terça-feira, 15 de novembro de 2016

O perigo da pseudoatividade

14/11/2016 14:41 - Copyleft

O perigo da pseudoatividade

Neste artigo publicado na semana anterior às eleições estadunidenses, Zizek afirma que o mais conveniente para a esquerda seria uma vitória de Trump.


Slavoj Zizek *
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José Saramago, em sua novela “Ensaio sobre a lucidez”, conta a história de fatos estranhos numa cidade capital sem nome, num país democrático não identificado. Quando, na manhã do dia das eleições, a cidade enfrenta uma chuva torrencial, a participação dos eleitores é surpreendentemente baixa, mas o clima melhora durante a tarde e as pessoas vão em massa aos centros de votação. O alívio do governo, porém, dura pouco, já que a apuração mostra que mais de 70% dos votos emitidos na capital foram em branco. Perplexo por este aparente lapso cívico, o governo dá à cidadania uma oportunidade para se redimir uma semana depois, com outro dia de eleições. E o novo resultado é ainda pior: os votos em branco chegam aos 83%… Será isso uma conspiração organizada para derrubar não só o governo senão todo o sistema democrático? Se é assim, quem são os que estão por trás disso e como conseguiram organizar centenas de milhares de pessoas em semelhante subversão sem serem percebidos? A cidade continua funcionando quase normalmente, com o povo suportando cada um dos golpes do governo, numa inexplicável união e com um nível verdadeiramente gandhiano de resistência não violenta… A lição deste experimento mental é clara: o perigo hoje não é a passividade, mas sim a pseudoatividade, a necessidade de “estar ativo”, de “participar” daquilo que servirá para desmascarar a vacuidade do que sucede. As pessoas intervém o tempo todo, “faça algo”, os acadêmicos participam de debates sem sentido, etc. O que é verdadeiramente difícil é dar um passo atrás, se retirar. Aqueles que estão no poder sempre preferem uma participação crítica, um diálogo de silêncios – só para que nos comprometamos com um “diálogo”, para assegurar que nossa ameaçadora passividade está quebrada. A abstenção dos votantes é, portanto um verdadeiro ato político: nos confronta forçadamente com a vacuidade das democracias de hoje.
 
É exatamente assim que os cidadãos devem atuar quando se enfrentam com a eleição entre Hillary Clinton e Donald Trump. Quando perguntaram a Stalin, no final dos Anos 20 do século passado, que desvio é pior, o da direita ou o da esquerda, ele respondeu: “ambos são piores!”. Não acontece o mesmo nesta disputa eleitoral estadunidenses de 2016? Donald Trump é, obviamente, “o pior”, já que promete uma guinada à direita e promulga uma decadência da moralidade pública. Entretanto, ele ao menos promete uma mudança. Por sua parte, Hillary Clinton é “pior” porque faz que o não mudar nada pareça desejável. Neste cenário, não devemos perder a calma, para escolher o “pior” que significa a mudança – inclusive se é uma mudança perigosa, já que abre espaço para uma mudança diferente, mais autêntica. O ponto não é, portanto, votar por Trump – não se trata de sugerir que as pessoas votem tal escória, que sequer deveria participar destas eleições. O ponto é abordar friamente a pergunta: qual é a vitória mais adequada para o destino do projeto emancipatório radical, o de Clinton ou o de Trump?
 
Trump quer “devolver à grandeza aos Estados Unidos”, frase que Obama respondeu dizendo que os Estados Unidos já são uma grande nação. Mas, realmente é? Pode um país onde uma pessoa como Trump tem a oportunidade de se tornar presidente ser considerado realmente grande? Os perigos de uma presidência de Trump são óbvios: não somente promete nomear juízes conservadores à Corte Suprema, não só mobilizou os mais obscuros círculos da supremacia branca e flerta abertamente com o racismo e a xenofobia. Não só se burla das regras básicas da decência e simboliza a desintegração das noções mais básicas de ética, enquanto advoga em favor da miséria das pessoas comuns, promove efetivamente uma agenda neoliberal brutal, que inclui benefícios fiscais para os mais ricos, maior desregulação, etc. Trump é um oportunista vulgar, mas ainda assim é um espécime humano – diferente de sujeitos como Ted Cruz ou Rick Santorum, os quais eu suspeito que são extraterrestres. O que Trump definitivamente não é: um capitalista produtivo e inovador de sucesso. Ele apenas se destaca por entrar sempre em bancarrota, e logo fazer com que os contribuintes cubram suas dívidas.
 
