quarta-feira, 9 de março de 2022

Agricultores processam União devido a violações causadas por decisões de Sergio Moro

 ILEGALIDADES

Agricultores processam União devido a violações causadas por decisões de Sergio Moro

Os trabalhadores, hoje todos absolvidos, relatam prisão preventiva ilegal, abuso de autoridade e excesso policial

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
 
A prisão preventiva determinada por Moro se deu mesmo após o MPF declarar que a detenção poderia ser substituída por medidas cautelares - Evaristo Sá/AFP

Três agricultores do interior do Paraná entraram com uma ação de indenização contra a União devido a danos morais e materiais sofridos durante a “Operação Agrofantasma”, autorizada em 2013 pelo então juiz Sergio Moro, hoje pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos. 

Na ação, os agricultores e os respectivos advogados acusam a União de prisão preventiva ilegal, abuso de autoridade e excesso policial durante a operação, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que apurou supostas irregularidades na gestão de recursos e distribuição de alimentos do antigo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – rebatizado pelo governo Bolsonaro (PL) de Programa Alimenta Brasil (PAB)

:: Agricultores do Paraná são absolvidos pela Justiça e acusam perseguição de Moro ::

As decisões tomadas durante a operação, “evidenciam não só a ilegalidade da prisão preventiva, mas o tamanho da desproporcionalidade da decisão e elementos persecutórios a pequenos agricultores familiares, que realizam tão somente a organização e comercialização de alimentos saudáveis para famílias e instituições carentes no interior do Paraná", afirma Jaqueline Andrade, assessora jurídica da Terra de Direitos.

De acordo com a ação, tratavam-se “de pequenos agricultores familiares, organizados em associação regional, responsáveis por produzir e comercializar alimentos saudáveis às instituições e famílias da região. Réus primários, que inclusive sequer tinham pisado em qualquer delegacia antes dos fatos”. 


Na sentença do último processo da operação, expedida em fevereiro deste ano pela juíza Gabriela Hardt, fica constatada a falta de provas para as acusações / Wellington Lenon

No total, um grupo de pelo menos 10 agricultores de 15 municípios paranaenses ficaram detidos em Curitiba entre 60 e nove dias. A prisão preventiva determinada por Moro se deu mesmo após o MPF declarar que a detenção poderia ser substituída por medidas cautelares.

O abuso foi constatado por meio de “uma soma de ações por parte dos agentes policiais: a) constranger os autores e seus familiares, ao adentrar as residências acordando todos, inclusive crianças e pessoas com deficiência; b) ao desferir calúnias contra os autores na presença das esposas e filhos, inclusive com falsa imputação de denúncia de tráfico de drogas; c) ao utilizar-se violência e algemá-los sem qualquer resistência ou ameaça – inclusive utilizando-se de algemas na cintura de Nelson Macarroni durante todo o percurso até a delegacia; d) ao lhes privarem do uso do banheiro e de refeições durante todo o dia da condução coercitiva; e) ao incitarem os autores falarem mesmo diante do direito de permanecer em silêncio”, enunciam os advogados dos agricultores. 

Absolvição 

Em 2017, quando a juíza Gabriela Hardt substituiu Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba da Subseção da Justiça Federal de Curitiba, o grupo foi absolvido por ausência de materialidade. 

“O cenário processual e as condutas dos agentes indicam que as prisões preventivas arbitradas pelo juiz, sem recomendação do próprio MPF, indicam midiatização do processo e condução política e parcial das investigações. O sistema de justiça deve reconhecer que abusos e ilegalidades foram cometidos no âmbito da Operação Agrofantasma e reparar os agricultores que foram injustiçados e presos ilegalmente. A postura adotada pelos agentes federais foi arbitrária”, afirma Naiara Bittencourt, uma das autoras da ação e assessora jurídica da organização Terra de Direitos.   

::Justiça absolve militante do MST acusado de agressão contra policiais militares em Brasília::

Segundo o documento protocolado na Justiça Federal do Paraná, mesmo passados cinco anos da absolvição, os agricultores continuam a sofrer com os danos materiais e emocionais causados pela Operação Agrofantasma, como a perda de editais do antigo PAA, a fragilização da associação de agricultores e a constante desconfiança dentro das comunidades. 

