terça-feira, 4 de abril de 2017

A mentira como matéria prima


IMPRENSA EM QUESTÃO > NOTÍCIAS FALSAS

A mentira como matéria prima

Por Paulo José Cunha em 17/03/2017 na edição 937
É fácil perceber o desastre resultante da associação entre a incapacidade de distinguir notícia falsa e a proliferação em escala planetária de noticiário mentiroso, criado com a finalidade de alavancar o ganho pessoal dos donos de sites por meio do reforço a convicções ideológicas e/ou religiosas fundamentalistas.
Tal fato ocorre de forma vertiginosa e devastadora em toda parte onde chega sinal de internet. Fake news ampliada PixabayA resultante desse coquetel é uma mistura de desinformação, preconceito, intolerância, incompetência para a escolha consciente e incapacidade de autodeterminação. Ou seja, o contrário das bases para o bom funcionamento do sistema democrático.
Pesquisa da Universidade de Stanford, realizada com 7.804 estudantes americanos dos ensinos fundamental, médio e superior, concluiu que é “lamentável” a capacidade dos jovens de processar corretamente informações divulgadas nas redes sociais. Sam Wineburg, que conduziu o estudo, afirmou: “Muita gente acredita que os jovens, bem ambientados nas mídias sociais, têm perspicácia para compreender o que leem. Nosso trabalho mostra que o oposto disso é verdadeiro.” Num dos testes, os estudantes deveriam analisar uma publicação com a foto de uma flor supostamente modificada pela radiação da usina de Fukushima, atingida pelo tsunami de 2011. A publicação não trazia fonte ou indício de que a foto havia sido tirada perto da usina nem evidência de que a flor havia sido modificada pela radiação. Ainda assim, 40% acreditaram na veracidade por achar que havia informação suficiente para lhe dar crédito.
Matéria do Washington Post revela que Paris Swade e Danny Gold, donos de um site direitista radical de notícias falsas, orgulham-se – sim, orgulham-se!, sem qualquer sinal de remorso – de praticar “imprensa marrom”. Até os nomes que os dois usam são falsos. Para ganhar caminhões de dinheiro precisam de um laptop e de um sofá para escrever e acompanhar a viralização dos posts. Na última eleição, todos os candidatos republicanos investiram grana preta no site deles. O ex-garçom Paris Swade não diz quanto ganha. Mas admite que teria de ralar cinco anos pilotando uma bandeja para conseguir ganhar o que embolsou em apenas seis meses afagando o ego da extrema-direita com notícias inventadas.
Onde de descrédito
Em sua primeira “matéria”, inventou que, segundo uma fonte anônima, um cientista da Coreia do Norte fugira do país com dados sobre experiências com humanos. Na falta de uma imagem mais “real”, achou a foto de uma massa de carne e postou: “Coreia do Norte: experimentos em humanos”. Em dez minutos ganhou U$120,00. Nunca mais parou de mentir. Nem de ganhar carradas de dinheiro. Os dois não são religiosos, mas como isso funciona, pedem que Deus abençoe Trump. E tome notícia falsa como: “Segredos que envolvem o nascimento de Obama revelados. Cartas do pai dele revelam algo de sinistro!”
O fenômeno é avassalador e se espalha sem qualquer controle ou contraponto. Afinal, a internet é terra de ninguém. Não se sujeita a qualquer regulação. Antes que os arautos da censura se apresentem, é bom deixar claro que é assim que deve continuar!
Com a onda de descrédito que assola a imprensa de mercado (por culpa dela própria e pela falsa noção de que é possível substituir informação confiável por memes irresponsáveis da internet), fica fácil concluir que a situação beira perigosamente o abismo. Tanto o estudo de Stanford quanto a matéria do Washington Post se referem ao público norte-americano. Mas o Brasil poderia ter sido o cenário e o resultado seria o mesmo. Ou pior.
Se o leitor chegou até aqui, com certeza vai querer deste articulista alguma sugestão de como se pode sair deste imbróglio. A resposta está na ponta da língua, nem precisa esperar: não sei.
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Paulo José Cunha é jornalista e professor

Vamos parar de compartilhar notícias falsas?

