sábado, 15 de abril de 2017

Clipping Internacional - 12/04/2016

12/04/2017 17:17 - Copyleft

Clipping Internacional - 12/04/2016

Pesquisa revela que EI é mal visto no mundo árabe. Segundo estudo, 89% da população tem uma opinião "negativa" ou "muito negativa" sobre o grupo terrorista


Carta Maior
Arte CM
BRASIL
Les Echos, França
Escândalo Petrobrás: nove ministros são alvo de um novo inquérito. O novo episódio deste folhetim judicial e financeiro enfraquece ainda mais o presidente do Brasil, Michel Temer.
https://www.lesechos.fr/monde/ameriques/0211966140696-scandale-petrobras-neuf-ministres-vises-par-une-enquete-2079299.php
 
The Wall Street Journal, EUA
A Suprema Corte brasileira autoriza investigação que alcança os auxiliares mais importantes do governo. Ampliando a Lava Jato, o inquérito atinge como um soco o Presidente Michel Temer, enquanto ele tem dificuldades para reanimar a economia.
 
El País, Espanha
O STF brasileiro manda investigar oito ministros do governo Temer. A procuradoria geral da República pede também que sejam investigados três presidentes anteriores: Lula, Dilma e Fernando Henrique.
http://internacional.elpais.com/internacional/2017/04/11/actualidad/1491944929_089141.html
 
The New York Times, EUA
Governo Temer derrapa com dezenas de seus auxiliares acusados em novas investigações de corrupção.
https://www.nytimes.com/2017/04/11/world/americas/brazil-michel-temer-investigation-petrobras-odebrecht.html?rref=collection%2Fsectioncollection%2Famericas
 
Página 12, Argentina
“Se não têm provas, que peçam desculpas”. Lula se defende das acusações sobre o caso Odebrecht. “Quebraram meu sigilo fiscal, telefônico e bancário. Investigaram minha vida no Brasil, na China, na Sibéria. Quero depor”, afirmou o ex-presidente brasileiro. No dia 3 de maio deporá ante o juiz Moro.
https://www.pagina12.com.ar/31226-si-no-tienen-pruebas-que-pidan-perdon
 
Artigo de Emir Sader: A renovação do PT





https://www.pagina12.com.ar/31227-la-renovacion-del-pt
 
Público, Portugal
Juiz autoriza investigações contra nove ministros e outros 74 políticos do Brasil. Além dos ministros, também foram autorizadas investigações contra 29 senadores (membros da câmara alta parlamentar) e 42 deputados federais (da câmara baixa).
https://www.publico.pt/2017/04/12/mundo/noticia/juiz-autoriza-investigacoes-contra-9-ministros-e-outros-74-politicos-do-brasil-1768508
 
Le Monde, França
Corrupção no Brasil: a justiça vai investigar cerca de 80 parlamentares e ministros. O STF, único capaz de processar aqueles que têm imunidade, está encarregado do dossiê ligado ao gigante do escândalo de corrupção: a Odebrecht.
http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2017/04/12/corruption-au-bresil-la-justice-va-enqueter-sur-80-parlementaires-et-ministres_5109754_3222.html
 
https://www.wsj.com/articles/brazil-supreme-court-authorizes-investigation-of-top-government-officials-1491956736
 
La Jornada, México
Suprema Corte brasileira ordena investigação a nove ministros de Temer.
http://www.jornada.unam.mx/ultimas/2017/04/11/corte-brasilena-ordena-investigar-a-nueve-ministros-de-temer
 
RFI, França
Brasil acelera produção de cinco submarinos. Em um imenso hangar, em meio a um ruído ensurdecedor, operários brasileiros trabalham na montagem dos cascos dos submarinos. Mas, em um país sacudido pela crise e pela corrupção, as novas embarcações enfrentam turbulências antes mesmo de sair da oficina.
http://m.br.rfi.fr/brasil/20170411-brasil-acelera-programa-de-fabricacao-de-cinco-submarinos-no-rj
 
