domingo, 28 de agosto de 2016

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares






Os verdadeiros motivos para o golpe.
Aos poucos vamos tomando conhecimento dos verdadeiros motivos do golpe contra o Governo do PT e da presidenta Dilma Rousseff. Como já defendemos, no Informativo, há uma grande vontade de entregar o Brasil ao grande capital internacional e romper com um processo de crescimento do país que teve início em 2003 e que o transformou em uma referência mundial.
Para se ter uma ideia do roubo que está sendo montado pelo governo golpista, vamos citar mais dois golpes já em andamento: a privatização do setor elétrico nacional e também do Aquífero Guarani.
Para quem não sabe, porque nossos jornais estão escondendo, já está em debate no Senado Federal uma Medida Provisória (735/2016), com uma estranha justificativa de que “desenvolvimento do setor elétrico deve ser feito levando em conta a qualidade do atendimento à população e a preservação do patrimônio público”.
Porém, na verdade, a tal MP muda a Lei 12.783/2013 e autoriza a União a transferir uma empresa de energia elétrica sob seu controle direto ou indireto (que pode ser geradora, transmissora ou distribuidora de energia) ao consórcio privado vencedor da licitação pelo prazo de 30 anos. Ou seja, a licitação do serviço está associada à transferência da empresa que já explora os ativos.
Com isso, as grandes geradoras nacionais (Furnas, Chesf, Eletronorte, etc.) podem passar para o controle de empresas privadas com uma simples “penada” dos golpistas que estão no poder.
Mas isto ainda é pouco, diante do que já está sendo preparado. Pelo que agora sabemos, o novo alvo é um dos setores mais estratégicos para o desenvolvimento do país e uma das maiores riquezas da humanidade: estamos falando da água, esse bem tão precioso e tão em falta no planeta.
Pelo que sabemos, por denúncia anônima feita ao jornal Correio do Brasil, o Aquífero Guarani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², deverá constar na lista de bens públicos privatizáveis, à exemplo das reservas de petróleo no pré-sal e da estatal federal de energia, Eletrobras.
Está prevista para o dia 12 de setembro a primeira reunião de um “conselho” que está sendo criado por Michel Temer com o pomposo nome de “Programa de Parceria e Investimentos (PPI)” onde serão definidas as primeiras concessões e privatizações do governo, disse a fonte. As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, estão bem adiantadas.
Como já citamos em matéria aqui do Informativo, o Guarani é o segundo maior aquífero do planeta (perde apenas para o Alter do Chão, na Amazônia Legal) e se estende entre Brasil (Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), Paraguai, Uruguai e Argentina.
Não custa lembrar que Argentina e Paraguai já sofreram seus golpes neoliberais, e que o Brasil está em pleno processo golpista, restando apenas o Uruguai para votar a favor da privatização do aquífero.
Só para constar, o empresário austríaco Peter Brabeck-Letmathe, principal financiador de campanha dos partidos de extrema direita naquele país e de golpes no mundo inteiro, preside o grupo Nestle desde 2005 e nunca escondeu seu objetivo de tornar o fornecimento da água passível de exploração ainda mais acentuada pelas companhias do setor alimentício. O comércio de água representa 8% do capital do conglomerado que, em 2015, totalizou aproximadamente US$ 100 bilhões.
E tem mais maldade a caminho. Projeto em discussão no Senado Federal prevê terceirização para todos os setores da Administração Pública Direta. Trata-se do PLS 559/13, de autoria da Comissão Temporária de Modernização da Lei de Licitações e Contratos, que visa instituir um novo marco legal para licitações e contratos da Administração Pública, revogando as atuais leis sobre o assunto — Lei 8.666/93, artigos do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), pregão eletrônico, etc.
Aparentemente, o Projeto não tem relação com o programa de terceirizações, mas há um “golpe” escondido no texto que estabelece uma previsão legal de hipóteses de terceirização pela Administração Pública, adotando, para esse fim, conceitos indeterminados, como atividades ‘complementares’ ou ‘acessórias’.
É o que está no Artigo 42 e diz que “Poderão ser objeto de execução por terceiros as atividades materiais acessórias, instrumentais ou complementares aos assuntos que constituem área de competência legal do órgão ou entidade, sendo vedado na contratação do serviço terceirizado”.
O retorno da ditadura! Muitos dos leitores do nosso Informativo ainda devem lembrar das famosas “listas negras” que existiram durante a ditadura militar no país. Eram listas onde constavam os nomes dos trabalhadores mais combativos, dos que participavam de reuniões e encontros em defesa dos direitos trabalhistas, aqueles que denunciavam os crimes dos patrões e das grandes empresas. Eram trabalhadores “marcados” e que dificilmente conseguiam novo emprego quando eram demitidos, uma forma aberta que os patrões usavam para intimidar e reprimir os trabalhadores.
Pois estamos novamente vivendo a realidade das “listas negras”, agora com a plena concordância da nossa “justiça”, sempre tão prestimosa para atender aos interesses neoliberais. A mesma “justiça” que está acobertando criminosos em nosso país e dando validade ao golpe de Estado.
Vejamos o que determinou a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao negar indenização a um motorista de carreta: “Nada impede que o empresário tenha cautela na contratação de empregados que prestam serviços para a população, sua clientela, e que, nessas cautelas que adota, faça anotações, cadastrando ex-empregados, empregados e até futuros empregados”.
Entenderam? Para a “nova justiça” brasileira, o fato de o empregador criar uma “lista negra” de funcionários que mais acionaram a Justiça contra seus antigos contratantes não gera dano moral se a relação com os nomes for usada apenas internamente.
Na ação que deu origem ao recurso especial, o motorista alegou que teve seu contrato de trabalho rompido depois que sua empregadora foi informada de que ele costumava ingressar com ações trabalhistas contra seus patrões. Após a demissão, o profissional afirmou não conseguir novo trabalho na mesma área em que costumava atuar.
O funcionário apontou que foi prejudicado pela inserção de seu nome em um tipo de “lista negra”, relação de nomes de trabalhadores que haviam ingressado com processos trabalhistas. Segundo o motorista, a lista foi criada por um empresário e era consultada por outras empresas do mesmo ramo. Mas isto agora é “legal”, no entendimento da “justiça”.
Informalidade cresce. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de trabalhadores com carteira assinada continua diminuindo enquanto cresce a informalidade no mercado de trabalho.
Segundo o instituto, o contingente de profissionais com carteira caiu 3,1% em julho, comparado com o mesmo período do ano passado, nas seis principais regiões metropolitanas do país. Já o número de ocupados por conta própria teve um crescimento de 59 mil pessoas em julho de 2016, um aumento de 1,4% em comparação com o ano passado.
Entre junho e julho deste ano, a taxa de desemprego foi de 6,9% em junho para 7,5% em julho. No mesmo mês no ano passado, o desemprego estava em 4,9%.
Para o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a informalidade tende a crescer nos próximos meses.
Na Argentina, livro sobre o golpe no Brasil. Produzido e organizado pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), Octubre Editorial e Universidade Metropolitana para a Educação e Trabalho (Umet), o livro “Golpe no Brasil – Genealogia de uma Farsa” acaba de ser lançado na Argentina na versão impressa. No último domingo, 21, o jornal argentino Página 12, um dos maiores da imprensa alternativa do País, distribuiu aos seus leitores um exemplar da publicação que denuncia o golpe em curso no Brasil.
