sexta-feira, 7 de abril de 2017

Existe algum membro do Ministério Público com coragem e caráter para processar Bolsonaro?



Quinta-feira, 6 de abril de 2017

Existe algum membro do Ministério Público com coragem e caráter para processar Bolsonaro?

Todos os dias que entro numa sala de aula, afirmo que a liberdade de expressão e de pensamento é direito constitucional e, também, que liberdade de expressão não se confunde com liberdade de opressão. Ao mesmo tempo em que o art. 5º, inciso IV, da CF, consagra a liberdade de pensamento e o inciso IX consagra a liberdade de expressão, o art. 3º, inciso IV, diz ser objetivo da República promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Apesar de ser cada vez mais comum a aplicação da Constituição pela metade, com a validação de um Judiciário majoritariamente genocida, especialmente no que diz respeito aos direitos de minorias e a concessão de liminares para reintegração de posse em terras indígenas, quilombolas ou em qualquer outra ocupação por luta por moradia, qualquer um que tem compromisso com a legalidade precisa ser responsável e compreender a ordem constitucional como um todo.
A concessão de liminares para reintegração de posse, despejo ou qualquer outra medida judicial que retira, antes do trânsito em julgado, crianças de suas moradias para coloca-las na beira de estradas, na rua ou qualquer outro local de risco, é genocida pois viola frontalmente e irresponsavelmente o princípio da proteção integral consagrado em outro artigo da mesma Constituição que protege a liberdade de pensamento, de expressão e a propriedade privada. Esse artigo é o 227, que diz:
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.  
Sei bem que o fetiche pela violência é marca registrada de parcela considerável da nossa sociedade. O desejo quase que sexual pelo paletó ou pela farda violenta, marca aqueles e aquelas que encontram na violência, na humilhação e na destruição, um objeto fálico que satisfaz os desejos mais profundos que consubstanciam o vazio da angústia de não terem tido a oportunidade de compreender as delícias do afeto, do respeito e da liberdade. Parafraseando Raduan Nassar em “Lavoura Arcaica”, é impossível exigir um abraço de afeto daqueles de quem amputamos os membros.
Quando o Bolsonaro se refere à fome dos quilombolas fazendo referência a arrobas, quando afirma que não servem nem para procriar, temos a configuração clara do crime previsto no art. 20 da Lei 7.716/98, que diz:
Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa.
A questão é saber se existe algum membro do Ministério Público com coragem e caráter suficiente para dar andamento a uma ação penal contra esse sujeito, considerando que manifestação de pensamento e imunidade parlamentar não autorizam a opressão.
Quando esse sujeito faz isso e outras pessoas riem ou se esforçam para justificar a legitimidade política dessa figura sórdida, o universo escancara para todos nós que prestigiamos a democracia o fato incontestável do nosso equívoco até aqui. Erramos, companheiros! Erramos feio! Todas as nossas lutas, todo o sangue que vimos escorrer, todo o nosso suor diário, não serviu para alterar as estruturas da violência.
As estruturas da violência e do ódio estão mais firmes do que nunca, apesar de termos cuidado daqueles que estavam mais dispostos a receber afeto e respeito para seguirem promovendo liberdade, não tivemos estômago para cuidar daqueles que, com os orifícios espirituais, psíquicos e físicos vazios de afeto, se apaixonaram loucamente pelo falo significante da violência, do desprezo e do descompromisso. Menos egocentrismo, menos falocentrismo! Por que não as flores (para não dizer que não falei das flores)?
Erramos, companheiros! E se quisermos mexer nas estruturas, teremos de preparar o nosso estômago e o nosso fígado, pois tem muita coisa podre que ainda não emergiu.
Sigamos firmes.
Pedro Pulzatto Peruzzo é advogado, professor pesquisador da PUC-Campinas e diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Jabaquara.

