quinta-feira, 13 de junho de 2013

Justiça reconhece fraude na privadoação da CVRD

COMENTÁRIO SOBRE O ARTIGO ABAIXO


Não cabe a comparação de preços do cacho de bananas. Na época do leilão existiu uma avaliação de 98 bilhões de reais. Mesmo essa avaliação era insignificante. O verdadeiro valor da CVRD é incalculável pois além do fato de que tal avaliação seria expressa em TRILHÕES é uma companhia que não poderia ter sido entregue por duas principais razões: sua importância estratégica para a segurança nacional pelos minérios de que dispõe e por ser um patrimônio consagrado do povo brasileiro.
Registro que o lucro da citada companhia em 2011 foi de 37,8 BILHÕES. Isso diz tudo!

Recomendo a quem quiser conhecer mais sobre o maior caso de corrução do mundo em todos os tempos ler neste blog:
1. Campanha pela declaração de nulidade do leilão da CVRD
Postagem de 10/01/13
2. Sobre o crime de doação da CVRD
Postagem de 27/11/12
3. Artigo da Dra. Clair Martins pela anulação do leilão da CVRD
Postagem de 19/8/12
4. Todo brasileiro deve ler
Artigo "Na contramão da história"  de Lúcio Flávio Pinto
Postagem de 16/8/12
5. "Os minérios e o interesse nacional" de Mauro Santayana
Postagem de 13/8/12

Pesquisar também:
1. Campanha "A Vale é nossa"  em www.youtube.com
2. www.avaleenossa.org.br
3. Blog  mucungao do Dr Eloá Cruz

Voltaremos ao assunto.

Glauco Gouvêa





                                              ARTIGO




RedeDemocratica
Sáb, 08 de Junho de 2013 19:12
Justiça reconhece fraude na privatização da Vale
Escrito por  Da Redação
·          
 
Se você tivesse um cacho de bananas que valesse R$9,00, você o colocaria à venda por R$0,30? Óbvio que não. Mas foi isso que o governo federal fez na venda de 41% das ações da Companhia Vale do Rio Doce para investidores do setor privado, em 1997. Eles pagaram R$3,3 bilhões por uma empresa que vale perto de R$100 bilhões. Quase dez anos depois, a privatização da maior exportadora e produtora de ferro do mundo pode ser revertida.
Por Maíra Kubík Mano
Em 16 de dezembro do ano passado, a juíza Selene Maria de Almeida, do Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília, anulou a decisão judicial anterior e reabriu o caso, possibilitando a revisão do processo. “A verdade histórica é que as privatizações ocorreram, em regra, a preços baixos e os compradores foram financiados com dinheiro público”, afirma Selene. Sua posição foi referendada pelos juízes Vallisney de Souza Oliveira e Marcelo Albernaz, que compõem com ela a 5ª turma do TRF.
Entre os réus estão a União, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles são acusados de subvalorizar a companhia na época de sua venda. Segundo as denúncias, em maio de 1995 a Vale informou à Securities and Exchange Comission, entidade que fiscaliza o mercado acionário dos Estados Unidos, que suas reversas de minério de ferro em Minas Gerais eram de 7.918 bilhões de toneladas. No edital de privatização, apenas dois anos depois, a companhia disse ter somente 1,4 bilhão de toneladas. O mesmo ocorre com as minas de ferro no Pará, que em 1995 somavam 4,97 bilhões de toneladas e foram apresentadas no edital como sendo apenas 1,8 bilhão de toneladas.
Outro ponto polêmico é o envolvimento da corretora Merrill Lynch, contratada para avaliar o patrimônio da empresa e calcular o preço de venda. Acusada de repassar informações estratégicas aos compradores meses antes do leilão, ela também participou indiretamente da concorrência por meio do grupo Anglo American. De acordo com o TRF, isso comprometeu a imparcialidade da venda.
A mesma Merrill Lynch, na privatização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) da Argentina, reduziu as reservas declaradas de petróleo de 2,2 bilhões de barris para 1,7 bilhão.
Nova perícia
Depois da venda da Vale, muitas ações populares foram abertas para questionar o processo. Reunidas em Belém do Pará, local onde a empresa está situada, as ações foram julgadas por Francisco de Assis Castro Júnior em 2002. “O juiz extinguiu todas as ações sem apreciação do mérito. Sem olhar para tudo aquilo que nós tínhamos dito e alegado. Disse que o fato já estava consumado e que agora analisar todos aqueles argumentos poderiam significar um prejuízo à nação”, afirma a deputada federal doutora Clair da Flora Martins (PT/PR).
O Ministério Público entrou com um recurso junto ao TRF de Brasília, que foi julgado no ano passado. A sentença determinou a realização de uma perícia para reavaliar a venda da Vale. No próximo passo do processo, as ações voltam para o Pará e serão novamente julgadas. Novas provas poderão ser apresentadas e os réus terão que se defender.
Para dar visibilidade à decisão judicial, será criada na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio Público. A primeira ação é mobilizar a sociedade para discutir a privatização da Vale. “Já temos comitês populares em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso”, relata a deputada, uma das articuladoras da frente.