Os liberais, em pânico com o fenômeno de Trump, descartam a ideia de que uma vitória eventual de Trump pode iniciar um processo pelo qual surgiria uma esquerda autêntica, e o contra argumento é uma referência a Hitler. Muitos comunistas alemães celebraram a chegada dos nazis ao poder, como uma nova oportunidade para a esquerda radical, que seria a única força capaz de derrotá-los. Mas, como sabemos, cometeram um erro catastrófico. A pergunta é: a situação é a mesma agora com Trump? Seria o empresário um perigo capaz de reunir uma frente ampla, assim como Hitler provocou a união entre os conservadores decentes e os libertários, para lutarem juntos com os progressistas liberais tradicionais e com o que resta da esquerda radical? Fredric Jameson tinha razão ao advertir que a designação precipitada do movimento Trump como novo fascismo é um erro: “as pessoas estão dizendo que tal coisa é o novo fascismo, e a minha resposta sobre isso é: ainda não!” (Incidentalmente, o termo “fascismo” é usado hoje como uma expressão vazia, cada vez que algo obviamente perigoso aparece na cena política, mas carecemos de uma compreensão adequada do termo: os populistas de hoje não são simplesmente fascistas). E por que ainda não?





 
Primeiro, o temor de que uma vitória de Trump transforme os Estados Unidos num país fascista é um exagero ridículo. Os Estados Unidos têm uma textura tão rica de divergentes instituições cívicas e políticas que seu gleichschaltung não poderia ser promulgado. De onde provém então este temor? Sua função é claramente a de unificar as forças contra Trump, e assim ofuscar as verdadeiras divisões políticas que ocorrem entre a esquerda ressuscitada por Bernie Sanders e o partido que sempre preferiu Hillary Clinton, que é A candidata do establishment, apoiada por uma ampla coalizão arco-íris, que inclui velhos guerreiros frios como Paul Wolfowitz e a Arábia Saudita. Em segundo lugar, Trump se apoiou na mesma raiva que usou Bernie Sanders para mobilizar os seus partidários. Por isso, ele é percebido pela maioria de seus partidários como o candidato anti establishment, e não devemos esquecer que a ira popular nunca está flutuando livremente ar, e pode ser redirecionada. O temor dos liberais sobre uma vitória de Trump não tem a ver com uma possível guinada radica à direita. O que realmente temem é simplesmente uma mudança social radical. Como disse Robespierre, os liberais admitem e sinceramente se preocupam pelas injustiças da nossa vida social, mas pretendem curá-las com uma “revolução sem revolução” (em paralelo exato ao consumismo atual, que oferece café sem cafeína, chocolate sem açúcar, multiculturalismo sem enfrentamentos violentos, etc): uma visão de mudança social sem mudança real, uma mudança na que não lastima realmente ninguém, onde os liberais bem intencionados permanecem protegidos em seus enclaves seguros. Em 1937, George Orwell escreveu: “todos somos contra as distinções de classe, mas pouquíssimas pessoas realmente aboli-las Assim, chegamos à importante conclusão de que cada opinião revolucionária tira parte de sua força de uma convicção secreta de que nada pode ser mudado”.
 
O ponto de Orwell é que os radicais invocam a necessidade de uma mudança revolucionária como uma espécie de símbolo supersticioso que deve obter o contrário, ou seja, EVITAR que a única mudança que realmente importa, a mudança dos que nos governam, se produza. Quem realmente governa os Estados Unidos? Já não estamos ouvindo o burburinho das reuniões secretas nas quais os membros das elites financeiras e quejandos “estão negociando a distribuição dos cargos mais importantes da administração Clinton”? Para se ter uma ideia de como funcionam estas negociações nas sombras, basta ler emails de John Podesta ou de Hillary Clinton. Sua vitória será a vitória de um status quo obscurecido pela perspectiva de uma nova guerra mundial (e ela definitivamente é uma democrata típica, fria e tolerante às guerras), uma situação que, gradual porém inevitavelmente, começa a afetar a ecologia, a economia, a humanidade e outras tragédias. Por isso, considero extremamente cínica a crítica “esquerdista” da minha postura, ao afirmar que: “para intervir numa crise, a esquerda deve estar organizada, preparada e ter apoio da classe operária e dos oprimidos. Não podemos, de nenhuma maneira, respaldar o vil racismo e o sexismo que nos divide e debilita a nossa luta. Devemos estar sempre do lado dos oprimidos, e devemos ser independentes, lutando por uma verdadeira saída da crise pela esquerda. Ainda que Trump seja catastrófico para a classe dominante, também será uma catástrofe para nós, se não conseguimos cimentar os caminhos da nossa própria intervenção”.
 
