quarta-feira, 2 de maio de 2018

INGERÊNCIA Wikileaks: EUA criou curso para treinar Moro e juristas

INGERÊNCIA

Wikileaks: EUA criou curso para treinar Moro e juristas

Documento interno de Washington mostra como EUA treinaram agentes judiciais brasileiros, entre eles Sérgio Moro

O juiz Sérgio Moro, que "importou" para o Brasil práticas legais norte-americanas na operação Lava Jato / Lula Marques
O Wikileaks revelou o informe enviado ao Departamento de Estado de Estados Unidos sobre o seminário de cooperação, realizado em outubro de 2009, com a presença de membros seletos da Polícia Federal, Judiciário, Ministério Público, e autoridades estadunidenses, no Rio de Janeiro. O Wikileaks é um site especializado por vazar documentos internos do governo estadunidense.
O seminário se chamava “Projeto Pontes: construindo pontes para a aplicação da lei no Brasil”, em que se tratava de consolidar treinamento bilateral de aplicação das leis e habilidades práticas de contraterrorismo. Promotores e juízes federais dos 26 estados brasileiros participaram do treinamento, além de 50 policiais federais de todo o país. A delegação tupiniquim era a maior dentre os participantes, que contava com participantes do México, Costa Rica, Panamá, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O memorando relata o “grande entusiasmo” com que os promotores e juízes federais brasileiros se dissiparam dos temores que o termo “contraterrorismo” desperta em amplos setores – nada mais nada menos o novo discurso com que George W. Bush buscava revestir o direito inalienável do imperialismo estadunidense como “polícia do mundo”, depois da queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria com a restauração capitalista na ex-União Soviética, e que fundamentou intervenções militares em todo o Oriente Médio na década de 2000 e a reacionária intervenção estadunidense para frear as primaveras árabes de 2011.
Vê-se perfeitamente a intimidade com que a casta jurídica brasileira trata os termos do chefe imperial.
Vai senão quando, e meio ao informe para o Departamento de Estado, entra relato de ninguém menos que Sérgio Moro, que discorre sobre os “cinco pontos mais comuns acerca da lavagem de dinheiro no Brasil”. Sem detalhes particulares sobre a exposição do chefe da “República de Curitiba”, o informe mostra que houve acalorados debates em que a equipe de treinamento ianque, virtuosos na patifaria, ensinam os pupilos brasileiros e estrangeiros os segredos da “investigação e punição nos casos de lavagem de dinheiro, incluindo a cooperação formal e informal entre os países, confisco de bens, métodos para extrair provas, negociação de delações, uso de exame como ferramenta, e sugestões de como lidar com Organizações Não Governamentais (ONGs) suspeitas de serem usadas para financiamento ilícito”.
Na seção “Resultados”, o informe da equipe lembra a harmonia que se estabelece quando o tutor dedicado se depara com o aprendiz atento. Lê-se que “os participantes requisitaram treinamento adicional, sobre a coleta de evidências, entrevistas e interrogatório, habilidades usadas nos tribunais”. Este interesse subserviente se explicaria pelo fato de que  a democracia brasileira não alcança 20 anos de idade. Assim, os juízes federais, promotores e advogados brasileiros são iniciantes no processo democrático, não foram treinados em como lidar com longos processos judiciais […] e se encontram incapazes de utilizar eficazmente o novo código criminal que foi alterado completamente
Haveria que verificar a opinião dos participantes sobre esta cortês acusação de estupidez por parte dos chefes ianques. Se damos crédito ao informe, aos juristas e promotores brasileiros pouco importava a desconsideração vinda do norte, contanto que “consentissem em ensinar as novas ferramentas, que estão ansiosos em aprender”. Duas metades se completavam. Como dizia o russo Tchernichevsky, um fósforo é frio, assim como o lado de fora da caixa em que é riscado, mas juntos produzem o fogo que aquece a humanidade. Essa é a síntese das relações entre os Estados Unidos e o Poder Judiciário brasileiro.
E para completar a trama atual se desenvolvendo em determinada passagem do documento o informe pede para ministrar cursos mais aprofundados nos seguintes locais: Curitiba, São Paulo e Campo Grande. É de estranhar agora os procedimentos dá chamada “República de Curitiba”?
O relatório se conclui com a ideia de que “o setor judiciário brasileiro claramente está muito interessado na luta contra o terrorismo, mas precisa de ferramentas e treinamento para empenhar forças eficazmente. […] Promotores e juízes especializados conduziram no Brasil os casos mais significativos envolvendo corrupção de indivíduos de alto escalão”. Não admira que, durante estes últimos anos, a cooperação com os Estados Unidos, e mesmo sem ela, tenha incrementado o conhecimento do Judiciário e do Ministério Público acerca dos principais casos de corrupção no país.
Com tamanha rede de investigação, é possível acreditar que o Judiciário e a Polícia Federal não sabiam de nada no esquema da Petrobrás? Só descobriram agora? Parece inverídico. O próprio desespero de Moro nesta quarta-feira em colocar sob sigilo os mais de 300 nomes dos políticos envolvidos na delação da Odebrecht sinaliza que ela poderia traçar o rastro para pistas que envolvam membros proeminentes de outros poderes para além do Legislativo. Então, surge a pergunta: quem vai investigar a PF? Quem vai julgar os juízes?
* Originalmente publicado pelo blog Esquerda Diário.
Edição: Diego Sartorato

