domingo, 30 de outubro de 2016

PT-RS lança manifesto pedindo congresso para mudar direção e política do partido

28/10/2016 12:33 - Copyleft

PT-RS lança manifesto pedindo congresso para mudar direção e política do partido

Olívio Dutra afirmou que o partido não fez o debate cultural e político mais profundo que deveria ter feito e caiu no pragmatismo eleitoral.


Marco Weissheimer - SUL 21
Guilherme Santos / Sul21
“O teto da casa caiu, mas não o seu alicerce e seus fundamentos”. Com essa frase, o ex-governador Olívio Dutra resumiu o espírito do manifesto lançado nesta quinta-feira (27) pelo PT do Rio Grande do Sul defendendo a convocação imediata de um congresso nacional plenipotenciário do partido para construir uma nova política e uma nova direção. O lançamento do manifesto, realizado na Sala Adão Pretto, da Assembleia Legislativa, contou com a presença das principais lideranças do partido no Estado, deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores e militantes. Entre outros nomes históricos do partido, participaram do ato Olívio Dutra, Tarso Genro, Miguel Rossetto, Raul Pont e Flávio Koutzii.
 
O documento intitulado “Congresso Partidário Já”, aprovado pelo Diretório Estadual do PT no dia 13 de outubro, faz uma análise do resultado das eleições municipais, da crise política que atingiu o partido e do golpe contra o governo de Dilma Rousseff. Além disso, aponta desafios que o partido precisa enfrentar no curto prazo para se renovar política e programaticamente. O manifesto será lançado também como abaixo-assinado e vai recolher assinaturas, na base do partido em todo Estado, e será encaminhado para a direção nacional para sua homologação.
 
“O PT saiu profundamente ferido desse processo eleitoral, mas talvez essa seja uma oportunidade para fazer as mudanças que precisamos fazer. Estamos vivendo um dos momentos mais decisivos da nossa trajetória como partido”, disse Raul Pont. Na mesma linha, Tarso Genro destacou que um partido não vive só e vitórias e conquistas, mas também de suas crises e da capacidade de superá-las. “Somos um partido em crise porque reduzimos nosso eleitorado, porque perdemos referenciais éticos e políticos e também porque perdemos centralidade programática. Precisamos de um congresso profundo que não rejeite enfrentar nenhum tema. Autocrítica não é autoflagelação nem transformar o partido em delegacia de polícia, mas sim verificar que condições trouxeram o partido para o ponto em que está”, afirmou o ex-governador gaúcho.
 
Também ex-governador, Olívio Dutra destacou que o PT não nasceu de cima para baixo, nem por geração espontânea nem por acaso. “O PT nasceu de um processo de lutas do povo brasileiro no final da década de 1970 que não tinha por objetivo apenas enfrentar a ditadura, mas também as políticas da elite brasileira. Uma ferramenta política com essa história não se esgota assim. O teto da casa caiu, mas não o seu alicerce e os seus fundamentos”, disse Olívio que defendeu a convocação de um congresso plenipotenciário capaz de fazer profundas transformações no partido. “O congresso não pode ser para depois de amanhã, amanhã já é tarde, temos que fazer já esse debate. Não fizemos o debate cultural e político mais profundo que deveríamos ter feito e caímos no pragmatismo eleitoral”, acrescentou.





 
Ao fazer a apresentação do manifesto, o deputado estadual Adão Villaverde afirmou que a combinação do golpe contra o governo Dilma com a derrota nas eleições municipais representaram quase uma derrota desorganizadora do partido. Villaverde destacou, por outro lado, a capacidade de resistência que está emergindo no partido e na esquerda de modo geral para enfrentar os desafios do presente. Além disso, destacou o valor da unidade construída no PT gaúcho em torno do conteúdo do manifesto. “Não foi pouca coisa que fizemos para chegar a esse documento. Foram muitas horas de debate para construir essa síntese e essa unidade. Agora é hora de resistência, de diálogo e de unidade”, assinalou Villaverde.
 
