terça-feira, 28 de abril de 2020

Carta Capital

Terça-feira, 28 de Abril de 2020
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STF abre inquérito contra Bolsonaro para apurar denúncias de Moro
Uma das primeiras medidas será a convocação do ex-ministro para prestar depoimento e entregar eventuais provas contra o presidente → Continue lendo no site
POLÍTICA
Governo Bolsonaro confirma novo comando do Ministério da Justiça e da PF
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Estudo inédito desfaz mitos sobre os moradores de rua no Brasil
Pesquisadores de diversas áreas e universidades mapearam, durante quatro anos, aspectos do cotidiano desses cidadãos em oito cidades
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PT move ações na Justiça contra Bolsonaro, Moro e Carla Zambelli
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E agora, como ficam as “psicografias” que diziam ser Jair o Messias e Moro o venerando?
O bolsonarismo desidrata, mas o estrago já foi feito e levaremos um bom tempo para nos libertarmos dos seus efeitos → Continue lendo no site
Fé e razão: união necessária em tempos de pandemia
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Os destaques da manhã no 247

Advogado cearense vai tentar impedir na Justiça nomeação de Ramagem para comando da PF

Bolsonaro nomeia André Mendonça para a Justiça e Ramagem para comandar a Polícia Federal

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Equipe 247

Manaus não testa para Covid entre 30% e 40% de seus mortos

Manaus não testa para Covid entre 30% e 40% de seus mortos














Por Yan Boechat, de Manaus
Socorro de Souza da Silva, de 51 anos, jamais saberá a causa da morte de seu filho primogênito. Adriano Rodrigues tinha 37 anos e morreu no início da manhã de segunda-feira na casa de sua avó, na periferia de Manaus. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu. Na pequena casa, Socorro diz que ouviram Adriano tossir bastante durante a noite. Na madrugada, ele parecia estar engasgando. De manhã, quando a avó de Adriano foi acordá-lo, ele estava morto.
“Eu não sei o que houve, ele bebia muito, eu dizia para ele parar de beber, mas não sei, tinha gente com a Covid lá na rua da minha mãe, mas ele não teve febre, ontem a noite mesmo ele estava bem, falou comigo, não sei, não sei o que aconteceu”, contava Socorro, derramando as palavras como se fossem lágrimas de uma mãe que acabou de perdeu o filho.

