domingo, 21 de julho de 2013

É assim que se faz

Brizola substitui Irineu Marinho em nome de rua após manifestação pacífica e surpreendente

20/7/2013 16:18
Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro


Manifestante, amparado para chegar até a altura da placa, cola o adesivo com o nome de Leonel Brizola sobre a placa da Rua Irineu Marinho
Manifestante, amparado para chegar até a altura da placa, cola o adesivo com o nome de Leonel Brizola sobre a placa da Rua Irineu Marinho
O alerta na redação do diário conservador carioca O Globo soou por volta das 14h da sexta-feira. As pesadas portas de ferro na saída para a Rua Irineu Marinho, Centro do Rio, seriam fechadas, pontualmente, às 15h, como avisava o boletim interno distribuído aos funcionários. Ninguém mais entrou ou saiu das garagens após às 15h30. Estava decretado o pavor na sede de uma das organizações mais visadas desde o início das manifestações que tomaram conta das ruas, nas principais cidades brasileiras. Entre os repórteres, redatores e editores do jornal, uma ponta de apreensão, pois imaginavam – diante das cenas de pura revolta, no Leblon, noite passada – que uma turba mascarada, saída das marchas contra o governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral Filho, adentraria o ambiente refrigerado da redação, pronta a quebrar terminais de computadores, aquários de blindex e até as preciosas máquinas de café. Estas, com certeza, produzem um resultado menos amargo do que as denúncias, do site O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, sobre uma fraude bilionária de seus patrões ao fisco.
A direção precaveu-se. Mandou blindar as vidraças com tapumes, lacrar as entradas e usou do costumeiro prestígio com as forças estatais de repressão para convocar o Batalhão de Choque da Polícia Militar. No final da tarde, um contingente de mais de 100 homens posicionou-se, estrategicamente, nos pontos de acesso às preciosas placas da rua que, horas depois, passaram a homenagear a memória do governador gaúcho e carioca, Leonel de Moura Brizola. Munidos de cacetetes longos, escudos blindados, capacetes e couraças; armados de bombas de efeito moral, gás de pimenta e muita bala de borracha, os PMs estavam prontos a proteger a propriedade da terceira geração do titular daquele logradouro público de apenas cento e poucos metros de extensão, mas longo o suficiente para para cruzar décadas de colaboração com o regime militar que o tornou o maior império de comunicação da América Latina. Um dos maiores do mundo.
Àquela altura, no meio da tarde, o adiantamento da edição de domingo já estava tumultuado. A manifestação fora confirmada pelas redes sociais e no Correio do Brasil, primeiro diário a publicar que a Rua Irineu Marinho, a partir da noite passada, passaria a se chamar Rua Leonel Brizola, por força das redes sociais e dos manifestantes. Ainda que por um breve momento, tão curto quanto a rua que seu nome batizou, o velho Briza novamente desafiaria o poderio das Organizações Globo e as colocaria, mais uma vez, em xeque perante a opinião pública brasileira.
A bandinha do Sindicato dos Petroleiros, engalanada, estava a postos em frente ao edifício Balança mas não cai, na esquina da Rua de Santana com a Avenida Presidente Vargas. Um sistema de projeção passava imagens do governador do Rio, na década de 80, nas paredes que encontrava disponíveis, em tamanho gigante, como se fluíssem da memoria dos manifestantes que, aos poucos, chegavam ao ponto de encontro. A retreta estava animada, mas o público tardava a chegar. Os organizadores do ato público, a começar por Alexandre Cesar Costa Teixeira, editor do blog Megacidadania; Theófilo Rodrigues, cientista social e dirigente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé; e coordenadores do movimento Frente Ampla pela Liberdade de Expressão (FALE-Rio), resolveram partir assim mesmo. O grupo era pequeno, mas animado.
Manifestantes carregam a faixa de protesto do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Manifestantes carregam a faixa de protesto do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
No início da marcha, pela contramão da Rua de Santana, havia perto de três PMs para cada manifestante e, naquele momento, o comandante do grupamento começara a perceber o fiasco a que o setor de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública o obrigara a passar. Ainda assim, coordenaram o trânsito e postaram meia-dúzia de batedores no final do séquito até a chegada ao primeiro alvo: a placa afixada no prédio ganhou o adesivo com o nome de Brizola e o aplauso, agora, por uma multidão um pouco maior, ecoou para os edifícios em volta, de onde surgiram moradores acenando com panos na janela, em sinal de apoio. Mas havia outras surpresas guardadas para os policiais do Choque, ainda incrédulos diante daquele pequeno e organizado grupo de manifestantes. Possibilidade zero de haver confrontos, quebra-quebras e cenas de violência generalizada contra a sede do império midiático. O ato seguinte do protesto, então, seria ainda mais surrealista, tanto para o aparato truculento convocado pelas Organizações Globo, quanto para as dezenas de funcionários da casa, que se amontoavam na passarela que liga a redação às antigas oficinas do jornal.
Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois e bolas de papel gigantes voaram na direção do logotipo do Globo, para lembrar a armação desvendada pela blogosfera na campanha de 2010, quando o então candidato José Serra (PSDB) foi atingido por um objeto na cabeça, durante caminhada no subúrbio carioca. Não passava de uma bolinha de papel, mas o representante tucano chegou a gastar uma ressonância magnética e horas de trabalho de um perito contratado para provar que o incidente seria quase que um atentado à vida do representante das forças da direita. A fraude, uma vez desvendada, custou-lhe preciosos votos e a memória eterna de seus adversários acerca da patifaria.
Jogadas as bolinhas de papel, colados os adesivos sobre as placas da “antiga” Rua Irineu Marinho, teve início a leitura dramática do mais mais célebre direito de resposta já imposto à Rede Globo:
“Todo sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Ontem, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar o editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, chamado de senil.
Tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que use para si. Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso país.
Todos sabem que critico, há muito tempo, a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou ontem, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípio. É apenas o temor de perder negócio bilionário que para ela representa a transmissão do carnaval. Dinheiro, acima de tudo.
Em 83, quando construí a Passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar, de todas as forma, o ponto alto do carnaval carioca. Também aí, não tem autoridade moral para questionar-me. E mais: reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior. E isto é o que não perdoarão nunca.
Até mesmo a pesquisa mostrada ontem revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado.
Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria, antes, um dever para qualquer órgão de imprensa. Dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção. Quando ela diz que denuncia os maus administradores, deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder. Se eu tivesse pretensões eleitoreiras de que tentam me acusar não estaria, aqui, lutando contra um gigante como a Rede Globo. Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.
Quando me insultam por minhas relações administrativas com o Governo Federal, ao qual faço oposição política, a Globo vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível. Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo.
Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos”.
Diante do término iminente do ato público, sem nenhuma confirmação das previsões catastróficas, discretamente, o aparato militar começava a ser desfeito e o sorriso nos semblantes dos soldados, armados até os dentes, demonstrava a incredulidade diante do ato público que, de acordo com os organizadores, foi “a mais bem sucedida ação pública contra o gigante midiático que lidera a concentração dos meios de comunicação do país”, segundo o jornalista Marcos Pereira, também coordenador do Barão de Itararé.
– Mais importante do que o número de pessoas na manifestação foi o seu peso simbólico. Hoje, as Organizações Globo temem a população. Mais do que nunca, sabem que já não são mais capazes de manipular as notícias, na tentativa de enganar os brasileiros. Hoje, vamos às ruas para mostrar que os tempos mudaram e é preciso acabar com o cartel que tenta impedir a democratização da comunicação no país – afirmou, enquanto um grupo puxava slogans como “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” e “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.
“E ainda apoia”.
Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Brasil.