Com 184 páginas, o livro conta com textos de Adolfo Pérez Esquivel, Frei Betto, Leonardo Boff, João Pedro Stédile, dos sociólogos Boaventura de Sousa Santos e Michael Löwy, do jornalista uruguaio Raúl Zibechi, e os jornalistas estadunidenses Amy Goodman e Glenn Greenwald, entre outros. A obra também traz entrevistas com a presidenta afastada Dilma Rousseff e o ex-presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O futuro da esquerda é o tema do artigo de Boaventura dos Santos que analisa as relações os pactos entre os partidos. Os textos foram escritos entre os meses de abril e junho, período em se iniciou o processo de impeachment de Dilma. Para ler a publicação, em espanhol, http://goo.gl/Xkm63P
Na calada da noite. Pesquisa realizada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) e pelo instituto Ipsos, divulgada na terça-feira (23), revela que 62% dos entrevistados temem que possíveis mudanças na previdência social devem dificultar o pedido de aposentadoria no Brasil. A pesquisa da Fenaprevi/Ipsos ouviu 1.500 pessoas com mais de 23 anos, de todas as classes sociais, em todo o Brasil, entre os dias 21 de julho e 4 de agosto.
De acordo com a pesquisa, a maioria dos entrevistados também teme a perda de direitos com as mudanças que estão sendo propostas. Para 57% deles, a reforma da previdência pública deve diminuir seus direitos.
A pesquisa mostrou que 44% dos entrevistados desconhecem a reforma da previdência social. Já 54% dos entrevistados afirmaram ter ouvido falar das propostas de ajustes nas regras da aposentadoria e 2% não souberam responder.
Segundo a pesquisa, a maior parte da população brasileira sabe pouco ou não tem informação do sistema público de aposentadoria. Apenas 11% dos entrevistados disseram saber muito ou o suficiente do tema, enquanto 86% sabem pouco, nada ou desconhecem completamente o assunto. Segundo a Fenaprevi, 3% não souberam responder.
Desemprego aumentou na Argentina. O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina divulgou, na terça-feira (23), a taxa de desemprego no país. No segundo trimestre de 2016 o índice já chegou a 9,3%, o que significa um milhão e 165 mil pessoas desempregadas no país.
A pesquisa mostra as regiões com maiores índices de desemprego: Gran Rosario (11,9%); Mar del Plata (11,6%); Gran Córdoba (11,5%); Gran Buenos Aires (11.2%) e Río Cuarto (10,5%).
Vale lembrar que Mauricio Macri assumiu a presidência na Argentina em 10 de dezembro de 2015 e deu início à uma reviravolta total na economia com sua política neoliberal que já deixou sem empregos milhões de argentinos e desvalorizou os salários.
Em um documento que demonstra a desigualdade no país, a ONG Techo diz que há 1.834 assentamentos de extrema pobreza na Argentina onde vivem 532 mil famílias com até cinco membros, em média. São conhecidas como “vilas misérias” onde vivem 2 milhões e 700 mil pessoas e estão distribuídas em 70% do território nacional. Pessoas que vivem em casas muito precárias, sem energia elétrica ou água potável, invisíveis para o Estado. São assentamentos construídos com papelão, toldos, barro ou material reciclado sem condições mínimas de saneamento.
Segundo o relatório da Techo, são pessoas que vivem isoladas e empobrecidas em um país com 2.780.400 quilômetros quadrados e que produz alimentos para 400 milhões de pessoas ao ano!
CTA convoca mobilizações para 12 de setembro. A Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) está convocando grandes mobilizações nacionais para o próximo dia 12 de setembro para protestar contra o tarifaço do gás implantado pelo governo de Macri que está afetando exclusivamente as pequenas e médias empresas do país.
Em comunicado distribuído à imprensa, a CTA disse que “não estamos dispostos a acatar em silêncio este atropelo aos direitos do povo enquanto o Governo favorece a grandes empresas e setores concentrados da economia”.
Está também confirmada, para os dias 31 de agosto e 1 e 2 de setembro, a Marcha Federal convocada pela CTA e pela CGT com participação de organizações sociais e estudantis em protesto contra as medidas econômicas de Macri. A Marcha sairá de seis pontos diferentes em toda a Argentina e se concentrará diante da Casa Rosada, sede do Governo.
Macri envolvido nos “Panama Papers”, através do Brasil. Novas revelações sobre o caso dos “Papéis do Panamá”, em documentos brasileiros, apresentam pistas para identificar o caminho de mais de 9 milhões de dólares transferidos entre diversas sociedades em paraísos fiscais com sede no Panamá e Bahamas, todas vinculadas ao presidente Mauricio Macri.
A situação do presidente neoliberal pode se complicar, pela primeira vez, depois que apareceram três empresas vinculadas à sua firma Fleg Trading, posta em evidência depois da denúncia dos “Papéis do Panamá”. As empresas Itron do Brasil, Martex do Sul e Mega Consultoria, Serviços e Participações, três sociedades que não estavam sendo investigadas, são acionistas da Owners (empresa de fachada da Fleg Trading).
Segundo matéria publicada no jornal argentino Página 12, para encontrar todo o dinheiro é preciso seguir uma série de movimentos que têm início em 21 de setembro de 1998, quando a Fleg ingressou na Owners. “Na mesma época, Socma Americana investiu capital nas três empresas”, destaca o jornal dizendo que foram colocados 3,4 milhões de reais na Itron; 1,8 milhões de reais em Partech-Unnisa Participações e 5,3 milhões de reais na Partech. No total, a empresa de Macri transferiu através do Brasil um total de 10,5 milhões de reais, cerca de 8,4 milhões de dólares na época!
Peña Nieto suspende negociação com professores. O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, anunciou oficialmente que suspenderá o diálogo com os professores que protestam contra a reforma educativa se não voltarem imediatamente para as aulas.
Peña Nieto pediu aos membros da Coordenação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE) que regressem às aulas porque “o futuro das crianças não é negociável”. Ele usa o argumento de “elevar a qualidade da educação no país” para promover uma reforma educativa que cria uma “avaliação” dos professores que pode justificar as demissões que ele pretende fazer no setor público do país, além de vincular os aumentos salariais à essas avaliações.
Em resposta, a CNTE promoveu uma grande marcha na capital contra a reforma educativa, na segunda-feira (22), exigindo que seja restabelecida a mesa de negociação com a Secretaria de Governo. Os manifestantes ratificaram a decisão de continuar em greve e desmentiram a declaração de Peña Nieto dizendo que “há mais de um ano o governo fechou as negociações com os professores, que mantiveram as aulas, e agora vem dizer que a educação está em primeiro lugar”.
Na marcha de professores realizada em Tuxtla, Chiapas, também na segunda-feira, um grupo de militantes católicos da diocese de San Cristóbal, tendo um sacerdote indígena (Marcelo Pérez Pérez) à frente, participou do protesto dizendo que “Estamos com vocês porque despertaram a consciência de que as reformas estruturais respondem a interesses de organismos financeiros internacionais. Por isso o governo quer impor tudo à bala”!
Encontro da esquerda latino-americana, no Peru. Teve início neste sábado (27), em Lima, o Encontro de Partidos Comunistas e Revolucionários da América Latina. A abertura do encontro foi feita pelos líderes do Partido Comunista Peruano, Roberto de la Cruz, e Partido Comunista-Pátria Vermelha, Alberto Moreno, organizadores do evento.
O encontro será encerrado hoje e os dois dirigentes conclamaram, na abertura, que se trabalhe no sentido de construir um programa de luta comum para derrotar a ofensiva neoliberal que pressiona e derruba governos progressistas na região, impõe condições lesivas à soberania e aos interesses populares dos países.
