domingo, 12 de novembro de 2017

A Justiça Trabalhista dos Boers

A Justiça Trabalhista dos Boers

Devemos todos render homenagens ao jurista Ives Gandra Martins Filho, Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, pela limpidez com que defendeu a Reforma Trabalhista que entra em vigor nesses primeiros dias de novembro, em entrevista a um diário paulista. Respondeu às questões levantadas com clareza de fazer inveja a seus pares que, ao longo de século 20, defenderam o regime do Apartheid, na África do Sul.
Como a elite conservadora brasileira que ele representa com rigor e convicção é mais generosa que os Boers sul-africanos – lá eles apartavam os negros – aqui a elite segrega os negros e os pobres. Há mais de quinhentos anos. No meio do pesadelo de múltiplas faces que colheu a sociedade brasileira, essa Reforma Trabalhista talvez seja a mais emblemática e reveladora dimensão do conteúdo de classe do golpe de 2016.
Ives Gandra Filho oferece um inestimável serviço de esclarecimento à sociedade – em particular aos trabalhadores – sobre os objetivos do golpe. Expõe honestamente o conteúdo das reformas que deram fundamento ao atropelo da soberania popular e da Constituição de 1988, que as elites conservadoras se empenham em esconder sob a máscara do discurso da flexibilização e modernização das relações de trabalho.
Contribui, assim, para polir o círculo de ferro da exploração dos assalariados e perpetuar o ranço escravocrata que modela nossa matriz de desenvolvimento e as relações entre empregados e empregadores desde a colônia, reciclando-as e conferindo a elas um verniz para que se tornem aceitáveis aos olhos do mundo contemporâneo.
O eminente jurista começa com um sofisma: “A espinha dorsal da reforma foi o prestígio da negociação coletiva”.  Primeiro, a reforma despe o trabalhador da precária proteção que o direito anterior lhe garantia. Passo seguinte, lança-o na arena de negociação, para se entender com os leões...
Se considerarmos, como afirma o entrevistador, que a grande alteração do texto da reforma na Câmara é apontada como uma demanda do lado das empresas, e com o repórter perguntarmos: o Sr. Concorda? A resposta vem de pronto: “Por um lado, foi a demanda das empresas, insatisfeitas com a ampliação de direitos. Por outro, muitos direitos foram criados pela reforma.” Quais? “Tinha uma súmula do TST que disciplinava a terceirização. Agora, há uma lei. A reforma, para os terceirizados, não precarizou condições.” Um trabalhador terceirizado responderá também prontamente ao jurista: “Nem precisava...
Quando indagado sobre se com a reforma “fica pior ser empregado”?  Rebate: “Não. Fica mais fácil. Por exemplo, a regulamentação do trabalho intermitente. A pessoa não teria emprego se fosse com jornada semanal”. Os senhores de escravos não encontraram, durante quatro séculos, fórmula tão perfeita de exploração: utilizar o trabalho escravo sem assumir nenhuma responsabilidade sobre o corpo da peça, como se denominavam os cativos. Não têm a obrigação de alimentá-lo, vesti-lo e oferecer-lhe moradia – a senzala – para assegurar sua presença no eito na madrugada do dia seguinte.
Ao tratar do dilema entre pleno emprego e garantia de direitos, o caminho defendido não poderia ser mais explícito: suprimir direitos para garantir acesso ao mercado de trabalho. Desculpem, flexibilizar direitos. Para defender os interesses de classe dos empregadores, o jurista Ives Gandra Filho se esquece que o país viveu nos governos Lula e Dilma um período de pleno emprego poucas vezes registrado na história da economia brasileira sem agredir, ou como prefere o Presidente do TST, flexibilizar os direitos dos trabalhadores garantidos pela Constituição de 1988.
Nesse 11 de novembro, as elites reacionárias refundem as extremidades e soldam mais uma vez o anel de ferro que cinge a história da exploração dos assalariados. O país que mais tardiamente aboliu a escravidão, dá uma volta sobre si mesmo e revoga a Lei Áurea. Os escravocratas do século 21 comemoram. A massa trabalhadora sofrerá por um tempo as consequências até modelar novamente os instrumentos aptos a produzir a ruptura necessária.
Os Boers e seus descendentes imaginavam que o regime do Apartheid duraria para sempre. No cálculo frio dos exploradores ou dos escravocratas não se incluem personagens como Nelson Mandela. Lá eles o mantiveram preso por quase três décadas. E ele saiu de Robben Island para assumir o governo do país, contra a discriminação e o ódio de raça. Em nome da liberdade e da generosidade. Reconhecido pelo mundo civilizado.
Aqui, há 40 anos, os escravocratas e seus descendentes combatem um homem que encarna o avesso de sua lógica. Um homem e os instrumentos que modelou na luta contra o preconceito e o ódio de classe. Em nome da liberdade e da generosidade. Reconhecido pelo mundo civilizado.
Luiz Inácio mergulha, nesses dias, no mar humano que habita o Brasil profundo, em caravanas para beber a força que renova suas energias. Quem sabe, por onde passar, ele possa deixar o estímulo necessário para que em cada comunidade se constituam Comitês de Defesa da Democracia, única forma de convivência social capaz de permitir ao Brasil escapar do pesadelo. Desse anel de ferro com que os escravocratas e seus descendentes aprisionam nossa história e nosso destino.
Pedro Tierra é poeta. Ex-presidente da Fundação Perseu Abramo.