O que é um alimento transgênico?

CIÊNCIAS

Coluna | O que é um alimento transgênico?

"Sempre que comemos algo que tenha soja, algodão, milho ou canola, comemos também inseticidas"

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)
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A produção mundial de transgênicos é hoje monopólio de seis grandes empresas / Reprodução
Transgênicos são seres vivos modificados geneticamente que contêm em seu DNA genes pertencentes a outras espécies. Esses genes são introduzidos artificialmente para que o organismo apresente alguma característica que ele naturalmente não possuía. 

Os primeiros transgênicos foram usados na agricultura em 1994. De lá pra cá, essa utilização se tornou uma grande polêmica. Entender esse complexo debate é uma ótima forma de analisar a relação entre a ciência e a sociedade. 

A produção mundial de transgênicos é hoje monopólio de seis grandes empresas. 99% dos transgênicos produzidos por elas são de quatro espécies - soja, milho, algodão e canola - e de dois tipos básicos.

O primeiro tipo visa à produção de plantas resistentes a herbicidas. Um grande produtor de soja não quer que outras plantas cresçam em sua lavoura. Assim, ele usa uma substância tóxica que mata as plantas, o herbicida. Só que, para o azar dele, a soja também é afetada pelo veneno. Os cientistas então pegaram de uma bactéria que era imune à toxina o gene que lhe dava essa resistência e o introduziram na soja, tornando-a imune ao herbicida. Agora o produtor pode jogar o agrotóxico à vontade em sua plantação e só a soja sobreviverá.

O segundo tipo cria plantas que produzem toxinas inseticidas. Se você é um agricultor, você não quer que sua lavoura seja comida por insetos, não é mesmo? O gene que produz essas toxinas foi retirado de uma bactéria e introduzido nas plantas, que passaram a produzir o veneno em seu corpo. Quando o inseto come a lavoura transgênica, acaba morto pela toxina.

Sempre que consumimos um alimento industrializado que contenha em sua composição soja, milho, algodão ou canola, provavelmente comemos um transgênico. Logo, ingerimos de tabela o veneno herbicida ou inseticida envolvido na produção que expliquei acima.

Pesquisas para se criar outros tipos de alimentos transgênicos são realizadas. Por exemplo, para se produzir arroz rico em vitamina ou feijão imune a vírus. Até mesmo animais transgênicos estão em desenvolvimento.

A lei brasileira obriga desde 2005 que todo alimento transgênico apresente em sua embalagem um triângulo amarelo com um T. É um direito do consumidor. Porém, o projeto de lei 34/2015, já aprovado na Câmara e que tramita no Senado, quer eliminar essa obrigação. 