É verdade que a esquerda “deve ser organizada, preparara e ter apoio da classe operária e dos oprimidos”, mas, neste caso, a pergunta deveria ser: qual vitória contribuiria mais com a organização da esquerda e sua expansão? ¿Não está claro que a vitória de Trump ajudaria a “cimentar melhor os caminhos da nossa própria intervenção” muito mais que a de Hillary? Sim, há um grande perigo implícito na vitória de Trump, mas a esquerda SOMENTE se mobilizará através de uma ameaça de catástrofe – se continuamos com a inércia do status quo existente certamente NÃO haverá mobilização esquerdista. Estou tentado citar (o poeta alemão Friedrich) Hölderlin aqui: “só onde há perigo, a força salvadora também aumenta”. Na eleição entre Clinton e Trump, nenhum deles “está do lado dos oprimidos”. Portanto, a verdadeira eleição é: se abster de votar ou escolher qual dos dois candidatos, com os quais não se tem nenhum valor em comum, abre uma maior possibilidade de desencadear uma nova dinâmica política, que pode conduzir a uma massiva radicalização esquerdista.
 
Muitos dos eleitores pobres dizem que Trump fala por eles – como podem se identificar com a voz de um multimilionário cujas especulações e fracassos são uma das causas da sua própria miséria? Assim como os caminhos de Deus, os caminhos da ideologia são misteriosos… (embora alguns dados sugiram que a maioria dos partidários de Trump não são de baixa renda). Quando os eleitores de Trump são qualificados como lixo branco, “é fácil discernir nesta designação o temor das classes baixas, característico da elite liberal”. Eis aqui o título e o subtítulo de um informe do diário britânico The Guardian, sobre uma recente reunião de campanha de Trump: “dentro de um rally de Donald Trump: boa gente num circuito de retroalimentação da paranoia e do ódio. A multidão de Trump está cheia de gente honesta e decente, mas as invectiva republicana tem um efeito assustador sobre os fanáticos do seu one-man show”.
 
Contudo, como Trump se transformou na voz de tantas pessoas honestas e decentes? Trump só arruinou o Partido Republicano, enfrentando o establishment da velha legenda e os fundamentalistas cristãos. O que resta como núcleo do seu apoio são os portadores da ira populista diante do establishment, e este núcleo é rejeitado pelos liberais e pelo “lixo brancos” – mas, não é precisamente aqueles que precisam ser conquistados em favor da causa radical da esquerda? (Não foi isto o que Bernie Sanders conseguir?). Deveríamos tentar nos desfazer dos falsos pânicos, temendo que a vitória de Trump seja o último horror que nos faz apoiar Hillary Clinton, apesar de suas óbvias deficiências. Embora a batalha pareça perdida para Trump, sua vitória poderia criar uma situação política totalmente nova, com possibilidades de uma esquerda mais radical – ou, para citar novamente a Mao: “há desordem sob o céu, e por isso a situação sob o céu é excelente”.
 
Há outro aspecto do duelo entre Trump e Clinton, que se refere à diferença sexual. Um comunista maoista – Alain Badiou, em seu novo livro La Vraie Vie (“A Verdadeira Vida”, em tradução livre) – fez uma surpreendente advertência sobre os perigos da crescente ordem niilista pós-patriarcal, que se apresenta como o domínio das novas liberdades. Vivemos numa época extraordinária, na que não existe uma tradição na qual podamos basear nossa identidade, nenhum marco de vida significativa que nos permita viver uma vida além da reprodução hedonista. Este novo transtorno mundial, esta civilização progressivamente emergente, afeta de forma exemplar os jovens que oscilam entre a intensidade da experiência em êxtase (o gozo sexual, as drogas, o álcool, até a violência) e o esforço resiliente por triunfar (estudar, fazer carreira, ganhar dinheiro dentro da ordem capitalista existente), a única alternativa a ela é uma guinada violenta a alguma tradição artificialmente ressuscitada.
 
Badiou observa de forma perspicaz que estamos recebendo uma versão decadente e reativa do distanciamento do Estado anunciado por Marx: o Estado de hoje é cada vez mais um regulador administrativo do egoísmo do mercado, sem autoridade simbólica, carente do que Hegel percebeu como a essência do Estado – a comunidade abarcadora pela que estamos dispostos a nos sacrificar. Esta desintegração da substância ética está claramente demonstrada pela abolição do recrutamento militar universal em muitos países desenvolvidos: a mesma noção de estar disposto a arriscar a vida por um exército de causa comum parece cada vez más inútil, quando não diretamente ridículo, já que as forças armadas, de ser um corpo no qual todos os cidadãos participam igualitariamente, está gradualmente se transformando numa força mercenária.
 
