segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Decência é isso: Dilma: queremos reencontro, não vingança

Dilma: queremos reencontro, não vingança

Da Alemanha, numa entrevista à agência de notícias Deutsche Welle – com a imprensa brasileira não tem entrevista, só tem fofoca apelativa – a ex-presidente”É preciso perdoar quem bateu panela”, a ex-presidente Dilma Rousseff diz  que é hora de “perdoar a pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava”.
Dilma ironizou a conversa de renovação na política, que classificou como pretexto para para “tirar o Lula da parada”, perguntando se é possível chamar de novos  “o gestor incompetente” João Doria ou “a política de animação de auditório como política social, que é o Luciano Huck”.
Ela não afirmou nem negou que vá concorrer a algum cargo – alega que se “mudar de ideia, vou ter que dar um chá de explicações” –  e simbolizou a prioridade em favor dos excluídos ironizando a declaração de William  Waack: “Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.”
O texto, na íntegra:
DW Brasil: Como a senhora avalia a situação em que o Brasil se encontra hoje?
Dilma Rousseff: O golpe que sofri tem três fases. A primeira e inaugural é meu impeachment. A segunda é esse estrago que eles estão provocando no Brasil, como a emenda que congela os gastos em saúde e educação. Ou a reforma trabalhista, num país que há pouco tempo saiu da escravidão, e esse processo de venda de patrimônio público. O terceiro momento do golpe é inviabilizar o Lula e, aí, vender o pré-sal.
Sobre as eleições de 2018, quais são suas expectativas?
Há uma maior percepção no Brasil de que o Lula está sendo perseguido. Em que eu baseio essa afirmação? Se você olhar o desenvolvimento das pesquisas, vai ver que está subindo a aprovação. É a percepção do povo brasileiro de que ele foi o melhor presidente. Minha esperança seria ele voltar. Na época do impeachment, eles [a mídia e os adversários políticos] conseguiram colocar a rejeição a ele e ao PT lá em cima. Eles apostam que o povo brasileiro é ignorante. Mas o povo brasileiro vai percebendo esse grau de intolerância e de perseguição.
Como a senhora vê a aproximação do PT com o PMDB em diversos estados? O próprio ex-presidente Lula já afirmou que está “perdoando os golpistas”. Não é um tanto incoerente o PT denunciar um “golpe” e voltar a se aliar com um partido que o teria traído?
Dificilmente nós faremos aliança com o PMDB em nível nacional. Mas você vai falar que não pode fazer aliança com o [senador Roberto] Requião? O Requião é do PMDB, e uma pessoa que combateu o golpe. Você não vai fazer uma aliança com a Kátia Abreu? Ela foi outra que combateu o golpe.
E figuras como o senador Renan Calheiros?
O Renan não trabalhou a favor do golpe.
Mas ele votou pelo impeachment.
Ele presidia [o Senado], não podia votar.
O voto final dele foi pelo impeachment.
Mas ele não trabalhou pelo impeachment. E essa não é questão relevante. Não acho que perdoar golpista é perdoar o PMDB e o PSDB. Acho que perdoar golpista é perdoar aquela pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava.
Uma hora nós vamos ter que nos reencontrar. Uma parte do Brasil se equivocou. Agora isso não significa perdão àqueles que planejaram e executaram o golpe. Você tem uma porção de pessoas que foram às ruas e que estavam completamente equivocadas. Mas você não vai chegar para elas e falar ‘nós vamos te perseguir’. Precisamos criar um clima de reencontro, entende? Não vai ser um clima vingativo, não pode ser isso.