MUNDO
 Público, Portugal
Pesquisa revela que Daesh (Estado Islâmico) é mal visto no mundo árabe. Segundo o estudo, 89 % da população tem uma opinião “negativa” ou “muito negativa” sobre o grupo terrorista. Esta visão tem se mantido estável desde 2014.
https://www.publico.pt/2017/04/12/mundo/noticia/inquerito-revela-que-grupo-estado-islamico-e-mal-visto-no-mundo-arabe-1768518
 
Diário de Notícias, Portugal
"O risco de um conflito entre EUA e Rússia é real e assustador". Peter Kuznick, especialista em questões nucleares, este professor de História da Universidade Americana em Washington mostra-se profundamente preocupado com o clima de tensão entre Washington e Moscovo. "Precisamos com urgência de diplomacia, mas ainda não vimos sinais de que Trump seja capaz de ser diplomático", lamenta
http://www.dn.pt/mundo/interior/o-risco-de-um-conflito-entre-eua-e-russia-e-real-e-assustador-6215635.html
 
The Guardian, Inglaterra
As demandas por uma vida melhor pelos “países em desenvolvimento” devem ser encontradas, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. Há um grande risco de guerra, terrorismo e crescente migração se as aspirações dos países pobres não forem atendidas.
https://www.theguardian.com/business/2017/apr/11/developing-countries-demands-for-better-life-must-be-met-says-world-bank-head
 
El País, Espanha
Rússia acusa os Estados Unidos de ter uma “retórica primitiva” sobre a Síria. “Incoerência é a primeira palavra que vem à mente”, disse o vice primeiro ministro das relações exteriores russo.
http://internacional.elpais.com/internacional/2017/04/12/actualidad/1491984742_827916.html
 
The New York Times, EUA
Casa Branca acusa a Rússia de acobertamento do ataque sírio.
https://www.nytimes.com/2017/04/11/world/middleeast/russia-syria-chemical-weapons-white-house.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&clickSource=story-heading&module=first-column-region&region=top-news&WT.nav=top-news
 
Sputnik News, Rússia
Em nome da paz? Como Washington disfarça ocupações com “intervenções humanitárias”.
https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/201704068079199-oriente-medio-iraque-afeganistao-ocupacao-invasao-eua/


Créditos da foto: Arte CM




Slavoj Zizelk: Trump e o retorno do politicamente incorreto

12/04/2017 17:10 - Copyleft

Slavoj Zizelk: Trump e o retorno do politicamente incorreto

Slavoj Zizek faz uma análise da figura de Donald Trump: "Um ensaio sobre o simples ato de defecar em público, ou, A insustentável leveza da vulgaridade"


Slavoj Zizelk*
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Alguns meses atrás, o empresário e pré-candidato Republicano à presidência dos EUA Donald Trump foi carinhosamente comparado a um sujeito que defeca barulhentamente no canto de uma sala durante um respeitável coquetel formal. Mas será que os demais candidatos Republicanos à presidência dos EUA são substancialmente melhores?
 
Todos lembramos da infame cena do filme O fantasma da liberdade, dirigido por Luis Buñuel, em que as relações entre comer e excretar sao invertidas: as pessoas se sentam à volta da mesa em suas privadas conversando normalmente, e quando sentem fome, discretamente se dirigem ao mordomo – “Por favor, onde fica aquele lugar de…?” – e se escapolem para um quartinho nos fundos para comer.
 
Pois bem, não seriam os debates dos candidatos Republicanos – para prolongar a metáfora – muito semelhantes a essa reunião do filme de Buñuel? E o mesmo não valeria também para muitos dos principais políticos no mundo hoje? Erdo%u01Fan não estava também defecando em público quando, num recente estouro de paranoia, taxou os críticos a sua política em relação Curdos como traidores e agentes estrangeiros? E Putin não estava também defecando em público quando (em um ato calculado de vulgaridade pública que visava elevar sua popularidade em casa) ameaçou um crítico de suas políticas para a Chechênia de castração química? E, por fim, não estava Sarkozy também defecando em público quando, lá em 2008, estourou com um fazendeiro que se recusou a apertar sua mão – “Casse-toi, alors pauvre con!” (uma tradução generosa seria algo como “Então sai fora, seu idiota!”, mas seu real significado é muito mais grosseiro) –?
 