“Precisamos construir um processo de compreensão em cima da anulação da venda da Vale, conhecer os marcos gerais dessas ideias a partir do que se tem, que é uma ação judicial, e compreendê-la dentro de um aspecto mais geral, que é o tema da soberania nacional”, acredita Charles Trocate, integrante da direção nacional do MST. Ele participa do Comitê Popular do Pará, região que tem forte presença da Vale.
Entre os marcos da privatização, que serão estudados e debatidos nos próximos meses nos comitês, está o Plano Nacional de Desestatização, de julho de 1995. A venda do patrimônio da Vale fez parte de uma estratégia econômica para diminuir o déficit público e ampliar o investimento em saúde, educação e outras áreas sociais. Cerca de 70% do patrimônio estatal foi comercializado por R$60 milhões, segundo o governo. “Vendendo a Vale, nosso povo vai ser mais feliz, vai haver mais comida no prato do trabalhador”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1996. A dívida interna, entretanto, não diminuiu: entre 1995 e 2002 ela cresceu de R$108 bilhões para R$654 bilhões.
Na época, a União declarou que a companhia não custava um centavo ao Tesouro Nacional, mas também não rendia nada. “A empresa é medíocre no contexto internacional. É uma péssima aplicação financeira. Sua privatização é um teste de firmeza e determinação do governo na modernização do Estado”, afirmou o deputado Roberto Campos (PPB/SP) em 1997. No entanto, segundo os dados do processo, o governo investiu R$2,71 bilhões durante toda a história da Vale e retirou R$3,8 bilhões, o que comprova o lucro.
“O governo que concordou com essa iniciativa não tinha compromisso com os interesses nacionais”, diz a deputada doutora Clair.
Poder de Estado
A Vale se tornou uma poderosa força privada. Hoje ela é a companhia que mais contribui para o superávit da balança comercial brasileira, com 54 empresas próprias nas áreas de indústria, transporte e agricultura.
“Aqui na região de Eldorado dos Carajás (PA), a Vale sequestra todo mundo: governos municipais e governo estadual. Como o seu Produto Interno Bruto é quatro vezes o PIB do estado Pará, ela se tornou o estado econômico que colonizou o estado da política. Tudo está em função de seus interesses”, coloca Charles Trocate.
Trocate vivência diariamente as atividades da empresa no Pará e a acusa de gerar bolsões de pobreza, causados pelo desemprego em massa, desrespeitar o meio ambiente e expulsar sem-terra e indígenas de suas áreas originais.
“Antes da privatização, a Vale já construía suas contradições. Nós temos clareza de que a luta agora é muito mais ampla. Nesse processo de reestatização, vamos tentar deixar mais claro quais são as mudanças que a empresa precisa fazer para ter uma convivência mais sadia com a sociedade na região”, diz Trocate. De acordo com um levantamento do Instituto Ipsos Public Affairs, realizado em junho de 2006, a perspectiva é boa: mais de 60% dos brasileiros defendem a nacionalização dos recursos naturais e 74% querem o controle das multinacionais.
Patrimônio da Vale em 1996
● maior produtora de alumínio e ouro da América Latina
● maior frota de navios graneleiros do mundo
● 1.800 quilômetros de ferrovias brasileiras
● 41 bilhões de toneladas de minério de ferro
● 994 milhões de toneladas de minério de cobre
● 678 milhões de toneladas de bauxita
● 67 milhões de toneladas de caulim
● 72 milhões de toneladas de manganês
● 70 milhões de toneladas de níquel
● 122 milhões de toneladas de potássio
● 9 milhões de toneladas de zinco
● 1,8 milhão de toneladas de urânio
● 1 milhão de toneladas de titânio
● 510 mil toneladas de tungstênio
● 60 mil toneladas de nióbio
● 563 toneladas de ouro
● 580 mil hectares de florestas replantadas, com matéria-prima para a produção de 400 mil toneladas/ano de celulose
Fonte: Revista Dossiê Atenção – “Porque a venda da Vale é um mau negócio para o país”, fls. 282/292, da Ação Popular nº 1997.39.00.011542-7/PA.
Quanto vale hoje
● 33 mil empregados próprios
● participação de 11% do mercado transoceânico de manganês e ferro-liga
● suas reservas de minério de ferro são suficientes para manter os níveis atuais de produção pelos próximos 30 anos
● possui 11% das reservas mundiais estimadas de bauxita
● é o mais importante investidor do setor de logística no Brasil, sendo responsável por 16% da movimentação de cargas do Brasil, 65% da movimentação portuária de granéis sólidos e cerca de 39% da movimentação do comércio exterior nacional
● possui a maior malha ferroviária do país
● maior consumidora de energia elétrica do país
● possui atividades na América, Europa, África, Ásia e Oceania
● concessões, por tempo ilimitado, para realizar pesquisas e explorar o subsolo em 23 milhões de hectares do território brasileiro (área correspondente aos territórios dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte)
Fonte: 5ª Turma do TRF da 1ª Região- Brasilia.
 