O representante do Secretariado e chefe do Departamento de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, José Ramón Balaguer, qualificou de histórica a reunião e destacou a intenção dos organizadores de debater o papel dos partidos participantes no enfrentamento da contraofensiva do imperialismo na região. Destacou a importância de apoiar os governos progressistas na América Latina e o fortalecimento das forças de esquerda, tomando como base os valores e princípios de cada uma.
O vice-presidente para Relações Internacionais do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), Rodrigo Cabezas, concordou com Balanguer ao assinalar a importância desta unidade. Criticou algumas teorias sobre um suposto fim do ciclo progressista na região, por causa dos golpes encobertos, como no Brasil e no Paraguai, e como a direita pretende fazer na Venezuela.
Segundo ele, o ciclo progressista tem raízes profundas, expressou a vontade dos povos e voltará com força, porque o neoliberalismo não tem o que oferecer aos povos e só aplicam velhas receitas.
A secretária de Assuntos Internacionais do Partido dos Trabalhadores do Brasil, Mônica Valente, fez um relato do golpe branco do imperialismo e da direita neoliberal contra a presidenta Dilma Rousseff. Confirmou que o governo de Temer se limita a cortar programas sociais e já começou a entregar as riquezas do país para as transnacionais, aplicando a velha receita neoliberal.
Estão participando do encontro representantes de partidos de esquerda da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Cuba: mais uma vez, um exemplo para o mundo. Na quarta-feira (24), em Havana, foi finalmente assinado o histórico documento de paz entre o Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP).
Todo o processo de negociação e busca pela paz foi proposto, coordenado e arbitrado por representantes do governo cubano e o Acordo Final assinado demonstra todo o envolvimento dos negociadores, tendo origem em um Encontro Inicial realizado em Havana, entre os dias 23 de fevereiro e 26 de agosto de 2012, quando foram alinhavados os pontos a serem debatidos.
O “Acordo Geral para o Término do Conflito e a Construção de uma Paz Duradoura” foi assinado por representantes do governo da Colômbia e das FARC-EP, com a presença de delegados da República de Cuba e do Reino da Noruega.
Diz o documento, em sua Introdução: “Depois de um enfrentamento de mais de meio século de duração, o Governo Nacional e as FARC-EP chegamos a um acordo para pôr fim de maneira definitiva ao conflito armado interno. (...) O término dos enfrentamentos armados significará, em primeiro lugar, o fim de um enorme sofrimento já causado pelo conflito. (...) Não queremos mais uma única vítima na Colômbia. (...) Em segundo lugar, o fim do conflito representa a abertura de um novo capítulo de nossa história”.
Importante detalhe do Acordo agora assinado é que as FARC-EP terão assegurados cinco cadeiras na Câmara de Representantes e outras cinco no Senado nas primeiras eleições de que participarem, a partir de 2018. Mas, desde já, terão direito a indicar porta-vozes no parlamento, com direito a voz, mas sem direito a voto, para conduzir a implementação do Acordo.
Israel é contra acabar com o Estado Islâmico. Eliminar o grupo terrorista Estado Islâmico (Daexh, em árabe) é um “erro estratégico, pois deve ser utilizado como uma ferramenta a nosso favor, diz um conhecido pensador israelense.
“Permitir que os maus se matem entre si pode parecer um pensamento cínico, porém é útil para nós e, inclusive, é moralmente correto fazer isso. Que se matem os maus”, escreve Efraim Inbar, diretor do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat no jornal The Times of Israel.
Não dá para esquecer que, desde 201, quando começou a agressão contra a Síria, o governo de Tel Aviv vem proporcionando serviços médicos aos terroristas do EI. E o jornal estadunidense Veterans Today assinala que o líder do Daesh, Ibrahim al-Samarrai, aliás Abu Bakr al-Baghdadi, é um judeu que recebeu treinamento militar dos serviços secretos de Israel.
Globalização passa por dificuldades? Pelo menos é o que dizem analistas chineses ouvidos pela agência Xinhua, citando razões periódicas e estruturais. “A taxa de globalização desacelerou, pois a vantagem produtiva enorme da divisão internacional do trabalho trazida pela última onda de revolução tecnológica foi quase uma força exausta”, disse Pei Changhong, chefe do Instituto da Economia da Academia Chinesa de Ciências Sociais.
O crescimento do comércio internacional permaneceu menos de 3% por quatro anos consecutivos, o investimento direto interfronteiriço falhou ao se recuperar para o nível de antes da crise financeira internacional, e as vantagens do desenvolvimento tecnológico mundial estão enfraquecendo, disse ele.
Embora tenha sido uma força essencial para o crescimento econômico nas últimas décadas, a globalização sofre com falta de inclusão, que resultou em distribuição desigual de recursos nos últimos anos.
Concordando com Pei, Zhao Jinping, do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento do Conselho de Estado, disse que a globalização está mudando em forma e significado, mas permanece em desenvolvimento e está sendo dirigida por novas forças como a Parceria Transpacífica, uma grande proposta comercial que vem sendo agora imposta pelos EUA.
A morte do neoliberalismo? Em seu mais recente livro, “O euro. Como uma moeda comum ameaça o futuro da Europa”, Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de economia, diz que as principais deficiências do euro e da economia europeia geram uma grande quantidade de problemas em todo o continente e ameaçam provocar um colapso econômico global.
O neoliberalismo é um sistema baseado em ideias de livre comércio, de mercados abertos, de privatização, de desregulação e cortes nos gastos públicos, tudo dirigido para melhorar o funcionamento do setor privado e estimular o crescimento econômico. Mas Stiglitz, agora um dos maiores críticos do neoliberalismo, defende que “a euforia neoliberal” que se espalhou pelo mundo a partir dos anos 80 do século passado deixou de existir há algum tempo.
“Parece-me que a comunidade científica passa a rechaçar as ideias neoliberais. Os jovens não estão interessados em estabelecer um sistema neoliberal, eles tentam compreender o erro principal do sistema de mercado e já se dão conta de que esse sistema está condenado ao fracasso”.
Nota: estamos publicando as duas matérias acima para conhecimento dos companheiros, mas não significa que nosso Informativo concorde com os dois raciocínios.
Quem são os “senhores da guerra”? Um estudo preparado pela ONG “Ação Contra a Violência Armada”, com sede em Londres, informa que nos 14 anos que se seguiram aos acontecimentos do 11 de setembro, o Departamento de Defesa dos EUA emitiu contratos que superam 40 bilhões de dólares somente em armas de mão, acessórios e munições! O relatório diz que, entre 2001 e 2015, foram enviadas para o Iraque e para o Afeganistão entre 700.000 e 1,4 milhão de armas de mão!
Em termos financeiros, o relatório mostra quem são os “senhores da guerra”: a Alliant Techsystems, sozinha, ficou com a metade do dinheiro, ou 21.977.118.613 dólares. A seguir estão: DRS Technologies (US$3.251.224.478), BAE Systems Inc. (US$2.761.670.581), Knight's Armament (US$1.782.974.456) e General Dynamics (US$1.626.048.701).
E ainda tem gente acreditando que tudo é “em nome da paz e contra o terrorismo internacional”!
Professores armados em sala de aula. A partir do ano escolar que, nos EUA, tem início em setembro de 2016, em várias escolas secundárias do estado da Califórnia, os professores e outros funcionários poderão portar pistolas em salas de aulas.