Na mesma linha, o presidente estadual do PT-RS, Ary Vanazzi, defendeu a importância do debate travado dentro do partido no Estado para a construção do manifesto. “A decisão que tomamos no Diretório Estadual já está fomentando um debate nacional. O PT gaúcho tem um grande papel a cumprir neste debate. Estamos completando 90 dias de um golpe político, período no qual estão claras as políticas entreguistas e de desmonte dos serviços públicos defendidas pelo governo golpista. Nós vamos andar pelo Rio Grande com esse manifesto. Queremos buscar não só assinaturas, mas promover um debate profundo sobre o momento político que estamos vivendo”, disse Vanazzi.
 
Confira abaixo a íntegra do manifesto “Congresso Partidário Já”:
 
“O Diretório Estadual do PT-RS, reunido com bancadas federal, estadual e lideranças, convoca a militância partidária que combateu nas ruas e nas urnas a aderir ao presente manifesto:
 
Estamos submetidos e no auge de uma poderosa operação de cerco e tentativa de aniquilamento do PT. Operação que impôs o impeachment, a maior derrota eleitoral de nossa história e – se não a detivermos – buscará prender Lula e destruir o Partido.
 
O objetivo da coalizão golpista é, através da destruição da esquerda, abrir caminho para aplicar um programa lesa-pátria contra os direitos sociais, humanos, econômicos e políticos da classe trabalhadora e do povo brasileiro. A PEC 241 e a mudança no modelo de exploração do Pré-Sal confirmam isto.
 
O golpe decorre, em alguma medida, de nossos erros e/ou do atraso em tomarmos determinadas decisões, da ausência de uma estratégia adequada ao período, de uma política de alianças superada, do que fizemos ou deixamos de fazer na política econômica e nas chamadas reformas estruturais, no atraso ou na ausência de reação à altura da ofensiva inimiga.
 
Neste contexto, o Partido precisa debater o que fazer e escolher uma nova direção. Precisamos realizar imediatamente um congresso partidário. Um congresso que tenha início nas bases, no encontro de nossa militância consigo mesma. Um congresso que discuta como recuperar o apoio do PT na classe trabalhadora brasileira, razão de nossa existência como organização e partido político.
 
É preciso debater como reatar os laços com a classe trabalhadora, através de respostas políticas e organizativas. Com conteúdo e com programa. Com ação prática reconectando o partido com a voz das ruas e dos movimentos sociais na luta por direitos duramente conquistados.
 
Não basta trocar os dirigentes, é preciso debater a linha política da direção. Por isto é um erro querer primeiro eleger a direção no PED e depois fazer o Congresso. Por isto é um equívoco trocar o debate pelo voto em urna.
 
A realização de mais um PED não é suficiente. Defendemos a renovação da direção em todos os níveis, a começar pela necessária renovação da direção nacional do PT. Mas quem deve decidir como renovar a direção é um Congresso plenipotenciário do Partido.
 
O Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, convoca seus filiados e filiadas a aderir à proposta, urgente e necessária, de realização imediata de um congresso plenipotenciário, isto é, com plenos poderes para atualizarmos e corrigirmos nossa estratégia, programa, tática, política de alianças, organização e métodos de funcionamento interno.
 
Conclamamos a sociedade e, sobretudo os trabalhadores, trabalhadoras e juventude para a defesa da soberania nacional, dos bens públicos, dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários ameaçados pela onda conservadora que impôs o golpe e a cassação da Presidenta Dilma, eleita com mais de 54 milhões de votos”.


Créditos da foto: Guilherme Santos / Sul21




A operação Lava-jato, segundo Moro

28/10/2016 12:12 - Copyleft

A operação Lava-jato, segundo Moro

Moro destaca como essencial para o sucesso da mani pulite as prisões 'pré-julgamento', ensejadoras da coação sem a qual as delações não seriam possíveis.


Roberto Amaral , em seu blog
reprodução
Os sucessos objetivos, mediáticos e ideológicos do que hoje se intitula ‘Operação Lava-jato’, com seus erros e acertos, é a reprodução, quase mutatis mutandi, da italiana mani pulite, que tem no juiz Sérgio Moro, no Brasil, seu principal cavaleiro e seu escrivão, seu principal teórico e seu principal executante, pois o que se vê, e o que ainda se verá, entre nós, já podia ser lido em seu artigo “Considerações sobre a ‘Operação Mani pulite’” (R. CEJ. Brasília.n.26. p. 56-62. Jul/set.2004). Destaco o ano de publicação (2004) e lembro que a operação brasileira foi desencadeada em 2014.

