sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A crueldade de um presidente da República

TRIBUNA
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A crueldade de um presidente da República

Infelizmente, Bolsonaro continua se comportando como um militar de baixa patente, mau e alinhado com a defesa dos crimes praticados por agentes dos porões. Por Eugênia Augusta Gonzaga

O presidente Jair Bolsonaro.
O presidente Jair Bolsonaro.ADRIANO MACHADO (REUTERS)
O presidente Jair Bolsonaro sempre proferiu palavras extremamente ofensivas à memória de mortos e desaparecidos políticos e a seus familiares. Porém, uma vez eleito presidente da República, ele precisaria se conscientizar de que o cargo impõe deveres e não lhe dá o direito de ofender cidadãos e cidadãs, mesmo aqueles que não fazem parte do público que o elegeu.
O seu comportamento nos últimos dias demonstra cabalmente que ele não compreende o caráter republicano do seu cargo, que significa que ele deve governar um país e não para seus eleitores. Ele não assimilou sequer que esse país tem uma Constituição sobre a qual jurou, tem leis e condenações nacionais e internacionais que ele deve cumprir.

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Infelizmente, o presidente continua se comportando como um militar de baixa patente, mau e alinhado com a defesa dos crimes praticados por agentes dos porões.
A crueldade da ofensa que Bolsonaro lançou à família Santa Cruz para satisfazer seu desejo de humilhar o presidente de uma das mais importantes instituições brasileiras é típica do comportamento desses agentes e não de um presidente da República. O que ele disse foi uma “contrainformação”, ou seja, uma versão que serve para confundir e manter as famílias das vítimas sob tensão e com receio de reagir para evitar que a reputação de seus entes queridos seja assassinada também. Com isso, a contrainformação desvia o foco das verdadeiras responsabilidades, dificulta as investigações e garante a impunidade.
A dificuldade de Bolsonaro em agir conforme o seu cargo exige é tanta que ele sequer teve o cuidado de dar um verniz de razoabilidade para a versão que ele disse ter “intuído” de sua experiência naquele período. O que ele disse sobre a AP (movimento chamado inicialmente de Ação Popular) ser “sanguinária” não tem o menor fundamento, principalmente no contexto de fatos ocorridos a partir dos anos 70.
O golpe de 1964 foi materializado com a colocação nas ruas de tanques do Exército, com canhões prontos para disparo. Esses tanques passavam entre as pessoas civis que transitavam pelas ruas, inclusive idosos e crianças. As manifestações estudantis de protesto contra o governo que depôs ilegalmente o então presidente eleito, que fervilharam em todo o país nesses anos de 64 e 65, foram combatidas por soldados armados que não hesitaram em atirar nos rostos, peitos e mãos de jovens desarmados.
Data deste período a instituição de movimentos de resistência armada contra a ditadura militar. Dezenas de jovens dispostos a dar a vida pelo país estavam convencidos de que precisavam aprender a usar armas e bombas para mostrar que poderiam derrubar aquele governo como ele mesmo havia feito com o governo anterior. Certa ou errada essa decisão, e ainda que tenham cometido crimes com essa intenção, esse tipo de atividade não é considerada terrorismo e sim resistência.
terrorismo se caracteriza pela prática de atos criminosos que visam prejudicar, impedir a atuação de um governo legítimo. Não era este o cenário de 1964, portanto, as atividades de protesto contra aquele governo, mesmo ilícitas, não podem ser classificadas como terroristas.
O que é classificado como terrorismo, foi o terrorismo de Estado praticado pelas forças oficiais de segurança, pois, em resposta aos movimentos armados que chegaram a obter a libertação de presos políticos, a violência da ditadura recrudesceu a partir de 1969. A ordem era desmantelar e exterminar os movimentos de resistência mediante a intensificação dos crimes de perseguição, tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados.
Em 1970, portanto, grande parte daqueles jovens idealistas já havia sido morta, estava presa ou banida do país. Outros jovens, que ainda eram crianças e adolescentes em 1964, vieram se somar aos que restaram, mas estavam todos acuados. Debatiam entre si sobre como dar continuidade à resistência e foram se dividindo. Alguns insistiram na luta armada e clandestina, mas a maioria optou por manter uma atividade de resistência civil, com a divulgação de panfletos, jornais e conscientização da população sobre a gravidade do que se passava. Este foi o caso da AP que, pelo menos a partir de 1972, tornou-se a APML (Ação Popular Marxista-Leninista). Por isso, seus integrantes são historicamente tidos como intelectuais e não afeitos ao embate corporal.
Logo, é absolutamente inverossímil que, em 1974, quando morreu Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, a AP ou APML seja tratada como violenta. Nesse caso, a crueldade das palavras que o presidente Bolsonaro proferiu sobre os integrantes da AP tem nome e é calúnia. O fato, a critério dos ofendidos, pode dar ensejo a mais um pedido de explicações perante o STF e, eventualmente, a uma queixa-crime.
A exoneração sumária de pessoas que ocupavam funções de uma maneira que o incomodou, como ocorreu com a minha exoneração e a do diretor do INPE, por outro lado, não pode ser classificada como cruel. Somos pessoas com muitos anos de experiência profissional e, para nós, é possível aceitar o fato sem nos deixar atingir emocionalmente. Mas o mesmo não ocorre com as pessoas que tinham nesses espaços suas poucas esperanças de que estado brasileiro continuaria cumprindo suas funções.
As exonerações sumárias efetivadas por Bolsonaro foram cruéis com as pessoas e comunidades que dependiam desses órgãos, que hoje se sentem expostas e apreensivas. No caso da Comissão sobre Mortos, temos recebido todos os dias manifestações sofridas de familiares preocupados com a preservação de restos mortais, de amostras genéticas e com o uso indevido de seus dados íntimos e privados. Para dizer o mínimo, é cristalino que estes atos vingativos do presidente da República são incompatíveis com o princípio da moralidade administrativa, cuja defesa pode ser feita em ações civis e até em ações populares.
A bondade não é um requisito escrito para que alguém possa governar um país, mas é exigido de qualquer servidor público que aja com lealdade, urbanidade, ética, respeito às leis e instituições e até que se apresente dignamente vestido em público. A crueldade demonstrada por Jair Bolsonaro no episódio relativo a Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira revela o descumprimento de todos esses deveres.
Eugênia Augusta Gonzaga é Procuradora Regional da República e ex-presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Fonte: EL PAÍS

