"Estamos perdidos há muito tempo...O país perdeu a inteligência e a
consciência moral.
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domingo, 23 de julho de 2017
A atualidade de Eça
A descoberta do Brasil !
terça-feira, 18 de julho de 2017
A descoberta do Brasil !

Ainda é comum encontrarmos, nos livros didáticos, que o Brasil foi descoberto no dia 22 de abril de 1500 (século XVI). Nossos professores ensinam (nos dizem) e os alunos aprendem (decoram) e todos saem com a nítida ideia que foi descoberta nesta data é por que, antes, ninguém sabia da existência do mesmo. Isso do ponto de vista dos europeus. Afinal de contas, existiam milhões de nativos (índios) vivendo nesse novo continente!
Nestas histórias escritas (livros e derivados) ou orais (aulas e palestras) se fala sobre os Tratados celebrados entre Espanha e Portugal e sempre passam a ideia que eles ainda não sabiam da existência das terras que serão descobertas. Entre esses tratados o mais conhecido é o Tratado de Tordesilhas (1494), onde ficou definido que as terras descobertas a leste do Paralelo de Tordesilhas iriam pertencer a Portugal e as terras a oeste iriam pertencer à Espanha. Vejam bem, os representantes do governo espanhol e português assinaram tratados de terras que não sabiam da existência! Vocês acreditam mesmo que eles assinaram tratados para explorarem terras que não sabiam existir? Alguém em sã consciência assinaria um tratado de alguma coisa que pensa não saber existir?
Já faz algum tempo que é de conhecimento, científico, a existência destas terras muito antes da assinatura destes tratados. Já era de conhecimento dos europeus, principalmente franceses, a existência de terras no Oceano Atlântico e era comum o comércio da tinta vermelha e móveis, fabricados do pau-brasil, entre os franceses e holandeses. Existem vários documentos comprovando que os franceses faziam comercio com os nativos na América. O que os franceses e europeus imaginavam era que as terras, existentes, eram ilhas no Oceano Atlântico e ainda não se davam conta que as terras na realidade é um imenso continente.
Na Região Norte e parte da Região Nordeste, os habitantes creditam a descoberta do Brasil ao espanhol Vizente Yáñez Pinzón. Na realidade, nosso país foi descoberto (tomado posse) na parte oeste de Tordesilhas pelos espanhóis e na parte leste pelos portugueses. Infelizmente nas nossas escolas a descoberta dos espanhóis (que chegaram primeiros que os portugueses) é ocultada nos nossos livros de história e o mais grave é que na realidade dois espanhóis (Vizente Yáñez Pinzón e Diogo de Lepe) chegaram, as terras brasileiras, primeiro que Pedro Álvares Cabral.
Mesmo nos tempos atuais, os nossos livros de História e Geografia trazem a informação que o Brasil foi descoberto em 1.500 (século XVI) e a América em 1457. Essas informações levam a termos perguntas um pouco constrangedores por parte de alguns alunos mais observadores. Já fui questionado várias vezes como pode o Brasil ser descoberto em 1500 se a América foi descoberta em 1457? A pergunta do aluno tem certa lógica. Sabiam da existência de um continente e não sabiam da existência do Brasil! É claro que os portugueses sabiam que existia um continente, mas eles não sabiam que as terras que eles descobriram fazia parte do continente. Eles pensaram ter descoberto uma grande ilha e só posteriormente ficou esclarecido que fazia parte de algo maior, um continente.
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia
Confiscador
MORO CONFISCA IMÓVEIS E
BLOQUEIA CONTAS BANCÁRIAS DE LULA
O ex-presidente Lula teve R$
606.727,12 bloqueados pelo Banco Central nesta terça-feira 18, por ordem do
juiz federal Sérgio Moro.
O confisco dos ativos foi um
pedido feito pelo Ministério Público Federal no dia 4 de outubro de 2016,
atendido agora pelo magistrado. O ex-presidente foi condenado a 9 anos de 6
meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na semana passada
por Moro.
O dinheiro foi encontrado em
quatro contas de Lula: R$ 397.636,09 (Banco do Brasil), R$ 123.831,05 (Caixa
Econômica Federal), R$ 63.702,54 (Bradesco) e R$ 21.557,44 (Itaú).