Esta desintegração de uma substância ética compartida afeta de maneira diferente os dois sexos: os homens gradualmente se convertem em adolescentes perpétuos, sem um claro ritual de iniciação que promulgaria a sua entrada na madurez (serviço militar, a aquisição de uma profissão ou mesmo o alcançar um nível educacional específico). Não é de se estranhar, portanto, que para suplantar esta carência vejamos a proliferação das gangues juvenis pós-paternais, proporcionando uma iniciação substituta e uma identidade social. Em contraste com os homens, as mulheres são hoje mais e mais precocemente maduras, tratadas como pequenos adultos, e se espera que controlem suas vidas, que planifiquem sua carreira… Nesta nova versão da diferença sexual, os homens são adolescentes lúdicos, foragidos da realidade, enquanto as mulheres são maduras, sérias, legalistas e punitivas. A ideologia governante não espera hoje que as mulheres sejam subordinadas. Ela espera que sejam as juízas, as administradoras, ministras, CEOs, professoras, e inclusive policiais ou soldados. Uma cena paradigmática que ocorre cotidianamente em nossas instituições de segurança é a de uma professora / juíza / psicóloga cuidando a um delinquente masculino jovem, antissocial e imaturo… Assim surge uma nova figura do Uno: um agente frio, ávido por competir pelo poder, sedutor e manipulador, que testemunha o paradoxo de que “nas condições impostas pelo capitalismo, as mulheres podem funcionar melhor que os homens” – segundo Badiou. Isto, evidentemente, não transforma as mulheres em agentes do capitalismo. Simplesmente demonstra que o capitalismo contemporâneo inventou sua própria imagem ideal da mulher.
 
Há uma tríade política que retrata perfeitamente a situação descrita por Badiou: Hillary-Duterte-Trump. Hillary Clinton e Donald Trump formam a dicotomia política definitiva de hoje: Trump é o adolescente eterno, um hedonista imprudente propenso aos impulsos irracionais que podem prejudicar suas possibilidades eleitorais, enquanto Hillary exemplifica o novo Uno feminino, uma manipuladora impiedosa, autocontrolada, que explora imprudentemente sua feminilidade e se apresenta como guardiã dos marginalizados e das vítimas – sua feminilidade a torna mais eficiente na manipulação. Desta forma, o público não deveria ser seduzido por sua imagem de vítima de um Bill que anda flertando por aí alegremente, enquanto permite que as mulheres o chupem em seu escritório – ele era o verdadeiro palhaço, enquanto ela é era o dominante na relação, que permite aos seus serventes prazeres irrelevantes… O que dizer então sobre Rodrigo Duterte, o presidente filipino que solicita abertamente o assassinato de usuários de drogas e traficantes, em medidas extrajudiciais, chegando a se comparar com Hitler? Duterte defende a decadência do império da lei, a transformação do poder estatal numa regra extralegal que governa sua selvagem justiça, fazendo o que ainda não está abertamente permitido nos países ocidentais “civilizados”. Se condensamos os três em um só, obteremos uma imagem ideal do político de hoje: Hillary Duterte Trump.
 
* Filósofo e crítico cultural esloveno.
 
Tradução: Victor Farinelli


Créditos da foto: reprodução




14/11/2016 - Clipping Internacional

14/11/2016 13:26 - Copyleft

14/11/2016 - Clipping Internacional

União Europeia teme problemas com os acordos sobre o clima, o acordo nuclear com o Irã, a posição dos EUA sobre o conflito sírio e os tratados comerciais.


Carta Maior
reprodução
MUNDO
 
El Telégrafo, Equador
Cinco pontos centram o acordo entre oposição e governo na Venezuela. O acordo pretende normalizar a relação entre os poderes do Estado e aplicar medidas para superar a conjuntura econômica. O próximo encontro será dia 6 de dezembro.
http://www.eltelegrafo.com.ec/noticias/mundo/9/cinco-puntos-centran-el-dialogo-en-venezuela
 
El País, Espanha





Donald Trump promete deportar até 3 milhões de imigrantes irregulares. Em entrevista disse que o muro que prometeu talvez seja uma “vala” em algumas partes da fronteira.
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/11/13/actualidad/1479054583_555103.html
 
Le Monde, França
Em razão de Donald Trump, os europeus ameaçados de “um salto no desconhecido”. Os dirigentes da União Europeia temem problemas com os acordos sobre o clima, o acordo nuclear com o Irã, a posição norte-americana sobre o conflito sírio e os tratados comerciais.
http://www.lemonde.fr/europe/article/2016/11/14/face-a-donald-trump-les-europeens-redoutent-le-saut-dans-l-inconnu_5030593_3214.html
 
The Guardian, Inglaterra
O governo colombiano e as Farcs chegaram a um novo acordo. Semanas após a derrota no referendo, os dois lados disseram haver rascunhado um novo acordo contendo algumas novas emendas ao acordo original
https://www.theguardian.com/world/2016/nov/13/colombias-government-and-rebel-movement-agree-new-peace-terms
 
The New York Times, EUA
Vermelho, azul e divididos: seis visões dos Estados Unidos. Repórteres do jornal falaram com norte-americanos de todo o país para entender os assuntos que dividiram os eleitores antes das eleições e hoje.
http://www.nytimes.com/2016/11/14/us/red-blue-and-divided-six-views-of-america.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&clickSource=story-heading&module=b-lede-package-region&region=top-news&WT.nav=top-news&_r=0
 
