Um escárnio ele ser pré-candidato à presidência!
Um enorme desrespeito às famílias dos mortos e deaparecidos e aos milhares de torturados!
http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/242906/Mais-motivo-para-cassa%C3%A7%C3%A3o-%E2%80%9Cerro-da-ditadura-foi-torturar-e-n%C3%A3o-matar%E2%80%9D.htm
CASSAÇÃO JÁ DE BOLSONAZI !!!
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Ana B-Miranda
segunda-feira, 11 de julho de 2016
OPERAÇÃO 'SALVA CUNHA QUE ELE CALA'
Corps du message
Se não divulgarmos, esse traste sai impune mais uma vez e nós saímos... Aliás, foi para manter esses acordos de impunidade e usufruto eternos, que envolvem o pagamento (50 bi) pelo impeachment definitivo da Dilma e o governo sob a tutela dessa gangue, que todo esse circo foi montado.
Tânia Franco
OPERAÇÃO 'SALVA CUNHA QUE ELE CALA'
(Espalhe, por favor: é um disparate!!!)
Está em curso, na Câmara dos Deputados, uma 'operação' espúria para preservar o mandato parlamentar de Eduardo Cunha - o que lhe garante o foro privilegiado nos inquéritos por grossa corrupção, em que é réu. E o silêncio em relação aos seus aliado$ (a moeda de troca que lhe restou).
Há etapas já cumpridas e outras por cumprir nessa jogada suja:
1- acerto entre Michel Temer e Cunha, no Jaburu, em reunião fora da agenda, domingo à noite (26/6), para que o deputado réu renunciasse em troca de 'solidariedade discreta e efetiva';
2- acatamento, por Ronaldo Fonseca (PROS/DF), aliado de Cunha, do pedido de anulação da votação de sua cassação pelo Conselho de Ética;
3- adiamento da apreciação desse recurso pela CCJ, pelo seu presidente Serraglio (do PMDB de Cunha), de 2a para 3a;
4- tentativa de se fazer, no mesmo horário, a eleição para presidente da Câmara, inviabilizando a CCJ;
5- aditamento de Cunha, agora ex-presidente, ao seu recurso na CCJ, pedindo que Serraglio devolva ao Conselho de Ética o seu caso, pois agora não é mais presidente e fora julgado como tal. Serraglio pediria o parecer de Fonseca sobre isso e os dois, APENAS OS DOIS, decidiriam (talvez ainda hoje) devolver o caso Cunha ao Conselho, para se refazer tudo;
6- eleição de um presidente da Câmara aliado a Cunha, que terá o compromisso de protelar ao máximo seu julgamento pelo plenário da Casa, quando ele voltar do Conselho;
7- aprovação da 'pena alternativa', em plenário - em agosto, ou setembro, ou depois das eleições de outubro - , de suspensão do mandato por três meses;
8- com mandato e sem o abandono dos aliados, Cunha não denunciaria tudo o que sabe e de que participou, que envolve boa parte da casta política dominante, a começar pelo PMDB governista.
9- REAJA, DENUNCIE ESSE CAMBALACHO SEM TAMANHO!
Torpe manobra (até regada a lágrimas...)
“Gente estúpida, gente hipócrita”!!!
(Gilberto Gil – “Nos Barracos da cidade”)
Clique aqui e ouça a música e veja a letra.
CF 2016 - Casa comum, nossa responsabilidade / "Quero ver o direito brotar como fonte e rolar a justiça qual riacho que não seca". (Amós 5,24)
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Reajuste do servidor e 14.000 novos cargos: austeridade de Temer em xeque
Especialistas afirmam que atitude afeta credibilidade do presidente interino no mercado e deteriora sua imagem perante a sociedade
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São Paulo 4 JUN 2016 - 02:19 CEST
Ao mesmo tempo que o presidente interino Michel Temer obteve uma importante vitória para o seu Governo na Câmara, aprovando, por maioria qualificada, um projeto de desvinculação de receitas que lhe dará mais fôlego para administrar o rombo das contas públicas, um mal estar se instalou pela contradição entre outras medidas aprovadas na mesma leva e as promessas de austeridade do novo Governo. A aprovação ocorreu na mesma sessão que autorizou o reajuste salarial de servidores do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, uma medida que deve tirar 52,9 bilhões de reais do caixa do Governo até 2018, um terço do cheque especial dos cofres públicos. Na sequência, a Câmara aprovou ainda a criação de 14.419 cargos públicos federais, três vezes mais do que ele prometeu cortar em cargos comissionados como indicativo da disposição da gestão de cortar na própria carne.