sábado, 11 de novembro de 2017

79% não votarão em quem aprovou a Reforma Trabalhista

79% não votarão em quem aprovou a Reforma Trabalhista

Uma pesquisa realizada pela Vox Populi em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) revelou que 79% dos brasileiros não votarão em deputados que aprovaram o desmonte da legislação trabalhista promovido pelo governo golpista de Michel Temer.
A pesquisa foi realizada entre os dias 27 e 31 de outubro de 2017 e possui margem de erro de 2.2 pontos percentuais. De acordo com o presidente da CUT, Vagner Freitas, o resultado demonstra que os parlamentares que estão no Congresso Nacional defendem os próprios interesses, e não os direitos dos trabalhadores brasileiros.
De acordo com a pesquisa, apenas 6% dos entrevistados votariam em deputados pró-Reforma. A rejeição é generalizada, mas alguns segmentos se destacam: as regiões Sudeste e Nordeste, por exemplo, concentram os maiores números, com 86% e 82%, respectivamente. Os entrevistados com menor renda familiar, que compõem a maior parcela da população brasileira, também apresentam a maior rejeição a deputados que desmontaram os direitos trabalhistas: entre os que possuem renda familiar mensal de até dois salários mínimos, 78%, e entre os que possuem renda de dois a cinco salários mínimos, 83%. Outros segmentos com grande rejeição são as entrevistadas mulheres, com 80%, e os que possuem ensino médio, com 84%.
O resultado reforça que a Reforma Trabalhista é anti-povo e vai contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. Ao analisarmos o cenário eleitoral em 2018, a pesquisa demonstra que os deputados que deram apoio à medida, feita pelo governo golpista em conluio com o empresariado, certamente arcarão com o custo político de votarem contra o povo. Não obstante a rejeição por aprovar a retirada de direitos, os deputados que deram um golpe contra a democracia também arcarão com os custos políticos de sustentar um governo ilegítimo e blindarem o presidente mais rejeitado da história. Os dados e a conjuntura fortalecem o campo democrático-popular e apontam um cenário positivo para as candidaturas que representem de fato a classe trabalhadora.

PRESIDENTE DO TRF4 VÊ LULA JULGADO ANTES DA ELEIÇÃO E FALA EM INTERESSE DA NAÇÃO

A técnica nazista de transformar mentiras em verdades

A técnica nazista de transformar mentiras em verdades

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A técnica nazista de transformar mentiras em verdades
Por J. Carlos de Assis
Do Jornal GGN
Métodos de comunicação nazista (Goebels) estabeleciam que uma mentira repetida várias vezes como técnica de propaganda tornava-se uma verdade para a opinião pública. Quando Henrique Meirelles fala que o rombo orçamentário de R$ 159 bilhões neste ano é culpa do déficit da Previdência, estamos diante de uma mentira que, graças à repetição pela grande mídia e principalmente pela Tevê Globo, transforma-se numa verdade definitiva.
O papel da mídia nesse processo é fundamental. No caso da Previdência ela não apenas tem deformado a notícia como esconde informações relevantes. Para os que tem dúvida sobre esse comportamento nazista basta observar o resultado do inquérito no Congresso sobre a situação do sistema previdenciário. A comissão mista de parlamentares que examinou o assunto confirmou que a Previdência é superavitária. A Globo ignorou o tema.
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As técnicas de transformar mentiras em verdades não são exclusivas de Meirelles. Elas tem propósitos ocultos, tendo-se tornado uma marca de todo o Governo. Michel Temer transformou evidências de propinas para ele, rastreadas publicamente pela polícia, num ataque pessoal pelo Procurador Geral da República. Repetiu essa defesa várias vezes, comprou parlamentares para lhe dar uma aparência de razão e instaurou a dúvida em alguns.
Entretanto, como é necessário fazer em investigações policiais, é preciso encontrar a motivação da mentira. E isso não é nada difícil. Se não ficar provado que a Previdência tem um grande déficit, não há como justificar sua privatização em favor do sistema financeiro, o verdadeiro objetivo oculto da mentira. Mais do que isso: repetir sem parar que o setor público está quebrado é fundamental para justificar a privatização generalizada de estatais, dos bancos públicos e da Petrobrás.
A verdade encoberta pela mentira é que o Governo Temer tem como prioridade absoluta, além de evitar a cadeia para o Presidente e os ministros acusados de receber propinas, a redução no limite do espaço do setor público para ampliar o espaço, o lucro e o patrimônio do setor privado, mesmo que seja a expensas de áreas estratégicas. Para isso é preciso assegurar, de forma genérica, que o setor público é ineficiente, mal administrado e deficitário.  
Num país em que o Presidente, o líder do Governo no Senado e os dois principais ministros do Planalto estão sendo acusados de corrupção aberta e descarada, colocar em pauta dezenas de privatizações, notadamente as hidrelétricas, é altamente suspeito. Será que vão continuar a roubar? Será que estão tão empenhados com os leilões porque já acertaram receber algum dinheiro por conta? Ora, se Temer é ladrão, tudo pode se esperar do Governo!

