O engenheiro químico Sérgio Trindade, que morreu nesta sexta em NY após complicações pelo coronavírus
RIO — "Tudo muito rápido". Foi assim que familiares do engenheiro químico Sérgio Campos Trindade, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2007 junto com integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), definiram os últimos dias do cientista que morreu nesta quarta-feira, aos 79 anos, em decorrência de complicações associadas ao coronavírus.
Ele se formou em Química na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas depois fez mestrado, doutorado e PhD no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, onde morava havia cerca de 30 anos.
Segundo dois sobrinhos do pesquisador, ele era uma pessoa bastante saudável e, mesmo com quase 80 anos, não tinha doenças pré-existentes. Ele morava com mulher, Helena Trindade, em Scarsdale, no subúrbio de Nova York.
Segundo o administrador de empresas Fábio Mortara, que encontrou com o tio pela última vez em janeiro deste ano, Trindade estava escrevendo artigos, produzindo academicamente e mantinha uma rotina intensa de viagens.
O último evento que ele participou antes de adoecer foi o Fórum "II World Sustainable Development" entre 5 e 7 de março, em Durango, no México. Ele adoeceu depois dessa viagem.
Dilma: imprensa que igualou Haddad a Bolsonaro colhe o que plantou
247 - Durante a entrevista à TV 247, nesta quarta-feira, 18, a ex-presidente Dilma Rousseff analisou o comportamento agressivo e antidemocrático de Jair Bolsonaro com a imprensa e, principalmente, com as jornalistas brasileiras.
Dilma fez questão de lembrar a maneira como esta mesma imprensa a tratou, também com machismo e misoginia, quando ela passou exerceu o mandato e foi alvo da campanha pelo impeachment.
"Mas eu não posso deixar de dizer uma coisa: uma imprensa que dizia que Fernando Haddad era equivalente a Bolsonaro está recebendo o que plantou. Isto não significa que se justifique o que o Bolsonaro faz. Mas que ela recebe o que plantou, recebe", disse Dilma ao jornalista Leonardo Attuch.
Leia, abaixo, a declaração de Dilma de na íntegra:
Eu tenho profundas críticas à imprensa brasileira, pelo que fez no processo de impeachment. Pela falta de coragem com que enfrentou aquele momento do Brasil. E pela capacidade de difundir mentiras. Lembro que foi um órgão de imprensa que, antes do processo de impeaachment iniciar, pedia a minha renúncia. Hoje há vários estudos sobre o tratamento desigual e até machista que deram a mim.
Agora, eu não concordo de maneira alguma que a relação que o presidente Bolsonaro estabelece com a imprensa seja correta. É desrespeitosa, é antidemocrática, e atinge um elemento fundamental da nossa democracia, que é o respeito que um chefe de estado deve ter pelos órgãos de imprensa e pelo seu povo.
Ele não pode tratar, por exemplo, as mulheres jornalistas como ele trata. Aí ele mostra o seu caráter extremamente machista e misógino. Ele não pode fazer gestos de xingamento para repórteres. É inadmissível isto.
Mas eu não posso deixar de dizer uma coisa: uma imprensa que dizia que Fernando Haddad era equivalente a Bolsonaro está recebendo o que plantou. Isto não significa que se justifique o que o Bolsonaro faz. Mas que ela recebe o que plantou, recebe.
Ela permite que jornalistas qualificadas sejam acusadas como ele acusou, com atitudes que eu considero barbaras, grosseiras, toscas. Não significa que isto justifique o tratamento absolutamente misógino que foi dado contra mim, aceitando certo tipo de fala e certo tipo de reação, que permite o que fazem hoje.
Fizeram comigo e é isso que autoriza a fazer hoje.
Então eu critico profundamente o Bolsonaro, seus assessores, todos os seus auxiliares e seus filhos, que tratam a imprensa da forma como tratam. Não é de um país civilizado, não é de um país democrático.
Mas a imprensa vai ter de olhar para si e tentar entender porque ela é absolutamente sem reação. Ela é impotente diante disso. Impotente porque não criou as condições para que a sociedade reagisse. Porque quando você começa a aceitar, você sanciona, você deixa aquilo instilar nas pessoas. Então ela hoje é impotente para reagir. É de ficar perplexo e envergonhado pela não reação.