Fonte: Justificando

Quilombolas e deputados denunciam Bolsonaro à Procuradoria-Geral da República por racismo

Quilombolas e deputados denunciam Bolsonaro à Procuradoria-Geral da República por racismo


'Ele nos discriminou, nos colocou como animais', declarou Benedita da Silva sobre comentário de deputado a respeito de integrantes de quilombos
Integrantes do movimento negro, quilombolas e deputados federais protocolaram na quinta-feira (06/04) na Procuradoria-Geral da República (PGR) representação contra Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por "prática de racismo e violação da dignidade indígena e quilombola". 
"Contra o ódio, contra a intolerância e contra o racismo", declarou a comitiva formada, entre outros, pelas deputadas Benedita da Silva (PT-RJ), Maria do Rosário (PT-RS), Érika Kokay (PT-DF), além da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), ao protocolar a representação na PGR. 
A motivação foram manifestações feitas por Bolsonaro durante uma palestra no Rio de Janeiro na segunda-feira (03/04). Além de afirmar que quilombolas e indígenas atrapalham a economia, disse que visitou um quilombo e que constatou que o "afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas".
Fabio Rodrigues Pozzembon/Agência Brasil/Fotos Públicas

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"Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles", afirmou Bolsonaro, que falou a convite da associação judaica clube Hebraica.
Em coletiva, Benedita da Silva ressaltou que o deputado do PSC utilizou a expressão "arroba", atualmente aplicada para a pesagem de gado e outros animais. Durante a escravatura, era também utilizada para negros e negras escravizados. 
"Nós pedimos a punição severa dele baseada na Constituição, que torna o crime de racismo inafiançável. Ele já está acostumado a proceder dessa forma. Mas agora ele mexeu com mais de 51% da população brasileira. Ele nos discriminou, nos colocou como animais", afirmou Benedita.
Bolsonaro também atacou o direito de indígenas e quilombolas à terra, direito garantido pela Constituição de 1988, ao extrapolar para uma realidade na qual seria presidente: "não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena pra quilombola". 
(*) Publicado originalmente em Carta Capital

Ao bombardear a Síria, Trump ameaça a humanidade

Ao bombardear a Síria, Trump ameaça a humanidade


Primeira conclusão a tirar do trágico acontecimento é a de que o atual ocupante da Casa Branca é um irresponsável. Mas convém não esquecer que Trump atua como instrumento de uma máquina de guerra, de interesses econômicos e políticos
Ao bombardear a Síria, os EUA colocam a humanidade à beira de uma guerra apocalíptica cujo desfecho poderia ser o fim da humanidade.
 
O ataque com mísseis contra uma base aérea síria na província de Homs foi lançado a partir de navios da US Navy baseados na base naval de Rota, na Espanha.
 
O presidente sírio, Bassar Al Assad, já tinha negado qualquer responsabilidade no bombardeio com armas químicas e reafirmou a condenação dessa ação terrorista.
 
Nos Estados Unidos, destacados membros do Congresso, republicanos e democratas, apoiaram a iniciativa de Trump.

Agência Efe

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou ataque contra a Síria na madrugada desta sexta-feira
 
Na véspera, Hillary Clinton tinha sugerido que os Estados Unidos bombardeassem a Síria. Recorde-se que ela é partidária do recurso a armas nucleares, tal como a maioria dos generais do Pentágono.
 
Na Europa, a França, o Reino Unido, a Alemanha, a Espanha e os governos de outros de países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) apressaram-se a manifestar o seu apoio ao ataque armado à Síria.
 

Anotações sobre o ataque dos EUA contra a Síria

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Bombardeio dos EUA estava planejado antes de suposto ataque químico na Síria, diz Rússia

 
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou com veemência a agressão dos EUA a um Estado soberano, a partir de um pretexto inventado. Anunciou a suspensão do acordo de cooperação com os EUA sobre a prevenção de acidentes no espaço aéreo e pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O Irã também condenou a agressão.
 
A China, cujo presidente se encontra de visita aos EUA, limitou-se a uma declaração ambígua.
 
