segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Vídeo: Descontrolado, Bolsonaro manda estudante calar a boca ENQUANTO ISSO OS IDIOTAS GRITAM MITO, MITO...

15 DE OUTUBRO DE 2018, 22H15

Vídeo: Descontrolado, Bolsonaro manda estudante calar a boca

Caso aconteceu em 2016: Bolsonaro participava de uma audiência pública em Vitória (ES) quando foi questionado por um jovem estudante sobre a ausência de negros no evento. Foi o suficiente para o capitão da reserva partir para a agressão verbal. Assista
Reprodução
Voltou a circular pelas redes sociais, nesta segunda-feira (15), Dia dos Professores, um vídeo que mostra o candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro, completamente descontrolado e agredindo verbalmente um jovem estudante.
O caso aconteceu em abril de 2016, quando Bolsonaro participava de uma audiência pública no Clube dos Oficiais da Polícia Militar de Vitória (ES). Em um determinado momento de sua fala, o estuante Lucas Gonçalves Rangel o questionou sobre a falta de negros no evento.
Foi o suficiente para o presidenciável partir para a agressão verbal e mandar o garoto “calar a boca”.
Relembre.

Será que você não contribuiu com esse ódio insano ao PT?

Será que você não contribuiu com esse ódio insano ao PT?

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Poucas pessoas com cérebro duvidam hoje de que esse ódio de cerca de metade dos brasileiros ao Partido dos Trabalhadores está entre tudo o que há de mais insano neste país.
Não há uma razão lógica para odiar tanto esse partido ao ponto de votar em alguém como Jair Bolsonaro, de quem 10 entre 10 pessoas racionais têm asco e medo devido às suas ideias de extração inegavelmente nazifascista.
Hoje, vemos até pessoas de esquerda que contribuíram fortemente para envenenar essa metade da sociedade contra um partido cuja obra social e humanitária de relevo já é parte da história, declararem apoio (tardio) ao PT.
Hoje, partidos e pessoas de esquerda que fustigaram o PT de tal forma que fizeram crescer dessa forma o ódio ao partido percebem que aquela história de que ele seria “de direita” é uma imbecilidade.
E, aí, cometem imbecilidade ainda maior ao declarar a Haddad o tal “apoio crítico”.
Que bosta é esse “apoio crítico”? Ou é apoio ou não é! Não quer apoiar, não apoie. Deixe um nazifascista vencer para você não ter que engolir ao menos metade das asneiras que disse sobre o PT.
Um bom exemplo disso é o PSTU. Reportagem do portal G1 dá conta de que “O PSTU divulgou uma nota em seu site na qual manifesta voto no candidato Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições”
Diz a  matéria que esse partido afirmou, no entanto, que não dará apoio político ao petista. Para o PSTU, tanto Haddad quanto o rival, Jair Bolsonaro (PSL), vão atacar direitos dos trabalhadores e “favorecer os banqueiros e grandes empresários”.
A opção por Haddad, segundo o PSTU, é porque votar em Bolsonaro seria, na visão do partido, “dar vários tiros no nosso próprio pé, no pé de toda a classe trabalhadora”. De acordo com o PSTU, Bolsonaro “ameaça colocar os militares nas ruas e impor uma ditadura que impeça o trabalhador de lutar”.
Concordo com o que Bolsonaro fará se vencer a eleição, mas de onde esse bando de cretinos tirou que Haddad iria tirar direitos dos trabalhadores? Será que esses palhaços hibernaram durante os governos do PT? Que direitos Lula ou Dilma tiraram dos trabalhadores?!
Aí não dá. Para dar um apoio desses, poderiam ter ficado calados.
Ciro Gomes e seu ego descomunal fizeram a mesma coisa – o pedetista declarou “apoio crítico” a Haddad e se mandou para a Europa, fazendo beicinho.
Nem vamos falar do PSOL em respeito ao grande Guilherme Boulos, quem tem muito valor, mas chegou a declarar, em entrevista à Folha, meses antes do impeachment, que o governo Dilma seria “indefensável”…
E não vamos nem falar das malditas “jornadas de junho de 2013”. Hoje, poucos, raros são os esquerdistas que discordam do erro monumental que foi tudo aquilo. Ali, partidos como PSOL, PSTU, Rede (à época, um partido em gestação) e até setores do PT plantaram a ascensão do fascismo.
Muita, mas muita gente mesmo que nunca entendeu como é difícil governar sem apoio massivo no Congresso chega a criticar o ódio insano ao PT que foi semeado inclusive por essas mesmas pessoas e suas críticas cretinas aos governos petistas.
Muitas dessas críticas da esquerda se deveram a gente que achava que ganhava pouco em um governo “seu”, o do lado que apoiava…
O PT nunca usou dinheiro público para comprar a imprensa. Teria sido fácil evitar o golpe comprando a imprensa conservadora. Temer, mais odiado que qualquer outro governante deste país, recebe  muito menos críticas da mídia corporativa do que Lula recebia quando o país estava bombando em empregos, salários, distribuição de renda, redução da desigualdade…
Quem não se lembra das criticas ferozes da psolista Luciana Genro ao PT… Ela certamente contribuiu sobremaneira para, com seu antipetismo, fortalecer essa extrema-direita que, se chegar  ao poder, irá caçá-la sem tréguas.
O caso mais clamoroso, porém, é o da Globo e o resto da imprensa antipetista. Apesar de Bolsonaro ter fechado acordo com a Record para transformá-la na voz do regime, caso se eleja, todo o resto da imprensa teria vida dura se fascista se elegesse. Sobretudo a arqui-inimiga da Record
Como a possibilidade de Bolsonaro se eleger é real, a mídia antipetista, a esquerda antipetista, o centro antipetista, todos estão de cabelos em pé, porque sabem quanto as liberdades coletivas e individuais estão ameaçadas
Todos sabem que um governo nazifascista não irá tolerar críticas. E irá perseguir os críticos.
A grande imprensa brasileira deu um golpe 50 anos atrás em conluio com o exército. Acabou censurada. Meio século depois, apelou ao Judiciário e ao Congresso para darem golpe contra Dilma e encarcerarem o único que poderia enfrentar a extrema-direita.
A imprensa antipetista, bem como todo o antipetismo cometido durante anos por pessoas que abdicaram de usar bem-dotados cérebros e passaram a pensar com o fígado e o bolso.
E você, será que não deu a sua contribuição, em termos de vociferação de antipetismo ou de “criticas pela esquerda”, contra o PT, de modo a vitaminar Bolsonaro e suas hordas de psicopatas pervertidos?
Agora, então, chupa que é de uva.
A merda é que quem não fez essa besteira poderá ser prejudicado também.