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O mundo não pertence aos EUA.


 
Quarta-feira, 12 de Junho de 2013
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Snowden e Manning contra a arrogância do poder
 
Saiu no JB Online artigo de Mauro Santayana:
 

NADA A FAZER, TUDO A FAZER

Mauro Santayana
O mundo não conseguiu ainda sair do espanto causado pelas revelações do soldado Bradley Manning – cujo julgamento por traição começou há dias – e uma denúncia ainda mais grave   foi encaminhada ao Guardian pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden. O denunciante era, até o dia 20 de maio, um dos maiores especialistas em segurança de informações da Booz Allen, contratada pelo governo norte-americano para assessorar a NSA (Agência Nacional de Segurança).
De acordo com os documentos oficiais, filtrados por Snowden, e não desmentidos, Obama determinou a invasão dos sistemas de comunicação eletrônicos do mundo inteiro – também  no próprio território norte-americano. Os meios técnicos permitem aos invasores capturar mensagens e documentos, apagar, reescrever, reendereçar emails. Mais ainda: os hackers oficiais poderão intervir no sistema de comandos dos computadores. Em tese, e de acordo com a tecnologia disponível, serão capazes de alterar a rota dos aviões, provocar incidentes militares nas fronteiras, falsificar telegramas diplomáticos, de forma a intrigar governos contra governos.
Atos de espionagem e de provocação são comuns na História, mas os meios tecnológicos de hoje os tornam catastróficos. A única esperança de que planos como o do presidente Obama sejam   divulgados está nos cidadãos dos próprios países agressores que, os conhecendo, como é o caso de Bradley Manning e de Edward Snowden, se disponham a denunciá-los ao mundo.
Snowden, como Manning, é um homem ainda jovem. Aos 29 anos, ganhando um bom salário, de 200 mil dólares brutos por ano, vivia com conforto no Havai, com sua jovem namorada, quando, ao tomar conhecimento das 18 páginas das diretivas de Obama aos serviços de segurança, resolveu revelá-los.
O governo norte-americano tenta minimizar a gravidade da denúncia, ao afirmar que um tribunal criado para supervisionar os serviços de informação e segurança aprovou a medida, da qual, também as comissões especiais do Congresso tomaram conhecimento e lhe deram endosso. 
Há várias questões postas, que devem ser examinadas com serenidade. Em primeiro lugar, aquela velha presunção norte-americana de que eles foram predestinados ao domínio universal, e  foi definida pelo senador Fullbright como “a arrogância do poder”. Sentindo-se os mais poderosos, assim como os soberanos, julgam-se irresponsáveis pelos seus atos e inimputáveis.  Não consideram que haja acima deles nenhum poder punitivo. Seus fundamentalistas protestantes, entre eles Bush II, acreditam  agir com a cumplicidade de Deus. Foi assim que o então presidente justificou a segunda guerra contra o Iraque: – em conversa com o Todo Poderoso, dele ouviu a ordem de caçar Saddam Hussein e eliminá-lo.
A espionagem e os atos de provocação são antigos na história do poder. Todos os grandes sistemas da Antiguidade deles se valeram. Bismarck foi um mestre na recuperação  dessa perfídia, ao falsificar um telegrama sobre encontro entre o embaixador francês em Berlim e o kaiser Guilherme I, e, assim, provocar a Guerra Franco-Prussiana de 1870. Mas nem o “Chanceler de Ferro”, nem Hitler, outro mestre nesse jogo canalha, dispunham dos meios técnicos de manipulação como os de nosso tempo.
Outra lição do fato é a de que não há mais segredos no mundo, principalmente quando o rege a lógica do mercado. Há, de acordo com as informações oficiais, 25.000 pessoas envolvidas no sistema nacional de segurança dos Estados Unidos, a maior parte delas funcionárias de empresas privadas, como a Booz Allen, cujo faturamento, em 98%, é obtido em contratos com a Agência Nacional de Segurança. É impossível, assim, manter essas operações em sigilo.
Outra grande surpresa é o cinismo do presidente Barack Obama, que irrompeu no cenário norte-americano como aquele predestinado a recuperar os mais altos valores dos “pais fundadores” da grande república. Na campanha eleitoral de 2008, ele qualificou os vazamentos do mau comportamento do governo como “atos de coragem e patriotismo, que podem, muitas vezes, salvar vidas e, com frequência, poupar dólares dos contribuintes, e devem ser encorajados, em lugar de combatidos”, como ocorria durante a administração Bush.
Na reação contra Manning e Assange, Obama absolve o “guerreiro” Bush. Snowden, em entrevista ao Guardian, diz que se sente mais ou menos seguro em Hong Kong, aonde chegou há 3 semanas. Mas os republicanos do Congresso pediram ao governo que exija a sua extradição. Como se sabe, a autonomia da antiga colônia britânica é limitada: o território está sob a soberania estatal chinesa. Será interessante verificar se o governo chinês decidirá acatar um pedido de extradição que um pequeno país, como o Equador, se nega a atender, no caso de Julián Assange.
Os observadores se dividem, na previsão do que virá a ocorrer, diante desse novo escândalo mundial. A maioria, com a mente já colonizada pela hegemonia norte-americana, acha que nada há a fazer. Em suma, é inevitável aceitar o mando norte-americano, para que nos salvemos do “terrorismo islamita”, assim como foi melhor aceitar as inconveniências da Guerra Fria, para que nos livrássemos do comunismo ateu.
Há, no entanto, os que sabem ser necessária uma aliança da inteligência e da dignidade dos homens, a fim de reagir, enquanto há tempo, contra essa tirania universal.

domingo, 9 de junho de 2013

Histórico: o Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares edição n° 500


 

 

 

 


Número 500!

Companheiros.

No dia 6 de Outubro de 2003 foi enviado para um pequeno grupo de companheiros o primeiro número do nosso Informativo Semanal com este nome. Antes eu já havia produzido dois outros materiais, também semanais, com informações sobre a conjuntura, mas só em 2003 a idéia começou a tomar uma dimensão mais geral.

Naquele número já notificávamos os efeitos de uma crise que se anunciava dentro do sistema capitalista. Em uma matéria única, mostrávamos que os chamados “gigantes” da indústria estadunidense estavam em crise e que jogavam sobre os trabalhadores todo o peso dos desmandos neoliberais. Mostramos as demissões de trabalhadores na Ford e na Chrysler, empresas de ponta da economia estadunidense, e os efeitos da crise mundial sobre os trabalhadores em cada parte do planeta.

Curiosamente, no mesmo número noticiávamos pela primeira vez a formação de um grupo de países “em desenvolvimento”, o G22, liderado por Brasil e Índia, para defenderem os seus interesses agrícolas contra os subsídios que os países ricos dão aos seus produtores. Aquela reunião comandada pelo novo governo brasileiro derrubou e decretou o fim da reunião ministerial da OMC, em Cancún. A partir daquele momento houve uma mudança no jogo de forças da economia mundial, até o surgimento do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), grupo que hoje é parte do centro de decisões.

Curiosamente, naquele mesmo número 01 do nosso Informativo comentávamos que o governo estadunidense estava preocupado com sua imagem no mundo. Uma pequena estudante estadunidense, entrevista por um canal de TV em Nova Iorque, havia feito uma pergunta ao então presidente W. Bush: “por que nos odeiam tanto?”. O tema se tornou tão preocupante que o governo convocou um seminário, realizado em Washington, e Bush criou um comitê especial de assessores da Casa Branca para analisar “por que cresce no mundo o antagonismo aos EUA”.

Dez anos depois, creio que os assuntos ainda são atuais. A crise do sistema se agravou e se estendeu pelo planeta, enquanto as ações estadunidenses contra a humanidade vão mostrando cada vez mais o motivo de serem tão odiados.

Um abraço a todos os companheiros que semanalmente acompanham o nosso Informativo.

Livro conta assassinatos de trabalhadores rurais. O livro “Camponeses Mortos e Desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição”, lançado no dia 24 de maio pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), pretende auxiliar a Comissão Nacional da Verdade no reconhecimento oficial de 1.196 casos de assassinatos e desaparecidos no campo de 1961 a 1988, em função das diversas formas de repressão política e social. Esse período foi estabelecido na Lei 9.140/1995, que reconhece que pessoas foram perseguidas e assassinadas pela ditadura militar (1964-1985).

