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O recruta 03 queria mostrar a grandeza de Jair Bolsonaro como deputado, mas expôs passado inerte do atual presidente
Dias Toffoli tinha suspendido a criação da nova figura jurídica em seis meses
SOCIEDADE
Levantamento inédito mostra que governo paga até hoje pensões de agentes responsabilizados por crimes durante a ditadura 
Se perguntado, Moro dirá: estamos fazendo tudo dentro da lei, como diria o jurista Karl Schmitt, aquele que legalizava a vontade do Führer
Faz parte do bom jornalismo fazer denúncias. Mas, quando não se vai além do mal feito individual, escamoteia-se a discussão política
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Relator da ONU cobra explicações sobre perseguição a Glenn!

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Relator da ONU cobra explicações sobre perseguição a Glenn!

David Kaye suspeita de ataques contra imprensa livre!
publicado 22/01/2020
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Glenn Greenwald, em foto de setembro de 2017 (Créditos: Martin Dee/Allard Prize for International Integrity)
colunista Jamil Chade, do UOL, informa que o professor David Kaye, membro do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), irá cobrar do governo Jair Bolsonaro explicações sobre a denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald apresentada nesta terça-feira 21/I pelo procurador Wellington Oliveira, do Ministério Público Federal.
"Dado o papel de Greenwald como um jornalista cobrindo o governo brasileiro e questões políticas, eu acho extremamente preocupante que isso possa fazer parte de um esforço para intimidá-lo para que pare de fazer jornalismo", afirmou o professor Kaye.
Greenwald, editor do portal Intercept Brasil, é um dos jornalistas responsáveis pela chamada "Vaza Jato", a série de reportagens que revelou as irregularidades da Operação Lava Jato a partir de mensagens trocadas entre autoridades brasileiras pelo aplicativo Telegram.
David Kaye é professor de Direito da Universidade da Califórnia. Suas especialidades incluem Direito Internacional e Direitos Humanos. Desde 2014, ele ocupa a posição de relator especial sobre liberdade de expressão no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Não é a primeira vez que Kaye se envolve no caso: em julho de 2019, ele enviou um documento ao Itamaraty, no qual exigiu das autoridades brasileiras medidas para garantir a segurança de Greenwald, de seus familiares e dos colaboradores do Intercept Brasil.
Na mensagem oficial, David Kaye lembrou que os estados-membros da ONU são obrigados a "instituir medidas eficazes de proteção contra ataques destinados a silenciar aqueles que exercem o seu direito à liberdade de expressão".
Segundo Leandro Demori, editor do Intercept, entretanto, "o governo Bolsonaro não deu a menor bola"...
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As caixas-pretas que a Ditadura insiste em guardar

      
As caixas-pretas que a Ditadura insiste em guardar 
por Bruno Fonseca
                                                            
Levaram impressionantes 35 anos desde o fim da Ditadura para que a matéria desta quarta-feira pudesse ser escrita pelo repórter Rafael Oliveira e por mim. Por razões injustificáveis, permaneciam escondidos dos brasileiros os beneficiários de pensões de agentes públicos acusados de crimes durante o Regime Militar — pagamentos feitos com o dinheiro do próprio cidadão.
Estavam nas sombras figuras como Cecil de Macedo Borer, ex-diretor do temido Dops da Guanabara, no Rio. Foi sob a sua direção que perseguidos pela Ditadura eram levados à delegacia, sob acusações genéricas como “envolvimento em atividades subversivas”, para saírem desmaiados de interrogatórios ou amanhecerem mortos no pátio. Cecil deixou uma pensão vitalícia à sua viúva, que no último mês de dezembro custou R$ 29 mil aos cofres públicos.
Eu já havia tentado investigar esses dados anteriormente, em 2018, quando minha pauta foi escolhida pelos apoiadores de uma de nossas campanhas de crowdfunding. A proposta era buscar quem eram os beneficiários de pensões de militares, assim como havia feito junto à repórter Caroline Ferrari com as herdeiras do alto escalão do Judiciário. A reportagem, contudo, esbarrou na falta de transparência do governo brasileiro. À época, o Ministério da Defesa negou o pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pela Pública e por outros veículos, afirmando que a publicação desses dados feria sigilo pessoal.
Foram precisos três anos para que a agência de dados independente Fiquem Sabendo conseguisse, através de uma batalha judicial, obrigar o governo a divulgar a lista completa de pensionistas. Obrigação comemorada de forma hipócrita pelo presidente Jair Bolsonaro como se fosse um feito de sua gestão — como bem sabemos, marcada pela falta de transparência e constante desrespeito ao jornalismo.
A verdade é que a Ditadura Militar brasileira acabou, mas não teve fim. Há centenas de reportagens que precisam ser escritas, mas que esbarram nas caixas-pretas que o Estado segue sem abrir. Em tempos de um revisionismo histórico descompromissado com os fatos, é ainda mais importante narrar as histórias dos vencidos, como dizia Walter Benjamin, para contrapor à versão dos que glorificam velhos algozes.
É nesse sentido que memórias como a do tenente-coronel Vicente Sylvestre tornam-se ainda mais fundamentais para serem narradas. Em 1975, ele foi levado de sua casa, nos arredores do Butantã, para viver durante três meses o inferno do DOI-Codi paulistano, acusado de envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro. Vicente, que me recebeu ano passado em uma simpática casa abarrotada de livros e quadros pintados por sua neta, entrou para a triste lista dos 6.591 militares perseguidos pelo regime — outra narrativa sobre a Ditadura que o Estado Brasileiro tentou apagar, mas que nós, da Pública, seguimos revelando.
Bruno Fonseca é repórter da Agência Pública.
Rolou na Pública
Angola. No último domingo, publicamos reportagens da série Luanda Leaks, que investigou os negócios da empresária Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África. O projeto foi realizado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), do qual a Agência Pública participa. A revista piauí e o site Poder360 também participaram da investigação.

Nossa reportagem revela que um inquérito da Polícia Federal acusa um político próximo do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos e sua filha Isabel dos Santos de lavar dinheiro de corrupção no Nordeste. A história foi republicada até agora por 11 veículos, incluindo Ig, Exame e Carta Capital.

Além de colaborações transnacionais para produzir reportagens, a Pública tem aumentado as republicações em veículos estrangeiros. Em 2019, 114 veículos de fora do Brasil publicaram nossas matérias. Ao todo, foram 247 republicações em 26 países. 
Novas dos Aliados
 
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