Além do dinheiro, Moro também
confiscou três apartamentos e um terreno de Lula, todos os imóveis em São
Bernardo do Campo (SP) e também dois veículos. Os bens confiscados correspondem
"a parte ideal de 50% correspondente à meação" - Lula é viúvo desde
fevereiro, quando sua esposa, Marisa Letícia, faleceu vítima de um AVC.
A política externa do nada A QUÊ PONTO CHEGOU O BRASIL DOS GOLPISTAS!
A política externa do nada
Incapazes de articular qualquer ideia de projeção do Brasil no mundo, chanceleres de Temer limitam-se a balbuciar discurso ideológico pró-EUA, pró-globalização e anti-Venezuela.
Igor Fuser*
Esses elementos estão presentes nas três prioridades que, juntamente com a tarefa inglória de obter reconhecimento externo ao governo ilegítimo de Michel Temer, se estabeleceram em lugar da diplomacia “ativa e altiva” do período anterior: a) alinhamento incondicional aos Estados Unidos em todos os temas, fóruns e instâncias do sistema internacional; b) adesão irrestrita à globalização neoliberal; c) envolvimento ostensivo na campanha internacional para depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro e esmagar a Revolução Bolivariana, devolvendo o poder à direita local, aliada aos EUA.
No primeiro tópico, é inevitável a lembrança da frase que se tornou clássica: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, pronunciada em junho de 1964 por Juracy Magalhães, um político conservador nomeado para a embaixada brasileira em Washington logo depois da quartelada de abril daquele ano. O regime militar, naquele momento, empenhava-se em retribuir a ajuda decisiva dos EUA para a queda de João Goulart. A afirmação desastrada de Magalhães – que o próprio embaixador estadunidense, Lincoln Gordon, chamou de “infeliz”, em uma conversa privada – sinalizava a reversão radical da política externa independente que vinha sendo implementada no período de Jango pelo chanceler Santiago Dantas.
Uma das primeiras medidas dos golpistas fardados em 1964 foi romper relações com Cuba, sinalizando o engajamento explícito do Brasil na Guerra Fria, do lado dos EUA. Os integrantes da missão comercial da República Popular da China foram presos e expulsos do país. No ano seguinte, o presidente Castello Branco enviou 1.100 militares brasileiros para a República Dominicana em apoio às forças estadunidenses que invadiram aquele país caribenho[2]. O Brasil só não chegou a enviar soldados para combater ao lado dos EUA na Guerra do Vietnã (havia um “convite” nesse sentido) devido à oposição de parlamentares do próprio partido governista, a Arena, além da falta de disposição dos chefes militares para embarcar numa aventura tão perigosa, em terras distantes.
O país já havia resistido, na década de 1950, a uma campanha de americanófilos mais exaltados que defendiam o envio de tropas para a Guerra da Coreia. Mas passou pelo vexame, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1950), de romper relações com a União Soviética por iniciativa própria, sem uma justificativa clara e até mesmo na ausência de pressão externa nesse sentido (outros países latino-americanos, igualmente alinhados aos EUA, mantiveram seus laços diplomáticos com Moscou naquele período). Dutra quis ser “mais realista que o rei”, uma postura que o levou, no mesmo contexto, a colocar na ilegalidade o Partido Comunista, em 1947.
Perigosa subserviência
Hoje não existe mais Guerra Fria, mas a diplomacia golpista já deixou claro, desde o início, seu distanciamento perante a Unasul, a Celac e o Brics, iniciativas que claramente colocam limites à hegemonia global dos EUA. Em sentido inverso, optou pela valorização da decadente Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja subserviência a Washington levou Fidel Castro a chamá-la de “ministério das Colônias”. A ironia do momento atual é o abandono de qualquer noção de interesse nacional pelos mesmos políticos, jornalistas e funcionários que, no governo anterior, denunciavam como “ideológico” o comportamento dos formuladores de política externa, enquanto eles, em contraste, adotavam a pose de pragmáticos defensores de uma diplomacia “de Estado e não de partido”.
Eu pergunto: onde está o legítimo interesse brasileiro em um ato provocativo como a promoção do diplomata Eduardo Sabóia – punido por indisciplina em 2013 por trazer para o Brasil, escondido num carro da nossa embaixada em La Paz, um ex-senador boliviano processado pelo Judiciário do seu país por corrupção e pelo envolvimento num massacre de camponeses[3] — para o cargo de mais alto da carreira no Ministério das Relações Exteriores, o de ministro de primeira classe? Os golpistas que agora agem como se fossem donos do Itamaraty desprezam a importância de manter relações amigáveis com a Bolívia, país vizinho com o qual compartilhamos milhares de quilômetros de fronteira e mantemos relevantes laços econômicos e sociais.