A primeira conclusão a tirar do trágico acontecimento é a de que o atual ocupante da Casa Branca é um irresponsável, um tresloucado. O fato de ter sido eleito e a popularidade que o envolve são esclarecedores da decadência de uma sociedade para a qual o dinheiro é um valor supremo.

Mas convém não esquecer que Trump atua como instrumento de uma máquina de guerra, de interesses econômicos e políticos e de um sistema midiático perverso e poderosíssimo.
 
O bombardeio criminoso da Síria abre uma crise cujo desfecho pode ser uma nova guerra mundial, uma crise que põe em causa a continuidade da humanidade.
 
*Publicado originalmente em odiario.info, versão online de O Diário, jornal ligado ao Partido Comunista português que circulou em Lisboa entre 1976 e 1990. Miguel Urbano Rodrigues, histórico jornalista e militante comunista português, foi o diretor de redação da versão impressa de O Diário até 1985.

Irã condena 'firmemente' bombardeio dos EUA contra Síria

Irã condena 'firmemente' bombardeio dos EUA contra Síria


Ataques 'consolidarão as posições dos terroristas e agravarão ainda mais a situação na Síria', diz Ministério de Relações Exteriores do Irã; diplomata iraniano compara bombardeio a invasão pelos EUA do Iraque em 2003 e do Afeganistão em 2011
O Irã condenou “firmemente” o ataque realizado pelos EUA contra a base aérea na Síria nesta sexta-feira (07/04).
Para o Ministério de Relações Exteriores do Irã, os ataques contra o Exército sírio "consolidarão as posições dos terroristas e agravarão ainda mais a situação na Síria".
Do ponto de vista de Teerã, o suposto ataque químico na província de Idlib na última terça-feira (04/04) foi usado "como pretexto para ações unilaterais que representam uma ameaça e são contrárias ao Direito Internacional".
Hossein Sheikholeslam, conselheiro do ministro do Exterior do Irã e ex-embaixador do Irã na República Árabe Síria (198-2003), disse à Sputnik Persa que o ataque dos EUA “foi planejado”.
Agência Efe

O presidente iraniano, Hassan Rouhani; país condenou ataque dos EUA contra Síria
"A base aérea Shayrat é uma base importante do exército sírio. Foi a partir desse aeródromo que foram atacados os aviões de combate israelenses que estavam no espaço aéreo sírio. Shayrat é um dos principais campos de operações militares na luta contra o terrorismo", afirmou Sheikholeslam.
Ele frisa que os EUA deveriam ter esperado pelos resultados da investigação aos ataques químicos em Idlib, mas como não se interessam pelas investigações e não tinham intenção de esperar, eles tiraram suas próprias conclusões e atacaram.

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"É obvio que se trata de um conluio que foi necessário naquelas condições, quando os terroristas ficaram desmoralizados. Os extremistas estão perdendo. A preponderância política está do lado do governo sírio e seus aliados como o Hezbollah, Irã e Rússia. A relação de forças mudou na linha de frente. E os lados que perderam, os EUA, Israel e Arábia Saudita, criaram este conluio para que os extremistas possam continuar sua atividade destruidora", disse o político.
Sheikholeslam afirma que a realização por parte do governo sírio de um ataque químico seria “um passo louco e irracional”, pois todos os arsenais químicos estão sob o controle da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e seria ridículo trilhar este caminho.
"É muito importante que o povo norte-americano não permita que seu exército se torne um exército de mercenários e atue nos interesses de alguém que lhe paga", opina o ex-embaixador.
Ele acredita que a tensão apenas irá aumentar e pode ter consequências perigosas e irreversíveis parecidas às que ocorreram depois da invasão pelos EUA do Iraque em 2003 e do Afeganistão em 2011.
"Até hoje estamos sofrendo as consequências dessas agressões. O terrorismo gerado é um resultado das ações voluntariosas que contradizem a Carta das Nações Unidas contra um Estado soberano e membro da ONU", concluiu Hossein Sheikholeslam.