O Ministério do Planejamento insiste que nenhuma dessas medidas terão impacto para as contas públicas. O reajuste, segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do órgão, “já estava previsto no orçamento”. Já os novos cargos não aumentariam os gastos públicos porque serviriam para substituir postos vagos nos últimos anos. Entretanto, eles não estavam previstos no orçamento de 2016, o que significa que haverá, sim, um custo extra para as contas deste ano caso os concursos públicos para os postos sejam abertos. Diante da repercussão negativa, a gestão Temer diz que os concursos estão suspensos.
Para economistas, o recado dado nas sessões da Câmara foi bastante claro: Temer está preso em uma “camisa de força” do Congresso, o que pode, além de irritar a opinião pública convidada a fazer "sacrifícios" por causa da crise, afetar um ativo caro a gestão: a confiança do mercado financeiro. “O país está na UTI. Dada a gravidade da situação das contas públicas, o mercado passa a olhar o Governo com mais ressalvas. Todo ajuste fiscal é uma prova de resistência com obstáculos, mas não temos hoje muita margem para erros”, afirma Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.
“Parece que o Temer não tem escolha a não ser fazer concessões para manter sua base, ainda mais porque o próprio processo do impeachment não terminou”, diz ela. Alguns dos senadores que se diziam favoráveis ao impeachment de Dilma estão voltando atrás, o que ameaça a permanência de Temer na presidência e reduz seu poder de barganha no Congresso. A fragilidade potencial por causa da Operação Lava Jato parece levar o Planalto a preferir pagar o preço político das medidas a tentar possíveis bombas, como greve do funcionalismo.
O economista André Nassif, da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade Federal Fluminense, pondera que esse “pacote de bondades do Temer” desemboca num efeito cascata perigoso para a contenção dos gastos tanto em esfera federal quanto estadual e municipal. “Quando se aumenta o teto do funcionalismo público, medido pelo salário dos juízes federais, você dá poder de negociação para categorias que estavam próximas a esse teto nas esferas estaduais e municipais também. Os governadores e prefeitos, inclusive, já estão ensaiando a moratória de suas dívidas com a União, pois não têm dinheiro para cumprir nem com os gastos que já estão dados”, destaca o economista.
O reajuste dos servidores federais começará a valer em julho deste ano. Ainda estão na mesa negociações reajustes para outras categorias, como os auditores da Receita Federal, delegados da Polícia Federal, médicos do INSS, entre outros com forte poder de pressão. Os impactos de um eventual aumento para esses profissionais ainda não são possíveis de mensurar.
Pior do que a mensagem de que a contenção dos gastos públicos não estaria realmente no topo da lista de prioridades do Governo, é a mensagem que fica para o resto da sociedade. “As medidas aprovadas têm um simbolismo muito pesado para a sociedade. Ao mesmo tempo que o Governo defende cortar gastos com saúde e educação por intermédio da DRU, ele aumenta o salário de uma camada da população que não precisa desse reajuste agora, já que ganha mais de 30 mil reais por mês”, afirma Nassif. “O timing não poderia ter sido pior para esse reajuste”, complementa. Ele lembra que o acordo com as categorias beneficiadas pelos projetos da Câmara nesta quinta começou no Governo da presidenta afastada Dilma Rousseff, mas não havia sido concluído. Nesse sentido, sob o argumento do ajuste fiscal, o presidente interino poderia ter renegociado com os servidores um reajuste posterior.
Déficit elástico
“Os valores financeiros são o que menos importa. A atitude do Governo nos levou a questionar se o próprio déficit de 170 bilhões é legítimo”, alega. Segundo o economista, as primeiras declarações que Temer deu ao mercado logo que assumiu a presidência interinamente davam o recado de que o tombo projetado pela equipe de Dilma Rousseff era irreal e subestimado e, por isso, precisava ser reajustado para cima. “Agora, começamos a nos perguntar se esse déficit, elevado de 96 bilhões para 170,5 bilhões, já não inclui uma espécie de ‘licença para gastar’ com a conta do impeachment”, diz.
Alexandre Motta, ex-diretor da Escola de Administração Fazendária, do Ministério da Fazenda, concorda. “O reajuste é um contrassenso ao discurso de austeridade. A mensagem que fica é a de que o controle dos gastos será feito pela base, ou seja, só a sociedade pagará”, afirma. Para o economista, especialista em finanças públicas, tanto a aprovação da DRU quanto o reajuste do teto dos servidores públicos prejudicam a população mais pobre. “Você tira da sociedade, por meio da DRU, serviços públicos dos quais ela depende muito, como saúde e educação e, ao mesmo tempo, reduz a margem para elevar gastos com programas sociais, aumentando gastos com o funcionalismo, um setor que é, sabidamente há muitos anos, um vilão das contas públicas”, analisa.