A política brasileira não está precisando de renovação depois do impeachment? Não seria o momento de abrir espaço para novas lideranças, especialmente na esquerda?
[Dilma gargalha] Isso se chama “como tirar o Lula da parada”. Tá entendendo?
Com o impeachment o PSDB acabou, sumiu. O que os conservadores conseguiram produzir? Produziram a extrema direita, o MBL [Movimento Brasil Livre] e o [Jair] Bolsonaro. E o que ainda é novo no Brasil? O gestor incompetente, tipo o Trump? O João Dória? Ou você deseja a política de animação de auditório como política social, que é o Luciano Huck? Isso é o novo?
Sabe o que eu acho que é o novo? Esse foi um pensamento que tive depois do caso do William Waack. Você sabe o que é coisa de preto? O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.
Como está sendo sua rotina um ano após o impeachment?
É uma rotina que depende de onde estou, seja em São Paulo ou em Berlim. Participo de aulas, debates, conferências, caravanas – estive na do nordeste e na de Minas Gerais. Sempre que posso faço minha atividade física, ando de bicicleta, pelo menos 50 minutos por dia.
Quando estou em Porto Alegre fico com meus netos, às vezes, levo para dormir na minha casa. Criança tem uma energia inesgotável e não temos mais a mesma energia. Mas ser avó tem esse mérito: a gente estraga bastante e depois devolve para a mãe.
Não parece existir no Brasil um papel bem definido de ex-presidente, como nos EUA e em alguns países europeus. Que tipo de ex-presidente a senhora vai procurar ser?
O presidente só tem direito à segurança e uma pequena assessoria. Em algum momento, vão ter que discutir qual é a proteção que tem um ex-presidente, a física, a legal, não acho que um ex-presidente possa voltar a trabalhar na iniciativa privada. Acho que isso é incompatível com o ex-presidente. Vai ter que definir o que é. Nos EUA, está estipulado.
A senhora vai ser uma ex-presidente que vai procurar novos mandatos políticos?
Não vou deixar de fazer política porque sou ex-presidente ou não tenho um mandato eletivo. Fiz política minha vida inteira, eu estive presa não era porque eu era técnica, ninguém vai para a prisão por ser técnico. Fiz política a vida inteira e não precisei de mandato parlamentar para continuar fazendo, obviamente num ritmo compatível com a minha idade.
Então pretende mesmo voltar a se candidatar a algum cargo?
Não descarto, mas ainda não pensei de maneira séria sobre o assunto. No Brasil, se eu falar que não vou me candidatar e depois mudar de ideia, vou ter que dar um chá de explicações. Contemplo a possibilidade para não ter que dar explicação.
A senhora acha que a história vai lhe dar razão?
A história no Brasil tem sido rápida. Ela já está me dando razão. Eduardo Cunha, que presidiu meu impeachment, foi afastado, suspenso, condenado a nove anos e está preso. Vários processos mostram que ele comprou deputados. Também foi comprovado que os motivos alegados para o impeachment eram ridículos, que não pratiquei nada ilegal.
Alegaram que o impeachment ia resolver a crise econômica e política, mas essas crises só se aprofundam. O atual presidente usurpador já foi denunciado duas vezes, e o senador Aécio Neves também, ambos enfrentam provas cabais e gravações. Mas essas duas pessoas continuam em seus cargos, enquanto duas outras [Dilma e Lula] são acusadas apenas por terem sido presidentes.

