E mais ainda às mulheres.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômico, que todos conhecemos como Dieese, divulgou hoje uma Nota Técnica em que analisa como as mulheres serão especialmente pela reforma da Previdência, tal como ela está agora para ser apreciada pela Câmara dos Deputados:
As mulheres serão (…)afetadas tanto pela elevação da idade mínima quanto pelo aumento do tempo mínimo de contribuição e, mais ainda, pela combinação desses requisitos. Para piorar o cenário, a reforma ainda as penalizará, sem distinção, com perdas significativas nos valores dos benefícios, em função de alterações nas regras de cálculo. Também as regras de transição impõem às mulheres maiores dificuldades para acesso aos benefícios quando comparadas com as regras atuais e com as regras de transição da PEC 287 [a reforma de Temer]. E isso não é tudo. Além das mudanças previstas na aposentadoria, a PEC 06/2019 também propõe restringir os valores e as atuais regras de acesso às pensões por morte, ao acúmulo de benefícios e ao BPC. Em todas essas situações, as mulheres são o público majoritário e serão, por isso, mais atingidas do que os homens.
O estudo traz dados devastadores sobre a formalização do trabalho feminino e sua proteção previdenciária: mais da metade (52,7%) não estava inserida na força de trabalho e, entre as que estavam, também a metade (47%) trabalhava sem carteira de trabalho ou por conta própria, o que reduz o índice de contribuições previdenciárias. Tanto que, entre 40,8 milhões de mulheres ocupadas, 14,5 milhões (35,5%) não contribuíam com o INSS ou Institutos de Aposentadoria públicos. Pior ainda entre as trabalhadoras domésticas (62% sem cobertura) e as que trabalham por conta própria (68% assim).
O estrago não é menor sobre a maioria feminina entre os beneficiários por pensão por morte ( 83,7% são mulheres) e os que percebem o Benefício de Prestação Continuada (mulheres são três quintos). Tanto no BPC, com o aumento da idade condicional a que se receba o salário-mínimo para 70 anos, quanto nas pensões por morte o efeito é terrível para as mais idosas: nada menos de um quarto das mulheres com 65 anos ou mais são pensionistas.
O estudo do Dieese traz, também uma simulação do que acontece com uma professora ensino básico público – a professorinha que muitos de nós tivemos. Elas são nada menos que 80% do total de 2,2 milhões de docentes deste país.
Olhe lá em cima a crueldade que é fazer alguém ter de trabalhar até 10 anos a mais para receber o que receberia pelas regras atuais.
Espero que ninguém acredite que a Professora Helena do exemplo da ilustração, seja uma “privilegiada”, como diz Bolsonaro.
A íntegra do estudo está aqui.

E a justiça, nada...

O EXEMPLO VEM DAS MULHERES: Mulheres ocupam mineradora de níquel na Bahia

Mulheres ocupam mineradora de níquel na Bahia

 
Militantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) ocuparam uma unidade da mineradora australiana Mirabela Nickel em Ipiaú (BA) nesta sexta-feira (8).
O objetivo, segundo Camila Mudrek, uma das organizadores do protesto, foi denunciar o descaso e a violência do modelo mineral brasileiro contra as mulheres; tanto as trabalhadoras como as comunidades vizinhas aos projetos.
As mulheres também denunciaram os riscos de contaminação do Rio de Contas, que abastece a região e fica localizada a menos de 1 km da barragem de rejeitos.
“Ocupamos a mina da Mirabela Nickel porque a empresa vem de um processo longo de crise administrativa, tendo fechado sua operação por quase de 3 anos (desde 2016) devido à baixa no valor do níquel no mercado internacional.”
“A mineradora retoma suas atividades em 2019 com novas promessas de emprego e lucros para a região, mas nos perguntamos quanto desses empregos beneficiarão as mulheres, ou se o modelo mineral seguirá em perspectiva de ações destrutivas e excludentes”, diz Mudrek.
A ação fez parte da jornada de luta das mulheres da Via Campesina. “Nós do MAM e do MST trouxemos as palavras de ordem em memória de Marielle, do combate à reforma da Previdência e pelo fim da violência contra mulher também, por entender a importância de ações solidárias organizadas em nível nacional”, conclui a organizadora.
As mulheres deixaram a empresa horas depois da ocupação.
As informações são do Brasil de Fato.