Além disso, Motta ressalta que o “efeito multiplicador” do reajuste do teto salarial dos servidores federais é limitado e insuficiente para ajudar na retomada do crescimento econômico. “Quando uma pessoa que ganha muito recebe um aumento, esse adicional não irriga em nada o consumo, ainda mais em tempos de crise. O que multiplica consumo em país em desenvolvimento é educação, emprego, renda”, justifica.
Lua de mel com o mercado
As medidas aprovadas na Câmara deixam o mercado receoso em relação à capacidade do presidente interino em resolver a crise econômica, mas ainda não azedaram a "lua de mel" entre eles. Zeina Latif, da XP Investimentos, “o timing da política e da economia são diferentes. Mas o reajuste poderia ter sido negociado de maneira diferente. Ninguém está negando aumento. Ele só não poderia ocorrer agora”, pondera a economista.
Para André Nassif, mudanças estruturais são imprescindíveis para o país, como a reforma da Previdência, mas não deveriam estar na pauta de um Governo interino. “Seria melhor esperar o cenário político se definir e ir aprovando medidas de menor impacto social”, afirma. “Congelar os gastos públicos pela inflação é sandice. Não faz nenhum sentido mudar a Constituição, pois você não consegue estabilizar aumento de despesa sem mexer nos gastos obrigatórios previstos em lei, se o problema da economia é transitório”, complementa.
O mercado, na visão de Nassif, ainda não perdeu totalmente a confiança no governo, mas esse cenário não está longe de acontecer caso a conduta atual permaneça. “O presidente interino é muito instável para tomar decisões. Corta ministério e volta atrás. Congela despesa social e volta atrás. Nomeia um ministro e no dia seguinte aparece um áudio relacionando o político à Lava Jato. Tem que demitir. Aprova medidas na calada da noite. Tudo o que você espera de um Governo é confiança”, pondera. Para a consultoria de risco Eurasia Group, o principal risco continua sendo a Lava Jato, mas a base de apoio de Temer passou no primeiro teste: "Nossa avaliação é relativamente construtiva. A passagem da DRU, uma emenda constitucional, é o primeiro indicador do tamanho da base de Temer".
Jogos Olímpicos carregados de tensão
Jogos Olímpicos carregados de tensão
Os números são astronômicos: 10 mil atletas, de 206 diferentes nações. Mas também há problemas que dão um ar de tensão ao evento.
Falta menos de um mês de distância no calendário para a sexta-feira 5 de agosto, quando os portões do mítico estádio do Maracaná se abrirão para a cerimônia do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Foram anunciadas maravilhas da mais alta tecnologia, capazes de multiplicar o brilho de dez mil figurantes cuidadosamente treinados para criar, na cerimônia de abertura, um espetáculo sem precedentes, algo absolutamente inesquecível.
Na última segunda-feira, dia 4 de julho, tivemos uma prévia do que será a participação de um dos atores de grande importância nestes Jogos Olímpicos, a Força de Segurança Nacional, integrada por policiais militarizados de todos os estados brasileiros, que chegou ao Rio, com uma recepção comme il faut: seus integrantes haviam acabado de entrar na área urbana e já se viram em meio a um tiroteio com um grupo narcotraficante, desses que controla as favelas que se distribuem por toda a cidade. Não houve sequer feridos, mas despertou temores. Um dos tiros disparados pela gangue acertou o espelho retrovisor de um veículo da Força de Segurança Nacional. É bastante simbólico o fato de que, ao chegar à cidade, o motorista desse veículo perdesse, mesmo que por alguns segundos, a possibilidade de olhar para trás, para saber de onde vinha.
Para os habitantes da que ainda é chamada de Cidade Maravilhosa, se trata de notícia cotidiana: aqui, tiros e balas perdidas fazem parte do dia a dia, e não tira das pessoas a ideia de que são privilegiadas por viver numa das paisagens urbanas mais belas do mundo.

Logo, voltemos ao tema principal: estamos falando dos Jogos Olímpicos, um evento que não é pouca coisa. Todos os números são astronômicos: 25 mil jornalistas credenciados (e se esperam mais 5 mil retardatários, como sempre), a estimativa de um público de cerca de cinco bilhões de espectadores em todo o mundo, que assistirá os mais de 10 mil atletas, de 206 diferentes nações, que participarão do evento.
Para os que gostam das comparações: em 2014, quando se disputou a Copa del Mundo de futebol no Brasil, 32 países enviaram 736 jogadores, que disputaram 64 partidos. Houve pouco menos de 19 mil jornalistas credenciados, e o número de espectadores foi de 3,2 bilhões.