E a lista continua… Em um discurso no Congresso Sionista Mundial em Jerusalém, no dia 21 de outubro de 2015, o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu sugeriu que Hitler só queria expulsar os judeus da Alemanha, e não exterminá-los, para defender que, na verdade, teria sido Haj Amin al-Husseini, o mufti palestino de Jerusalem, que teria de alguma forma persuadido o Führer a realmente matá-los.
 
Netanyahu então narrou um suposto encontro entre as duas figuras, datado de novembro de 1941, em que al-Husseini teria dito que se Hitler expulsasse os judeus da Europa “eles viriam todos para aqui [para a Palestina]”. Segundo Netanyahu, o Führer alemão teria retrucado, “Então o que você sugere que eu faça com eles?”, ao que o mufti teria respondido, “Queime-os”. Os principais pesquisadores israelenses do Holocausto imediatamente problematizaram essas afirmações, assinalando que a conversa entre al-Husseini e Hitler não pode ser comprovada, e que o genocídio dos judeus europeus pelas unidades móveis da SS já estava sendo levada a cabo há um bom tempo, antes do suposto momento em que os dois teriam se reunido em pessoa.
 
Por isso, não devemos nos iludir quanto ao verdadeiro significado de afirmações como essas de Netanyahu: trata-se de um claro sinal da regressão de nossa esfera pública. Acusações e ideias que estavam até agora confinadas ao obscuro submundo da obscenidade racista e do lamaçal xenofóbico estão agora ganhando respaldo nos discursos oficiais.
 
O problema aqui está no que Hegel chamou de Sittlichkeit: a eticidade dos costumes, o espesso pano de fundo de regras (não ditas) da vida social, a densa e impenetrável substância ética que nos diz o que podemos ou não fazer. Essas regras estão desintegrando hoje: o que era simplesmente indizível em um debate público algumas décadas atrás pode agora ser proferido com absoluta impunidade.
 
Pode parecer que essa desintegração está sendo relativamente contraposta pelo crescimento do “politicamente correto”, que prescreve exatamente o que pode e não pode ser dito; no entanto, um olhar mais atento imediatamente revela como a regulação dita “politicamente correta” participa do mesmo processo de desintegração da substância ética. Para demostrar esse ponto, basta retomar o impasse do politicamente correto: a necessidade de regras “politicamente corretas” surge quando os valores não ditos de uma sociedade não são mais capazes de regular efetivamente as interações cotidianas – no lugar de costumes consolidados seguidos de forma espontânea, ficamos com regras explícitas (“negro” se torna “afro-americano”, “favela” se torna “comunidade”, um ato de “tortura” passa a ser denominado oficialmente de “técnica aprimorada de interrogação”… de tal forma que “estupro” poderia muito bem passar a ser chamado de “técnica aprimorada de sedução”). O ponto fundamental é que a tortura – um ato de violência brutal praticada pelo Estado – passa a ser tornada publicamente aceitável a partir do momento em que a linguagem pública se verte ao politicamente correto para proteger as vítimas da violência simbólica. Os dois fenômenos são lados da mesma moeda.
 
Podemos identificar um fenômeno semelhante em outros domínios da vida pública. Quando se noticiou que, de julho a setembro de 2015, o “Jade Helm 15” – uma série de exercícios militares estadunidenses – ocorreria no sudoeste dos EUA, imediatamente começaram a pipocar alegações conspiratórias. Levantou-se a suspeita de que os exercícios integravam uma grande trama do governo federal para submeter o estado do Texas à lei marcial, num ato de violação direta da Constituição. Encontramos todos os suspeitos usuais participando dessa paranoia conspiratória – até o ator Chuck Norris se pronunciou! Mas o mais maluco de todos certamente é o que lemos no site All News Pipeline, que associou esses exercícios ao fechamento de uma série de megalojas da Wal-Mart no Texas: “Serão esses enormes galpões usados como ‘centros de distribuição alimentar’ e abrigar o QG das tropas chinesas invasoras, que desembarcariam aqui visando desarmar os americanos um a um, como prometeu Michelle Obama, antes de Obama deixar a Casa Branca?” Mas o que deixa o caso realmente sinistro é a reação ambígua da própria oficialidade política republicana texana: o Governador Greg Abbott mobilizou a Guarda do Estado para monitorar o exercício e Ted Cruz exigiu detalhes ao Pentágono.
 
