terça-feira, 28 de janeiro de 2020

GUIA NEGRO A importância de resistir: vamos fazer Palmares de novo?

A importância de resistir: vamos fazer Palmares de novo?

Quilombo dos Palmares (Foto: Guilherme Soares Dias/Guia Negro)
QUILOMBO DOS PALMARES (FOTO: GUILHERME SOARES DIAS/GUIA NEGRO)

Visita ao quilombo liderado por Zumbi e Dandara permite experiência única e conexão com a resistência e luta

“Se Palmares não vive mais faremos Palmares de novo”, é uma frase do poeta José Carlos Limeira que virou grito do movimento negro “Vamos fazer Palmares de novo”, como um chamado para se aquilombar, resistir. Foi isso que um grupo de 15 pessoas fez em novembro de 2019 ao subir a Serra da Barriga e acessar as terras lideradas por Zumbi e Dandara, que foi o primeiro quilombo das Américas e simbolizou uma das maiores resistências ao período de escravização do Brasil colonial.
O Parque Nacional Quilombo dos Palmares fica a cerca de 80 quilômetros de Maceió. É possível ir de van a partir da capital alagoana em um bate-e-volta. Vale a pena contratar um guia e não há muito o que fazer em dois dias que justifique dormir por lá. A Serra da Barriga abrigou quilombos por cerca de 100 anos, onde mais de 30 mil pessoas viveram livres no século XVII. A imensidão que se vê a partir do Parque Memorial, onde ficava o quartel general dá a noção da grandeza do que foi. Afinal, a Serra da Barriga possui cerca de 28 mil quilômetros quadrados, que eram ocupados por vários quilombos.
Estar em Palmares é mais do que foto bonita no Instagram, é sentir-se parte da história de luta. O lugar fala de vários jeitos, incluindo a energia que emana, bastante forte, mas não pesada. A história narrada no parque lembra de elementos que marcaram o quilombo, como a capoeira, o candomblé e também os indígenas que por ali viviam 1,2 mil anos antes do lugar abrigar um centro de resistência negra. As urnas funerárias e histórias dos indígenas também são contadas, assim como as técnicas de guerra reproduzidas pelos palmarianos e os saberes ancestrais e de ligações religiosas que foram repassadas pela xamã Acotirene (afroindigena), que foi líder espiritual na época de Zumbi.
QUILOMBO DOS PALMARES (FOTO: GUILHERME SOARES DIAS/GUIA NEGRO)
Por lá, um Iroco, o orixá do tempo, é representado por uma árvore plantada ao lado de um lago, onde foram encontradas várias cabeças decapitadas na época da invasão do quilombo. É nesse lugar que o grupo de visitantes se reúne em roda para falar das sensações, chorar e dançar em círculo cantando: “Eu sou de lá, de África. Se eu não sou de lá, meus pais são de lá, de África. Eu sou de lá, de África, se eu não sou de lá, meus avós são de lá, de África. Eu sou de lá, de África… Se eu não de lá meus ancestrais são de lá, de África”. A árvore que representa o orixá do tempo está oca há anos, mas continua firme e forte. Esse é um dos lugares para sentir a conexão com o passado,
ouvir os silêncios, os barulhos da natureza e dos voduns.

Experiência

A viagem para Palmares não é apenas um turismo de lazer, mas de reconhecimento, de história e de sentimentos. “É muito importante fazer esse caminho, refazê-lo. Há uma vibração e uma emoção em subir a Serra da Barriga. É uma das nossas referências. Lembrar das condições que o nosso povo lutou, para estarmos aqui hoje, falar para os nossos terem orgulho do processo de resistência do povo negro, que nos custou muito, mas retrata a nossa grandeza”, afirma a socióloga e ativista Vilma Reis.
Uma das participantes do grupo que subiu a Serra da Barriga foi a jornalista e militante da Marcha das Mulheres Negras Juliana Gonçalves, que conta ter ficado bastante empolgada já no trajeto. “Fui prestando atenção na paisagem, nas histórias que tinha ouvido. Era uma busca pela liberdade que levava as pessoas àquele lugar. Um tudo ou nada. Havia um comando, pautado pelo bem coletivo, por isso funcionou por tanto tempo”, lembra.
Ao chegar no parque, os visitantes são convidados a tirar o sapato, para pisar no local que é considerado um solo sagrado. “Foi uma experiência única, que me fez renovar os votos com a luta pela liberdade e deu sensação do pássaro africano sankofa: de olhar para o passado, com os pés voltados para o futuro. A base organizativa do quilombo era ter o que o que comer e saber se defender. Precisamos rever nossas estratégias de luta hoje e ver o que é prioridade a partir disso. Renovou meus votos como militante, com um olhar mais fresco para a conjuntura atual”, define Juliana Gonçalves.
A ligação com a ancestralidade, segundo ela, é inevitável. “Senti uma conexão direta com Dandara, que deu o sangue por um processo de liberdade. Ela teria se jogado para não se entregar. Me senti conectada em um processo de luta e sobrevivência que persiste até hoje. Lembro da minha avó e de tantas outras mulheres negras que mesmo não sendo militantes tiveram que adotar táticas de sobrevivência. É assim que vamos existindo”, diz a integrante da Marcha das Mulheres Negras.
QUILOMBO DOS PALMARES (FOTO: GUILHERME SOARES DIAS/GUIA NEGRO)
As famosas palmeiras que deram nome ao lugar ainda estão pelo terreno. As cinzas do jornalista e militante do movimento negro Abdias do Nascimento foram espalhadas no entorno de uma árvore baobá que ainda ganha forma. Há algumas casas dentro do parque. São pessoas que passaram a ocupar a região e que disputam para estar na área considerada protegida pela União e sagrada para muitos movimentos. No dia 20 de novembro, as religiões de matriz africana organizam um grande cortejo e realizam cerimônias no local. O dia 6 de fevereiro, quando o quilombo foi invadido, e o 21 de março, Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, também são datas especiais, marcadas por atividades.
É o tipo de viagem que não acaba, quando você vai embora. A energia que o quilombo emana continua morando de alguma forma em cada um que o visita. Palmares é um lugar que dá a importância de resistir para existir. Em que se reforça a certeza de que valeu e vale a pena lutar e de que cada pessoa negra carrega essa herança, essa ancestralidade e tem a missão de mantê-la viva. Por isso, a importância de sermos sabedores de nossa história e podermos revisitá-la sempre: vamos fazer palmares de novo?!
*O repórter viajou a convite da Black Bird Viagem, Brafrika e Diaspora.Black.