Agora que você já sabe o que é um alimento transgênico podemos discutir se eles são bons ou ruins pra gente. Mas isso fica pra próxima coluna!

Um abraço e até lá!
*Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.

 
Edição: Joana Tavares

terça-feira, 1 de maio de 2018

SAIBA TUDO SOBRE A ESTREIA DA RÁDIO BRASIL DE FATO NESTA TERÇA

SAIBA TUDO SOBRE A ESTREIA DA RÁDIO BRASIL DE FATO NESTA TERÇA

Ouça pelo site ou pelo aplicativo

NO AR!

A Rádio Brasil de Fato estreia oficialmente às 7h30 desta terça-feira, 1º de maio de 2018, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, e surge como mais um instrumento de comunicação popular no país, contribuindo para a difusão das informações das lutas populares. Quinze anos após a fundação do Brasil de Fato, este novo veículo de comunicação se soma ao objetivo de contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais no Brasil, e - na atual conjuntura - denunciar o golpe em que vivemos. Além disso, entendemos que, na luta por uma sociedade justa e fraterna, a democratização dos meios de comunicação é fundamental. E por isso, seguimos em luta!

COMO OUVIR

Você pode ouvir a rádio pelo site do Brasil de Fato ou pelo aplicativo que pode ser baixado via Google Play (por enquanto, só há versão para Android).

PROGRAMAÇÃO FIXA

Nossa grade conta com dois programas matinais. Das 8h às 10h, o "Fora da Ordem", com apresentação da jornalista Norma Odara, traz música popular brasileira, informação e cultura para às suas manhãs. Em seguida, das 10h às 12h, entra no ar o "Revista Brasil de Fato", com apresentação das jornalistas Anelize Moreira e Mayara Paixão. O programa conta com entrevistas diárias, colunistas especiais, previsão do tempo, boletins de informações internacionais e giro de notícias de diferentes estados brasileiros. Das 12h às 14h é possível conferir, também, um bate-papo com artistas na retransmissão do programa "A hora do rango", da Rádio Brasil Atual, apresentado por Oswaldo Colibri Vitta.
Além de notícias sobre política, economia e das análises sobre a conjuntura nacional, a programação será feita com quadros que envolvem cultura, saúde, educação, acesso à terra, alimentação e comportamento. A programação musical também estará presente, com MPB, rock, samba, forró, sertanejo e a valorização das canções latino-americanas. Em breve, anunciaremos novos programas e parcerias.

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL DE ESTREIA

No Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, a Rádio Brasil de Fato inaugura também a Rede Lula Livre de rádio, numa iniciativa que em 1º de maio envolve também a Rádio Brasil Atual (98,9 FM de São Paulo), o Partido dos Trabalhadores (PT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Rede da Legalidade e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc).
A ideia é gerar seis horas de programação direto do Acampamento em Curitiba, com alguns conteúdos – música, boletins, saudações – em espanhol, com rede de transmissão com emissoras parceiras do Brasil e América Latina. A transmissão oficial desse dia de estreia da Rádio Brasil de Fato se dividirá entre os estúdio de São Paulo e o da capital paranaense. A partir das 7h30, a equipe de São Paulo abre a programação com música e informação sobre a cobertura do dia, com foco na agenda de mobilizações para o Dia do Trabalhador. Em seguida, às 8 horas, quem assume os microfones são os locutores de Curitiba, direto do Acampamento Lula Livre. Às 10h, a transmissão volta para São Paulo, com o programa "Revista Brasilde Fato", que se encerra ao meio-dia, dando lugar ao "Fora de Ordem".
A partir das 14h, o estúdio do Acampamento em Curitiba volta com a Rede Lula Livre até as 16 horas, quando se inicia uma programação musical da Rádio Brasil de Fato. A última entrada da programação direto da capital paranaense é das 18h às 20h.