Mais casos de violência de apoiadores extremistas de Bolsonaro

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Mais casos de violência de apoiadores extremistas de Bolsonaro

Ponte Jornalismo já contabiliza mais de 50 casos de terrorismo deste tipo em todo o Brasil

Ponte Jornalismo, referência na defesa dos Direitos Humanos, relatou nesta segunda-feira (15) mais dois casos de agressão por parte de apoiadores extremistas de Bolsonaro.
O primeiro aconteceu no litoral paulista e carrega do título:

Apoiadores de Bolsonaro ameaçam linchar jovem negro no Guarujá (SP).

Vários homens imobilizam um jovem negro na areia da praia a espera da Polícia. Ele é agredido enquanto os homens declaram apoio à Jair Bolsonaro.

O outro caso aconteceu na Cinelândia, Rio de Janeiro. É o relato da professora e pesquisadora trans Jaqueline Gomes de Jesus. O título da reportagem é:

Professora e pesquisadora trans é agredida na Cinelândia (RJ).

Em um dos trechos de seu desabafo ela afirma:

“Estava resolvendo problemas pessoais na região da Cinelândia e, quando atravessava a Rua Evaristo da Veiga, fui atingida por uma violenta cotovelada. O agressor era um homem branco, usava um boné verde e amarelo do Brasil e camisa da seleção brasileira, portava um celular, e com o mesmo braço que segurava o telefone deu uma forte cotovelada no meu peito.”

A professora acredita que o agressor era eleitor de Jair Bolsonaro.
As duas ocorrências, infelizmente, são apenas mais dois números na escalada de violência praticadas desde o primeiro turno das eleições. Apoiadores extremistas de Bolsonaro já cometeram mais de 50 casos de violência em todo o Brasil.

Lembram-se de como Hitler começou? Tem a ver com o Brasil atual?

