quarta-feira, 1 de abril de 2020


Procurador pede bloqueio e uso de R$ 500 bilhões da União em pandemia

Todos os postsÚltimas notícias

Foto: Reprodução
O procurador do Trabalho Marcelo José Fernandes pediu à Justiça o bloqueio de R$ 500 bilhões da União, com o fim de arcar com os prejuízos causados em questões trabalhistas decorrentes da crise do coronavírus. Na ação, ele também pede que todas as verbas ‘indenizatórias que decorram a paralisação e extinção das atividades econômicas’ sejam bancadas pelo governo. Na ação, que inclui 21 pedidos, ele ainda quer obrigar o Poder Público a instalar 800 mil leitos, que seriam custeados a partir de um calote na dívida pública. Segundo ele, esta seria uma ‘contribuição mais do que justa do DEUS MERCADO’.
Segundo o procurador, as medidas ‘de guerra para enfrentar os efeitos da pandemia do COVID – 19 devem levar em conta: a possível duração das restrições de movimentação e de isolamento social; a efetiva massa salarial do país, que, se mantida, INCLUSIVE ASSEGURARÁ a continuidade do pagamento das dívidas pelos trabalhadores, o que impulsionará a economia quando as ditas restrições forem suspensas ou interrompidas’.
“Para tanto, como fonte de custeio o país possui e deve (poder-dever) lançar mão, de recursos, advindos dos cofres do Banco Central, em forma de reservas cambiais no importe de quase 370 (trezento e setenta) bilhões de dólares”, diz.
Argumenta ainda que esse ‘montante equivale, em câmbio de hoje, a R$ 1.850.000.000.000,00 (um trilhão, oitocentos e cinquenta bilhões de reais), suficientes para manter os salários dos trabalhadores empregados por 21 (vinte e um) meses, considerando a média salárial brasleira de R$ 1800,00 (mil e oitocentos reais) multiplicado por 45 (quarenta e cinco) milhões, que é igual a 81 (oitenta e um) bilhões mensais.
“Nesse sentido, devem ser bloqueados o equivalente a 6 (seis) meses de toda a massa salarial de todos os trabalhadores brasileiros, ou seja, R$ 500 (quinhentos) bilhões de reais e esses valores sejam somados aos créditos anunciados pelo Governo Federal e que sejam os mesmos estendidos para todas as empresas, com as mesmas regras já anunciadas”, diz.
O procurador afirma que as restrições do Estado ao convívio social inviabilizam as atividades econômicas, o que atrai a responsabilidade da União – os atos do governo nesse caso, são tidos como ‘fato do príncipe’, uma medida tida como legítima do governo que impossibilita a execução de contratos.
“Portanto, as ordens de restrição de movimentação, deslocamento e de convívio social que inviabilizem a continuidade das atividades empresariais, atraem a responsabilidade da UNIÃO, em razão da amplitude da disseminação da doença para o pagamento das eventuais indenizações (aviso prévio, férias, indenização compensatória de 40% e todas as demais verbas rescisórias de natureza indenizatória), tudo na forma do caput do art. 486 da CLT e diretamente perante a Justiça do Trabalho, uma vez que os parágrafos do mencionado dispositivo não foram recepcionados pela CR/88”, escreve.
Para advogados da área trabalhista ouvidos pelo Estado, há razões para a ação não prosperar. Preliminarmente, o advogado Pedro Maciel entende que a ação não deveria ser movida à Justiça do Trabalho.
“A ação civil pública em questão, em primeira vista me parece que não teria, no caso, a competência da justiça do trabalho em razão de que não é uma ação em favor de empregado ou contra empregador, mas contra órgãos federais, estaduais e municipais, sendo competente a a justiça federal ou a justiça comum”, afirma.
Já quando ao mérito, ele afirma que ‘realmente se as empresas forem obrigadas a parar com suas atividade por ato do governo do Rio de Janeiro, o pagamento deve ser feito na forma do artigo 486 da CLT, pelo governo que baixou o ato’.
Já o advogado Luciano Andrade Pinheiro, afirma que chama atenção ‘a mistura absurda de assuntos’. “Ao invés de se limitar a esse pedido. A ação pede coisas que absolutamente não competem à justiça do trabalho, nem ao Ministério Público do Trabalho”.
“Ações como o bloqueio de dinheiro de reserva cambal do BNDES, liminar para que seja nomeado um ministro de estado do trabalho… são coisas absurdas que não competem à justiça do trabalho, não deveriam estar misturadas nessa ação e não têm nenhuma base jurídica, só ideológica”, diz.

terça-feira, 31 de março de 2020

Mourão exalta ditadura militar e diz que Forças Armadas enfrentaram “desordem e subversão”

31 DE MARÇO DE 2020, 09H14

Mourão exalta ditadura militar e diz que Forças Armadas enfrentaram “desordem e subversão”