Professor intimado pela USP: “Há triagem ideológica na universidade brasileira”

Professor intimado pela USP: “Há triagem ideológica na universidade brasileira”

Marcos Sorrentino responde a sindicância por realizar atividade em parceria com o MST em abril deste ano

Sorrentino descreve a discriminação aos movimentos sociais / Reprodução
Em artigo recente, o portal da ADUSP (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) expôs o gravíssimo caso das ameaças sofridas pelo professor Marcos Sorrentino. Ele é alvo de sindicância e foi convocado para uma oitiva com a finalidade “de investigar uma atividade acadêmica organizada em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)”. A atividade foi realizada em abril desse ano, durante a quarta edição da “Jornada Universitária em Apoio à Reforma Agrária” (JURA). Organizaram o evento o Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA, do qual faz parte o professor Sorrentino), o Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão em Educação e Conservação Ambiental (NACE PTECA/ESALQ) e movimentos sociais ligados à Via Campesina.
Segundo conta a matéria, “no dia 18/4, no gramado central do campus, foi organizada uma oficina de lona preta em conjunto com o MST com o objetivo de mostrar como se montam as barracas de assentamentos e promover uma conversa sobre a vida de um militante acampado. Entretanto, no mesmo dia uma notícia falsa foi compartilhada nas redes sociais, espalhando o boato de que o MST estaria promovendo uma invasão do campus. A notícia foi rapidamente desmentida pela direção da ESALQ e pela Prefeitura do Campus”.
Dada a comoção gerada pelo factoide e tendo em vista o intenso momento de polarização e criminalização da política que atravessamos, instalou-se nesse contexto uma Comissão Sindicante, para averiguar os fatos. Sorrentino foi convocado para a oitiva, que trazia dois questionamentos gerais: se havia autorização para utilizar a logomarca da ESALQ no evento; e se algum colegiado havia aprovado a realização das atividades. Sobre os questionamentos, o professor afirma categoricamente trabalhar há 30 anos na ESALQ e sempre haver se utilizado da logomarca da universidade sem qualquer problema; e que, até hoje, jamais precisou de autorização de um órgão colegiado para organizar suas atividades.
O que está em questão, como o próprio professor expõe, é uma espécie de “triagem ideológica”, com as universidades claramente a serviço das elites e corporações. Tanto que se naturaliza e estimula quaisquer eventos empresariais voltados a fomentar o agronegócio — como o ESALQShow, realizado no último mês de outubro –, ao passo em que se criminalizam e dificultam atividades vinculadas a movimentos sociais e de contestação ao estabelecido. A universidade torna-se, assim, uma correia de transmissão dos interesses das classes dominantes, e transforma-se em palco de batalhas e disputas sempre que tensionada a cumprir um papel social, crítico e transformador. Nas palavras de Sorrentino, “a escola serve majoritariamente a essas grandes empresas que trazem recursos a laboratórios, e quando há um conjunto de professores ou estudantes que se comprometem com a agricultura familiar ou com agricultores acampados, vem esta triagem dizendo que não poderíamos usar o gramado para a oficina”.
O blog Plantar o Futuro publica a seguir entrevista exclusiva com o professor Marcos Sorrentino, procurando aprofundar o debate. Além disso, iniciou abaixo-assinado em forma de manifesto para denunciar e impedir que tais situações de retaliação ideológica se multipliquem, firmando o papel da universidade como um espaço de liberdade, emancipação e pesquisa voltada ao benefício da sociedade. Você pode ajudar, divulgando e assinando esse manifesto.
Professor, antes de mais nada, gostaria de saber o que você acha sobre a importância de divulgar e dar visibilidade a episódios como esse.
Certamente é importante divulgar, para que a sociedade brasileira e a universidade amadureçam no diálogo sobre o papel dessa instituição na construção de uma cultura de procedimentos democráticos e nas transformações necessárias para sermos sociedades sustentáveis ou que caminhem em direção à sustentabilidade socioambiental.