IMPRENSA EM QUESTÃO > VERDADES & MENTIRAS

Vamos parar de compartilhar notícias falsas?

Por Ana Claudia Vargas em 07/03/2017 na edição 936
Lembra quando seus antepassados da era anterior à internet/redes sociais compravam jornais nas bancas, diziam que gostavam do cheiro do papel impresso e liam com prazer evidente as notícias ali estampadas?Lupa monitoramento pixabay Lembra quando as pessoas diziam “eu li no jornal X” como se isso recobrisse a notícia com um selo de credibilidade ou algo parecido?
Pois hoje isso parece algo longínquo demais, hoje o que torna uma notícia válida é sua capacidade de ser compartilhada o maior número possível de vezes. Hoje é preciso somente que uma “notícia” renda muitos cliques, acessos e compartilhamentos e só.
Se é verdade ou mentira o que a tal “notícia” agrega, se sua elaboração foi feita de forma cuidadosa (este aspecto antes primordial) isto parece ter perdido toda a importância.
E é bom que você saiba: tem muita gente lucrando com sites que publicam “notícias”, quer dizer, mentiras, como se fossem “verdades”. Talvez você pense, com certa razão: mas que problema há nisso se a imprensa dita séria publica tantas notícias que se revelam ou se revelaram inverdades? Sim, mas tais notícias se foram produzidas por veículos de imprensa que prezam a informação apurada com rigor, poderão ser questionadas por quem quer que seja, e nesse processo, ficarão evidentes aspectos que ainda fazem o jornalismo valer a pena. Em outras palavras: quando uma notícia pode ser questionada, quando o jornalista que a produziu pode defendê-la e tem argumentos para tal, é sinal de que apurou, pesquisou e agiu de forma profissional.
Outra coisa é o fato de que jornais sérios ou veículos de comunicação sérios não agem de forma leviana. Não, eu não nasci ontem e sei muito bem que jornais ditos sérios também podem agir de forma leviana e/ou manipuladora, mas ainda assim, espera-se (esperamos) que, até certo ponto, o que está noticiado ali, nas folhas, estadões e diários da vida, tenha sido escrito por gente que se preocupa com a informação que entrega ao leitor.
Um próspero mercado
Mas o discurso acima, que pode parecer dramático demais ou piegas e antiquado, não interessa em nada aos donos dos tais sites que prosperam inventando mentiras, boatos, inverdades e outras “notícias” que muitos de nós já compartilhamos.
Sim, você e eu já devemos ter (em algum momento das recentes e acaloradas discussões politicas, por exemplo) compartilhado matérias dos tais sites* e saiba que este nosso compartilhamento contribuiu para que os donos deles enriquecessem mais um pouquinho.
Recentemente o jornal Folha de S.Paulo fez uma matéria muito necessária sobre estes sites e a mim pareceu terrível (embora nada mais pareça mais tão terrível assim) constatar o quanto é natural e simples e aceitável e normal, este lucrativo mercado de notícias falsas. O quanto o que interessa é somente (e tão somente e unicamente e exclusivamente) que este processo seja lucrativo e só.
Ora, é claro que ninguém abre negócios para vê-los falidos, mas entenda: neste caso, não existe nenhuma preocupação com a construção da notícia, qualquer “coisa” pode se tornar digna de cliques se no centro dela tiver algo digno de cliques e este algo pode ser uma pessoa famosa, um acontecimento que tenha apelo popular (uma morte, um espetáculo, muitas mortes espetaculares, uma subcelebridade ou uma celebridade etc.).
Comida estragada  notícia deturpada
Tudo isto pode parecer bem confuso porque afinal, os jornais “de verdade” também podem produzir boatos ou divulgar informações inverídicas, como mencionei acima, certo? Então, talvez seja melhor pensarmos assim: você come qualquer porcaria em qualquer lugar? Ou: você acha normal saber que tem gente que revira lixo em busca de comida? Eu nunca acharei isto normal como também não acho normal que exista tanta informação falsa circulando na internet como se fosse verdadeira. Mas o que uma coisa tem a ver com outra? É que para mim as notícias que se inventam ao sabor do número de cliques são exatamente como o lixo que nós geramos (e que antes foi comida fresca e saborosa, ou seja, de verdade) e que, horrivelmente, será vasculhado por pessoas que são como nós, humanamente falando, mas reviram o lixo porque não têm dinheiro para comprar comida que preste.