Nos Jogos Olímpicos, serão 306 provas, em 42 modalidades esportivas. Foram colocados a venda mais de três milhões de entradas, e haverá uns 50 mil voluntários prestando sua gratuita colaboração para que tudo aconteça da forma mais cômoda possível para as delegações participantes.
Alguns cálculos indicam que haveria algo ao redor de 700 mil turistas nacionais e estrangeiros na cidade entre os dias 5 e 21 de agosto, dividindo o espaço com os demais 7 milhões de habitantes da capital fluminense. Se espera também a presença de 60 chefes de Estado ou de governo. A expectativa inicial era de cem, mas já se sabe que dificilmente será alcançada: o Brasil vive um conturbado momento político, em que um golpe institucional em curso coincide com a realização de um dos eventos mais importantes da história do país.
Ainda assim, o país anfitrião trabalha para que se chegue ao menos a esses 60 líderes mundiais, tendo a certeza de que pelo menos dois estarão. Um deles será Michel Temer, cujo título oficial é o de vice-presidente em exercício, mas que para efeitos concretos é o presidente. E também estará Dilma Rousseff, eleita por 54 milhões e 500 mil votos em 2014, mas que foi afastada temporariamente do poder graças aos votos de 55 senadores, que abriram um processo no Senado para destituí-la do cargo. Apesar do afastamento, ela não perdeu seu mandato. Exagerado como de costume, o Brasil levará dois presidentes à inauguração, algo inédito na história do evento.
Ao longo dos últimos seis anos, o Rio se preparou intensamente para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos – o maior evento esportivo do mundo – na América do Sul. A cidade levantou instalações esportivas construídas ou reformadas, obras viais que se multiplicaram, transformando o cotidiano dos habitantes num inferno, mas com a promessa de ser uma benéfica herança que contemplará a todos. Terminada a festa, veremos se tudo valeu a pena, como diziam as autoridades municipais. Entretanto, para que se alcance semelhante façanha, ainda há obstáculos, e não são poucos. O principal, como sabem todos, é a violência urbana.
Um estudo divulgado recentemente pela ONU mostra que a Polícia Militar do Rio de Janeiro, encarregada de patrulhar a cidade, é a mais letal do mundo, matando duas vezes mais que na África do Sul – país que se tornou famoso por ter uma das polícias mais fulminantes do mundo. A polícia carioca é dez vezes mais mortífera que as polícias dos Estados Unidos. No caso brasileiro, pode-se usar a palavra ‘letal’ sem medo de cometer injustiças, já que a polícia local está também entre as mais bestialmente truculentas e olimpicamente corruptas do mundo. Tudo isso torna inevitável que, às vésperas da inauguração do maior evento esportivo do mundo, o tema da violência urbana e da atuação das forças de segurança invada a agenda.
O espetáculo que será oferecido na Cidade Maravilhosa promete ser uma maravilha inesquecível. O problema é que a realidade ameaça ser outra coisa.
Tradução: Victor Farinelli
Foram anunciadas maravilhas da mais alta tecnologia, capazes de multiplicar o brilho de dez mil figurantes cuidadosamente treinados para criar, na cerimônia de abertura, um espetáculo sem precedentes, algo absolutamente inesquecível.
Na última segunda-feira, dia 4 de julho, tivemos uma prévia do que será a participação de um dos atores de grande importância nestes Jogos Olímpicos, a Força de Segurança Nacional, integrada por policiais militarizados de todos os estados brasileiros, que chegou ao Rio, com uma recepção comme il faut: seus integrantes haviam acabado de entrar na área urbana e já se viram em meio a um tiroteio com um grupo narcotraficante, desses que controla as favelas que se distribuem por toda a cidade. Não houve sequer feridos, mas despertou temores. Um dos tiros disparados pela gangue acertou o espelho retrovisor de um veículo da Força de Segurança Nacional. É bastante simbólico o fato de que, ao chegar à cidade, o motorista desse veículo perdesse, mesmo que por alguns segundos, a possibilidade de olhar para trás, para saber de onde vinha.
Para os habitantes da que ainda é chamada de Cidade Maravilhosa, se trata de notícia cotidiana: aqui, tiros e balas perdidas fazem parte do dia a dia, e não tira das pessoas a ideia de que são privilegiadas por viver numa das paisagens urbanas mais belas do mundo.
Logo, voltemos ao tema principal: estamos falando dos Jogos Olímpicos, um evento que não é pouca coisa. Todos os números são astronômicos: 25 mil jornalistas credenciados (e se esperam mais 5 mil retardatários, como sempre), a estimativa de um público de cerca de cinco bilhões de espectadores em todo o mundo, que assistirá os mais de 10 mil atletas, de 206 diferentes nações, que participarão do evento.