*Com Sputnik

Esquerda europeia condena ataque dos Estados Unidos à Síria; veja repercussão


Esquerda europeia condena ataque dos Estados Unidos à Síria; veja repercussão


Die Linke, Podemos, Bloco de Esquerda, Rifunzadione Comunista, Partido da Esquerda Europeia, Trabalhistas e o francês Jean-Luc Melénchon se pronunciaram sobre o ataque com mísseis ao território sírio
Os principais partidos de esquerda da Europa condenaram nesta sexta-feira (07/04) o ataque ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao território sírio, após um suposto bombardeio com armas químicas que teria acontecido em uma cidade no interior do país do Oriente Médio.
O partido alemão Die Linke (“A Esquerda”) disse, em nota, que a escalação militar dos EUA deve ser “imediatamente” interrompida. “O ataque com mísseis dos EUA, que vai contra o direito internacional, afasta a Síria de uma solução pacífica e deixa o Estado Islâmico em júbilo”, afirmaram os líderes da agremiação, Sahra Wagenknecht e Dietmar Bartsch.
O líder francês Jean-Luc Melénchon, candidato à presidência do país, também se mostrou contrário ao ataque dos EUA, e jogou a culpa no atual presidente, François Hollande, e na chanceler alemã, Angela Merkel. “Hollande e Merkel possuem total responsabilidade por dar a Trump o poder solitário de acertar quem ele quiser, quando ele quiser”, disse, no Twitter.
A declaração de Melénchon veio depois de Merkel e Hollande acusarem o presidente sírio, Bashar al Assad, de carregar “sozinho a responsabilidade pelo “massacre com armas químicas do dia 4 de abril” em Khan Sheikhoun. "Alemanha e França pedem para a comunidade internacional que respaldem a resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU e o comunicado de Genebra", afirmam os dois mandatários.

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O líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, afirmou que o ataque corre o risco de “escalar ainda mais” a guerra na Síria. “Os horrendos ataques químicos de terça foram um crime de guerra, que requer uma investigação independente urgente da ONU, e os responsáveis devem ser responsabilizados. Mas uma ação militar unilateral, sem autorização legal ou verificação independente arrisca intensificar um conflito de múltiplos lados, que já matou centenas de milhares de pessoas”, disse.
O partido Podemos, da Espanha, disse que o ataque – “sem autorização do Conselho de Segurança” – “só contribui para alimentar a espiral de violência na Síria”. “Devemos propiciar um marco de negociações para impulsionar uma saída do conflito de forma pacífica. Os aviões, de onde os ataques se realizaram, têm sua base em Rota [na Espanha]. É inaceitável que se usem bases militares situadas no território espanhol para levar a cabo ataques que violam a legalidade internacional”, afirmou.
O deputado português Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, fez um pronunciamento no Parlamento em que prestou solidariedade às vítimas do conflito na Síria, que já dura seis anos.
“O Bloco de Esquerda condena frontalmente o ataque com armas químicas contra os civis sírios nesta semana. Condenamos também, com a mesma frontalidade, com a mesma veemência, a escalada da guerra a que estamos a assistir, no qual está indiretamente este ataque feito pelas tropas norte-americanas. Entre Bashar al-Assad, Putin e Trump, não há inocentes. Os inocentes são os civis que têm morrido numa guerra, esta sim, ignóbil, e que nós desde a primeira hora, condenamos, já por várias vezes, aqui nesta Assembleia da República. E por isso, senhor presidente, senhores e senhoras deputados, toda nossa solidariedade para com o povo sírio, um apelo forte para a paz e a defesa dos direitos dos civis, entre eles, as crianças sírias. E um pedido, que é exigência mínima a todos que defendem os direitos humanos, é de que não tivéssemos na Síria uma nova escalada do armamento, uma nova escalada da guerra à escala mundial”, afirmou.
Agência Efe

