quarta-feira, 23 de setembro de 2020

China responde a Bolsonaro sobre 5G e exige respeito às normas econômicas

 

China responde a Bolsonaro sobre 5G e exige respeito às normas econômicas

Ministro-conselheiro da Embaixada da China diz que espera que as regras para a definição do sistema 5G no Brasil sejam objetivas, transparentes e não discriminatórias. O país asiático exigiu respeito às normas do sistema econômico mundial

Em discurso na ONU, Bolsonaro dá a entender que não quer o 5G chinês ONU
Em discurso na ONU, Bolsonaro dá a entender que não quer o 5G chinês ONU (Foto: Reuters | Marcos Corrêa/PR)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 - A China reagiu às afirmações de Jair Bolsonaro no discurso na Assembleia Geral da ONU sobre o instalação do 5G no Brasil. 

Bolsonaro deu a entender que vai discriminar a China, cuja diplomacia reagiu de imediato. “Esperamos que as regras [de definição do sistema] sejam objetivas, transparentes, não discriminatórias e respeitem as normas básicas do sistema econômico mundial”, disse Qu Yuhui, ministro-conselheiro da embaixada chinesa. 

Os EUA têm feito lobby no Brasil, junto a parlamentares e executivos, contra a empresa chinesa Huawei no 5G. O próprio embaixador estadunidense no Brasil, Todd Chapman, faz pressão direta contra o 5G da empresa chinesa. 

Para as operadoras de telefonia, a consequência da retirada dos chineses do 5G seria a redução da cobertura da tecnologia. Como os equipamentos americanos são 30% mais caros, 30% menos localidades do país seriam atendidas, destaca o Painel da Folha de S.Paulo.

"A previsão é que os militares agirão para restringir a compra de equipamentos chineses. A área técnica do governo não vai se mexer. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, tem dito que a decisão será de Jair Bolsonaro.a encampar a proposta", aponta a coluna.  

Bolsonaro na ONU fez do Brasil um anão diplomático amarrado ao destino de Trump

 

Bolsonaro na ONU fez do Brasil um anão diplomático amarrado ao destino de Trump

"É um Brasil que se apequena no plano externo", diz o professor de relações internacionais da Unesp Alexandre Fuccille. "Uma das mais tristes páginas da história da política externa brasileira"

Presidente da República Jair Bolsonaro, durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONU. 22 de setembro de 2020
Presidente da República Jair Bolsonaro, durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONU. 22 de setembro de 2020 (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Sputnik – O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na 75ª edição da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) faz o Brasil encolher na arena internacional e amarra o futuro do país ao destino político do presidente dos Estados Unidos, avalia especialista.

PUBLICIDADE

Em pronunciamento gravado, o Brasil voltou a abrir os trabalhos da Assembleia Geral. Com a pandemia de COVID-19, a importante reunião da diplomacia mundial está sendo realizada de maneira remota em 2020. Em sua fala, Bolsonaro defendeu sua gestão da pandemia, alegou a existência de uma suposta campanha de desinformação no campo ambiental, atacou a Venezuela e afagou os Estados Unidos. 

"Olhando retrospectivamente, e não me refiro apenas aos últimos anos, o período de Michel Temer, o período dos governos petistas ou mesmo o governo do presidente FHC, digamos que é um Brasil que se apequena no plano externo", diz à Sputnik Brasil o professor de relações internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Alexandre Fuccille. "Estamos assistindo a uma das mais tristes páginas da história da política externa brasileira e sem, digamos, qualquer perspectiva de alteração ou reversão no curto prazo."

O analista acredita que o discurso de Bolsonaro foi voltado para o público doméstico, de modo que o país perdeu a chance de participar do debate sobre os grandes temas que atravessam a 75ª edição Assembleia Geral. 

A Venezuela foi alvo de críticas do presidente brasileiro. Bolsonaro voltou a acusar Caracas de envolvimento no derramamento de óleo que atingiu o Nordeste em 2019 e disse que o país é uma "ditadura bolivariana". Fuccille destaca que a acusação foi feita sem provas e que o Brasil é "uma espécie de vassalo dos Estados Unidos" na questão. 

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, esteve em Boa Vista, Roraima, e pontuou que Washington defende que a Venezuela "tenha uma democracia". A visita foi interpretada por especialista como um esforço de campanha do presidente Donald Trump e foi alvo de críticas do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ). Seis ex-ministros das Relações Exteriores do Brasil também publicaram carta de apoio a Maia e rechaçaram a visita de Pompeo. 

"Uma eventual derrota do presidente Donald Trump em sua tentativa de reeleição pode ser muito negativa para o Brasil", diz Fuccile. "Esse abraço ao presidente Trump e tentar jogar água no moinho do presidente Trump é algo absolutamente ridículo porque, infelizmente, achar que o presidente Bolsonaro possa ter alguma influência para valer sobre o público americano ou com relação à disputa colocada entre republicanos e democratas é absolutamente ridículo."