 

A operação italiana terminou numa farsa – a eleição de Berlusconi; a crise política brasileira rapidamente transita para uma crise institucional que pode cobrar alto preço à democracia representativa.

 

Vale a pena, pois, revisitar o texto de nosso super-herói.

 

Escrevendo dez anos antes dos feitos curitibanos, Sérgio Moro, já então praticamente descrevia o quadro brasileiro de nossos dias ao anunciar as condições necessárias para o sucesso da ‘Operação’, e a primeira delas é a crise política alimentada pela crise econômica, como a que viveu a Itália entre o fim dos anos 80 e os anos 90, e a que vivemos a partir de 2013. Essas duas contingências retroalimentam e, administradas, produzem a “deslegitimação do sistema político”, com seu inevitável rol de sequelas, como a queda do debate ideológico, como o colapso da vida partidária. Na Itália, essas disfunções é que teriam produzido o que o juiz chama de “círculo virtuoso”, com a crise política ensejando a “maior legitimação da magistratura”, que, no Brasil se alça, por intermédio do Poder Judiciário à inconstitucional condição de Poder Moderador pairando sobre os demais poderes, mesmo neles intervindo, exorbitando de suas atribuições e judicializando a política.

 

A ‘Operação’ é projeto político carente de articulação política que se dá mediante a aliança da magistratura (no caso brasileiro a articulação Judiciário-MPF-Polícia federal) com a mídia, que, por seu turno, manipula o apoio da sociedade, pois, a conquista da opinião pública é condição necessária para o bom êxito da ação policial-judicial. É ingênuo pensar – diz-nos o juiz curitibano — “que processos criminais contra poderosos possam ser conduzidos normalmente”.

 

Esse sistema de elos faz surgir, diz-nos, uma “nova magistratura” que vai colher sua legitimidade, não mais na Constituição, mas diretamente na opinião pública, que, entre nós, é apenas opinião publicada, manipulada por sistema de comunicação que no plano empresarial é oligopolista e no plano ideológico um monopólio reacionário. Essa nova fonte de legitimidade, alimentada fora do corpo legal, levada ao limite, legitimaria decisões fora da lei, por estar acima da fonte constitucional, o que justificaria, já falou entre nós um Tribunal regional federal, a legitimidade de decisões excepcionais em “tempos excepcionais”, excepcionalidade essa decidida, por óbvio, ao talante do julgador. Estamos em face de limites preciosos pois não muito distantes de um populismo judicial que, se não contido, tudo terá a lembrar-nos o Volksgerichtshof, o Tribunal Popular da Alemanha nazista.

 

A deslegitimação da política, ponha-se o que se quiser em seu lugar, é o caminho mais curto para a derrocada do edifício democrático que, entre nós, já dá sinais de abalo com o protagonismo político de ministros, isoladamente, e do próprio Judiciário, como coletivo, quase sempre implicando severos danos à independência e separação dos poderes, e, como sempre, agredindo a ordem constitucional.

 

Moro destaca como fator essencial para o sucesso da mani pulite as prisões ‘pré-julgamento’, ensejadoras da coação sem a qual a política de delações (ou confissões), decisiva, não seria possível. O investigado, preso, é levado a colaborar, informado, falsamente, pela imprensa – ator decisivo em todo o processo, na Itália como no Brasil –, de que teria sido delatado em confissão de um comparsa:

 

“A estratégia de investigação adotada desde o início do inquérito submetia os suspeitos à pressão de tomar decisão quanto a confessar, espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado e levantando a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período de custódia preventiva no caso de manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão (uma situação análoga do arquétipo do famoso ‘dilema do prisioneiro’). Além do mais, havia a disseminação de informações sobre uma corrente de confissões ocorrendo atrás das portas fechadas dos gabinetes dos magistrados. Para um prisioneiro, a confissão pode aparentar ser a decisão mais conveniente quando outros acusados em potencial já confessaram ou quando ele desconhece o que os outros fizeram e for do seu interesse precedê-los. Isolamento na prisão era necessário para prevenir que suspeitos soubessem da confissão de outros: dessa forma, acordos da espécie ‘eu não vou falar se você também não’ não eram mais uma possibilidade”.