The Independent, Inglaterra
Neonazistas suecos promovem a maior marcha até hoje na esteira da vitória de Donald Trump. Cerca de 600 manifestantes de extrema direita do chamado Movimento de Resistência Nórdica entraram em conflito com manifestantes antifascistas em Estocolmo.
http://www.independent.co.uk/news/world/europe/donald-trump-win-swedish-neo-nazis-stage-biggest-march-celebrate-a7414676.html
 
Huffington Post, EUA
Um nacionalista branco  é o novo estrategista chefe da Casa Branca sob Trump. Steve Bannon, que alimentou a fúria dos direitistas militantes enquanto dirigia o jornal Breitbart News, será o chefe o círculo íntimo do presidente.
http://www.huffingtonpost.com/entry/steve-bannon-chief-strategist_us_5828e1d4e4b0c4b63b0d33d7
 
Esquerda.net, Portugal
Artigo de Naomi Klein: "Partido Democrata tem de ser arrancado aos neoliberais ou abandonado". Aceitação do neoliberalismo pelos Democratas deu vitória a Trump. Mas uma agenda de esquerda potente e intersectorial pode dirigir a indignação para o sítio certo. 
http://www.esquerda.net/artigo/naomi-klein-partido-democrata-tem-de-ser-arrancado-aos-neoliberais-ou-abandonado/45422
 
El País Brasil, Espanha
Artigo de Timothy Garton Ash: “Ante a onda de populismo nacionalista. Vitória de Donald Trump deveria levar as grandes democracias do mundo, com a Europa à frente, a assumir um papel maior na defesa da ordem liberal
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/11/internacional/1478878912_729037.html
 

A operação estanca sangria do governo Michel Temer

14/11/2016 15:06 - Copyleft

A operação estanca sangria do governo Michel Temer

Projeto de lei muda as regras para delação premiada, permitindo que o governo acerte acordos de leniência sem envolver o MP e sem a fiscalização do TCU.


João Filho - The Intercept
Marcos Corrêa/PR
EM MARÇO DESTE ANO, às vésperas do desfecho do impeachment de Dilma Rousseff, um dos procuradores da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, se mostrou preocupado com a possibilidade de interferência do governo Michel Temer na força-tarefa. O procurador da República chegou aelogiar os governos Lula e Dilma – cujos integrantes são os principais alvos da operação – por não tentarem controlar as investigações, e ainda mandou um recado para o governo não-eleito que tomaria o poder:
 
“Aqui temos um ponto positivo que os governos investigados do PT têm a seu favor. Boa parte da independência atual do Ministério Público, da capacidade técnica da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle das instituições, mas esperamos que isso esteja superado.”
Os governos citados pelo procurador eram compostos pelo mesmo grupo político que acabou de assumir o poder. Era a época de Geraldo Brindeiro, que ficou conhecido como Engavetador Geral da República. Dos 626 inquéritos criminais que recebeu, o Brindeiro engavetou 242 e arquivou outros 217. Por isso, diante desse modus operandi, não era de se estranhar a preocupação de Carlos Lima, que mandou um recado claro quando perguntado sobre a possibilidade de Temer e sua turma assumirem o governo:

“Em um país com instituições sólidas, a troca de governo não significa absolutamente nada. Quero crer que nenhum governo no Brasil signifique alterações de rumo no Ministério Público, no Judiciário, na Polícia Federal. Deveria ser assim. Queremos simplesmente que as instituições continuem livres para continuar a fazer o que a lei exige delas”
 





Pois é. Apesar do mantra “as instituições estão funcionando normalmente” ser repetido exaustivamente pelo governo e por jornalistas, a realidade tem mostrado que o temor do procurador era pertinente. Na última terça-feira, o líder do governo, deputado André Moura (PSC), protocolou um pedido de urgência para a tramitação do PL 3636/2015 – a chamada Lei de Leniência –, do qual também é relator.
 
É, meus amigos, agora temos o PL do Apocalipse para fazer companhia para a PEC 241.
 
Esse projeto de lei simplesmente muda as regras para delação premiada das empresas envolvidas em corrupção, permitindo que o governo acerte acordos de leniência com elas sem envolver o Ministério do Público e sem a fiscalização do TCU. Caso esses acordos sejam acertados, as empresas não poderão mais ser processadas judicialmente. É, meus amigos, agora temos o PL do Apocalipse para fazer companhia para a PEC 241.
 
E eles estão realmente com pressa. André Moura (PSC), por orientação do Planalto, passou o dia correndo atrás da assinaturas de deputados para aprovar com prioridade o projeto. E conseguiu. O pedido de urgência foi assinado por líderes dos principais partidos da base governista, entre eles PMDB, PSDB, PP, PSB, PSC e PTB. O currículo do líder do governo talvez ajude a entender o motivo de tanta pressa. Aliado muito próximo de Eduardo Cunha, o deputado é um dos alvos da Lava Jato, responde a uma série de inquéritos na Justiça, é réu em três ações no STF,  já foi condenado por improbidade administrativa em segunda instância e é acusado de tentativa de assassinato. Este é o homem que Michel Temer escolheu para liderar seu governo na Câmara.