Dado que a oficina que gerou a atual sindicância ocorreu em Abril, por que a notícia veio à tona apenas agora? Aconteceu alguma movimentação recente?
A notícia veio à tona agora porque no dia 18/10 fui convidado (ou seria mais correto dizer intimado?) para uma oitiva que faz parte dos procedimentos da sindicância instaurada pela diretoria da Esalq para apurar responsabilidades pela realização de uma Oficina de Construção de Barraco de Lona Preta no gramado do campus. No dia 19/10 estive em reunião da diretoria ampliada da ADUSP e relatei o fato. Na semana seguinte um jornalista da entidade me telefonou pedindo uma entrevista e a publicação começou a circular pelas redes sociais. A oficina ocorreu em abril deste ano, durante a Jornada Universitária pela Reforma Agrária, que realizamos há quatro anos aqui. Nos três primeiros sob a liderança do saudoso Paulo Y. Kageyama e neste ano coordenada por um coletivo de 20 entidades, entre os quais a Oca – Laboratório de Educação e Política Ambiental -, que coordeno.
Essa Jornada é realizada por diversas universidades em todo país. Aqui na ESALQ ocorreu neste ano durante dois dias, com mesas redondas e outras atividades, dentre as quais as que foram realizadas no gramado – um teatro e a mencionada oficina, coordenada pelo MST. Quando de sua realização (a montagem do barraco nem sequer furou o gramado para colocar as estacas/pontaletes, pois foram fixados em uma lata de 50 litros), alguns ex-alunos, segundo me contaram, fotografaram o barraco com a bandeira do MST e denunciaram que a faculdade estava sendo “invadida”. Essa informação equivocada (maldosamente ou não) causou comoção entre todos aqueles e aquelas que, como nós, admiram as belezas e a importância deste patrimônio público centenário para a vida nacional. A própria diretoria da Esalq e a Prefeitura do campus se apressaram a informar a verdade dos fatos, mas apenas o diretor poderia informar o motivo pelo qual resolveu levar adiante uma sindicância para apurar responsabilidades pelo fato.
Qual era sua intenção ao convidar integrantes do MST para uma atividade no campus da USP?
Acredito que esteja claro o porquê do convite. Cooperamos no sentido de bem formar estudantes com compreensão crítica sobre a realidade brasileira. Cooperamos na implantação de assentamentos agroecológicos no Extremo Sul da Bahia. Paulo Kageyama e a equipe de seu laboratório já cooperavam há mais tempo, com diversos projetos de pesquisa no Pontal do Paranapanema. Nós, da Oca, nos últimos cinco anos, desenvolvemos pesquisas focadas no desenvolvimento de um método de Alfabetização Agroecológica Ambientalista e na compreensão de estratégias para o aprendizado da agroecologia por agricultores assentados. Estamos amadurecendo propostas de políticas públicas regionalizadas que contribuam para a transição educadora de municípios que assumam a agroecologia como caminho para a sustentabilidade socioambiental. E o MST, assim como outros movimentos sociais do campo, tem sido importante parceiro nisto.
Para você, houve perseguição ideológica ao abrir essa sindicância? Existe histórico de situações como essa?
Não posso afirmar que houve ou há perseguição ideológica mas posso constatar que há uma triagem ideológica, pois diversos outros eventos que são realizados no gramado central e em outras áreas públicas da Esalq nunca solicitaram permissão para a sua realização. Eu mesmo já realizei aulas ali e acompanhei atividades de extensão e eventos diversos realizados por mim e/ou por outras pessoas.
Há muito tempo você vem desenvolvendo atividades em parceria com movimentos sociais como o MST. Por que dessa vez houve tal repercussão?
Já realizamos aberturas dessas atividades do JURA inclusive com a participação de ex-diretores da ESALQ, mas acredito que neste momento de retrocesso conservador em toda a sociedade brasileira sejam maiores as pressões sobre a diretoria da Instituição, para expurgar grupos e pessoas com compromissos divergentes do hegemônico.
Edição: Plantar o Futuro

