domingo, 25 de novembro de 2018

KOTSCHO: BOLSONARO TEM MESMO CONDIÇÕES DE GOVERNAR?

VÍDEO: Roger Waters fala de sua turnê pela América do Sul e critica Bolsonaro e Trump

VÍDEO: Roger Waters fala de sua turnê pela América do Sul e critica Bolsonaro e Trump

 

Moção do parlamento britânico defende liberdade do ex-presidente Lula ​ ​

Moção do parlamento britânico defende liberdade do ex-presidente Lula

Publicado em 25 novembro, 2018 11:50 am
Do Brasil247.
Uma moção assinada por dez integrantes do parlamento britânico pede a liberdade do ex-presidente Lula, reforça sua condição de preso político, que foi arrancado do processo eleitoral para que Jair Bolsonaro pudesse vencer a disputa e também denuncia as políticas de extrema direita do presidente eleito, que ameaçam a democracia e os direitos das minorias no Brasil. Os signatários são Jonathan Edwards, Kelvin Hopkins, Clive Lewis, Ian Mearns, Grahame Morris, Lloyd Russell-Moyle, Liz Saville Roberts, Dennis Skinner, Christopher Stephens e Chris Williamson.
Leia a íntegra e acesse aqui o link:
“Que esta Câmara está alarmada com a eleição do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro como presidente do Brasil; observa seu apoio à ex-ditadura no Brasil e seus comentários de que deveria ter matado dezenas de milhares de pessoas a mais; observa ainda as suas declarações a favor da tortura e das execuções extrajudiciais por parte da polícia; manifesta sua profunda preocupação com as recentes declarações de um expurgo de rivais políticos em uma limpeza como nunca vista na história do Brasil; rejeita suas observações ameaçadoras contra as organizações da classe trabalhadora, as mulheres, a grande população negra do Brasil, os sem-teto, a comunidade LGBT e as organizações não-governamentais; observa que o ex-presidente Lula era o favorito para vencer a eleição presidencial até ser preso e impedido de participar de uma ação condenada pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU; observa que o juiz Moro, que realizou a investigação sobre Lula, aceitou, desde a eleição, a indicação de Bolsonaro para ser ministro da Justiça do Brasil; pede a libertação de Lula; e expressa seu apoio aos brasileiros que defendem a democracia, os direitos humanos e o progresso social.”
Lula (Nelson Almeida/AFP)

Expressão usada por ministros de Bolsonaro foi invocada em massacre na Noruega

Expressão usada por ministros de Bolsonaro foi invocada em massacre na Noruega

Marxismo cultural: obsessão dos ministros olavistas do presidente eleito Jair Bolsonaro foi invocada no massacre que tirou a vida de 77 pessoas na Noruega