Incrível. Se a ..... pega...

Ministro do TCU 'rejuvenesce' para adiar aposentadoria


DESTAQUES EM POLÍTICA

Nomeado há seis anos para o Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Raimundo Carreiro envelheceu, sem truque de beleza ou matemática, só quatro de lá para cá. Depois de assumir o cargo, conseguiu na Justiça mudar sua data de nascimento de setembro de 1946 para setembro de 1948 e, assim, esticar em dois anos a permanência na corte, tida como o "céu" de políticos e servidores públicos em fim de carreira. A manobra adia a aposentadoria do ministro, obrigatória aos 70 de idade, e lhe assegura a posse na presidência do tribunal no biênio 2017-2018, escanteando colegas de plenário.

O comando do TCU é definido anualmente numa eleição pró-forma, que ratifica acordo de cavalheiros previamente costurado. O presidente exerce mandato de um ano, renovado sempre por mais um. Pela tradição, o escolhido é sempre o ministro mais antigo de casa que ainda não exerceu a função. O próximo da fila é Aroldo Cedraz, que tomou posse em janeiro de 2007, dois meses antes de Carreiro, e sucederá a Augusto Nardes no período 2015-2016. Em seguida, será a vez de Carreiro, que, com nova certidão de nascimento, tirou a cadeira de José Múcio Monteiro. "Pode ser consequência (assumir a presidência), mas não que o objetivo seja esse", diz Carreiro.

A decisão que o "rejuvenesceu" foi obtida na Comarca de São Raimundo das Mangabeiras, município do interior do Maranhão em que cresceu, foi vereador e se tornou influente. Para remoçar dois anos, Carreiro mostrou à Justiça certidão de batismo da Igreja de São Domingos do Azeitão, lugarejo vizinho a Benedito Leite, onde veio ao mundo. Preenchido à mão e de difícil leitura, o documento registra o nascimento de "Raimundo", filho de Salustiano e Maria, em 6 de setembro de 1948, e não nos mesmos dia e mês de 1946, como no registro civil original do cartório.

Antes de migrar para o TCU, em março de 2007, Carreiro se aposentou no Legislativo usando a idade antiga, ou seja, aos 60 anos contados de 1946, e salário integral. Deixou a Secretaria-Geral da Mesa do Senado para ser empossado no TCU. A remuneração bruta alcança hoje R$ 44 mil, mas, segundo o Senado, não é paga por causa dos proventos do TCU, não acumuláveis.
Em 2008, já aposentado, Carreiro recorreu à Justiça para "corrigir" a confusão. Desta vez, lhe interessava comprovar a data de nascimento de 1948.

A sentença da Justiça maranhense saiu em março de 2009. Antes de concordar com a troca do registro, o Ministério Público rejeitou duas vezes os documentos juntados por Carreiro. Foi preciso o ministro viajar para São Raimundo e levar à audiência o padre de São Domingos, com livro de batismo e tudo. "Sabe quantos dias ele ficou para dar esse parecer? Contei: 43", recorda Carreiro, reclamando do promotor Cássius Guimarães Chai: "Ele é muito conhecido lá, porque é muito 'cri-cri'", acrescentou o ministro.