Paulo Nogueira Batista Jr.: Banco do Brics depende do Brasil 2018

Paulo Nogueira Batista Jr.: Banco do Brics depende do Brasil 2018

Por uma confusão aqui de minha parte, deixei de transmitir, no final da semana passada, a palestra do economista Paulo Nogueira Batista Jr, ex-diretor brasileiro do Novo Banco de Desenvolvimento  – o Banco dos Brics – e de  Samuel Pereira Guimarães, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores no governo Lula, debateram a inserção do Brasil  na ordem econômica mundial e do deste mecanismo de financiamento internacional que o Brasil, há tempos, vem desdenhando.
Como era longa – a íntegra pode ser vista aqui – recortei a fala de Paulo Nogueira Batista, no trecho do vídeo abaixo, onde ele diz que o futuro que nosso país pode ter país pode ter no bloco econômico “dependerá muito das eleições de 2018”, porque, nos últimos anos, a participação e a identidade do Brasil com o grupo enfraqueceu, seja por conta da crise do início do Governo Dilma, seja pelo alinhamento com os EUA adotado desde o golpe.
Assista.
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domingo, 12 de novembro de 2017

A Justiça Trabalhista dos Boers

A Justiça Trabalhista dos Boers

Devemos todos render homenagens ao jurista Ives Gandra Martins Filho, Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, pela limpidez com que defendeu a Reforma Trabalhista que entra em vigor nesses primeiros dias de novembro, em entrevista a um diário paulista. Respondeu às questões levantadas com clareza de fazer inveja a seus pares que, ao longo de século 20, defenderam o regime do Apartheid, na África do Sul.
Como a elite conservadora brasileira que ele representa com rigor e convicção é mais generosa que os Boers sul-africanos – lá eles apartavam os negros – aqui a elite segrega os negros e os pobres. Há mais de quinhentos anos. No meio do pesadelo de múltiplas faces que colheu a sociedade brasileira, essa Reforma Trabalhista talvez seja a mais emblemática e reveladora dimensão do conteúdo de classe do golpe de 2016.
Ives Gandra Filho oferece um inestimável serviço de esclarecimento à sociedade – em particular aos trabalhadores – sobre os objetivos do golpe. Expõe honestamente o conteúdo das reformas que deram fundamento ao atropelo da soberania popular e da Constituição de 1988, que as elites conservadoras se empenham em esconder sob a máscara do discurso da flexibilização e modernização das relações de trabalho.
Contribui, assim, para polir o círculo de ferro da exploração dos assalariados e perpetuar o ranço escravocrata que modela nossa matriz de desenvolvimento e as relações entre empregados e empregadores desde a colônia, reciclando-as e conferindo a elas um verniz para que se tornem aceitáveis aos olhos do mundo contemporâneo.
O eminente jurista começa com um sofisma: “A espinha dorsal da reforma foi o prestígio da negociação coletiva”.  Primeiro, a reforma despe o trabalhador da precária proteção que o direito anterior lhe garantia. Passo seguinte, lança-o na arena de negociação, para se entender com os leões...
Se considerarmos, como afirma o entrevistador, que a grande alteração do texto da reforma na Câmara é apontada como uma demanda do lado das empresas, e com o repórter perguntarmos: o Sr. Concorda? A resposta vem de pronto: “Por um lado, foi a demanda das empresas, insatisfeitas com a ampliação de direitos. Por outro, muitos direitos foram criados pela reforma.” Quais? “Tinha uma súmula do TST que disciplinava a terceirização. Agora, há uma lei. A reforma, para os terceirizados, não precarizou condições.” Um trabalhador terceirizado responderá também prontamente ao jurista: “Nem precisava...
Quando indagado sobre se com a reforma “fica pior ser empregado”?  Rebate: “Não. Fica mais fácil. Por exemplo, a regulamentação do trabalho intermitente. A pessoa não teria emprego se fosse com jornada semanal”. Os senhores de escravos não encontraram, durante quatro séculos, fórmula tão perfeita de exploração: utilizar o trabalho escravo sem assumir nenhuma responsabilidade sobre o corpo da peça, como se denominavam os cativos. Não têm a obrigação de alimentá-lo, vesti-lo e oferecer-lhe moradia – a senzala – para assegurar sua presença no eito na madrugada do dia seguinte.
Ao tratar do dilema entre pleno emprego e garantia de direitos, o caminho defendido não poderia ser mais explícito: suprimir direitos para garantir acesso ao mercado de trabalho. Desculpem, flexibilizar direitos. Para defender os interesses de classe dos empregadores, o jurista Ives Gandra Filho se esquece que o país viveu nos governos Lula e Dilma um período de pleno emprego poucas vezes registrado na história da economia brasileira sem agredir, ou como prefere o Presidente do TST, flexibilizar os direitos dos trabalhadores garantidos pela Constituição de 1988.
Nesse 11 de novembro, as elites reacionárias refundem as extremidades e soldam mais uma vez o anel de ferro que cinge a história da exploração dos assalariados. O país que mais tardiamente aboliu a escravidão, dá uma volta sobre si mesmo e revoga a Lei Áurea. Os escravocratas do século 21 comemoram. A massa trabalhadora sofrerá por um tempo as consequências até modelar novamente os instrumentos aptos a produzir a ruptura necessária.
Os Boers e seus descendentes imaginavam que o regime do Apartheid duraria para sempre. No cálculo frio dos exploradores ou dos escravocratas não se incluem personagens como Nelson Mandela. Lá eles o mantiveram preso por quase três décadas. E ele saiu de Robben Island para assumir o governo do país, contra a discriminação e o ódio de raça. Em nome da liberdade e da generosidade. Reconhecido pelo mundo civilizado.
Aqui, há 40 anos, os escravocratas e seus descendentes combatem um homem que encarna o avesso de sua lógica. Um homem e os instrumentos que modelou na luta contra o preconceito e o ódio de classe. Em nome da liberdade e da generosidade. Reconhecido pelo mundo civilizado.
Luiz Inácio mergulha, nesses dias, no mar humano que habita o Brasil profundo, em caravanas para beber a força que renova suas energias. Quem sabe, por onde passar, ele possa deixar o estímulo necessário para que em cada comunidade se constituam Comitês de Defesa da Democracia, única forma de convivência social capaz de permitir ao Brasil escapar do pesadelo. Desse anel de ferro com que os escravocratas e seus descendentes aprisionam nossa história e nosso destino.
Pedro Tierra é poeta. Ex-presidente da Fundação Perseu Abramo.

