terça-feira, 31 de maio de 2016

Onde foram parar as pesquisas do Datafolha e do Ibope?

Onde foram parar as pesquisas do Datafolha e do Ibope? Por Paulo Nogueira



Postado em 31 May 2016
Desaparecidas
Desaparecidas
Onde foram parar as pesquisas?
Na campanha movida contra Dilma pela imprensa, elas foram um elemento vital. Datafolha e Ibope produziam pesquisas em larga quantidade, e elas iam imediatamente dar nas manchetes de jornais, telejornais e o que mais for. Colunistas das grandes empresas jornalísticas — os chamados fâmulos dos patrões — se regozijavam em repercuti-las.
O público mais influenciado por Globo, Folha e congêneres — os analfabetos políticos ou midiotas — babava agarrado aos números.
E eis que elas sumiram.
Por uma razão: interessava à imprensa minar Dilma. E agora interessa proteger Temer.
Conheço de dentro o mundo dos Marinhos e dos Civitas. Suspender pesquisas é uma coisa que os patrões podem combinar com meia dúzia de telefonemas.
É um momento delicado para os golpistas enfrentarem os resultados certamente péssimos para Temer. Senadores podem achar mais conveniente bater em retirada do golpe caso fique claro que os eleitores desprezam Temer e seu governo de corruptos.
Bastam apenas três votos para que o afastamento de Dilma seja revisto e Temer enxotado.
Os barões detestariam isso. Temer representa o livre acesso deles ao dinheiro público. Publicidade federal, financiamentos do BNDES, este tipo de coisa e outras mais.
Lembremos que Temer colocou Maria Sílvia na presidência do BNDES. No passado, cerca de dez anos atrás, ela foi contratada pela Globo para defender que o BNDES socorresse (sempre com recursos do contribuinte) as empresas de mídia, então quebradas.
Se Temer estivesse brilhando, estaríamos engolindo pesquisas sobre pesquisas na imprensa.
O silêncio agora diz o que a ausência de levantamentos esconde.
Nestes dias, a Folha escreveu num editorial que Gilmar Mendes deveria ao menos preservar as aparências.
Lindo isso. Há anos, Gilmar debocha da sociedade — e da civilização — ao se comportar como um torcedor de arquibancada na suprema corte sem que a Folha jamais falasse nada.
Mas agora ela pediu cuidado pelo menos com as aparências. Ela deveria olhar para o espelho e dizer o mesmo a si própria.
A supressão das pesquisas do Datafolha é apenas mais um sinal de que a Folha passou a fazer propaganda política conservadora nos últimos anos — e não jornalismo.
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Novo líder do governo no Senado, Aloysio Nunes é mais um citado na Lava Jato

Novo líder do governo no Senado, Aloysio Nunes é mais um citado na Lava Jato

Postado em 31 de maio de 2016 às 2:55 pm

Do Extra:

Confirmado como novo líder do governo de Michel Temer no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) é mais um nome escalado pelo presidente em exercício que é alvo da Operação Lava Jato.
Aloysio teve seu nome incluído em um inquérito do STF (Supremo Tribunal federal), em fevereiro, pelo ministro Celso de Mello. Apesar do inquérito em que o senador aparece não fazer parte dos arquivos da Lava Jato, seu nome foi citado na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, realizada no âmbito da operação da PF. O inquérito, que também conta em suas linhas com o nome do ex-ministro do governo Dilma Aloizio Mercadante, segue em sigilo na Corte.
O nome de Aloysio foi incluído no inquérito a pedido da Procuradoria-Geral da República. “O pagamento de vantagens pecuniárias indevidas a Aloysio Nunes Ferreira e Aloizio Mercadante pelo grupo empresarial UTC, em valores em espécie e inclusive sob o disfarce de doação eleitoral ‘oficial’ pode configurar os crimes de corrupção passiva ou de falsidade ideológica eleitoral e de lavagem de dinheiro”, escreveu a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, ao STF em novembro de 2015.
Aloysio foi candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, derrotado nas eleições de 2014. Filiado ao Partido Comunista no período da ditadura militar, o senador está no PSDB desde 1998. Foi secretário-geral da Presidência e ministro da Justiça durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2010, foi eleito para o Senado por São Paulo com cerca de 10,5 milhões de votos.

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Fonte: DCM

A autonomia total da PF é mais um monstro legado por Cunha na aprovação do impeachment.