Reforçaram o conjunto probatório os depoimentos da mãe biológica, Maria Pinheiro da Silva, que corroborou a data, e os de dois conhecidos da época de menino. Questionado se o registro de batismo é 100% certo, o padre atual, José Edivânio de Lira, explica: "Aqui é comum dar os dados de cabeça. É um pouco mais preciso, apesar da dúvida".

Origem do problema

Embora nascido nos anos 1940, Carreiro só foi registrado em cartório em junho de 1965, em São Raimundo, o que era comum no passado. Na versão dele, foi por pressão dos políticos da época, interessados em qualificá-lo para votar, que o cartório marcou 18 anos de idade, e não 16. Com a fraude, sustenta, a irmã Floracy passou a ser, no papel, apenas três meses mais velha, ou seja, sem o intervalo de uma gestação. "Ficou por isso mesmo", diz Carreiro. Na ação, ele argumentou que, embora transcorrido tanto tempo, era alvo de chacota dos familiares e, nas consultas médicas, obrigado sempre a reiterar a idade "de fato".

No TCU, a notícia da retificação provocou críticas. "O poder rejuvenesce", ironizou fonte graduada do tribunal. Além de administrar a estrutura da corte, com um orçamento anual de R$ 1,5 bilhão, o presidente não relata e julga processos, cumprindo, a seu critério, agenda recheada de negociações políticas e viagens internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Do Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares


Enfim, a Globo será investigada?

A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) anunciou, na terça-feira (16), a abertura de uma investigação criminal preliminar para apurar suspeitas de sonegação envolvendo a Rede Globo de Televisão. A apuração foi solicitada na sexta-feira (12) por 17 entidades da sociedade organizada, entre elas, o Centro de Estudo das Mídias Alternativas Barão de Itararé, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Eles alegam que o Ministério Público deve agir porque há indícios de lesão a bens federais.

A apuração das denúncias se torna urgente depois da divulgação recente de documentos, até então sigilosos, sobre multa de mais de R$ 600 milhões à Rede Globo pela tentativa de sonegar impostos relativos à exibição da Copa do Mundo de 2002. Há suspeita de lavagem de dinheiro, de crimes contra órgãos da administração direta e indireta da União e de estelionato.

Agora o Ministério Público tem prazo de 90 dias, prorrogáveis pelo mesmo tempo, para apurar as informações. Se houver indícios suficientes de crime, é aberto inquérito. Caso negativo, o procedimento é arquivado. A Procuradoria do DF ainda poderá encaminhar os documentos para o Rio de Janeiro, onde fica a sede da empresa.

O “mensalão” da Globo. Denúncia: Rede Globo sonega impostos para sustentar ‘mensalão’ no Congresso. Jornalista teve acesso a investigação da Receita Federal que revela uma dívida de R$ 615 milhões ao contribuinte brasileiro. Valores são de 2006. “Alguém calcule o quanto isso dá hoje”, sugere o jornalista Miguel do Rosário, editor do blog O Cafezinho. Ele teve acesso a “uma investigação da Receita Federal sobre uma sonegação milionária da Rede Globo”.

A fraude da Globo se deu durante o governo Fernando Henrique Cardoso, com uso de paraíso fiscal. A emissora disfarçou a compra dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 como investimentos em participação societária no exterior. O réu do processo é o cidadão José Roberto Marinho, CPF número 374.224.487-68, proprietário da empresa acusada de sonegação.

Funcionária da Receita Federal sumiu com o processo da Globopar. Coisa de filme de quarta categoria, mas é verdade. Uma funcionária da Receita Federal, Cristina Maris Meinick Ribeiro, foi condenada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por, entre outras coisas, dar sumiço nos processos que eram movidos pela Receita contra a Globopar, controladora das Organizações Globo.

De acordo com dados disponíveis no site da Justiça Federal, a sentença do juiz Fabrício Antonio Soares para a funcionária é de 23 de janeiro de 2013. O sumiço físico dos documentos relativos à Globopar se deu no dia 2 de janeiro de 2007. Mesmo estando de férias, Cristina Ribeiro foi ao local de trabalho e de lá saiu com objetos volumosos. A visita foi gravada por câmera de segurança e colegas de escritório testemunharam contra ela.

Denunciada pelo MPF, a funcionária da Receita teve a prisão preventiva decretada no dia 12 de julho de 2007. Os cinco advogados de Cristina (quem pagou?) foram até o STF com o pedido de habeas corpus, que foi concedido por unanimidade no dia 18 de setembro. Ela deixou a prisão no dia 19. O relator do caso foi o ministro Gilmar Mendes (logo ele?). Cristina foi condenada a 4 anos e 11 meses de prisão pelo sumiço da papelada e por beneficiar indevidamente outras empresas. O juiz também decidiu pela perda do cargo público.


Manuscritos de Che Guevara viram patrimônio da humanidade. A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) incluiu, em cerimônia realizada na sexta-feira (19) em Havana, os escritos do revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara no Programa Memória do Mundo. Com isso, os manuscritos são reconhecidos agora como patrimônio da humanidade.

O Programa Memória do Mundo possui quase 300 documentos e compilações de cinco continentes. Os textos de Che estão entre as 54 novas adições de 2013. Os manuscritos incluem seus “Diários de Motocicleta” e os registros feitos nas montanhas da Bolívia antes de sua execução, em 1967.