“Os frutos da operação, longe de combater a suposta corrupção, são os danos psicológicos e financeiros aos agricultores familiares e o impacto estrutural do orçamento e diretrizes do Programa de Aquisição de Alimentos, que foi fundamental para o combate à fome e à pobreza no Brasil”, diz Naiara Bittencourt. 

Brasil de Fato entrou em contato com a assessoria do atual pré-candidato à Presidência Sergio Moro. A asssessoria disse que, sem acesso às informações da ação, o ex-juiz não tem como comentar o caso.

Edição: Vivian Virissimo

TÁBATA AMARAL, A INIMIGA DOS TRABAlHADORES E IDOSOS ATACA DE NOVO !

 https://www.youtube.com/watch?v=sjbiF3q_cXI

Documentario de Oliver Stone(estadunidense), para entender as origens das tensoes da situaçao da UCRÂNIA e o estímulo a grupos neonazistas, pelo ocidente

 https://www.youtube.com/watch?v=RUysUTDPW_k 

Militares e política no Brasil? Conheça a ''República de segurança nacional"

 

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REPUBLICA DE SEGURANCA NACIONAL

República de segurança nacional:

militares e política no Brasil

A contribuição central do livro é a interpretação histórica da participação de militares na política brasileira com base na "Doutrina de Segurança Nacional" da Escola Superior de Guerra (ESG) desenvolvida no século XX. Como protagonistas ou como coadjuvantes, somam dois séculos de participação e politização das Forças Armadas no país. Ingenuidade seria considerar os temas militares como sendo apenas de defesa nacional.

Desde a fundação da organização militar, próxima da Independência (1822), depois na Monarquia e atuantes em toda nossa República, os militares incidiram diretamente na política nacional. Após 1930, com seus aparelhos ideológicos constituídos, sempre em aliança com a elite local - e seu anticomunismo heterogêneo -, seguiram exercendo o papel histórico de agentes do processo político em disputa. Nada a estranhar os novos contornos, inclusive milicianos, do governo do capitão Bolsonaro.

Partindo de seus termos, o autor traça algumas hipóteses de interpretação sobre a atual ocupação militar da política. Como saída, a necessidade de criar uma estratégia de educação militar para a democracia.

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Embora com origens na Independência, foi com a fundação da república no Brasil que os militares se consolidaram como personagens relevantes na política nacional. Seja com protagonismo, seja no papel de coadjuvante, a participação dos militares foi a tônica de nossa história institucional e condensa, de forma muito peculiar, a cultura política brasileira. Para interpretar o Brasil atual e projetar o futuro político da nação, é imprescindível compreender a quase bicentenária relação entre civis e militares na disputa pelo poder político. (Rodrigo Lentz)

FICHA TÉCNICA

Autor: Rodrigo Lentz

384 páginas | 12 x 18 cm

ISBN: 978-65-5891-053-4

Coleção Emergências

Editora Expressão Popular

Parceria Fundação Rosa Luxemburgo

[PRÉ-LANÇAMENTO] R$40

Na Batalha das Ideias

Boletim do NPC

 

Boletimdo NPC

9 de março de 2022

NOTÍCIAS DO NPC

Estão abertas as inscrições para o curso de Comunicação Popular 2022

O Curso de Comunicação Popular do NPC acontece anualmente no Rio de Janeiro desde 2004. Reúne pessoas maravilhosas vindas de todos os cantos da cidade do Rio, Baixada, Niterói, São Gonçalo e até municípios vizinhos, como Juiz de Fora. No curso estudamos comunicação. Teoria e prática. Mas não só. Estudamos o Rio de Janeiro, a realidade em que vivemos. Estudamos a história dos trabalhadores e das trabalhadoras, e circulamos pela cidade para conhecer experiências em comunicação popular. Vamos a museus, teatro, cinema, parque. No NPC não existem ex-alunos. Nos tornamos companheiros. A cada ano ganhamos mais amigas e amigos. Nos apoiamos. Somos a Rede de Comunicadores do NPC. E contamos com o apoio do Dicionário de Favelas Marielle Franco. | Acesse para programação e inscrições!

