segunda-feira, 16 de março de 2015

    Por que a extrema-direita brasileira odeia tanto a Cuba?

28jan2013---milhares-de-pessoas-se-reunem-com-tochas-na-universidade-de-havana-durante-uma-marcha-em-comemoracao-ao-aniversario-de-nascimento-de-160-anos-do-heroi-da-independencia-de-cuba-jose-marti-no-1359384934577_956x500
É de se perguntar o porquê de tantos ataques a uma pequena ilha caribenha, nação onde vivem pouco mais de 11 milhões de pessoas (menor que a população do estado da Bahia) e cujo o Produto Interno Bruto – PIB representava US$ 72 bilhões em 2012 (o orçamento apenas da prefeitura de São Paulo é de US$ 25 bilhões) nas eleições presidenciais brasileiras.
A estratégia durante toda a campanha foi de jogar sobre o governo de Dilma a pecha de estar utilizando dinheiro público para financiar o governo cubano, através da construção do Porto de Mariel e da contratação de médicos para o programa Mais Médicos.  Via de regra, a candidatura de Dilma aceitava a crítica e não desmascarou o motivo de tanto ódio a Cuba por parte da extrema-direita.
A verdade é que o Porto de Mariel, a 40 km de Havana, é uma obra a mais financiada pelo BNDES. Outras obras similares foram financiadas em outros países como Equador e Angola. Longe de ajudar o socialismo, o objetivo dessa estratégia é fortalecer as empresas capitalistas nacionais, criando um mercado com os países de sul que possa suplantar a crise vivida pelos EUA e a União Europeia. O grande beneficiado com o porto de Mariel é mesmo a Oderbrecht, já que o financiamento do BNDES será pago pelo governo cubano.
No caso do Mais Médicos, programa paliativo para levar médicos às cidades do interior, a extrema-direita faz uso de duas mentiras. Primeiro, esconde que a vinda dos médicos estrangeiros só aconteceu após a recusa dos médicos brasileiros em trabalhar nos lugares ermos. A honrada classe médica chegou a afirmar que receber R$ 10 mil de salário é escravidão. Segundo, procuram explorar o fato de que grande parte dos salários dos doutores de Cuba serve para pagar seus estudos, ajudar a família e desenvolver o país deles. Escondem que o trabalho do médico fora das fronteiras nacionais é um ato voluntário, humanitário e social, como heroicamente fizeram os médicos cubanos no Haiti e, agora, nos países africanos atingidos pelo Ebola.
Ao caluniar Cuba, a extrema-direita procura colocar toda a esquerda brasileira em defensiva. Ao não defender as conquistas sociais cubanas, a esquerda perde em legitimidade e protagonismo para defender a justiça social no Brasil.
Por mais diferenças que se possa ter com o modelo de democracia ou de socialismo aplicado por Cuba, não se pode perder de vista que uma sociedade que priorize a justiça social ao invés do lucro é sempre melhor que qualquer regime capitalista. Quando nos calamos, parte da classe trabalhadora passa a repetir e acreditar nesses chavões repetidos a exaustão pelos representantes dos capitalistas, tornando mais difícil a luta por justiça social no Brasil.
Afinal, por que tanto ódio a uma pequena ilha?
Cuba é o exemplo de que é possível construir um caminho diferente. Mesmo cercada, embargada e perseguida pelo imperialismo nos terrenos econômico e político, o povo cubano permanece ostentando os melhores índices de desenvolvimento social, reconhecidos pelos organismos independentes da ONU. Já pensaram se se tratasse de um país rico em petróleo, fontes de energia naturais, com amplas florestas e fontes de minérios, ou seja, um país que tivesse condições geográficas e naturais de desenvolver a indústria e a técnica em níveis superiores?
Cuba é a prova viva de que a igualdade social é mais eficaz que o acúmulo de riqueza. Que a solidariedade é mais eficaz que o individualismo. Que a educação e a justiça social são as armas mais eficazes contra o crime e a violência. Que uma sociedade pode viver sem altos índices de consumos de drogas lícitas e ilícitas e, também, sem encarcerar sua juventude e seus pobres. Em resumo, Cuba é a prova viva que todo o discurso da extrema-direita é mentiroso e por isso precisa ser derrotada.
Não podemos esperar que o governo do PT defenda as ideias de Cuba pois seu interesse para com a ilha se resume a esfera dos negócios. É preciso devolver todo o ataque sofrido pelo povo cubano organizando o povo para lutar pelo programa da classe trabalhadora brasileira.
Jorge Batista, São Paulo.
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Fonte: A verdade