Ouso pensar até que talvez a internet tenha virado apenas isto para quem a vê como uma fábrica de cliques: uma forma de se lucrar com esta grandiosa máquina que produz informação de forma instantânea e veloz. Só que ao final do processo de fabricação de informações, todo o “lixo” existente ali, ou seja, todos os restos das notícias verdadeiras e apuradas que circularam intensamente, já foi compilado (reciclado?) por estes “inventores” de notícias que garimpam uma frase aqui, outra ali e vão montado suas notícias falsas como se construíssem zumbis ou coisas que me lembram “frankensteins”: na verdade, as tais “notícias” não passam de montagens de palavras ditas em outros contextos ou sequer faladas em contexto algum. Mas isso, como já se sabe, não importa, e sim que as invenções saídas destas imaginações assustadoramente férteis angariem mais e mais cliques!
A morte do jornalismo?
E o que se segue depois é que as tais invenções criadas, as tais aberrações espalhafatosas (como aquela que circulou há pouco e dizia que dona Marisa Letícia estaria bem viva, lá na Itália) chamam a atenção de pessoas ingenuamente curiosas (como somos todos nós em certos momentos) e elas clicam, compartilham e daí a “notícia” se espalha de forma absurdamente rápida!
Diante disso, não custa nada ficarmos mais atentos antes de clicarmos e compartilharmos o que temos lido aqui e ali na web. Perceba agora a analogia, rasa admito, entre a “comida” (notícia apurada e fresca) e o lixo (notícia fabricada/reciclada/inventada): enquanto veículos sérios realmente produzem notícias e serão capazes de responder por elas, se questionados, como já dito antes, os tais sites que vivem de regurgitar o que sobrou das notícias velhas, requentadas ou estragadas deliberadamente ganham dinheiro com o que iria para o lixo, mas o problema é que vendem este lixo como se fosse algo novo, fresco e digno de se “saborear”.
Sei o quanto minha “tese” pode parecer louca ou ridícula mas pare para pensar e não perca seu valioso e cada vez mais escasso tempo compartilhando lixos noticiosos. Lembre-se que, apesar dos pesares (da manipulação midiática, sobretudo, que muito contribuiu para esse cenário, que esvaziou o jornalismo do sentido e do valor que ele deveria preservar), o bom jornalismo é um dos pilares da democracia. Países com democracias sólidas e respeitáveis se importam tanto com a educação quanto com o trabalho de uma imprensa verdadeiramente comprometida com valores que hoje nos fazem tanta falta (a nós, brasileiros, e ao mundo todo, enfim).
Para terminar: o Brasil oferece um cenário bastante atraente para que os tais sites fabricantes de notícias falsas prosperem, pois nossa suposta democracia está se fragmentando a olhos vistos, como sabemos. Nem bem floresceu e já decaiu…
No meio disso tudo, desse verdadeiro caos oficializado, somente uma imprensa atenta pode, ao menos, tentar iluminar os cantos obscuros que vão se revelando entre as sombras dessa fase tenebrosa que vamos (lentamente) atravessando.
Agora imagine que no meio dessa vagarosa e caótica travessia surgissem pessoas que agissem de forma leviana, chantagista, abertamente manipuladora e que ainda (!!) se gabassem de agir dessa forma e que se aproveitassem da situação para lucrar. Pois penso que estes são como aqueles comerciantes que aumentam o preço da água, de forma abusiva, em época de racionamento.
Lembre-se: notícia bem apurada também é item de primeira necessidade, agora, lixo – de qualquer natureza, seja “orgânico” ou noticioso – deve ir para o lixo e ponto.
*Estes são, segundo a Folha, alguns dos sites que “fabricam” notícias: Pensa Brasil; Brasil Verde e Amarelo; Jornal do País; Diário do Brasil; Folha Digital; Juntos pelo Brasil; Jornal do País; Você precisa saber, entre outros.
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Ana Claudia Vargas é jornalista