NOTÍCIAS DO NPC

Vem aí mais uma temporada do Quintas Resistentes

[Por Gabriela Gomes e Jéssica Santos*] Produzido pela TV NPC e por ex-alunos do Curso de Comunicação Popular do Núcleo Piratininga de Comunicação, o primeiro episódio do programa irá ao ar no dia 10 de março com o tema Luta das Mulheres Negras Ontem e Hoje. Na semana do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, prestaremos um tributo às mulheres negras. Nessa primeira live conversaremos com Iêda Leal, uma mulher preta, coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU) que nos contará a sua história de luta e desafios nos últimos anos. Serão onze programas comandados pelos ex-alunos do curso Euro Filho, Gabriela Gomes e Jessica Santos, com apoio de Léo Silva, Katia Marko e Joyce Gomes, que vão abordar questões cruciais para a nossa sociedade, tais como Direito à Cidade, Guerra Cultural, Luta Antimanicomial, Luta Contra Carestia e Sua Atualidade, Movimento Popular no Rio de Janeiro, Cem anos de Brizola, Cinema Negro, Revolução Sexual, Aids e Movimento LGBTQIA+, e muito mais! | Continue lendo.

ARTIGOS

Ameaças dos aplicativos reforçam urgência de regulação da mídia

pode promover uma rara oportunidade de conseguir alguma regulação de meios de comunicação no Brasil, de acordo com a avaliação do professor Murilo César Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), pesquisador sênior do Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias de Comunicações (CCOM) e do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom). Segundo ele, face à influência crescente de plataformas como Facebook, Instagram ou Twitter, e dos aplicativos de mensageria (WhatsApp e Telegram), mesmo representantes de empresas como o Grupo Globo estariam reconhecendo, pela primeira vez, a necessidade de dar limites e normatizar o setor. A bandeira da desregulação absoluta, há anos empunhada pelos empresários da mídia hegemônica, está agora com as forças bolsonaristas, de extrema-direita. | Leia o artigo completo.

RADIOGRAFIA DA COMUNICAÇÃO SINDICAL

A comunicação sindical e o tempo presente

[Por Moisés Ramalho*] Mais do que nunca, os trabalhadores precisam de seus sindicatos fortes e atuantes: com a pandemia e a política econômica desastrosa adotada pelos governos desde o golpe sofrido pela democracia brasileira em 2016, mais de 10 milhões de trabalhadores perderam o trabalho, segundo dados oficiais do IBGE de 2020. E de lá pra cá, a situação só fez piorar. Soma-se à situação alarmante da economia o desmantelamento e precarização dos direitos trabalhistas e garantias sociais: reforma trabalhista, reforma da previdência e desmonte do Estado com o congelamento dos gastos públicos. | Continue lendo!

A COMUNICAÇÃO QUE QUEREMOS

Almanaque da Comunicação Popular: lançamento dia 2 de abril

[Por Claudia Santiago*] Atenção, favela, Baixada e todo povo trabalhador do Rio de Janeiro, estamos preparando para breve o lançamento da mais nova publicação do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC): Almanaque da Comunicação Sindical e Popular no Rio de Janeiro. Ele junta a comunicação dos sindicatos com a comunicação produzida nas favelas, na Zona Oeste, na Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo, Sul Fluminense, Costa Verde. É fruto de uma das ideias que guia o NPC: somos todos trabalhadores e trabalhadoras, pertencemos à classe trabalhadora, estejamos nós nos sindicatos ou nos morros. E por isso, devemos atuar juntos, nos apoiando, nos fortalecendo. | Continue lendo!

NPC INFORMA

Alunos de Rádio e TV criam série de podcasts sobre a obra de Josué Montello

Alunos da disciplina “Texto e Roteiro para Mídia Sonora” do curso de Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão criaram, recentemente, narrativas em áudio baseadas no romance “Noite sobre Alcântara”, de Josué Montello. A obra, lançada em 1978, terá nova edição em 2022, e os podcasts, concebidos no gênero educativo-cultural, têm objetivo de proporcionar aos ouvintes o acesso a alguns trechos, conteúdos e personagens emblemáticas do livro. A coordenação geral da série é do professor do curso de Comunicação Social do Câmpus São Luís Ed Wilson Araújo. | Continue lendo.

DE OLHO NA VIDA

“Águas para a vida”, diz MAB

As populações atingidas por barragens vivem historicamente um quadro de violação de seus direitos. Essa situação se agrava de forma drástica diante das mudanças climáticas causadas pelas ações de grandes corporações. As chuvas de verão de 2021 e 2022 ocasionaram rompimentos de barragens e abertura de comportas, que provocaram a destruição de comunidades, cidades e vidas em regiões dos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e na região Amazônica, sendo Pará, Tocantins e Maranhão, aí, os mais atingidos. Desde janeiro, o MAB tem chamado a todos e todas a se solidarizar com as situações dessas famílias, buscando apoio para enfrentar o desafio de médio e longo prazo na organização das famílias para reestruturar suas vidas. Saiba como apoiar, acesse aqui.