Doente de Brasil

COLUNA 

Doente de Brasil

Como resistir ao adoecimento num país (des)controlado pelo perverso da autoverdade

impeachment bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de troca da guarda.  AFP
Jair Bolsonaro é um perverso. Não um louco, nomeação injusta (e preconceituosa) com os efetivamente loucos, grande parte deles incapaz de produzir mal a um outro. O presidente do Brasil é perverso, um tipo de gente que só mantém os dentes (temporariamente, pelo menos) longe de quem é do seu sangue ou de quem abana o rabo para as suas ideias. Enquanto estiver abanando o rabo – se parar, será também mastigado. Um tipo de gente sem limites, que não se preocupa em colocar outras pessoas em risco de morte, mesmo que sejam funcionários públicos a serviço do Estado, como os fiscais do IBAMA, nem se importa em mentir descaradamente sobre os números produzidos pelas próprias instituições governamentais desde que isso lhe convenha, como tem feito com as estatísticas alarmantes do desmatamento da Amazônia. O Brasil está nas mãos deste perverso, que reúne ao seu redor outros perversos e alguns oportunistas. Submetidos a um cotidiano dominado pela autoverdade, fenômeno que converte a verdade numa escolha pessoal, e portanto destrói a possibilidade da verdade, os brasileiros têm adoecido. Adoecimento mental, que resulta também em queda de imunidade e sintomas físicos, já que o corpo é um só.
É desta ordem os relatos que tenho recolhido nos últimos meses junto a psicanalistas e psiquiatras, e também a médicos da clínica geral, medicina interna e cardiologia, onde as pessoas desembarcam queixando-se de taquicardia, tontura e falta de ar. Um destes médicos, cardiologista, confessou-se exausto, porque mais da metade da sua clínica, atualmente, corresponde a queixas sem relação com problemas do coração, o órgão, e, sim, com ansiedade extrema e/ou depressão. Está trabalhando mais, em consultas mais longas, e inseguro sobre como lidar com algo para o qual não se sente preparado.
O fenômeno começou a ser notado nos consultórios nos últimos anos de polarização política, que dividiu famílias, destruiu amizades e corroeu as relações em todos os espaços da vida, ao mesmo tempo em que a crise econômica se agravava, o desemprego aumentava e as condições de trabalho se deterioravam. Acirrou-se enormemente a partir da campanha eleitoral baseada no incitamento à violência produzida por Jair Bolsonaro em 2018. Com um presidente que, desde janeiro, governa a partir da administração do ódio, não dá sinais de arrefecer. Pelo contrário. A percepção é de crescimento do número de pessoas que se dizem “doentes”, sem saber como buscar a cura.
Vou insistir, mais uma vez, neste espaço, que precisamos chamar as coisas pelo nome. Não apenas porque é o mais correto a fazer, mas porque essa é uma forma de resistir ao adoecimento. Não é do “jogo democrático” ter um homem como Jair Bolsonaro na presidência. Tanto como não havia “normalidade” alguma em ter Adolf Hitler no comando da Alemanha. Não dá para tratar o que vivemos como algo que pode ser apenas gerido, porque não há como gerir a perversão. Ou o que mais precisa ser feito ou dito por Bolsonaro para perceber que não há gestão possível de um perverso no poder? Bolsonaro não é “autêntico”. Bolsonaro é um mentiroso.
Podemos – e devemos – discutir como chegamos a ter um presidente que usa, como estratégia, a guerra contra todos que não são ele mesmo e o seu clã. Como chegamos a ter um presidente que mente sistematicamente sobre tudo. Podemos – e devemos discutir – como chegamos a ter um antipresidente. Assim como podemos – e devemos – perceber que a experiência brasileira está inserida num fenômeno global, que se reproduz, com particularidades próprias, em diferentes países.
Esse esforço de entendimento do processo, de interpretação dos fatos e de produção de memória é insubstituível. Mas é necessário também responder ao que está nos adoecendo agora, antes que nos mate.
Em 10 de julho, o psiquiatra Fernando Tenório escreveu um post no Facebook que viralizou e foi replicado em vários grupos de Whatsapp. Aqui, um trecho: “Acabei de atender a um homem de 45 anos, negro, sem escolaridade. Nos últimos cinco anos, viu seus colegas de setor serem demitidos um a um e ele passou a acumular as funções de todos. Disse-me que nem reclamou por medo de ser o próximo da fila. Tem sintomas de esgotamento que descambam para ansiedade. Qual o diagnóstico para isso? Brasil. Adoeceu de Brasil. Se eu tivesse algum poder iria sugerir ao DSM (o manual de transtornos mentais da psiquiatria) esse novo diagnóstico. Adoecer de Brasil é a mais prevalente das doenças. Entrei agora na Internet e vi que a reforma da previdência corre para ser aprovada sem sustos. O povo, adoecido de Brasil, permanece inerte. Vai trabalhar sem direito a aposentadoria até morrer de Brasil”.

