quinta-feira, 2 de abril de 2020

Governo Bolsonaro autoriza despejo de quase 800 famílias quilombolas no entorno da Base Aérea de Alcântara

02 DE ABRIL DE 2020, 20H30

Governo Bolsonaro autoriza despejo de quase 800 famílias quilombolas no entorno da Base Aérea de Alcântara

Órgãos governamentais do estado do Maranhão, Ministério Público Federal e entidades da sociedade civil organizada emitiram notas em desacordo com a resolução 11/2020
Vista aérea Base de Alcântara (Foto: DivulgaçÃo)
Mais de 30 comunidades quilombolas que vivem no entorno da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, serão despejadas em meio a pandemia de coronavírus. O ataque parte do governo federal, com a resolução 11/2020, publicada no Diário Oficial da União do último dia 27 de março e que versa sobre as deliberações do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro em sua sétima reunião plenária. A medida viabiliza a incorporação de 12 mil hectares à base, a expulsão de 792 famílias e a profanação de territórios sagrados.
O documento, bastante amplo, trata entre outros assuntos, sobre a prorrogação de prazos de Grupos de Trabalhos (GT’s), aprovação de relatórios e diretrizes acerca da orientação, ou plano de consulta às famílias quilombolas. Nele também foi aprovado o plano de comunicação voltado para as comunidades e quais as ações da alçada de cada ministério, frente “às políticas públicas destinadas às comunidades que habitam a área de interesse do Estado na consolidação do Centro Espacial de Alcântara”.
A resolução assinada pelo general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), também prevê que a base espacial avançará cerca de 12 mil hectares além da área já utilizada pelo Centro de Lançamento de Alcântara, o que na prática remove de seu habitat 792 famílias, de acordo com levantamento feito pelo Movimento por Atingidos pela Base Espacial (Mabe).
“Não são quaisquer 12 mil hectares, essa é justamente a região mais estratégica em termos de soberania alimentar porque é o litoral do município. Essas comunidades saindo da região e ficando sob controle dos Estados Unidos, nós vamos instalar um quadro grave de insegurança alimentar, além de dar como certa uma remoção que na prática deveria ser precedida de consulta prévia como dispõe a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário”, advertiu Danilo Serejo, assessor jurídico das comunidades e integrante do Mabe e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Ao todo, oito ministérios – Defesa; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Educação; Cidadania, Saúde, Minas e Energia; Ciência, Tecnologia e Inovação e Turismo – possuem já definidas suas atribuições num futuro remanejamento das famílias. Como exemplo, ao Ministério da Defesa coube o trabalho de execução da mudança e, ao Incra, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, a missão de reassentá-las.
Já o Ministério do Turismo deverá promover, de acordo com a resolução, por meio do Institutos Palmares e do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a “recomposição de áreas e instalações compatíveis com as existentes nos espaços hoje habitados pelos quilombolas, para a prática de atos religiosos”. Para o descendente de comunidades tradicionais de matriz africana, ativista afro religioso e especialista em gestão do patrimônio cultural e imaterial Neto de Azile, a realização de tamanha atrocidade e violência provocará a destruição do sentido de pertencimento e identidade com consequências destrutivas nas dimensões culturais, religiosas e biológicas, sem precedentes.
“É de fato o extermínio dessas populações, onde não mais coexiste a divisão entre território e suas tradições. O território é sacralizado por um sacerdote ou sacerdotisa onde se recria a ancestralidade africana no mundo ocidental. O que acontece, neste caso, é um etnocídio concorrendo também para o genocídio dessas comunidades. Nenhum engenheiro poderá determinar que esse ou aquele lugar poderá substituir algo que é sagrado”, disse.
Para o secretário dos Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão, Francisco Gonçalves, a decisão foi açodada e não levou em consideração nem o término dos trabalhos do grupo designado para fazer os estudos necessários que o caso requer.
“A Sedihpop enviou Nota Técnica diretamente ao general Augusto Heleno, à Delegacia de Patrimônio da União (DPU), ao Ministério Público Federal (MPF), para conselhos, organismos e comissões ligadas aos Direitos Humanos, onde explicamos ponto a ponto as razões pelas quais a resolução precisa ser sumariamente anulada. Nem mesmo o fato de estarmos vivendo um momento de pandemia por conta do alastramento do coronavírus foi levado em consideração por parte do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro”, explicou Gonçalves.
Na Nota Técnica, a Sedihpop e a Secretaria Extraordinária da Igualdade Racial (SEIR), solicitam, além da anulação da resolução, que sejam disponibilizados, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), o envio da íntegra de documentos de interesse público citados na resolução 11/2020 do Comitê.
“A resolução aprova documentos que sequer são de conhecimento da sociedade. Queremos saber o que contêm nos relatórios parciais dos Grupos de Trabalho, quais as diretrizes aprovadas destinadas a orientar a elaboração do Plano de Consultas às comunidades quilombolas e por fim, como, de que forma e o que contem esse tal plano de comunicação. A sociedade civil, em especial as comunidades atingidas pelas mudanças propostas na resolução, precisam ser tratadas com respeito e transparência quando o problema pode vir a ferir a dignidade humana de milhares de maranhenses”, destaca Gonçalves.
Já o secretário extraordinário de Igualdade Racial, Gerson Pinheiro, espera que o governo federal cumpra o que reza a Constituição. “A carta magna brasileira garante aos quilombolas a permanência em seus territórios, onde vivem e viveram seus ancestrais. A permanência com seus costumes e práticas religiosas e culturais, protegidas pelo Estado. Assim, o governo do Maranhão, através da SEIR, da Sedihpop e demais secretarias estaduais sempre irá trabalhar com o intuito de proteger e garantir o desenvolvimento sustentável dos territórios quilombolas”, destacou.
A Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6CCR/MPF) também enviou, na quarta-feira (1º), ao GSI, recomendação para que a União se abstenha da decisão de remover famílias quilombolas do território de Alcântara, principalmente neste momento de pandemia da covid-19.
No documento, assinado pelo procurador Hilton Araújo de Melo e pelos subprocuradores Antonio Carlos Bigonha e Mario Luiz Bonsaglia, a 6ªCCR destaca a importância do acompanhamento e monitoramento das ações e programas executados pelo governo federal para prevenir eventuais abusos e comportamentos em prejuízo ao interesse social, especialmente no atual momento. Pondera ainda que, diante do estado de calamidade nacional e dos impactos gerados na ordem social e econômica brasileira em razão da pandemia da covid-19, os mecanismos de controle e participação sociais ficam enfraquecidos, uma vez que todos os esforços estão voltados às preocupações mais essenciais com a saúde de todos.
 “Não se mostra pertinente a discussão ou o prosseguimento de quaisquer ações que dependam ou estejam necessariamente vinculadas a um processo de transparência ampla e escrutínio público”, diz trecho da manifestação da 6CCR/MPF. O documento pede ainda que seja disponibilizado na internet todo o conteúdo referente aos estudos e deliberações já produzidas pelo CDPEB, principalmente os documentos indicados na Resolução nº 11/2020. O ministro-chefe do GSI e coordenador do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro têm prazo de dez dias para responder
Associações, sindicatos rurais e movimentos quilombolas, indígenas e de defesa dos direitos humanos se juntaram ao Movimento de Atingidos pela Base Espacial. Quase 160 entidades já assinaram um abaixo-assinado e, através das redes sociais, o movimento colhe assinaturas para pressionar o governo federal a recuar do previsto na resolução.