   Qual será a resposta do governo e do PT?

manifestacao 13 e 15
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A escalada contra a presidente Dilma Rousseff se transformou, a partir deste domingo, em movimento reacionário de massas. A última vez que assistimos fenômeno dessa natureza foi às vésperas do golpe militar de 1964, com as marchas que abriram alas para os tanques.
Ainda que a situação política seja distinta e não estejamos às beiras de uma ruptura constitucional, menos ainda da intervenção militar apregoada por frações do antipetismo, mudou de qualidade a disputa entre os dois campos nos quais se divide atualmente o país.
Setores numerosos das camadas médias colocaram na ordem do dia a derrubada de um governo legitimamente eleito. Contam com a associação dos principais meios de comunicação e partidos de direita, incluindo elementos da base aliada.
A chefe de Estado e o Partido dos Trabalhadores precisam decidir qual rumo irão tomar diante deste novo fato político.
A patética entrevista dos ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Martins Cardoso, na noite de ontem, aponta o caminho da conciliação e do acordo.
Não tiveram a elegância de ir a público no dia 13, quando o movimento sindical e popular saiu às ruas para defender a democracia e protestar contra o ajuste fiscal.
Mas açodadamente se apresentaram para conferência de imprensa, ao vivo, depois das manifestações convocadas pela República de Higienópolis. Seu discurso as avalizou como democráticas por terem sido pacíficas, além de oferecer uma mão estendida e trêmula para o diálogo.
Não foram capazes nem sequer de denunciar atuação partidária e manipuladora da Rede Globo, uma concessão pública, claramente transformada em porta-voz da intentona reacionária.
Possivelmente o complemento desta atitude seja imaginar que o governo, para se proteger, deva abrir ainda mais espaços para o conservadorismo na composição do gabinete, dobrar-se com maior genuflexão ao parlamento e renunciar mais claramente à agenda sufragada nas eleições de outubro.
O raciocínio implícito a esta orientação é de que sempre existe a possibilidade de evitar o confronto contra classes sociais e grupos políticos hostis a quaisquer mudanças que minimamente afetem seus interesses ou potencialmente ameacem sua hegemonia.
Getúlio Vargas ceifou a própria vida porque acreditou nesta suposição e viu-se encurralado. João Goulart foi apeado do poder e morreu fora do país porque partilhou a mesma ilusão.
Se for esta a estratégia, por falar em história, o governo correrá o risco de repetir cenário provocado por Neville Chamberlain, então primeiro-ministro inglês, quando cedeu a Tchecoslováquia para os alemães, em 1938, tentando apaziguar Hitler. “Entre a guerra e a desonra, escolheu a desonra, e terá a guerra”, afirmou Winston Churchill, seu clarividente conterrâneo e sucessor.
Mas há outras alternativas à disposição da presidente e do PT.
A mobilização do dia 13 demonstrou que existem potentes reservas de apoio para Dilma recompor o bloco político que permitiu seu triunfo em outubro. Há espaço para a construção de uma frente ampla que defenda a democracia e as reformas populares, buscando reunir nas ruas as forças que faltam ao governo dentro das instituições.
Obviamente este passo será possível apenas se a política econômica e a própria composição ministerial forem revistas.
A presidente instalou um clima de confusão, divisão e desânimo nos últimos meses, com as medidas de ajuste fiscal e a nomeação de ministros sem qualquer compromisso com o programa vitorioso em 2014.
Talvez acreditasse que seu problema principal fosse o mesmo de sempre: como obter maioria parlamentar e apaziguar o capital, de tal forma que sua administração pudesse evitar o isolamento e enfrentar as dificuldades da economia.
A dimensão da jornada antidemocrática, no entanto, mostra que é outra a questão crucial: sem uma repactuação urgente com o campo popular, o petismo perderá as condições de disputar vitoriosamente as praças públicas, os corações e mentes dos milhões de trabalhadores que formam sua base social.
Não há tempo a perder, esta é a verdade.
Os próximos dias e semanas valerão por anos.

