segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O imperialismo estadunidense: câncer do mundo


a intervenção estrangeira na Síria


Duas notícias, cuja fonte é a agência síria Dampress, podem talvez carecer de confirmação mais exata - ainda não disponível - nomeadamente quanto ao número de militares franceses presos em território sírio. Mas fazem todo o sentido, sabendo-se que a “revolta” síria é comandada, apoiada, armada e justificada pela máquina militar e midiática das grandes potências. E como está sendo repetida na Síria a intervenção conjunta França-Estados Unidos já ensaiada na ocupação da Líbia.

 




Militares franceses detidos

O rumor circulava nos últimos dias nas redes sociais, e agora é o sítio da agência de notícias síria Dampress que anuncia. A detenção teria se dado na última segunda-feira, 20 de fevereiro:
“Os serviços especiais sírios prenderam, em Zabadani, um batalhão francês de transmissões com um efetivo de 120 soldados”. A agência de notícias acrescenta que “isto explica a nova mudança de tom de Paris, que adota agora um perfil baixo com receio de que este caso afete a campanha eleitoral de Nicolas Sarkozy. Alain Juppé ficou responsável pela negociação com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, de uma tentativa de solução e da libertação dos 120 soldados franceses.”

Segundo a mesma fonte, “Sarkozy enviou um arsenal militar aos opositores de Assad, mas as informações recolhidas pelos serviços de informações franceses confirmam que a maior parte desse material caiu nas mãos do exército sírio.”

Aviões não tripulados

Segundo fontes militares norte-americanas contatadas pela cadeia de televisão NBC, aviões não tripulados comandados à distância (drones) estariam operando na Síria. Esses aviões serviriam para recolher informações acerca das operações do exército do país visando fazer frente aos ataques da “oposição” síria.

Além disso, o exército estadunidense estaria colaborando na intercepção de comunicações do exército sírio com idêntica finalidade. http://noalaguerraimperialista-madrid.blogspot.com/



Hillary Clinton faz chamamento à guerra civil


A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, fez neste domingo (26) um chamamento à guerra civil na Síria, ao sugerir que a população das duas maiores cidades da Síria, Damasco e Aleppo, se junte à luta dos bandos armados contra o governo do presidente Bashar Assad em Homs, a terceira maior cidade do país.

Usando gestos histriônicos e linguagem caricata, a responsável pela política exterior do imperialismo norte-americano afirmou que "um massacre horrível" está em curso em Homs e pediu o apoio do resto da população síria à oposição.

Em entrevista à BBC, a secretária de Estado americana admitiu que uma intervenção estrangeira na Síria não é possível no momento e hipocritamente disse que seu chamamento é justamente “para evitar a guerra civil”.

A secretária de Estado norte-americana também voltou a criticar a Rússia e a China por seus vetos a uma resolução contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU.

"Eles são livres para negociar a qualquer momento para tentar terminar com isso, mas o que posso ver é que suas negociações servem apenas para reforçar as tendências e as ações já existentes de Assad. As ações desses países são muito preocupantes, porque eles poderiam ser parte da solução", afirmou.

Para ela, se esses países não estivessem apoiando o governo sírio, Assad estaria mais pressionado a deixar o poder.

"Se eles tivessem se juntado a nós no Conselho de Segurança, acho que teríamos mandado uma mensagem muito forte a Assad de que ele precisaria começar a planejar sua saída, e as pessoas em seu entorno, que já estão se protegendo, começariam a fazer o mesmo", afirmou.

As declarações da secretária de Estado no mesmo dia em que milhões de sírios, atendendo ao apelo do governo, comparecem às urnas para referendar a nova Constituição, revela que os imperialistas estadunidenses acusaram o golpe. Assad, acusado de ditador, fez uma jogada política inteligente para legitimar seu regime, ao passo que os Estados Unidos, que se apresentam como paladinos da democracia, deixam patente seu desprezo para com a vontade popular e os sinais de evolução política na Síria.

Assad acenou não só com a aprovação de uma Constituição democrática, como também está levando adiante um plano de reformas integrais que contemplam reivindicações da própria oposição.

A titular do Departamento de Estado - que pretende superar em truculência e unilateralismo a chefe da diplomacia de Bush, Condoleezza Rice, patrocinadora do massacre ao Líbano, mas também derrotada pelas armas do Hezbolá (Líbano) – demonstrou todo o seu nervosismo com as posições de Rússia e China, que em boa hora decidiram retificar o erro crasso que cometeram ao facilitar o ataque à Líbia, quando aprovaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução a favor do uso da força contra o país norte-africano em caso de “violação” da “Zona de exclusão aérea”.