Donald Trump é a expressão mais pura dessa tendência de aviltamento de nossa vida pública. Veja: o que Trump faz para “roubar a cena” nos debates públicos e nas entrevistas? Ele oferece uma salada de vulgaridades “politicamente incorretas”: estocadas racistas (contra imigrantes mexicanos), alimenta suspeitas sobre o local de nascimento de Obama e sobre seu diploma universitário, profere ataques de extremo mal gosto contra as mulheres e não poupa ofensas a heróis de guerra como John McCain.
 
Essas tiradas grosseiras funcionam para indicar que Trump não está nem aí para os falsos costumes, que ele pode dizer “abertamente o que ele (e muitas pessoas comuns) pensam.” Ou seja, ele deixa claro que, apesar de ser um empresário bilionário, ele é também um sujeito ordinário e vulgar assim como nós, pessoas comuns.





 
No entanto, essas vulgaridades não devem nos iludir: o que quer que Trump possa ser, ele não é um perigoso elemento externo. Na verdade, seu programa é até relativamente moderado (ele reconhece muitas das conquistas democráticas, e sua posição em relação ao casamento gay é ambíguo). A função de suas provocações “refrescantes” e estouros vulgares é precisamente a de mascarar a incontornável ordinariedade de seu programa.
 
Seu verdadeiro segredo é de que se, por algum milagre, ele ganhar, nada vai mudar – em contraste com Bernie Sanders, o candidato democrata de esquerda cuja principal vantagem sobre a esquerda liberal, politicamente correta, é que ele compreende e respeita os problemas e os medos dos trabalhadores e fazendeiros comuns. O duelo eleitoral realmente interessante seria aquele entre Trump como candidato Republicano contra Sanders como candidato Democrata.
 
Mas por que falar de educação, polidez e modos em público hoje, num momento em que estaríamos diante de problemas muito mais urgentes e “reais”? Bem, porque os modos importam sim – em situações tensas, são uma questão de vida ou morte, uma linha tênue que separa a barbárie da civilização. Há um fato surpreendente sobre os mais recentes estouros de vulgaridade pública que merece ser ressaltado. Em 1960, vulgaridades ocasionais eram associadas à esquerda política: revolucionários estudantis muitas vezes usavam linguagem comum para enfatizar sua distância da política oficial, com seus jargões polidos. Hoje, a linguagem vulgar é praticamente apanágio exclusivo da extrema direita. De forma que a esquerda se vê na espantosa posição de defensora da decência e dos modos públicos.
 
É por isso que a direita Republicana “racional” e moderada está em pânico: depois do declínio das fortunas de Jeb Bush, ela está desesperadamente em busca de uma nova cara, brincando até com a ideia de apelar para a figura do Bloomberg.
 
Mas a verdadeira lição a ser registrada aqui é a seguinte: o real problema está na própria fragilidade da posição moderada “racional”. Porque o fato é que o discurso capitalista “racional” já não convence mais a maioria da população, que está em verdade muito mais propensa a endossar uma posição populista anti-elitista. E isso não deve ser descartado como um mero caso de primitivismo das classes baixas: os populistas corretamente detectam a irracionalidade dessa abordagem racional; sua ira contra as instituições anônimas que regulam suas vidas de forma intransparente é, nesse sentido, completamente justificada.
 
***
 
Slavoj %u07Di%u07Eek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, %u07Di%u07Eek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidasPrimeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011), Vivendo no fim dos tempos (2012), O ano em que sonhamos perigosamente (2012), Menos que nada(2013), Violência (2014) e o mais recente O absoluto frágil (2015). Colabora com o Blog da Boitempoesporadicamente.