Para os que gostam das comparações: em 2014, quando se disputou a Copa del Mundo de futebol no Brasil, 32 países enviaram 736 jogadores, que disputaram 64 partidos. Houve pouco menos de 19 mil jornalistas credenciados, e o número de espectadores foi de 3,2 bilhões.
Nos Jogos Olímpicos, serão 306 provas, em 42 modalidades esportivas. Foram colocados a venda mais de três milhões de entradas, e haverá uns 50 mil voluntários prestando sua gratuita colaboração para que tudo aconteça da forma mais cômoda possível para as delegações participantes.
Alguns cálculos indicam que haveria algo ao redor de 700 mil turistas nacionais e estrangeiros na cidade entre os dias 5 e 21 de agosto, dividindo o espaço com os demais 7 milhões de habitantes da capital fluminense. Se espera também a presença de 60 chefes de Estado ou de governo. A expectativa inicial era de cem, mas já se sabe que dificilmente será alcançada: o Brasil vive um conturbado momento político, em que um golpe institucional em curso coincide com a realização de um dos eventos mais importantes da história do país.
Ainda assim, o país anfitrião trabalha para que se chegue ao menos a esses 60 líderes mundiais, tendo a certeza de que pelo menos dois estarão. Um deles será Michel Temer, cujo título oficial é o de vice-presidente em exercício, mas que para efeitos concretos é o presidente. E também estará Dilma Rousseff, eleita por 54 milhões e 500 mil votos em 2014, mas que foi afastada temporariamente do poder graças aos votos de 55 senadores, que abriram um processo no Senado para destituí-la do cargo. Apesar do afastamento, ela não perdeu seu mandato. Exagerado como de costume, o Brasil levará dois presidentes à inauguração, algo inédito na história do evento.
Ao longo dos últimos seis anos, o Rio se preparou intensamente para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos – o maior evento esportivo do mundo – na América do Sul. A cidade levantou instalações esportivas construídas ou reformadas, obras viais que se multiplicaram, transformando o cotidiano dos habitantes num inferno, mas com a promessa de ser uma benéfica herança que contemplará a todos. Terminada a festa, veremos se tudo valeu a pena, como diziam as autoridades municipais. Entretanto, para que se alcance semelhante façanha, ainda há obstáculos, e não são poucos. O principal, como sabem todos, é a violência urbana.
Um estudo divulgado recentemente pela ONU mostra que a Polícia Militar do Rio de Janeiro, encarregada de patrulhar a cidade, é a mais letal do mundo, matando duas vezes mais que na África do Sul – país que se tornou famoso por ter uma das polícias mais fulminantes do mundo. A polícia carioca é dez vezes mais mortífera que as polícias dos Estados Unidos. No caso brasileiro, pode-se usar a palavra ‘letal’ sem medo de cometer injustiças, já que a polícia local está também entre as mais bestialmente truculentas e olimpicamente corruptas do mundo. Tudo isso torna inevitável que, às vésperas da inauguração do maior evento esportivo do mundo, o tema da violência urbana e da atuação das forças de segurança invada a agenda.
O espetáculo que será oferecido na Cidade Maravilhosa promete ser uma maravilha inesquecível. O problema é que a realidade ameaça ser outra coisa.
Tradução: Victor Farinelli
Créditos da foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
A geopolítica do golpe: as multinacionais contra Dilma
A geopolítica do golpe: as multinacionais contra Dilma
O governo Temer tenta impôr à nação os interesses das empresas que há anos pretendem colocar as mãos nas reservas da área do Pré-Sal.
Nacionalista, amigo de Chávez e Dilma, o senador Roberto Requião analisa o golpe institucional através da perspectiva das relações de poder internacionais nas que Brasil é um ator relevante, especialmente por sua importância no cenário latino-americano e sua parceria com o grupo de potências emergentes reunidas nos BRICS – sem contar suas reservas petroleiras.
“Com a chegada de Michel Temer ao governo, se iniciou uma tentativa de impor um projeto orquestrado pelos grandes meios de comunicação, com fundamental apoio estrangeiro, que protege os interesses das empresas que há anos pretendem colocar as mãos nas reservas da área do Pré-Sal. Claro que o projeto vai mais além e abre caminho também para uma possível futura entrega das riquezas da Amazônia. Os fatores geopolíticos atuam como um Deus ex-machina, influenciando, conspirando, entregando informações. Eles tem um aliado poderoso, o chanceler José Serra, um entreguista que se opõe aos BRICS”.