COMO RETRANSMITIR EM SEU SITE/BLOG/RÁDIO

Se você deseja retransmitir nossa programação em sua cidade, utilize os links abaixo para o acesso a todo o conteúdo, de acordo com as plataformas disponíveis. Com eles, você pode inserir o player da nossa rádio no seu site. É simples, fácil e sem custos.
Barra com o player para topo do site: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf
Link para Winamp: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf/winamp.pls
Link para iTunes: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf/itunes.pls
Mobile: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf/mobile.m3u

FALE CONOSCO

Email: radio@brasildefato.com.br / Tel: (11) 2131-0814 / Whatsapp: +55 11 945034203

EXPEDIENTE

Direção política: Beatriz Pasqualino e Luiz Felipe Albuquerque / Coordenação geral: Anelize Moreira / Jornalismo: Camila Salmazio, Guilherme Henrique e Michele Moreira / Produção musical: Norma Odara / Assistente de produção: Mayara Paixão.

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Na Venezuela, povo toma as ruas para defender a Revolução Bolivariana

LUTA DE CLASSES

Na Venezuela, povo toma as ruas para defender a Revolução Bolivariana

Chavismo e partidos de direita medem forças nas ruas de Caracas; socialistas venceram queda de braço

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)
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Na foto de cima, a esquerda venezuelana mostra sua força nesse Dia dos Trabalhadores / Fotos: Brasil de Fato
Faltando apenas 20 dias para as eleições presidenciais, as organizações políticas que compõem o chavismo mediram forças com os partidos políticos de direita, nessa terça-feira (1), Dia Internacional dos Trabalhadores.
No centro de Caracas, uma marcha de trabalhadores lotou às ruas próximas ao Palácio Presidencial de Miraflores. Cerca de 60 mil pessoas foram às ruas apoiar a Revolução Bolivariana e ao presidente Nicolás Maduro. O líder venezuelano fez um discurso ao público, por volta das 15h. "Viva a união dos trabalhadores. Impressionante mobilização da classe trabalhadora aqui em Caracas, berço da Revolução Bolivariana", disse o presidente. 
No outro lado da cidade, na região de Chacao, partidos de oposição como Primeiro Justiça, Vontade Popular, Ação Democrática e Um Novo Tempo realizavam outro ato. Aproximadamente 2 mil pessoas protestaram contra o governo Maduro e as eleições presidenciais agendadas para o dia 20 de maio. Esses quatro partidos decidiram não participar do processo eleitoral.
A capacidade de mobilização popular nas duas marchas é uma amostra de que o chavismo, pelo menos na ruas, ainda compõe a maior força política do país.
O presidente do movimento Unidade Popular Venezuelana (UPV), Henri Hernandez explicou isso deve às conquistas que classe trabalhadora obteve desde o ex- presidente Hugo Chávez chegou ao poder em 1999. “Se teve uma classe que obteve benefícios ao longo desse processo revolucionário, foi o setor dos trabalhadores. Foi criado um sistema de aposentadoria universal, redução da jornada de trabalho para 7h, foram ampliados  os benefícios sociais e a participação dos trabalhadores na tomada de decisões”, destacou o dirigente.
A assistente social Joana Rojas conta por que saiu às ruas hoje para manifestar seu apoio ao presidente Nicolás Maduro. “Em todo esse tempo que temos sofrido com a crise econômica, o presidente Maduro é o único que tem oferecido apoio e proposto soluções aos trabalhadores”, diz a manifestante.
Na Venezuela, a luta de classe é evidente quando as principais forças políticas do país saem às ruas. Jesus Mendez, trabalhador da empresa Produtora e Distribuidora Venezuelana de Alimentos, escolheu o lado que, em sua opinião, melhor defende seus direitos. “Quem sempre reivindicou os direitos dos trabalhadores nesse país foi a Revolução Bolivariana. Por isso viemos às ruas hoje, defender nossos direitos, defender a revolução”, concluiu.
Edição: Juca Guimarães

Acampamento Lula Livre oferece serviços de saúde

VOLUNTARIADO

Acampamento Lula Livre oferece serviços de saúde

Trabalho é possível graças à atuação de voluntários, como médicos, massoterapeutas e fitoterapeutas