expressão ministros bolsonaro marxismo cultural massacre na Noruega Anders Breivik
Anders Behring Breivik justifica sua barbárie mencionando o marxismo cultural (reprodução)
Kiko Nogueira, DCM
Há uma bandeira que une os mentores intelectuais (sic) do bolsonarismo: a luta contra o chamado “marxismo cultural”.
Essa batalha é travada com força e com vontade pelo futuro chanceler Ernesto Araújo e seu anunciado colega ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez.
Num artigo lelé da cuca intitulado “Trump e o Ocidente”, publicado em seu blog, Araújo jura que o presidente dos EUA está salvando a civilização do “marxismo cultural globalista” ao defender a “identidade nacional, os valores familiares e a fé cristã, enquanto a Europa não o faz”.
Rodríguez não deixa por menos.
Autor de livros contra o PT, ele assina uma postagem com planos para o MEC em sua página na internet — denominada, sugestivamente, “Rocinante”. No caso, o cavalo de Dom Quixote. Ainda assim, um cavalo.
Os brasileiros, segundo Rodriguez, são “reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana’, com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero” etc etc.
Resenhou o livro “Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural”, picaretagem que alega, entre outras coisas, que “o esporte-educacional, como aquele observado nos anos de 1964 a 1985, aparece claramente com o notável intuito de formar a juventude brasileira por meio de valores supremos”.
Ambos são seguidores e indicações do “filósofo” Olavo de Carvalho, general dessa guerra contra o que ele definiu numa coluna seminal (sic) no Globo, de 2002, como “uma nova escola” que quer destruir o Ocidente.
Ela tem “influência predominante nas universidades, na mídia, no show business e nos meios editoriais”. A esquerda, mais especificamente os governos petistas, tornou-se seu arauto.
Tanto Jair quanto seus filhos papagueiam tio Olavo repetindo essa expressão sempre que julgam necessário parecer, inutilmente, inteligentes.
É um bicho papão da extrema direita no mundo.
No New York Times, Samuel Moyn, professor de Direito e História da Universidade de Yale, nos EUA, resumiu o conceito como “um meme de 100 anos de idade”, com “uma história longa e tóxica”.
Nada disso realmente existe”, afirma, numa excelente análise.
Mas é cada vez mais popular acusar os efeitos nefastos do marxismo cultural na sociedade – e sonhar com seu violento extermínio.”
Moyn associa essa tese paranoica ao antissemitismo.
Lembra que Anders Breivik, o neonazi terrorista que matou 77 e feriu 51 num acampamento do Partido dos Trabalhadores norueguês, na ilha de Utøya, em 2011, justificou a barbárie mencionando o marxismo cultural, ameaça à “cristandade” moderna.
Destaco alguns trechos para entender em que buraco a inteligentsia bolsonaro-olavista quer atirar o Brasil:
Originalmente uma contribuição americana para a fantasmagoria do alt-right, o medo do “marxismo cultural” vem se infiltrando há anos através de esgotos globais de ódio. (…)
Em junho, Ron Paul tuitou um meme racista que empregou a frase. No Twitter, o filho de Jair Bolsonaro, o recém-eleito homem forte do Brasil, gabou-se de conhecer Steve Bannon e unir forças para derrotar o “marxismo cultural”. (…)
O “marxismo cultural” também é um dos temas favoritos do Gab, a rede de mídia social em que Robert Bowers, o homem acusado de matar 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh no mês passado, passou algum tempo. (…)
Em seu manifesto de 1 500 páginas, o norueguês de direita Anders Breivik, que matou 77 pessoas em 2011, invocou o “marxismo cultural”. Repetidamente. “Ele quer mudar o comportamento, o pensamento e até as palavras que usamos”, escreveu. “Até certo ponto, já o fez.”
De acordo com seus oponentes ilusórios, “marxistas culturais” são uma aliança profana de aborteiros, feministas, globalistas, homossexuais, intelectuais e socialistas que traduziram a velha campanha esquerdista para levar os privilégios das pessoas da “luta de classes” à “política de identidade”. (…)
Alguns dos teóricos da conspiração que traçam as origens do “marxismo cultural” atribuem um significado desproporcional à Escola de Frankfurt. (…)
Muitos membros da Escola de Frankfurt fugiram do nazismo e foram para os Estados Unidos, onde supostamente carregavam o vírus do marxismo cultural para a América.
O discurso mais amplo em torno do marxismo cultural hoje se assemelha a uma versão do mito do “bolchevismo judeu” atualizada para uma nova era.
Nos anos após a Revolução Russa, os fantasistas aproveitaram o fato de que muitos dos seus instigadores eram judeus para sugerir que as pessoas poderiam economizar tempo equiparando o judaísmo ao comunismo – e matar ambos com um único golpe. (…)
A defesa do Ocidente em nome da “ordem” e contra o “caos” é um assunto antigo que se apresenta como um novo insight. Isso levou a danos graves no último século. (…)
Esse “marxismo cultural” é uma calúnia grosseira, referindo-se a algo que não existe, mas infelizmente não significa que pessoas reais não vão pagar o preço, como bodes expiatórios para apaziguar um sentimento crescente de raiva e ansiedade.
E, por essa razão, o “marxismo cultural” não é apenas um desvio triste de enquadrar queixas legítimas, mas também uma atração perigosa em um momento cada vez mais desequilibrado.
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André Singer, ao lembrar da censura de 68: “a gente vem atravessando, desde 2015, ameaças à democracia”

André Singer, ao lembrar da censura de 68: “a gente vem atravessando, desde 2015, ameaças à democracia”