Segundo Requião, “o capital financeiro também participa, e hoje tem o Brasil de joelhos ante si. Nosso país se transformou numa festa para os rentistas, com um Banco Central que fixa taxas de juros de 14,25%. E quem é o novo responsável pelo Banco Central? Ilan Goldfjan, economista-chefe do Banco Itaú”.
Requião manteve uma relação cordial com Hugo Chávez durante ano, e recebeu o Página/12 em seu escritório no Congresso Nacional do Brasil, enquanto a Comissão Especial que investiga o caso do impeachment contra Rousseff apresentava as alegações da mandatária. Além de ser um grande amigo de Dilma, Requião é um antigo dirigente do PMDB, o mesmo do presidente interino Temer.

Ele acredita que a gênesis do processo que derrubou provisoriamente a presidenta está no escândalo pela espionagem na Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), descoberto em 2013, que deteriorou as relações entre Brasília e Washington. Mais que isso: Requião suspeita que parte dos arquivos roubados pela NSA da Petrobras e dos acervos de dezenas de políticos foram cedidos ao juiz Sérgio Moro, o responsável pela causa do chamado “Petrolão”.
“É sensato pensar que a NSA entregou informações a Moro, para que avançassem as investigações. Mas cuidado, isso não quer dizer que Moro e os promotores sejam agentes da CIA e da NSA. Eu creio que eles são justiceiros, moralistas, que foram utilizados por aqueles que lhes entregam as informações. Moro não sabe muito bem por quem está sendo manipulado. E tenho a convicção de que a causa judicial pelo escândalo na Petrobras é muito importante, porque foi muito importante prender vários grandes empresários da construção, que são gente da direita”, ponderou.
O senador Requião se reuniu recentemente com Dilma para falar sobre a correlação de forças na câmara alta, composta por 81 membros, os quais votarão, no final de agosto, para decidir o veredito definitivo do impeachment. A mandatária eleita permanecerá no cargo se conquistar o apoio de um terço da casa, ou seja, 27 votos.
Requião foi o anfitrião de um encontro entre cerca de 30 senadores “éticos”, entre os quais há um grupo que anunciou seu respaldo a Dilma Rousseff, e outro grupo que permanece indeciso, que após aderir ao impeachment em maio, agora poderiam revisar sua posição, devido às evidências de que Temer é sustentado por uma coalizão de corruptos, na qual figuram políticos tão poderosos quanto inescrupulosos, como Eduardo Cunha. “Vou fazer o possível para que Dilma volte, mas isso não significa trabalhar para ela, e sim para que o país não derrape na recessão e no entreguismo, estou trabalhando para um projeto”, afirmou o político paranaense.
O senador afirmou também que “a verdade é que Dilma não ajuda muito os que a querem ajudar, porque está perdendo tempo, quando deveria tomar decisões importantes. Eu reconheço que ela tem coragem, mas agora precisa traduzir isso em ações políticas. Enquanto ela vacila, o Temer busca garantir os 54 votos, o dois terços do Senado para aprovar o impeachment, oferecendo cargos e ventagens sem pudor, com uma ânsia pelo poder sem nenhuma posição ideológica ou programática”.
– Dilma pode retornar?
– Eu sou gramsciano, sou pessimista na análise e otimista na ação. Existem possibilidades para que ela retorne, e é preciso trabalhar ao máximo por elas. Necessitamos de apenas um terço dos votos do Senado, mas não posso me enganar dizendo que isso é fácil de concretizar, Há contradições entre Dilma e o PT, creio que há gente do PT que espera que tudo isso termine logo, gente que pensa que o melhor é voltar a ser oposição, pensando nas eleições de 2018.
– Você elogiou a causa judicial do chamado “Petrolão”, mas independente dos argumentos jurídicos, não acha que há motivação política?
– Evidente que sim! O fato de eu reconhecer a importância de se investigar a corrupção na Petrobras não significa que eu desconheça suas consequências e os seus antecedentes históricos. O juiz (Sérgio) Moro se inspira na Operação Mãos Limpas, na Itália dos Anos 90, ele mesmo escreveu tese sobre o tema. Se vemos o que ocorreu na Itália depois da operação, descobrimos que ela foi enterrando a todo o sistema político, e daí surgiu Silvio Berlusconi como o salvador da pátria.
– O Brasil pode estar vendo nascer o seu próprio salvador da pátria?
– É perfeitamente possível que um fenômeno igual aconteça, porque esse tipo de crise favorece o surgimento desses salvadores da pátria. Não sei quem encarnaria esse rol hoje, não creio que seja o juiz Moro, apesar de os meios de comunicação quererem projetá-lo. Ele não tem nenhuma experiência na administração pública. Vivemos numa sociedade do espetáculo, que nos estimula a buscar salvadores e aplaudir os abusos de poder, como os que temos visto ultimamente.