De acordo com o novo decreto, escolas secundárias de três distritos da Califórnia terão até cinco empregados armados. Os professores terão direto a usar suas armas antes que a polícia chegue ao local de um tiroteio. “Queremos proteger nossos estudantes, funcionários e nossa comunidade escolar”, disse Randy Morris, superintendente de uma das escolas incluídas no plano.

Destacado do Informe Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares

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Os verdadeiros motivos para o golpe.
Aos poucos vamos tomando conhecimento dos verdadeiros motivos do golpe contra o Governo do PT e da presidenta Dilma Rousseff. Como já defendemos, no Informativo, há uma grande vontade de entregar o Brasil ao grande capital internacional e romper com um processo de crescimento do país que teve início em 2003 e que o transformou em uma referência mundial.
Para se ter uma ideia do roubo que está sendo montado pelo governo golpista, vamos citar mais dois golpes já em andamento: a privatização do setor elétrico nacional e também do Aquífero Guarani.
Para quem não sabe, porque nossos jornais estão escondendo, já está em debate no Senado Federal uma Medida Provisória (735/2016), com uma estranha justificativa de que “desenvolvimento do setor elétrico deve ser feito levando em conta a qualidade do atendimento à população e a preservação do patrimônio público”.
Porém, na verdade, a tal MP muda a Lei 12.783/2013 e autoriza a União a transferir uma empresa de energia elétrica sob seu controle direto ou indireto (que pode ser geradora, transmissora ou distribuidora de energia) ao consórcio privado vencedor da licitação pelo prazo de 30 anos. Ou seja, a licitação do serviço está associada à transferência da empresa que já explora os ativos.
Com isso, as grandes geradoras nacionais (Furnas, Chesf, Eletronorte, etc.) podem passar para o controle de empresas privadas com uma simples “penada” dos golpistas que estão no poder.
Mas isto ainda é pouco, diante do que já está sendo preparado. Pelo que agora sabemos, o novo alvo é um dos setores mais estratégicos para o desenvolvimento do país e uma das maiores riquezas da humanidade: estamos falando da água, esse bem tão precioso e tão em falta no planeta.
Pelo que sabemos, por denúncia anônima feita ao jornal Correio do Brasil, o Aquífero Guarani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², deverá constar na lista de bens públicos privatizáveis, à exemplo das reservas de petróleo no pré-sal e da estatal federal de energia, Eletrobras.
Está prevista para o dia 12 de setembro a primeira reunião de um “conselho” que está sendo criado por Michel Temer com o pomposo nome de “Programa de Parceria e Investimentos (PPI)” onde serão definidas as primeiras concessões e privatizações do governo, disse a fonte. As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, estão bem adiantadas.
Como já citamos em matéria aqui do Informativo, o Guarani é o segundo maior aquífero do planeta (perde apenas para o Alter do Chão, na Amazônia Legal) e se estende entre Brasil (Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), Paraguai, Uruguai e Argentina.
Não custa lembrar que Argentina e Paraguai já sofreram seus golpes neoliberais, e que o Brasil está em pleno processo golpista, restando apenas o Uruguai para votar a favor da privatização do aquífero.
Só para constar, o empresário austríaco Peter Brabeck-Letmathe, principal financiador de campanha dos partidos de extrema direita naquele país e de golpes no mundo inteiro, preside o grupo Nestle desde 2005 e nunca escondeu seu objetivo de tornar o fornecimento da água passível de exploração ainda mais acentuada pelas companhias do setor alimentício. O comércio de água representa 8% do capital do conglomerado que, em 2015, totalizou aproximadamente US$ 100 bilhões.
E tem mais maldade a caminho. Projeto em discussão no Senado Federal prevê terceirização para todos os setores da Administração Pública Direta. Trata-se do PLS 559/13, de autoria da Comissão Temporária de Modernização da Lei de Licitações e Contratos, que visa instituir um novo marco legal para licitações e contratos da Administração Pública, revogando as atuais leis sobre o assunto — Lei 8.666/93, artigos do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), pregão eletrônico, etc.
Aparentemente, o Projeto não tem relação com o programa de terceirizações, mas há um “golpe” escondido no texto que estabelece uma previsão legal de hipóteses de terceirização pela Administração Pública, adotando, para esse fim, conceitos indeterminados, como atividades ‘complementares’ ou ‘acessórias’.