 

Os frutos da mani pulite começam a surgir quando, em 1992, preso, Mário Chiesa, dirigente do PSI, iniciou sua série de confissões/delações, abrindo espaço para novas prisões e confissões, estimulado pelo anúncio de falsas delações. Justifica Moro: “Se as leis forem justas e democráticas não há como condenar moralmente a delação”, que se converte no cerne da operação: como os crimes contra a Administração Pública são cometidos às ocultas, “torna-se difícil desvelá-los sem a colaboração de um participante”.

 

Em diversos momentos, Moro defende a prisão como meio de instrução do inquérito, medida que se antecipa ao julgamento, pois, diz-nos, a delação premiada só é possível se o acusado se encontra sob coação:

 

“Por certo, a confissão ou delação premiada torna-se uma boa alternativa para o investigado apenas quando este se encontrar em uma situação difícil”.

 

Assim, a pena, a mais grave das penas, que é aquela restritiva da liberdade, deixa de ser a conclusão do inquérito e do devido processo, para tornar-se seu vestibular.

 

A crise italiana fez brotar uma nova magistratura composta de novos agentes chamados de giudici ragazzii (jovens juízes) cujo grande mérito, palavras de Moro, é não professarem “qualquer senso de deferência em relação ao poder político”.

 

O juiz nos fala do ‘largo uso da imprensa’ e da política de vazamento selecionado, aqui um maná nas mãos de jovens juízes e procuradores imaturos em busca de protagonismo e um minuto que seja de fama, tanto quanto de ministros e ministras que não estão sabendo envelhecer.

 

Para desgosto dos acusados, diz ele, “(…) A investigação da mani pulite vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes eram veiculados no L’Expresso, no La República e outros jornais e revistas simpatizantes. Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva”.

 

A publicidade – levada entre nós a extremos de irresponsabilidade e sensacionalismo – é exaltada por Moro, ainda quando aumenta o risco de uma acusação falsa, ou quando serve a pantomimas como aquela dos procuradores da chamada força-tarefa da Lava-jato, em Curitiba. A publicidade, manipulada, transforma-se em instrumento crucial para a eficácia das investigações. Seu objetivo não é a informação pública, primeira razão da imprensa na democracia, mas influir no procedimento policial, no qual se confundem, negando os princípios mais elementares do direito penal, juiz, investigador e promotor:

 

“A publicidade conferida às investigações teve [na Itália] o mérito salutar de alertar os investigados em potencial [seu objetivo, portanto, não era informar a opinião pública] sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados”.

 

Falhando o inquérito, mesmo o inquérito assim manobrado, falhando o julgamento ou mesmo a ele se antecipando, restarão, graças à publicidade e nela o papel da imprensa, o julgamento e a inevitável condenação pela opinião pública. “Nessa perspectiva a opinião pode constituir um salutar substitutivo (da punição judicial), tendo condições melhores de impor alguma espécie de punição a agentes públicos corruptos, condenando-os ao ostracismo” como condenaram – a imprensa e a opinião pública –, faz poucos anos, em São Paulo, os donos da Escola Base, acusados de crimes jamais cometidos.

 

Será que o combate à corrupção e à impunidade não poderia dar-se nos marcos do Estado de direito democrático, ou seja, sem tomar sua derruição como sua condição de possibilidade?


Créditos da foto: reprodução

O Supremo começou a desconstitucionalizar os direitos do trabalho

28/10/2016 10:04 - Copyleft

O Supremo começou a desconstitucionalizar os direitos do trabalho

Antes da Constituição de 1988, a greve era proibida no serviço público e os funcionários não tinham direito a se organizar em sindicatos.