Análise de Frei Betto mostra como o que aconteceu há 85 anos na Alemanha é muito semelhante ao que ocorre agora no Brasil

semelhanças brasileiro eleição de Hitler Alemanha
Thiago Domenici, Agência Pública
Frei Betto, 73 anos, é frade dominicano e um dos responsáveis na propagação da teologia da libertação no Brasil, movimento apartidário que interpreta os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas condições sociais, políticas e econômicas.
Autor de mais de 60 livros, Frei Betto falou à Pública, por e-mail, sobre o atual momento político e social do país. “Se o Bolsonaro ganhar a eleição, teremos um governo autoritário, uma ditadura revestida de democracia, como o governo de Hitler no início dos anos 1930 na Alemanha”, argumenta o dominicano, que recentemente lançou duas obras: Sexo, orientação sexual e “ideologia de gênero” e Por uma educação crítica e participativa (Anfiteatro).
Por razões políticas, Frei Betto foi preso duas vezes durante a ditadura militar (1964 e de 1969 a 1973). Já no período democrático, logo após a eleição de Lula, ajudou na elaboração do programa Fome Zero e trabalhou como assessor especial do ex-presidente (2003 e 2004).
O religioso nunca poupou de críticas o Partido dos Trabalhadores ao longo dos anos. “O PT, embora tenha feito o melhor governo de nossa história republicana nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo. E buscou assegurar a governabilidade por alianças, muitas delas promíscuas”, avalia.
Para ele, se Haddad vencer, “teremos um governo voltado às questões sociais”, mas alerta: nenhum dos candidatos “livrará o Brasil de intensa turbulência nos próximos dez anos”.

Qual avaliação política o senhor faz dessa disputa para presidente do ponto de vista dos discursos dos candidatos?

Até agora predominaram os discursos antipetista dos bolsonaristas e antibolsonaro dos haddadistas. Com o segundo turno parece que eles mudam de tom. Bolsonaro se apresenta como flor que se cheira, pleno de amor aos pobres, de defensor das mulheres, de respeitador dos homossexuais. E Haddad se foca em propostas efetivas de melhorias de vida do povo brasileiro, o que me parece acertado. Haddad se desloca do mero protesto para reais propostas.

Qual é, na sua opinião, a responsabilidade do PT nessa onda de direita? Por que o antipetismo é colocado à frente de questões que envolvem os direitos humanos?

Porque o PT, embora tenha feito o melhor governo de nossa história republicana nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo. E buscou assegurar a governabilidade por alianças, muitas delas promíscuas, com o que havia de mais retrógrado na política brasileira, quando deveria fazê-lo para mobilização de quem deu as vitórias do PT: os movimentos sociais.
Além disso, não criamos uma narrativa capaz de incluir o brasileiro como protagonista de um processo político. Acenamos com luz, casa, carro, escola etc., sem a contrapartida da densidade subjetiva, ou seja, uma cosmovisão que ajudasse o cidadão a se situar no conflito de classes.

O que o PT e Haddad precisam fazer para conter essa onda de direita?

Primeiro, ganhar a eleição dia 28 de outubro! Em seguida, fazer uma séria e profunda autocrítica dos equívocos cometidos ao longo de 13 anos de governo, como fiz nos livros A mosca azul e Calendário do poder, ambos editados pela Rocco, e apresentar um consistente programa de reformas estruturais.

Depois de se posicionar publicamente no primeiro turno das eleições gerais no país contra discursos de ódio e violência, agora a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pede ao eleitor católico que, ao escolher seus candidatos, na votação de segundo turno, atente para aqueles que ajudem a preservar, e não a destruir, sistemas democráticos. Como o senhor avalia esse posicionamento da CNBB?

A CNBB deveria ter se posicionado já no primeiro turno. Mas ainda bem que o faz agora. Porém, sem a força de mobilização que têm as Igrejas evangélicas. Nestas o pastor falou, o fiel calou porque aceitou. Na Igreja Católica há, infelizmente, grande contingente de bolsonaristas.

Como Haddad pode se aproximar dos católicos e quais seriam as demandas da igreja que ele teria que atender?

É um pouco tarde para essa aproximação. O PT deveria ter mantido um canal de diálogo com todas as instituições que têm um mínimo de abertura às suas propostas. Ainda assim, Haddad deve focar seu discurso no drama social do povo brasileiro, e não na pauta moralista de alguns setores religiosos.

Como a ascensão evangélica no Congresso está mudando as relações sociais e políticas no país?

Devo dizer que respeito todas as Igrejas evangélicas, mas discordo dos cristãos – sejam eles católicos ou evangélicos – que usam o nome de Deus para fortalecer a desigualdade social e o preconceito a gays, negros, quilombolas e movimentos sociais como o MST e o MTST.
No Congresso, infelizmente a bancada da Bíblia tem esse perfil conservador e se cumplicia com as outras bancadas do B: banco, bola, bala e boi. E essa gente demoniza tudo que foge a seus interesses corporativos, como promover a acumulação privada do capital e manter o abismo entre ricos e pobres no qual o Brasil afunda.