Ao comentar sobre o icônico ano de 1968, o cientista político André Singer lembra que o Brasil se encaminhava então em direção a um forte endurecimento do regime militar, que acabou culminando na edição do AI-5, em dezembro daquele ano. “Até então, embora já estivéssemos sob ditadura desde 1964, havia alguns espaços de liberdade”, que se refletiam, por exemplo, nas manifestações estudantis. Tudo mudou com a implantação do AI-5, que deu início aos chamados anos de chumbo. O colunista chama a atenção para o fato de que ninguém sabia o que iria acontecer, até porque a ditadura começou com a promessa de que não duraria mais do que um ano. Não foi o que aconteceu, como todos sabemos – o regime militar durou quase 21 anos.
Singer usa o episódio para refletir sobre como a questão da democracia no Brasil é complicada. Ele vai mais longe quando diz ser possível fazer uma comparação entre aquele momento e o atual, salvo algumas diferenças importantes, sobretudo no que se refere ao contexto internacional. “Eu acho que a gente vem atravessando, desde 2015, ameaças à democracia.” Como exemplo, ele cita o golpe parlamentar de 2016. “E eu acho que nós continuamos a viver um momento muito delicado para a democracia brasileira.”
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A NOVA CARA DA DITADURA BRASILEIRA

Sem-teto se organizam após incêndio na Ocupação Prestes Maia

Sem-teto se organizam após incêndio na Ocupação Prestes Maia

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Crianças de banho tomado e uma já dormindo. Ao mesmo tempo a merendeira desempregada Lucilene Aparecida França, 34 anos, preparava o jantar da família à espera do marido, o autônomo Rodrigo de Jesus Pereira da Silva, que havia saído com a filha para vender água na noite do centro de São Paulo. De repente, “Fogo, fogo!”. Os gritos de uma vizinha, somados a batidas na porta, transformaram a tranquilidade em desespero.
Lucilene só viu uma fumaça preta e já não enxergava mais nada à sua frente. Tratou de pegar dois dos filhos no colo enquanto a vizinha pegava outros dois. Ela ainda sacou roupas do varal, as molhou num balde. Cobriu as crianças e partiu para o breu de um corredor de cerca de 20 metros que levava à escada para sair do quarto andar da do Bloco A da Ocupação Prestes Maia, no centro de São Paulo, que hoje ainda detém o título de maior ocupação da América Latina. O edifício que tem saída para a avenida Prestes Maia e para a Rua Brigadeiro Tobias, um dia, abrigou uma fábrica têxtil, a Companhia Nacional de Tecidos.
Ao vencer a fumaça, Lucilene precisou sentar-se no primeiro degrau da escada — ainda faltavam 64 degraus, outros vinte e cinco metros de corrida e mais uns passos entre os andares até a saída para o intacto Bloco B, acessível pelo primeiro andar do edifício.
Lucilene nem teve muito tempo de respirar e logo foi incentivada a seguir, em meio ao caos que estava na escada, com moradores descendo em fuga e moradores da equipe de brigadistas subindo pela escada.
A merendeira foi motivada a se levantar e seguir rapidamente pela dona de casa Tayla Lanzoni, 23, moradora do barraco mais longe da saída, na esquina mais extrema à escada do sexto andar do prédio, que abrigava de 13 a 15 famílias e foi onde começou o incêndio da noite da última quarta-feira (21/11).
Quando foi alertada do incêndio, Tayla fazia um penteado em sua filha de quatro anos, Emily Vitória, para já adiantar a saída matinal para a escola no dia seguinte. Também estava com seu filho, Alex Sander, 7 anos, uma gata, a Gatinha, e a cachorra Lola. A vizinha Jamile Neves, 20, foi quem provavelmente viu primeiro o incêndio e logo a chamou, assim como fez com os demais moradores do último andar com habitantes da construção. Do sétimo ao nono não havia mais morador.
“Eu via o fogo no meio do corredor, voltei, peguei documentos, minha filha e ela meu filho, quando voltei, em segundos, o fogo já estava em mim. Cobri o rosto da minha filha e vi o Daniel [outro vizinho] com o extintor. Quando ele disparou o extintor, o fogo baixou e passei no meio da fumaça. Cheguei sem ar na escada. Mas continuei. Era muita gente subindo e descendo”, lembrou Tayla, horas depois de vivenciar o drama, que vitimou Gatinha e provavelmente Lola, desaparecida até a noite do dia seguinte, horário em que a reportagem deixou a Ocupação Prestes Maia.