Fonte: EL PAÍS

Brasil: Represália contra Lula derrotada pelo Supremo Tribunal


Brasil: Represália contra Lula derrotada pelo Supremo Tribunal

Transferência do ex-presidente para prisão comum, pedida pela Polícia Federal e aceita por uma juíza, é barrada pelo STF, pressionado por parlamentares. Decisão é vista como derrota do ministro da Justiça Sergio Moro. Por Luis Leiria.
Parlamentares reunidos com o presidente do STF, Dias Toffoli. Foto Banco de Imagens STF
Parlamentares reunidos com o presidente do STF, Dias Toffoli. Foto Banco de Imagens STF
Na aparência, nada aconteceu nesta quarta-feira 7 de agosto, no Brasil, para além do enorme nervosismo que atravessou o mundo político. A história resume-se assim: logo de manhã, uma juíza aceitou o pedido da Polícia Federal e decidiu que o ex-presidente Lula da Silva fosse transferido de Curitiba, onde se encontra preso, para uma prisão do estado de São Paulo; a defesa de Lula opôs-se à decisão e entrou com uma medida cautelar no Supremo Tribunal Federal; um juiz corregedor de São Paulo autorizou a transferência para uma penitenciária no interior do Estado, famosa por albergar assassinos famosos; na Câmara dos deputados, parlamentares que não são aliados “normais” do Partido dos Trabalhadores, incluindo o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reagiram com indignação à anunciada transferência, considerada “persecutória”; uma delegação de representantes de 12 partidos, da esquerda e do chamado “centrão” dirigiu-se à sede do STF e reuniu-se com o presidente do órgão, Dias Toffoli; o Supremo decidiu por dez a um a manutenção de Lula no mesmo lugar de detenção onde se encontra desde 7 de abril de 2018. Isto é: Lula, o alvo de tantas decisões e contra decisões, nunca saiu de onde estava.
Nada aconteceu então? Pelo contrário. Nesta sucessão de factos que, aparentemente, não foram dar a lugar algum, muitas coisas aconteceram. Vejamos quais:
Vingança de Sergio Moro
Primeiro: de onde surgiu a iniciativa de pedir a transferência de Lula? Da Polícia Federal de Curitiba, alegando que a presença do ex-presidente, detido na sede da PF de Curitiba, “alterava a rotina” dos que trabalham no edifício. Quem manda na Polícia Federal? O ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro. Quem foi o juiz corregedor de São Paulo que autorizou a transferência para a penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo? O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, que recentemente foi nomeado por Moro para integrar o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.
Lula e Gleisi Hoffman
Lula e Gleisi Hoffmann
Não parece assim descabida a tese dos que veem a iniciativa de transferir Lula como uma represália do ministro da Justiça, que tem visto a sua posição enfraquecida devido às revelações do site informativo The Intercept mostrando a parcialidade com que o ex-juiz atuou na operação Lava Jato. “Não temos dúvidas que o está acontecendo com o presidente Lula é fruto de uma atuação do agora ministro da Justiça, Sergio Moro, que já atuou de maneira militante e política para julgar, condenar e mandar prender o ex-presidente”, disse a deputada e presidente do PT, Gleisi Hoffmann.
Segundo: a reação no legislativo foi inédita. Uma comitiva de 60 deputados e senadores saiu do Congresso e atravessou a pé, durante 15 minutos, a Esplanada em direção ao STF (link is external)para uma audiência com o presidente do órgão, Dias Toffoli. “Realmente é algo significativo, não me lembro de ter havido um momento desses, de tantos parlamentares e tantas lideranças, com visões diferentes da política, da sociedade e do mundo, representantes do povo brasileiro, estando aqui”, disse Toffoli.
Voltou a falar-se na Câmara da lei contra o abuso de autoridade, lei que tinha como objetivo pôr um travão na Lava Jato.
STF cada vez mais incompatibilizado com Lava Jato
