quarta-feira, 26 de outubro de 2022

As principais notícias desta manhã no Brasil 247

 

Carta Capital

 

QUARTA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2022
CENÁRIO FAVORÁVEL

A vantagem do ex-presidente sobre o candidato à reeleição varia de 6 a 7 pontos nos votos totais nas últimas pesquisas

Confira também: 

CLIMA DE VIRADA?

Ipec aponta empate técnico entre Tarcísio e Haddad a 5 dias do 2º turno em São Paulo

Brancos e nulos são 7%, enquanto 4% não sabem ou não responderam

Confira também:

INTERFERÊNCIA

Pressionada pelo governo, Petrobras segura reajuste no preço dos combustíveis antes do 2º turno

Estatal vende gasolina há seis semanas abaixo do preço de importação, diz consultoria

→ LEIA NO SITE

CASO PEDRO GUIMÃRAES

Vítimas de assédio na Caixa repudiam afirmação de Bolsonaro: ‘Seria contundente se fosse com sua filha?’

Em entrevista, o ex-capitão alegou não ter visto ‘nenhum depoimento mais contundente de qualquer mulher’

→ LEIA NO SITE

ALEGAÇÕES BOLSONARISTAS

Campanha de Bolsonaro envia ao TSE relatório sobre suposta irregularidade em propagandas de rádio

Na segunda 24, Moraes classificou como ‘extremamente grave’ e cobrou ‘provas ou documentos sérios’

→ LEIA NO SITE

OPINIÃO

Regular a mídia não é censura, Monark. É evitar o estado de exceção

"WhatsApp e Telegram são, hoje, ‘dark webs’ de bolso que encorajam a busca pelo que há de pior no comportamento humano", escreve Letícia Cesarino, antropóloga, professora e pesquisadora 

→ LEIA NO SITE

Contragolpe | Bomba de Jefferson explode em Bolsonaro

 

Quarta-feira, 26 de outubro de 2022
Contragolpe | Bomba de Jefferson explode em Bolsonaro

A última semana de campanha é muito mais reveladora do que parece.

A reta final da campanha parecia favorável ao bolsonarismo até a semana passada, com pesquisas mostrando a aproximação dos dois presidenciáveis. O campo petista bem que tentou evitar o medo da derrota, mas não conseguiu. Até a última sexta, estava macambúzio, inseguro quanto ao resultado das urnas no próximo dia 30. O moral baixo dos eleitores do ex-presidente Lula parece ter deixado o entorno do presidente à vontade – o que os fez perder o controle de suas bolsonarices. Começou no sábado, com o ex-deputado Roberto Jefferson, da sua prisão domiciliar, xingando a ministra Cármen Lúcia. Acabou com 20 disparos contra agentes da Polícia Federal no domingo, disparados pelo ex-apresentador de O povo na TV. As ofensas vulgares contra a ministra, publicadas nas redes da filha Cristina, provocaram outra ordem de prisão, e o ex-deputado resistiu aos policiais.

Do dia para a noite, Jefferson dominou o noticiário, deixando os nomes de Lula e Bolsonaro para trás nas buscas do Google. Com direito a granadas de efeito moral, uma negociação desastrada do ministro da Justiça Anderson Torres e de Vinicius Secundo, um policial boa-praça, para acertar a rendição de um criminoso reincidente. Secundo chamou integrantes da equipe sob a mira de Jefferson de “burocráticos”, como se viu no vídeo vazado em que padre Kelmon assiste ao diálogo entre Jefferson e o agente da polícia. 

Era para ser trágico, mas a presença do padre Kelmon fechou o pastelão. As imagens se espalharam como pólvora numa semana tão estratégica para uma das disputas mais acirradas da história brasileira. O bolsonarismo, afinal, não é onipotente. 

O clima entre policiais, base segura do bolsonarismo a priori, azedou.
O silêncio nos grupos de WhatsApp bolsonaristas denunciou que o roteiro da campanha para a reeleição de Bolsonaro saiu do script. A cobertura da Jovem Pan tentava igualar a atitude do ex-deputado ao “autoritarismo” da ministra Cármen Lúcia por seu voto pelo direito de resposta da campanha de Lula à emissora. O presidente da República havia feito o mesmo pelo Twitter, logo após o atentado de Jefferson. “Repudio as falas do sr. Roberto Jefferson contra a ministra Cármen Lúcia e sua ação armada contra a PF, bem como a existência de inquéritos sem nenhum respaldo na Constituição e sem a atuação do MP”, escreveu ele antes da metamorfose em praça pública. 