DELATOR REVELA DEPÓSITO DE MILHÕES PARA SERRA

DELATOR REVELA DEPÓSITO DE MILHÕES PARA SERRA


247 - Segundo o colunista Gabriel Mascarenhas, do Radar Online, além do dinheiro na Suíça, a delação da Odebrecht traz outra bomba sobre o senador tucano José Serra; "O ex-presidente Pedro Novis revelou um depósito, na casa de milhões, para o tucano. A operação envolve o empresário José Amaro Ramos e a conta de uma parente de Serra", diz

A situação do senador José Serra (PSDB), ex-ministro de Relações Exteriores de Michel Temer, promete se agravar seriamente com as delações da Odebrecht.

Segundo o colunista Gabriel Mascarenhas, do Radar Online, o ex-presidente Pedro Novis revelou um depósito, na casa de milhões, para o tucano. "A operação envolve o empresário José Amaro Ramos e a conta de uma parente de Serra", diz o colunista.


A revelação pode provar como Serra recebeu os R$ 23 milhões em uma conta secreta na Suíça, oriunda de propina da Odebrecht. O recurso teria sido operado por meio do empresário e ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB), relacionados à campanha à Presidência de 2010 de José Serra.

PRESIDENTE ILEGÍTIMO ROMPE COM RENAN (OU FOI O CONTRÁRIO?)

PRESIDENTE ILEGÍTIMO ROMPE COM RENAN
(OU FOI O CONTRÁRIO?)
Fernando Brito


Diga-se tudo de Renan Calheiros, menos que não é um esperto observador dos movimentos da política.

Percebeu que Michel Temer, agora, deixou de apostar na política e ajustou-se inteiramente a um processo em que o que lhe pode dar segurança e estabilidade é o mercado, claro que com sua selvageria.

E o caminho para isso, sem qualquer dúvida, é o PSDB, muito mais que o PMDB, uma federação de pequenas oligarquias e profissionais da política.

Renan está ciente que o projeto de Temer para 2018 tem bico e asas.

Sabe, também, que esse projeto tem, paradoxalmente, Michel Temer como um obstáculo eleitoral praticamente intransponível e que, por isso, buscará outra via.

E que essa será, porque é a que sobra, a mais brutal interferência do Judiciário na política, definindo previamente quem pode ou não se submeter ao voto popular.

Renan é um dos que, nesta rota, terá de ser enforcado e retalhado; e ele não tem qualquer dúvida de que de Temer não lhe virá sequer um dedo, o que diria a mão para puxá-lo do torvelinho.

E, espertamente, puxa-o para o confronto enquanto é Temer quem depende dele e de seus votos no Senado para aprovar as barbaridades com que está comprometido.

Renan não fecha portas. Mas Temer fechou a sua, como ontem se disse aqui.


BETO RICHA É O NOSSO CABRAL?

BETO RICHA É O NOSSO CABRAL?


Paraná247 - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) criticou neste sábado, 1º, o governador Beto Richa (PSDB), que teve inquérito aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de ter se beneficiado de fraudes no porto de Paranaguá.

"Tudo indica que os escândalos do Paraná tomarão proporções semelhantes ou maiores do que os do Rio de Janeiro. Beto Richa é o nosso Cabral?", criticou Requião.