O reconhecimento dos manuscritos de Che como patrimônio da humanidade faz com que esses documentos passem a contar com o apoio da Unesco para sua proteção e sua preservação. A viúva, a esposa e o filho de Che também estiveram presentes à cerimônia promovida hoje pela Unesco na capital cubana. (Opera Mundi e Associated Press)

Bolívia acusa Aliança do Pacífico de militarizar a região. O governo da Bolívia anunciou oficialmente sua preocupação com as ações da Aliança do Pacífico na região, particularmente depois que a Colômbia resolveu assinar um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Participando de um Ato Público com a presença do presidente Evo Morales, o ministro Juan Ramón Quintana falou sobre as preocupações do governo e afirmou que “é importante lembrar que a estratégia da Aliança não é apenas um acordo comercial, é uma estratégia política e militar. Sua criação pretende trazer de volta o Consenso de Washington e a ALCA, propostas promovidas pelos EUA”.

“A assinatura de um acordo entre a Colômbia e a OTAN é para que a OTAN tenha uma ‘cabeça de pria’ na América Latina e Caribe. Hoje sabemos e está cada vez mais claro que a OTAN se converteu na grande máquina de destruição de países, de civilizações, de povos inteiros para ficar com seus recursos naturais”, disse ele.

O que é a Aliança do Pacífico? Formalmente criada em junho de 2012, a Aliança do Pacífico é uma pretensa “integração de países para melhorar o acesso recíproco de mercados”. Ou seja, teoricamente seria um novo bloco econômico.

A questão é que a artimanha foi montada em Washington e agrega exatamente os quatro países da região que ainda são capachos estadunidenses: México, Colômbia, Chile e Peru. A idéia é clara: criar um “bloco de aliados” para tentar influir na região.

Na Colômbia, mineiros seguem em greve. Os representantes dos mineiros colombianos e os delegados do governo de Juan Manuel Santos não chegaram a um acordo no encontro de sábado (20) e os trabalhadores já anunciaram que vão continuar a greve e a luta pelo reconhecimento dos seus direitos.

Entre as principais reivindicações está o reconhecimento dos que praticam a mineração artesanal e que seus territórios, onde já trabalham há tanto tempo, sejam reconhecidos,

No Paraguai, jornalista é demitido porque se recusou a manipular discurso de Raúl Castro. Paulo López, jornalista do diário “ABC Color” há cinco anos, foi sumariamente demitido na segunda-feira (15) depois de se recusar a manipular um discurso do presidente cubano, Raúl Castro. Segundo Paulo López, a ordem para colocar na boca de Castro coisas que ele não tinha dito partiu diretamente do próprio diretor do jornal, Aldo Zuccolillo.

As denúncias do jornalista são graves e mostra como são poderosos os empresários da mídia. Segundo seu depoimento, ele recebeu uma ordem de escrever sobre o discurso feito por Raúl, mas alterando suas palavras para dizer que ele estava criticando o sistema político cubano. Depois da demissão de Paulo, o jornal foi para as bancas com uma manchete de capa dizendo “Castro reconhece vícios e defeitos do comunismo”, ou seja, matéria falsificada.

Segundo o jornalista, lendo o discurso do líder cubano pode-se ver que não é isto. Raúl fez uma antiga crítica, já conhecida, de que a burocracia ainda atrapalha as mudanças que estão sendo feitas. Esta é uma questão frequente nos discursos de Raúl, mas nem de longe ele fala contra o sistema social cubano.

Espanha pede desculpas a Evo Morales. Pelo menos isto! Na segunda-feira (15), o governo espanhol pediu formalmente desculpas à Chancelaria boliviana pelo incidente ocorrido com o avião do presidente Evo Morales e disse esperar que as relações bilaterais se mantivessem boas.

A nota da Espanha dirigida à chancelaria da Bolívia foi entregue pelo embaixador espanhol em La Paz, Ángel Vázquez, que lamentou o procedimento do seu homólogo em Viena, Alberto Castro. Morales acusou Alberto Castro de querer inspecionar o seu avião para verificar se viajava consigo Edward Snowden.

“Lamentamos esse fato, apresentamos as nossas desculpas por esse procedimento, que não foi adequado”, diz o documento, que refere ainda que Evo Morales “foi colocado em uma posição difícil e imprópria para um chefe de Estado”.

 
Na Itália, ministra negra é desrespeitada. Um senador do partido da Liga do Norte comparou Cecile Kyenge, primeira ministra negra da história da Itália, a um orangotango. As declarações imediatamente repercutiram nas redes sociais, provocando uma onda de indignação.

Sábado (13/07), durante uma reunião de seu partido em Treviglio (norte), o senador Roberto Calderoli, conhecido por suas declarações polêmicas, declarou que a ministra, de origem congolesa, Cecile Kyenge, "faz bem de ser ministra, mas deveria o ser em seu país (...). Eu me consolo quando navego na internet e vejo as fotos do governo. Adoro animais (...), mas quando vejo imagens de Kyenge, não posso deixar de pensar em suas semelhanças com um orangotango, mesmo que eu não diga que ela seja um deles".

Itália tem 10 milhões de pobres. A informação foi dada em um informe do Banco Central italiano que anunciou também que o PIB italiano terá uma queda de 1,9% em 2013. A informação diz que, em 2012, a Itália tinha 15,8% da população na linha da pobreza.