Para o secretário de Política Agrária da CONTAG, Zenildo Pereira Xavier, esta obra é importante porque esclarece muitos casos. “Muitos companheiros(as), ao longo da ditadura militar, perderam suas vidas na luta pela distribuição de terra e democratização do país. Além de contar uma história, esse livro aponta fatos que até hoje acontecem porque os trabalhadores e as trabalhadoras rurais persistem em combater o latifúndio.”

Apesar de o livro apresentar um número expressivo de vítimas, apenas 51 casos foram analisados pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos e, desses, 29 tiveram a causa da morte relacionada à questão Política. O dirigente da CONTAG entende que o Estado brasileiro deve investigar todos os casos identificados na pesquisa realizada pela SDH/PR. “É preciso fazer justiça a todos os trabalhadores e lideranças assassinadas e suas famílias”. (FONTE: Imprensa CONTAG - Verônica Tozzi - com informações da Agência Brasil)

Vergonha brasileira. A Anistia Internacional confirmou na terça-feira (04) que gás lacrimogêneo produzido no Brasil tem sido usado pela polícia turca para dispersar manifestantes nos protestos dos últimos dias. A organização condenou o uso do gás contra os manifestantes.

“Canhões de água e gás lacrimogêneo não deveriam ser usados contra manifestantes pacíficos. Estamos particularmente preocupados com o uso de gás lacrimogêneo em ambientes confinados, que representa um grande risco para a saúde”, disse o diretor da Anistia Internacional para Europa e Ásia Central, John Dalhuisen, em comunicado divulgado na segunda-feira (03).

A empresa Condor Tecnologias Não Letais, sediada na Baixada Fluminense, confirmou que fornece gás lacrimogêneo para a polícia turca e que é a única fornecedora brasileira desse tipo de armamento para a Turquia.

No final de 2011, ativistas já haviam relatado que gás lacrimogêneo brasileiro estava sendo usado contra manifestantes no Bahrein, provocando inclusive vítimas fatais. A Condor negou que vendesse o produto ao país, apesar de “fornecer produtos para mais de 35 países, inclusive países árabes”. No entanto, “por obrigações contratuais de confidencialidade, a empresa não pode informar detalhes de seus fornecimentos”. De acordo com a empresa, naquela ocasião, o equipamento foi provavelmente usado por tropas de outros países árabes que são clientes da empresa brasileira e ajudaram o governo baremita.

A atuação da polícia turca contra manifestantes foi criticada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que pediu às autoridades daquele país que investiguem abusos cometidos pelos agentes.

É uma vergonha! (Matéria em Agência Brasil) Existe profissão de homem e de mulher? A maioria dos estudantes do 3º ano das escolas públicas da cidade de São Paulo respondeu que sim. O resultado faz parte de um trabalho feito pela organização Ação Educativa com cerca de 500 alunos, em que 80% deles responderam afirmativamente à questão, mostrando que os valores de gênero norteiam as escolhas profissionais dos jovens.

A assessora do Programa Juventude da Ação Educativa, Raquel Souza, que faz parte do projeto, diz que os motivos das respostas variam. Alguns estudantes acham que mulheres têm características que favorecem o desempenho delas em profissões de cuidado, já os homens estariam mais aptos ao raciocínio e a atividades que demandam vigor físico. “Mesmo que as coisas tenham mudado muito nas relações de gênero e mesmo que as mulheres ocupem posições de poder, ainda há um estereótipo em relação a qual lugar as mulheres deveriam ou estariam mais aptas a ocupar”, diz Raquel.

Golpistas paraguaios a serviço dos EUA. Em um número anterior do nosso Informativo já falamos do envolvimento dos golpistas paraguaios com narcotraficantes, inclusive brasileiros, e suas perigosas relações com o contrabando na região. Mas agora eles estão também fazendo o “jogo sujo” da CIA que se esforça para desestabilizar os governos populares em nosso continente.

O Senado do Paraguai acaba de aprovar uma declaração de solidariedade a deputados venezuelanos de direita que comandaram os protestos contra a posse do presidente eleito, Nicolás Maduro, e reivindicou que o governo peça a intervenção da OEA (Organização dos Estados Americanos) na Venezuela. Na declaração, o Senado paraguaio expressa “sua solidariedade com os membros da Unidade Democrática Venezuelana”.

No Chile, lei para anistiar assassinos. (Matéria em Opera Mundi) Era mais um monótono final da tarde de terça-feira (04/06) em Valparaíso e o Congresso Nacional chileno já estava vazio quando os deputados governistas Jorge Ulloa e Mario Bertolino protocolaram silenciosamente um projeto de lei que prevê a aplicação da Lei de Anistia a todos os civis e militares condenados por crimes de violação aos direitos humanos ocorridos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

A descoberta desse projeto por parte da imprensa local e internacional, porém, causou um barulho muito maior do que os seus autores talvez esperassem.

A iniciativa, que deverá ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça, defende a plena vigência da Lei de Anistia, decretada por Pinochet em 1978 e que estabelece a prescrição imediata aos abusos cometidos durante o seu governo. Apesar de essa medida nunca ter sido revogada, a maioria dos juízes chilenos tem se baseado em tratados internacionais assinados pelo país para condenar violadores dos direitos humanos.

Colômbia pretende entrar na OTAN. Este é um momento muito difícil para a América Latina e mostra que as táticas estadunidenses contra os países da região estão sendo levadas a cabo com muita astúcia. Entre os poucos países da região que ainda se submetem aos desígnios de Washington, a Colômbia continua sendo o capacho mais submisso e agora se prepara para trazer para a região a aliança militar que serve como braço de ação da política estadunidense.

No sábado (31), o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou que seu país assinará um acordo de cooperação com a OTAN e está preparando sua entrada na organização.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou que com esta atitude, a Colômbia “quer colocar dinamite na medula das conquistas na união da América Latina, do Caribe, da América do Sul”.

“Justamente quando a região procura uma maior unidade através da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), é preocupante que estejam sendo tomadas iniciativas para buscar dividir e debilitar o processo”, afirmou, por sua vez, o presidente da Nicarágua Daniel Ortega.