Ouça a matéria:
Ivair Silva recebendo massagem do voluntário Valcir Santi, na tenda da saúde instalada no Acampamento Lula Livre, em Curitiba / Ricardo Stuckert
No meio da rotina puxada dos militantes que fazem política diretamente nas ruas, toda ajuda que chega é bem-vinda. Nos acampamentos LulaLivre que foram instalados pelo país nas últimas semanas, um dos trabalhos fundamentais tem sido o de profissionais que atuam nos cuidados com a saúde dos militantes.
São massagistas, fitoterapeutas, auriculoterapeutas, médicos e estudantes de medicina. No acampamento localizado em Curitiba (PR), que tem atividades permanentes desde a prisão do ex-presidente Lula (PT), o voluntariado dos profissionais faz a diferença na rotina de gente como o comerciante Ivair Valerio da Silva.
Ele se deslocou de Belo Horizonte (MG) para a capital paranaense para reforçar a vigília nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal, onde Lula está preso.
No meio das atividades, o comerciante resolveu dar uma paradinha para aproveitar o atendimento na tenda da saúde. Pra quem enfrentou 16 horas de estrada, a colaboração ajuda a garantir a energia necessária à militância.
Solidariedade
“É uma coisa que deixa a gente em dia pra luta porque você dorme em barraca, não tem muito conforto, então, fica todo quebrado. Ele está cuidando da galera e colocando a galera em forma pra luta”, afirma Silva.
O massoterapeuta Valcir Santi conta que visitou o acampamento para conhecer o espaço e logo decidiu se somar aos voluntários que ajudam a movimentar a engrenagem dos serviços oferecidos no local.
Morador de Curitiba, ele se considera um simpatizante da luta dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).
“Eles vieram me representar aqui com esse apoio ao Lula, com esse apoio à democracia, então, como brasileiro, como reconheço o movimento deles como algo ético, digno, vim me juntar a eles”, afirma Santi.
O massoterapeuta tem dedicado cerca de cinco horas por dia ao trabalho voluntário. Santi explica que a massagem ajuda a aliviar os sintomas de noites mal dormidas, gripes, pressões psicológicas e a fadiga.
“A massoterapia ajuda a fortalecer o corpo, soltar as tensões, aliviar as dores e o cansaço e dar um pouco de energia pra esses nobres guerreiros que estão aqui”, explica.
Coordenadora do espaço, a agricultora Maria Natividade de Lima, do MST, veio de um assentamento no interior do Paraná que fica a 100 quilômetros da capital para colaborar com a vigília.
Ela chegou no último dia 15 e tem feito atendimentos de fitoterapia e auriculoterapia, uma técnica da medicina alternativa que utiliza pontos do ouvido para diagnosticar e tratar dores no corpo.
Promoção de saúde
“Eu me sinto realizada dentro desse trabalho que a gente faz, porque a gente tem que ser útil onde estiver dentro do mundo. Não dá pra pensar só em dinheiro”, revela, iluminando o olhar.
Na tenda montada para a atuação dos profissionais de saúde, o trabalho funciona das nove horas da manhã às sete da noite. Cerca de 100 pessoas são atendidas diariamente por voluntários.
”É muita dedicação e muito ser humano”, celebra a agricultora, apontando o trabalho dos colegas.
Vínculo
A Rede de Médicos e Médicas Populares também realiza atendimentos de quem chega à tenda da saúde, mas a atuação de quem se voluntaria tem ido além da rotina do acampamento.
A estudante de medicina Marita Brilhante é integrante da rede, pela Paraíba onde mora, e chegou a fazer rodas de conversa, aplicação de práticas integrativas, como auriculoterapia, no acampamento montado em João Pessoa, que durou alguns dias. A instalação acabou, mas a relação com os participantes, não.
“Foi minha primeira experiência em acampamento e foi muito bom porque fiz amizade com algumas lideranças de mulheres e já estou combinando de fazer uma oficina num assentamento delas [no interior da Paraíba]”, conta a estudante, ao acrescentar a importância de conhecer as condições de vida para promover saúde.
Edição: Cecília Figueiredo