Para tentar amenizar a notícia, o Banco da Itália garantiu que as coisas vão melhorar no final do ano e que, em 2014, haverá um crescimento de 0,7% no PIB. Mas isto não modificou muito o ânimo dos italianos que já escutam essa “conversa” desde 2009.

Monsanto fora da Europa. Foram muitos anos de protestos populares e resistência dos ambientalistas, mas a vitória valeu. A Monsanto anunciou na sexta-feira (19) que desistiu de plantar sementes com material geneticamente modificado na região. Segundo informações da imprensa europeia, a justificativa oficial da empresa estadunidense é que “a plantação de novos transgênicos na Europa não tem interesse comercial”.

Em maio, a Hungria decidiu eliminar todas as plantações feitas com sementes transgênicas da Monsanto. Na ocasião, foram queimados cerca de 500 hectares das lavouras de milho – equivalente a cinco milhões de metros quadrados. A intenção da queimada era que o país não tivesse nenhum fruto com origem de material geneticamente modificado.

O problema maior é que a decisão agora tomada não altera o fato de a União Europeia continuar sendo uma das maiores importadoras de transgênicos do mundo. De onde se conclui que a Monsanto vai continuar plantando em outras regiões e a América Latina é um terreno cobiçado.

Snowden fala, em Moscou. Ainda sem poder sair do aeroporto de Moscou, onde está aguardando condições de ir para algum país que conceda asilo político, Edward Snowden fez um interessante pronunciamento e destacamos alguns pontos.

Logo no início do documento ele se apresenta: “Olá, meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no Paraíso, e vivia com muito conforto. Eu também tinha a capacidade de, sem qualquer autorização, procurar, tomar e ler as suas mensagens. Na verdade, as mensagens de qualquer pessoa, a qualquer momento. Este é o poder que mudar o destino das pessoas”.

Depois ele esclarece o motivo de ter denunciado o esquema de espionagem do seu país (EUA): “Eu acredito no princípio declarado em Nuremberg, em 1945: ‘Indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de independência’. Portanto cidadãos individuais têm o dever de violar leis domésticas para impedir a ocorrência de crimes contra a paz e a humanidade”.

Quase no final da declaração ele diz o motivo de ainda estar no aeroporto de Moscou: “Anuncio hoje minha aceitação formal de todas as ofertas de apoio e asilo que foram feitas e todas que forem feitas no futuro. Como, por exemplo, a garantia de asilo concedido pelo presidente Maduro, da Venezuela. Minha condição de asilado agora está formalizada e nenhum estado tem base legal para limitar ou interferir com meu direito de desfrutar deste asilo. Porém, como já vimos, alguns países na Europa Ocidental e os Estados Unidos demonstraram sua disposição de atuar por fora da lei, e esta disposição ainda está de pé hoje. Esta ameaça fora da lei torna impossível minha viagem à América Latina para desfrutar do asilo lá concedido segundo nossos direitos comuns”.

Snowden é indicado para Nobel da Paz. Um professor de sociologia sueco indicou Edward Snowden, o ex-analista da CIA responsável pelo vazamento de informações sobre programas de espionagem dos EUA, para o Prêmio Nobel da Paz, em carta endereçada ao comitê organizador e publicada no jornal Västerbottens-Kuriren, da Suécia.

Na carta, Stefan Svallfors escreveu que “Edward Snowden - num esforço heróico com altos custos pessoais - revelou a existência e a dimensão da vigilância que o governo dos EUA dedica às comunicações eletrônicas em todo o mundo, em violação das leis nacionais e dos acordos internacionais”. Para o professor, essa ação “ajudou a tornar o mundo um pouco melhor e mais seguro”.

Navios de guerra estadunidenses estão no Egito. Depois de Israel, o Egito é o país que recebe maiores “ajudas militares” dos EUA. Segundo informe da Câmara de Deputados estadunidense, a ajuda para 2014 será de 1,3 bilhão de dólares!

Curiosamente, depois do recente golpe militar que derrubou o presidente Mohammed Morsi, o governo Obama enviou dois navios de guerra para o litoral do país. “O Egito atravessa uma crise. Quando ocorrem fatos assim, nós devemos garantir aos dirigentes do nosso país a possibilidade de escolher entre várias opções de reação”, disse o general James Amos, comandante do grupo de marines na região.

A violência nos EUA. Muito esclarecedor o estudo do pesquisador Matt Bennett publicado pelo Instituto Brookings, em Washington, nesta semana. O trabalho demonstra que o povo estadunidense possui mais de 50% de todas as armas privadas do planeta! Há mais armas de fogo nos EUA do que em qualquer outra parte do mundo. Segundo a pesquisa, são 88 armas para cada 100 habitantes!

Crianças vão aprender a usar armas. Os alunos de algumas escolas públicas do estado do Missouri (EUA) poderão ter uma nova disciplina na grade curricular, para ensiná-los a usar armas de maneira segura. A medida é o resultado de uma lei aprovada na sexta-feira (17) pelo governador do estado, Jay Nixon, e apoiada pela NRA (Associação Nacional de Rifles dos Estados Unidos, na sigla em inglês).

A lei, apesar de não obrigar as escolas públicas a adotar o programa, conhecido como Eddie Eagle GunSafe e criado em 1988, determina que os colégios que o aplicarem poderão solicitar subsídios financeiros estatais. Além disso, também é exigido dos funcionários que participem de um treinamento de armas ministrado por policiais.

