segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A direita mostra os dentes. Como (re)agir?


A direita mostra os dentes. Como (re)agir?

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A direita mostra os dentes. Como (re)agir?
Por Antonio Martins
Do Outras Palavras
O fantasma da intervenção militar esvoaçou sobre o Brasil esta semana. O general Martins Mourão, da ativa, prometeu na sexta-feira passada “derrubar este troço todo”, se o Congresso e o Judiciário não retirarem de cena “esses elementos envolvidos em todos os ilícitos”. Seus superiores – o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas e o ministro da Defesa, Raul Jungmann – recusaram-se a puni-lo. Em São Paulo, a Rota, tropa mais brutal da PM, fez exercícios de repressão política, simulando uso de munição real, em plena Avenida Paulista. Uma nova sondagem pré-eleições presidenciais mostrou Jair Bolsonaro consolidado em segundo lugar, abaixo apenas de Lula e à frente de todos os conservadores tradicionais. Como tem sido comum há meses, muitos, entre a esquerda, reforçaram sua convicção fatalista de que “o pior está por vir” e de que “não haverá 2018”.
Os motivos para alarme são reais: os grupos de direita estão claramente testando limites, para ver até onde podem chegar. Mas o derrotismo, como de costume, expressa não apenas um estado melancólico. Revela também uma incapacidade de ver a conjuntura – ou seja, o conjunto dos elementos que compõem o cenário político.
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O fator mais óbvio, que muitos preferem não enxergar, é: se a direita militarista se alvoroça, é principalmente porque o golpe parlamentar de 2016 fracassou. Milhões de pessoas que encheram as ruas, há um ano e meio, estão perplexas e frustradas. Um sonho pueril, segundo o qual bastaria sanear o país dos “petralhas” para convocar de novo a felicidade, despedaçou-se. Há desemprego e gente morando e pedindo em cada esquina. Os negócios da classe média naufragam, as dívidas bancárias espreitam. A Rede Globo, que almeja ser o eleitor maior nas eleições do ano que vem, afastou-se há meses de Temer – que agora terá de lidar com um novo processo. A casta política entende-se apenas quando se trata de aprovar as missões encomendadas pelo grande poder econômico.  O fracasso da contra-reforma política revela: não há nenhum projeto comum de futuro. A quadrilha já não se entende. São todos contra todos, na disputa pelo butim do golpe.
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Neste contexto de fracasso, uma parte dos golpistas, busca livrar-se de suas responsabilidades por meio de um clássico: a fuga para frente. Se o remédio agravou a doença, diz o “médico” charlatão, é porque o paciente precisa de uma dose a mais. Por que este expediente primitivo parece funcionar?
Provavelmente porque a população desiludida não encontra, à esquerda, nada que dialogue com seu desamparo. Tente encontrar, no discurso de pré-candidatos como Lula e Ciro Gomes, alguma resposta à agenda de horrores que assombra a Brasil. Os serviços públicos estão sendo devastados. O Pré-Sal pode ser entregue às petroleiras internacionais. O governo ameaça devastar até os santuários da Amazônia. Lula caravaneia pelo Nordeste, seu reduto eleitoral, onde encontra-se com o povo pobre mas evita posicionar-se sobre tudo o que aflige a maioria. Ciro tenta construir um discurso ambíguo de “competência”– no qual caberiam, ele mesmo assegura, personagens como Kassab. Ambos evitam o essencial: como lidarão, se eleitos, com a herança maldita do golpe? Terão coragem de convocar a sociedade para revogar, via referendos, medidas como o congelamento dos gastos sociais por vinte anos, a doação da riqueza petrolífera e o ataque aos direitos indígenas e quilombolas?
Em certas condições, dizem a política e a psicanálise, destruir pode ser uma força positiva. A cólera contra o opressor foi o impulso que construiu as revoluções dos três séculos passados e que moldou, em oposição a um mundo limitado por Deus eu pelos senhores, a ideia de que somos responsáveis por nosso futuro social.
Mas o que a esquerda institucional oferece hoje a quem nutre, com razão, ódio à desigualdade, aos falsos “representantes”, vendidos ao poder econômico, ou aos privilégios? Um discurso surdo e insensível, em defesa de uma democracia que já não existe? O ataque cego à Operação Lava Jato? O delírio de que um dia todas as ondas moralistas cessarão, graças a um acordo por cima? A aposta em que, por uma espécie de milagre laico, Lula ou Ciro poderão ser candidatos, vencerão e nos reconduzirão a um passado virtuoso?
Este estranho sebastianismo, pós-moderno e bizarro, só conduz à paralisia. É graças a ele, a seu saudosismo melancólico e impotente, que se despreza a cólera das maiorias; que se defende a volta de um lulismo conciliatório com as elites – portanto fora de tempo e de lugar; que se abre espaço ao general Mourão e a seu parceiro Bolsonaro.
Claro que há alternativa. Significa impedir que a ultradireita aproprie-se do discurso anti-establishment. Implica uma autocrítica não retórica nem passadista – mas prática e voltada para frente.
Dificimente os partidos sustentarão este projeto. Eles estão capturados demais por uma lógica que os convida a mergulhar nas instituições e no poder sobre. A questão é: aqueles que enxergamos esta debilidade nos atreveremos a ir adiante? Seremos capazes, por exemplo, de propor os referendos revogatórios e de criar um movimento que leve os candidatos à esquerda a defendê-los?
Ou nos limitaremos, em meio à crise, a criticar aqueles que, como sabemos, não darão um passo adiante?