 
No fim do mês passado, o mesmo procurador que havia mandado um recado para o governo em março, questionou:
 
“O presidente da Câmara (Rodrigo Maia) está falando em colocar em votação a nova Lei de Leniência. E não houve discussão a respeito dela. Será que não querem brecar grandes leniências que estão prestes a acontecer no Brasil e que vão entregar, possivelmente, muitos fatos envolvendo o status quo político?”
 
A resposta é óbvia e podemos encontrá-la nas conversas vazadas entre Romero Jucá (PMDB) e Sérgio Machado (Transpetro), em que o deputado ressalta a importância do impeachment para abrir espaço para um grande acordo nacional e estancar a sangria da Lava Jato. Vamos reviver alguns trechos que ajudam a entender a atual movimentação do governo para driblar a operação:

 
Jucá – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria.
 
Machado – Tem que ser uma coisa política e rápida. Eu acho que ele está querendo… o PMDB. Prende, e bota lá embaixo. Imaginou?
Machado – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.
 
Jucá – Só o Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
 
Machado – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
 
Jucá – Com o Supremo, com tudo.
 
Machado – Com tudo, aí parava tudo.
 
Jucá – É. Delimitava onde está, pronto.

 
Machado é filiado ao PMDB e foi ex-senador pelo PSDB, portanto sabia muito bem sobre o que estava falando. Jucá, então, nem se fala. Chega a impressionar como o roteiro revelado em março está se cumprindo nos mais mínimos detalhes. Impossibilitados de controlar diretamente a Lava Jato, a turma capitaneada por Michel Temer claramente busca uma solução política para delimitar a operação e estancar a sangria. A pressa do governo em acelerar o projeto se justifica quando percebemos que as empreiteiras estão caguetando governistas importantes como José Serra (PSDB) e Paulo Skaf (PMDB). Essa semana também ficou comprovado que Michel Temer recebeu em sua conta eleitoral R$ 1 millhão não declarado do presidente Andrade Gutierrez.

Não há mais dúvidas de que o Poder Executivo está trabalhando com afinco para driblar a Lava Jato. Além da nova Lei da Leniência, a Operação Estanca Sangria do governo está empenhada em outras frentes na Câmara para delimitar as investigações, como o projeto que anistia o caixa 2, defendido abertamente pelo ministro Geddel. O grupo político que articulou o impeachment e tomou o poder tenta agora jogar areia nos olhos das investigações indiretamente, através desse tipo de traquinagem na Câmara.


 
Procuradores da Lava Jato chegaram a convocar entrevista coletiva para criticar essas ações do governo. O procurador Carlos Fernando, o mesmo que se mostrava preocupado com o novo governo pós-impeachment, declarouque o projeto “libera totalmente as pessoas de qualquer responsabilidade criminal” e “prejudica tanto que não teríamos mais uma Operação Lava Jato”.
 
Apesar das tramóias previstas no script estarem sendo cumpridas à risca, os agentes governistas da Operação Estanca Sangria ainda estão longe de um final feliz. Sem a mesma habilidade política da salamandra escorregadia que ocupava o seu cargo, Rodrigo Maia – que havia dito que a urgência seria votada na quarta-feira no plenário – mudou o rumo da conversa após as críticas ao governo. Ambos os projetos foram engavetados provisoriamente, mas, conhecendo a turma, novas investidas virão. Há um roteiro a se cumprir.




Créditos da foto: Marcos Corrêa/PR




O dia nacional de greve e o 'silêncio militante' da mídia

14/11/2016 22:15 - Copyleft

O dia nacional de greve e o 'silêncio militante' da mídia

A ocultação deliberada do real, de fatos sobre os quais tem conhecimento, dizia Perseu Abramo, é um dos padrões de manipulação dos meios de comunicação


Pedro Rafael Vilela*, do Fórum Nacional pela Democratização da Comuicação
SindBancários
FNDC – Não é a primeira vez, nem será a última, mas não deixa de ser simbólica a (não) cobertura da mídia brasileira sobre os protestos e paralisações de diversas categorias profissionais ocorridos em mais de 21 estados e no Distrito Federal, na última sexta-feira (11), no Dia Nacional de Greve. Os atos, organizados por movimentos sociais e pelas principais centrais sindicais do país, contou com a participação de dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, além de estudantes, que interromperam suas atividades em setores como transporte público, limpeza urbana, bancos, escolas e indústria, e foram às ruas das maiores cidades brasileiras para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 55, em tramitação no Senado. Se aprovada, essa PEC vai impor um congelamento nos gastos públicos, como saúde, educação, cultura e saneamento básico pelos próximos 20 anos, uma tragédia em termos de direitos sociais sem precedentes na história do Brasil.
 