Na sua opinião, por que Bolsonaro conseguiu dialogar mais com essa parcela do eleitorado?

Porque soube surfar no vácuo da crise política, que levou ao descrédito das instituições, dos políticos e da política, e no moralismo suscitado pela partidarização da Lava Jato.

Aborto e questões de gênero são temas que racham tanto evangélicos quanto católicos. Qual sua avaliação sobre esses temas?

Acabo de publicar uma cartilha popular intitulada Sexo, orientação sexual e “ideologia de gênero”. Esses temas têm sido debatidos com mais ardor emocional que lógica racional. Os mesmos que não aceitam a descriminalização do aborto aplaudem quando a polícia atira antes de perguntar. E a diversidade de gênero é tão inquestionável como o fato de a Terra girar em redor do Sol. Mas há quem insista que é o Sol que gira em torno da Terra… Pobre Galileu!

O senhor foi um dos perseguidos pela ditadura militar de 1964 que Jair Bolsonaro (PSL) defende abertamente. Qual o seu sentimento em relação a essas declarações públicas?

Sentimento de que o Judiciário brasileiro falhou redondamente ao criar a lei esdrúxula da anistia recíproca e não punir os responsáveis por rasgarem a Constituição e impor ao Brasil um regime de terror que, impunemente, assassinou, estuprou, prendeu, torturou e exilou ao longo de 21 anos. Bolsonaro é resultado dessa grave omissão.

O senhor vê paralelo entre 1964 e nosso atual momento?

Não. Vejo paralelo entre o momento atual e a eleição de Hitler na Alemanha, pelo voto democrático, em 1933.

Pode, por favor, explicar um pouco mais esse paralelo?

Em 1964 houve um golpe militar que expulsou do poder o presidente da República e suspendeu todas as garantias constitucionais. Não se pode comparar uma eleição democrática, como a atual no Brasil, com o golpe de 1964. Mas sim com a eleição de Hitler na Alemanha, em 1933.
Veja: Ele nada entendia da situação real do país. Nem demonstrava interesse por ela, embora atuasse ativamente na política. Por isso não gostava de ser questionado, irritava-se diante das perguntas como se fossem armas apontadas em sua direção. Não queria que a sua ignorância se tornasse explícita.
Ser estranho, ele tinha olhos alucinados afundados nas órbitas, lábios espremidos, gestos cortantes. Todo o seu corpo era rígido, como se moldado em armadura. Ao ficar na defensiva, parecia uma fera acuada.. Ao passar à ofensiva, a fera exibia garras afiadas e de suas mandíbulas pingava sangue.
Sua fala exalava ódio, rancor, preconceito.. Aliás, não falava, gritava. Não sabia sorrir, tratar alguém com delicadeza, ter um gesto de cortesia ou humildade. Evitava ao máximo os repórteres. Julgava suas perguntas invasivas. E temia que a sua verdadeira face antidemocrática transparecesse em suas respostas.
Educado em fileiras militares, aprendera apenas a dar e cumprir ordens, enquadrar quem o cercava e ultrajar quem se opunha às suas opiniões. Jamais aceitava o contraditório ou praticava um mínimo de tolerância. Considerava-se o senhor da razão.
A nação estava em frangalhos, mergulhada em crise ética, política e econômica, e o horizonte da esperança espelhado em trevas. Pelo país afora havia milhares de desempregados, criminalidade generalizada, corrupção em todas as instâncias de poder. O câmbio disparara, a moeda nacional perdia valor, o descontentamento era geral. O governo carecia de credibilidade e se via cada vez mais fragilizado. O povo clamava por um salvador da pátria.
Jovens desesperançados viam nele um avatar capaz de inaugurar a idade de ouro. Era ele o cara, surfando na descrença generalizada na política e nos políticos. O Executivo se debilitara por corrupção e incompetência, o Legislativo mais parecia um ninho de ratos, o Judiciário se partidarizara submisso a interesses escusos.
Ele se dizia cristão e se considerava ungido por Deus para livrar o país de todos os males. Advogava soluções militares para problemas políticos. Movido pela ambição desmedida, se apresentou como candidato à eleição democrática para ocupar o mais alto posto da República, embora ostentasse a patente de simples oficial de baixo escalão do Exército.
De sua oratória raivosa ressoava o discurso agressivo, bélico, insano. Haveria de modificar todas as leis para implantar uma ordem marcial que poria fim a todas as mazelas do país. Eleito, seria ele o comandante em chefe, e todos os cidadãos passariam a ser tratados como meros recrutas obrigados a cumprir estritamente as suas ordens.
Prometia fortalecer o aparato policial e as forças armadas. Sua noção de justiça se resumia a uma bala de revólver ou a um tiro de fuzil. Eleito, excluiria da vida social um enorme contingente de pessoas consideradas por ele sub-humanos e indesejáveis, mulheres, homossexuais, trabalhadores em luta por seus direitos e comunistas. Todos que se opunham às suas opiniões eram por ele apontados como bodes expiatórios da desgraça nacional.
Seu mandato presidencial haveria de trazer a era de fartura e prosperidade. Reergueria a economia e asseguraria oportunidades de trabalho a todos. Exaltaria os privilégios do capital sobre os direitos dos trabalhadores. Aqueles que o seguissem seriam felizes, e livres para sobrepor a lógica das armas ao espírito das leis. Os demais, excluídos sumariamente do convívio social.
Enfim, após uma série de manobras políticas e forte repressão às forças adversárias, ele foi eleito chefe de Estado. A nação entrou um júbilo. O salvador havia descido dos céus! Ou melhor, brotado das urnas.
Tudo isso aconteceu há 85 anos, em 1933. Na Alemanha alquebrada pela derrota na Primeira Grande Guerra. O nome dele era Adolf Hitler.