Terceiro: Há quem divida os juízes do STF em “garantistas” (mais preocupados em preservar os direitos e garantias dos cidadãos) e “lavajatistas” (mais sensibilizados pela “causa” da Lava Jato). Esta foi uma das raras vezes em que votaram todos juntos. Esse fenómeno mostra até que ponto cresceu o afastamento do STF em relação às proezas do ex-juiz Moro e do procurador principal da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Entre as últimas revelações da Lava Jato ficou a saber-se que Dallagnol defendeu a investigação a juízes do STF, que ele identificava como sendo um obstáculo à sua ação, incluindo o atual presidente Dias Toffoli(link is external) e o juiz Gilmar Mendes(link is external). O mesmo Dallagnol, mostraram outras reportagens sobre as conversas do procurador de Curitiba no aplicativo Telegram reveladas pelo The Intercept, dedicou-se a ganhar dinheiro com palestras sobre a Lava Jato. As palestras incluíram pelo menos um encontro secreto com banqueiros(link is external). O rendimento de Dallagnol de 2018, praticamente duplicou (link is external)com as palestras. O salário do procurador é de 33.689,11 por mês, cerca de 7.600 euros.
Tiro saiu pela culatra
Quarto: se a iniciativa persecutória partiu realmente de Moro, o tiro saiu pela culatra, porque ficou mais uma vez evidenciado que o ex-juiz continua a mover-se por alvos políticos, e o principal deles é Lula da Silva. Além disso, uma das últimas revelações mostra também que Moro não declarou no seu IRS pelo menos uma das palestras(link is external) que, tal como Dallagnol, lhe serviram de segunda fonte de rendimento. Apesar de ainda ser muito popular, Moro perdeu a aura de impoluto superministro com peso político próprio e aparece cada vez mais como um bolsonarista convicto. Só que pode ter caído em desgraça no núcleo duro dos bolsonaristas, segundo a Folha de S. Paulo.
O juiz Gilmar Mendes. Foto Banco de Imagens do STF
O juiz Gilmar Mendes. Foto Banco de Imagens do STF
Nesta mesma quarta-feira, o juiz Gilmar Mendes tomou outra decisão que atinge diretamente o ministro da Justiça, ao conceder medida cautelar que impede que autoridades responsabilizem o jornalista Glenn Greenwald pela divulgação de mensagens(link is external) obtidas por fonte anónima pelo site The Intercept Brasil. O magistrado determinou que autoridades públicas e seus órgãos de apuração administrativa ou criminal se abstenham de praticar atos que visem a responsabilização de Greenwald pela “recepção, obtenção ou transmissão de informações publicadas em veículos de mídia, ante a proteção do sigilo constitucional da fonte jornalística”. A tática de Moro e de Bolsonaro para combater as relações trazidas a público era criminalizar essa informação que, segundo ele, teria vindo de fontes ilícitas e criminosas. O veredito do juiz estabelece claramente que “a atuação do jornalista Glenn Greenwald na divulgação recente de conversas e de trocas de informações entre agentes públicos atuantes na Operação Lava Jato é digna de proteção constitucional, independentemente do seu conteúdo ou do seu impacto sobre interesses governamentais”.
Em resumo: muita coisa aconteceu no episódio da não transferência de prisão de Lula.
É certo que no mesmo dia, centrão e bolsonaristas votaram unidos a contrarreforma da Previdência (Segurança Social) em segundo turno, garantindo a sua aprovação. O diploma que reduz a pó o direito à reforma dos brasileiros passa agora para o Senado.
No essencial (para eles), a direita e o centrão estão unidos. Mas os conflitos crescentes entre poderes são importantes para deter as iniciativas mais aberrantes do governo Bolsonaro e do seu ministro Moro. E abrem espaço para que a esquerda se reorganize e o movimento popular reerga as suas forças, única forma de pôr abaixo o governo mais reacionário e incapaz da história do Brasil.

