sexta-feira, 7 de abril de 2017

SERVIDORES DO MINC REAGEM AO APARELHAMENTO DO PPS

SERVIDORES DO MINC REAGEM AO APARELHAMENTO DO PPS

247 - A Associação dos Servidores do Ministério da Cultura reagiu, em nota de repúdio, contra o que classificou de "aparelhamento" promovido por Roberto Freire na pasta.

A entidade também critica no texto o "desmonte das políticas culturais". "O único critério que parece ter sido adotado é o de pertencer ao mesmo partido do atual ministro", protesta a associação.

O ministro da Cultura de Temer, que é presidente do PPS, nomeou ao menos 18 membros de seu partido para cargos na pasta, entre assessorias, secretarias, diretorias, entidades vinculadas e representações regionais da pasta. Dez pessoas foram nomeadas apenas nos três primeiros meses de 2017, mostrou reportagem da Folha de São Paulo.

Desde que assumiu o comando do MinC, em novembro de 2016, Freire sempre condenou publicamente, diversas vezes, um suposto aparelhamento petista durante os governos Lula e Dilma, de 2003 a 2016.


Em fevereiro desse ano, ele protagonizou um bate boca com Raduan Nassar durante cerimônia de entrega do prêmio Camões ao escritor brasileiro, depois que Nassar fez um discurso contra o golpe e o governo Michel Temer.

A GRANDE PATAQUADA

A grande pataquada

Roberto Requião*


Hoje eu vou falar de patos, essas simpáticas aves da família Anatidae. Fui ao Google para me ilustrar sobre o assunto e aprendi que a família dos patos é enorme. Há o pato-mudo, o pato corredor, o pato-ferrão, o pato papão, o pato-caipira e o pato da FIESP. E assim por diante. Ah, sim! Os marrecos também fazem parte da família. E temos aí a marreca-cricri, o marreco-gritalhão, o marrecão, o marreco-pompom, o marreco de bico-amarelo...

Confesso que fiquei interessado pelo pato-mudo. O pato mudo é assim chamado porque ele não emite sons altos; o macho faz um som semelhante a um assopro; e a fêmea algo como um assobio bem discreto.

É fácil criar patos e eles se reproduzem com grande facilidade. No Brasil, os patos são milhões e milhões, embora ultimamente, informam-me, talvez por causa do clima, da crise econômica, da reforma da Previdência ou do desemprego, registra-se uma drástica diminuição na população dos patos.

O coletivo de patos é bando ou pataquada, como sugerem alguns.

Os patos são facilmente domesticados e é possível conduzir o bando pata aqui, pata acolá, porque o pato sempre vem para ver o que é que há, como diz a letra da música de Vinícius de Morais.
Assim, para amestrar e docilizar o pato, especialmente o pato-mudo, muitos criadores colocam nos aposentos do bando televisores e rádios, permanentemente sintonizados na Globo e na CBN. E, para melhor acomodá-los, forram o ambiente onde vivem com jornais e revistas criteriosamente selecionados.

Os criadores chegaram à conclusão que, sob o efeito de certas vozes, masculinas e femininas, de apresentadores e comentaristas do rádio e da televisão, os patos reproduzem-se com maior velocidade.

Quanto à dieta dos patos, algumas informações de tratadores referem-se à adoção exitosa da alfafa na alimentação dessas aves.

Mas vamos ao que interessa. Embora minha curiosidade sobre o pato-mudo, eu quero mesmo falar do pato da FIESP, um pato que se notabilizou por seu ativo desempenho no primeiro semestre do ano passado em algumas capitais brasileiras, especialmente na capital federal e em São Paulo, hoje o maior centro criador de patos e referência mundial na criação da ave. Tanto assim que alguns criadores russos já estão importando o pato da FIESP, crentes possam reproduzir em Moscou e Petersburgo o mesmo resultado que no Brasil.

Segundo o Google me informa, o pato da FIESP tem lá suas idiossincrasias.

Por exemplo, não gosta de nada que seja imposto. Tem horror ao imposto. Chegou até mesmo a criar um medidor para espalhar a rejeição a tudo o que é imposto.

É um pato liberal, vê-se.

Outra coisa que as pesquisas no Google ensinaram-me é que, frequentemente, os patos líderes trapaceiam a pataquada. Prometem levá-los a descansar em verdes prados, a conduzi-los às águas refrescantes, a reconfortar suas almas, a protegê-los de todo o mal, mas acabam por pastoreá-los por ínvios e tenebrosos caminhos.