Washington percebe que a oposição desses dois grandes atores globais aos seus planos agressivos no Oriente Médio é um sinal a mais do isolamento estadunidense, que permanece falando sozinho na companhia apenas de alguns aliados da União Europeia e de regimes fantoches da região, como a Arábia Saudita e o Catar.

Na última sexta-feira (24) sob o pomposo nome de encontro dos países “amigos” da Síria, realizou-se um convescote na Tunísia, onde esses “muy amigos” revelaram-se como verdadeiros inimigos, voltando a bater na tecla surrada da derrubada de Assad e do apoio incondicional aos bandos armados que aterrorizam a população síria.

O governo sírio está dando sinais de que não fecha a porta ao diálogo, não ignora as críticas nem as deficiências do regime. Dá um passo construtivo ao realizar o referendo constitucional e opor em prática o plano de reformas integrais. A intolerância vem do imperialismo, em seu afã de controlar a região do Oriente Médio, essencial no quadro de sua estratégia para exercer o domínio mundial. O problema, para os imperialistas, é que a realidade muda velozmente. Há fenômenos novos na resistência e luta dos povos, há protagonistas regionais, como o Irã, que se opõem aos Estados Unidos e Israel, seu incondicional aliado e cabeça de ponte. E há potências no Conselho de Segurança que não se mostram dispostas a dar luz verde às ações agressivas de Washington.

A crise síria e as pressões sobre o Irã por parte das potências imperialistas estão afigurando-se como os principais temas da agenda de conflitos internacionais. Em torno desses temas vão deslindando-se os alinhamentos de forças e logo se verá quem é quem. As forças progressistas e anti-imperialistas no mundo não são indiferentes ao posicionamento do Brasil.

A luta de fundo é sempre a mesma. De um lado o imperialismo, de outro os povos, em busca de soberania e autodeterminação.



Notícias

Do Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares

Trabalhador com mais de 11 anos de estudo já é maioria.