É o que está no Artigo 42 e diz que “Poderão ser objeto de execução por terceiros as atividades materiais acessórias, instrumentais ou complementares aos assuntos que constituem área de competência legal do órgão ou entidade, sendo vedado na contratação do serviço terceirizado”.

OS SUJOS E OS MAL-LAVADOS

Os sujos e os mal-lavados
Roberto Amaral
Senadores nesta quinta-feira 25: eles vão dar vazão ao que os rentistas desejam
Festa acabada, músicos a pé, diz conhecido provérbio português. Vencida a quinzena olímpica e amortecido por horas o complexo de vira-lata, o país, mal refeito da ressaca cívica, se reencontra com seu drama cotidiano: a degradação da política, magnificando todos os nossos problemas, expondo nossas misérias sob lente de aumento.
E não sem razão – mais uma ironia da história? – seu epicentro se encontra em Brasília e se instala no Senado Federal onde ínclitos pais-da-pátria como Cristovam Buarque e Romero Jucá (antigos colegas de Luiz Estevão, Demóstenes Torres e Delcídio do Amaral) se aprestam a consagrar o defenestramento da presidente Dilma Rousseff, que, dentre muitas incompatibilidades com o trato parlamentar, tem a de ser, ou haver sido, pouco indulgente com as vaidades e os pleitos grandes e pequenos e quase sempre pouco republicanos de nossos Brutus.
A Câmara Alta está atenta ao clamor dos interesses dos rentistas da Avenida Paulista e suas adjacências; assim, dos capitães do agronegócio voltados para a renovação anual das anistias de débitos com os bancos oficiais. Seus nervos sensíveis captam as apreensões das multinacionais ante o risco de o Brasil persistir em ter para si e seu povo os recursos do pré-sal. Suas antenas auscultam os sempre atendidos interesses do atraso tão bem representados pela conjunção formada pelas bancadas da bala, do boi, da bíblia (leia-se neopentecostais) e dos bancos, afinal vencedores e governantes, após haverem sido rejeitados, quatro vezes, pela manifestação eleitoral, a única legítima nas democracias.
Mas essa tragédia é, tão-só, uma das muitas manifestações da degradação geral que invade, como erva daninha, como cupim que lavra madeira de má qualidade, as instituições que sustentam nossa República sereníssima e nossa jovem e injusta democracia. Não se trata, pois, de simples acaso o encontro da decomposição ética, política e representativa do Poder Legislativo (de que é simbólico o fato de o presidente da Câmara Federal haver sido, até bem pouco tempo, o ainda deputado Eduardo Cunha), com a degradação do Poder Executivo, chefiado por um politico sem voto e sem honra de que se despedem todos os perjuros.
Grita em manchete de primeira página a Folha de S. Paulo do dia 25 deste agosto, data de instalação do justiçamento da presidente Dilma: “Temer diz ter votos para o impeachment” e o novo presidente da Câmara dos Deputados, áulico do titular afastado por corrupção, anuncia o adiamento do julgamento do correntista suíço, que assim vai fugindo do processo que visa à cassação de seu mandato.
Os poderes degradados se abraçam ao Poder Judiciário, de cuja decadência (que a todos deve assustar) fala alto a lamentável circunstância de seu mais notório e destacado membro (ministro do STF e presidente do TSE) ser useiro e vezeiro em agredir o Código de Ética da Magistratura, pertinaz na antecipação de julgamento de processos, notório serviçal de uma sigla partidária, empresário conhecido do ensino privado-comercial. É o mesmo Mendes que reteve por quase dois anos decisão do STF sobre a proibição do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, que defende com unhas e dentes. É o mesmo que condena a chamada ‘lei da ficha limpa’ que o Tribunal que em má hora preside terá de fazer respeitada.
Trata-se, o Judiciário, de poder que não julga, que abriu mão da isenção e da imparcialidade, amante dos altos salários, dos convescotes e das vilegiaturas. Esse poder Judiciário, desde os Moros ao ministro Mendes, está assumidamente a serviço da sociedade de classe e nela é instrumento de uma fração da classe dominante, esta que, à margem da soberania popular, está prestes a consolidar-se como senhora da República.
Entre os poderes, como se fosse um deles, planeta solitário em seu próprio e imaginário sistema, circunavega o Ministério Público, esse exótico ‘quarto poder’ (como a mídia monopolizada), reinante numa ordem constitucional que só conhece três.
Talvez seja este o momento mais crucial dessa crise que vem de longe, pois não há esperança de boa saúde para uma sociedade sem Poder Judiciário confiável.
Este último traço salta à vista na série de irregularidades que vieram à tona com o vazamento, para a mídia de sempre, para a revisa de sempre, de uma pré-delação premiada ditada para membros do MPF, em termos e sob condições desconhecidas, por um empreiteiro interessado em trocar anos de prisão por denúncias contra quem quer que seja. Desse vazamento resultou a resposta encrespada do líder do STF e, no mesmo e lamentável tom, a resposta do chefe do MPF, falando para seu público interno, e tomando suas dores.
Por que a gritaria de hoje?