Curiosamente, a medida foi proposta um dia antes do massacre da Sandy Hook Elementary School, ocorrido em dezembro do último ano no estado de Connecticut, provocando a morte de 28 pessoas - 20 delas eram crianças. O projeto também proíbe que tanto os funcionários das escolas quanto os instrutores façam qualquer juízo de valor sobre armas de fogo.

Vão esconder a miséria? O presidente da Comissão da cidade de Miami (é a Câmara de Vereadores deles), Marc Sarnoff, está propondo a prisão de todos os moradores de rua que realizem suas necessidades básicas no centro da cidade. Segundo o autor da proposta, a medida tem como objetivo “evitar que essas pessoas violem a ordem pública” na cidade.

Um grupo de advogados já está trabalhando uma forma de alterar uma norma de 1998 que já estabelece que os policiais podem deter pessoas sem lar ou que dormem em bancos de praça. A norma deve ser alterada para abranger “qualquer pessoa que bloqueie as calçadas, prepare comida em espaço público, jogue lixo nas ruas, etc.

Flórida: vigia que matou jovem negro é absolvido. O julgamento de um crime que chocou os EUA no ano passado terminou como já era de se esperar para aquele país. O ex-vigilante voluntário George Zimmerman, de 29 anos, foi declarado inocente das acusações de assassinato em segundo grau e homicídio involuntário após atirar contra Trayvon Martin, adolescente negro que estava desarmado.

Após 16 horas de deliberações, o júri, composto por seis mulheres, chegou ao veredicto unânime de inocente pelas acusações e o entregou por escrito à juíza encarregada do caso, Debra Nelson. Zimmerman, cuja mãe é peruana, foi acusado de racismo pelos disparos contra Martin. Ele poderia ter sido condenado à prisão perpétua caso fosse declarado culpado de assassinato em segundo grau, e de até 30 anos de prisão pelo de homicídio involuntário.

Trayvon Martin era estudante de bacharelado em um colégio da cidade de Miami Gardens, próxima a Miami. A Promotoria tinha retratado Zimmerman como alguém que “se achava um policial”, que “fez justiça com as próprias mãos”, quando viu Martin caminhando na chuva, e presumiu que o rapaz “não era nada bom”.

Vigília em 100 cidades estadunidenses. O sábado (20) foi marcado por uma grande vigília. Cidadãos de 100 cidades nos EUA resolveram se mobilizar em uma grande vigília e manifestação nacional exigindo justiça para o caso do adolescente negro Trayvon Martin. A “justiça” inocentou o assassino, George Zimmerman.

O reverendo Al Sharpton, um dos líderes da vigília, disse que os manifestantes pretendem fazer reuniões nos dias 23, 24 e 25, em Miami, para iniciar uma campanha contra a legislação existente no estado da Flórida. Já foram recolhidas mais de 11 mil assinaturas em uma petição contra a lei do “atire antes e investigue depois”. O cantor Steve Wonder entrou na campanha e se negou a cantar na Flórida ou em qualquer outro estado onde vigore essa lei.

Filha de Luther King denuncia discriminação. Bernice King, filha de Martin Luther King, declarou que o injustificado assassinato do jovem de 17 anos, executado friamente por um vigilante, é um claro exemplo de como a discriminação racial continua sendo um tema a ser resolvido no país. Ela disse lamentar muito que em seu país ainda exista procedimentos legais diferentes quando se trata de negros e afirmou que nos EUA “existe algum tipo de código secreto através do qual se atua de um modo com os brancos e de outro modo com os negros”.

Crise destrói cidade símbolo do capitalismo. A cidade de Detroit, no Estado do Michigan (EUA), declarou bancarrota e pediu, na quinta-feira (18), a um tribunal federal proteção contra os credores. Detroit sempre foi um símbolo do capitalismo, berço da grande indústria automotiva, e é a maior cidade estadunidense a declarar falência, segundo a imprensa local.  

A cidade que serviu de “lar” para a Ford, para a GM e para a Chrysler vem enfrentando uma forte crise nos últimos anos. A população da cidade “encolheu” para 700 mil habitantes, frente ao 1,8 milhão que chegou a ter em seu auge, em 1950. O governo municipal tem sido alvo de casos de corrupção, e os reduzidos investimentos em iluminação e serviços de emergência deixaram a cidade com dificuldades de policiamento.

Desde 2010, quando se materializaram os efeitos da grande crise, oito condados e cidades entraram com pedido de concordata nos EUA, segundo o Governing Institute. Até agora, porém, os maiores casos eram os de Jefferson, no Alabama, com US$ 4 bilhões em dívidas; e de Stockton, na Califórnia, por número de habitantes (três mil, menos de 0,5% da população de Detroit).

Há 78 mil prédios comerciais abandonados por toda a cidade e, todos os anos, 13 mil residências deixam ter moradores. Neste quadro de asfixia, a base fiscal municipal encolheu muito e Detroit passou a não fechar mais as contas há cinco anos, recorrendo freneticamente à emissão de títulos para cumprir obrigações.