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Eleições presidenciais na França: projeto popular de esquerda sairá fortalecido

12/04/2017 16:58 - Copyleft

Eleições presidenciais na França: projeto popular de esquerda sairá fortalecido

Na disputa, tem-se direita, esquerda e centro embolados nos primeiros lugares; Mélenchon, o candidato de esquerda, cresceu 9 pontos em apenas um mês


Florence Poznanski - Brasil de Fato
Agência Efe
Daqui a duas semanas, os franceses já conhecerão o nome dos dois candidatos que disputarão o segundo turno para eleger o sucessor de François Hollande na Presidência da República, após 5 anos de mandato. A eleição acontece em um contexto político inédito de perda de espaço dos partidos tradicionais e fortalecimento de correntes políticas que se reivindicam como “antissistema”, tanto à direita quanto à esquerda. Desde o início do ano, as intenções de voto nas pesquisas de opinião tiveram significativa evolução.
 
Atualmente, os quatro candidatos favoritos estão com diferença de cerca de 5 pontos entre eles, sendo que ainda há 40% da população indecisa. Jean-Luc Mélenchon, líder do movimento “França Insubmissa” que apresenta um projeto ecossocialista centrado na melhoria das condições de vida dos franceses, comprometimento com a ecologia e novas alianças internacionalistas é o candidato que mais cresceu no último período. Mélenchon passou de 10% no início de março para 19% um mês depois, abrindo pela primeira vez na história do pós-guerra a possibilidade de um candidato de esquerda fora da social-democracia alcançar o segundo turno.
 
François Hollande: um balanço de mandato difícil de defender
Desde o início da 5ª República, no final da 2ª guerra mundial (1958), o socialista François Hollande foi o único presidente que não quis disputar a reeleição. Concentrando grandes expectativas de renovação na sua eleição em 2012, após 17 anos de governos direitistas – cujo ápice foi o ultraliberal e polêmico Nicolas Sarkozy - Hollande termina o mandato com uma das piores avaliações (menos de 20% de opiniões favoráveis) e com várias promessas de campanha não cumpridas.
 
Ao dar continuidade e aprofundar a política econômica e social de austeridade de Sarkozy, sem abolir a reforma da previdência como tinha prometido durante a campanha e implementando reformas antissociais como a trabalhista, que impõe o negociado sobre o legislado e várias reformas econômicas orientadas para desregulamentação do mercado (sem falar das intermináveis prorrogações do Estado de urgência após os atentados de 2015), Hollande suscitou a decepção da sociedade. E agora a população provavelmente vai manifestar nas urnas sua repulsa aos representantes dos tradicionais partidos da socialdemocracia: Benoit Hamon, do Partido Socialista, tem 9% das intenções de voto e François Fillon, do Partido dos Republicanos, representante da direita conservadora, 17%. Eles estão atrás de Emmanuel Macron (24%), do movimento centrista “Em marcha”; de Marine Le Pen (24%) da Frente Nacional de extrema direita, e de Jean-Luc Mélenchon (18%), segundo a pesquisa de opinião Kantar Sofres – OnePoint, divulgada no domingo, 9 de abril.
 
O balanço do mandato que se encerra de François Hollande tem também algumas medidas progressistas. Por exemplo, no plano dos direitos humanos, a aprovação do casamento gay e da adoção por pais homossexuais. E alguns bons resultados na economia, como o aumento de quase 100 mil novas empresas criadas no período, a redução da quantidade de empresas em falência, a melhoria de alguns indicadores de qualificação escolar e a retomada do crescimento do PIB a 1,1% em 2016.
 
Os resultados do seu governo também mostraram, com maior nitidez, o caráter antidemocrático das instituições Europeias, que, engessadas em tratados e normas, afetam a soberania dos Estados através da ampla influência do capital financeiro e do mercado. Essas instituições mostram sinais de esgotamento ao não atender mais as necessidades das sociedades e ao se apresentarem como espaço democrático fraco para propor alternativas.
 
