domingo, 8 de abril de 2018

Eles prenderam Lula, mas na verdade querem condenar as conquistas sociais

Eles prenderam Lula, mas na verdade querem condenar as conquistas sociais. Por Eduardo Matysiak

 
Condenamos você
Condenamos Bolsa Família
O subsídio que fez o pobre comer mais de 3 vezes ao dia, que tirou milhões da extrema pobreza e trouxe dignidade ao povo brasileiro. Lembrando que muitos deixam de receber o auxílio por conta própria, e há quem diga que muita gente que recebe não precisa — sim, verdade, mas a fiscalização compete aos municípios. É engraçado que as pessoas critiquem o auxílio de R$100 e fiquem quietas com juiz recebendo auxílio-moradia de R$4500. O senhor justiceiro Marcelo Bretas entrou na Justiça para que ele e sua mulher recebessem o tal auxílio. (Auxílio-moradia é para quem não tem condição de ter teto, e eles podem até ser sem-teto… Sem teto salarial…)
Condenamos o FIES
O programa que deu oportunidade ao filho do pobre de fazer faculdade, que tornou realidade o diploma de médico, advogado e tantas outras profissões.
Condenamos o Mais Médicos
O maior e melhor programa de saúde que esse país já teve, que trouxe atendimento humanizado ao povo. O objetivo era suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.
Condenamos o Universidade Sem Fronteiras
O programa que fez o filho do pobre viajar mundo afora para se especializar e trazer conhecimento para o Brasil.
Condenamos a Farmácia Popular
O programa que tinha como objetivo oferecer à população acesso a medicamentos considerados essenciais. O programa cumpre uma das principais diretrizes da Política Nacional de Assistência Farmacêutica.
Condenamos o Luz para Todos
Criado em 2003, o programa levou energia elétrica às regiões rurais e/ou às casas que ainda não a tinham. A iniciativa era coordenada pelo Ministério de Minas e Energia e levou luz para os mais longínquos lugares deste país.
Condenamos o ProUni
O programa que tinha como objetivo oferecer bolsas de estudos em instituições privadas.
Condenamos o Minha Casa, Minha Vida
Reduzir o déficit habitacional, garantir o acesso à casa própria e melhorar a qualidade de vida da população eram os objetivos do projeto. Considerado o maior programa habitacional da história, através de parcerias entre governo e cooperativas que subsidiavam o valor do imóvel, cabendo às famílias o pagamento mensal de um valor simbólico, o programa fez milhões de famílias realizarem o sonho da casa própria.
Eu demoraria anos para escrever todos os acertos dos governos do PT.
Será que somos contra a corrupção ou contra Lula? Alguém, por favor, me diz de onde vem esse ódio?
E, senhores:
Lula
Se preso, vira herói.
Se morto, vira mártir.
Se livre, vira presidente.
.x.x.x.
Eduardo Matysiak é jornalista e cobriu a caravana de Lula pelo sul do Brasil.

Quem é Francisco Proner Ramos, o autor da foto de Lula que viralizou


Quem é Francisco Proner Ramos, o autor da foto de Lula que viralizou. Por Joaquim de Carvalho