Segundo o Ministério Público Federal, o governador tem ligação com "suspeitas de corrupção na concessão de licença ambiental pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP)". Uma dessas licenças foi dada à empresa Green Logística, para a construção e um estacionamento de caminhões. A área de Mata Atlântica é vizinha de um parque nacional e tem espécies em extinção.

O MP descobriu que a Green Logística comprou o terreno em 11 de dezembro de 2013, ainda antes de ter a licença. Pouco mais de um mês depois, ainda segundo a denúncia, o governador Beto Richa assinou um decreto criando o eixo modal de Paranaguá, uma área que inclui o terreno do estacionamento.


Os promotores dizem que há indícios que a Green Logística faz parte de um grande grupo empresarial com diversas empresas que pertencem às mesmas pessoas. No quadro de sócios de uma dessas empresas estariam a mulher do governador, Fernanda Richa, e os filhos Marcelo, André e Rodrigo.

IRREGULARIDADE ELEITORAL FEZ JUSTIÇA ASSUMIR O PARLAMENTO NA VENEZUELA

Irregularidade eleitoral fez Justiça assumir o Parlamento na Venezuela



Em meio a uma crise política entre situação e oposição na Venezuela, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) assumiu as funções da Assembleia Nacional nesta quarta-feira (29). A intervenção tem o objetivo de garantir a ordem democrática devido a irregularidades no Congresso e não dá plenos poderes ao Executivo para alterar qualquer regra ou governar por decreto.

O agravamento da situação começou quando a Assembleia Nacional empossou três deputados do estado do Amazonas, que foram impugnados devido a supostas irregularidades eleitorais. Diante disso, o parlamento foi notificado diversas vezes pela Justiça para regularizar o quadro parlamentar, o que não aconteceu até agora.

Para o TSJ, a Assembleia Nacional cometeu um “desacato” ao empossar os três deputados. Diante disso, a justiça anunciou que as decisões do parlamento serão consideradas nulas enquanto o desacato for mantido.

O documento oficial do TSJ diz o seguinte: “esta Sala Constitucional garantirá que as competências parlamentares sejam exercidas diretamente por esta Sala ou pelo órgão que ela disponha, para velar pelo Estado de Direito”. Esta ação não dá plenos poderes ao presidente Nicolás Maduro para alterar qualquer regra ou governar por decreto.

Em nota oficial, o governo na Venezuela afirmou que “é falso que se tenha consumado um golpe de Estado” porque a ação judicial tem o objetivo de “reestabelecer a ordem democrática” visto que a Assembleia Nacional apresentava irregularidades.

Intervenção da OEA

No ano passado o parlamento venezuelano pediu à OEA a invocação da Carta Democrática Interamericana contra a Venezuela, cujo objetivo era convocar novas eleições. Nesta semana o organismo internacional se reuniu novamente para debater o tema, depois de já ter descartado a possibilidade em reuniões anteriores. Diante de tal ação, Caracas acusou o secretário-geral do OEA, Luís Almagro, de interferir nos assuntos internos do país.

A Carta Democrática é um instrumento jurídico aprovado pelos 34 estados membros da OEA em 11 de setembro de 2001 e seu principal objetivo é “melhorar o funcionamento dos sistemas democráticos”. No entanto, ele é fundamentalmente acionado pelo país, e por uma ingerência externa. Por isso, no caso da Venezuela, a ação de Almagro é considerada exagerada. Afinal, o presidente Nicolás Maduro não solicitou a invocação do recurso, quem o fez foi o Congresso com o objetivo de interromper o mandato presidencial.

A Carta Democrática define elementos da democracia, entre eles o respeito aos direitos humanos, ao Estado de Direito, às eleições livres e periódicas com voto universal, pluralidade de partidos políticos e separação dos poderes públicos. Todos estes pontos são cumpridos na Venezuela. No entanto, a Assembleia tentou invocar o instrumento e, para isso, contou com o apoio dos três parlamentares impugnados, tal ação levou a Justiça a entender que se tratava de um rompimento da ordem.