Jean-Luc Melénchon, candidato à Presidência da França, foi um dos que criticou o ataque dos EUA à Síria
O secretário-geral do Rifunzadione Comunista, da Itália, Maurizio Acerbo, chamou os mísseis dos Estados Unidos de “terrorismo internacional”. “É muito claro, desde o início, que os setores mais imperialistas norte-americanos e seus aliados não trabalharam para favorecer uma transição democrática e uma pacificação, mas sim para derrubar um regime, dissolver um Estado soberano, transformá-lo em outro Estado falido, como são definidos com linguagem cínica Líbia, Somália e Iraque”, disse.
Por sua vez, o Partido da Esquerda Europeia lançou uma nota, assinada pelo presidente da agremiação, o alemão Gregor Gysi, dizendo que o conflito na Síria só pode terminar com “uma diplomacia muito inteligente”.
“O ataque prévio, com gás venenoso, foi um crime de guerra severo, mas deveria ter sido antes investigado quem é o responsável por ele. Como pode ser legítimo bombardear antes de se investigar? Ainda mais que não parece lógico que Assad ordenaria um ataque do tipo, pois ele está tendo sucesso militar no momento contra o Estado Islâmico e outros. Por que ele estaria interessado em uma escalação [do conflito], especialmente nesta hora?”, afirmou.

SERVIDORES DO MINC REAGEM AO APARELHAMENTO DO PPS

SERVIDORES DO MINC REAGEM AO APARELHAMENTO DO PPS

247 - A Associação dos Servidores do Ministério da Cultura reagiu, em nota de repúdio, contra o que classificou de "aparelhamento" promovido por Roberto Freire na pasta.

A entidade também critica no texto o "desmonte das políticas culturais". "O único critério que parece ter sido adotado é o de pertencer ao mesmo partido do atual ministro", protesta a associação.

O ministro da Cultura de Temer, que é presidente do PPS, nomeou ao menos 18 membros de seu partido para cargos na pasta, entre assessorias, secretarias, diretorias, entidades vinculadas e representações regionais da pasta. Dez pessoas foram nomeadas apenas nos três primeiros meses de 2017, mostrou reportagem da Folha de São Paulo.

Desde que assumiu o comando do MinC, em novembro de 2016, Freire sempre condenou publicamente, diversas vezes, um suposto aparelhamento petista durante os governos Lula e Dilma, de 2003 a 2016.


Em fevereiro desse ano, ele protagonizou um bate boca com Raduan Nassar durante cerimônia de entrega do prêmio Camões ao escritor brasileiro, depois que Nassar fez um discurso contra o golpe e o governo Michel Temer.

A GRANDE PATAQUADA

A grande pataquada

Roberto Requião*


Hoje eu vou falar de patos, essas simpáticas aves da família Anatidae. Fui ao Google para me ilustrar sobre o assunto e aprendi que a família dos patos é enorme. Há o pato-mudo, o pato corredor, o pato-ferrão, o pato papão, o pato-caipira e o pato da FIESP. E assim por diante. Ah, sim! Os marrecos também fazem parte da família. E temos aí a marreca-cricri, o marreco-gritalhão, o marrecão, o marreco-pompom, o marreco de bico-amarelo...

Confesso que fiquei interessado pelo pato-mudo. O pato mudo é assim chamado porque ele não emite sons altos; o macho faz um som semelhante a um assopro; e a fêmea algo como um assobio bem discreto.

É fácil criar patos e eles se reproduzem com grande facilidade. No Brasil, os patos são milhões e milhões, embora ultimamente, informam-me, talvez por causa do clima, da crise econômica, da reforma da Previdência ou do desemprego, registra-se uma drástica diminuição na população dos patos.

O coletivo de patos é bando ou pataquada, como sugerem alguns.

Os patos são facilmente domesticados e é possível conduzir o bando pata aqui, pata acolá, porque o pato sempre vem para ver o que é que há, como diz a letra da música de Vinícius de Morais.
Assim, para amestrar e docilizar o pato, especialmente o pato-mudo, muitos criadores colocam nos aposentos do bando televisores e rádios, permanentemente sintonizados na Globo e na CBN. E, para melhor acomodá-los, forram o ambiente onde vivem com jornais e revistas criteriosamente selecionados.