No plano das relações econômicas internacionais, o governo golpista trata de colocar em prática o programa do candidato do PSDB derrotado nas eleições de 2014, Aécio Neves, com destaque para o rebaixamento do MERCOSUL ao transformá-lo de união aduaneira em uma simples zona de livre-comércio. Logo após o afastamento de Dilma Rousseff em abril de 2016, o chanceler golpista José Serra já começou a se mover, afoito, no sentido de levar o Brasil para o Acordo Transpacífico de Comércio e Investimentos, porém… chegou tarde demais. Foi atropelado por Donald Trump. No contexto da inflexão protecionista da política comercial estadunidense,Trump detonou, sem perda de tempo, o mega-acordo gestado pela dupla Obama & Hillary, deixando os vira-latas brasileiros a ver navios.
Como em episódios históricos anteriores de subserviência ao Império, os neoliberais tupiniquins tentavam se mostrar mais liberais do que os senhores do neoliberalismo global, aos quais prestam vassalagem. Qualquer semelhança com os tempos de Fernando Collor, que chamou os automóveis brasileiros de carroças e levou setores inteiros da indústria nacional à falência com uma abertura comercial indiscriminada e sem contrapartidas, é mais do que coincidência.
Mas o verdadeiro vira-lata nunca desiste, e lá vem de novo a diplomacia temerária abanando o rabo para o Primeiro Mundo, agora em busca de uma vaga na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o “clube dos ricos” – como bem apontou o analista político Marcelo Zero[4].
A submissão do desgoverno Temer aos interesses externos vai muito além dos gestos simbólicos, como se vê na gestão entreguista de Pedro Parente na Petrobrás. O difícil, aí, é saber qual é o crime mais grave: a transferência, por preços escandalosamente abaixo do valor real, de preciosos blocos petrolíferos no pré-sal a empresas transnacionais? Ou a destruição das regras de conteúdo local, estabelecidas no governo Lula para favorecer o desenvolvimento da indústria e da tecnologia brasileiras na cadeia produtiva do pré-sal?
A tudo isso se agrega a reabertura das conversações para a entrega do centro de lançamento de foguetes de Alcântara (Maranhão) às Forças Armadas dos EUA. Essas tratativas tinham sido iniciadas na gestão de Fernando Henrique Cardoso e suspensas por Lula após a sua posse em 2003[5]. Se uma base militar estrangeira em território nacional era só o que faltava no cenário tenebroso do pós-golpe, em breve não faltará mais, a menos que a resistência da sociedade brasileira impeça este novo atentado à nossa soberania.
E o que dizer do uso do MERCOSUL e da OEA pela diplomacia de Temer e de outros países latino-americanos alinhados ao imperialismo como plataformas para a desestabilização do governo venezuelano? Mais uma vez, os operadores políticos da grande burguesia brasileira retiram a máscara “republicana” que usavam ao acusar os governos progressistas de se guiarem no cenário externo por “ideologia” e agora se colocam, às claras, como força auxiliar da direita venezuelana mais truculenta na sua ofensiva para derrubar o presidente Maduro.
O bando de Temer ameaça reviver, também na esfera das relações sul-americanas, episódios lamentáveis da história da política externa nacional. Nos tempos da ditadura, os militares do Brasil atuaram na região como cães de guarda dos EUA, justificando a fama do nosso país como subimperialista. Em 1973, o Estado brasileiro participou ativamente da derrubada do governo democrático e socialista de Salvador Allende, no Chile[6]. A embaixada brasileira em Santiago funcionava como centro de operações dos conspiradores e canal por onde fluía o dinheiro de empresários brasileiros que financiaram grupos fascistas chilenos. O Brasil esteve entre os primeiros países que reconheceram o regime assassino de Augusto Pinochet e, nos meses seguintes, agentes do aparato repressivo brasileiro estiveram em Santiago para ensinar técnicas de tortura aos seus colegas chilenos.