O projeto histórico representado pelo PT e a esquerda está em perigo real e imediato.

Veríssimo


Veríssimo: o fenômeno do ‘espírito golpista dos ricos contra os pobres’

Postado em 9 de março de 2015 às 9:23 am

De Veríssimo, no globo:
Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. Economistas liberais recomeçaram a pregar abertura comercial absoluta e a dizer que os empresários brasileiros são incompetentes e superprotegidos, quando a verdade é que têm uma desvantagem competitiva enorme. O país precisa de um novo pacto, reunindo empresários, trabalhadores e setores da baixa classe média, contra os rentistas, o setor financeiro e interesses estrangeiros. Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio. Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. Continuou defendendo os pobres contra os ricos. O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. Dilma chamou o Joaquim Levy por uma questão de sobrevivência. Ela tinha perdido o apoio na sociedade, formada por quem tem o poder. A divisão que ocorreu nos dois últimos anos foi violenta. Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.
Nada do que está escrito no parágrafo anterior foi dito por um petista renitente ou por um radical de esquerda. São trechos de uma entrevista dada à “Folha de São Paulo” pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que, a não ser que tenha levado uma vida secreta todos estes anos, não é exatamente um carbonário. Para quem não se lembra, Bresser Pereira foi ministro do Sarney e do Fernando Henrique. A entrevista à “Folha” foi dada por ocasião do lançamento do seu novo livro “A construção politica do Brasil” e suas opiniões, mesmo partindo de um tucano, não chegam a surpreender: ele foi sempre um desenvolvimentista nacionalista neokeynesiano. Mas confesso que até eu, que, como o Antônio Prata, sou meio intelectual, meio de esquerda, me senti, lendo o que ele disse sobre a luta de classes mal abafada que se trava no Brasil e o ódio ao PT que impele o golpismo, um pouco como se visse meu avô dançando seminu no meio do salão — um misto de choque (“Olha o velhinho!”) e de terna admiração. Às vezes, as melhores definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos se espera.
Outro trecho da entrevista: “Os brasileiros se revelam incapazes de formular uma visão de desenvolvimento crítica do imperialismo, crítica do processo de entrega de boa parte do nosso excedente a estrangeiros. Tudo vai para o consumo. É o paraíso da não nação.”

domingo, 15 de março de 2015

Nova York já tem 60 mil moradores de rua

NOVA YORK JÁ TEM 60 MIL MORADORES DE RUA
Número de moradores de rua em Nova York atinge recorde: já são 60 mil pessoas sem-teto vivendo nas ruas; entre eles há 25 mil crianças. Situação é bem pior do que cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Morador de rua em Nova York
O número de pessoas sem-teto em Nova York alcançou um novo recorde. Já são mais de 60.000 indivíduos sem ter lugar para morar, segundo uma associação especializada no tema e informes publicados na imprensa local.
Nova York tem 60.352 “homeless” (sem-teto), dos quais mais de 25 mil são crianças, segundo o site na internet da Coalizão para os Sem-teto. Os dados são confirmados pela prefeitura da cidade.
O vice-diretor de defensoria da Coalizão para os Sem-teto, Patrick Markee, destacou que a crise “histórica” herdada pelo prefeito Bill de Blasio piorou por três razões desde que o democrata assumiu o cargo, em 1º de janeiro de 2014:
1) a grave crise de moradia acessível na cidade;
2) o impacto duradouro das desastrosas políticas para os sem-teto do ex-prefeito Michael Bloomberg;
3) o fracasso do estado e da cidade para agir suficientemente rápido para reverter.
Em discurso sobre a situação da cidade de Nova York, o prefeito De Blasio colocou a questão do acesso à moradia com um aluguel razoável no centro de seu programa para 2015, fazendo alusão aos “homeless”.
Nova York é a cidade com maior índice de desigualdade de renda dos EUA.
Rio e São Paulo
A título de comparação, em São Paulo, segundo o censo mais recente feito pela prefeitura, em 2011, eram cerca de 14,5 mil pessoas em situação de rua.
No Rio de Janeiro, censo realizado em 2013 mostrou que havia 5.580 pessoas na mesma situação.
www.pragmatismopolitico.com.br
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CNBB: impeachment de Dilma é golpe