Vizinha ao barraco onde o incêndio começou, no qual não havia morador algum no momento, Tayla comentou que tinha sentido cheiro de queimado no andar. Entretanto, ela nem se preocupou. Dois barracos ao lado do foco do incêndio era a moradia de Seu Rubens, que trabalha com equipamentos eletrônicos e habitualmente usa solda, o que a impediu de desconfiar de incêndio.
Quando o fogo se espalhou, era tarde, pois apesar de a estrutura do prédio ser de alvenaria, os barracos são divididos por paredes de madeira, material que tem mais facilidade de entrar em combustão.
O cheiro de queimado também havia sido sentido pelo autônomo Flávio Cândido da Cruz, 35, que havia deixado o sexto andar minutos antes do incêndio para trabalhar na 25 de março. Mas ele prontamente voltou ao receber um telefonema da própria Tayla, informando do incêndio e o tranquilizando, pois a mulher — Juliana Alves, 33 — e os filhos — Pedro, 10, e Ana Julia, 5 — estavam em segurança no térreo, como todos outros moradores do sexto andar e de todo o Bloco A, onde vivem cerca de 400 pessoas.
A preservação de 100% das vidas humanas na maior Ocupação da América Latina, que chegou a ter quase 500 famílias, está longe de ter sido obra do acaso, de alguma força superior ou mesmo sorte. Depois da tragédia que foi o incêndio e desabamento do Edifício Wilton Paes, no Largo Paissandu, no último 1º de maio, a prevenção de incêndios passou a ser assunto de máxima importância nas ocupações do centro de São Paulo.
Um trabalho de prevenção passou a ser desenvolvido com o objetivo de preparar moradores brigadistas nas ocupações. Arquiteta da Faculdade Belas Artes, a bombeira civil Ana Flores liderou vistorias e treinou os moradores da Ocupação Prestes Maia.
“Foi o que salvou nossas vidas, com certeza. A gente só vê que vale o trabalho quando precisa”, comentou o líder da ocupação, João Batista do Nascimento, do Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ). “Quando os bombeiros chegaram o prédio já estava todo evacuado e ainda acompanhamos o trabalho dos bombeiros”, disse, orgulhoso do trabalho desenvolvido por ele e os outros brigadistas no incêndio que começou por volta de 21h15 e acabou antes das 23h.
Quando foi alertado pelo filho Jean, de 11 anos, sobre o incêndio, João conta que foi ligar a sirene do edifício, mas alguém já tinha se adiantado na tarefa. A eletricidade foi desligada e ele então ordenou que todos os extintores do bloco B fossem levados para ajudar a conter o fogo e foi ajudar as equipes organizadas para evacuar o prédio e conter o fogo com extintores e hidrantes.
Com os moradores fora do prédio e salvos, os bombeiros demoraram menos de duas horas para conter as chamas, que destruíram praticamente todos os barracos do sexto andar e afetaram ainda os andares de cima, que tinham apenas alguns objetos deixados por moradores.
Os três últimos andares do Bloco A estavam desocupados, assim como alguns do Bloco B, que é mais alto e tem 22 andares. Aos poucos, os moradores da Prestes Maia estão sendo deslocados para outras ocupações do Centro de São Paulo, pois o prédio será restaurado para depois integrar o Programa Minha Casa Minha Vida – Entidades.
O programa, ligado à Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, está vinculado à Prefeitura de São Paulo para conduzir a solução para a Ocupação Prestes Maia, que estava prevista para 2018, mas já ficou para o ano que vem.
Enquanto isso, desde o incêndio de quarta-feira, todos os moradores do Bloco A foram desalojados e aguardam laudo da Defesa Civil para retornarem a seus lares — e os reconstruírem, quando necessário.
Até a manhã desta sexta-feira, os moradores que não optaram por ir a casas de amigos e familiares provisoriamente ficaram instalados no primeiro andar do Bloco B, pois a vistoria inicial indica que não houve danos estruturais no prédio e apenas o reboco das paredes foi queimado. A previsão indica que eles têm boas chances de voltar rapidamente ao Bloco A.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informa que a SMADS (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) atendeu as famílias afetadas no incêndio. “São 320 moradores no total que receberam colchões e cobertores. Quarenta pessoas decidiram ir para casa de familiares e os outros 280 preferiram permanecer no bloco do prédio que não foi afetado”.