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Fonte: Caros Amigos





Bibliotecária cria livraria especializada em protagonismo feminino negro

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"Sentia uma angústia por ser mulher negra. Esta angústia foi motivada pela ausência de representatividade negra"
Por Rede Brasil Atual
A bibliotecária Ketty Valêncio, que mora na zona norte de São Paulo, decidiu investir em um negócio e numa causa. Ela acaba de lançar a livraria virtual e itinerante Africanidades, especializada em autoras negras. Sua intenção é promover o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial. Além de títulos de autoras conhecidas como Angela Davis, Alice Walker, Teresa Cárdena e Edwidge Danticat, a livraria tem obras de escritoras independentes, pouco conhecidas e/ou pouco acessadas.
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“A ideia de criar a livraria veio da minha própria história de vida. Sentia uma angústia por ser uma mulher negra. Esta angústia foi motivada pela ausência de representatividade negra em todos os espaços de saberes que circulei, isso sem comentar a diminuição de pessoas afrodescendentes como estudantes no decorrer do tempo. Na escola, não aprendemos a literatura negra de homens ou mulheres. Na faculdade, também não. E a literatura reporta ainda mais a realidade que não aprendemos e colocamos a menina como protagonista da própria história ao ser uma criadora”, afirma Ketty, que também é pesquisadora pós-graduada em gênero e diversidade sexual, com um MBA em Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia.
Entre os quase 80 títulos disponíveis na loja, estão obras de Antonieta de Barros, Bell Hooks, Futhi Ntshingila, Jarid Arraes, Maria Firmina, Noémia de Sousa, Virgínia Bicudo, entre outras autoras. Por enquanto, a livraria divide as obras em 11 sessões: Ciências Sociais, feminismo, ficção, não-ficção, obras de referência, quadrinhos, poesia, religião, infanto-juvenil, biografias e artes, tudo voltado à cultura negra.
Para saber como e onde comprar, visite o site de Africanidades: www.livrariafricanidades.com.br.

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Não existe revolução sem combate ao racismo, segundo professor pan-africanista