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Socorro velou o corpo do filho por quase 10 horas na casa de sua mãe até que o serviço funerário da prefeitura de Manaus aparecesse para levá-lo a uma Unidade Básica de Saúde para que um médico atestasse sua morte.
Adriano chegou num rabecão acompanhado de outros três corpos, pessoas que como ele morreram em casa. Estava embalado em um saco plástico, aberto, e dentro de um caixão simples, fornecido pela Prefeitura de Manaus gratuitamente para os moradores de baixa renda da cidade. 
Seu exame necrológico durou menos de um minuto. O médico apalpou sua barriga inchada, checou as mãos já rígidas e as pontas dos dedos roxos, procurou por algum sinal de violência e mandou fechar o caixão. “Todos são assim, eu só procuro algum sinal de violência,”, me contava o médico pouco antes de lavrar o documento que atestou a morte de Adriano.
A causa de sua morte entrará para as estatísticas como indeterminada.
“É óbvio que nesse momento todos esses corpos deveriam estar tendo testes para a Covid-19 coletados, mas aqui isso não esta acontecendo, nunca saberemos do que essas pessoas morreram.”, dizia ele, enquanto pedia aos funcionários do serviço funerário para trazer o próximo corpo. 
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Sistema de saúde está entrando em colapso e apenas pacientes extremamente graves estão sendo recebidos (Yan Boechat/Yahoo Notícias)
Ao longo desse mês de Abril cerca de outros 700 corpos de pessoas que morreram em suas casas passaram por exames necrológicos tão superficiais quanto os de Adriano. Assim como o que ocorreu com o filho que a dona de casa Socorro de Souza deu à luz quando ainda era uma menina de 14 anos, nenhum deles teve testes para a Covid-19 coletados.
“No começo, em março, nós ainda seguimos os protocolos da Organização Mundial de Saúde, ainda buscávamos fazer os testes em todas as pessoas que morriam em casa, que é como deve ser em tempos de pandemia”, diz Marinelia Martins Ferreira, diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretária Municipal de Saúde de Manaus. “Mas nesse mês nenhum teste foi coletado, não temos recebido os testes do governo do Estado e não conseguimos comprá-los”, conta ela. “Basicamente não sabemos oficialmente do que as pessoas estão morrendo em suas casas aqui em Manaus”, diz Marinelia.
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Os números de mortes por Covid podem ser até três vezes maior, estimam profissionais de saúde do estado (Yan Boechat/Yahoo Notícias)
O Estado do Amazonas registrou até ontem 320 mortes por Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, a imensa maioria delas em Manaus e no mês de abril. Os números oficiais, no entanto, estão longe de representar a realidade. Estão sendo testados apenas pacientes que dão entrada nos hospitais que ainda aceitam doentes de Covid. Quase todos estão lotados e recusam novos doentes.
Além disso, apenas as pessoas que morrem nesses hospitais são testadas para a Covid, todos aqueles que falecem fora do sistema de saúde não entram nas estatísticas. “Houve um aumento nessa última semana de 300% nos sepultamentos apenas em Manaus e uma parte bastante importante dessas pessoas que estão morrendo não estão sendo testadas, os números de mortes por Covid podem ser até três vezes maior, mas a verdade é que não sabemos”, diz Marinelia, que estima que as mortes domiciliares representem entre 30% e 40% de todas as mortes registradas apenas em Manaus nesse mês de abril.
Isso acontece porque o sistema de saúde está entrando em colapso e apenas pacientes extremamente graves estão sendo recebidos nas emergências e nos hospitais de referência. “Nós só vamos até a casa de alguém hoje se a pessoa estiver em risco iminente de morte, caso contrário, não temos como deslocar uma ambulância para atender um caso em que a pessoa não está literalmente próxima da morte”, diz Domício de Mello, diretor técnico do Serviço de Atendimento Médico de Urgência, o Samu.
Ele conta que a sobrecarga é tão grande que mesmo unidades básicas de atendimento, sem capacidade de intubar um paciente, estão sendo deslocadas para atender casos de alta complexidade. “Basicamente o que está acontecendo é que nós estamos pegando as pessoas em casa para morrer nas ambulâncias porque simplesmente não há mais vagas nos hospitais, muitas vezes passamos até seis horas com um paciente procurando alguém que possa recebe-lo”.
Em casos como esses cabe também ao Samu atestar o óbito. E em todos os casos de pacientes que morrem nas ambulâncias ou mesmo no atendimento domiciliar, nenhum teste para Covid-19 é feito. “Nós sabemos que é Covid, os sintomas são claros, mas sem o teste, sem a comprovação, como eu posso atestar”, questiona ele, que diz não ter os kits de testagem disponíveis para oferecer para sua equipe. “Eu vejo esses números e fico pensando qual seria de fato a quantidade de gente que está morrendo aqui por Covid, acho que o número real pode ser até 10 vezes maior do que o que estamos vendo”.
Dona Socorro,  a mãe de Adriano, nem quer pensar nisso. Para se proteger ela tem usado uma máscara de pano amarela que uma vizinha lhe deu. Ontem ela me dizia que não se importava em não saber a causa exata que lhe tirou o filho. Para ela, o que importava mesmo é que o longo, tortuoso e cansativo processo burocrático se encerrasse de uma vez. “Eu só quero acabar com isso, enterrar o Adriano e deixar o resto com Deus”, dizia ela. “Já não me importa do que ele morreu, se foi bebida, se foi corona, não me importa. só quero por fim nisso”.

Homofobia: você sabe o que é?

Homofobia: você sabe o que é?

Homofóbicos se sentem incomodados com pessoas que expressam sua sexualidade
Frequentemente ouvimos, lemos ou assistimos algo sobre a homossexualidade, este assunto costuma estar acompanhado de conflitos, busca de direitos e igualdade social, preconceitos e agressividade. Mas porque a homossexualidade provoca tantas reações conflituosas e principalmente ofensivas e agressivas?
Essas atitudes frente a homossexualidade são conhecidas como homofobia. A homofobia significa uma repulsa, incômodo, indignação e ódio pelas pessoas que expressam sua sexualidade homossexual e não hétero. Pessoas homofóbicas possuem um desejo intenso em mudar os homossexuais e provar que eles estão e são errados, que possuem algum problema e por isso precisam de ajuda para serem curados ou mesmo precisam de uma correção, uma lição ou punição para aprenderem a ser o que eles julgam como correto.

Quais são as bases da homofobia?