 
A foto
O cantor e compositor Chico Buarque é uma das figuras mais conhecidas e é compreensível que atraia a atenção quando fatos e pessoas estão próximos dele. Mas é injusto relacionar o trabalho do fotógrafo Francisco Proner Ramos à biografia dele.
Francisco tem luz própria, e seu trabalho vai muito além da foto que mostra Lula levado nos braços do povo para o interior do sindicato, foto que viralizou e ganhou hoje meia página do The New York Times.
Francisco tem 18 anos de idade e um talento que, por certo, nasceu com ele, mas que teve a oportunidade de se aprimorar com o incentivo de seus pais, o advogado e professor Wilson Ramos Filho e Carol Proner.
Wilson, com uma militância na esquerda conhecida e respeitada — é um dos fundadores do PT e da CUT —, incluiu em seu sonho de conhecer o mundo a formação do filho. Fez de seu sonho um sonho de ambos.
Advogado trabalhista de um grande escritório, com livros publicados e professor da Universidade Federal do Paraná, ao se aposentar deu à sua poupança o melhor destino que pode proporcionar: explorar este Planeta, a partir do que há de mais interessante: as pessoas e sua cultura.
Começou com uma viagem de Jeep de Ushuaia, no extremo sul do continente ao Alasca, no extremo norte.
“Pensei no que poderia proporcionar na formação dele, é uma experiência que ele levará para toda a vida”, afirmou. Depois disso, foram para a Europa e Ásia e cruzaram as fronteiras de uma das nações mais fechadas — e por isso mesmo interessante — do mundo, a Coreia do Norte.
No país de Kim Jong-un, Francisco fez fotos do cotidiano das pessoas, incluindo militares. Como se vê pelas fotos dele, no site www.franciscopronerramos.com, o bicho não é feito como a mídia ocidental apresenta.
Conseguiu acumular essa experiência sem prejudicar — muito — a formação escolar. Perdeu (será que perdeu?) um ano do ensino regular, faz hoje cursinho e ainda não decidiu qual curso de graduação fará — pende para as Ciências Sociais.
Sua próxima viagem com o pai já está agendada — será nas férias. E será na África. Explorará (no bom sentido) Etiópia, Sudão e Egito.
Francisco Proner Ramos
Quem o conhece não se surpreendeu com a foto que fez de Lula.
Enquanto os fotógrafos se posicionaram no local dos fatos, quase todos no mesmo ponto, se acotovelando, Francisco buscou outro ponto, o último andar do Sindicato dos Metalúrgicos, para tentar um ângulo diferente, e o resultado todos vimos: Lula carregado pelas pessoas, no centro da foto, mãos que se estendem na direção dele. Com a foto, tomou forma o que Lula havia dito minutos antes:
— Não sou mais um ser humano, sou uma ideia.
— Eles precisam saber que a morte de um combatente não pára a revolução.
— Quando eu parar de sonhar, sonharei pela cabeça de vocês.
— Quanto mais tempo eles me deixarem lá (preso), mais Lula nascerá.
Foi um complemento perfeito, resultado profissional próprio da forma como Francisco trabalha. Em uma queima de fogos em Copacabana, enquanto todos fotografavam a cena principal, ele foi para uma janela no fundo do apartamento onde estava com a família, e fotografou o reflexo dos fogos nas comunidades pobres nos morros próximos. Imagem única, definitiva.
Assim como é impróprio relacionar o trabalho de Francisco ao outro Francisco, o Buarque, é injusto referir-se à mãe do jovem fotógrafo, Carol Proner, como namorada do cantor. Carol tem  uma extensa produção acadêmica e em outras atividades profissionais na área do Direito. Ele é titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na área de direitos humanos e direito internacional.
Organizou o livro em que mais de 100 advogados e juristas desmontam a sentença em que Sergio Moro condenou Lula, publicação que revela, sob diferentes ângulos, todos técnicos, por que essa condenação se transformou numa obra-prima da injustiça.
Carol foi casada durante mais de 20 anos com Wilson e certamente devem estar muito satisfeitos com os frutos dessa união — eles têm outra filha, de 17 anos, muita ativa no movimento estudantil no Rio de Janeiro.
Francisco, apesar da idade, demonstra maturidade. Eu o procurei, e ele preferiu não dar entrevista agora, para deixar que, em vez dele, a foto fale sobre o momento que estamos vivendo.
A foto, no The New York Times

Após prisão, líderes internacionais se solidarizam com Lula

INTERNACIONAL

Após prisão, líderes internacionais se solidarizam com Lula

Políticos e movimentos das Américas e Europa se pronunciam em favor da liberdade do ex-presidente

Brasil de Fato| São Paulo (SP)
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Lula recebe apoio internacional após se entregar na sede da Polícia Federal em Curitiba / Júlia Dolce
O momento histórico de degradação da democracia no Brasil, ilustrado pelo pedido de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva repercute internacionalmente. Desde a noite de ontem, diversos líderes se posicionaram a favor de Lula. 
Da Argentina, autoridades do governo afirmaram que enxergam com preocupação a situação que vive o Brasil hoje. Tanto o Secretário de Direitos Humanos e Pluralismo Cultural, Claudio Avruj, quanto Rogelio Frigerio, ministro do Interior, em entrevista aos meios argentinos, fizeram votos para que a "situação institucional" se resolva no Brasil.
Luis Rosales, analista de política internacional argentino apontou em entrevista ao jornal El Intransigente que Lula tirou milhões da pobreza. "Lula foi de fato um presidente que tentou integrar 30 milhões de pessoas saindo da pobreza indo pra classe média, foi o primeiro que não pertencia a elite do Brasil e esse foi uma avanço para o país", disse.
Da Colômbia, vieram apoios das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Movimento Marcha Patriótica.
Em nota, a Farc afirma que, a exemplo do golpe que tirou do poder a presidenta eleita Dilma Rousseff, recorrem a práticas juridicamente questionáveis com o propósito de deslegitimar Lula.
A coordenação social da Marcha Patriótica classificou de "manipulação política, judicial e midiática" o processo que vitimiza Lula. 
"Com essa decisão, Lula, o candidato mais bem posicionado para ganhar as eleições presidenciais enfrentará injustamente a prisão, impedindo sua participação e negando a possibilidade do exercício de eleições livres", traz nota.
O presidente boliviano Evo Morales, que já havia publicado outras mensagens em apoio ao ex-presidente, voltou a defender Lula, por meio do twitter. "Os crimes de Lula são: ter sido presidente dos trabalhadores, estar do lado dos trabalhadores e dos pobres que são vítimas dos estados coloniais. A luta continua por Lula livre". 