A autonomia total da PF é mais um monstro legado por Cunha na aprovação do impeachment. Por José Cássio



Postado em 31 May 2016
por : 
pf-lava-jato


Nesta quarta-feira, 1° de junho, quando os delegados apresentarem a lista tríplice com nomes para ocupar o cargo de diretor-geral da Polícia Federal tem início o primeiro round da luta da categoria para se impor diante do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e do governo interino de Michel Temer.
O segundo round, mais importante até que indicação do diretor-geral, é a batalha dos delegados pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 412) que está parada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos deputados desde que Eduardo Cunha foi afastado da presidência pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A PEC 412 vende a ideia de “autonomia funcional, administrativa e financeira” da PF. Na verdade, trata-se de manter a instituição sob o domínio exclusivo dos delegados.
Sua tramitação sinaliza uma crise na corporação que os dirigentes insistem em negar: um conflito interno envolvendo delegados e os demais policiais escrivães, peritos, papiloscopistas e agentes.
“Queremos apoio a esse projeto porque, sem interferências financeiras, orçamentárias e administrativas, temos melhores condições para ter autonomia nas investigações”, defende o diretor regional da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) no Distrito Federal, Luciano Leiro.
“Autonomia investigativa nós já temos”, rebate o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens, que representa agentes, escrivães, servidores da área administrativa e papiloscopistas. “O que essa PEC pode fazer é resultar na criação de um verdadeiro monstro, de um quinto poder no país”.
Dentro da PF, o comentário é de que os delegados têm interesse na mudança da lei para, no comando das chefias, poderem entre outras atribuições direcionar o quê, como, quando e quem investigar.
O racha na corporação acentuou-se a partir de 1996 quando todos os cargos de policiais federais passaram a exigir, por lei, formação universitária.
A medida resultou numa melhora no quadro de servidores – e funções de chefia passaram a ser desempenhadas por outros policiais e servidores administrativos.
As investigações melhoraram e isso incomodou os delegados que acabaram se sentindo ameaçados em seu status – para complicar, tiveram de compartilhar a mesma remuneração dos outros cargos de “nível superior”.
Os demais policiais começaram a reivindicar uma definição legal de suas atribuições, melhores salários e meritocracia. Na tentativa de tornar as atividades de polícia mais céleres e eficientes, passaram a criticar abertamente o excesso de burocracia e o papel de juristas que pretendem os delegados.
É daí que vem o racha que culminou com a crise.
Para contrapor o argumento dos demais policiais, os delegados iniciaram uma política interna de tirar das chefias todos que não fossem delegados. Até áreas de logística, recursos humanos e grupo tático passaram a ser chefiadas por representantes da categoria.
A vendida “autonomia administrativa, orçamentária” da PEC 412 daria aos delegados o poder de definir os valores dos seus e de todos os subsídios (salários) pagos no órgão, criar gratificações (“bônus” moradia, paletó, etc).
Aos delegados caberia fazer ou não concurso para determinado cargo e criar novos. Também poderiam direcionar qual área de atuação, dentre as várias da PF, que receberia mais ou menos recursos.
Os críticos da medida lembram que a PF não é somente polícia judiciária.
É também polícia administrativa – cuida de assuntos como armas, produtos químicos, segurança privada, fronteira, drogas, imigração, passaportes e estrangeiros -, e essas áreas notadamente não necessitam ser ocupadas por delegados.
Profissionais da corporação que não aceitam essa ideologia de “superioridade” dos delegados, segundo relatos de funcionários, “são perseguidos e não têm a quem recorrer, salvo as entidades de classe”.
Esses funcionários contam que há histórias de policiais que se suicidaram e outros que sofrem sistematicamente assédio moral por não concordarem com a iniciativa.
A proposta, que repousava numa gaveta qualquer da Câmara desde 2009, ganhou fôlego no processo de troca de favores organizado pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que “vendeu” (http://migre.me/tYD7m) aos delegados deputados da Casa a facilidade da tramitação em troca do voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Por essa estratégia, a relatoria na Comissão de Constituição e Justiça acabou no colo de João Campos (PSDB GO), delegado civil e parceiro de Fernando Francischini (Solidariedade PR), delegado da polícia federal e principal articulador da Emenda no Congresso.
Sem Cunha, eles agora apostam em duas outras frentes para garantir a aprovação: no temor popular de pararem com a Lava Jato para pressionar a opinião pública e nos dossiês e vazamentos seletivos de grampos para chantagear parlamentares investigados pela Justiça – neste caso, vale a máxima de que, em se tratando de política e Polícia Federal, nada é de graça.
Procura-se pactuar com os congressistas. Não sendo possível, pressiona-se. Não dando resultado,  chantageiam. Por fim, então, usa-se a máquina em desfavor.
O ressurgimento da PEC da “Autonomia”, como defendem os delegados interessados, ou da “Chantagem”, como preferem os críticos, é só mais um problema que Temer herdou a partir dos compromissos assumidos por Eduardo Cunha para garantir o golpe.
Quanto à lista tríplice para a escolha do delegado-geral, que será apresentada nesta semana, o ministro interino da Justiça já se manifestou contrário.
“Eu sou favorável à autonomia de cada delegado, de cada agente para exercer a sua função”, disse Alexandre de Moraes em entrevista. “A diretoria da PF acha a lista tríplice necessária? Os superintendentes acham que ela é necessária? Não. Na verdade, quem acha que é necessária é só a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal.”
A pergunta a se fazer é: Temer vai novamente desautorizar o seu ministro da Justiça, nomear o delegado-geral indicado pela categoria e ainda bancar o acordo assumido lá atrás por seu comparsa Eduardo Cunha?
Em poucos dias, as respostas para essas perguntas virão à tona, inevitavelmente.
E você, leitor do DCM, terá pelo menos uma vantagem em relação aos funcionários da PF: seu computador não está “impedido” de abrir as nossas páginas para conferir o desfecho dessa novela, à exemplo do que acontece nos prédios onde se reúnem os homens responsáveis por combater os crimes de corrupção no país.