O mandatário boliviano, Evo Morales, também se pronunciou e pediu pronta ação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para evitar que tal cooperação prospere: “Não podemos permitir que a Otan interceda na América Latina. Ter a Otan é uma ameaça para o nosso continente”, advertiu.

Quem tem o dinheiro? Muito interessante o relatório lido pelo senhor Branko Milanovic, economista do Banco Mundial. Segundo o informe que ele apresentou para a revista “Global Policy”, ele demonstra a enorme desigualdade de rendimentos existente no mundo moderno e diz que apenas 8% da população do planeta, os mais ricos, ficam com 50% de toda a renda produzida no mundo.

O relatório mostra que, em 2011, a renda anual (PIB per cápita, em dólares) variou de 231 dólares, na República Democrática do Congo, a 171.465 dólares, em Mônaco. O segundo país mais pobre do planeta é Burundi, com uma renda anual de 271 dólares.

19 milhões de desempregados na Eurozona. Os dados são oficiais e divulgados pelo centro de estatísticas europeu mostrando que o desemprego cresceu significativamente no início deste ano se comparado ao primeiro trimestre de 2012. O desemprego na zona do euro alcançou a impressionante cifra de 19 milhões de pessoas, segundo o Eurostat.

Em todo o continente europeu o número de desempregados já chegou a 26,58 milhões de pessoas, mostrando a gravidade da atual crise.

Ainda a recessão econômica na Eurozona. O escritório de estatísticas da Comissão Europeia, Eurostat, confirmou que a economia da Eurozona caiu 0,2% durante o primeiro trimestre do ano. O país mais afetado foi o Chipre, com uma recessão de -1,3%. Segundo o Eurostat, 8 dos 17 países do bloco estão em recessão: Espanha, França, Itália, Chipre, Holanda, Portugal, Eslovênia e Finlândia. De acordo com os dados divulgados, a França caiu -0,2%, a Espanha caiu -0,5% e a Itália -0,5%. As maiores quedas foram no Chipre (-1,3%), Estônia (-1%) e República Checa (-0,8%).

PIB português encolhe 4%. A economia de Portugal continua a reduzir de tamanho. Dados divulgados pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas) na quarta-feira (05), dia em que o governo de Pedro Passos Coelho completou dois anos de mandato, revelam que o PIB de Portugal caiu em 4% de janeiro a março deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, que já era recessivo.

Esse é o nono trimestre consecutivo em que a riqueza nacional do país sofre redução. Em 2011, a recessão chegou a 1,6% e, em 2012, houve queda de 3,2%. Juntamente com o PIB, o INE divulgou que a procura interna (consumo das famílias e das empresas) caiu 6,4% e o emprego teve queda de 5,2%.

FMI admite erros na Grécia. O FMI (Fundo Monetário Internacional) admitiu na quarta-feira (05) ter cometido “erros notáveis” no planejamento de concessão de empréstimos para minimizar a crise econômica na Grécia. A instituição também diz ter subestimado os efeitos negativos das políticas de austeridade no país.

As informações estão contidas em um documento “estritamente confidencial” ao qual The Wall Street Journal teve acesso. Durante os últimos três anos, afirmou-se que a dívida grega era sustentável, mas, segundo o documento, as incertezas que rondavam os planos da troika (que, além do FMI, também inclui Comissão Europeia e Banco Central Europeu) eram “significativas”.

“Houve notáveis erros. A confiança dos mercados não foi restaurada, o sistema bancário perdeu 30% dos depósitos e a economia enfrentou uma recessão muito mais profunda que o previsto, com um desemprego excepcionalmente alto”, indica o FMI.

Europa contra a “Troika”. As manifestações convocadas por várias entidades europeias, no sábado (01/06), contra as medidas da “Troika” (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI) mostraram a força da reação popular contra a situação em que a região está sendo lançada pelas medidas de “austeridade” que só estão levando desemprego e pobreza para os trabalhadores.

Na Alemanha, cerca de 20.000 pessoas se reuiniram em Frankfurt (onde está a sede do Banco Central Europeu) para uma manifestação contra as receitas neoliberais. O protesto foi convocado pelo movimento Blockupy (versão alemã do “Occupy Wall Street”) e terminou com violenta repressão policial. Ainda assim, os manifestantes comemoraram o êxito do protesto pois conseguiram fechar todo o centro da cidade, bloqueando a entrada do BCE e também de centenas de grandes instituições financeiras, empresas e corporações.

Na Alemanha, todos os protestos foram coordenados e estiveram somados ao movimento “Povos unidos contra a Troika”, que mobilizou Portugal, Espanha, França, Bélgica, Grécia, Irlanda, Reino Unido e Croácia.

Em Portugal o movimento foi coordenado pelo movimento “Que se lixe a Troika” e conseguiu mobilizar milhares de pessoas em Lisboa e em outras cidades.

Nos EUA, os bancos continuam lucrando muito. O departamento de Finanças do governo dos EUA divulgou na última semana um relatório que aponta o desenvolvimento da atividade bancária no país.  Nos primeiros três meses de 2013, os bancos estadunidenses lucraram 40,3 bilhões de dólares. O valor constitui um novo recorde: maior lucro trimestral da história das instituições financeiras.

“Os bancos voltaram. Há quatro anos o sistema bancário estava olhando para um abismo. E agora lucram largamente”, afirma o economista Mark Zandi, especialista no sistema bancário, em entrevista ao jornal Washington Post.

Os valores divulgados revelam a retomada do poder dos bancos nos EUA. Por exemplo, no primeiro semestre de 2009, após a turbulência financeira ocasionada pela crise imobiliária em 2008, o lucro das instituições bancárias chegou ao número de dois bilhões de dólares. Comparado ao primeiro trimestre deste ano, o crescimento chega a cerca de 2000%.

Do outro lado da realidade estadunidense está a classe média. Mesmo com leve baixa do desemprego registrada no começo deste ano, o número de pessoas sem ocupação profissional é muito maior atualmente do que antes da crise econômica. Os índices sociais também continuam baixos, sem nenhum indicativo de melhora para os próximos anos.