Em questão de horas, o presidente quase que afirmava não saber direito quem era Jefferson, dizia não ter fotos com ele e o chamou de "bandido". Foi desmentido pela imprensa e pelas redes sociais na velocidade da luz. Fotos dos dois e os fios das relações de longa data foram divulgados, inclusive as ligações de Jefferson com seu filho Eduardo Bolsonaro. A campanha à reeleição acabava de ter uma fissura exposta. 

Vinte e quatro horas depois, Bolsonaro já falava dele como um “amigo” que faz besteira. É quase certo que a bomba de Jefferson explodiu no colo da campanha nesta reta final. Chegou-se a cogitar que o pavio aceso pelo ex-deputado pudesse ser um ensaio do Capitólio brasileiro, caso Bolsonaro seja derrotado. Jefferson parecia disposto a ser um mártir e a plantar “sementes de resistência”, como ele afirmou em seu vídeo no último domingo, para exibir sua resistência à prisão o ataque que promoveu contra os agentes da polícia federal. Acreditou no personagem do bolsonarismo. Mas era só mais um teatro, como o que ocorreu em 7 de setembro de 2021, quando bolsonaristas acreditaram piamente que o presidente iria implantar o estado de sítio no país. 

Os ensaios de golpe não estão dando certo. O Brasil não é os EUA, e a façanha pode ter tido um efeito bumerangue. Os indecisos de hoje não querem votar em Bolsonaro, entre várias razões, porque ele é violento. A imagem do sangue ao lado de uma viatura da PF e o risco de alguém ter morrido não devem tê-los convencido a mudar de opinião. É mais fácil ser indiferente às mortes nas franjas do país, nas periferias, onde a polícia militar esconde tão bem os homicídios. Imagens dos ataques à Polícia Federal na TV podem causar o mesmo impacto da imagem de uma mala de dinheiro numa campanha decisiva. Tudo tem limite.

Talvez o país tenha decifrado mais um elemento do DNA golpista brasileiro. A mesma inércia que nos faz voltar para trás com a memória feudalista e escravagista trouxe também o plasma do atentado no estacionamento do Riocentro, em 30 de abril de 1981. A bomba que explodiu no colo de um militar do DOI-CODI que tentava incriminar jovens opositores da ditadura que participavam de um show. Foi na Barra da Tijuca. 

Estamos muito longe de cantar vitória a quatro dias do segundo turno. Muito mais longe de celebrar um caminho para retomar a civilidade. Com Bolsonaro ou Lula na presidência, o bolsonarismo já se espalhou e vai exigir muito da sociedade brasileira para ser dissecado. Eles são poderosíssimos. 

Por ora, vale observar. Outras bombas explodiram. Uma na campanha de Santa Catarina, onde o candidato do PT ao governo do estado, Décio Lima, exibiu um áudio de 2018 atribuído ao empresário bolsonarista Luciano Hang e ao secretário da Fazenda do estado, Paulo Eli. O dono da rede Havan estaria sendo cobrado por Eli para que pagasse os impostos devidos ao estado por sua rede varejista, famosa por manobras internacionais para evitar o fisco. Eli teria reclamado que estava na iminência de atrasar o salário dos professores. “Atrase o salário. Paulo, vai me desculpar. Atrasa o salário, demita”, pediu Hang, de acordo com o áudio. A sensibilidade bolsonarista a toda prova. Pode não mudar o cenário eleitoral em Santa Catarina. Mas expôs mais uma faceta de um dos empresários mais próximos de Jair Bolsonaro. Não, o bolsonarismo não está nu. Por ora, só perdeu uma costura.

Carla Jimenez
Colunista
Recebeu este e-mail encaminhado por alguém? Assine! É grátis. 
Mudou de ideia e não quer receber nossa newsletter?
Clique aqui para cancelar a inscrição.
Obrigado por nos ler! Que tal nos dizer o que achou?
Nosso e-mail é: newsletter.brasil@emails.theintercept.com



Agência Pública Como Lira usou o Bolsolão para ajudar o próprio pai

 

Como Lira usou o Bolsolão para ajudar o próprio pai
por Bruno Fonseca
 
“Não voto em corrupto” é talvez uma das falas mais comuns que saem da boca dos brasileiros durante as eleições. Também pudera, corrupção significa tirar dinheiro da saúde, da educação, de obras públicas, e colocar no bolso de quem consegue abocanhar os recursos do Estado para aumentar ainda mais seus privilégios.