A administração também afirma que o edifício faz parte dos prédios ocupados que receberam visita técnica da defesa civil, após o incêndio do Paissandu, e que, na ocasião, as lideranças foram aconselhadas a adotar medidas de segurança para se adequar às normas técnicas vigentes. “A Secretaria Municipal de Habitação e Cohab estão trabalhando juntas na contratação de projetos para 283 unidades habitacionais. Já há um projeto de retrofit para o prédio, que será destinado para habitação social, em análise na Caixa Econômica Federal. O Núcleo de mediação de conflitos da Sehab está em constante contato com os moradores”, informa a nota.
Apesar do susto e do drama vivido na madrugada do incêndio, a reportagem passou mais de cinco horas na tarde de quinta-feira (22/11) no local e testemunhou como a solidariedade é o ingrediente principal da relação dos moradores. Além disso, existe rigorosa organização na Ocupação, com regras básicas como lugar específico para fumar, orientação para o lixo, cuidado e atenção especial às crianças e o emergencial respeito às orientações da Defesa Civil.
Em colchões espalhados pelo saguão do primeiro andar do Bloco B, muitos moradores descansavam em colchões para se refazer da madrugada. Outros, moradores do Bloco B ou da vizinhança, surgiram oferecendo banho e a ajuda que pudessem, inclusive para cumprir missões estabelecidas pela Defesa Civil para agilizar a readequação da edificação para ela voltar a ser habitável, como por exemplo a árdua tarefa de retirar rebocos soltos na fachada.
Ao mesmo tempo, muitas crianças brincavam felizes, mesmo descalças e sabendo que até o chinelo haviam perdido. Elas ainda foram premiadas com a instalação improvisada de uma televisão e comeram, rindo, o lanche oferecido pelo MMLJ a partir de doações.
O clima no saguão, apesar do olhar ainda meio atônito de muitos adultos, nem chegava perto da sensação transmitida no interior do Bloco A, visitado com exclusividade pela reportagem.
O cheiro de queimado era forte desde o corredor do primeiro andar e só aumentou a cada degrau avançado na escada. No sexto andar, o cenário era desolador, com pelo menos 10 barracos totalmente em cinzas. Ou então, nos menos afetados, nada se aproveitava: estavam aparentes carcaças de fogões, geladeiras, guarda-roupas, mesas, panelas, restos de colchões e sofás. Intactos apenas extintores de incêndio e alguns botijões de gás.
Somente os três últimos barracos do sexto andar tinham alguns objetos salvos, mas justamente na última moradia do pavimento queimado estava a única vítima confirmada do incêndio: a Gatinha, deitava de bruços, perto de uma cama de solteiro que tem um cabideiro acima da cabeça que a utilizava para dormir.
Apesar do alívio das vidas salvas, muitos moradores perderam tudo que tinham: roupas, móveis, fogões, geladeiras, televisores, microondas, louças, pias e até máquinas de costura de uma senhora costureira viraram pó.
“O que o fogo não queimou, a água estragou!”, resumiu a merendeira Lucilene, retratando a situação no quarto andar, alvo da água dos bombeiros e lembrando que teve objetos queimados nos andares mais altos e desocupados do edifício.
No sexto pavimento, além da visível perda, Flávio Cândido da Cruz relatou que teve 1.200 reais queimados. A quantia foi guardada por sete meses para garantir as férias com a mulher e o filhos na casa de familiares no interior. Moradores ainda contaram que haviam máquinas de costura de uma senhora que vive desse ofício, que remonta justamente à origem do prédio, que originalmente foi uma fábrica têxtil. Nem a carcaça das máquinas de costura estavam aparentes em meio às cinzas.
Diante da situação, qualquer ajuda aos moradores da Ocupação será de enorme valia. A lista de pedidos urgentes é grande: fralda, leite, bolacha, água, produtos de higiene, alimentos perecíveis ou não, roupas de todos os tamanhos, móveis, geladeiras, fogão. Apesar de a ocupação ser na Avenida Prestes Maia, as doações estão concentradas na Ocupação Mauá, localizada na Rua Mauá, 340, onde há sempre um porteiro para receber as doações, 24 horas por dia.