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Fonte: Caros Amigos

Reforma trabalhista entra em vigor para 'baratear' brasileiro

Política

Precarização

Reforma trabalhista entra em vigor para 'baratear' brasileiro

por André Barrocal — publicado 11/11/2017 00h30, última modificação 10/11/2017 12h16
Menos direitos e salários, mais batente. Resistência da Justiça do Trabalho cria incertezas
Reprodução
Call Center
As condições de vida e trabalho dos brasileiros têm tudo para piorar
A nova lei trabalhista, assinada em julho pelo presidente Michel Temer, entra em vigor a partir deste sábado 11. É a mais profunda mudança no mercado de trabalho no País após oito décadas do legado de Getúlio Vargas, o criador da carteira profissional (1932), da Justiça do Trabalho (1941) e da CLT (1943).
As condições de vida e trabalho dos brasileiros têm tudo para piorar, enquanto são duvidosos os efeitos na abertura de vagas, grande justificativa governista e empresarial para a reforma. E para complicar as coisas, é certo que haverá uma batalha nos tribunais.
“A lei 13.467/2016 é ilegítima, nos sentidos formal e material”, diz a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), prenúncio de guerra nos tribunais.
A afirmação faz parte de um pacote de 125 enunciados aprovado em outubro pela entidade, na II Jornada do Direito Material e Processual do Trabalho, a reunir em Brasília cerca de 600 juízes, advogados trabalhistas e fiscais do trabalho. Uma espécie de roteiro crítico à nova lei, a servir de orientação para togados trabalhistas usarem em processos daqui para a frente.
Um dos enunciados sugere que o trabalho intermitente indiscriminado não deve ser aceito pelos juízes. Esse tipo de trabalho é uma das novidades da reforma. A pessoa fica à disposição do patrão mas só ganha pelas horas de serviço em si.
Situação parecida com a do emprego home office, outra novidade, em que o expediente é de casa e com regras que impedem caracterizar vínculo com o contratante, para protegê-lo de processos.
Nos dois casos, para arrancar algo parecido com férias, 13o proporcional, FGTS, INSS, o brasileiro terá de ser bom de gogó, não terá a seu lado as garantias da carteira profissional e da CLT.
Outra novidade é a jornada de trabalho de 12 horas por dia, desde que com descanso de 36 horas em seguida. Segundo os enunciados da Anamatra, essa jornada não pode ser negociada individualmente, apenas via sindicato.
Terceirização total no setor público é outra inovação que os enunciados dizem que não pode ser aceita. E por aí vai.
“O Código de Processo Civil levou cinco anos de debates para ser alterado e a reforma, só alguns meses (sete, entre o envio do projeto pelo governo e a sanção da lei por Temer). O resultado foi uma lei ruim, com muitas deficiências, lacunas, inconstitucionalidades”, afirma o presidente da Anamatra, Guilherme Guimarães Feliciano. “Não sei se haverá mais juízes com os enunciados ou com a lei, mas certamente a lei vai parar no STF, a sociedade tem que ter paciência. Podemos levar até cinco anos para o assunto ser pacificado.”
No Supremo Tribunal Federal (STF), há quem tenha visão parecida com a da Anamatra. É o caso de Ricardo Lewandowski, que deve ter deixado horrorizada uma plateia montada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte, durante uma palestra em 4 de agosto sobre a reforma.
Para ele, permitir que acordo valha mais do que a lei, como faz a reforma, é deixar o trabalhador “à mercê dos efeitos perversos do capitalismo selvagem”, como nos tempos da Revolução Industrial no século XIX. Direitos como greve, jornada de trabalho limitada, salário mínimo, sindicalização, proteção à mulher e ao menor “não foram estabelecidos a partir de uma lógica apenas econômica, ou de mercado, mas para equilibrar a relação assimétrica entre o capital e o trabalho”.
Ao encerrar o discurso, Lewandowski deixou algumas perguntas. Por exemplo: a nova lei é compatível com um dos objetivos do País descrito na Constituição, o de “erradicar a pobreza a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”?
O STF já foi provocado a refletir sobre inconstitucionalidades da reforma, graças a uma ação movida em agosto pela Procuradoria Geral da República. “Para promover a denominada reforma trabalhista, com intensa desregulamentação da proteção social do trabalho, a Lei 13.467/2017 inseriu 96 disposições na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a maior parte delas com redução de direitos materiais dos trabalhadores”, diz a ação.