CNBB: impeachment de Dilma é golpe

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou nesta quinta-feira (12) que o país passa atualmente por uma crise "ética e moral" na política, mas que não há indícios que justifiquem um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que poderia "enfraquecer" as instituições do governo. Bispos da entidade se reúnem nesta tarde com a presidente, a convite dela.
"Existem regras para se entrar com um pedido inicial de impeachment. Creio que não chegamos a esse nível", disse o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner. "A reação que nós sentimos também é que as manifestações de rua são de discordância, muitas vezes ideológicas, o que é normal e necessária e democrática, mas propor um impeachment seria enfraquecer um pouco as instituições."
"Pelo que a gente tem como informação do Supremo Tribunal Federal, não há nenhum indício de algum ato que possa justificar qualquer denúncia quanto à presidente da República", disse o presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis.
"Segundo o STF, a presidente só poderia ser indiciada depois de uma investigação, um processo, caso houvesse algum delito, alguma denúncia contra algum fato cometido por ela durante o seu mandato", afirmou Damasceno.
Para a entidade, a organização de manifestações públicas, como as marcadas para este fim de semana em várias cidades do país, são resultado do escândalo de corrupção na Petrobras somado às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, inflação alta e a crise entre o Executivo e o Legislativo, que causaram um "mal-estar" na sociedade.
"Vemos denúncias novas a cada dia e vamos ficando, de certo modo, assustados. Isso vai gerando um mal-estar em toda a população, diante da crise ética e da moral do nosso país", disse o presidente da CNBB. "Sabemos que a corrupção sempre existiu, continua existindo, e não só no Brasil, mas em toda parte, mas é fundamental que a Justiça realmente puna os condenados e os corruptores."
Em nota, a CNBB disse que as denúncias de corrupção devem ser “rigorosamente apuradas” e os corruptos e corruptores, punidos. "Enquanto a moralidade pública for olhada com desprezo ou considerada empecilho à busca do poder e do dinheiro, estaremos longe de uma solução para a crise vivida no Brasil", diz a nota. No texto, a entidade também pede o fim do fisiologismo político e uma reforma política.