Protestos nos EUA terminam com 150 presos. A polícia do estado da Carolina do Norte prendeu mais de 150 pessoas que participavam de um protesto na terça-feira (04). O movimento havia sido convocado para repudiar os novos cortes nos gastos sociais aprovados pelo Partido Republicano que governa o estado.

A “Associação Nacional para Defesa da Gente de Cor” (NAACP – sigla em inglês) havia convocado o protesto e milhares de pessoas se concentraram nas proximidades do edifício onde funciona a Assembléia Legislativa local para denunciar o “programa regressivo que esquece os pobres”. Os prisioneiros estão sendo acusados de promoção da “desordem pública” e de “desacatarem autoridades”. E ainda dizem que lá é o “país da liberdade”, não é?

Governo estadunidense ouve milhões de conversas telefônicas. Reportagem publicada na quinta-feira (06) pelo jornal inglês The Guardian mostrou que a administração Obama está espionando a população do país com a justificativa da “guerra ao terror” e amparado no "Patriot Act", controversa lei aprovada em 2001 que suprime as liberdades civis. 

Segundo o Guardian, a NSA (sigla em inglês de Agência de Segurança Nacional) dos EUA criou um banco de dados com ligações telefônicas e mensagens de voz de milhões de cidadãos, coletados de pessoas que utilizam o serviço da operadora Verizon – uma das mais populares no país. O jornal obteve cópia de uma ação judicial sigilosa da NSA.

A ordem da administração Obama para espionagem foi dada no dia 25 de abril deste ano, autorizando as autoridades policiais a terem acesso ilimitado ao local, duração e conteúdo de uma ligação, assim como mensagens de voz. A medida não se restringe ao território estadunidense: todos os usuários da operadora Verizon no exterior podem ter tido seus registros telefônicos interceptados pelo governo.

Horas após o anúncio feito pelo Guardian, a Casa Branca reconheceu que monitorou milhões de clientes de telefonia fixa e móvel da operadora Verizon. O governo, em nota oficial, se justifica dizendo que é “uma ferramenta muito importante para proteger o país de ameaças terroristas”.

Até na internet! Algumas das empresas mais conhecidas e importantes da internet foram obrigadas a ceder dados de clientes para o governo dos EUA, de acordo com novo documento revelado pela imprensa internacional. Entre as companhias que tiveram seus sistemas acessados pela NSA (sigla em inglês de Agência de Segurança Nacional) estão Google, Facebook, Microsoft, Yahoo, Skype e YouTube.

De acordo com documento divulgado pelo The Guardian, uma apresentação de Power Point com 41 slides, os grampos eram realizados “diretamente dos servidores” das maiores empresas dos EUA e incluíam e-mails, arquivos anexados, vídeos e conversas online.

A obtenção compulsória dos dados foi iniciada na Microsoft, em 2007, ainda sob o governo de George W. Bush. Sob a gestão de Barack Obama, no entanto, a prática foi intensificada e passou a atingir um número maior de companhias.

Vigiando operadoras telefônicas e companhias de cartões de crédito. O escândalo de grampos e investigações secretas do governo dos EUA sobre sua própria população chegou ao seu terceiro episódio na sexta-feira (07): além de agentes de inteligência terem acesso irrestrito a registros de chamadas da operadora Verizon e aos dados de clientes das principais empresas de internet no mundo, eles também obtêm informações das duas maiores companhias telefônicas do país, AT&T e Sprint, e de fabricantes de cartões de crédito. 

De acordo com o jornal The Wall Street Journal, que cita fontes ligadas à NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), essa divisão tem acordos com a AT&T e Sprint similares ao da Verizon, revelado nesta semana pelo jornal britânico The Guardian.

Segundo o Wall Street Journal, o acordo com as três maiores operadoras de telefone do país afeta a maioria dos estadunidenses e significa que “cada vez que se faz uma chamada, a NSA consegue um registro da localização, o número contatado, a hora da chamada e a duração da conversa”. Tudo isso no mesmo dia em que o presidente dos EUA, Barack Obama, veio a público para garantir que as conversas dos cidadãos estadunidenses comuns não estavam sendo monitoradas.

A AT&T, maior companhia telefônica do país, tem 107,3 milhões de clientes de celular e 31,2 milhões de telefone fixo; a Verizon tem 98,9 milhões de telefonia móvel e 22,2 milhões de fixo; a Sprint tem 55 milhões de clientes no total.

Obama defende programas de espionagem. O presidente Barack Obama assegurou na sexta-feira (07) que os programas de espionagem de telefonemas e de dados dos usuários de grandes  empresas da internet contam com um “amplo apoio bipartidário” no Congresso e são continuamente supervisionados. Obama disse na Califórnia que essas estratégias "ajudam a prevenir ataques terroristas” e foram revisadas por sua equipe de assessores, pelo Congresso e pelo Poder Judiciário.

Segundo o presidente, “não se pode ter 100% de privacidade e 100% de segurança”. Em sua opinião, o governo conseguiu manter “o equilíbrio adequado” no acesso à vida dos cidadãos.

Na Filadélfia, governo fecha escolas e manda construir prisão! A matéria está em Opera Mundi e parece uma piada, mas é a pura realidade. A Prefeitura da Filadélfia, nos EUA, anunciou em março que 23 escolas públicas da cidade irão encerrar suas atividades. A medida faz parte de um pacote de cortes de gastos públicos que prevê, entre outras coisas, o desligamento de 3 mil funcionários ligados às áreas de educação e cultura. Mas, em compensação, a imprensa estadunidense revelou na quarta-feira (05) que a cidade investe na construção de uma penitenciária estadual estimada em 400 milhões de dólares.

O diretor das escolas públicas da Filadélfia, William R. Hite Jr, considera o corte uma “catástrofe à comunidade pobre” e aponta o paradoxo da situação. “Pedi para que o governo estadual nos ajudasse a manter as escolas funcionando, mas não fui atendido. Eles preferem investir em uma penitenciária”, afirma William Hite em entrevista à imprensa dos EUA.

O fechamento das escolas atinge em cheio a comunidade negra e as camadas populares da Filadélfia. Segundo informações oficiais, 81% dos estudantes negros da cidade, 11% dos latinos e 93% de baixa renda serão afetados com a medida. Em contrapartida, apenas 4% dos alunos brancos serão prejudicados.