Muitos dos elementos da tragédia chilena estão presentes na Venezuela atual: os métodos de sabotagem econômica utilizados pela burguesia para gerar uma situação artificial de escassez, e a campanha sistemática das grandes redes internacionais de mídia para criar uma matriz de opinião negativa em relação ao governo popular, entre outras coisas.
Agora a escalada do conflito político na Venezuela já atingiu um ponto de pré-guerra civil, com ataques de grupos paramilitares a edifícios públicos, assassinatos de ativistas de esquerda e o uso de armas de fogo por manifestantes supostamente “pacíficos”.
Diante de uma situação tão dramática no país vizinho, caberia ao governo brasileiro, qualquer que fosse sua inclinação ideológica, atuar no sentido de diluir as tensões e contribuir, como mediador, para o diálogo com vistas a uma solução política, nos marcos da Constituição. Mas os representantes do Brasil fazem exatamente o contrário do que se poderia esperar de autênticos diplomatas – lançam gasolina no incêndio, estimulando as facções mais violentas da oposição e utilizando de forma oportunista o peso político do Brasil nas organizações internacionais com a intenção de isolar o governo legítimo de Maduro.
A irresponsabilidade é a marca da conduta das autoridades brasileiras perante a crise venezuelana. Já não se trata de questionar, simplesmente, a opção política da “diplomacia” de Brasília em seu apoio escancarado à oposição direitista em sua investida para reverter as conquistas sociais da Revolução Bolivariana e devolver o poder à oligarquia local. Está em jogo algo muito mais grave. O conflito do outro lado da fronteira já começa a envolver diretamente o Brasil, com a chegada crescente de venezuelanos ao estado de Roraima, e põe em risco interesses permanentes da nossa pátria – a paz e a soberania.
Será que é do interesse nacional uma intervenção militar dos EUA – sob o pretexto de “ação humanitária”, é claro – bem ali na nossa fronteira amazônica? É do interesse nacional uma guerra civil no país vizinho? Uma conflagração desse tipo trará para o Brasil, entre outras consequências, o ingresso de multidões de refugiados no nosso território, a violação das fronteiras pelas forças beligerantes e o tráfico de armas, sem contar o agravamento do conflito político no nosso próprio país, com a mobilização de setores opostos da sociedade brasileira em apoio aos dois lados em luta na Venezuela.
Se isso acontecer, será mais um crime a ser atribuído não só ao grupinho de Temer, mas a toda a aliança política envolvida no golpe de Estado de 2016 – empresários, magistrados, mídia e partidos, principalmente o PSDB, que na repartição do butim entre os golpistas recebeu de presente o Itamaraty.
—
[2] Luiz Alberto Moniz Bandeira. Brasil, Argentina e Estados Unidos – Conflito e integração na América do Sul (Da Tríplice Aliança ao MERCOSUL 1870-2003), pgs. 388-390. Rio de Janeiro: Revan, 2003.
[3] O incidente resultou na demissão de Antonio Patriota do cargo de ministro das Relações Exteriores.
/[4] “Abanando o rabo em Paris”. Marcelo Zero, portal Brasil 247, 01/06/2017, disponível em: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/299126/Abanando-o-rabo-em-Paris.htm
[5] Gabriela Valente, Eliane Oliveira e Roberto Maltchik. Brasil assume de vez negociação espacial com americanos, O Globo, 23/01/2017. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/brasil-assume-de-vez-negociacao-espacial-com-americanos-20811165era
[6] Comissão da Verdade deve investigar participação de brasileiros no golpe do Chile. João Paulo Charleau, Opera Mundi, 26/05/2012. Disponível em:
Igor Fuser é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), professor na Universidade Federal do ABC (UFABC) e integrante do Grupo de Reflexão em Relações Internacionais (GR-RI).
Aos 85 anos, capitão da Revolução dos Cravos defende tese de doutorado sobre descolonização
Aos 85 anos, capitão da Revolução dos Cravos defende tese de doutorado sobre descolonização
Pedro de Pezarat Correia foi um dos 'capitães de abril' que participaram do Movimento das Forças Armadas e derrubaram a ditadura salazarista em Portugal em 1974; ex-militar é orientando do deputado José Manuel Pureza
Aos 85 anos de idade, Pedro de Pezarat Correia, um dos capitães do movimento que liderou a Revolução dos Cravos, que levou à derrubada da ditadura salazarista em Portugal em abril de 1974, defenderá nesta quarta-feira (19/07) sua tese de doutorado em Relações Internacionais na Universidade de Coimbra.