PUBLICIDADE

Os destaques da noite no 247, em 22/9/2020

 

Brasil 247 e TV 247 reforçam sua campanha
de assinaturas com a Frente 247

Bolsonaro é ridicularizado nas redes com mentira sobre "mil dólares"
no discurso na ONU

Lula escreve
'discurso' para ONU
e culpa Bolsonaro
por mortes
do coronavírus

Na ONU,
Trump mente como Bolsonaro, diz que Covid 19 é "vírus chinês" e pede punição à China

China defende cooperação entre países no combate à pandemia e diz que ‘o unilateralismo é um beco sem saída’

Altman: “mídia decidiu erguer muralha de silêncio sobre o plano de reconstrução nacional”

Mais notícias

Elias Maluco é encontrado morto na penitenciária

Brasil pode retaliar países que o boicotarem por questões ambientais, diz general Heleno

Aras vai decidir se denuncia Flávio Bolsonaro por faltar à acareação com Paulo Marinho

Senado aprova Nestor Foster para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos

Bolsonaro nomeia funcionário de banco privado como novo presidente do Banco do Brasil

Lula ensina a Bolsonaro o que é o discurso de um presidente

 

Lula ensina a Bolsonaro o que é o discurso de um presidente

"A partir de hoje o Brasil exercerá plenamente sua soberania, não para oprimir quem quer que seja, mas para promover a integração da América Latina, a cooperação com a África, relações econômicas equilibradas e democráticas entre os países, defender o meio ambiente e a paz mundial", disse ele, em discurso paralelo

PT lança Plano de Reconstrução do Brasil com Lula, Haddad, Gleisi e Mercadante. 21 de setembro de 2020
PT lança Plano de Reconstrução do Brasil com Lula, Haddad, Gleisi e Mercadante. 21 de setembro de 2020 (Foto: Ricardo Stuckert)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Luiz Inácio Lula da Silva – As únicas palavras sensatas do discurso de Jair Bolsonaro hoje na ONU foram as primeiras: o mundo precisa mesmo conhecer a verdade. Mas na boca de uma pessoa que não tem compromisso com a verdade até esta frase soa falsa.

O que se esperava ouvir hoje de um presidente são coisas simples, que estão indicadas no Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil, apresentado ontem pelo Partido dos Trabalhadores. Algo assim:

Senhoras e senhores desta Assembleia,O Brasil se envergonha de ter tido, ao longo desta gravíssima pandemia, um governo que ignorou a ciência e desprezou a vida, o que resultou em mais de 136 mil mortes e milhões de contaminados pela Covid.

Queremos anunciar que, a partir deste momento, vamos realizar testes em massa na população para conhecer as verdadeiras dimensões da pandemia e enfrentá-la.

Vamos recompor o Orçamento da Saúde para ter hospitais, médicos, enfermeiros e remédios; investir o que for necessário para salvar vidas.

Vamos manter o auxílio emergencial de R$ 600 e instituir o Mais Bolsa Família, para que este valor seja pago mensalmente a todas as famílias vulneráveis.

Os bancos públicos abrirão imediatamente crédito para as pequenas empresas. Retomaremos já as obras paradas para reativar a economia e gerar empregos.

O governo brasileiro nunca mais fará propaganda enganosa de remédios sem comprovação científica nem voltará a desmoralizar medidas coletivas de prevenção.

A partir de hoje, estamos decretando o Desmatamento Zero da Amazônia. Três anos de proibição total de queimadas e derrubadas, para que a natureza tenha tempo de se recuperar da destruição.

Convocamos as Forças Armadas para combater o incêndio do Pantanal, a começar pelos 4 mil hoje deslocados para fazer provocação militar irresponsável em nossa fronteira com a Venezuela.

Os povos indígenas são irmãos da natureza e guardiões do meio ambiente. Terão prioridade nas ações emergenciais de saúde. Seu território e suas culturas voltarão a ser respeitados, com a retomada das demarcações de reservas e terras indígenas.

Os cientistas e os agricultores brasileiros desenvolveram a mais avançada tecnologia para o cultivo de grãos e produção de proteína animal.

Este conhecimento, a partir de hoje, voltará a ser utilizado em benefício da segurança alimentar do planeta e do povo brasileiro, de maneira social e ambientalmente sustentável. A partir de hoje está proibido em nosso território o uso indiscriminado de insumos e sementes que representam risco à saúde humana.

Não é preciso destruir para botar comida na mesa. É preciso, sim, entregar terra, tecnologia e financiamento a centenas de milhares de famílias que trabalham no campo para alimentar as cidades.

Estamos criando hoje um banco de terras públicas para retomar a reforma agrária no Brasil. E reativando o financiamento da agricultura familiar.

É desta forma, garantindo segurança alimentar para nossa população e produzindo com abundância, respeito ao meio ambiente e à saúde humana, que o Brasil quer contribuir para saciar a fome no mundo.

Senhoras e senhores,

Esta assembleia foi criada, ao final da mais devastadora guerra de todos os tempos, para construir a paz, promover a educação, a saúde, o trabalho digno, a produção de alimentos e o equilíbrio nas relações econômicas.

Passados 75 anos, não tivemos sequer um dia sem guerras. O colonialismo deu lugar a outro tipo de dominação, ditada pela concentração de capitais e a especulação financeira. O acesso à educação e saúde é uma miragem para a imensa maioria. As relações de trabalho regridem ao que eram no século 19.

E, vergonha das vergonhas: 800 milhões de crianças passam fome todos os dias, no mesmo planeta em que uns poucos privilegiados nem sabem como gastar – ou sequer como contar – suas inacreditáveis fortunas.

Como alertou papa Francisco: “Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”.

No Brasil, a partir de hoje, tudo que o estado fizer será no sentido de reverter séculos de desigualdade, o racismo estrutural que nos legou a escravidão, o patriarcado que discrimina as mulheres, superar o preconceito, a fome, a pobreza, o desemprego.

A partir de hoje o Brasil exercerá plenamente sua soberania, não para oprimir quem quer que seja, mas para promover a integração da América Latina, a cooperação com a África, relações econômicas equilibradas e democráticas entre os países, defender o meio ambiente e a paz mundial.

O Brasil quer para si o que deseja para todos os povos do planeta: soberania, autodeterminação, acesso compartilhado ao conhecimento, às vacinas e medicamentos imprescindíveis, regras justas de comércio, ação internacional efetiva para o desenvolvimento e o combate à pobreza no mundo.

O Brasil quer para todos democracia, paz e justiça.