DE OLHO NA VIDA

Solidariedade à população de Petrópolis

[Por Sintesnit] As fortes chuvas que caíram no dia 15 de fevereiro na cidade serrana de Petrópolis (RJ causaram uma tragédia sem precedentes nas ruas de Petrópolis, com muita lama, casas destruídas ou alagadas, ferro retorcido e carros amontoados e destruídos. Corpos foram retirados das ruas durante a madrugada. Muitos mortos e desaparecidos. Infelizmente, tragédias como esta de Petrópolis, ou as ocorridas nas cidades do interior da Bahia e no estado de São Paulo, na semana passada, poderiam ter suas consequências atenuadas através de políticas de prevenção ambiental pelos governos federal, estadual e municipal.

DICAS

Curso sobre combate à desinformação

A Rede Conecta, iniciativa que promove o combate da desinformação científica através da ampliação do diálogo entre a academia e a sociedade civil, com apoio da Faperj, CNPq e em parceria com o Brasil 247, promoverá um curso com a participação de jornalistas, juristas e mais de dez professores de diferentes áreas do conhecimento. O curso deverá ser lançado em março. A Rede Conecta se preocupa com questões relacionadas à disputa pela informação, com temas como segurança de dados, soberania de dados e colonialismo digital. Informações: https://conectaedu.com/.

Confira outras notícias no site do NPC

Edição 422

Para jornalistas, dirigentes, militantes e assessores sindicais e dos Movimentos Sociais

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Edição: Claudia Santiago (MTB 14.915)

Equipe NPC: Ana Lucia Vaz (RJ), Arthur Willian (RJ), Cristina Braga (RJ), Euro Mascarenhas (RJ), Eric Fenelon (RJ), Gabriella Gomes (RJ), Gustavo Barreto (RJ), Jessica Santos (RJ), Josué Medeiros (RJ), Juan Leal (RJ), Katia Marko (RS), Lidiane Mosry (RJ), Luisa Santiago (RJ), Marina Schneider (RJ), Mario Camargo (SP), Matheus Santiago (RJ), Najla Passos (MG), Sergio Domingues (RJ), Sheila Jacob (RJ), Rosangela Ribeiro Gil (SP).

Quem lucra com o governo militar de Bolsonaro?

 

Quem lucra com o governo militar de Bolsonaro?
por Caio de Freitas Paes
 
Fundador e executivo-chefe do banco privado Forbes & Manhattan, sediado no coração financeiro do Canadá, o indiano Stan Bharti é um personagem ímpar. Da linha do Equador para o Norte, ele tem fama de filantropodá nome ao departamento de engenharia de uma universidade canadense e foi o grande amigo no mercado financeiro do ex-apresentador de TV dos Estados Unidos Larry King.

Ultracapitalista, Stan Bharti tem um curioso fascínio por um ícone do campo ideológico oposto: o ditador Josef Stalin, que comandou a antiga União Soviética por 25 anos de guerras e cruzadas contra aqueles que haviam sido seus aliados na revolução de 1917. O que o investidor não alardeia tanto são os negócios de alto risco que ele próprio financia em todo o Sul global, com graves consequências para povos originários e camponeses. Duas mineradoras operadas pelo seu banco, Belo Sun e Potássio do Brasil, foram apontadas como “cúmplices da destruição” da Amazônia em um relatório recente feito em parceria entre a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a ONG Amazon Watch.

A trajetória do oficial da reserva do Exército Cláudio Barroso Magno Filho não deixa por menos. Há mais de 20 anos, a Folha de São Paulo informava que ele “reformulou o Curso de Comandos do Exército (...), como comandante do Batalhão de Forças Especiais” – o mesmo do qual fez parte o coronel Élcio Franco, ex-secretário no ministério da Saúde durante a trágica gestão do general Eduardo Pazuello na pandemia.

Barroso Magno cumpriu papel de destaque durante a MINUSTAH, missão de paz da ONU no Haiti comandada pelo Exército brasileiro, onde pode exercitar novos "modelos" de segurança pública. O oficial comandou batalhões em confrontos armados na Cité Soleil, região semelhante, na ótica do Exército, às favelas cariocas. Não à toa, sua experiência no Haiti serviu de inspiração para as futuras intervenções militares no Rio de Janeiro, como relatado pelo Estadão ainda nos anos 2000.