Verbi gratia.

O rei dos patos-FIESP, prometeu ao bando que se a marreca-cricri fosse apeada do poleiro, haveria abundância, jorrariam leite e mel.

E que nada seria imposto à patolândia. Houve mesmo um grão-pato pernambucano que prometeu o milagre instantâneo da multiplicação dos pães, dos peixes, do vinho e dos tecidos de tafetá ou de morim se a referida madame fosse afastada.

Quem sabe seja por isso, porque tudo o que é imposto aumenta; porque diminui a ocupação dos patos; porque se reduz a ração do bando, e muitos se recusam a consumir alfafa como cardápio alternativo; porque os patos mais velhos estão sendo ameaçados de nunca mais poder descansar; ou seja, porque as tarefas dos patos estejam sendo terceirizados para os urubus, corvos, quero-queros, a verdade é que mingua, dissolve-se o número dos anatídeos a seguir seus líderes.
Parece que as generosas contribuições financeiras dos irmãos Koch - ou do brasileiro mais rico do país e 19º mais rico do planeta – não estão dando mais conta de mobilizar os patinhos e os patões que haviam proclamado a República do Vão Livre do MASP ou o Consulado do Pato FIESP.

Concluo esse mergulho no mundo dos patos, marrecos e gansos com duplo e contraditório sentimento: otimista e pessimista.

Pessimista por ver quanto é poderosa a aliança mídia/grande capital, tão poderosa a ponto de fazer milhões de brasileiros bem-intencionados a vestirem a camisa da CBF e marcharem pelas ruas defendendo, em última instância, as teses de seus opressores.

Otimista por ver os brasileiros, que foram feitos de patos, despertarem e, em movimento contrário, retomarem as ruas contra a entrega do país ao grande capital global, especialmente ao capital financeiro; contra a destruição da Previdência Social e da Legislação Trabalhista; contra a terceirização que instaura no país a escravidão remunerada; contra a destruição da nossa indústria e o extermínio dos empregos.

O Brasil desperta. Está na hora deste Senado também acordar e a começar a pôr um freio nessas loucuras inspiradas nas putrefatas ideias neoliberais.

Não somos o país dos patos. Não somos patos.

Não há de ser o presidente de uma entidade empresarial-industrial que se distingue pelo servilismo aos que destroem as indústrias, o emprego, o consumo e a soberania que fará do Brasil o país dos patos-FIESP.

* Senador da República (PMDB/PR)


quinta-feira, 6 de abril de 2017

FUP: NOVO PACOTE DE VENDA DE ATIVOS DA PETROBRAS É DESTRUIÇÃO COMPLETA

CARTA ABERTA A GILMAR MENDES

Carta aberta a Gilmar Mendes

Paulo Nogueira


Caro ministro Gilmar:

O senhor desonra a Justiça. É a pior espécie de juiz que pode existir: aquele que se move por razões políticas. Sabemos antecipadamente qual será seu voto quando se trata de um tema político. Isto, em si, é uma afronta à dignidade da Justiça.

O senhor sabe, ou deveria saber, que no mundo civilizado sua conduta é intolerável.

Há um caso exemplar em curso nos Estados Unidos. Uma juíza da Suprema Corte, Ruth Bader Ginsburg, fez alguns comentários sobre o candidato à presidência Donald Trump.

Chamou-o de “enganador”, e acusou-o de ter um ego enorme.

Caro Gilmar: são elogios perto das coisas que o senhor fala de Lula e do PT sem nenhuma cerimônia e nenhum pudor.

Pois as palavras da ministra geraram uma tempestade política entre os americanos. Trump disse que ela deveria renunciar. Especialistas em ética se ergueram contra a ministra. Editoriais de jornais condenaram-na energicamente.
Repare, aqui, a diferença, caro Gilmar: nenhum jornal jamais publicou um editorial que reprovasse as barbaridades que o senhor pronuncia sistematicamente contra o PT.

Isso mostra a aliança que existe entre as grandes companhias de mídia e alguns juízes do STF. Eu diria: as duas partes se merecem.

A juíza americana, diante da repercussão de suas afirmações, recuou humildemente. Lamentou ter-se pronunciado em algo que não lhe cabe — política. “Juízes devem evitar falar sobre política. No futuro, terei mais cuidado.”

Juízes que atuam como políticos rebaixam, ao mesmo tempo, a política e a Justiça. É o seu caso, ministro Gilmar.