Uma mudança constitucional tão drástica, num país que tivesse um sistema de comunicação plural e diverso, deveria gerar, para dizer o mínimo, um intenso debate na sociedade, com participação maciça da própria mídia na visibilidade e no esclarecimento das reais implicações da medida. Não é o que ocorre no Brasil.

 


 

A irrealidade da mídia



 
Em um de seus ensaios mais célebres, o jornalista e sociólogo Perseu Abramo descreveu com acuidade as múltiplas formas de manipulação da informação por parte da imprensa. Ao distinguir os quatro padrões básicos de distorção da realidade praticados pela mídia, Abramo chama a atenção para o padrão de ocultação, um dos mais recorrentes. Em suas próprias palavras, “é o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre os fatos da realidade”.





 
Um outro padrão concebido por Perseu Abramo, o da fragmentação, tem a ver com a forma como a mídia, ao noticiar um fato, decompõe a totalidade desse fato, operando um processo de seleção de alguns aspectos, em detrimento de outros. É o que ocorre, por exemplo, quando a ênfase das matérias trata apenas das consequências dos bloqueios no trânsito e fechamento de rodovias, como que opondo os objetivos dos manifestantes ao do conjunto da população. Ao mesmo tempo que ressalta esse aspecto, silencia sobre as motivações das paralisações e se recusa até mesmo a dar voz aos envolvidos nas mobilizações para dialogue com a sociedade. Trata-se de uma inversão rasteira dos fatos e da própria realidade, mas que é absolutamente corriqueira na cobertura da mídia. Basicamente, esses dois padrões de manipulação, facilmente verificáveis, deram a tônica do noticiário na (não) repercussão das manifestações e paralisações no Dia Nacional de Greve. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) acompanhou com atenção a cobertura das principais redes de televisão, jornais e portais de notícias ao longo da sexta-feira e no dia seguinte. O resultado? Um tapa na cara da democracia e um descompromisso brutal com o direito à comunicação e informação da população brasileira.

 


 

Televisão: a gente não se vê por aqui



 
As principais emissoras de televisão aberta parecem ter disputado entre si o título de quem mais ignorou as expressivas mobilizações do Dia Nacional de Greve. O Jornal Nacional, da Globo, noticiário de maior audiência na tevê brasileira, decidiu simplesmente não exibir um segundo sequer dos atos que paralisaram algumas das maiores cidades do país, apostando forte na estratégia da ocultação. Na opinião de Perseu Abramo, em seu ensaio sobre manipulação da grande imprensa, a mídia é mais perversa por aquilo que ela não veicula do que por aquilo que leva ao ar. É como se ela definisse os fatos sociais que merecem ser considerados fatos jornalísticos ou não. “Todos os fatos, toda realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe de suas características reais intrínsecas, mas depende, sim, das características do órgão de imprensa, de sua visão de mundo, de sua linha editorial”.
 
A Globo News, canal de notícias das Organizações Globo na televisão por assinatura, que, durante as manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff dedicava praticamente a totalidade de sua programação aos protestos, dessa vez apenas cumpriu um lamentável protocolo de cobrir com distanciamento e até desprezo os atos do Dia Nacional de Greve. Exibindo notas curtas e panorâmicas ao longo de sua programação, sem sequer ouvir os porta-vozes dos atos, a emissora deu ênfase justamente às interrupções no trânsito e paralisação dos transportes públicos em cidades como São Paulo e Brasília. No programa Estúdio I, que se define pela característica de noticiário com análise, e vai ao ar de segunda à sexta, às 14h, a cobertura dos protestos seguiu a lógica de relatar superficialmente os acontecimentos. No momento de analisar a notícia, os participantes do programa praticamente ignoraram as causas do protesto e logo mudaram de assunto. Para se ter uma ideia, o programa dedicou mais tempo à matéria sobre o site de dicas econômicas de moda da filha do Donald Trump do que à repercussão da greve nacional, incluindo aí os comentários de estúdio.
 
No Jornal da Record, uma nota de 37 segundos, lida pelo apresentador, apenas mencionou protestos de estudantes e servidores do Rio de Janeiro contra atrasos nos salários por parte do governo estadual, com ênfase na repressão da Polícia Militar. O Jornal da Band, levado ao ar na noite da sexta-feira (11), como que reconhecendo a dificuldade em ignorar as manifestações, optou por um caminho misto, entre a ocultação e a distorção com doses generosas de criminalização da manifestação política e do próprio direito de greve. Na matéria de um minuto e 10 segundos, o telejornal enfocou imagens das manifestações pela ótica da paralisação do transporte público e bloqueio de ruas e rodovias, ressaltando a ideia de que os protestos “atrapalharam muita gente”. Os dois únicos entrevistados foram pessoas que criticaram as interrupções no trânsito, e não houve qualquer menção mais clara sobre os motivos do protesto.
 