João Pessoa : urgência de modificar processo de construções no litoral

        04.02.2015

João Pessoa expõe urgência de modificar modelo de desenvolvimento no litoral



Em 2016, o município de João Pessoa baterá um recorde nacional com a construção do edifício mais alto do país, o complexo Tour Geneve, cuja torre de 52 andares atingirá 182 metros de altura, no Altiplano do Cabo Branco, conhecido bairro nobre da cidade. No anúncio dos apartamentos, há destaque para a visão privilegiada do mar e a certificação AQUA de sustentabilidade do projeto.
Mas a pergunta sobre a opção por construir arranha-céus na paisagem argilosa do local, próximos às falésias que se tornaram símbolo da beleza do litoral, não foi considerada no debate sobre a sustentabilidade que se pretende para a região.
A verticalização no Cabo Branco tem ocorrido mais fortemente nos últimos anos, com projetos de arranha-céus de luxo, na parte norte, e com o projeto urbanístico da Cidade Jardim, na parte sul, que prevê um shopping de grande porte, edifícios comerciais, hotéis e condomínios horizontais.
A presença desse tipo de "pólo turístico" vem fazendo a sociedade questionar se o atual modelo de desenvolvimento considera a vocação natural do litoral e, mais amplamente, como o crescimento das cidades tem impactado na preservação do meio ambiente local.
Ainda em 2005, a realização de uma mudança no zoneamento do Altiplano, que alterou a "zona especial de preservação" para "zona turística", do Código Municipal de Meio Ambiente, abriu precedente para a aprovação de empreendimentos de grande porte na área. Por meio de um decreto, de número 5.363/2005, que não tramitou na Câmara de Vereadores, o então prefeito tornou as restrições menos rigorosas, criando o meio para a construção da Estação Ciência sobre a falésia - projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, assim como o Centro de Convenções, responsável pelo desmatamento de 100 hectares de mata nativa no Altiplano.
"Ocorreu uma artimanha legal que possibilitou a construção da Estação e do Centro de Convenções, sem um real estudo de impacto ambiental. A falésia é composta por solo argiloso e precisa de permeabilidade para se sustentar, sendo as raízes das árvores as responsáveis pela drenagem no solo. Como impermeabilizaram a área, logo começaram a acontecer os primeiros deslizamentos e voçorocas. Hoje o processo de desmoronamento é uma ameaça concreta, e estudos mostram que o edifício da Estação Ciência corre grande risco de desabar", conta a bióloga e membro da diretoria da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (APAN), a Socorro Fernandes.
A entidade acionou o Ministério Público da Paraíba, fazendo uso da Lei da Mata Atlântica, que prevê a supressão de vegetação em casos de interesse público, com aprovação do EIA-Rima, e na falta de outras opções de área para a obra. De fato, o Ministério Público instaurou um procedimento preparatório, em 2013, para apurar a notícia do agravamento dos impactos sobre a falésia, causando risco iminente de desmoronamento, o que já levou a interdições em alguns trechos do Cabo Branco.
Os eventos envolvendo a própria segurança dos moradores da área, têm levado a uma maior organização para a proteção da paisagem local. Em 2014, os moradores conseguiram formar o grupo Amigos da Barreira, que pretende desenvolver ações de sensibilização do público para seu patrimônio ambiental, e realizaram um grande abraço simbólico da falésia, no início de janeiro de 2015.
Desenvolvimento urbano e conservação ambiental
As iniciativas visam discutir que forças sociais e movimentos devem orientar o desenvolvimento da região, fazendo frente à especulação imobiliária e à supressão que vegetação ainda representativa da Mata Atlântica no município.
O conflito entre o processo de expansão urbana e a legislação que protege o meio ambiente local é visível também em áreas como a do Parque Lauro Pires Xavier, com cerca de 23 hectares e cobertura vegetal exuberante, ou a do Parque Ecológico Jaguaribe, com importante mata ciliar e fauna aquática na cidade.
No primeiro, o entorno fortemente antropizado tem implicado no lançamento de esgoto no Rio da Pomba, que atravessa o parque, e no desmatamento das margens que levou ao aparecimento de voçorocas na área. No Parque Ecológico Jaguaribe, áreas de mata ciliar foram suprimidas para a construção de habitações do programa Minha Casa, Minha Vida, afetando a qualidade da água do rio e a proteção do solo.
A cidade de João Pessoa, que possui em seu território paisagens naturais litorâneas e áreas verdes protegidas, sofre com o processo de degradação cada vez maior pela ocupação humana e as obras de infraestrutura. O que aumenta a urgência de se repensar o tipo de crescimento que não leva em conta a qualidade de vida e o equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e a conservação ambiental.