sábado, 11 de novembro de 2017

79% não votarão em quem aprovou a Reforma Trabalhista

79% não votarão em quem aprovou a Reforma Trabalhista

Uma pesquisa realizada pela Vox Populi em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) revelou que 79% dos brasileiros não votarão em deputados que aprovaram o desmonte da legislação trabalhista promovido pelo governo golpista de Michel Temer.
A pesquisa foi realizada entre os dias 27 e 31 de outubro de 2017 e possui margem de erro de 2.2 pontos percentuais. De acordo com o presidente da CUT, Vagner Freitas, o resultado demonstra que os parlamentares que estão no Congresso Nacional defendem os próprios interesses, e não os direitos dos trabalhadores brasileiros.
De acordo com a pesquisa, apenas 6% dos entrevistados votariam em deputados pró-Reforma. A rejeição é generalizada, mas alguns segmentos se destacam: as regiões Sudeste e Nordeste, por exemplo, concentram os maiores números, com 86% e 82%, respectivamente. Os entrevistados com menor renda familiar, que compõem a maior parcela da população brasileira, também apresentam a maior rejeição a deputados que desmontaram os direitos trabalhistas: entre os que possuem renda familiar mensal de até dois salários mínimos, 78%, e entre os que possuem renda de dois a cinco salários mínimos, 83%. Outros segmentos com grande rejeição são as entrevistadas mulheres, com 80%, e os que possuem ensino médio, com 84%.
O resultado reforça que a Reforma Trabalhista é anti-povo e vai contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. Ao analisarmos o cenário eleitoral em 2018, a pesquisa demonstra que os deputados que deram apoio à medida, feita pelo governo golpista em conluio com o empresariado, certamente arcarão com o custo político de votarem contra o povo. Não obstante a rejeição por aprovar a retirada de direitos, os deputados que deram um golpe contra a democracia também arcarão com os custos políticos de sustentar um governo ilegítimo e blindarem o presidente mais rejeitado da história. Os dados e a conjuntura fortalecem o campo democrático-popular e apontam um cenário positivo para as candidaturas que representem de fato a classe trabalhadora.

PRESIDENTE DO TRF4 VÊ LULA JULGADO ANTES DA ELEIÇÃO E FALA EM INTERESSE DA NAÇÃO

A técnica nazista de transformar mentiras em verdades

A técnica nazista de transformar mentiras em verdades

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A técnica nazista de transformar mentiras em verdades
Por J. Carlos de Assis
Do Jornal GGN
Métodos de comunicação nazista (Goebels) estabeleciam que uma mentira repetida várias vezes como técnica de propaganda tornava-se uma verdade para a opinião pública. Quando Henrique Meirelles fala que o rombo orçamentário de R$ 159 bilhões neste ano é culpa do déficit da Previdência, estamos diante de uma mentira que, graças à repetição pela grande mídia e principalmente pela Tevê Globo, transforma-se numa verdade definitiva.
O papel da mídia nesse processo é fundamental. No caso da Previdência ela não apenas tem deformado a notícia como esconde informações relevantes. Para os que tem dúvida sobre esse comportamento nazista basta observar o resultado do inquérito no Congresso sobre a situação do sistema previdenciário. A comissão mista de parlamentares que examinou o assunto confirmou que a Previdência é superavitária. A Globo ignorou o tema.
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As técnicas de transformar mentiras em verdades não são exclusivas de Meirelles. Elas tem propósitos ocultos, tendo-se tornado uma marca de todo o Governo. Michel Temer transformou evidências de propinas para ele, rastreadas publicamente pela polícia, num ataque pessoal pelo Procurador Geral da República. Repetiu essa defesa várias vezes, comprou parlamentares para lhe dar uma aparência de razão e instaurou a dúvida em alguns.
Entretanto, como é necessário fazer em investigações policiais, é preciso encontrar a motivação da mentira. E isso não é nada difícil. Se não ficar provado que a Previdência tem um grande déficit, não há como justificar sua privatização em favor do sistema financeiro, o verdadeiro objetivo oculto da mentira. Mais do que isso: repetir sem parar que o setor público está quebrado é fundamental para justificar a privatização generalizada de estatais, dos bancos públicos e da Petrobrás.
A verdade encoberta pela mentira é que o Governo Temer tem como prioridade absoluta, além de evitar a cadeia para o Presidente e os ministros acusados de receber propinas, a redução no limite do espaço do setor público para ampliar o espaço, o lucro e o patrimônio do setor privado, mesmo que seja a expensas de áreas estratégicas. Para isso é preciso assegurar, de forma genérica, que o setor público é ineficiente, mal administrado e deficitário.  
Num país em que o Presidente, o líder do Governo no Senado e os dois principais ministros do Planalto estão sendo acusados de corrupção aberta e descarada, colocar em pauta dezenas de privatizações, notadamente as hidrelétricas, é altamente suspeito. Será que vão continuar a roubar? Será que estão tão empenhados com os leilões porque já acertaram receber algum dinheiro por conta? Ora, se Temer é ladrão, tudo pode se esperar do Governo!

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Fonte: Caros Amigos