 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Entrevista com um Juiz corajoso


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http://www.youtube.com/watch?v=KR5y5ypq13Q

Filme MPL-RJ

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http://vimeo.com/68449962

Há que derrotar o oligopólio informacional

Há que derrotar o oligopólio informacional
 
12 julho, 2013 - 14:04 —
 
Aos grandes meios não há que pedir melhorias, há que tomá-los! Como? Essa pergunta ainda não tem resposta, mas é para ela que temos de caminhar
 
por Elaine Tavares/Brasil de Fato 12/07/2013
 
O Primeiro Seminário Unificado de Imprensa Sindical, promovido por um grupo de sindicatos de Florianópolis, partiu de uma pergunta, praticamente retórica: por que os trabalhadores não são notícias? Ora, essa questão tem uma resposta óbvia. Vivemos em processo de luta de classe no sistema capitalista que é predador. E, nesse sistema, quem detém o poder é quem determina o que sai na imprensa.
 
A mídia comercial nada mais é do que uma ventríloqua do sistema. Através das bocas alugadas sai a matéria prima que sustenta a classe dominante. Por isso, as lutas dos trabalhadores não interessam à mídia, a não ser como possibilidade de sujar, embaralhar e enganar a população. Trabalhadores em luta são sempre vândalos, baderneiros, bando. Agora, nos protestos das últimas semanas, em Santa Catarina, ouvimos o coronel da polícia dizer claramente: "protegemos os manifestantes porque não são sindicatos, nem movimentos de trabalhadores, é a sociedade". Ora, e o que são os trabalhadores senão a sociedade? Para a classe dominante não. Assim, compreendendo isso parte do problema se esclarece.
 
Os trabalhadores não são notícia porque suas lutas não interessam ao sistema. Dito melhor, essas lutas, que aparecem como desestabilizantes, precisam ser escondidas ou deturpadas. Por isso aparece quase como uma ingenuidade a ideia de "mais democracia" nos meios de comunicação. Aos grandes meios não há que pedir melhorias, há que tomá-los! Como? Essa pergunta ainda não tem resposta, mas é para ela que temos de caminhar.

Nesse universo de controle oligopólico da informação por parte dos meios comerciais - seis famílias ou grupos controlam tudo que vemos, lemos e escutamos -  estamos nós, os chamados meios alternativos, populares ou comunitários. E a pergunta que se faz necessária é: disputamos, de fato a hegemonia? Uma rádio comunitária, como é o nosso caso do Campeche, que poder tem diante do oligopólio? Como constituir uma audiência que de fato dispute com o Jornal do Almoço ou o RBS Notícias? Podemos fazer isso ou apenas atuamos na resistência?.

A Rádio Campeche se diferencia de muitas rádios comunitárias porque foi criada desde a luta mesma. Nasceu da articulação orgânica de vários movimentos que já atuavam no bairro do Campeche na luta pelo plano diretor, pelo saneamento, pela qualidade de vida. Esses movimentos foram os que decidiram criar a Associação Radio Campeche. Então, ela é fruto legítimo da organização comunitária. Está no ar, 24 horas, desde 2004, embora tenha iniciado sua programação ao vivo só em  2006. Tenho o privilégio de fazer parte do grupo que instituiu o primeiro programa ao vivo, o Campo de Peixe, no ar até hoje.

 
Nossos programas abrem os microfones para a comunidade e tudo que acontece no sul da ilha passa por ali, embora não tenhamos um programa específico de jornalismo diário. Ainda assim, todos os programas ao vivo tem o compromisso de trazer a voz da comunidade. Alguns conseguem mais outros menos.Tivemos momentos importantes no bairro que mostram a força da rádio, como no caso do "Bar do Chico", espaço histórico da comunidade que foi derrubado pela prefeitura. Nos dias em que vinham as máquinas, havia uma chamada à população pelos microfones da rádio, as gentes acorriam ao bar, protegendo-o, e isso impediu muitas vezes que a prefeitura o colocasse no chão. Tanto que só conseguiram fazê-lo porque trouxeram as máquinas de madrugada, quando a comunidade dormia.
 
Também quando ocorrem grandes chuvas e alagamentos, os líderes comunitários aportam na rádio para informar e organizar a comunidade. São coisas que definem o nosso trabalho. Mas, sabemos que 30 segundo no RBS Notícias podem por abaixo todas as informações que divulgamos durante os programas. Um exemplo disso foi a luta que travamos contra a destruição de parte da mata atlântica para a realização de um show do cantor estadunidense Ben Harper.
 
Durante semanas fizemos campanha contra a derrubada das árvores, pela segurança das gentes e tivemos o apoio da comunidade. Mas, a entrada da RBS no tema fez com que muita gente se voltasse contra nós, acusando-nos de "contra o progresso". Conseguimos barrar a derrubada das árvores, mas o show aconteceu.Nesse sentido é importante ressaltar que os meios de comunicação comunitários são importantes, é fato, mas, sozinhos, não conseguem competir com eficácia diante da alienação e confusão provocadas pela grande mídia. Nossa única chance como meios alternativos e comunitários é unir as forças e potencializá-las. Essa outra informação, que forma, que contextualiza, que esclarece, precisa estar em rede. Temos de reproduzir uns aos outros, formar grupos, replicar as notícias de cada um. Isso funciona em alguma medida, mas não é suficiente. A verdadeira saída é controlar os meios massivos. E, para isso, o desafio maior é o de mudar o estado, avançar para uma democracia participativa. Vai daí que essa é uma luta gigante a ser travada.