Coronavírus: Justiça determina que cultos religiosos não são serviços essenciais

02 DE ABRIL DE 2020, 19H14

Coronavírus: Justiça determina que cultos religiosos não são serviços essenciais

Juiz federal de primeira instância do DF contraria decreto de Bolsonaro, que incluiu atividades religiosas como essenciais para evitar paralisações durante a pandemia; cabe recurso
Bolsonaro e Michelle em culto evangélico em Manaus (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Um juiz federal de Brasília determinou que o governo federal exclua as atividades religiosas dos serviços considerados “essenciais” durante a pandemia do novo coronavírus. Os serviços considerados essenciais são aqueles que podem continuar em funcionamento durante as medidas de isolamento, restrição de circulação e paralização de atividades adotadas em diversos estados.  
Contrário ao isolamento e às paralizações adotadas por governadores, o presidente Jair Bolsonaro baixou um decreto para incluir como serviços essenciais as atividades religiosas e as casas lotéricas, entre outras atividades, no último dia 20 de março.
A decisão tem caráter liminar (provisório) e é assinada pelo juiz Manoel Pedro Martins de Castro Filho, da 6ª Vara da Justiça Federal do DF. No despacho, ele cassa o trecho do decreto de Bolsonaro que considera as “atividades religiosas de qualquer natureza” como um serviço essencial.
Para o juiz, o decreto presidencial “não se coaduna com a gravíssima situação de calamidade pública decorrente da pandemia que impõe a reunião de esforços e sacrifícios coordenados do Poder Público e de toda a sociedade brasileira para garantir, a todos, a efetividade dos direitos fundamentais à vida e à saúde previstos (…) na Constituição Federal”.
O juiz deu prazo de 24 horas para que o governo federal “adote as medidas necessárias” para “impedir que ‘atividades religiosas de qualquer natureza’ permaneçam incluídas no rol de atividades e serviços essenciais para fins de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus”. A decisão do juiz responde a uma Ação Civil Pública (ACP) do procurador Felipe Fritz Braga, da Procuradoria da República no Distrito Federal.

“Onde está a sua lucidez?”, diz Julia Lemertz a Regina Duarte sobre apoio a Bolsonaro BELA LIÇÃO!