Fonte:DCM

A confusão de Temer com o ministro da Transparência mostra que ele não sabe lidar nem com seus bandidos.

A confusão de Temer com o ministro da Transparência mostra que ele não sabe lidar nem com seus bandidos. Por Kiko Nogueira



Postado em 30 May 2016

Michel Temer avisou à tarde que não vai demitir Fabiano Silveira do ministério da Transparência, nome que é uma piada pronta. No começo da noite, Silveira subiu no telhado.
Fabiano Silveira, como se sabe, apareceu nos grampos de Sérgio Machado orientando Renan, o próprio Machado e advogados sobre a Lava Jato e a PGR.
Na época, fevereiro, ele era do Conselho Nacional de Justiça. Os diálogos seguem o padrão do que vem sendo divulgado na trama do golpe: uma mistura de desfaçatez e picaretagem mais antiética que negociação na cracolândia.
Num teatrinho da semana passada, o interino bateu a mão na mesa, lembrou de seu passado como secretário de secretário de Segurança Pública em São Paulo, falou alguma platitude sobre não ter compromisso com o equívoco e mandou uma frase que já entra para a história pelos motivos errados: “Eu sei lidar com bandido”.
Isso é inegável. Silveira é indicação de Renan e Temer não mexeria na cota de Renan Calheiros. Ele depende do amigão para aprovar suas pautas econômicas e, obviamente, tocar o impeachment de Dilma Rousseff.
Para os otários e mal intencionados que venderam um Richelieu, um articulador, um homem capaz de, como definiu Delfim Netto, fazer tricô com quatro agulhas — sabe-se lá que cazzo isso significa —, o ex-vice decorativo está se saindo uma tragicomédia.
Montou um ministério com sete investigados na Lava Jato, um clube do bolinha versão siciliana, arrumou encrenca com artistas, matou e ressuscitou o MinC, desautorizou a equipe, tudo em duas semanas.
Essa última manobra naufragou. Chefes regionais do ministério estão entregando seus cargos. Servidores invadiram com vassouras o gabinete do chefe. No Senado, Simone Tebet avisou que não assumirá a liderança do PMDB porque “não acha que é o momento de arcar com tal responsabilidade”: ela quer o afastamento do titular da pasta.
Como fez com Jucá, o Globo pediu a cabeça de FS num daqueles editoriais feitos para Temer engolir o choro e obedecer. Silveira deve morrer para a farsa prosseguir. O governo natimorto vai se arrastar até Michelzinho, um fenômeno do mercado imobiliário, mandar parar que ele quer descer.
 Fonte: DCM

Em Nova York, acadêmicos fazem protesto contra golpe no Brasil


Em Nova York, acadêmicos fazem protesto contra golpe no Brasil

Organizada pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, manifestação foi realizada na abertura de congresso de estudiosos especialistas em América Latina
Centenas de acadêmicos especializados em América Latina protestaram na sexta-feira (27/05), em Nova York, nos Estados Unidos, contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff, em processo que classificaram como golpe de Estado.
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A manifestação, organizada pelo Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), foi realizada na abertura do congresso da LASA (Associação de Estudos Latino-Americanos), uma associação formada por mais de 12 mil indivíduos e instituições que se dedicam ao estudo da região.
Vestidos com camisetas pretas com a inscrição “Brasil. A democracia de Luto. Não ao golpe”, os intelectuais gritaram “Fora Temer!” e rechaçaram governo interino.
Em entrevista à agência France Press, o secretário-executivo do Clacso, Pablo Gentili, disse que o espaço acadêmico oferecido pela Lasa foi “uma oportunidade para denunciar, de maneira veemente, o que acreditamos ser um novo golpe de Estado na América Latina".
 

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Na quinta-feira (26/05), o conselho diretivo da Lasa havia aprovado por unanimidade uma moção de repúdio ao golpe no Brasil, decisão que foi anunciada no início do congresso.
Convidado como palestrante do evento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação na sexta-feira. Em carta enviada à organização, ele disse que discursaria para “mentes radicais”.
“Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”, escreveu o ex-presidente.
No final de abril, 162 membros da entidade latino-americana e 337 pesquisadores não associados pediam o cancelamento da conferência de FHC, afirmando que o ex-presidente teria tido influência no processo de impeachment que afastou Dilma Rouseff da Presidência do país.
Na petição, os intelectuais afirmaram que “ao convidar o ex-presidente para falar sobre a evolução da democracia exatamente num momento de fragilidade da democracia brasileira, quando o próprio Cardoso, bem como o partido em que ele ocupa um papel central, não hesitou em pôr em perigo a paz doméstica e os mecanismos básicos da democracia como a Constituição, a Lasa estaria desrespeitando estudiosos que têm lutado para constituir uma estabilidade democrática na região nos últimos 50 anos”.