Com o título “Descolonização: do proto-nacionalismo ao pós-colonialismo”, Correia aborda os processos de descolonização do ponto de vista do colonizado que, segundo o autor, “é o verdadeiro protagonista de todos os processos de descolonização, desde a luta pela libertação à independência, e até mesmo em todas as contradições que advém da construção e afirmação dos novos países”.
A tese, que levou três anos para ficar pronta, usará como exemplo a independência de Angola, colônia portuguesa desde 1575 que conquistou a independência em 1975.
Reprodução/Youtube

Pezarat Correia foi um dos "capitães de abril" que participaram da Revolução dos Cravos em 1974
Pezarat Correia foi um dos "capitães de abril" que participaram da Revolução dos Cravos em 1974
Em Portugal, projeto promove arte urbana e inclusão levando idosos às ruas para grafitar
Portugal tem melhor crescimento trimestral em 10 anos e PIB registra aumento de 2,8%
Incêndio em Portugal causou prejuízo equivalente a R$ 1,8 bi, diz governo do país
Pezarat Correia integrou o MFA (Movimento das Forças Armadas) e ficou conhecido como um dos “capitães de abril”, em referência ao mês em que a Revolução de 1974 aconteceu. Participou da independência angolana como representante do MFA e afirma que isso se reflete agora em sua tese como “um percurso completo de vida”.
O orientador de Correia, o deputado do Bloco de Esquerda (BE) e professor universitário José Manuel Pureza, disse que é “uma enorme satisfação pessoal” desempenhar esse papel, mas que não poderia falar mais sobre o tema antes da banca examinadora.
Para assistir a defesa da tese de Correia foram convidados outros ex-militares ligados à Revolução de Abril, entre eles Antonio Ramalho Eanes, que em 1976 se tornou o primeiro presidente democraticamente eleito em Portugal após a derrubada do regime salazarista.
A FOME VOLTOU
_____________
Por Fernando Horta
Em junho de 2001, o Jornal Nacional veiculava uma série de reportagens
que viria a ser premiada. Marcelo Canellas e Lucio Alves apresentavam a
"Fome no Brasil". O dado revelado era que uma criança morria de fome no
Brasil a cada cinco minutos. Em pleno "milagre neoliberal", como gostam
de citar alguns intelectuais e políticos de direita no Brasil, uma
criança morria a cada cinco minutos no Brasil. Vou repetir, porque
penso que o número deveria ser usado em qualquer discussão sobre
política e economia de agora em diante. Ao começar a ouvir qualquer
argumento dos defensores desta hipocrisia de direita, pare e escreva "em
2001, aos sete anos do governo FHC, uma criança morria de fome a cada
cinco minutos no Brasil". Repita ou escreva, não importa, mas sempre
comece por esta informação. Em seguida, olhe a ginástica retórica
que o interlocutor fa rá e avalie se ela se encontra no campo da
ignorância ou da mácula moral insanável. Qualquer das duas opções,
é uma conversa que não vale à pena.
Não sei se já mencionei, mas em 2001, uma criança morria de fome a
cada cinco minutos no Brasil. O fato, chocante, inaceitável, inumano,
é irrisório perto da pergunta de um pai, quando confrontado pelo
jornalista se não havia como o seu filho "ganhar um pouco mais de
peso". Ana Cláudia dos Santos, a mãe, e Evangelista dos Santos, o pai,
com a sabedoria de quem luta para sobreviver, respondem ao repórter "o
que você acha que eu devia fazer?" Este diálogo reflete o Brasil do
neoliberalismo. O repórter, obviamente não sabia sobre o que
perguntava e não conseguia compreender o que via e ouvia. Provavelmente
foi dilacerado a cada entrevista, eis que humano. O pai entrevistado,
sequer com tempo de tirar a enxada das costas para falar, desfere a
pergunta fatídica que separava os brasis de forma tão evidente. "O que
você acha que eu deveria fazer?" para salvar a vida da minha filha que
não tem o que comer ...Eu me recordo de assistir esta reportagem e chorar, copiosamente. Eu
não choro com hino, bandeira ou camiseta verde amarela. Não choro por
cântico religioso fervoroso. Não choro por ver alguém "atingir a
meta" de malhar todo dia e perder peso. Não sou de reconhecer heróis
em ações ordinárias e totalmente comuns. Eu chorei como criança
vendo aquela série. O olhar de Evangelista para o repórter era a
demonstração de que nada, absolutamente nada naquele país, poderia
estar dando certo.O que não consigo entender é como Ana Cláudia dos Santos, a mãe, e
Evangelista dos Santos, o pai, se tornaram "vagabundos que se aproveitam
do Estado para não trabalhar". Ou ainda como a fome de sua filha
poderia ser um reflexo "da meritocracia" que levaria - em um livre
mercado - a sociedade brasileira a ser produtiva e rica. Não entendo
como Ana Cláudia e Evangelista se tornaram o "problema das contas
públicas do Brasil", tendo contra si os dedos da classe média
(saciada) e da maioria dos que apertam botões no parlamento, e que hoje
defendem o fim dos programas sociais, dos direitos do trabalho e a
redução de vencimentos para os mais pobres.