Em 2002, a população ocupada com 11 anos ou mais de estudo representava 44,7% do total. Esse percentual saltou para 60,7% em 2011. De acordo com a 14ª edição do boletim “Economia Brasileira em Perspectiva”, publicado pelo Ministério da Fazenda neste mês, esse aumento explica o incremento da produtividade brasileira, o que aumenta os salários.
De acordo com o último Censo da Educação Básica (2010), o número de vagas no ensino profissionalizante saltou de 565 mil, em 2002, para as atuais 924 mil. E, se forem consideradas as matrículas do ensino médio integrado, são 1,1 milhão de matrículas - 74,9% mais do que em 2002.
O orçamento para a educação profissional passou de R$ 1,2 bilhão, em 2003, para pouco mais de R$ 9 bilhões, em 2012. Dentre as ações que contribuíram para este aumento significativo de oferta de vagas está a criação dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que passou de 140 unidades, em 2002, para 354, ao final de 2010.
Até 2014, serão 562 campi em funcionamento. Houve também o fortalecimento das redes estaduais de ensino técnico, por meio do convênio de recursos do programa Brasil Profissionalizado, por exemplo, e o acordo de gratuidade na oferta de vagas pelo “Sistema S”. (Fonte: Em Questão)
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Contra Cuba vale qualquer “arma”. Não basta o bloqueio econômico que já dura mais de meio século e nem as constantes propagandas mentirosas contra a Ilha. Para o governo dos EUA, qualquer arma é válida para atacar o pequeno país socialista que sobrevive apesar de todos os ataques. Agora virou moda entre os jovens estadunidenses os jogos (games) fazendo propaganda contra Cuba e seu povo. Um desses jogos que está em moda é o “Trópico 4”, um vídeo-game que acontece em uma “ditadura caribenha” e que usa todos os tipos de estereótipos racistas, insinuando que “a ilha” deve sofrer uma intervenção militar urgente.
Outro jogo que faz muito sucesso entre jovens estadunidenses é o “Call of Duty: Black Ops”. O objetivo do jogo é assassinar Fidel Castro e o “herói” virtual é um mercenário que realiza missões em vários países inimigos dos EUA (China, Vietnam, Rússia, etc.). E por aí vai... São dezenas de “games” para induzir jovens a odiar Cuba e aceitar que um ataque contra a Ilha seria lógico e correto. Quem quiser conferir é só procurar em sites de vídeo- games na internet. Vai encontrar uma quantidade de jogos envolvendo ataques a Cuba!
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Jorge Rafael Videla ataca o casal Kirchner. Em entrevista para a revista espanhola Cambio 16, o criminoso que comandou a última ditadura argentina, Jorge Rafael Videla, defendeu a tomada do poder pelos militares, em 1976, e disse que o país estava com “vazio de poder, paralisado institucionalmente e sob risco de anarquia”. Fez questão de destacar o apoio prestado pela Igreja Católica e se disse “orgulhoso” da excelente relação dos militares com ela. Confirmou o apoio e a colaboração dos empresários.
Em certa parte da entrevista ele critica duramente a reabertura dos julgamentos de militares por crimes de direitos humanos e chamou o casal Kirchner de “revanchista” por apoiar esses processos. Videla disse que se considera vítima de uma vingança. “Nosso pior momento chegou com os Kirchner”.
Vale lembrar. Videla vive desde outubro de 2008 em uma cela da prisão de Campo de Maio, um antigo cárcere militar, agora sob o comando do Ministério da Justiça. Lá estão os acusados e condenados pela prática de crimes contra a humanidade.
O ex-ditador foi julgado e condenado a prisão perpétua, em 1983, com perda da patente militar por numerosos crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura. Estava cumprindo a pena em dependências militares ou em prisão domiciliar. Mas uma ação movida pelas Abuelas de Plaza de Mayo, por causa do plano sistemático de roubo de bebês, fez com que perdesse as regalias. Mais tarde, em 22 de dezembro de 2010, foi condenado à prisão perpétua em cela comum pelos fuzilamentos na unidade penitenciária de San Martín, ocorridos entre março e outubro de 1976.
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Torturador argentino está preso em Santa Catarina. O ex-repressor argentino Claudio Vallejos, que atuou na repressão a presos políticos na ESMA (Escola de Mecânica da Armada), foi preso em Santa Catarina, dia 4 de janeiro, acusado de estelionato, segundo informou à agência italiana Ansa um funcionário da prisão para onde ele foi levado.
O argentino reside no Brasil há anos. Em 1986, declarou a jornalistas brasileiros e em depoimento a diplomatas suecos que atuava na ESMA em março de 1976 quando, segundo seu relato, o ex-capitão da Marinha, Alfredo Astiz, assassinou o pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Junior. O músico continua desaparecido até hoje e foi sequestrado quando se encontrava em uma turnê em Buenos Aires no grupo do poeta, compositor e ex-diplomata Vinicius de Moraes. Vallejos afirmou ter participado de “grupos de tarefa”, bandos que sequestraram, torturaram e assassinaram milhares de pessoas entre 1976 e 1979. Segundo seu próprio depoimento, a ESMA era sua base de operações.
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Militarização do Atlântico Sul. Muito esclarecedora a entrevista concedida pelo jornalista e escritor argentino Luis Bilbao sobre a questão das Malvinas e a insistência da Inglaterra em militarizar a região.
A entrevista foi transmitida pela emissora de televisão venezuelana (Venezolana de Televisión) e Bilbao demonstra que as Malvinas são “um ponto de apoio geoestratégico que permite a projeção de forças da OTAN até o Atlântico Sul e a Antártica”. Ele demonstra que a região é rica em petróleo e também em reservas de água potável, o que a torna ainda mais importante. E afirma que “a militarização do Atlântico Sul por parte da OTAN é uma ameaça não apenas para a Argentina, mas para toda a América Latina”.
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O terror está implantado na Líbia. Hala Misrati, a mais conhecida apresentadora de televisão da Líbia e defensora do governo de Muamar Kadafi, foi encontrada morta neste domingo (19) na prisão. O anúncio do falecimento da jornalista acontece no momento em que a ONU e diversas organizações de direitos humanos denunciam práticas de tortura e assassinatos contra simpatizantes do regime de Kadafi desde a execução do coronel.
Segundo a agência de notícias Al Arabija, ainda não foram apuradas as circunstâncias da morte de Misrati, porém, os primeiros indícios indicam que se tratou de um homicídio cometido por membros do CNT (Conselho Nacional de Transição). Misrati, de 31 anos, teve especial destaque no início da guerra civil líbia, em fevereiro de 2011, ao discursar frente às câmeras contra os opositores do coronel e à invasão da OTAN.
Após ser presa, Misrati foi exibida como um troféu. A última aparição diante das câmeras aconteceu em 30 de dezembro passado, quando ela apareceu em silêncio, segurando uma folha com a data da gravação, e com o rosto cheio de hematomas. Depois disso, mais ninguém soube do paradeiro da jornalista. Mas não encontrei qualquer matéria sobre isto na nossa imprensa. Se fosse em Cuba...
Vingança e terror. Na cidade de Tauerga, a oeste da Líbia, milhares de habitantes estão denunciando a discriminação, a violência, os saques e assassinatos cometidos contra aqueles que haviam apoiado o governo de Kadafi. Os moradores da cidade dizem que estão proibidos de voltar para suas casas e correspondentes internacionais confirmam que Tauerga está completamente vazia depois que as tropas do CNT (Conselho Nacional de Transição) passaram por lá.
Alguns jornalistas que conseguiram registrar o terror dizem que as casas foram destruídas, mulheres foram violentadas e milhares de pessoas foram mortas. A única acusação é de terem apoiado Kadafi. A matéria está no noticiário da TeleSUR.
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A miséria cresce nos EUA. Uma equipe da BBC de Londres foi aos EUA e visitou vários acampamentos de sem-teto no país. Segundo a matéria, é cada vez maior o número de pessoas que perderam suas casas e vivem em acampamentos. Os dados oficiais do governo dizem que “cerca de 47 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza”, mas a cifra continua aumentando.
Novos acampamentos de sem-teto surgem a cada dia e já estão registrados em 55 grandes cidades estadunidenses. O maior acampamento está na cidade de Pinella Hope (Flórida), exatamente na região conhecida mundialmente por abrigar a Disney World. A matéria da BBC mostra que muitas dessas pessoas viviam bem até pouco tempo atrás, mas agora dormem em cabanas e dependem de ajuda de entidades.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mutatis mutandis: a atual vergonha de ser paraibano