A péssima imagem do Poder Judiciário perante a sociedade deriva, em boa parte, do senhor. Mais recentemente, é verdade, outro juiz deu uma contribuição milionária para a desmoralização da Justiça, Sérgio Moro, com sua fixação em punir petistas e apenas petistas.

E antes de vocês dois, não podemos esquecer, tivemos Joaquim Barbosa, a quem a mídia proporcionou holofotes em doses extraordinárias em troca do massacre do PT no julgamento do Mensalão.

Caro Gilmar: insisto no ponto de que as declarações da ministra Rute foram nada perto do que o senhor fala todos os dias.

Nos Estados Unidos, um juiz como o senhor não existiria. A opinião pública não tolera a intromissão de juízes nos debates políticos.

Caro Gilmar: o senhor não é apenas um mau juiz. É também um golpista.

Confio que, no futuro, comentários políticos de juízes provoquem no Brasil o mesmo tipo de indignação que existe nos Estados Unidos e em outros países socialmente avançados. Quem quer fazer política deve se submeter às urnas.

O senhor é o retrato togado de um país explorado abjetamente por uma plutocracia sem limites em sua ganância portentosa.

Sinceramente.

Paulo


Coletiva sobre o filme propaganda da "Lava Jato"

https://www.facebook.com/wadihdamous/videos/vb.268336819970751/850058485131912/?type=2&theater

Falando verdades

https://www.facebook.com/Falandoverdades2/videos/913961458719175/

SALVAR TEMER PARA SALVAR O GOLPE E CONTINUAR A DESTRUIR O BRASIL

Emir Sader


De repente, frente à possibilidade real de que Temer seja destituído, os que reclamavam muito da sua incompetência e do fracasso do seu governo, se unem no esforço hercúleo de tentar manter seu governo. Usam o conhecido argumento do "mal menor", frente ao qual o "mal maior" são eleições, retorno da democracia e Lula de novo presidente do Brasil.

FSP, FHC, que se haviam pronunciado já por eleições diretas, recuam para a posição covarde de manutenção do Temer, frente ao risco de desandar tudo o que governo golpista fez: a destruição do país.

Mas qual é o mal maior que querem todos da direita evitar? As eleições diretas, o voto popular, a volta da democracia, a eleição do Lula para presidente. Frente a isso, vale tudo.

E qual é o mal menor? Um governo incompetente, incapaz de ordenar minimamente a economia, sem capacidade de conquistar apoio nem sequer de setores da população, que só diz e faz besteira, que está sempre na corda bamba pelas acusações contra Temer e contra a maioria do seu governo.

Como o objetivo maior da direita brasileira era tirar o PT do governo, se uniram em torno dele e optaram pela vida que se tornou possível, o que significava usar o Temer e a gangue peemedebista que o cerca. Trilham esse caminho, com a única alternativa de que dispõem: a restauração do modelo neoliberal dos anos 1990, fracassada e derrotada quatro vezes nas urnas.

Essa combinação explosiva – modelo econômico profundamente antinacional, antidemocrático e antipopular e equipe política corrupta – leva o país ao caos econômico e à acefalia política, além da desmoralização internacional e do cerco que sofre dos movimentos populares. Esses são os males menores, que destroem o país, impõe um regime de exceção, desmoralizam o Congresso, a política, o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal, liquidam com o país e destroem a democracia.

Porque tirar o PT do governo não é somente tirar um partido e colocar outro. Significa uma ruptura democrática e de classe. Democraticamente não conseguiram tirá-lo do governo. E na democracia não conseguiram impor esse modelo econômico predatório.

Como já se disse, para tirar o PT do governo e o Lula da vida política, destroem o país, liquidam a democracia, promovem o mais radical processo de exclusão social que o país já conheceu, no mais curto espaço de tempo. Porque o PT no governo significava a prioridade das políticas sociais, o fortalecimento do Estado e das empresas públicas, a ampliação da democracia política e social, uma economia que crescia para, ao mesmo tempo, distribuir renda, um país soberano e respeitado no mundo.

Fazer tudo para manter o governo Temer significa exatamente o contrário: tirar direitos, impor uma profunda recessão econômica, multiplicar sem limites o desemprego, desmoralizar o Brasil lá fora, debilitar o Estado e o patrimônio público. Esse é o mal menor para a elite brasileira, disposta a destruir, contanto de não perder de novo o controle do Estado brasileiro.

Se conseguir, reinará sobre um país e uma sociedade em cinzas. Se for derrotada, a democracia permitirá ao povo voltar a escolher o caminho que prefere.