Não existe revolução sem combate ao racismo, segundo professor pan-africanista

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Não existe revolução sem combate ao racismo, segundo professor pan-africanista
Por Rute Pina, Mariana Pitasse e Gerson de Souza
Do Brasil de Fato
Em sua passagem pelo Brasil, o economista Cosmas Musumali, secretário geral do Partido Socialista da Zâmbia, criticou movimentos de esquerda que, ao longo dos anos, pensaram uma revolução sem tratar o tema do racismo: "Não dá para fazer nenhuma luta esperar. Todas as lutas têm que ter espaço para serem feitas aqui e agora. Sabemos que, dentro da luta de classes, as questões sobre raça e gênero têm que ser incorporadas."
Musumali conversou com o Brasil de Fato no início de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), onde participou de um seminário sobre o pensamento pan-africano.
O pan-africanismo articulou, na segunda metade do século 20, negros das Américas do Norte e Central e do Caribe, em torno dos direitos dos povos negros e da libertação dos territórios colonizados no continente africano.
De acordo com o economista, o interesse pelos pan-africanistas tem aumentado entre ativistas e teóricos brasileiros. A publicação do livro “Luta de classes em África”, do ganense Kwame Nkrumah, é um exemplo. Nkrumah, que chegou à presidência da Gana em 1960, é um dos principais expoentes do movimento. A obra dele é de 1970, mas somente em 2016 ganhou uma edição brasileira. 
Musumali esclarece que o pan-africanismo tem como objetivo a emancipação das populações negras. "A gente tem que entender que o pan-africanismo é ainda uma plataforma necessária para a luta do povo africano e seus descendentes porque, onde quer que estejam, têm que enfrentar situações específicas que outras pessoas não têm", disse.
Com relação à aplicação da teoria no Brasil, ele ressalta a importância que ela tem nesse momento de luta contra o golpe parlamentar que destituiu a ex-presidenta Dilma Rousseff. Para ele, é preciso "ter uma posição formulada em conjunto a respeito do que está acontecendo" porque "os descendentes de africanos no Brasil são as pessoas que mais estão perdendo com as reformas que estão sendo aplicadas".
O militante trabalhou em diversos países africanos e deu aulas na Universidade da Zâmbia e na Phillips University, nos Estados Unidos. No ano passado, foi candidato à vice-presidência da Zâmbia pelo Rainbow Party, partido socialista zambiano. Hoje, ele se dedica à militância política — que ele define como a construção de bases para um futuro justo e humano para a Zâmbia e a África.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
Brasil de Fato: O livro de Kwame Nkrumah “Luta de classes em África”, de 1970, teve sua primeira edição brasileira publicada recentemente. Qual é o interesse em revisitar esse autor hoje?
Cosmas Musumali: O capitalismo se encontra em uma crise e, por muito tempo, nós nos satisfizemos com explicações neoliberais. Então, as ideias de pessoas como Nkrumah ressurgem como mais uma abordagem sobre a luta de classes. Essa crise faz com que muitas pessoas estudem para tentar entender o que está errado com o capitalismo.
Além disso, ficou claro para os países africanos que a independência deles foi formal, mas não econômica. É essa busca por respostas mais humanizadas para o continente africano, que fazem com que ideias de pessoas como Nkrumah se tornem mais interessantes.
Por um longo tempo, Nkrumah foi considerado um pan-africanista que não acreditava muito no socialismo africano. Mas isso não é verdade porque, depois que foi afastado do poder [Nkrumah foi presidente de Gana entre 1960 e, em 1966, sofreu um golpe de Estado], ele estudou e escreveu muito sobre o que é o socialismo. Seu socialismo era baseado na luta de classes. É por isso que hoje ele se tornou mais interessante.
Como podemos definir o pan-africanismo hoje?
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O pan-africanismo sempre foi sobre a emancipação dos povos africanos e seus descendentes. Isso não mudou até hoje. Desde 1760, o espírito do pan-africanismo tem existido nos descendentes dos africanos. Nesse período, seus expoentes acreditavam na religião como forma de emancipação.