Desses vazamentos, dos vazamentos passados, são, reconhecidamente, responsáveis ora membros inominados do MPF, ora agentes da Polícia Federal, ora mesmo juízes de direito, como o notório Sérgio Moro, este agindo principalmente no episódio do grampo criminoso que registrou diálogos entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula e, ainda criminosamente vazados, repito, pelo juiz Sérgio Moro.
É justificada a estranheza diante da inesperada sensibilidade de ministro e procuradores. Ora, desde seu primeiro dia, a Operação Lava-Jato é cediça no vazamento selecionado de delações, que violenta direitos. Até aqui sob os aplausos da mídia, o silêncio do Conselho Nacional de Justiça (e por silente, cúmplice), a omissão do Conselho Nacional do Ministério Público. Não há registro de qualquer iniciativa, seja do STF, seja do MPF para apurar essas irregularidades que alimentam os escândalos e movem a Lava-Jato e seus justiceiros que tudo se permitem porque se dizem e se julgam portadores de uma missão divina: salvar o país da corrupção.
Essa é, porém, história passada. Pois, não mais que de repente, o STF se viu cobrado em seus brios e o procurador Rodrigo Janot partiu em defesa de seus colegas de corporativismo. Foram todos para a mídia (em busca de seus minutos, horas, dias de vedetes), a grande imprensa que deles se alimenta cevando as vaidades de quem deveria preservar a imagem das instituições que simbolizam, e – praz aos céus! –, trocaram mútuas e graves acusações. Acusações com as quais, lamentavelmente, somos levados a concordar.
Qual fato novo a justificar a algaravia dos príncipes? O vazamento atinge um membro da Suprema Corte e, pior!, trata-se, a vítima, de querido pupilo do ministro Mendes! O ministro-protetor, assim testado em seus brios, deu vaza à sua reconhecida incontinência verbal, e os jornalões escancararam as portas já abertas de suas páginas explorando o escândalo: o líder da direita no STF dirigiu suas baterias contra o MPF e os procuradores, contra a Lava-Jato, contra a ‘lei da ficha limpa’, contra a delação premiada e, evidentemente, contra os vazamentos.
Há informações de acusados sendo orientados a dirigir o depoimento contra notórios desafetos do situacionismo de hoje como condição, para celebração de acordos, e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (FSP. 24.08.16) refere-se a indicações de que investigadores não raro pedem para que sejam mencionadas pessoas do Poder Judiciário em depoimentos.
O que se discute à margem da reação naturalmente destemperada do ministro Mendes é a indignação seletiva. Como pôr na mesma balança o silêncio conivente de ontem com a reação emocional de hoje? Por que o silêncio conivente quando as vitimas são o ex-presidente Lula e seus correligionários ou pessoas próximas? Por que o silêncio diante dos vazamentos anteriores, por definição ilegais e moralmente covardes? Por que, por exemplo, o silêncio diante dos vazamentos das delações de Sérgio Machado e do ex-senador Delcídio do Amaral? Por que o aplauso ao juiz Moro quando do vazamento do grampo criminoso que atingia a presidente Dilma e o ex-presidente Lula?
O procurador Janot, pego de calça-curta no episódio, atribui o vazamento ao próprio depoente, o que é inverossímil, pois o vazamento pode interessar a muitos, mas inequivocamente não interessa ao delator, e, agora, intempestivo, resolve, suspender a delação do empresário. Na verdade, esse Léo Pinheiro, o dono da famosa empreiteira OAS, foi defenestrado, porque não disse o que os procuradores queriam ouvir. E, silenciado, não poderá falar sobre aqueles que os procuradores não querem que fale.
Por que, para pelo menos limpar a imagem de parcialidade, não apurar todas as delações até aqui?


Fonte: Blog do Roberto Amaral, 26/08/2016

.Para especialistas, impasse sobre Presidência não paralisa Mercosul, mas prejudica integração regional


Para especialistas, impasse sobre Presidência não paralisa Mercosul, mas prejudica integração regional


Prejuízo maior é político, acreditam; Brasil, Argentina e Paraguai seguem impedindo que Venezuela assuma Presidência rotativa, enquanto Uruguai defende liderança de Caracas
Atualizada às 18:05
O Mercosul atravessa, nos últimos meses, um impasse em relação a sua Presidência pró-tempore. Segundo as normas do bloco, a Presidência rotativa, que foi ocupada pelo Uruguai entre janeiro e julho, corresponde à Venezuela no período de agosto a dezembro de 2016. Entretanto, o governo interino do Brasil e os governos de Argentina e Paraguai se opõem à liderança venezuelana e têm tentado impedir que o país assuma a Presidência do Mercosul.
Representantes dos Estados-membros do bloco já se reuniram algumas vezes nos últimos meses para tentar solucionar a questão, mas, até agora, nada foi resolvido. Caso esse impasse se mantenha por mais tempo, o que pode acontecer com o Mercosul?
Tendo em vista que o presidente do Mercosul é quem detém o poder de decisão — desde convocar reuniões entre os membros até negociar acordos — , existe a possibilidade de o bloco ficar "travado" no período em que a Presidência temporária permanecer vaga. Tal "vácuo de poder" poderia prejudicar os países-membros do Mercosul, já que o bloco visa promover o crescimento político e econômico da região. 
Leia também: Invocação de cláusula democrática do Mercosul depende de disputas políticas na região, diz especialista