Apenas uma sociedade doente, ignorante e hipócrita pode acreditar que
Ana Cláudia e Evangelista estão sofrendo assim por que não se
esforçaram o suficiente. Apenas uma sociedade lunática, cínica e
monstruosa pode se convencer de que eles sofrem desta forma por não
terem fé suficiente ou por não terem depositado algum valor numa conta
em nome de algum deus.E eu não falei ainda da sua bebê, que padece da fome.
Certamente quando ela crescer, depois de ter lutado para sobreviver, vai
saber evitar as mazelas da sociedade. Vai se esforçar numa escola
pública de algum sertão poeirento e seco e vai concorrer "de igual
para igual" com alguém que comeu na infância toda e que "não aceita
privilégio" de quem quer que seja.
Também não falei de você, que se "revoltou" com o conto das
"pedaladas" e saiu a bater panelas vazias - de barriga cheia - querendo
o "seu país de volta". Pois a ONU informa que a fome voltou ao Brasil.
O seu país, finalmente, voltou. E se você a ele reivindicar as cores
verde e amarela, fique com elas. Não me farão falta as cores de um
país em que uma criança morria a cada cinco minutos de fome. Um país
hipócrita que não aceita vidraça quebrada, mas nunca se importou com
as muitas Anas Cláudias e Evangelistas a enterrarem seus filhos em
caixas de sapato, como "querubins sem pecado", no único consolo
possível.
Que bom que as cores nos diferem. Você fica com a hipocrisia em verde
amarelo e eu procuro qualquer outra que dê guarida a um país sem fome.
Quem nos olhar saberá de pronto que não me misturo com quem prefere o
cassetete à cabeça do estudante, quem prefere o privilégio da gravata
à comida da criança, quem tem força física para bater em panela, mas
padece de inanição a cada cinco minutos de fome, no Brasil.
Este país voltou ...
De fome ...
Por Fernando Horta
Em junho de 2001, o Jornal Nacional veiculava uma série de reportagens
que viria a ser premiada. Marcelo Canellas e Lucio Alves apresentavam a
"Fome no Brasil". O dado revelado era que uma criança morria de fome no
Brasil a cada cinco minutos. Em pleno "milagre neoliberal", como gostam
de citar alguns intelectuais e políticos de direita no Brasil, uma
criança morria a cada cinco minutos no Brasil. Vou repetir, porque
penso que o número deveria ser usado em qualquer discussão sobre
política e economia de agora em diante. Ao começar a ouvir qualquer
argumento dos defensores desta hipocrisia de direita, pare e escreva "em
2001, aos sete anos do governo FHC, uma criança morria de fome a cada
cinco minutos no Brasil". Repita ou escreva, não importa, mas sempre
comece por esta informação. Em seguida, olhe a ginástica retórica
que o interlocutor fa rá e avalie se ela se encontra no campo da
ignorância ou da mácula moral insanável. Qualquer das duas opções,
é uma conversa que não vale à pena.