Já o SBT Brasil, dentre os principais telejornais, foi o que exibiu a matéria mais equilibrada. Com 4min27 de duração, a reportagem seguiu a ênfase de relatar criticamente os bloqueios e paralisações de rodovias na primeira parte da matéria, mas foi a única a dar voz para lideranças dos movimentos (Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, e Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT Brasília). Destacou passeatas e protestos de estudantes e professores no Rio Grande Sul, que resultaram em forte repressão da Brigada Militar. Bom lembrar que diversas categorias de servidores estaduais do RS sofrem com salários atrasados há meses. A própria Brigada Militar, que reprimiu os protestos, corre o risco de nem sequer receber o 13º salário em decorrência da política de austeridade do governo Ivo Sartori (PMDB-RS), que tem penalizado principalmente os serviços públicos no estado.

 


 

Ocultação nos jornais



 
Os três maiores jornais impressos do país, em suas edições publicadas no sábado (12), decidiram deliberadamente ignorar os atos ocorridos no dia anterior. Até mesmo a Folha de S. Paulo, que se vende como veículo aberto ao debate e que busca exibir diversos pontos de vista políticos diferentes, não dedicou uma linha sequer ao assunto. No jornal O Globo, da família Marinho, idem. O Estadão, tido como o mais conservador entre os três, publicou uma nota pequena, na página interna B3, de economia, com cerca de 10 linhas, praticamente um registro dos protestos, e não uma cobertura. Nos portais de notícias UOL e G1, foram publicadas matérias sobre os protestos, repetindo a fórmula panorâmica de descrição dos atos a partir do ângulo das interrupções no transporte e paralisação das rodovias. Nenhuma dessas matérias ganhou destaque na página principal desses portais. Para encontra-las, os interessados teriam que buscar principalmente na página de últimas notícias ou no buscador do próprio site, o que diminui muito o potencial de audiência dessas notícias.

 


 

Censura privada na TV pública



 
Se o comportamento dos veículos privados de comunicação não chega a surpreender, foi lamentável constatar que as mesmas fórmulas de ocultação e cobertura superficial se aplicaram também à matéria exibida pela TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no seu principal telejornal, o Repórter Brasil, na noite de sexta-feira. Em menos de dois minutos, a “reportagem” exibiu trechos dos protestos e paralisações em diversos estados. Novamente, destaque para os bloqueios de rodovias e paralisações no transporte público e nas escolas. Nenhum porta-voz dos trabalhadores foi ouvido para contextualizar o significado daqueles atos. Oferecer mecanismos para debate público acerca de temas de relevância nacional, como preconiza a lei de criação da EBC, mandou lembranças dessa vez. Esse episódio não parece estar desconectado da grave intervenção promovida por Michel Temer sobre a EBC, que praticamente eliminou as garantias de autonomia e independência de sua programação frente ao governo, ao extinguir principalmente o Conselho Curador e os mandatos do diretor-presidente e do diretor-geral.

 


 

O contraponto



 
Coube aos meios de comunicação alternativos oferecer uma cobertura decente e proporcional ao tamanho das paralisações e mobilizações da última sexta-feira. Apenas para ficar em um dos exemplos mais expressivos, a Mídia Ninja utilizou seus canais nas redes sociais para distribuir, ao longo de toda a sexta-feira, um rico conteúdo das manifestações, que incluía, principalmente, vídeos e fotos, com registro de paralisações em mais de 20 cidades, incluindo diferentes categorias: metroviários, rodoviários, professores, estudantes, trabalhadores da limpeza urbana, e muito mais. Vale destacar que, ao contrário da cobertura televisiva, onde as filmagens se deram com distanciamento, partir do topo de edifícios ou do alto dos helicópteros, a cobertura da Mídia Ninja se dá diretamente das manifestações, abrindo espaço para falas dos trabalhadores e capturando uma dimensão mais orgânica do significado desses atos. O portal Brasil de Fato também publicou dezenas de matérias e postagens destacando a abrangência das paralisações em todo o país.
 
Esse contraponto só reforça uma conclusão inevitável: a grande imprensa só não cobriu o Dia Nacional de Greve porque não quis. Ou melhor, porque tratou-se de uma deliberada decisão editorial de ignorá-lo e, com isso, alienar ainda mais o conjunto da sociedade sobre o debate do presente e do futuro do país. Não há democracia sem mídia democrática. E, sem democracia, não se constrói um país justo. Re-existir sempre, calar jamais!
 
Pedro Rafael é jornalista, mestre em comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e secretário-executivo do FNDC. Colaboraram Bia Barbosa e Renata Mielli.


Créditos da foto: SindBancários