Na Europa, o líder da esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon, denunciou também a condenação e prisão de Lula da Silva. "Este é um golpe judicial", pontuou ao resgatar a informação de que Lula apresentou vantagens substanciais nas sondagens para as eleições presidenciais de outubro.
"(…) Lula é acusado de ser corrupto: eu digo é mentira, Lula não é corrupto, é uma maneira que a oligarquia e os Estados Unidos da América descobriram para impedir que ele seja um candidato a ganhar uma eleição novamente e fazer uma política favorável aos pobres, humilhados e oprimidos que são os mais numerosos do Brasil", disse Mélenchon. 
Na noite de ontem, o Secretário Geral do Podemos e deputado espanhol, Pablo Iglesias, se manifestou publicamente durante o encontro internacional "En Marcha 2019", que ocorreu em Madri, na Espanha. "Quero mandar a solidariedade ao povo brasileiro que está lutando contra uma ofensiva autoritária: Libertem Lula", afirmou. Em seguida, o público de mais de 300 pessoas se juntou ao pedido de liberdade. Veja o vídeo:
Da América do Norte, o deputado estadunidense da Califórnia, Ro Khana, do Partido Democrata, também se manifestou via Twitter contra a prisão de Lula: "Estou muito preocupado pelo fato de que o candidato à Presidência do Brasil líder das pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva, está sendo preso no que parece ser um processo por motivações políticas. O povo brasileiro merece uma eleição livre e justa", pontuou. 