Para especialistas ouvidos por Opera Mundi, contudo, mesmo que o cenário se mantenha inalterado, sem uma resolução sobre a Presidência pró-tempore do bloco, uma paralisia total do Mercosul é improvável.
“Do ponto de vista formal, o Mercosul acontece mesmo com reuniões semestrais. O problema de uma possível paralisia é que iria retroceder conquistas sociopolíticas do bloco e enfraquecer a integração latino-americana, mas não seria claramente um prejuízo político ou econômico [para os países-membros]”, afirma Tatiana Berringer, professora de Relações Internacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC).
Nildo Ouriques, professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e presidente do IELA (Instituto de Estudos Latino-Americanos), defende o direito da Venezuela à Presidência do Mercosul, mas acredita que o impasse na liderança não deve prejudicar o andamento das negociações do bloco. "Este escândalo que está acontecendo não vai paralisar porque o ritmo dos negócios não paralisa", acredita o professor.
Hamner_Fotos/FlickrCC

Especialistas acreditam que, mesmo com impasse, paralisação total do Mercosul é improvável
Já Clarissa Ribeiro, mestre em Relações Internacionais com destaque para instituições regionais da América do Sul e doutoranda em regionalismo comparado pelo programa San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP), acredita na possibilidade de estagnação do bloco. "Pode existir um risco de paralisia caso Brasil, Argentina e Paraguai insistam em não deixar a Venezuela assumir, mas acho difícil dizer porque ainda não se sabe quais órgãos seriam afetados pela permanência desse impasse", diz Ribeiro.
Ela cita a suspensão do Paraguai em 2012, após a destituição do então presidente Fernando Lugo, considerada pelos Estados-membros como uma ruptura da ordem democrática no país, como um momento similarmente extraordinário no bloco que afetou somente um aspecto da relação entre a nação e o Mercosul. "Quando o Paraguai foi suspenso, foi só do ponto de vista político, não econômico. O país manteve relações comerciais com o Brasil", afirma a especialista.
Contudo, tanto Ouriques quanto Berringer acreditam ser possível que Brasil, Argentina e Paraguai — chamados de “tríplice aliança” pela Venezuela — insistam em não permitir que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assuma a liderança do bloco. José Serra, chanceler brasileiro, que tem reiterado nas últimas semanas que “a Venezuela não vai assumir o Mercosul”, como afirmou na última quarta-feira (17/08), tem tido uma atuação "desastrada" e "imprudente" em relação ao impasse no bloco, classifica o professor da UFSC.

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“A atuação de Serra diante do impasse é desastrada e imprudente. Ele está demonstrando despreparo para toda e qualquer ação, mas ele tem recursos para bancar sua posição e não deixar a Venezuela assumir. O governo [do vice-presidente no exercício da Presidência do Brasil, Michel] Temer é um governo que veio para fazer todas e cada uma das reformas impopulares, mas o Serra está indo muito além disso. Ele quer fazer do Mercosul um enfrentamento ideológico com a Venezuela”, acredita Ouriques.
“Ele pode continuar criticando o sistema político venezuelano, mas não pode desconhecer os protocolos que regem a Presidência rotativa do Mercosul, que, nesse momento, cabe à Venezuela. Então não sei se ele vai bancar [sua posição] no final”, pondera.
Para Berringer, Paraguai, Argentina e Brasil veem a Venezuela como um “empecilho” por sua atitude de “enfrentamento às grandes potências” e a oposição à liderança venezuelana é, na realidade, uma tentativa de tirar o país do Mercosul e "dar um golpe" no bloco. “Não há nenhum argumento para dizer que a Venezuela não é democrática e não pode assumir a Presidência rotativa”, diz a professora da UFABC.
"Desde quando houve a proposta no Mercosul sobre a entrada da Venezuela, já houve muita oposição político-partidária no Brasil. Muito se fala do Paraguai [que se opunha à adesão do país, então comandado por Hugo Chávez, ao bloco], mas também foram três anos de debate no Congresso brasileiro. Houve sempre uma resistência clara da própria burguesia brasileira. Então a questão com a Venezuela não é uma questão democrática, é uma questão de enfrentamento às grandes potências. O discurso anti-imperialista de Maduro e Chávez é o que incomoda a burguesia brasileira e o ministro golpista interino Serra”, acredita Berringer.
Os três especialistas ouvidos por Opera Mundi elogiaram a postura do Uruguai, que defende o direito de a Venezuela assumir o cargo. “Politicamente, o Uruguai tem ocupado um espaço muito importante, se sobresaído como defensor da democracia e da integração latino-americana. O Uruguai não só vai bancar sua posição como vai comprar a briga, e vai sair ganhando em ter tido a ousadia de não sucumbir ao peso dos outros membros”, afirma Beringer.

Divulgação/Chancelaria do Uruguai

O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, vem defendendo o direito de a Venezuela assumir o cargo
Para a professora da UFABC, caso a Venezuela seja de fato impedida de assumir a Presidência pró-tempore do Mercosul, o país seria prejudicado mais no aspecto político do que econômico. “É um enfraquecimento do [presidente venezuelano, Nicolás] Maduro”, acredita.
Já Ouriques não vê consequências negativas caso isso aconteça. “Não assumir não terá nenhuma consquência para a Venezuela, porque a Presidência temporária do Mercosul não tem nenhuma capacidade executiva, não tem efeito prático. É um cargo puramente político”, afirma.
Ribeiro diz ser possível que Brasil, Paraguai e Argentina estabeleçam alguma sanção contra a Venezuela ou até a rebaixem a membro associado do bloco, mas acredita que "nenhum membro iria querer comprometer a relação comercial com a Venezuela", visto que a nação detém 92,7% das reservas de petróleo do bloco e fornece-o para os países-membros que, por sua vez, exportam seus próprios produtos.
Presidência colegiada
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai se reuniram nesta terça-feira (23/08) em Montevidéu para tentar, mais uma vez, resolver o impasse em relação à Presidência pró-tempore do Mercosul. Um dos tópicos que seriam discutidos na reunião de hoje é a possibilidade de uma Presidência colegiada, ocupada por um conselho de embaixadores. A proposta foi sugerida pela chanceler argentina, Susana Malcorra, e é corroborada pelo chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, e por José Serra. A medida, porém, já foi descartada pelo chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, que disse não estar prevista no regulamento no Mercosul uma Presidência coletiva.
Para Berringer, a proposta bancada por Buenos Aires, Brasília e Assunção indica uma "típica postura golpista". "Quando não queriam que o Jango [João Goulart] assumisse no Brasil [em 1961], sugeriram o Parlamentarismo. [O cargo coletivo] não está nas regras do Mercosul, eles querem rasgar toda a história do bloco, todos os acordos, só para a Venezuela não assumir”, diz a professora da UFABC.
"Essa proposta é uma violência", diz Ouriques. "Os dois protocolos do Mercosul (Ouro Preto e Ushuaia) preveem a Presidência rotativa em ordem alfabética. Qualquer improviso para dar um sentido a essa proposta, eu diria, é uma vergonha. Não podem dizer que a Venezuela não cumpriu as regras democráticas. O Serra não tem a menor autoridade para dizer isso. A Venezuela é mais democrática que nós [Brasil]”, afirma o professor da UFSC.