A PGR insurgiu-se particularmente contra dispositivos que desestimulam à busca da Justiça pelos trabalhadores. A nova lei impõe o pagamento de honorários advocatícios à parte que perde o processo.
A ação da Procuradoria caiu no STF com o juiz Luis Roberto Barroso. Que é um entusiasta da reforma. Em maio, ele fez uma palestra na Inglaterra com loas à proposta e até disse que o Brasil é campeão de processos trabalhistas devido à legislação.
Não seria o caso de Barroso declarar-se impedido de relatar o questionamento da PGR e passar o caso a um colega de Corte? Afinal, já tem opinião formada sobre o assunto.
Questões jurídicas à parte, qual será o efeito concreto da reforma no mercado de trabalho?
Um estudo de agosto feito por três economistas do Itaú estima que a reforma vai gerar 1,5 milhão de empregos e o desemprego, cair 1,4 ponto percentual. Animador? Não. Isso aí em quatro anos, não cobre nem as demissões da era Temer.
Quando o peemedebista assumiu o poder, em maio de 2016, o País tinha 11 milhões de desempregados. De lá para cá, as demissões continuaram aceleradas, e o número chegou ao recorde de 14 milhões em abril. Em setembro, último dado oficial disponível, eram 13 milhões. A queda, segundo o IBGE, decorre do avanço da informalidade, gênero estimulado pela reforma.
Para Clemente Ganz Lúcio, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese), é difícil dizer ao certo o que veremos, mas dá para arriscar. “É provável que a renda do trabalhador caia”, diz.
Pior para a economia e o mercado interno. Com a finada CLT em vigor, a remuneração média no Brasil pulou de 1,3 mil reais mensais em 2001 para 2,1 mil reais em setembro passado, segundo a PNAD, do IBGE.
“A reforma vai causar um problema econômico, ao tirar do trabalhador a previsibilidade de sua remuneração. Ele vai entrar numa loja para comprar e não terá como comprovar sua renda”, diz o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas. “Precisamos acumular força para revogar essa reforma.”
Pelo observado em outros países, afirma Ganz Lúcio, outra tendência é mudar o perfil das vagas. Uma substituição das seguras (carteira assinada) pelas de tempo parcial (intermitentes, home office etc). Precarização, em suma, algo que pode dar as caras já no Natal.
Essa precarização aconteceu na Espanha, pátria de reformas em 2010 e 2011 apontada por Temer como inspiração. Em um estudo de 2013, o economista José Manual Lago Peñas, da Fundação 1o de Maio, comparou o que ocorreu no emprego na recessão local de 2009 e na de 2012, períodos pré e pós reforma.
No primeiro ano, 815 mil assalariados e 396 mil autônomos foram mandados embora. No segundo, 904 mil assalariados. Já os autônomos subiram 54 mil. Outra constatação: as reformas aceleraram as demissões. Na recessão de -3,7% de 2009, elas vitimaram 1,2 milhão de pessoas. Na de -1,4% de 2012, 850 mil, proporcionalmente mais.
Na Europa, berço da primeira grande lei trabalhista, o Factory Act inglês de 1833, a vetar emprego a menores de 9 anos e limitar a 12 horas diárias a jornada, vários países embarcaram em reformas após a crise global de 2008. Deu no quê? O desemprego de 7,6% em 2008 fechou na casa de 10% em 2015 e 2016.
Números à parte, a reforma induz uma importante mudança qualitativa no País. “É o fim do trabalho como conhecemos, da sociedade salarial iniciada na década de 1930”, teoriza Márcio Pochmann, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Vão sair de cena os assalariados com carteira assinada, e entrar os PJs, os autônomos, os “empreendedores”.
Uma transformação, diz o economista, já decorrente do recuo do peso da indústria no PIB, hoje de 10% (era de quase 30% nos anos 1970), e do avanço do setor de serviços. “A sociedade industrial apontava para uma ‘medianização’. A reforma vai consolidar um mundo do trabalho extremamente polarizado, ao esvaziar os postos intermediários. Adeus, classe média.”
Um fenômeno, afirma Pochmann, parido pelas multinacionais, que no passado já foram fonte de empregos cobiçados e hoje só querem saber de se instalar onde pagam menos. “O Brasil aderiu a um sistema neocolonial, de menos salários."
Fonte: Carta Capital