segunda-feira, 18 de maio de 2020

Na OMS, general esconde dimensão da crise e mostra um governo que funciona

Na OMS, general esconde dimensão da crise e mostra um governo que funciona

O general Eduardo Pazuello - Valter Campanato/Agência Brasil
O general Eduardo PazuelloImagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Jamil Chade
Colunista do UOL
18/05/2020 12h37Atualizada em 18/05/2020 17h20

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro interino diz que há "diálogo" com estados, que governo apoia locais mais afetados e apresenta estrutura de resposta à crise
  • Assembleia foi marcada por críticas da ONU contra governos que não deram ouvidos para recomendações da OMS
  • Ignorado de alianças internacionais, governo usa discurso para dizer que está disposto a fazer parte de projetos
  • Explosão de casos, críticas de Bolsonaro contra a OMS e pressão por reabertura da economia foram abafadas
O general Eduardo Pazuello, ministro interino que lidera a pasta da Saúde, apresentou um cenário do Brasil distante da realidade que vive o país. Ele garantiu à comunidade internacional que o governo de Jair Bolsonaro atua em "diálogo" com o restante das esferas de poder e indicou o apoio de Brasília às diferentes regiões.
Em seu discurso diante da Assembleia Geral da Saúde, organizada pela OMS nesta segunda-feira, o novo chefe do Ministério da Saúde não citou uma só vez a própria OMS, nem o salto no número de casos e nem o fato de o presidente insistir em não seguir e até criticar as recomendações da entidade.
Pelos dados da OMS, o Brasil é o local com o quarto maior número de casos no mundo. O discurso do general mais parecia de ser de um país que tinha lidado com a crise com êxito.
Mergulhado em conflitos e tensões, o governo Bolsonaro tem liderado ataques contra governadores estaduais, ameaçado o Congresso e pressionando o Judiciário.
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Nada disso, porém, fazia parte do discurso de Pazuello. Por vídeoconferência, ele se apresentava diante de uma foto do presidente e da bandeira do Brasil.
"Como sabemos, o Brasil tem dimensões continentais e diferenças regionais importantes que exigem uma estratégia apropriada para cada um deles", disse. Segundo o novo ministro, o governo atua "por por meio do diálogo com os três níveis de governança".
"O governo federal diariamente acesso a situação de risco, apoia estados e cidades com os recursos necessários para mitigar os efeitos da pandemia", garantiu o general.
Sem citar o caos em Manaus, ele indicou que tem ajudado as regiões como Norte e Nordeste a lidar com a crise.
Pazuello ainda indicou que sua pasta tem "ajustado seus protocolos, baseado em evidências e nas necessidades dos mais afetados". Uma mudança de protocolos forçada por Bolsonaro para incluir a cloroquina foi um dos motivos que levou à queda de seu segundo ministro da Saúde.

Alianças internacionais

No discurso, o general não citou uma só vez o termo "OMS" e nem seu diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, uma prática comum em falas na Assembleia Geral. Nos últimos meses, Bolsonaro tem criticado o chefe da agência e ignorado suas recomendações.
Pazuello, porém, indicou que o Brasil "reforça o compromisso em apoiar a participar em iniciativas internacionais". Uma delas seria o Solidarity Trial, uma pesquisa mundial conduzida pela OMS com pacientes em todo o mundo. Segundo o general, são eventos como esse que "reforçam a cooperação internacional".
Ele também insistiu que o Brasil quer buscar acesso universal a diagnósticos, tratamentos e vacinas. A coluna revelou na semana passada que o governo Bolsonaro não foi convidado para fazer parte de uma iniciativa da OMS para o desenvolvimento de uma vacina, ao lado de europeus e mais de 40 países.
Na OMS, o trecho do discurso que cita a vontade de participar em iniciativas internacionais foi interpretado como um sinal de que o governo espera não ficar isolado.
Durante o discurso, o general ainda explicou como estava estruturada a resposta do governo federal, com o Planalto responsável por coordenar e monitorar, enquanto cabia ao Ministério da Saúde definir estratégias de saúde. A impressão passada era de um governo que funciona e sabe lidar com a crise.
Nenhuma referência foi feita aos eventos e aglomerações com a participação do presidente.
O general ainda aproveitou o evento para mostrar solidariedade às famílias das vítimas, no Brasil e no mundo. Só não disse que, quanto o número de mortos no país já era elevado, o presidente apenas disse: "e daí?"
A entidade começou seu debate com um alerta duro por parte do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que criticou governos que não deram ouvidos aos alertas da OMS ou suas recomendações. A reunião ainda contou com a participação de presidentes como Emmanuel Macron, Xi Jinping e outros.

Desgoverno

A participação do país no evento, porém, ocorre em um momento em que o Brasil é alvo de duras críticas internacionais. O Brasil ainda se vê afastado de uma aliança internacional que busca acelerar os trabalhos para o desenvolvimento de uma vacina.
Até sexta-feira, seria Nelson Teich quem acompanharia os debates na OMS e faria o discurso em nome do governo de Jair Bolsonaro.
Mas com sua saída do Ministério da Saúde, abriu-se uma incerteza sobre quem representaria o Brasil. A OMS chegou a buscar esclarecimentos sobre quem falaria em nome do país, inclusive para estabelecer sua lista com base no protocolo diplomático.
No fim de semana, Brasília indicou que o discurso do país na OMS deveria ser realizado por Eduardo Pazuello, militar que ocupa de forma interina o cargo vago de Teich. O general, que afirmou ser "leigo" em questões médicas, tem coordenado a operação de compras de equipamentos e máscaras.
Em Genebra, chamou a atenção o fato de o Brasil indicar a participação de um militar, principalmente diante do número elevado de especialistas reconhecidos e nomes de alto gabarito do país na Saúde. A regra, porém, estipula que um país deve ser representado no evento pelo chefe de governo ou por um ministro.