Lindbergh Farias
José Cruz/Agência Brasil
Hoje, 28 de outubro, é o dia do servidor público. Meus calorosos cumprimentos à massa de todos os servidores públicos brasileiros, que trabalha com afinco e muito contribui para o país. Infelizmente, no dia de hoje, há mais a perseverar que a comemorar.

No dia de ontem, em votação apertada, 6 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu oferecer um presente de grego aos servidores públicos. Sem meias palavras, o STF cassou o direito de greve dos servidores públicos. A partir da publicação do acórdão da decisão de ontem, no mesmo dia que alguma categoria o Estado estará obrigado a cortar e ponto e os salários. Não precisa mais recorrer aos tribunais com argumentos para decretar a ilegalidade da greve. De fato, para o STF, toda greve de servidores públicos passará a ser, por princípio, ilegal.

A ditadura voltou a comandar e inibir organização autônoma dos trabalhadores no serviço público.
A decisão do STF ocorre na mesma semana em que a Câmara aprovou a PEC 241 (no Senado, PEC 55), que limita o teto do orçamento à inflação do ano anterior, e por consequência, arrocha os salários dos trabalhadores do serviço público por vinte anos.






Terá sido por acaso a urgência? Dificilmente essas coisas acontecem por acaso, pois o fato concreto é que a mobilização contra a PEC crescia em todos os recantos do Brasil e várias categorias estavam aprovando greves para acompanhar a tramitação da emenda no Senado.

Antes da Constituição de 1988, as greves eram proibidas no serviço público e os funcionários não tinham direito a se organizar em sindicatos. Isso mudou depois da constituição de 1988, que reconheceu o direito de greve e sindicalização dos servidores público. Os capítulos da Constituição de reconhecimento de greve e sindicalização no setor público foram feridos no coração com a decisão de hoje, que não afeta, por extensão, apenas os servidores públicos, mas a própria democracia.

As arbitrariedades do STF nesta semana contra os trabalhadores na interpretação da Constituição não param por aí nem se resume aos trabalhadores do setor público. Os trabalhadores do setor privado também foram, por assim dizer, “contemplados”. No dia anterior à decisão contra os servidores públicos, quarta-feira, a nossa Corte Suprema decidiu não reconhecer os direitos à chamada “desaposentadoria”.

O neologismo “desaposentadoria”, aparentemente estranho, expressa bem a dura realidade dos aposentados no Brasil. Em muitos casos, os trabalhadores se aposentam, mas acabam, por pura necessidade de sobrevivência, a retornar ao mercado de trabalho. No novo emprego, novamente passam a contribuir com o INSS. A reivindicação dos trabalhadores é simples: como passaram novamente a contribuir, reivindicaram a anulação a aposentadoria anterior e o reconhecimento do direito de aposentadoria na nova ocupação. Pois bem, o STF negou a “desaposentadoria” e ainda vai decidir sobre quem já obteve a “desaposentação”.

As decisões do STF contra os trabalhadores do setor público e privado no decorrer desta semana não ocorrem fortuitamente. Há método conduzindo a ação. Se ainda havia alguma dúvida, a partir desta semana, ficou límpida como água pura de riacho que se consolidou em definitivo na nossa Suprema Corte um entendimento majoritário de viés neoliberal antitrabalho. É como se fosse a contraparte da divisão de trabalho golpista dos tribunais superiores.

Vem por aí aquele que será estudado no futuro, tudo indica, como o maior retrocesso contra os direitos do trabalho da história do Brasil. O século XX foi de constitucionalização do trabalho. Depois de assentado o golpe - inclusive com a participação do judiciário -, as elites pretendem fazer do século XXI um século de desconstitucionalização do trabalho e transformar o país no paraíso do capital.

Isto se não houver resistência dos trabalhadores, tanto públicos como privados. Contem comigo para as tribunas da resistência.
Créditos da foto: José Cruz/Agência Brasil

28/10/2016 - Clipping Internacional

28/10/2016 11:14 - Copyleft

28/10/2016 - Clipping Internacional

Putin: é um 'absurdo nonsense' que a Russia está se metendo nas eleições nos Estados Unidos. Os Estados Unidos não são são uma república de bananas.