No dia do aniversário do golpe, vice-presidente usou as redes sociais para distorcer fatos históricos e celebrar a ditadura que perseguiu, torturou e matou por 21 anos no país
O general Mourão. Foto: YouTube
Em plena crise do coronavírus, o governo de Jair Bolsonaro não deixa de, mais uma vez, tentar reescrever a história do país através de uma narrativa manipulada sobre a ditadura militar. O vice-presidente Hamilton Mourão aproveitou o aniversário do golpe de 1964, neste 31 de março, para exaltar a ditadura que se alastrou no país e que perseguiu, torturou e matou minorias e opositores.
“Há 56 anos, as FA intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção que abalavam as instituições e assustavam a população. Com a eleição do General Castello Branco, iniciaram-se as reformas que desenvolveram o Brasil. #31deMarçopertenceàHistória”, escreveu o vice-presidente de Jair Bolsonaro no Twitter.
Ao contrário do que foi dito por Mourão, o ex-presidente Castello Branco não foi eleito. O militar em questão foi o primeiro da ditadura militar no Brasil, sendo então um dos articuladores do golpe de 64 que derrubou João Goulart. Uma das primeiras medidas do militar, por exemplo, foi a promulgação do Ato Institucional 2, que aboliu o pluripartidarismo e concedeu poderes ao presidente para cassar mandatos de deputados e convocar eleições indiretas.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também elogiou o golpe militar através de um comunicado emitido nesta segunda-feira (30). Nele, o ministro diz que a ditadura é um “marco para a democracia brasileira”.
“Os países que cederam às promessas de sonhos utópicos ainda lutam para recuperar a liberdade, a prosperidade, as desigualdades e a civilidade que rege as nações livres. O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou”, escreveu Azevedo e Silva.
De acordo com a Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83), a Lei dos Crimes de Responsabilidade e (Lei 1.079/50) e o Código Penal (artigo 287), exaltar a ditadura militar é crime no Brasil.

Presidente de Cuba fala de “orgulho” por apoio mundial aos médicos cubanos que trabalham no exterior

31 DE MARÇO DE 2020, 11H25

Presidente de Cuba fala de “orgulho” por apoio mundial aos médicos cubanos que trabalham no exterior

Miguel Díaz-Canel também enfatizou o baixo número de casos de covid-19 na ilha, mas pediu para a população “se preparar para o momento mais crítico” da pandemia
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (foto: Abel Padrón Padilla / ACN)
Em pronunciamento ao país nesta segunda-feira (30), o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel fez um balanço positivo do que foi a luta contra o coronavírus na ilha durante o mês de março, quando o vírus chegou ao seu território.
Segundo o mandatário, “as medidas estão dando resultados, mas não podemos confiar demais e nos descuidar, pois não entramos no momento mais crítico desta pandemia”.
Também agradeceu a disciplina da população em acatar as medidas de isolamento impostas nas últimas semanas, que “possibilitaram um índice muito baixo de contágio, e uma resposta adequada a cada um dos poucos casos identificados”.
Até o momento, Cuba registrou 170 casos de covid-19. Boa parte deles são turistas que visitavam a ilha ou passageiros de navios que só conseguiram permissão para atracar no Porto de Mariel. Dos quatro falecidos registrados no país, dois eram cubanos.
Outro ponto importante do discurso de Díaz-Canel foi sobre a atuação dos médicos cubanos em países como China, Itália e Andorra, onde estão sendo requeridos para ajudar em cenários onde a doença atingiu níveis críticos. “Os aplausos que nossos médicos recebem nos vários países do mundo onde chegam nos enchem de orgulho e reforçam a nossa convicção de que a solidariedade é a melhor coisa que temos a oferecer ao mundo e a nós mesmos”, comentou o presidente.
O caso de Andorra, citado pelo presidente cubano, aconteceu na verdade em Madri: um grupo de médicos cubanos chegou ao aeroporto da capital espanhola no domingo (29), e foi recebido com fortes aplausos pelos que estavam no local.
No entanto, a delegação foi levada, horas depois, ao pequeno país na fronteira entre a Espanha e a França, cujo governo solicitou a ajuda a Cuba para enfrentar a pandemia. Andorra tem 370 casos e 8 mortes, em uma população de 77 mil habitantes.