TRF-3 rejeita denúncia contra Lula e irmão por "mesada" da Odebrecht



TRF-3 rejeita denúncia contra Lula e irmão por "mesada" da Odebrecht

Para a defesa do ex-presidente, a decisão foi "pedagógica" - Zanone Fraissat/Folhapress

Para a defesa do ex-presidente, a decisão foi "pedagógica"Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

Do UOL, em São Paulo
18/05/2020 18h42
Tribunal Regional da Terceira Região (TRF-3) rejeitou hoje, em decisão unânime, a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu irmão, Frei Chico, acusado pela força-tarefa paulista da Lava Jato de receber um pacote de propinas da Odebrecht.
O juiz de primeiro grau, Ali Mazloum, já havia determinado que não há elementos que justifiquem a abertura de uma ação penal — e hoje os desembargadores da 5ª Turma rejeitaram o recurso apresentado pela força-tarefa.
Em nota, o advogado de Lula classificou a decisão como "pedagógica": "É mais uma vitória de Lula na Justiça que mostra a necessidade de ser julgado o Habeas Corpus que aponta a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e a declaração da nulidade de todos os processos que ele tenha atuado contra Lula."
Esse foi o primeiro julgamento envolvendo o petista realizado por videoconferência durante a pandemia do novo coronavírus. Participaram o advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, representantes do Ministério Público Federal e as defesas de Frei Chico e de Emílio Odebrecht.

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Confira a íntegra da nota divulgada pela defesa do ex-presidente:
"É pedagógica a decisão proferida hoje (18/05) pelo TRF3 que, tal como havia decidido o juiz de primeiro grau, rejeitou sumariamente, por ausência de suporte probatório mínimo, uma acusação absurda contra ao ex-presidente Lula feita pela Força Tarefa da Lava Jato de São Paulo (Recurso em Sentido Estrito nº 0008455-20.2017.4.03.6181/SP).
A imaginária acusação da Lava Jato buscava o processamento de uma ação penal contra Lula sob a alegação de que seu irmão, Frei Chico, teria recebido valores da Odebrecht como suposta contrapartida "obter benefícios junto ao novo mandatário do Poder Executivo Federal".
O juiz de primeiro grau já havia rejeitado de plano a acusação, que segue o padrão da Lava Jato contra Lula, baseado exclusivamente na palavra de delatores, afirmando que: "Não seria preciso ter aguçado senso de justiça, bastando de um pouco de bom senso para perceber que a acusação está lastreada em interpretações e um amontoado de suposições".

A decisão do TRF3 prestigia o devido processo legal, reforça a inocência de Lula e a excepcionalidade dos processos contra o ex-presidente conduzidos a partir da 13º Vara Federal de Curitiba. É mais uma vitória de Lula na Justiça que mostra a necessidade de ser julgado o Habeas Corpus que aponta a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e a declaração da nulidade de todos os processos que ele tenha atuado contra Lula."

domingo, 17 de maio de 2020

A VERDADE SEMPRE APARECE : Molon defende CPI para investigar fraude na eleição presidencial de 2018

Molon defende CPI para investigar fraude na eleição presidencial de 2018

247 –  O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) já defende a instauração de uma CPI para investigar a fraude eleitoral de 2018, depois da revelação de que a Polícia Federal blindou o clã Bolsonaro ao vazar o caso da rachadinha. "URGENTE! Bolsonaro havia dito que as eleições tinham sido fraudadas. Ele tinha razão, mas quem participou de fraude foi a família DELE! As evidências estão aí: as eleições de 2018 foram manipuladas para favorecer o atual presidente! CPI JÁ PRA INVESTIGAR!", postou ele. Confira e saiba mais sobre o caso:

247 – Surge, neste domingo, mais uma prova de que as "instituições" brasileiras foram usadas para fraudar o processo eleitoral de 2018, favorecendo Jair Bolsonaro e a ascensão da extrema-direita. Não bastasse a inabilitação forçada do ex-presidente Lula, pelo TSE, e o vazamento da delação de Antonio Palocci, pelo ex-juiz Sergio Moro, descobre-se agora que a Polícia Federal vazou para Flávio Bolsonaro que o esquema da rachadinha estava sendo investigado e que ele deveria demitir seu assessor Fabrício Queiroz, que era uma espécie de tesoureiro da família Bolsonaro.
A revelação foi feita pelo empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio, em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, publicada na Folha de S. Paulo. Segundo ele, Flávio disse que soube com antecedência que a Operação Furna da Onça, que atingiu Queiroz, seria deflagrada. "Foi avisado da existência dela entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, por um delegado da Polícia Federal que era simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro. Mais: os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, prejudicando assim a candidatura de Bolsonaro. O delegado-informante teria aconselhado ainda Flávio a demitir Fabrício Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro em Brasília. Os dois, de fato, foram exonerados naquele período —mais precisamente, no dia 15 de outubro de 2018", aponta a reportagem.
O escândalo estourou logo depois e Queiroz se tornou um "foragido" cujo paradeiro é conhecido, mas que segue blindado pelas mesmas "instituições" que fraudaram o processo eleitoral de 2018, para permitir Jair Bolsonaro e prejudicar Fernando Haddad.
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