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quinta-feira, 21 de maio de 2020
Carta Capital, em 18/5/2020
Ministério da Saúde passa a ocultar número de mortos
Ministério da Saúde passa a ocultar número de mortos
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O perfil oficial do Ministério da Saúde no Twitter mudou, logo após a saída do ministro Nelson Teich, a forma de informar o quadro geral da pandemia do coronavírus no país. As postagens diárias passaram a trazer uma arte feita pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) com o título “Placar da vida”, que disponibiliza dados sobre “infectados com coronavírus”, “brasileiros salvos” e “em recuperação”, e omite, portanto, os dados sobre mortes. A alteração se repetiu no Instagram do ministério.
A mudança no padrão das postagens ocorre desde o dia 18 de maio – Teich pediu demissão na sexta-feira, dia 15, após desavenças com o presidente Jair Bolsonaro em torno do combate à doença. O primeiro balanço omitido foi justamente o que trouxe o recorde de 1.179 mortes notificadas, na terça-feira 19. Antes o perfil oficial do ministério publicava o quadro completo da situação epidemiológica no país, com detalhes sobre casos e óbitos confirmados em cada estado, assim como os números de mortes registrados no dia. O boletim completo continua sendo disponibilizado no site da pasta.
Junto com as informações, há a hashtag “ninguém fica para trás”, lema clássico das Forças Armadas. Desde a saída do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, cargos estratégicos do órgão vêm sendo ocupados por militares indicados pelo agora ministro interino, o general Eduardo Pazuello.
O ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, general Luiz Eduardo Ramos, reclamaram em diversas ocasiões da atenção exagerada, segundo eles, que a imprensa concede aos óbitos na cobertura da pandemia.
Na terça-feira 19, o país ultrapassou pela primeira vez a marca de mil mortes registradas em um único dia (foram 1.179). Até esta quarta-feira, haviam sido contabilizados 18.859 óbitos e mais de 290.000 casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde.
Casa onde João Pedro morreu tem 72 marcas de tiros O Globo Gustavo Goulart e Vera Araújo O Globo21 de maio de 2020
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O líder comunitário Tchetheco mostra as perfurações de balas na parede da casa onde João Pedro foi morto. Foto: Extra
RIO — A violência da ação policial que resultou na morte do menino João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, atingido por um tiro de fuzil na segunda-feira enquanto brincava com dois primos dentro de casa, em Itaoca, em São Gonçalo, pode ser vista nas paredes do imóvel. O local tem pelo menos 72 marcas de disparos. A contagem foi realizada por líderes comunitários da região. Ontem, o pai do adolescente, o comerciante Neilton Matos, voltou a afirmar que a Polícia Civil forjou uma versão sobre a ação. Em entrevista virtual ao programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo, ele negou que criminosos tenham invadido a residência, como sustentam os policiais que participaram da operação.
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— A polícia quer forjar uma situação. Não tinha bandido. Entraram na casa e atiraram duas granadas. Além dos tiros. Só tinha adolescentes de família — afirmou.
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Segundo a versão contada à Polícia Civil pelos agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) que participaram da operação, traficantes teriam invadido a casa, atirado e jogado granadas contra os policiais, que revidaram.
— Quem tirou o sonho do meu filho foi a polícia. João Pedro não estava na rua em confronto. Estava dentro de uma casa, de um lar. Ninguém tem o direito de entrar na casa de alguém e tirar a vida de um jovem de 14 anos —lamentou, acrescentando que acredita que os culpados serão punidos. — Creio na justiça, principalmente na de Deus. Se, aqui, a justiça não for feita, a de Deus será, mas esperamos que seja cumprida aqui. Meu filho tinha sonhos, já sabia o que queria. Queria ser advogado e ele tinha condições para isso. Um filho com notas boas, sem notas vermelhas, um menino 100%.
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Reprodução
Amigos e parentes do adolescente também questionaram a apreensão dos celulares dos três jovens que estavam na casa, inclusive o de João Pedro. Rafaela Cassiano, amiga da vítima, cobrou, numa rede social, uma explicação sobre os aparelhos. “Quem vai investigar? Levaram o celular do João Pedro. Levaram os celulares dos meninos que estavam juntos. Para quê? Já iniciaram uma investigação entre eles ou então começaram ali mesmo a destruição de provas concretas de um assassinato?”
O delegado Allan Duarte, da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, que investiga o caso, já ouviu o depoimento de três policiais civis e de duas testemunhas. Segundo o delegado, os agentes descartaram qualquer envolvimento dos jovens que estavam dentro da residência com traficantes em fuga.
EUA geram 38 milhões de desempregados em 2 meses
EUA geram 38 milhões de desempregados em 2 meses
Foto: Nick Oxford/Reuters
O número de desempregados nos Estados Unidos vem crescendo exponencialmente com a crise do coronavírus. Só na última semana, mais 2,4 milhões de americanos deram entrada no seguro-desemprego, elevando o total de pessoas que perderam seus trabalhos desde que a Covid-19 atingiu em cheio o país para 38 milhões, segundo dados do Departamento do Trabalho divulgados nesta quinta-feira, 21.
O total de desempregados pode ser ainda maior, pois o sistema de processamento de dados não foi projetado para um solavanco tão brusco da economia e os pedidos estão sendo analisados com lentidão.