Carta Maior
reprodução
CLIPPING INTERNACIONAL 27.10.2016.
 
 
BRASIL
 
RFI, França
Debate em Paris discute o protagonismo "perigoso" do Judiciário no Brasil.  O Observatório Político da América Latina e Caribe (OPALC), do Instituto de Ciências Políticas de Paris (SciencesPo), reuniu três especialistas nesta quinta-feira (27) para discutir a crise política no Brasil, além dos "superpoderes" da magistratura brasileira, entre outros efeitos colaterais do esgotamento do "presidencialismo de coalizão". 





http://m.br.rfi.fr/brasil/20161027-judiciario-perigoso-e-fim-do-presidencialismo-de-coalizao-crise-segundo-especialista
 
ONU diz que exame de denúncia de Lula pode levar até 5 anos. A porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (Acnudh) afirmou nesta quinta-feira (27), em Genebra, que a denúncia apresentada ao órgão pelo ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva será examinada durante um processo que pode durar até cinco anos.
http://m.br.rfi.fr/brasil/20161027-onu-diz-que-exame-de-denuncia-de-lula-pode-levar-ate-5-anos
 
Página 12, Argentina
Lula faz aniversário e lidera as pesquisas. Festa íntima do ex-presidente do Brasil e meio a batalhas judiciais. Com três processos que poderão bloquear seu caminho de regresso à presidência recebeu a visita da presidenta destituída Dilma Rousseff. 
http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-312891-2016-10-28.html
 
Le Monde, França
O ex-presidente brasileiro Lula queixa-se à ONU pela violação de seus direitos nos desdobramentos do caso Petrobrás. Ele afirma estar sendo vítima de uma perseguição política nos quadros daquele escândalo.
http://www.lemonde.fr/international/article/2016/10/27/scandale-petrobras-l-ex-president-bresilien-lula-porte-plainte-aupres-de-l-onu-pour-violation-de-ses-droits_5021347_3210.html
 
The Wall Street Journal, EUA
Juiz do STF transfere a investigação sobre os seguranças do Senado para o STF. Os funcionários foram presos na última semana sob alegação de tentar obstruirinvestigação de corrupção.
http://www.wsj.com/articles/brazil-judge-transfers-senate-security-officials-investigation-to-supreme-court-1477591126
 
El Espectador, Colômbia
Lula denuncia perseguição política e leva seu caso à ONY. O ex-presidente lançou uma ofensiva internacional assegurando ser vítima de uma série de arbitrariedades em seu país.
http://www.elespectador.com/noticias
 
MUNDO
 
The Guardian, Inglaterra
Austrália não é mais o lar dos “fair go”, diz relatório. O país está menos justo, menos seguro e tem mais pessoas na prisão que outras nações comparáveis da OCDE, afirma um relatório do Conselho da Comunidade da Austrália.
https://www.theguardian.com/business/2016/oct/27/australia-is-no-longer-the-home-of-the-fair-go-says-report
 
El País, Espanha
Bélgica desbloqueia o acordo comercial da União Europeia com o Canadá. Sete anos de negociação para um acordo de 12 milhões de euros. O tratado de livre comércio suprimiria 99 % dos impostos entre Europa e Canadá.
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/10/26/actualidad/1477473528_100897.html
 
Diário de Notícias, Portugal
Iglesias afirma-se líder da oposição e Rajoy tem de esperar segundo voto. Dirigente do Podemos critica opção dos socialistas em viabilizar novo governo do Partido Popular. Quer mudar a Constituição de 1978 e classificou como "potenciais delinquentes" muitos dos deputados.

http://www.dn.pt/mundo/interior/iglesias-afirma-se-lider-da-oposicao-e-rajoy-tem-de-esperar-segundo-voto-5467401.html
 
Le Monde, França
Nessa campanha eleitoral “os norte-americanos entenderam que as mudanças são irreversíveis”. O medo e o sentimento de traição predominam na campanha, afirma um especialista em pesquisas. Hoje nos Estados Unidos, diz ele, predomina a ideia de que o sistema está quebrado, que está falsificado e que os partidos e a classe política não são compostos de homens comuns.
http://www.lemonde.fr/elections-americaines/article/2016/10/28/les-americains-ont-compris-que-le-changement-etait-irreversible_5021833_829254.html
 