– Como quais?
– A ação policial no diretório nacional do PT, em São Paulo, que foi rodeado por efetivos com armamento pesado e vestidos como comandos de guerra na selva, como se o PT estivesse escondendo o Chapo Guzmán ou uma célula do Estado Islâmico, a detenção do ex-ministro Paulo Bernardo, esposo da senadora Gleisi Hoffmann, também do PT, invadindo o domicílio de uma parlamentar com foro qualificado, utilizando helicópteros. Foi um abuso total, para intimidar os legisladores que, como Hoffmann, se opõem ao impeachment. Estão criando um clima para manipular o povo, para que as pessoas se enfureçam e tomem o Congresso se não se vota a favor do impeachment. O que se vê é uma espécie de britzkrieg, como os que fazia Hitler, buscando semear o terror. E esse quadro que existe hoje no Brasil começa a ser percebido também em outros países da região, lamentavelmente.
Chávez
– O Mercosul acabou?
– Se depender do chanceler Serra sim, mas eu não seria tão lapidário, creio que esses governos conservadores terão problemas para se manter no poder por muito tempo. A recessão e o desemprego vão causar explosões sociais, saques de supermercados, revoltas. Não tenho a bola de cristal para saber o que acontecerá exatamente, mas não vejo como esses experimentos conservadores poderiam se consolidar.
– Você foi amigo de Chávez. Onde o viu pela última vez?
– Eu fui amigo dele. A última vez que ele me visitou aqui, neste escritório, ele já estava bastante doente, sabia que não sobreviveria, e estava decepcionado porque Dilma não dava importância ao Mercosul, porque Brasil não apresentava propostas concretas para avançar. Era o tempo em que Dilma estava deslumbrada com o aumento dos preços das matérias-primas, e isso a levou a se desinteressar pela integração regional. Um erro grave.
Tradução: Victor Farinelli
“Com a chegada de Michel Temer ao governo, se iniciou uma tentativa de impor um projeto orquestrado pelos grandes meios de comunicação, com fundamental apoio estrangeiro, que protege os interesses das empresas que há anos pretendem colocar as mãos nas reservas da área do Pré-Sal. Claro que o projeto vai mais além e abre caminho também para uma possível futura entrega das riquezas da Amazônia. Os fatores geopolíticos atuam como um Deus ex-machina, influenciando, conspirando, entregando informações. Eles tem um aliado poderoso, o chanceler José Serra, um entreguista que se opõe aos BRICS”.
Segundo Requião, “o capital financeiro também participa, e hoje tem o Brasil de joelhos ante si. Nosso país se transformou numa festa para os rentistas, com um Banco Central que fixa taxas de juros de 14,25%. E quem é o novo responsável pelo Banco Central? Ilan Goldfjan, economista-chefe do Banco Itaú”.
Requião manteve uma relação cordial com Hugo Chávez durante ano, e recebeu o Página/12 em seu escritório no Congresso Nacional do Brasil, enquanto a Comissão Especial que investiga o caso do impeachment contra Rousseff apresentava as alegações da mandatária. Além de ser um grande amigo de Dilma, Requião é um antigo dirigente do PMDB, o mesmo do presidente interino Temer.
Ele acredita que a gênesis do processo que derrubou provisoriamente a presidenta está no escândalo pela espionagem na Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), descoberto em 2013, que deteriorou as relações entre Brasília e Washington. Mais que isso: Requião suspeita que parte dos arquivos roubados pela NSA da Petrobras e dos acervos de dezenas de políticos foram cedidos ao juiz Sérgio Moro, o responsável pela causa do chamado “Petrolão”.
“É sensato pensar que a NSA entregou informações a Moro, para que avançassem as investigações. Mas cuidado, isso não quer dizer que Moro e os promotores sejam agentes da CIA e da NSA. Eu creio que eles são justiceiros, moralistas, que foram utilizados por aqueles que lhes entregam as informações. Moro não sabe muito bem por quem está sendo manipulado. E tenho a convicção de que a causa judicial pelo escândalo na Petrobras é muito importante, porque foi muito importante prender vários grandes empresários da construção, que são gente da direita”, ponderou.
O senador Requião se reuniu recentemente com Dilma para falar sobre a correlação de forças na câmara alta, composta por 81 membros, os quais votarão, no final de agosto, para decidir o veredito definitivo do impeachment. A mandatária eleita permanecerá no cargo se conquistar o apoio de um terço da casa, ou seja, 27 votos.