A homofobia traz sempre consigo uma questão muito forte sobre tabus, regras e valores morais impostos por uma cultura tanto familiar, como social e regional. Costumes culturais como os conceitos religiosos intensos e fanáticos costumam ser fortes motivadores para a homofobia, visto que possuem como base a obediência sem questionamento, as regras para serem seguidas de formas técnicas, valores morais e pessoais ditados por uma lei maior e que reprime suas particularidades enquanto sujeito único.
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Esse tipo de pensamento pode acabar gerando pessoas "endeusadas", poderosas, representantes de Deus ou de uma força maior e que se sentem grandiosas e por isso se consideram heroínas que devem salvar o mundo, acabar com o pecado e com o que entendem como imoral (no caso, aquilo que vai contra sua moral) e por isso se permitem atitudes diversas (pregação, ofensas, ataques e até assassinatos) em nome de seus valores e suas verdades. São traços fantasiosos e até psicóticos, que podem causar grandes danos psicológicos a eles mesmos e a quem convive com eles.
Esses grupos não costumam se reconhecer como homofóbicos, não acreditam que são preconceituosos ou estão agindo indevidamente, isso porque são motivados por fantasias de poder e, portanto, não reconhecem a possibilidade de estarem errados. São pessoas fechadas para ouvir, ver ou pensar fora de seus tabus e ordens e por isso tendem a ficar tão incomodados, irritados e ofendidos quando se deparam com aqueles que não agem da mesma forma.

Todo homofóbico tem problemas com sexualidade?

Os homofóbicos na maioria das vezes são pessoas que ainda não definiram ou não são totalmente seguras de sua identidade sexual (mesmo que já sejam adultos), por isso precisam reafirmar sua sexualidade continuamente, como um mecanismo de defesa (viver falando o quanto são héteros ou criticando desmedidamente os homos) e por isso é muito comum se tornarem agressivos e ofensivos, pois na verdade tentam se defender de seus conflitos íntimos e psíquicos que aparecem numa outra pessoa, fora do seu controle e seu tabu e ele não pode reprimir.
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IMPORTANTE: Vejam bem, o fato dos homofobicos possuírem conflitos e duvidas com sua sexualidade, não significa que eles são ou se tornarão homossexuais. Não generalizem, pois antes de tudo somos seres únicos. Mas significa que estas pessoas possuem angustias, repressões e conflitos psíquicos em seus desejos mais íntimos de existência, que talvez nem envolvam a opção sexual em si, porém com suas atitudes invasivas e fanáticas por uma regra única e padronizada do ser humano, nos mostra que são pessoas com dificuldades de serem elas mesmas. E provavelmente seja essa a maior angustia, o fato de não conhecerem elas mesmas, não saberem sobre seus desejos mais íntimos e particulares, sobre suas angustias mais profundas, pois estão sempre presas ao raso, onde o tabu e a lei ou ordem técnica da vida prevalecem, reprimem e impedem de sentirem a si mesmo.
A homossexualidade nada mais é, do que uma expressão e escolha da sexualidade de uma pessoa, exatamente como acontece com a heterossexualidade. Desde nosso nascimento e ao longo de nosso desenvolvimento humano, familiar, social, vivemos experiências diversas de amor e angustias e são essas experiências que irão nos constituir como seres numa sociedade.
No início, quando somos crianças, apenas sentimos, observamos e repetimos nosso meio, mas a partir de um determinado momento na vida (muito comumente na adolescência, mas nem sempre) passamos a expressar o que nos constituiu até então, ou seja, aquilo que aprendemos torna-se algo adaptado ao Eu particular de cada pessoa. Logo somos o que aprendemos com nossa educação e cultura familiar e social, mas somos também e principalmente o que sentimos, entendemos e identificamos de um modo muito particular e único sempre.
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Homofobia não é só agressão física

Vale lembrar que a homofobia acontece das mais diferentes formas e é cotidiana. A agressividade nem sempre virá de forma física, na maioria das vezes está presente em piadas, ofensas e até mesmo nas tais ajudas. É preciso esclarecer sempre que possível que Homossexuais não possuem um problema, não são um problema, logo não há o que curar ou arrumar ou ensinar e não se trata de técnicas familiares e educacionais, religiosas ou culturais. Não se ensina ser homossexual ou heterossexual, os impulsos e desejos de cada pessoa é que mostrarão quem são e isso não se encontra em livros, cartilhas ou regras, isso acontece vivendo e tendo a chance de ser um ser.
O termo homofobia remete a um medo inconsciente ou irracional em lidar com a realidade homossexual, isso porque, esta realidade é entendida como uma provocação e ousadia, de pessoas que assumem uma coragem de vida. Coragem não de ser homossexual, mas uma coragem de expressar quem são, expressar seus desejos e não se prenderem a regras e tabus. Isso significa que sabem quem são ou ao menos querem saber e assumir quem são. Não temem ser eles mesmos e aproveitam (mesmo com todos os riscos que vida lhes coloca) a possibilidade de existirem, pois isso é viver.