No entanto, segundo o portal Dispatches from the Underclass LikeLike , a nova penitenciária terá cerca de 800 lugares a mais que o antigo local e, além disso, o prédio anterior não será demolido - passará apenas por uma reforma.

No fundo, faz sentido a medida do governo. Se o governo fecha escolas, provavelmente essas crianças vão ter mais tempo nas ruas. Tendo mais tempo nas ruas, provavelmente algumas podem cometer delitos. Se vão cometer delitos, bom mesmo é ter mais prisões! Faz sentido, não é?

Começa julgamento de Bradley Manning. O soldado estadunidense Bradley Manning, que vazou centenas de milhares de documentos diplomáticos confidenciais dos EUA ao Wikileaks, começou a ser julgado na segunda-feira (03) por um tribunal militar no Forte George Meade, Estado de Maryland. Está previsto que o julgamento, presidido pela juíza militar Denise Lind, dure até 23 de agosto.

Centenas de pessoas se concentraram nas proximidades do forte para protestar contra o julgamento e defender o soldado que é considerado um herói pelos manifestantes e defensores da liberdade de expressão. Muitos cartazes dos manifestantes pedem a premiação de Manning ao Prêmio Nobel da Paz.

Entre o material que ele entregou para divulgação estão vídeos de ataques aéreos com vítimas civis, mais de 250 mil correspondências diplomáticas de conteúdo sigiloso de quase todas as representações diplomáticas estadunidenses o Departamento de Estado e relatórios militares das guerras do Iraque e do Afeganistão

Manning está preso há três anos e já se declarou culpado de dez das 22 acusações contra ele, todas consideradas mais leves. A principal acusação desse julgamento é a de “conluio com o inimigo”, violação ao artigo 104 do Código Unificado da Justiça Militar (principal legislação da justiça militar dos EUA), o que lhe poderá valer uma condenação de prisão perpétua.

Um grupo de artistas, jornalistas e ativistas iniciou uma campanha na internet em apoio ao soldado norte-americano Bradley Manning, que está sendo julgado por repassar centenas de milhares de documentos diplomáticos dos Estados Unidos ao site Wikileaks. A campanha “Eu sou Bradley Manning” é realizada pelo mesmo grupo que afirma já ter reunido mais de 61 mil assinaturas para candidatar o nome do militar ao Prêmio Nobel da Paz.

Espionagem

Ex-funcionário da CIA diz que revelou esquema de espionagem dos EUA por um mundo melhor

 
Por Andrew Osborn e Peter Graff
LONDRES, 9 Jun (Reuters) - Um ex-funcionário da CIA que trabalhava como terceirizado na Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos revelou ter sido o responsável por vazar detalhes de um esquema de espionagem do governo norte-americano, e disse ter agido desta forma para proteger "direitos básicos das pessoas em todo o mundo".
Enclausurado em um quarto de hotel em Hong Kong, Edward Snowden, de 29 anos, disse que pensou muito antes de pulicar os detalhes do programa da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), denominado Prism. Segundo ele, o país estava criando uma imensurável rede secreta de espionagem que vigia cada cidadão norte-americano.
"Eu não quero viver em uma sociedade que faz esse tipo de coisas... Eu não quero viver em um mundo onde tudo o que eu faço é gravado. Isso não é algo sob o qual eu quero viver minha vida", disse ele ao jornal The Guardian, que publicou o vídeo com seu testemunho no site na Internet.
"A NSA construiu uma infraestrutura que permite interceptar tudo. Com a capacidade que ela tem, a maior parte da comunicação estabelecida entre os seres humanos na rede seria automaticamente registrada, sem que houvesse um alvo, um objetivo para tal. Se eu quisesse ver seus emails ou o telefone da sua esposa, tudo o que eu precisaria era usar esses mecanismos de interceptação do Prism. Poderia ter acesso a emails, senhas, gravações de telefone, cartões de crédito", disse Snowden.
O jornal The Guardin revelou nesta semana que os serviços secretos de segurança norte-americanos já rastreiam chamadas de telefones celulares da operadora Verizon e informações da Internet oriundas de companhias como o Google e o Facebook.
A informação a respeito dos serviços secretos desencadeou um interminável debate nos Estados Unidos e no exterior sobre o crescimento do alcance da NSA, que expandiu seus serviços de vigilância dramaticamente na última década. Agentes norte-americanos garantem que a NSA atua dentro da lei.
A decisão de Snowden de revelar sua identidade, bem como seu rosto e outros dados pessoais, reforça o apelo deste que já é um dos maiores casos de vazamento de dados secretos do governo norte-americano na história, e aumenta ainda mais o constrangimento do presidente Barack Obama.
Snowden também sabe que sua opção o expõe demais às autoridades norte-americanas. O Guardian o comparou a Bradley Manning, um soldado agora em julgamento por supostamente ajudar forças inimigas, que vazou para o Wikileaks documentos militares sigilosos.
O atual espião afirmou que deixou a namorada no Havaí sem contar a ela onde iria, e se disse ciente do risco que corre, mas pensou que toda a mobilização em torno da sua descoberta faria o risco valer a pena.
"Meu primeiro medo era que viessem atrás da minha família, dos meus amigos, da minha namorada. Qualquer um que me conhecesse", admitiu.
"Terei de me sacrificar pelo resto da minha vida. Eu não posso me comunicar com eles. As autoridades deverão agir de forma contundente contra qualquer um que me conheça. Isso me mantém sempre em alerta."
Ele falou sobre o quão corajoso foi largar uma vida confortável no Havaí, onde ganhava cerca de 16 mil dólares por mês.
"Eu estou disposto a me sacrificar porque eu não posso, em sã consciência, deixar que o governo dos Estados Unidos destrua a privacidade, a liberdade de Internet e os direitos básicos de pessoas em todo o mundo, tudo em nome de um maciço serviço secreto de vigilância que eles estão desenvolvendo."