Sobre o/a autor(a)

Jornalista do Esquerda.net
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INTERDIÇÃO JÁ! INTERDIÇÃO JÁ! INTERDIÇÃO JÁ! INTERDIÇÃO JÁ! INTERDIÇÃO JÁ! INTERDIÇÃO JÁ!


Bolsonaro sugere fazer cocô dia sim, dia não para preservar o ambiente




REUTERS/Adriano Machado
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sugeriu nesta sexta-feira (8) que um repórter "fizesse cocô dia sim, dia não" para melhorar a preservação do ambiente.
"É só você deixar de comer menos um pouquinho. Você fala para mim em poluição ambiental. É só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também. Agora, o mundo, quando eu falei que cresce mais de 70 milhões por ano, precisa de uma política de planejamento familiar. Não é controle não, você vai ler na capa da Folha amanhã que eu to dizendo que tem que ter controle de natalidade", disse, ao sair do Palácio da Alvorada.

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A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre como o presidente acredita que é possível conciliar preservação ambiental ao crescimento econômico.
Bolsonaro também defendeu o planejamento familiar para que haja uma diminuição da população na Terra e, com isso, menos poluição. O presidente disse que a quantidade de filhos de uma família é inversamente proporcional à formação cultural dos pais. Pai de cinco, ele se apresentou como "exceção".
"Você olha que as pessoas que têm mais cultura, têm menos filhos. Eu sou uma exceção à regra, tenho cinco. Mas como regra é isso."
O presidente defendeu o agronegócio e disse que as críticas às políticas de seu governo são, em parte, fruto de propaganda errada.
"E por outro lado, [há] a propaganda negativa. Chamam a ministra Tereza Cristina de a 'Rainha do Veneno'. Porque, por trabalho dela também junto com a Câmara, liberamos mais uma centena de produtos que vão fazer bem para o agronegócio, deixando para trás outros tipos de combate a pragas no campo. Estamos evoluindo. Por que essa pressão agora? É a guerra comercial. Por que a pressão enorme sobre a Amazônia? Porque eles querem a Amazônia, pô. Ninguém chama uma menina de feia se ela não é bonita."
Da FOLHAPRESS