The New York Times, EUA
Eleitores de Donald Trump advertem sobre revolução de Hillary Clinton vencer. Eles mostram preocupação de que seus pontos de vista e frustrações serão esquecidos com a vitória delas. Outros predizem conflitos violentos.
http://www.nytimes.com/2016/10/28/us/politics/donald-trump-voters.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&clickSource=story-heading&module=first-column-region&region=top-news&WT.nav=top-news
 
Los Angeles Times, EUA
Putin: é um “absurdo nonsense” que a Russia está se metendo nas eleições nos Estados Unidos. Os Estados Unidos não são são uma república de bananas.
http://www.latimes.com/world/europe/la-fg-russia-us-putin-20161027-story.html
 
The Nation, EUA
O presidente das Filipinas detonou um terremoto diplomático. O movimento de Rodrigo Duterte  em direção à China é uma mudança radical no balanço de poder no Pacífico Ocidental.
https://www.thenation.com/article/the-filipino-president-just-set-off-a-diplomatic-earthquake/
 
El Telégrafo, Equador
Artigo de Juan Manuel Karg. “O que se passa realmente na Venezuela”?
http://www.eltelegrafo.com.ec/noticias/punto-de-vista/1/que-pasa-realmente-en-venezuela
 


Créditos da foto: reprodução




ARCEBISPO DE SALVADOR SE REVOLTA CONTRA PEC 241

ARCEBISPO DE SALVADOR SE REVOLTA CONTRA PEC 241

"O Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, em apoio a nota publicada pela CNBB sobre a PEC 241, publicou as seguintes observações:

Quanto às reações à NOTA DA CNBB PEC 241, aprovada pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, tenho a dizer o seguinte:

1.      "Um ponto de vista, é a vista de um ponto!" O Conselho Permanente da CNBB emitiu esta Nota consciente de que é preciso alertar a Nação para os males da PEC 241. Procurou colocar-se, pois, do ponto de vista dos mais necessitados e que mais sofrerão suas consequências. Se a PEC 241 é tão boa assim, porque seu conteúdo não foi colocado para a sociedade discutir? Por que foi aprovada pela Câmara Federal tão rapidamente? (Alguém se lembra de outra Proposta de Emenda à Constituição aprovada em tão pouco tempo?...). Afinal, não se trata de uma Proposta qualquer, mas de uma proposta de emenda àquele que é o nosso texto principal: a Constituição.

2.      Com a PEC 241 haverá limites para o investimento em saúde, educação etc., mas não foi colocado limite algum para o pagamento dos juros da dívida pública. Aliás, por que o Governo não faz uma auditoria da dívida pública? Não fazendo, apenas repete o comportamento do Governo anterior que, antes de ser eleito, falou muito da necessidade de fazer essa auditoria; ficou no Governo 14 anos e nada fez. Vamos continuar assim, simplesmente pagando juros?
3.      Para o capital mundial, esta PEC é tudo o que ele gostaria de ver aprovado. Os Bancos, que já ganharam muito nos últimos anos, vão ganhar ainda mais. Sobrará dinheiro para investirem na Imprensa, dizendo que esse sacrifício é mesmo necessário para o bem "do Brasil".

4.      Chamar de marxista quem pensa diferente de nós é o mesmo que condenar Jesus por ter dito aos apóstolos, diante da fome da multidão: "Dai-lhes vós mesmos de comer!" Se pensar nos pobres e nos que mais serão afetados pela PEC 241 for um gesto marxista, perguntemo-nos: O que fazer com o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja, dele consequente?

5.      Cada qual tem direito de pensar diferente; a própria Nota incentiva o diálogo, que não tem havido. Peço apenas, aos que pensam diferente do que está na referida Nota, que a guardem e a releiam daqui a 3 ou 4 anos...

Quem viver, verá.


Em Cristo Jesus,

Dom Murilo S. R. Krieger, scj
Arcebispo de Salvador

Primaz do Brasil