Em meados de 1890, o movimento se tornou mais próximo das reivindicações dos direitos civis. Mas, desde 1945, o pan-africanismo trata sobre direitos políticos. Em 1960, se assumiu contra o neocolonialismo e a opressão dos povos africanos, onde quer que se encontrem.
O conteúdo pode ter mudado, mas o objetivo básico, que é a emancipação, nunca mudou. No futuro, o pan-africanismo também tratará sobre emancipação, além de outras dimensões mais amplas, como política racial, meio ambiente, gênero e a luta contra as estruturas patriarcais.
A gente tem que entender que o pan-africanismo é uma plataforma ainda necessária hoje para a luta do povo africano e seus descendentes porque, onde quer que estejam, eles têm que enfrentar situações específicas que outras pessoas não têm.
Vale lembrar que a exploração e a desigualdade não são exclusivas aos africanos e descendentes, então, trabalhar junto com outros povos é importante. Lutar, por exemplo, pelo feminismo, contra o sexismo ou pelos direitos dos povos indígenas se torna um dever para o pan-africanismo.
Qual foi a contribuição do pensamento marxista para o pan-africanismo?
Desde o início, os marxistas se envolveram com o pan-africanismo. A partir daí, foi possível pensar que a luta de classes não nega o racismo, mas o apresenta como parte dela.
Ao longo do tempo, marxistas também cometeram erros. Alguns deles negligenciaram o racismo. A ideia de alguns marxistas era fazer a revolução primeiro para depois tratar do racismo, uma argumentação muito simplista e barata.
Não dá para fazer nenhuma luta esperar, todas as lutas têm que ter espaço para serem feitas aqui e agora. Sabemos que, dentro da luta de classes, as questões sobre raça e gênero têm que ser incorporadas. É muito difícil separar o marxismo do pan-africanismo. Se forem separados, o marxismo vira mecânico e o pan-africanismo fica reduzido.
No último ano, após o golpe de Estado no Brasil, partidos políticos e movimentos sociais têm procurado criar uma unidade no país. Como o pensamento pan-africanista pode nos ajudar nesse processo?
Meu entendimento é que as tendências fascistas estão sempre agindo no campo cultural e econômico. Mas não têm hegemonia. Trabalhar juntos contra um governo como esse que vocês têm hoje no Brasil é urgente. A gente não pode ter o luxo de ficar fragmentado.
Os pan-africanistas no Brasil devem ter uma posição formulada em conjunto a respeito do que está acontecendo. Os descendentes de africanos no Brasil são as pessoas que mais estão perdendo com as reformas que estão sendo aplicadas, então, é preciso lutar ainda mais e trabalhar ao lado de outras forças da esquerda.
O pan-africanismo não somente é importante no Brasil, mas também no mundo inteiro. Então, os que estão fora do país têm o dever de ficar juntos com os daqui. Do mesmo jeito que a gente falou que a vida dos negros importam nos EUA [referência ao movimento Black Lives Matter] há alguns anos, teríamos que estar falando hoje: ‘não destruam as vidas no Brasil e também o Estado de bem-estar que existia aqui’. Essa teria que ser a demanda de todos os africanos, independente de onde estiverem.
Alguns dados projetam que a população africana vai crescer muito nos próximos anos, enquanto a europeia vai diminuir. Qual o impacto disso para o mundo?
Esse crescimento cria uma cara diferente para o mundo. Em 100 anos vamos ver mais peles e rostos africanos. Serão a maioria, mas ainda sem poder econômico e político. Temos que ter em conta que o crescimento da população vai ser liderado pela África — o continente mais pobre do mundo. Então, os impactos têm que planejados para que a maior parte da população do mundo não continue marginalizada como é hoje.
A boa notícia é que essa população jovem negra terá mais acesso à educação e vai viajar muito. O avanço das tecnologias fará com que fiquem em contato mais facilmente. A maior questão é: quais valores essa população vai carregar no mundo? A ideia é que carreguem valores de igualdade, honestidade e solidariedade. Valores que vão ajudar a mudar a sociedade do futuro. Se a gente pensa em pan-africanismo, nós teremos que trabalhar em cima desses valores para construir um mundo melhor. Coincidentemente, esses são os mesmos valores socialistas.