Quem diria que estes dois homens, anos depois, se uniriam para fazer negócios com o governo brasileiro? A união improvável entre Barroso Magno Filho e Stan Bharti só foi possível graças à ascensão de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Ou melhor, graças à chegada de integrantes das Forças Armadas ao alto escalão do governo federal – como o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) na Vice-Presidência e o almirante da reserva da Marinha Bento Albuquerque no Ministério de Minas e Energia, etc – o que garantiu amplo acesso da caserna à cúpula da União.

Desde a posse de Bolsonaro como presidente, em 2019, muitos veículos se esbaldam com suas bravatas e com o leva-e-traz dos mais influentes no seu governo. Dia após dia, muito do que lemos, ouvimos e vemos na imprensa parece um mantra de "jornalismo declaratório": "fulano disse isso", "beltrano declarou aquilo", e por aí vai. O método rende ganhos para a imprensa – pela abundância de "notícias" e falsas polêmicas, logo amontoadas e esquecidas – e também para o governo, que consegue manter seus negócios discretos com parceiros avessos aos holofotes.

O jornalismo precisa mostrar quem são os sujeitos ocultos nestas tramas que se desenrolam por baixo do pano. Stan Bharti e Cláudio Barroso Magno Filho são apenas alguns desses personagens, cujos negócios nós investigamos e revelamos no especial sobre o banco Forbes & Manhattan e sua atuação no Brasil sob o atual governo.

Para quem ainda não leu, trata-se de uma história rocambolesca recheada de agendas e reuniões oficiais com o poder Executivodiretrizes e políticas criadas ao largo do debate público e uma série de decretos e letrinhas miúdas que até nós, jornalistas independentes, por vezes despercebemos.

Enquanto apurávamos o caso, Forbes & Manhattan visivelmente avançou. Nos últimos três meses de 2021, a União relevou problemas em torno dos projetos de mineração do grupo na Amazônia por considerá-los “estratégicos” para o Brasil e permitiu que o grupo instale um garimpo de ouro em áreas destinadas à reforma agrária no Pará. A maré virou a ponto de o Forbes & Manhattan conseguir realizar o antigo desejo de comprar a refinaria SIX, da Petrobras, pólo de desenvolvimento de uma valiosa tecnologia patenteada pela petrolífera e cobiçada há mais de 10 anos pelo banco canadense.

A Controladoria-Geral da União, a Defensoria Pública e o Ministério Público Federal estão cientes das estranhezas em torno dos negócios de Forbes & Manhattan no Brasil – seja com o governo Bolsonaro, seja com a Petrobras. Resta saber o que farão a partir daí.
Caio de Freitas Paes é repórter colaborador da Agência Pública

Rolou na Pública
 

Água contaminada. Nesta semana, publicamos uma reportagem com dados inéditos levantados pela Repórter Brasil no Mapa da Água, que mostram a contaminação da água da torneira de 763 cidades brasileiras entre 2018 e 2020. Substâncias químicas e radioativas foram encontradas acima do limite em 1 de cada 4 municípios que fizeram os testes. Entre eles está São Paulo (13 testes acima do limite), Florianópolis (26) e Guarulhos (11). A matéria foi republicada na Revista GalileuUOLBrasil 247Jornal GNN e Ciclo Vivo, e repercutida regionalmente na Carta Campinas e Campo Grande News

Privatização do carnaval. O carnaval de 2022 foi criticado pela realização de grandes eventos privados, enquanto a festa pública e desfiles de escolas de samba foram impedidos de tomarem as ruas, como argumenta o historiador Luiz Simas em entrevista à Pública. A matéria foi republicada no Brasil de Fato e Projeto Colabora e repercutida na coluna de Milly Lacombe no UOL

Microbolsas para comunicadores indígenas. Repórteres indígenas de todo o Brasil podem inscrever pautas investigativas para realizar reportagens sobre ameaças e agressões a terras e comunidades indígenas. As 5 propostas vencedoras ganharão uma bolsa de R$ 7.500 para produzir a reportagem, com mentoria e edição da Pública. As inscrições devem ser feitas até o dia 10 de abril por meio do formulário disponível no nosso site