Entenda o impasse
Brasil, Paraguai e Argentina vinham sinalizando há meses sua oposição à Presidência venezuelana no Mercosul, prevista para quando o Uruguai finalizasse seu mandato, no fim de julho, alegando que a nação passa por problemas econômicos e políticos, não cumprindo com os requisitos para liderar.
Quando Montevidéu entregou o cargo à frente do Mercosul, em 29 de julho, Caracas reivindicou a Presidência do bloco, informando as chancelarias dos outros membros por carta e realizando sua cerimônia de posse no dia 5 de agosto.
Os três países rejeitaram a liderança venezuelana e sugeriram uma Presidência coletiva comandado por um conselho de embaixadores. Além disso, o Paraguai pediu uma “revisão jurídica” do protocolo de adesão de Caracas, após afirmar que houve “descumprimento das obrigações contidas nos referidos instrumentos”.
Em resposta, o Uruguai, que defende o direito de a Venezuela assumir, afirmou que “não está prevista em nenhum lugar uma Presidência coletiva”, mas reconheceu que o país não cumpriu “compromissos” do Protocolo de Adesão ao Mercosul.
A acusação, contudo, foi rechaçada por Caracas, que classificou o pedido como uma “manobra falsária e antijurídica” por parte do Paraguai, aliado ao Brasil e à Argentina.

Por que apoiar a imprensa independente? Conheça projetos que merecem sua colaboração


Por que apoiar a imprensa independente? Conheça projetos que merecem sua colaboração


O florescimento da mídia alternativa no Brasil foi muito importante para construir uma nova narrativa; é preciso garantir a continuidade desses projetos para os tempos que virão
A consolidação da imprensa independente no Brasil durou mais de uma década. Hoje, temos projetos de jornalismo internacional, jornalismo investigativo, jornalismo ativista, jornalismo regional e uma vasta blogosfera que tem pautado temas como política nacional, movimentos culturais da periferia, cultura regional, luta de movimentos sociais, como os movimentos negros e feministas.
Todo esse florescimento, no entanto, corre o risco de retroceder. O setor de publicidade privada continua a ser bastante avesso a diversificar seus investimentos e a direcionar uma parte deles para a audiência desses projetos. Além disso, como é sabido, o governo federal bloqueou a publicidade nos sites independentes e suspendeu diversos editais para a mídia livre.
No atual momento político do país, no entanto, é preciso garantir um grande espectro de vozes no debate. Impeachment, eleições, votação de projetos polêmicos pelo Congresso, continuidade e rumos do Mercosul. Esses são alguns dos temas que, pautados pela imprensa independente, têm mudado o rumo da narrativa hegemônica dos grandes veículos de comunicação.
Para que essa continue sendo uma realidade, diversos projetos estão com campanhas de assinaturas ou “vaquinhas virtuais”, o chamado crowdfunding. A seguir, listamos alguns dos projetos mais interessantes, sem a intenção de sermos excludentes, e dizemos por que é importante apoiá-los:
Opera Mundi
Trata-se de um projeto único na imprensa brasileira, de acompanhamento da mídia e acontecimentos internacionais sob uma perspectiva latino-americana e brasileira.
 
Link para a campanhawww.operamundi.uol.com.br/apoio

 


Outras Palavras:
Porque é seguramente um dos melhores sites de análise da conjuntura brasileira e mundial. Fez uma extensa cobertura sobre os acontecimentos de 2013 e, desde então, uma série de previsões que se confirmaram, infelizmente.

 

Revista Caros Amigos
A revista “Caros Amigos”, criada em 1997, é o mais longevo projeto de mídia independente construído no Brasil após a redemocratização.
 
 

 


Carta Maior
O site, focado essencialmente em análises políticas, tem ajudado a contruir, desde 2001, uma narrativa antineoliberal no país.
 
 

 

 
Barão de Itararé
O Centro de Estudos da Mídia Independente Barão de Itararé é um dos principais responsáveis pela consolidação da blogosfera progressista no país, com formulações e eventos de formação de blogueiros.
 
Link para a campanha: http://www.baraodeitarare.org.br/

 

 
 
 
Revista Fórum
Nascida no Fórum Social Mundial, em 2001, a revista traz uma das mais interessantes coberturas sobre as cidades brasileiras.
 
 
 

 

Diálogos do Sul
Fundada em 2011, a revista se reivindica como herdeira da revista internacionalista “Cadernos do Terceiro Mundo” que circulou no Brasil e nos países em desenvolvimento entre os anos 1974 e 2005. É publicada em português e espanhol.
 
 
 
Observatório da Imprensa
O Observatório da Imprensa é, há anos, um dos espaços mais importantes que questionamento dos monopólios midiáticos do país e de suas práticas.
 

 

 
Socialista Morena
Cynara Menezes é uma jornalista com longa trajetória e que não se acomodou no conforto da grande mídia, preferindo o combate e a vida independente.
 
 

 


Nocaute • O Blog do Fernando Morais
Nocaute é o blog do Fernando Morais, um dos mais respeitados jornalistas e militantes brasileiros. O blog propõe a elaboração de uma série de reportagens especiais com o dinheiro arrecadado. 
No momento, o blog não está com campanha aberta, mas é bom ficar de olho quando abrir novamente:
 
Link para a campanha: http://www.nocaute.blog.br
 
 
 
 
 

Após acordo com governo da Colômbia, líder das FARC declara cessar-fogo definitivo

Brasileiros protestam em Nova York contra Temer e mostram apoio a Dilma Rousseff

Processo de impeachment de Dilma Rousseff é 'golpe' ou 'farsa', diz jornal Le Monde