Ninguém que espera na fila por exames e cirurgias, que separa dinheiro pra passagem de ônibus, que compra comida — cada vez mais cara — fica feliz em saber que um empresário rico ou um político abastado embolsou dinheiro público para si.

Justamente por isso é surpreendente que hoje o Brasil corra o risco de reeleger um governo que gestou um esquema bilionário de ocultamento do envio de dinheiro público: o Bolsolão.

Simplificando: o Bolsolão é um esquema para enviar verbas por meio de acordos com o relator do orçamento e o governo federal. Deputados, senadores e outros políticos combinam com essas figuras o tamanho da fatia que cada um vai poder indicar de um bolo bilionário – já foram indicados R$ 12 bilhões em 2022 – e como ela será gasta. Essas são as chamadas "emendas do relator" e, em 2022, o relator em questão foi o deputado do centrão Hugo Legal, do PSD do Rio.

Acertos feitos, esse dinheiro roda o Brasil, mas a divulgação das emendas — que precisou ser exigida pelo Supremo Tribunal Federal — não carrega a assinatura do político que a pediu. É segredo, como admitiu o próprio presidente Bolsonaro.

Pois bem, a repórter Alice Maciel e eu fomos atrás desses dados e, qual a surpresa: o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é o segundo político que mais indicou emendas neste ano eleitoral e R$ 1,7 milhão delas foram parar na prefeitura comandada pelo pai dele, Benedito de Lira (PP-AL).

Enquanto recebia a benesse do filho, que caiu no Fundo de Saúde do município, a prefeitura de Barra de São Miguel (AL) conseguiu a façanha de aumentar e muito os atendimentos de saúde na cidade. Neste ano, até agosto, foram registrados quase 100 mil atendimentos para pouco mais de 8 mil habitantes. É como se, em 2022, cada morador da cidade já tivesse sido atendido nos postos de saúde mais de uma vez por mês. Em todo o ano de 2021, foram 65 mil atendimentos. Em 2020, só 17 mil. 

O diretor da Pública, Thiago Domenici, foi bastante didático quando escreveu a fórmula: orçamento secreto é = Bolsolão = corrupção. Isso porque o esquema alimenta, ao mesmo tempo, dois caminhos para a corrupção.

De um lado, o orçamento secreto coloca na mão de parlamentares aliados do governo a decisão sobre quanto de dinheiro público será destinado para onde. Com esse instrumento em mãos, Lira pode beneficiar o pai — e a si mesmo — em ano eleitoral, já que tem o capital político de ser o principal fiador de Bolsonaro no Legislativo.

De outro lado, o esquema põe a autoria dessas emendas sob sigilo, dificultando que nós, jornalistas, órgãos de fiscalização e você saibam exatamente quem combinou a troca de favores.

Na Agência Pública, denunciamos a corrupção porque ela também é uma forma de violar direitos humanos. O direito à saúde é um deles, e precisa ser respeitado independentemente de qual político está sentado na presidência, no Congresso ou em cada canto do Brasil.

 
Bruno Fonseca é editor e repórter multimídia da Agência Pública.

Rolou na Pública
 

Mais uma indicação! Nosso Mapa dos Conflitos é finalista na categoria visualização do prêmio Cláudio Weber Abramo de jornalismo de dados! Na ferramenta, fruto de uma parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), fizemos uma análise inédita de dados para investigar as ocorrências de conflitos no campo na Amazônia Legal na última década (2011-2020). Navegue pelo mapa clicando aqui

Perseguição a pastores. A Pública conversou com pastores e lideranças evangélicas que relataram sofrer represálias por declararem voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nestas eleições. Eles representam um grupo dissidente dentro do eleitorado evangélico, no qual Jair Bolsonaro (PL) lidera. A reportagem foi republicada no Nexo, no Brasil de Fato e no Projeto Colabora e repercutida na newsletter Brasis, da Associação de Jornalismo Digital (Ajor).

Publicidade do governo em TV evangélica. A emissora de televisão Rede Super – que pertence à Igreja Batista da Lagoinha, em Minas Gerais, e tem o pastor André Valadão como sócio – recebeu R$ 756 mil por campanhas de comunicação pagas durante o governo Bolsonaro. Deste total, R$ 217 mil foram pagos neste ano eleitoral. A reportagem foi republicada na Carta Capital, no Jornalistas Livres e repercutida na Revista Fórum.  

Feminicídio armamentista. Reportagem da Pública mostra como armas de fogo com maior potência, liberadas pelo governo Bolsonaro, têm sido usadas para matar mulheres. A matéria foi republicada no Sul21 e no Brasil 247