“Onde está a sua lucidez?”, diz Julia Lemertz a Regina Duarte sobre apoio a Bolsonaro

247 - A atriz Julia Lemertz criticou a postagem da colega, a secretária de Cultura, a atriz Regina Duarte, no Instagram, defendendo Jair Bolsonaro.
“Você defende esse despreparado que pede ao povo pra voltar às ruas, para que se contaminem e adoeçam também suas famílias que ficaram em casa?”, questionou Julia.
“Onde está a sua lucidez, a sua capacidade de discernimento? Isso não tem a ver com política, mas com humanidade, sendo ele responsável por uma nação que ele deveria proteger”, acrecentou.
Na postagem, Regina Duarte publicou nas redes sociais uma imagem em apoio ao presidente Bolsonaro. A foto é acompanhada da mensagem: “Triste realidade, Bolsonaro enfrenta uma barreira para governar, enquanto governos anteriores tiveram liberdade para roubar e para saquear o nosso país. Eu apoio Bolsonaro”.

post Julia a regina


Coronavírus: o que o sabão faz com o vírus que causa a covid-19

Coronavírus: o que o sabão faz com o vírus que causa a covid-19

Redação - BBC News Mundo
BBC News Brasil
A água com sabão é uma receita poderosa.
A água com sabão é uma receita poderosa.
Lavare le mani; мыть руки; Hände waschen; 请洗手... Em qualquer idioma, a mensagem mais importante do momento é clara: lave as mãos.
Não importa quão avançada esteja a Ciência no século 21, a principal arma durante a pandemia de coronavírus é a antiga tecnologia de combinar sabão e água.
Embora não tenhamos certeza de quem, quando ou como alguém teve uma ideia tão brilhante, sabemos que essa mistura ainda é a melhor estratégia para combater doenças infecciosas e nem mesmo o novo coronavírus pode vencê-la.
Mas por que essa combinação funciona tão bem?
O que para nós pode ser tão agradável que se torna relaxante (o som da água, o prazer de senti-la escorrer sobre a pele, o aroma do sabão e a pausa) é, para micro-organismos, altamente destrutivo.
Uma única gota de sabão na água pode matar inúmeras bactérias e vírus.

O segredo do sabão

O sabão é uma mistura de gordura, água e álcalis ou sal básico.
O álcali vem do árabe: Al-Qaly القلي, القالي, que é o que os sumérios usavam em 3000 a.C., a referência mais antiga conhecida.
A receita que usamos hoje é muito semelhante à registrada em escrituras antigas, e por um bom motivo: porque essa solução escorregadia cumpre seu papel, a limpeza.
O segredo está nas características de cada extremidade das moléculas de sabão, que têm cabeça e cauda.
A cabeça é hidrófila, enquanto a cauda é hidrófoba e lipófila. Em outras palavras, é atraída pela água, de um lado, e por óleo ou gordura, do outro lado.
Quando você está lavando as mãos e as moléculas de sabão se encontram com gordura, suas caudas são atraídas por ela enquanto a cabeça permanece na água.
As forças de atração entre as cabeças e a água são tão fortes que levantam a gordura da superfície, de modo que ela é completamente cercada por moléculas de sabão, que a separam em pedaços cada vez menores, que são então arrastados com a água.
Mas por que é esse processo é tão eficaz contra os vírus como o que causa a covid-19?
Representação gráfica de como o sabão destrói o coronavírus.
Representação gráfica de como o sabão destrói o coronavírus.

'Morte' do vírus

O coronavírus, como todos os vírus, é basicamente um conjunto de instruções (fragmentos de código genético) em busca de células para invadir e forçá-las a seguir seus comandos.
Mas acontece que essas instruções - o ácido ribonucleico (RNA) - são empacotadas no que é conhecido como envelope viral, e o do Sars-CoV-2 é composto de lipídios, que são gorduras.
Diante do sabão, esse é o calcanhar de Aquiles do vírus.
Quando o coronavírus está nas suas mãos, ele não consegue penetrar na pele, pois sua camada externa é levemente ácida, mas eles podem permanecer lá esperando a oportunidade de entrar no corpo por lugares mais vulneráveis.
E é nesse momento que você pode interceptá-lo e destrui-lo, simplesmente lavando as mãos.
O sabão não apenas solta o vírus da pele, mas também faz com que o envelope viral se dissolva, de modo que proteínas e o RNA deslizem e o vírus morra metaforicamente (ele é, na verdade, desativado, pois os vírus não estão exatamente vivos).
Aí, a água leva os restos do que até 20 segundos atrás era uma séria ameaça à nossa saúde e à dos outros.
Gráfico mostra o que coronavírus faz no seu corpo
Gráfico mostra o que coronavírus faz no seu corpo

Por que 20 segundos?

Porque leva algum tempo para a mágica do sabão acontecer e, além disso, também precisamos de alguns segundos para garantir que estamos ensaboando todos os lugares.
Os desinfetantes também funcionam, mas a maravilha da água com sabão é que você só precisa de um pouco de produto para usar em toda a mão e, apenas esfregando, se livra dos indesejados.
Para conseguir o mesmo efeito com outros produtos, que geralmente contêm álcool, você precisa encher com essas substâncias todos os cantos onde os vírus podem estar ocultos.
Mais sobre o coronavírus
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