Sobre a atual vergonha de ser brasileiro
Affonso Romano de Sant'Anna

(Diante da pesquisa que aponta F.H. (presidente da República Fernando Henrique) como o brasileiro que mais envergonha o país, o cronista se vê forçado a publicar um texto de 17 anos atrás, atualíssimo)


Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro
e estar crucificado num cruzeiro
erguido num monte de corrupção.
Antes nos matavam de porrada e choque
nas celas da subversão. Agora
nos matam de vergonha e fome
exibindo estatísticas na mão.
Estão zombando de mim. Não acredito.
Debocham a viva voz e por escrito
É abrir jornal, lá vem desgosto.
Cada notícia é um vídeo-tapa no rosto.
Cada vez é mais difícil ser brasileiro.
Cada vez é mais difícil ser cavalo
desse Exu perverso
nesse desgoverno terreiro.
Nunca vi tamanho abuso.
Estou confuso, obtuso,
com a razão em parafuso:
a honestidade saiu de moda
a honra caiu de uso.
De hora em hora a coisa piora:
arruinado o passado,
comprometido o presente,
vai-se o futuro à penhora.
Valei-me Santo Cabral
nessa avessa calmaria
em forma de recessão
e na tempestade da fome
ensinai-me a navegação.
Este é o país do diz e do desdiz,
onde o dito é desmentido
no mesmo instante em que é dito.
Não há lingüista e erudito
que apure o sentido inscrito
nesse discurso invertido.
Aqui o discurso se trunca:
o sim é não. O não, talvez.
O talvez, nunca.
Eis o sinal dos tempos
este o país produtor
que tanto mais produz
tanto mais é devedor.
Um país exportador
que quando mais exporta
mais importante se torna
como país mau pagador.
E, no entanto, há quem julgue
que somos um bloco alegre
do ‘‘Comigo Ninguém Pode’’
quando somos um país de cornos mansos
cuja história vai dar bode.
Dar bode, já que nunca deu bolo,
tão prometido pros pobres
em meio a festas e alarde
onde quem partiu, repartiu
ficou com a maior parte
deixando pobre o Brasil.
Eis uma situação
totalmente pervertida
-- uma nação que é rica
consegue ficar falida,
o ouro brota em nosso peito,
mas mendigamos com a mão,
uma nação encarcerada
que doa a chave ao carcereiro
para ficar na prisão.
Cada povo tem o governo que merece?
Ou cada povo
tem os ladrões a que enriquece?
Cada povo tem os ricos que o enobrecem?
Ou cada povo tem os pulhas
que o empobrecem?
O fato é que cada vez mais
mais se entristece esse povo num rosário
de contas e promessas num sobe e desce de prantos e preces.
C’est n’est pas um pays sérieux!
já dizia o general.
O que somos afinal?
Um país-pererê? folclórico? tropical?
misturando morte e carnaval?
Um povo de degradados?
Filhos de degredados
largados no litoral?
Um povo-macunaíma
sem caráter-nacional?
Por que só nos contos de fada
os pobres fracos vencem os ricos nobres?
Por que os ricos dos países pobres
são pobres perto dos ricos
dos países ricos? Por que
os pobres ricos dos países pobres
não se aliam aos pobres dos países pobres
para enfrentar os ricos dos países ricos,
cada vez mais ricos, mesmo
quando investem nos países pobres?
Espelho, espelho meu!
há um país mais perdido que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um governo mais omisso que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um povo mais passivo que o meu?
E o espelho respondeu
algo que se perdeu
entre o inferno que padeço
e o desencanto do céu.
OBS: Publicado no Jornal do Brasil e incluído em "Política e Paixão" (1984)