A
gora estamos aí discutindo a lei de meios. Essa novidade começou com a Venezuela em 2004 , quando criou uma lei específica da comunicação que foi uma revolução no setor. Mas a Venezuela estava em processo de transformação, com o povo organizado e nas ruas, querendo mudança. Tanto que levaram dois anos discutindo, com ampla participação das gentes, o que resultou numa lei extremamente completa e democrática. Depois vieram leis similares na Argentina, na Bolívia, no Equador. Todos esses países estão em processo de transformação da forma de ser estado, com ampla participação popular nos debates, com movimentos sociais muito fortes, gente com poder de decisão.

No Brasil estamos tentando dar foco nessa questão, mas qual é a nossa chance? Temos uma Federação de Jornalistas extremamente formalista, sem perfil popular, que não encaminha lutas no chão da vida. Temos o fórum de democratização da comunicação e o Intervozes que estão nesses debate, mas são financiados por fundações estrangeiras, do tipo Ford. Isso é problemático, uma vez que sabemos muito bem qual é o papel dessas fundações estadunidenses no mundo: desmobilizar, desfazer, desestruturar.
 
Temos um Congresso Nacional dos mais conservadores, com ampla bancada de proprietários de meios de comunicação. Assim, como vamos avançar para uma lei de meios se não tivermos uma sociedade em ebulição como é o caso dos países já citados? Se esse debate não se encarnar na vida real, nos movimentos sociais, nos sindicatos, corremos o risco de construir uma lei de meios minotáurica, disforme, formal, não revolucionária.Então, o papel dos trabalhadores e imprensa sindical é bem mais importante do que apenas compreender como fazer as notícias das lutas saírem nos jornais. Enquanto esses jornais, rádios e TVs estiverem na mão da classe dominante nada vai mudar. É preciso dar combate para construir uma outra forma de ser estado, com verdadeira participação popular. O Vito Gianotte tem falado aí há anos sobre isso, sobre os sindicatos se unirem e construírem veículos massivos de comunicação, mas a gente vê que a coisa não avança. Poucos usam dos seus meios de comunicação para tratar de assuntos fora do mundo do trabalho. Preferem apostar em proselitismo, em discursos vazios.
 
Os trabalhadores precisam de informação de qualidade, de análise sobre o que acontece no mundo, na aldeia. Eles não são otários. E temos de dar a eles uma "fina iguaria", como dizia o grande repórter Marcos Faermann. Mas, fundamentalmente temos de dar batalha a esse estado, fomentar a rebeldia, a desconstrução, a transformação. Sem isso, só faremos remendos...
 
Elaine Tavares é jornalista
 

 
 
 
 
 


Por debaixo dos panos...

Gurgel sofre novo revés e precisará explicar licitação para tablets da Apple

17/7/2013 11:52
Por Redação - de Brasília


PT
Gurgel, o procurador-acusador, optou por avançar primeiro no mensalão do PT
Taxado de “prevaricador”, em discurso do senador alagoano Fernando Collor de Mello (PR) na Tribuna do Parlamento, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sofreu um novo revés na noite passada,  perante o Supremo Tribunal Federal, ao qual apelou para não apresentar, publicamente, os relatórios de despesas de sua gestão. Gurgel é acusado por Collor de fraudar uma licitação para compra de tablets da marca Apple.
O Conselho Nacional do Ministério Público, que fiscaliza a procuradoria, agora terá acesso aos dados, por ordem da ministra Carmen Lúcia, que indeferiu seu pedido por falta de transparência. A ministra manteve, assim, decisão anterior do colega Teori Zavascki, que já tinha negado pedido de liminar de Gurgel para o caso.
Gurgel alega que o pedido de informações não poderia partir de um só conselheiro, sem qualquer denúncia que o embase. O autor do requerimento de informações é Luiz Moreira. Ele é amigo de José Genoino (PT-SP), e por isso procuradores ligados a Gurgel apontam retaliação por causa do mensalão. Moreira diz que apenas cumpre seu papel fiscalizador.
Licitação suspeita
A Procuradoria Geral da República (PGR) realizou licitação no final de 2012 para a compra de 1226 tablets – 1200 para a PGR e 25 para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em um certame viciado para que a empresa Apple Inc., com sede nos EUA e representantes no Brasil, vencessem os demais concorrentes e faturasse uma quantia superior a R$ 2,9 milhões, segundo denúncia publicada pelo jornalista Renato Rovai em sua página, na internet.
“Não se discute a importância dos aparelhos para o exercício da função dos procuradores, o interessante foi como o edital para compra pelo órgão comandado pelo senhor Roberto Gurgel foi produzido para que a vitoriosa no processo fosse a Apple”, afirma o editor da Revista Fórum.
“A Lei de Licitações determina que marcas não podem ser citadas em editais de compras públicas, mas o edital da licitação da PGR (141/2012) cita a Apple ao menos duas vezes e exige tecnologias que só a empresa detém, o que inviabiliza a participação de qualquer outra fabricante. Ou seja, como se diz no universo das concorrências, a licitação foi dirigida. Nas especificações técnicas para os tablets licitados, o edital determina que o aparelho precisa possuir a tecnologia ‘Tela Retina’, que é exclusiva da Apple e que venha equipado com o chip Apple A5X dual core, fabricado apenas para produtos da marca”, acrescentou.
No Senado, o indicado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Vladimir Barros Arras, foi vetado pelo plenário.




Extraído do Correio do Brasil