O resultado singular das eleições prévias
O que tornou essa eleição particularmente inédita foi o resultado das duas principais eleições prévias, abertas a toda a população francesa, organizadas pelo Partido Socialista e pelo Partido dos Republicanos.
 
As prévias do Partido dos Republicanos (em novembro) elegeram o ultraconservador e católico François Fillon, próximo das ideias de extrema direita, contra o favorito e mais moderado Alain Juppé. Fillon é a favor do fim da seguridade social na área da saúde e da previdência, da redução de 500 mil vagas de funcionários públicos e da flexibilização da legislação trabalhista. Ele é hoje acusado de desvio de verba pública e sofre processo judicial, o que o fez perder boa parte de seus principais apoios políticos. Apesar das denúncias contra Fillon, o Partido dos Republicanos não quis apresentar outro candidato para substituí-lo, temendo o descontentamento dos eleitores.
 
Por outro lado, as prévias do Partido Socialista, em janeiro, manifestaram repúdio à continuidade da política do governo, com eliminação do favorito, o ex-primeiro ministro Manuel Valls, elegendo o ex-ministro Benoit Hamon, representante da corrente mais à esquerda do partido, que foi líder do movimento de oposição ao governo dentro da própria base governista no Congresso. O resultado rachou o Partido Socialista, já que seus principais caciques resolveram desrespeitar a vontade das urnas para declarar apoio ao centrista Emmanuel Macron. Fenômeno pouco comum na França, onde a disciplina partidária é mais forte que no Brasil.
 
Macron teve amplo crescimento de popularidade nesse mesmo período, beneficiando-se da migração dos insatisfeitos das prévias à direita e no partido socialista. Também ex-ministro da Economia durante o governo de Hollande, é figura do establishment do mercado e quadro executivo do funcionalismo público, ele concorre aos 39 anos no seu primeiro pleito. Macron não tem partido, e considera-se entre a esquerda e a direita. Diz reconhecer na primeira o conceito de igualdade, e na segunda a defesa da liberdade. Candidato do setor financeiro, ele promete flexibilidade no sistema de aposentadoria e abertura aos mercados. Mas sua agenda permanece liberal sobre assuntos ligados aos migrantes, aborto, etc. Ele é hoje o favorito das pesquisas em empate técnico com Marine Le Pen, de extrema direita.





 
Filha do fascista e negacionista Jean-Marie Le Pen, Marine Le Pen alcançou o grande desafio de tornar o partido Front National “aceitável”. Há 10 anos, a sigla só recolhia 10% dos votos. Ao afastar-se dos assuntos mais polêmicos como racismo e xenofobia, acrescentando propostas de cunho social e aproveitando-se da desconfiança suscitada pelos últimos governos, ela concentra hoje boa parte dos votos do eleitorado descontente em busca de alternativa, que ela seduz com propostas pouco elaboradas e argumentação patriótica. Marine Le Pen também é acusada de desvio de dinheiro público e de caixa dois em campanha eleitoral. Convocada para depor na Justiça, ela não compareceu, alegando indisponibilidade por causa da campanha eleitoral.
 
O caminho de Jean-Luc Mélenchon, o insubmisso
No campo da esquerda, há significativa conquista de espaço na disputa por parte de Jean-Luc Mélenchon, candidato do projeto popular de esquerda, encabeçando o movimento da “França Insubmissa”, que já disputou as eleições presidenciais em 2012 com uma etiqueta similar chamada “Frente de Esquerda”, quando ganhou 11% dos votos.
 
O candidato apresenta um programa que alia retomada do crescimento mediante investimento público, reforma fiscal progressiva, fortalecimento do sistema de segurança social e revalorização do salário mínimo, com agenda avançada na área da ecologia e energias limpa e sustentável. Outro grande pilar é a convocação de uma assembleia constituinte para reforma das instituições e a refundação dos tratados europeus, incluindo uma possível saída da França da União Europeia como eixo de negociação. O programa anda ganhando credibilidade e força, e pela primeira vez na história moderna das esquerdas, superou o candidato do partido socialista nas pesquisas.
 