Fonte: www.onordeste.com

Protestos de hoje merecerão deboche amanhã

PROTESTOS DE HOJE MERECERÃO DEBOCHE AMANHÃ
Paulo Moreira Leite
Lembrando a malfadada Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade, que ajudou a derrubar João Goulart, cinco décadas atrás, é justo perguntar quando o país começará a dar gargalhadas dos protestos contra a democracia programados para hoje.
Explico. Não existe, em nossa época, iniciativa mais ridícula do que atacar um regime democrático nem tentação mais vergonhosa do que tentar derrubar os poderes soberanos do povo.
É um movimento que contraria as melhores lições políticas que a humanidade aprendeu nos séculos que se seguiram à Revolução Francesa. Que nega uma civilização inteira, na qual nossos filhos e netos merecem viver para que possam construir um mundo melhor para seus próprios filhos e seus netos.
Um mal disfarçado projeto golpista, que reflete a incapacidade de conviver com a vontade expressa da maioria, retira dos atos de hoje qualquer fiapo de pretendida dignidade. Podem ser admitidos por lei, mas são errados como cuspir no chão, bater em criança e perseguir quem não pode se defender.
As conspirações antidemocráticas devem ser denunciadas e combatidas sempre, mas podem levar semanas, durar meses ou prolongar-se por anos. anos. O ideal é que sejam derrotadas de imediato, mas isso pode levar mais tempo. Às vezes, acontece a tragédia de chegarem ao poder, como já ocorreu com tantos povos e países, inclusive conosco, infelizmente, logo depois daquela marcha de 1964.
Mas sempre serão vencidas, inevitavelmente. Os ditadores podem fugir do palácio pela porta dos fundos, podem ser julgados e enforcados, podem ser pendurados de cabeça para baixo pela massa em fúria por direitos que foram roubados, pelo sofrimento causado. Com frequência, reescrevem a própria história, escondem seus crimes, dissimulam, apagam indícios e sinais.
O mais comum é que sejam ridicularizados em sua arrogância, em seu sonho pretensioso, mas no fundo apenas criminal e perigoso. Isso porque não há argumento defensável na boca de quem tenta vencer a vontade soberana de uma nação.
A derrota dos adversários da democracia é inevitável como a alvorada depois da noite. É certa como a esperança que todos os dias nos leva sair da cama para lutar pelo bem ainda que o mal pareça inevitável, a preferir a verdade no lugar da mentira. Eles nunca deixarão de ser uma excrescência absoluta, nem deixarão de refugiar-se na hipocrisia dos que falsificam a história sem escrúpulos nem dores na consciência. Mas estão condenados a perder, porque sua mensagem não eleva o bem estar do povo nem torna os homens e mulheres de hoje mais iguais — mais humanos na realidade — do que homens e mulheres de ontem. Seus projetos são obscuros e regressivos e é por isso, mais do que qualquer outra razão, que eles perdem todos os debates quando as diferenças se esclarecem, não conseguem ganhar nenhuma eleição quando as fantasias se desmancham e o importante aparece. Detestam o voto popular, que só disputam quando não há outro jeito.
Mesmo assim tentam comprar a vontade dos fracos, alugar a consciência dos estudados.
Os ataques à democracia fazem feridos, matam e machucam.
Mas sempre chega a hora em que podemos rir deles, em gargalhadas que hoje fazem eco em minha memória, quando lembro minha mãe falando sobre as vizinhas, amigas e nem tão amigas que foram às ruas para pedir golpe em março de 1964. Professora num bairro de classe média, lutadora por muitos direitos que poucos conheciam na época, dona Alcina tinha orgulho de ter recusado convites e apelos para sair de casa naquele dia. Isso lhe fazia sentir orgulho, dava um sentimento de honra, de dever cumprido. Também era a alegria de quem não se deixara enganar.
Em tempos de maior religiosidade, aquelas mulheres carregavam terços, usavam véus — e vociferavam contra blasfêmias e pecados da época em que a mudança social estava tão distante e a ignorância geral era tão grande que podia ser apresentada como obra do demônio. Para combater o que se chamava de subversão, diziam que iriam eliminar a corrupção. O truque é antigo, como sabemos.
Não vamos nos iludir. Os protestos de hoje querem revogar as melhorias feitas na vida do povo. Expressam o inconformismo de quem não suporta assistir ao progresso dos que sempre estiveram em baixo. Seu horizonte é a escuridão e seu destino final será fornecer enredos e personagens para as anedotas e comédias do futuro.
A gargalhada dos homens e mulheres de amanhã é o destino inevitável dos golpistas que desfilam hoje. Nada mais merecem além de vaias, piadas e deboche.
www.brasil247.com
¶ A mobilização programada para esta sexta-feira em defesa do governo da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras, em contraposição as manifestações contra o governo previstas para o domingo, visa não apenas defender a...
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