Governo tenta conter desmoralização por falas de Bolsonaro

Governo tenta conter desmoralização por falas de Bolsonaro

Todos os postsÚltimas notícias
Foto: Reprodução/Jornal de Brasília
Ao levar as coletivas do Ministério da Saúde para o Planalto, como parte do gabinete de crise, Jair Bolsonaro adota uma estratégia para evitar a leitura de que a equipe do ministro Luiz Henrique Mandetta é algo estanque, descolado do governo. Aliás, foi aconselhado a adotar esse modelo para tentar amenizar o impacto negativo não só do passeio de domingo, mas também das declarações da manhã, em que novamente defendeu que todos voltem ao trabalho, num momento em que até Donald Trump se rende à necessidade de isolamento. Veremos até quando isso vai durar. O presidente quer os louros do trabalho desenvolvido pelo Ministério da Saúde, mas quer distância do ônus econômico das suas recomendações, de distanciamento social.
Aliados têm dito que Bolsonaro não se convenceu da gravidade da crise. Primeiro, houve a defesa de uma campanha institucional para que o Brasil voltasse ao trabalho. Não deu certo. Depois, o rascunho de um decreto para determinar o retorno imediato às atividades em todo o país. Não funcionou. A contar pela disposição dele, algo mais virá. O Brasil vive a cada dia a sua aflição.
Não são poucos os ministros que têm apelado a Bolsonaro para refluir nas declarações dissonantes com as de Mandetta. O que o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala de público, a favor do isolamento, é voz corrente no primeiro escalão do governo.
As declarações de Bolsonaro só serão tratadas de forma mais contundente no Parlamento, quando o país estiver em condições de voltar à normalidade. Em outras palavras, o Brasil seguirá com crise política em altos e baixos. Ninguém tomará qualquer atitude, até que se resolvam as questões de saúde, e as medidas econômicas tenham alguma resposta a fim de melhorar a vida das pessoas.
Em Londrina (PR), um empresário de 55 anos, que passou a infância e a adolescência em Brasília, começou a sentir dores pelo corpo em 18 de março. Em 20 de março, febre alta e dor de cabeça. Procurou a emergência de um hospital privado três dias depois. Foi mandado de volta para casa, sem teste para coronavírus e qualquer cuidado especial. Preocupado e ainda passando mal, voltou ao hospital dia 25. Aí sim, o tratamento foi diverso. Uma tomografia detectou lesões nos pulmões e, então, foi internado e houve coleta de material para o teste. Ontem, 29 de março, recebeu o resultado: Covid-19.
Esse empresário continua internado. Conta ainda que tem um passado atlético em piscina, alimentação saudável, não fuma, não bebe, não tem hipertensão, diabetes, ou qualquer outro fator de risco. Agora, seu quadro clínico começa a melhorar. “O vírus é violento”, avisa.
Integrantes da cúpula das Forças Armadas cobraram de Bolsonaro uma postura mais afinada com o Ministério da Saúde. Daí o motivo da nota do ex-comandante do Exército, general Villas Boas, que critica ações extremadas, delimita o centro como ponto de equilíbrio e, por tabela, sai em defesa do presidente. Divulgada, ontem, nas redes sociais, coloca Bolsonaro como bem intencionado. A leitura da política é a de que a caserna age para tentar conter o presidente e a crise política.
Dia desses, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) reclamou de um juiz que suspendeu a carreata do “Brasil não pode parar”, referindo-se a um cidadão contra 57 milhões –– o número de votos que seu pai angariou no segundo turno. O problema é que, desses milhões, há muitos que defendem o confinamento e não votaram a favor de Bolsonaro, e sim contra o PT.
O fato de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotar o autoisolamento depois que um de seus assessores testou positivo para o novo coronavírus, foi mais um baque nas atitudes de Bolsonaro, que, com vários colaboradores com resultado positivo, continua nas ruas.
A Câmara fez ontem testes para sessões virtuais. Só tem um probleminha: com 513 deputados, vai ser complicado definir a ordem de uso dos microfones –– e por aí vai.
Obras de fundação de um edifício na região do Park Sul continuavam ontem a pleno vapor.

Coronavírus: Las Vegas usa estacionamento como “abrigo” a céu aberto para moradores de rua QUANTA INDIGNIDADE!

31 DE MARÇO DE 2020, 11H22

Coronavírus: Las Vegas usa estacionamento como “abrigo” a céu aberto para moradores de rua

Autoridades locais fizeram marcas no chão para garantir o distanciamento social entre as pessoas
Reprodução/Las Vegas Review Journal
Com o fechamento de abrigos em razão da pandemia do novo coronavírus, as autoridades de Las Vegas usaram um estacionamento a céu aberto como “abrigo” para moradores de rua. A solução foi bastante criticada nas redes sociais nesta terça-feira (31).
A imagem mostra moradores de rua dormindo no chão do estacionamento em espaços demarcados com tinta branca, de forma a garantir o distanciamento social que a pandemia requer. A administração da cidade alega que essa foi a melhor alternativa diante da atual situação.
PUBLICIDADE
De acordo com o The Guardian, a cidade tinha dois abrigos para acolher os moradores de rua. No entanto, um deles foi fechado após ter um caso confirmado de coronavírus, e o outro estava quase cheio.
Ainda de acordo com o jornal britânico, a falta de moradia é uma crise frequente no sul de Nevada, com pelo menos 6.500 pessoas morando nas ruas.
“Depois de criminalizar os sem-teto este ano, Las Vegas agora está colocando as pessoas em grades de concreto fora da vista”, tuitou Julián Castro, ex-candidato à presidência e prefeito de San Antonio, que atuou como secretário de habitação durante o governo de Barack Obama.
“Existem 150 mil quartos de hotel em Las Vegas sem uso no momento. E a cooperação público-privada para abrigá-los temporariamente lá?”, questionou.