quinta-feira, 3 de setembro de 2020

PT sobre envio da Força Nacional contra MST: 'governo Bolsonaro quer barbárie e criminalização dos movimentos'

 

PT sobre envio da Força Nacional contra MST: 'governo Bolsonaro quer barbárie e criminalização dos movimentos'

Gleisi Hoffmann, Força Nacional, MST e Jair Bolsonaro

247 - O PT, presidido nacionalmente pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), emitiu uma nota de repúdio à iniciativa do governo Jair Bolsonaro de autorizar o envio da Força Nacional de Segurança Pública contra os assentamentos das cidades de Prado e Mucuri, no Extremo Sul da Bahia, onde existem assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

"Não podemos admitir mais esta ação autoritária que só pode partir de um governo que não tem absolutamente nenhum compromisso com a vida de trabalhadores e não tem nada a oferecer às famílias do campo, a não ser a barbárie, a criminalização dos movimentos e a violência em uma pandemia que já levou mais de 120 mil vidas no Brasil", diz a nota.

De acordo com a legenda, "o MST vem há meses denunciando a formação de quadrilhas na Bahia que tem atuado clandestinamente em assentamentos e acampamentos, disseminando mentiras sobre o movimento, aterrorizando famílias e fraudando informações sobre processos de regularização de reforma agrária sobre os quais apenas o INCRA poderia ter acesso".

"É de conhecimento público o interesse dos latifundiários e a disputa das áreas produtivas da reforma agrária e as investidas contra os trabalhadores sem-terra, áreas indígenas, áreas de preservação, quilombolas etc", acrescentou. 

O PT afirmou que "o governo demonstra de maneira flagrante estar atuando para desestabilizar áreas assentadas, onde as famílias trabalham e produzem há anos. Esta ação institucional legitima e fortalece as ações criminosas contra as famílias assentadas".

"O papel do INCRA é garantir o devido processo de reforma agrária das áreas já acordadas anteriormente. Ao invés disso, funcionários não identificados do governo têm entrado nos assentamentos para estimular o conflito, e agora tentarão usar forças militares para invadir e agredir assentados", continuou. 

"O Partido dos Trabalhadores se junta ao MST e aos demais movimentos do campo para repudiar de antemão qualquer tentativa de uso da força na invasão dos assentamentos na Bahia, exigir a imediata revogação da Portaria e lutar pela garantia do direito à terra das famílias envolvidas".

Dados de desmatamento na Amazônia serão revisados e agosto será o pior em dez anos

 

Dados de desmatamento na Amazônia serão revisados e agosto será o pior em dez anos

Segundo o pesquisador Alberto Setzer, não estão corretos dados que apontam que os incêndios na Amazônia caíram 5% em agosto, conforme informação disponível atualmente no sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

Queimadas atingem área da Amazônia em Porto Velho; Jair Bolsonaro e Ricardo Salles
Queimadas atingem área da Amazônia em Porto Velho; Jair Bolsonaro e Ricardo Salles (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino | Marcos Corrêa/PR)
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BRASÍLIA (Reuters) - Os dados oficiais de agosto sobre focos de incêndio na Amazônia precisam ser corrigidos e provavelmente vão mostrar uma alta na comparação com o ano passado, o que significará o pior mês de agosto em uma década, disse à Reuters nesta quarta-feira um dos pesquisadores responsáveis pelos números.

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Segundo o pesquisador Alberto Setzer, não estão corretos dados que apontam que os incêndios na Amazônia caíram 5% em agosto, conforme informação disponível atualmente no sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O pesquisador do Inpe, que trabalha na produção dos dados oficiais sobre focos de incêndios, disse que o registro de dados finalizados sofreu um atraso por um erro em uma satélite da Nasa.

Quando a questão for resolvida, afirmou, agosto deste ano provavelmente registrará um aumento de 1% a 2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Isso significa que seria o pior mês de agosto em números de incêndios desde 2010.

“Vai subir. O número de incêndios, focos de incêndio, vai aumentar. Talvez 1% ou 2%, eu diria”, afirmou Setzer.

A assessoria de imprensa do Inpe encaminhou um pedido de comentário para Setzer, que deu mais detalhes sobre seus cálculos e alertou que uma variação de 1% a 2% ficaria dentro da margem de erro.

O Ministério da Ciência e Tecnologia, ao qual o Inpe é vinculado, não respondeu a um pedido de comentário.

Já a assessoria do presidente Jair Bolsonaro não quis comentar, direcionando perguntas ao gabinete do vice-presidente da República Hamilton Mourão, que coordena o Conselho Nacional da Amazônia Legal. O gabinete de Mourão não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Uma porta-voz do Ministério do Meio Ambiente não quis comentar.

Uma onda de focos de incêndios na Amazônia, em agosto de 2019, que levou a um pico das queimadas em nove anos, provocou protestos pelo mundo e no Brasil, com críticas à política de proteção da maior floresta tropical do mundo. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a trocar farpas com Bolsonaro à época.

Defensores do meio ambiente e cientistas responsabilizam Bolsonaro pela deterioração de políticas de proteção ambiental no país e criticam o apelo ao desenvolvimento da Amazônia, encorajando madeireiros ilegais e especuladores de terras a derrubarem a floresta.

Especialistas afirmam que a proteção da Amazônia é vital para conter as mudanças climáticas no mundo.

Em 19 de agosto, o Inpe publicou uma nota em seu site na qual afirmava haver um problema com o satélite Aqua, da Nasa, a agência espacial norte-americana, que gera os dados de incêndios. Como consequência, os dados estavam incompletos desde 16 de agosto. A Nasa publicou avisos semelhantes em seu site alertando sobre problemas com o satélite.

Setzer disse que o Inpe tem procurado fontes alternativas para corrigir o problema, estimando que pode demorar de uma a duas semanas para que os dados finais sejam publicados.

Uma vez corrigidos os dados, com falhas para a Amazônia a partir de 16 de agosto, juntamente com diferenças menores produzidas por dados ausentes para o norte da Amazônia desde então, o número final deve mostrar um ligeiro aumento, afirmou Setzer.