Não sei se já mencionei, mas em 2001, uma criança morria de fome a
cada cinco minutos no Brasil. O fato, chocante, inaceitável, inumano,
é irrisório perto da pergunta de um pai, quando confrontado pelo
jornalista se não havia como o seu filho "ganhar um pouco mais de
peso". Ana Cláudia dos Santos, a mãe, e Evangelista dos Santos, o pai,
com a sabedoria de quem luta para sobreviver, respondem ao repórter "o
que você acha que eu devia fazer?" Este diálogo reflete o Brasil do
neoliberalismo. O repórter, obviamente não sabia sobre o que
perguntava e não conseguia compreender o que via e ouvia. Provavelmente
foi dilacerado a cada entrevista, eis que humano. O pai entrevistado,
sequer com tempo de tirar a enxada das costas para falar, desfere a
pergunta fatídica que separava os brasis de forma tão evidente. "O que
você acha que eu deveria fazer?" para salvar a vida da minha filha que
não tem o que comer ...Eu me recordo de assistir esta reportagem e chorar, copiosamente. Eu
não choro com hino, bandeira ou camiseta verde amarela. Não choro por
cântico religioso fervoroso. Não choro por ver alguém "atingir a
meta" de malhar todo dia e perder peso. Não sou de reconhecer heróis
em ações ordinárias e totalmente comuns. Eu chorei como criança
vendo aquela série. O olhar de Evangelista para o repórter era a
demonstração de que nada, absolutamente nada naquele país, poderia
estar dando certo.O que não consigo entender é como Ana Cláudia dos Santos, a mãe, e
Evangelista dos Santos, o pai, se tornaram "vagabundos que se aproveitam
do Estado para não trabalhar". Ou ainda como a fome de sua filha
poderia ser um reflexo "da meritocracia" que levaria - em um livre
mercado - a sociedade brasileira a ser produtiva e rica. Não entendo
como Ana Cláudia e Evangelista se tornaram o "problema das contas
públicas do Brasil", tendo contra si os dedos da classe média
(saciada) e da maioria dos que apertam botões no parlamento, e que hoje
defendem o fim dos programas sociais, dos direitos do trabalho e a
redução de vencimentos para os mais pobres.
Apenas uma sociedade doente, ignorante e hipócrita pode acreditar que
Ana Cláudia e Evangelista estão sofrendo assim por que não se
esforçaram o suficiente. Apenas uma sociedade lunática, cínica e
monstruosa pode se convencer de que eles sofrem desta forma por não
terem fé suficiente ou por não terem depositado algum valor numa conta
em nome de algum deus.E eu não falei ainda da sua bebê, que padece da fome.
Certamente quando ela crescer, depois de ter lutado para sobreviver, vai
saber evitar as mazelas da sociedade. Vai se esforçar numa escola
pública de algum sertão poeirento e seco e vai concorrer "de igual
para igual" com alguém que comeu na infância toda e que "não aceita
privilégio" de quem quer que seja.
Também não falei de você, que se "revoltou" com o conto das
"pedaladas" e saiu a bater panelas vazias - de barriga cheia - querendo
o "seu país de volta". Pois a ONU informa que a fome voltou ao Brasil.
O seu país, finalmente, voltou. E se você a ele reivindicar as cores
verde e amarela, fique com elas. Não me farão falta as cores de um
país em que uma criança morria a cada cinco minutos de fome. Um país
hipócrita que não aceita vidraça quebrada, mas nunca se importou com
as muitas Anas Cláudias e Evangelistas a enterrarem seus filhos em
caixas de sapato, como "querubins sem pecado", no único consolo
possível.
Que bom que as cores nos diferem. Você fica com a hipocrisia em verde
amarelo e eu procuro qualquer outra que dê guarida a um país sem fome.
Quem nos olhar saberá de pronto que não me misturo com quem prefere o
cassetete à cabeça do estudante, quem prefere o privilégio da gravata
à comida da criança, quem tem força física para bater em panela, mas
padece de inanição a cada cinco minutos de fome, no Brasil.
Este país voltou ...
De fome ...
Combate à corrupção
Compliance em foco
Normas éticas e de procedimentos promovem melhorias nos processos internos das empresas

A palavra compliance, traduzida do inglês, significa conformidade. Trata-se de um sistema de políticas, procedimentos e diretrizes éticas de uma empresa que visa normatizar e assegurar a atuação dos seus colaboradores e fornecedores.
O objetivo é estabelecer uma nova cultura corporativa, alinhada aos valores da companhia. Além da evidente contribuição social, uma vez que gera um ecossistema de negócios mais transparente e íntegro, as empresas que adotam o compliance se tornam mais confiáveis e competitivas.