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A situação é tão grave que uma pesquisa recente do Censo americano indicou que quase metade dos adultos no país confirmou que eles ou algum membro de sua família perdeu sua principal fonte de renda desde meados de março. Um outro estudo recente, do Fed, o Banco Central americano, constatou que aproximadamente 40% dos trabalhadores em famílias que ganham menos de 40.000 dólares ao ano perderam o emprego.
A crise que afeta os Estados Unidos está pondo de joelhos quase todos os países. A diferença lá, em relação à multidão de desempregados, é a finíssima rede de proteção social estendida por um Estado que, historicamente, se esmera em ter a presença mais discreta possível na vida da população. Demitir, nos Estados Unidos, é um ato simples e indolor para quem demite — daí o turbilhão de desocupados.
Na Europa, ao contrário, onde o Estado de bem-estar social ainda predomina, os governos vêm se esforçando para evitar as dispensas. Reino Unido e França vão pagar 80% do salário nas empresas com problema de caixa. Holanda e Portugal optaram por um programa semelhante. Itália e Grécia foram ainda mais longe e proibiram cortes no período de emergência, uma providência impensável no sistema americano.
Como quase 80% dos postos de trabalho nos Estados Unidos se concentram no setor de serviços, mais sensível às marés da economia, o freio de agora também retesou a renda de três quartos dos empregados que ganham por hora trabalhada. Se o movimento cai, também diminuem a jornada e o salário no fim do mês.
Os dados sustentam as visões de economistas de uma retração duradoura da economia americana, afetada pelas paralisações devido ao combate ao coronavírus. A economia americana encolheu no primeiro trimestre no ritmo mais forte desde a crise de 2007-2009.
Antes da Covid-19, os Estados Unidos mantinham uma invejável taxa de desemprego de 3,6% – a menor em 51 anos. O porcentual é considerado entre economistas como “pleno emprego”. Porém, segundo o Departamento do Trabalho, o país encerrou o mês de abril com uma taxa recorde de 14,7% – quase o dobro da taxa registrada na crise 2007-2009.
Com as políticas de distanciamento social e confinamento adotadas pelos governos estaduais, diante da disseminação da epidemia pelo país, a economia americana afundou. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê recuo de 5,9% da atividade econômica dos Estados Unidos em 2020. O mundo, alerta o FMI, enfrentará uma situação pior do que a vivenciada na Grande Depressão, na década de 1930.
Embora todos os 50 estados tenham iniciado o processo de reabertura, a maioria dos especialistas acredita que o caminho para a recuperação econômica será longo e cheio de interrupções.
Câmara recebe primeiro pedido coletivo de impeachment de Bolsonaro
Câmara recebe primeiro pedido coletivo de impeachment de Bolsonaro

247 - Mais de 400 entidades da sociedade civil, além de personalidades públicas como juristas, políticos e os partidos de oposição PT, PCdoB, PSOL, PCB, PCO, PSTU e UP, entregam às 11h desta quinta-feira, 21, um pedido de impeachment de Jair Bolsonaro à Câmara dos Deputados. Ele é acusado de cometer crimes de responsabilidade e atentar contra a saúde pública ao violar recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) - já estimulou e compareceu, por exemplo, a manifestações de rua, enquanto, segundo autoridades médicas, aglomerações aumentam a propagação do coronavírus.
Outros argumentos para a instalação do processo contra Bolsonaro por crimes de responsabilidade são os discursos dele contra o Supremo Tribunal Federal, a convocação de empresários para a "guerra contra governadores" à frente da Covid-19, o bloqueio da compra de respiradores e outros equipamentos de saúde por estados e municípios, o apoio à milícia paramilitar "Acampamento dos 300", incitação de sublevação das Forças Armadas contra a democracia, além de pronunciamentos e atos durante a pandemia que configuram crimes contra a saúde pública.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) é uma das entidades que assinam o pedido de impeachment. "Esta é uma iniciativa diferente de outros pedidos de impeachment já realizados porque tem um peso político e social, uma vez que reúne um amplo campo unitário de organizações do movimento popular, social e da juventude, além dos principais partidos de oposição no País", disse a Fenaj no Facebook.
Entre as organizações que apoiam o pedido de afastamento dele estão o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação , Associação Brasileira de Economistas pela Democracia, Central de Movimentos Populares, Marcha Mundial de Mulheres, Movimento das Mulheres Camponesas, Andes – Sindicato Nacional, Fasubra, Movimento Negro Unificado, Associação Brasileira de Travestis e Transexuais, além de juristas como Celso Antonio Bandeira de Melo, Lênio Streck, Pedro Serrano, Carol Proner e os ex-ministros da Justiça Tarso Genro, José Eduardo Cardozo e Eugênio Aragão.
De acordo com a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), "Bolsonaro não tem condições políticas, administrativas e humanas de governar o Brasil. Briga com todo mundo o tempo inteiro e não protege o povo". "Tem de ser impedido", afirmou.
Os partidos de oposição, juristas e organizações sociais também acusam ainda Bolsonaro de crimes contra o livre exercício dos poderes constitucionais, contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, contra a segurança interna do país e contra a probidade administrativa. É o primeiro pedido de impeachment suprapartidário e de amplos setores da sociedade brasileira e não de apenas um partido ou parlamentar.
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