Edição: Daniela Stefano

O mundo viu o calvário de Lula

O mundo viu o calvário de Lula. Por Olímpio Cruz


O trabalho competente e amplo do amigo Olímpio Cruz aobre a repercussão no mundo da prisão de Lula:
A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado, e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo, onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail.
As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia.
O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem.
Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse.
O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região.
O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político.
O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata.
“Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros – as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados”, disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”.
O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca.
A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”.
Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. Também o La Nación destacou em primeira página que Lula já está na sede da PF em Curitiba, onde cumprirá sua pena.
AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Matéria da AP, reproduzida em 10,6 mil sites noticiosos, relatou que Lula foi levado no início da noite sob custódia policial, depois de um confronto tenso com seus próprios partidários e três intensos dias que de fortes emoções por causa do seu encarceramento. “Apenas algumas horas antes, Lula disse a milhares de partidários que se entregaria à polícia, mas alegou inocência e disse que sua condenação por corrupção era simplesmente uma maneira de os inimigos garantirem que ele não fugisse – e possivelmente vencesse – as eleições presidenciais de outubro”, diz o texto assinado por Maurício Savarese e Peter Prengaman.
Reportagem da AFP relata a tensão no final de sábado da saída de Lula da sede do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, apontando-o como favorito da eleição presidencial de outubro. O despacho destaca que “Lula se considera vítima de uma trama da elite para impedir que concorra a um terceiro mandato”. O jornal traz declaração forte do ex-presidente: “A obsessão deles é ter uma foto do Lula prisioneiro”, disse. O material foi replicado por 3,7 mil veículos de imprensa no mundo.
A agência espanhola EFE, em despacho divulgado no final de sábado, relatou que Lula pôs fim à sua resistência e já estava nas mãos da Polícia Federal, destacando trecho do seu discurso em que confessou ter cometido um delito. “Eu cometi um crime: trazer os pobres para a faculdade, o que lhes permite comprar carros, eles têm alimentos”. “Serei um criminoso pelo resto da minha vida”. Texto, vídeo e fotos foram reproduzidos em 2.590 sites e veículos noticiosos em todo o mundo.
Texto da Reuters, com a foto de Lula cercado pela multidão de simpatizantes e militantes de esquerda no pátio do sindicato onde começou sua vida política, foi reproduzido em dezenas de sites de notícias. A reportagem aponta que Lula se entregou à polícia, acabando com o impasse, no início da noite de sábado. Segundo a agência, “a prisão de Lula remove a figura política mais influente do Brasil, líder da campanha presidencial deste ano”. O texto especula que isso poderia aumentar as chances de um candidato centrista prevalecer. O despacho da agência foi reproduzido por 2.480 sites e jornais, inclusive o The New York Times.
A Deutsche Welle deu em manchete que “o ex-presidente brasileiro Lula está na prisão”, que o primeiro prazo ele havia deixado passar, no sábado os seus seguidores impediram a sua detenção, mas o líder condenado por corrupção foi levado afinal por policiais. “Vários pedidos para permanecer em liberdade até o final do apelo foram negados”, relata a agência alemã. “Lula também pediu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em Genebra uma liminar para evitar a detenção”.
EUROPA
O diário espanhol El País deu manchete de primeira página para a prisão de Lula, destacando no título trecho do discurso do ex-presidente: “A morte de um combatente não para a revolução”. Segundo o jornal, o líder petista foi para a prisão no final da noite de sábado, condenado a 12 anos de prisão, mas que falou antes a uma multidão: “Não sou um ser humano mais. Eu sou uma ideia. E as ideias não se encerram”.
O jornal francês Le Monde, por exemplo, em editorial na edição de sábado avalia que, mesmo Lula tendo caída em “desgraça” a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos. “A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político”, aponta o editorial.
“A prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. (…) A Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”. E cita o ex-presidenciável tucano Aécio Neves, “suspeito de corrupção passiva e obstrução da justiça”, estranhando que “seu caso ainda não foi examinado pela Suprema Corte”.
Em reportagem da correspondente Claire Gatinois, o Le Monde destacou que Lula se rendeu à polícia, abrindo a notícia com a declaração do ex-presidente para “uma multidão em lágrimas” de que “podem matar um combatente, mas a revolução continua”. “Ofegante e animado”, descreve a jornalista, “o velho confirmou a sua rendição”.
O tradicional jornal Liberation questionou em sua edição de domingo se a ida de Lula para prisão poderia ser interpretado como “um golpe de misericórdia na esquerda latina”. Ouvindo especialistas, o jornal relata que Lula é o candidato da esquerda reformista – “não revolucionária” – a mais amigável em relação aos mercados.
“O resultado é que ele vai tornar-se radical”, analisa Patricio Navia, orientador acadêmico do Centro de abertura e desenvolvimento da América Latina (Cadal). Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a esquerda terá grandes dificuldades em voltar, mas que “enquanto as sociedades da região da América Latina forem marcadas pela pobreza, desigualdade e exclusão social, sempre haverá um desafio para mudar o status quo”.
O jornal L’Humanité aponta um “golpe judicial e militar contra Lula”, reforçando o argumento da esquerda brasileira de que o ex-presidente está sendo perseguido. “O Supremo Tribunal do Brasil rejeitou na quarta-feira a libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato presidencial em outubro. Contra o pano de fundo das ameaças do exército”, resume. O também francês Le Fígaro destacou que Lula anunciou que aceitava a sua prisão, mas a matéria ressalta que ele contestou as acusações que pesam contra si e disse que vai provar que seu julgamento é um “crime político”.
Em outro despacho no mesmo jornal, o destaque foi a reportagem da agência France Press, também reproduzida no diário Le Progress, noticiando que, no final da tarde de sábado, Lula foi impedido de se entregar pelos simpatizantes que cercavam o sindicato dos metalúrgicos, onde ele despontou sua liderança, na região de São Bernardo do Campo. O material também foi reproduzido no canal France24, nos jornais La Provence e La Croix, no canadense Le Journal de Montreal, as emissoras de rádio DH, da Bélgica, e Radio Canada.
O português Diário de Notícias, em reportagem do correspondente João Almeida Moreira, destacou que o último dia de liberdade de Lula, poderia ser de tristeza, com sua despedida e a missa em memória da sua falecida mulher como panos de fundo. Mas se tornou uma festa, com direito a set list escolhida pelo ex-presidente: “Asa Branca” e “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, e o samba “Deixa a Vida me Levar”, de Zeca Pagodinho. A matéria reproduz trechos do discurso de Lula – “Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia, todos vocês agora vão virar Lula, eles acham que tudo o que acontece nesse país é responsabilidade do Lula, agora eu responsabilizo vocês” – e diz que o petista também citou Martin Luther King.
Na Bélgica, a RTBF manteve flashes sobre Lula e a sua iminente prisão, durante a programação de sábado. Foram quatro destaques sobre o líder brasileiro, a última reportagem apontando que o petista foi impedido de se entregar à polícia pelos simpatizantes.

VÍDEO: PM do Paraná reprime com violência manifestantes que de maneira pacífica pediam a liberdade de Lula