Chamado varias vezes pelo socialista Hamon e por parte da opinião pública a renunciar em prol da candidatura do socialista, ele não recuou e não para de crescer nas pesquisas com uma estratégia de campanha criativa e participativa. Suas inovações suscitaram visibilidade na mídia como seu duplo comício realizado simultaneamente em Lyon e Paris por meio de um holograma, seu canal no Youtube com mais de 270 mil seguidores, um programa editado em quadrinho de maneira lúdica e até um videogame, chamado “Kombate Fiscal”, em que o personagem de Jean-Luc Mélenchon enfrenta os oligarcas para aumentar o orçamento público.
 
O programa - taxado em 2012 de “esquerdista” - foi amplamente trabalhado e apresentado de maneira orçada e detalhada para imprensa, com várias ferramentas online de simulação. É a primeira vez que um programa fundamentalmente à esquerda ganha tanta visibilidade na mídia, que tradicionalmente tende a valorizar candidatos social-liberais centristas.
 
O programa de Benoit Hamon, entretanto, é muito similar. O socialista já anunciou que em caso de vitória de Jean-Luc Mélenchon no primeiro turno, ele chamará seu eleitorado a votar no programa da França Insubmissa.
 
*Florence Poznanski é conselheira consular dos franceses do Brasil e militante da França Insubmissa


Créditos da foto: Agência Efe

Pode a esquerda vencer as eleições presidenciais francesas?

12/04/2017 16:53 - Copyleft

Pode a esquerda vencer as eleições presidenciais francesas?

O candidato da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, tem registado subidas galopantes nas sondagens, passando para o terceiro lugar, à frente de Fillon


esquerda.net
esquerda.net
Jean-Luc Mélenchon, candidato da França Insubmissa, ultrapassou, pela primeira vez, o conservador François Fillon numa sondagem sobre a intenção de voto na primeira volta das eleições presidenciais francesas de 23 de abril.
 
O eurodeputado do Partido de Esquerda surge no terceiro lugar com 18%, à frente do ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy, que reúne 17% dos votos, e atrás da candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, e do liberal Emmanuel Macron, ambos com 24%.
 
A sondagem realizada para os órgãos de informação franceses LCI, RTL e Le Figaro,(link is external) divulgada no passado domingo, atribuiu ainda 9% ao candidato oficial do PS francês, Benoit Hamon, 3,5% ao gaulista Nicolas Dupont-Aignan e 2,5% a Philippe Poutou do NPA.
 
Os restantes candidatos (ao todo são 11) François Asselineau, Nathalie Arthaud, Jean Lassalle e Jacques Cheminade registam intenções de voto entre os 0,5% e 1%.
 


Segunda Volta: Candidato do PS vai apelar ao voto em Melénchon
Este sábado, em entrevista ao canal televisivo France 2(link is external), o candidato do Partido Socialista francês, Benoit Hamon, foi questionado sobre quem é que prefere apoiar numa segunda volta das eleições presidenciais, caso o próprio não consiga a eleição. Sem hesitar, o socialista respondeu “francamente: Mélenchon”.
 
Hamon justificou a escolha com o facto de ser o candidato com o qual existe mais “proximidade política”, “daí ter proposto a unidade" das candidaturas logo na primeira volta.
 
Melénchon bate Marine Le Pen em disputa direta
No caso de a segunda de 7 de maio vir a ser disputada entre Marine Le Pen e Jean Luc-Melénchon, uma sondagem da Kantar Sofres/Onepoint, também divulgada este domingo(link is external), revela que o eleitorado francês não tem dúvidas sobre quem prefere ver no Palácio do Eliseu.
 
O candidato da esquerda venceria a candidata da extrema-direita por 53%-47%.
 








Créditos da foto: esquerda.net




O QUE IRÁ IMPEDIR A GUERRA NUCLEAR ENTRE EUA E COREIA DO NORTE

O que irá impedir a guerra nuclear entre EUA e COREIA DO NORTE


As autoridades norte-coreanas veem no envio do grupo aeronaval de ataque à península da Coreia uma provocação e estão prontas para tomar medidas de resposta.