Espionagem 2

The Guardian revela identidade de fonte dos vazamentos sobre inteligência dos EUA

 
Um funcionário de 29 anos de uma terceirizada norte-americana de defesa é a fonte que revelou ao The Guardian as informações confidenciais sobre os programas de vigilância das comunicações implantados pelos Estados Unidos, disse neste domingo o jornal britânico.
Edward Snowden disse ao The Guardian que foi motivado apenas pelo desejo de informar o público sobre o "mecanismo de vigilância em massa".
"Não tenho nenhuma intenção de me esconder porque sei que não fiz nada de mau", disse Edward Snowden.
Contudo, com o governo dos EUA buscando uma investigação criminal pelos vazamentos, ele admitiu: "eu não espero ver minha casa novamente".
O jornal, que postou uma entrevista de vídeo de Snowden, mostrando eu rosto claramente, disse que revelava a identidade a pedido dele mesmo.
Ex-técnico assistente da CIA, Snowden trabalhou por quatro anos na Agência de Segurança Nacional como um funcionário de várias terceirizadas, incluindo a Dell e a Booz Allen Hamilton, sua atual empregadora.
"Meu único motivo foi informar ao público o que é feito em seu nome e o que é feito contra ele", disse Snowden.
Três semanas atrás, ele arrumou suas malas para Hong Kong e deixou para trás um salário de U$200 mil dólares, uma namorada que morava com ele no Havaí, uma carreira estável e uma família amorosa, de acordo com o jornal.
"Estou disposto a sacrificar tudo isso porque não posso, em sã consciência, permitir que o governo norte-americano destrua a privacidade, a liberdade na internet e as liberdades básicas das pessoas em todo o mundo com uma máquina de vigilância em massa que eles estão construindo secretamente", disse Snowden.
O diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, pediu mais cedo uma investigação criminal sobre os vazamentos, dizendo que as divulgações "angustiantes" causaram "enormes e graves danos" para as capacidades da inteligência norte-americanas.

sábado, 8 de junho de 2013

Lula reverenciado no Equador

Lula é reverenciado na América Latina como líder da nação brasileira

7/6/2013 12:59
Por Redação, com ACSs - de Quito


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta capital, a homenagem do presidente Rafael Correa
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta capital, a homenagem do presidente Rafael Correa
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta capital, a homenagem do presidente Rafael Correa, que lhe conferiu a medalha da Ordem Nacional de San Lorenzo, a mais antiga do país, instituída por ocasião da independência do Equador, em 1809. Posteriormente, Lula falou no Teatro Nacional de la Casa de La Cultura a uma plateia de mais de dois mil equatorianos sobre as conquistas e desafios da integração latino-americana, um dos eixos de trabalho do Instituto Lula. À noite, Lula e Rafael Correa jantaram juntos.
Durante a entrega da condecoração a Lula, Rafael Correa destacou a importância do Brasil para a América Latina, “um país onde tudo se conta com seis ou até sete zeros e Lula soube contar com o coração para mudar a vida de milhões de pessoas”. Correa disse que o ex-presidente brasileiro, por seu trabalho em favor da democracia, da diminuição das desigualdades e pela aproximação entre os povos latino-americanos, “é um do maiores artífices modernos da grande pátria com que sonhamos”.
– É um privilégio, para mim, conceder-lhe a condecoração da Ordem Nacional de San Lorenzo como demonstração de respeito, admiração e carinho profundo que sente nosso povo pelo presidente Lula – afirmou Correa.
Em seu discurso, o presidente Correa lembrou as origens de Lula e disse que ele é um dos principais protagonistas das transformações pelas quais o continente vem passando.
Recém-eleito para o seu terceiro mandato, Correa acrescentou que Lula é merecedor da condecoração por seu trabalho pela democracia, pela integração da América Latina, na luta contra a pobreza e por promover a aproximação e a amizade natural entre os povos brasileiro e equatoriano.
Bolsa Família
Lula, por sua vez, voltou ao tema que embalou seus dois mandatos, no Brasil, e pregou uma política voltada em favor dos pobres. O tema foi abordado enquanto ele esteve na Colômbia, no Peru e, na noite passada, no Equador.
O líder brasileiro destacou também o papel dos governos de esquerda na América Latina, que passaram a olhar os pobres não mais como problema, mas como solução. Contou que o Bolsa Família, que muitos no Brasil chamavam de puro assistencialismo, foi essencial para que o Brasil não sofresse mais com a crise internacional. “O dinheiro na mão do pobre faz a economia girar, e é por isso que a América Latina dá certo”.
O programa de transferência de renda do governo federal lançado durante sua gestão teve que enfrentar, segundo Lula, críticos que diziam que era impossível aumentar o salário mínimo sem aumentar a inflação. O ex-presidente lembrou que o salário mínimo teve aumento em todos os anos de seu governo, sem causar inflação. Pelo contrário, lembrou, 36 milhões de pessoas saíram da miséria, 40 milhões ascenderam à classe média e foram criados 20 milhões de empregos formais.
Lula lembrou da época em que todas as atenções dos governos latino-americanos estavam voltadas apenas para Estados Unidos e Europa.
– A corrente comercial no Mercosul era de apenas US$ 10 bilhões. Dez anos depois está em US$ 50 bilhões. Na América do Sul, subimos de US$ 15 para US$ 70 bilhões; e, na América Latina, de US$ 20 para mais de US$ 90 bilhões – contabiliza.
Mas essa integração não pode ser apenas comercial, como destacou o ex-presidente. Depois que deixou a Presidência e fundou o instituto que leva seu nome, Lula tem trabalhado pela integração latino-americana.
– É preciso criar uma doutrina de integração latino-americana. Por isso estou me dedicando a falar com estudantes, sindicalistas, intelectuais, empresários, movimentos sociais… – afirmou.
Como no encontro com jovens em Lima, no Peru, Lula concluiu seu discurso com palavras de incentivo aos equatorianos para que participem da política.
– O político perfeito que nós queremos não precisa estar dentro do outro, pode estar dentro de nós. A América Latina necessita muito de vocês para que nunca mais haja retrocesso. Muitos têm preconceito contra a política, dizem que não gostam de política. Mas saibam que fora da política não há solução. Todas as vezes em que a humanidade renegou a política, o que veio depois foi muito pior – concluiu.


OBS: extraído do Correio do Brasil