Acabou a mamata....

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Glauber Macario
@glaubermacario
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O programa Hoje em Dia, de César Filho e Ana Hickmann, recebeu R$ 983 mil da Presidência O da Eliana recebeu 269 mil; Otávio Mesquita, R$ 218 mil; Ratinho, R$ 915 mil (por quatro elogios) www1.folha.uol.com.br/poder/2020/01/
9:35 PM · 27 de jan de 2020Twitter for iPhone

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Folha ataca Lula dois dias depois de o Uol, do grupo Folha, entrevistar Lula POLÍTICA DO ESCORPIÃO

Folha ataca Lula dois dias depois de o Uol, do grupo Folha, entrevistar Lula

O jornal da família Frias fez questão de demonstrar mais uma vez a seus leitores que não tem apreço pelo ex-presidente, distorcendo trechos da entrevista ao Uol em que Lula fez críticas corretas à imprensa
Lula
Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
 
247 – O jornal Folha de S. Paulo, da família Frias, fez questão de demonstrar para seus leitores, mais uma vez, que não tem apreço pelo ex-presidente Lula, que, mesmo depois de 580 dias numa prisão contestada por juristas do Brasil e do mundo, ainda é apontado pelo próprio Datafolha como o melhor presidente da história do Brasil. Em editorial irônico publicado nesta terça-feira, chamado "Lula sincerão", a Folha distorce as palavras do ex-presidente, que fez uma crítica predominantemente correta à imprensa, para mais uma vez atacá-lo. E isso dois dias depois de entrevistá-lo pelo Uol, que pertence ao grupo Folha.
A prática foi exatamente a mesma adotada pela Folha, após a entrevista histórica concedida por Lula a Mônica Bergamo e Florestan Fernandes Júnior, quando o ex-presidente ainda estava preso. Dias depois daquela entrevista, a Folha também o atacou em razão de Lula não ter feito a autocrítica exigida pelo baronato midiático brasileiro.
Na entrevista concedida ao Uol, Lula fez pequenas críticas à imprensa – corretas de modo geral – e uma constatação. Disse que o grupo Globo escondeu as revelações da Vaza Jato, o que é verdade, e afirmou havia um pensamento único na imprensa brasileira, antes de sua chegada ao poder, sempre favorável às políticas do governo FHC. Também constatou que hoje é possível ser notícia, como fazem Jair Bolsonaro e Donald Trump, sem recorrer aos meios de comunicação tradicionais – ou seja, recorrendo diretamente às redes sociais. Ainda assim, Lula afirmou que Bolsonaro teria o dever de respeitar a imprensa. "Eu ainda respeito, marco toda semana uma entrevista. Não acho que é correto um presidente da República se comunicar pelo seu Twitter, um presidente da República tem a obrigação de prestar contas à democracia, atendendo a imprensa", disse ele, aos jornalistas do Uol.
No entanto, a Folha tratou de igualá-lo a Bolsonaro – como se ambos fossem adversários da imprensa e da liberdade de expressão, o que, evidentemente, é uma falsificação histórica. Lula, inclusive, deixou de dizer o essencial. O Bolsonaro que hoje agride publicamente a Folha e seus jornalistas é a consequência do discurso de ódio alimentado pela imprensa corporativa, o que inclui a Folha, contra o ex-presidente que deixou o cargo com quase 90% de aprovação e entregou um Brasil admirado no mundo e com elevada auto-estima – o oposto do que se vê nos dias atuais.