Os criadores chegaram à conclusão que, sob o efeito de certas vozes, masculinas e femininas, de apresentadores e comentaristas do rádio e da televisão, os patos reproduzem-se com maior velocidade.

Quanto à dieta dos patos, algumas informações de tratadores referem-se à adoção exitosa da alfafa na alimentação dessas aves.

Mas vamos ao que interessa. Embora minha curiosidade sobre o pato-mudo, eu quero mesmo falar do pato da FIESP, um pato que se notabilizou por seu ativo desempenho no primeiro semestre do ano passado em algumas capitais brasileiras, especialmente na capital federal e em São Paulo, hoje o maior centro criador de patos e referência mundial na criação da ave. Tanto assim que alguns criadores russos já estão importando o pato da FIESP, crentes possam reproduzir em Moscou e Petersburgo o mesmo resultado que no Brasil.

Segundo o Google me informa, o pato da FIESP tem lá suas idiossincrasias.

Por exemplo, não gosta de nada que seja imposto. Tem horror ao imposto. Chegou até mesmo a criar um medidor para espalhar a rejeição a tudo o que é imposto.

É um pato liberal, vê-se.

Outra coisa que as pesquisas no Google ensinaram-me é que, frequentemente, os patos líderes trapaceiam a pataquada. Prometem levá-los a descansar em verdes prados, a conduzi-los às águas refrescantes, a reconfortar suas almas, a protegê-los de todo o mal, mas acabam por pastoreá-los por ínvios e tenebrosos caminhos.

Verbi gratia.

O rei dos patos-FIESP, prometeu ao bando que se a marreca-cricri fosse apeada do poleiro, haveria abundância, jorrariam leite e mel.

E que nada seria imposto à patolândia. Houve mesmo um grão-pato pernambucano que prometeu o milagre instantâneo da multiplicação dos pães, dos peixes, do vinho e dos tecidos de tafetá ou de morim se a referida madame fosse afastada.

Quem sabe seja por isso, porque tudo o que é imposto aumenta; porque diminui a ocupação dos patos; porque se reduz a ração do bando, e muitos se recusam a consumir alfafa como cardápio alternativo; porque os patos mais velhos estão sendo ameaçados de nunca mais poder descansar; ou seja, porque as tarefas dos patos estejam sendo terceirizados para os urubus, corvos, quero-queros, a verdade é que mingua, dissolve-se o número dos anatídeos a seguir seus líderes.
Parece que as generosas contribuições financeiras dos irmãos Koch - ou do brasileiro mais rico do país e 19º mais rico do planeta – não estão dando mais conta de mobilizar os patinhos e os patões que haviam proclamado a República do Vão Livre do MASP ou o Consulado do Pato FIESP.

Concluo esse mergulho no mundo dos patos, marrecos e gansos com duplo e contraditório sentimento: otimista e pessimista.

Pessimista por ver quanto é poderosa a aliança mídia/grande capital, tão poderosa a ponto de fazer milhões de brasileiros bem-intencionados a vestirem a camisa da CBF e marcharem pelas ruas defendendo, em última instância, as teses de seus opressores.

Otimista por ver os brasileiros, que foram feitos de patos, despertarem e, em movimento contrário, retomarem as ruas contra a entrega do país ao grande capital global, especialmente ao capital financeiro; contra a destruição da Previdência Social e da Legislação Trabalhista; contra a terceirização que instaura no país a escravidão remunerada; contra a destruição da nossa indústria e o extermínio dos empregos.

O Brasil desperta. Está na hora deste Senado também acordar e a começar a pôr um freio nessas loucuras inspiradas nas putrefatas ideias neoliberais.

Não somos o país dos patos. Não somos patos.

Não há de ser o presidente de uma entidade empresarial-industrial que se distingue pelo servilismo aos que destroem as indústrias, o emprego, o consumo e a soberania que fará do Brasil o país dos patos-FIESP.

* Senador da República (PMDB/PR)