Na declaração do representante da chancelaria da Coreia do Norte foi destacado que a movimentação do grupo aeronaval americano prova as intenções agressivas de Washington e Pyongyang está pronta para aceitar este desafio.

"A República Popular Democrática da Coreia está pronta para reagir a qualquer forma de guerra desejada pelos EUA", acrescentou o porta-voz da chancelaria norte-coreana.

A reação da Coreia do Norte apareceu logo depois de ter sido divulgada a notícia de que grupo de navios, liderado pelo porta-aviões USS Carl Vinson, iria para a proximidade das costas da península da Coreia. Do grupo também fazem parte o cruzador USS Lake Champlain, com mísseis capazes de interceptar mísseis balísticos, e os destroieres USS Wayne E. Meyer e USS Michael Murphy, equipados com sistemas antimísseis Aegis.



Em busca da ameaça nuclear

Em 9 de abril, a agência Reuters informou que o grupo de ataque da Marinha dos EUA zarpará para a parte ocidental do oceano Pacífico, mais tarde se tornou público que o grupo aeronaval largou de Singapura, mas não se dirigiu para a Austrália, como estava planejado, rumando para norte.

Washington explicou isso com a preocupação pela ameaça nuclear e pelo crescente potencial militar de Pyongyang. Rex Tillerson, secretário de Estado dos EUA, assegurou que Washington não planeja derrubar o regime de Kim Jong-un – o que interessa à Casa Branca é a desnuclearização da península da Coreia. De acordo com Tillerson, o programa nuclear da Coreia do Norte "causa preocupações sérias" e Washington "deu a conhecer muito claramente ao regime de Pyongyang que quer o término deste programa".

Coreia do Norte promete 'ataque cruel' se for provocada pelos EUA

Para alcançar seu objetivo de pôr fim ao programa nuclear de Pyongyang, os EUA apostam nas autoridades chinesas que, do ponto de vista deles, pode influenciar Kim Jong-un.

O mundo político viu no bombardeio da base Síria de Shayrat a tentativa de enviar um sinal à China e demonstrar seu poder e influência não apenas no Oriente Médio, mas também na região coreana. Os mísseis foram lançados exatamente na hora do almoço de Xi Jinping com Trump.

O próprio Tillerson confirmou que o ataque contra Shayrat tem que ser um exemplo para os dois regimes agressivos, mencionando a Coreia do Norte.

“Mas mesmo se descartarmos toda a teatralidade deste cenário, as negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte se tornaram uma parte importante da cúpula sino-americana”, escreve Vladimir Ardaev, observador da Sputnik.

Segundo Tillerson, Xi Jinping "concordou que a situação atingiu um novo nível de ameaça" e declarou que "gostaria de apoiar as tentativas para influenciar Pyongyang com o objetivo de mudar sua posição em relação às armas nucleares".

Seul em confusão

A reação da Coreia do Sul revela que o país tem sentimentos dúbios. O país está dividido entre dois pontos de vista diferentes.

"O posicionamento do grupo aeronaval mostra uma atitude séria dos EUA perante a situação na península da Coreia e se destina ao reforço da capacidade de defesa", disse na segunda-feira (10) Mun San-gyun, representante do Ministério da Segurança Nacional da Coreia do Sul.

Mun San-gyun também admite que o Norte possa fazer alguma coisa inesperada por ocasião do aniversário de Kim Il-sung, celebrado em 15 de abril.

Hon Yon-phyo, ministro para Assuntos de Reunificação da Coreia do Sul, falou com cuidado sobre o ataque preventivo dos EUA, pressupondo que este é destinado à regulação do problema da Coreia do Norte, mas para o Sul é também muito importante em termos de segurança nacional.

A situação política interna na Coreia do Sul, devido ao último escândalo com a presidente que levou ao seu impeachment, fez com que o Partido Conservador perdesse a popularidade e o atual favorito Moon Jae-in, que é contra a implementação do THAAD no país, é partidário firme do diálogo com o Norte e a China. A vitória das forças liberais na Coreia do Sul pode pôr fim aos planos ambiciosos de Washington.