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Denunciado, Temer perde força para votar reforma da Previdência

25 de setembro de 2017 - 11h33 

Denunciado, Temer perde força para votar reforma da Previdência


Evaristo Sá/AFP
  
Segundo o deputado Beto Mansur (PRB-SP), que integra a tropa de choque de Temer, o governo se esforça para garantir o engavetamento da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), por lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça. Ele está confiante de que vai “ter mais apoios contra a nova denúncia do que obtivemos na anterior”.

No entanto, na contabilidade dos votos da questão da Previdência, o otimismo sumiu. “Podemos até conseguir alguma coisa. Mas ninguém quer mais mexer com essa pauta, que é desgastante. Deputado nenhum quer votar isso”, diz ele, segundo informou a colunista Mônica Bergamo nesta segunda-feira (25).

A proposta de reforma não era consenso nem entre os parlamentares da base aliada. Às vésperas de eleições, o tema se torna cada vez mais espinhoso, já que o texto retira direitos e conquistas dos trabalhadores.

Com a relação arranhada com o governo, por conta de uma disputa de parlamentares dissidentes do PSB com o PMDB, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, disse que a reforma, hoje, teria “entre 150 e 200 votos”, sendo que o governo precisa de no mínimo 308 para aprovar, além do quórum especial, isto é, três quintos dos parlamentares em dois turnos de discussão, já que se trata de votação de uma emenda constitucional.

Ainda de acordo com fontes do governo, o calendário e o caixa ficaram extremamente apertados, por conta das duas votações das denúncias. Na primeira, o governo liberou R$ 2 bilhões em emendas parlamentares para garantir a votação. Agora, o governo já anunciou a liberação de R$ 1,016 bilhão em emendas – a maior parte será destinada às emendas individuais.

A prioridade é se manter no governo. Por isso, Temer já considera que a reforma da Previdência subiu no telhado, pelo menos para este ano. A equipe econômica do governo dizia que a reforma era crucial para cobrir o rombo fiscal das contas. O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, afirmou que, sem reforma da Previdência, não há como cumprir a meta do teto de gastos.


Fonte: Portal Vermelho

domingo, 24 de setembro de 2017

O “fim da história” não veio, mas talvez estejamos na história do fim

O “fim da história” não veio, mas talvez estejamos na história do fim

Nos tempos do neoliberalismo – aqui matizado de Collor a Fernando Henrique Cardoso – fazia sucesso entre os microcéfalos um livro – e uma teoria – chamado “O Fim da História”, do norte-americano Francis Fukuyama, defendendo a tese (na verdade uma meia-sola na ideia hegeliana) de que com o fim do socialismo e já tendo sido destruído o fascismo, a historia humana passaria a ser linear, com o triunfo, per omnia seculo seculorum, da democracia liberal ocidental, para qual todo o mundo caminharia, inexoravelmente.
Faltava apenas “resolver uns probleminhas” com o islamismo, que ainda representava valores relativamente “duros de matar”. Mesmo a “primavera árabe” deu chabu.
Os últimos resultados da democracia liberal ocidental, vide as notícias que vêm da Alemanha, mostram que tipo de fenômeno o aniquilamento das ideias de esquerda naquela década de 1990 está nos trazendo.  Pela primeira vez em quase 60 anos do pós-guerra, um partido de inspiração fascista ganha representação no parlamento alemão, onde só entram os que obtiverem ao menos 5% dos votos nacionais.
E a AfD, Alternativa para a Alemanha, simplesmente chegou – indicas as projeções – a mais de 13,5% dos votos, o que a coloca como terceiro maior partido da Alemanha, nos calcanhares do outrora poderoso Partido Social Democrata, que teve  21,6%. E não é um mero agrupamento de fanáticos, de “Holidays” germânicos, não. Foi criado por economistas liberais de prestígio acadêmico e líderes empresariais.
A Alemanha é só um pedacinho desta ascensão da loucura. Em toda a parte ela está implantada, sinal de que, provavelmente, não é apenas uma loucura.
A financeirização do poder se descolou até as corporações industriais, da produção e assumiu uma natureza que, de conexão com a realidade, conserva apenas as commodities como valor material. O resto é controle da  tecnologia e do conhecimento, que é vendido logo que desenvolvido.
Na Europa e nos EUA, a imigração foi um fenômeno estimulado e provocado, quando se dependia de força de trabalho vil. O desenvolvimento da tecnologia e da automação a tornou dispensável em larga escala, embora ainda seja interessante em relação à “máquina de chupar cérebros”.
A “reciclagem” do capitalismo, ao longo da história, foi marcada por guerras. A Primeira Guerra Mundial rearrumou o imperialismo colonial; a segunda, a ascensão de padrões de valor universais, antessala da globalização que seria atingida em 30 ou  40 anos com a eliminação das fronteiras comerciais e financeiras.
Há, de novo, cheiro de guerra no ar e só o imponderável do poder nuclear de China e Rússia é responsável por, ainda, deter a guerra de saneamento capitalista.
Agora para eliminar os excedentes inúteis no modo de produção mundial.
E o excedente, do capitalismo moderno, são pessoas, é gente.