O caminho a ser trilhado na implementação do programa tem um início semelhante para toda e qualquer organização. Primeiro são identificadas as áreas em que há risco de funcionários ou terceiros comprometerem a sustentabilidade financeira ou os valores éticos da empresa. A partir daí, é preciso observar as particularidades de cada companhia e adequar o sistema e as normas.
— Há variações entre segmentos. As necessidades de uma instituição da área de saúde são diferentes de uma empresa da construção civil. É preciso avaliar, por exemplo, se é necessário desenvolver um programa de prevenção de desvio de substâncias ou de favorecimento pessoal — exemplifica o advogado e consultor Giovani Agostini Saavedra, coordenador do curso de Especialização em Compliance da Faculdade de Direito da PUC-RS.
Amplamente difundido fora do Brasil, o compliance passou a ganhar maior destaque a partir da Lei Anticorrupção (nº 12.846/13). É perceptível o crescimento dessa prática entre as empresas, mas ainda não há números sólidos no Brasil a respeito da adesão.
— Há apenas análises isoladas de empresas de auditoria, que dizem respeito a seus clientes. Por causa dessa falta de dados, a OAB está começando a fazer um levantamento, para podermos apresentar um panorama real sobre a questão no país — revela Saavedra, que também é presidente da Comissão Especial de Prevenção à Corrupção da OAB/RS.
Para a saúde financeira da empresa, o sistema de compliance só traz benefícios. Saavedra explica que, desprotegida, uma organização tem mais chance de ser fraudada. Com um programa adequado implementado, as fraudes são detectadas e tratadas imediatamente, impedindo a perda pontual de dinheiro e também a criação de uma cultura tolerante com práticas irresponsáveis.
Tal vantagem se estende à cadeia de fornecimento dessa empresa, pois é obrigatório que todos os terceiros e associados sigam os códigos estabelecidos. Assim, consequentemente, cada fornecedor passa a ter atitudes mais transparentes. Ganha também toda a sociedade, como Saavedra detalha:
— Além de as pessoas serem mais bem tratadas e as leis trabalhistas respeitadas, cria-se uma rede de prevenção à corrupção. O não desvio de verbas resulta na não sonegação de impostos, e esse dinheiro pode ser aplicado em seus devidos fins sociais — avalia o especialista.
A existência do programa de regulamentação de normas tende a aumentar o valor de mercado da corporação, isso porque as ações podem valorizar quando ele é formalizado e aplicado. Além disso, o decreto 8420/15 estimula a adoção do compliance. Diante de um processo administrativo,
empresas que praticam as normas éticas podem ser beneficiadas com abatimento de até 4% da multa administrativa. Em contrapartida, se for constatado que o programa nunca foi colocado em prática, o argumento não é aceito como defesa jurídica.
Diálogo eficaz
A comunicação tem papel-chave na disseminação da cultura de controle e conformidade. Cursos, palestras, videoconferências, comunicados via e-mail e publicações com assuntos que atinjam os funcionários de todos os níveis hierárquicos são ações eficientes nesse cenário.
Na pesquisa “Panorama sobre Ética e Transparência nas Organizações: Contexto, conceito, estratégias e práticas comunicacionais”, lançada em novembro de 2015 pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), verificou-se que o e-mail é o canal de comunicação favorito para o repasse de informações e mensagens relacionadas às políticas de compliance, sendo utilizado por 91,7% das empresas. Os treinamentos sobre o assunto ficam em segundo lugar, presentes em 83,3% delas.
Empresas como a Petrobras estão levando esse direcionamento para dentro de seus escritórios, disponibilizando inclusive cursos em EAD (ensino à distância) para reforçar o código de comportamentos e condutas, mostrando,
de forma lúdica e criativa, situações do dia a dia empresarial, suas armadilhas e escolhas. E quem está em posições mais arriscadas a quebrar o compromisso com a conformidade recebe conteúdo específico.
— Quando há em uma empresa diferentes escalões hierárquicos, é necessário formalizar em um sistema como deve ser o funcionamento da operação, das tomadas de decisões às aplicações de punições. E mostrar, por meio de uma comunicação abrangente, que ele é simples do ponto de vista metodológico e prático — ressalta Alexandre Serpa, coordenador dos cursos de Compliance, da consultoria LEC (Legal, Ethics and Compliance).

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