As comunidades de base da Igreja Católica tiveram um grande papel na politização popular nos anos 1960 e na resistência à ditadura nas décadas seguintes. Qual a diferença que o senhor vê entre essa atuação e a que é feita pelas igrejas neopentecostais neste momento?

As CEBs [comunidades eclesiais de base] sofreram desvalorização sob os pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Então muitos fiéis pobres migraram para igrejas neopentecostais. Agora, com o papa Francisco, as CEBs voltam a ter espaço na Igreja, mas infelizmente foram debilitadas. As CEBs são a fonte da teologia da libertação. E as igrejas neopentecostais adotam a teologia da prosperidade, ou seja, do próprio umbigo, sem nenhuma dimensão social da mensagem do Evangelho.

Em uma entrevista para o El País, o senhor diz que “a igreja evangélica está cometendo o mesmo erro que a Igreja Católica cometeu na Idade Média”. O que isso significa?

No período medieval, a Igreja conquistou a hegemonia sobre a sociedade, a ponto de o papa coroar reis e nomear príncipes. Hoje algumas igrejas evangélicas procuram confessionalizar a política e anular a laicização da sociedade civil.
Por meio do poder, em cujas estruturas há cada vez mais pastores, se empenham em fazer coincidir os preceitos religiosos com as leis civis, como a demonização dos homossexuais e a condenação do Carnaval.
Amanhã um pastor na Presidência da República ou no STF pode insistir em estabelecer, em todo o país, a Lei Seca, proibindo a fabricação, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas, como se tentou nos anos de 1930 nos EUA.

A Igreja se afastou do povo? Por que esse trabalho com as comunidades de base perdeu força?

Porque não teve apoio da hierarquia, ou seja, de bispos e padres. Como adverte o papa Francisco, enquanto a Igreja Católica não se desclerizar, isto é, abandonar o clericalismo que a domina, ele não será em “Igreja em saída”, como frisa o papa.

A esquerda se afastou da Igreja Católica ou foi a Igreja Católica que se afastou da esquerda?

Sempre houve setores da esquerda na Igreja Católica, e eu me identifico com eles.. Mas hoje é raro encontrar um cardeal de esquerda, como dom Paulo Evaristo Arns; um arcebispo de esquerda, como dom Helder Câmara; um bispo de esquerda, como dom Pedro Casaldáliga. Por isso a esquerda laica não tem muito interesse em manter vínculos com a Igreja Católica.

Se Bolsonaro ganhar, o senhor vê riscos à democracia? E quais seriam os riscos de uma vitória de Haddad?

Se o Bolsonaro ganhar a eleição, teremos um governo autoritário, uma ditadura revestida de democracia, como o governo de Hitler no início dos anos 1930 na Alemanha. Se Haddad vencer, teremos um governo voltado às questões sociais, ampliando nosso espaço democrático. Mas nenhum dos dois livrará o Brasil de intensa turbulência nos próximos dez anos. Contudo, insisto em meu axioma: guardemos o pessimismo para dias melhores!

CAMPANHA DE BOLSONARO PRATICA 'COMUNICAÇÃO DE GUERRA', DIZ ESPECIALISTA