Requião foi o anfitrião de um encontro entre cerca de 30 senadores “éticos”, entre os quais há um grupo que anunciou seu respaldo a Dilma Rousseff, e outro grupo que permanece indeciso, que após aderir ao impeachment em maio, agora poderiam revisar sua posição, devido às evidências de que Temer é sustentado por uma coalizão de corruptos, na qual figuram políticos tão poderosos quanto inescrupulosos, como Eduardo Cunha. “Vou fazer o possível para que Dilma volte, mas isso não significa trabalhar para ela, e sim para que o país não derrape na recessão e no entreguismo, estou trabalhando para um projeto”, afirmou o político paranaense.
O senador afirmou também que “a verdade é que Dilma não ajuda muito os que a querem ajudar, porque está perdendo tempo, quando deveria tomar decisões importantes. Eu reconheço que ela tem coragem, mas agora precisa traduzir isso em ações políticas. Enquanto ela vacila, o Temer busca garantir os 54 votos, o dois terços do Senado para aprovar o impeachment, oferecendo cargos e ventagens sem pudor, com uma ânsia pelo poder sem nenhuma posição ideológica ou programática”.
– Dilma pode retornar?
– Eu sou gramsciano, sou pessimista na análise e otimista na ação. Existem possibilidades para que ela retorne, e é preciso trabalhar ao máximo por elas. Necessitamos de apenas um terço dos votos do Senado, mas não posso me enganar dizendo que isso é fácil de concretizar, Há contradições entre Dilma e o PT, creio que há gente do PT que espera que tudo isso termine logo, gente que pensa que o melhor é voltar a ser oposição, pensando nas eleições de 2018.
– Você elogiou a causa judicial do chamado “Petrolão”, mas independente dos argumentos jurídicos, não acha que há motivação política?
– Evidente que sim! O fato de eu reconhecer a importância de se investigar a corrupção na Petrobras não significa que eu desconheça suas consequências e os seus antecedentes históricos. O juiz (Sérgio) Moro se inspira na Operação Mãos Limpas, na Itália dos Anos 90, ele mesmo escreveu tese sobre o tema. Se vemos o que ocorreu na Itália depois da operação, descobrimos que ela foi enterrando a todo o sistema político, e daí surgiu Silvio Berlusconi como o salvador da pátria.
– O Brasil pode estar vendo nascer o seu próprio salvador da pátria?
– É perfeitamente possível que um fenômeno igual aconteça, porque esse tipo de crise favorece o surgimento desses salvadores da pátria. Não sei quem encarnaria esse rol hoje, não creio que seja o juiz Moro, apesar de os meios de comunicação quererem projetá-lo. Ele não tem nenhuma experiência na administração pública. Vivemos numa sociedade do espetáculo, que nos estimula a buscar salvadores e aplaudir os abusos de poder, como os que temos visto ultimamente.
– Como quais?
– A ação policial no diretório nacional do PT, em São Paulo, que foi rodeado por efetivos com armamento pesado e vestidos como comandos de guerra na selva, como se o PT estivesse escondendo o Chapo Guzmán ou uma célula do Estado Islâmico, a detenção do ex-ministro Paulo Bernardo, esposo da senadora Gleisi Hoffmann, também do PT, invadindo o domicílio de uma parlamentar com foro qualificado, utilizando helicópteros. Foi um abuso total, para intimidar os legisladores que, como Hoffmann, se opõem ao impeachment. Estão criando um clima para manipular o povo, para que as pessoas se enfureçam e tomem o Congresso se não se vota a favor do impeachment. O que se vê é uma espécie de britzkrieg, como os que fazia Hitler, buscando semear o terror. E esse quadro que existe hoje no Brasil começa a ser percebido também em outros países da região, lamentavelmente.
Chávez
– O Mercosul acabou?
– Se depender do chanceler Serra sim, mas eu não seria tão lapidário, creio que esses governos conservadores terão problemas para se manter no poder por muito tempo. A recessão e o desemprego vão causar explosões sociais, saques de supermercados, revoltas. Não tenho a bola de cristal para saber o que acontecerá exatamente, mas não vejo como esses experimentos conservadores poderiam se consolidar.
– Você foi amigo de Chávez. Onde o viu pela última vez?
– Eu fui amigo dele. A última vez que ele me visitou aqui, neste escritório, ele já estava bastante doente, sabia que não sobreviveria, e estava decepcionado porque Dilma não dava importância ao Mercosul, porque Brasil não apresentava propostas concretas para avançar. Era o tempo em que Dilma estava deslumbrada com o aumento dos preços das matérias-primas, e isso a levou a se desinteressar pela integração regional. Um erro grave.
Tradução: Victor Farinelli
Créditos da foto: Roberto Stuckert Filho/ PR
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