sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Lobby: Das sombras para a luz

Lobby: Das sombras para a luz

CONTEÚDO ESPECIAL
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Como a regulamentação de uma das atividades mais controversas da política pode trazer mais transparência entre os setores público e privado
Por Vinícius Gomes Melo
Especial para Caros Amigos 
Lobby. A própria palavra parece trazer em si uma carga negativa, como se os profissionais da área — os “infames” lobistas — fossem os responsáveis por eventuais relacionamentos pecaminosos entre os setores público e privado de um país, ao se esgueirarem, na imaginação popular, nos bastidores da política por entre os corredores do poder e atrás de portas fechadas.
Há certa discordância quanto às origens do termo, que pode ser datado em séculos atrás. Algumas das teorias têm o Hotel Willard, em Washington, D.C., como cenário — mais precisamente, seu lobby. Reza a lenda que o então presidente Ulysses S. Grant costumava frequentá-lo às noites para apreciar um conhaque e fumar seus cigarros. Nisso, muitos representantes de variados setores de interesse passaram a também visitar o local para ter acesso ao presidente e, assim, buscar influenciar suas decisões políticas. Todavia, a origem mais provável veio da Inglaterra, onde os corredores — ou lobbies — das casas legislativas do Parlamento britânico eram frequentados pelos cidadãos que encontravam-se com os parlamentares, antes ou depois das sessões, buscando persuadi -los e influenciar suas posições para aprovarem ou reprovarem determinadas ações públicas.
Para escapar de eventuais perseguições, o termo “Relações Governamentais” veio para trazer um verniz mais agradável aos olhos e menos ofensivo aos ouvidos. Até mesmo nos Estados Unidos, um dos países mais antigos e abertos à prática, a Liga Americana dos Lobistas decidiu, em fins de 2013, mudar seu nome para Associação de Profissionais de Relações com Governos. No Brasil, o termo foi adotado seis anos antes dos norte-americanos, com a fundação da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig).
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Entretanto, com um olhar mais atento e livre de um julgamento prévio, pode-se perceber que a prática do lobby não significa, necessariamente, algo prejudicial à sociedade. No filme Lincoln, de Steven Spielberg, há uma cena em que o presidente norte-americano, interpretado por Daniel Day-Lewis, encontra-se secretamente com três homens e conversam sobre alguns congressistas que poderiam ser influenciados a votarem a favor de uma emenda constitucional encabeçada pelo presidente. Essa era a 13ª Emenda, que aboliu a escravidão em todos os estados do País.
Mas então por que o lobby parece ser a personificação da má influência nas decisões políticas de uma cidade, estado ou país?
“Talvez a resposta mais apropriada seja ao que ele está associado, que são as ações de corrupção e o tráfico de influência”, afirma Manoel Santos, professor de Ciências Políticas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Por isso o termo lobby acaba ganhando uma conotação pejorativa. Mas uma reflexão minimamente informada deveria levar a conclusão de que nem todas as ações políticas podem ser classificadas dessa maneira.”
“Primeiramente, é preciso esclarecer que o tráfico de influência é crime”, explica Andréa Cristina Oliveira Gozetto, coordenadora Acadêmica do MBA em Relações Governamentais da FGV MGM e autora de diversos artigos sobre o tema. “Esse delito ocorre quando alguém, usufruindo de sua influência sobre ato praticado por funcionário público no exercício de sua função, solicita, exige, cobra ou obtém vantagem ou promessa de vantagem, para si ou para terceiros.” Segundo os especialistas, tal descrição não corresponde à atividade lobista.
Para que toda essa política de bastidores não esteja além do escrutínio da sociedade, e para que se lance luz à ação dos grupos de interesse, a saída mais aceita é a sua regulamentação. De acordo com o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), autor da PL 1202/2007, considerada, até o momento, o projeto mais completo sobre a regulamentação do lobby, a aprovação da lei é de extrema necessidade, pois o fato é que o “lobby existe, assim como a relação entre o setor público e as empresas privadas de diferentes setores econômicos. E essa relação precisa ser transparente e toda sociedade precisa saber que ela existe”, afirma o deputado.
Zarattini reconhece que é tênue a linha que separa essas relações governamentais e o tráfico de influência, por isso, ele prefere dividir a ação de grupos de interesse como atos políticos e atos de corrupção.
“Vou te dar um exemplo, imagina um deputado que é ligado intrinsecamente a um setor econômico, digamos um empresário rural que se elegeu deputado. Evidentemente que ele tentará aprovar leis que interessam ao seu setor, mas nós precisamos entender isso como um ato político. Se a gente entender que ele está legislando em causa própria, nós entenderemos isso como um ato irregular e até criminoso. Então, uma coisa é quando um deputado atua de forma legítima em torno de questões que ele acha que são melhores para o País, para a economia, para o povo. Outra é quando ele age, às vezes até sem ter concordância com o projeto, em benefício de um determinado setor, com o objetivo de receber algum pagamento em troca”, explica Zarattini.
Assim sendo, o maior objetivo de uma lei que regulamente o lobby é trazer transparência a algo que já faz parte do meio político do País. “Dependendo dos moldes que se desse a essa regulamentação, ela seria simplesmente prestar informações sobre o que estão fazendo”, afirma o professor Manoel Santos.
Andréa Gozetto concorda: “Com a regulamentação do lobby, os agentes privados informariam quais agentes públicos estariam acessando e com que propósito. Um simples registro daqueles que pretendem influenciar o curso do processo decisório estatal já garantiria maior transparência, possibilitando, assim, alguma prestação de contas à sociedade como um todo”.
Ou seja, a regulamentação não pretende ser uma ferramenta de combate ao tráfico de influência nem à corrupção. “O que vai impedir isso é o cumprimento do que já está tipificado na lei penal e aspectos relacionados à investigação de quem, porventura, tenha sua conduta identificada como tal”, explica Santos.
Outro argumento em defesa do lobby é que sua própria existência torna as esferas públicas mais acessíveis à população, em termos de aumentar a representatividade de variados setores. Entretanto, é nessa questão que se gera outra discussão: alguns grupos com recursos financeiros maiores não conseguiriam ser mais influentes no meio político?
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A configuração de tal cenário se dá por uma assimetria informacional. Ou seja, em um mundo em que é possível contar com uma informação antecipada — que é diferente de “informação privilegiada” — por ter contatos em pontos estratégicos da administração pública, pressupõe-se que grupos  com maiores financiamentos para suas ações possam ser mais efetivos ao defenderem seus interesses. Para Gozetto, todavia, os deficits de ação coletiva dos grupos não serão resolvidos com a regulamentação do lobby. “Nenhuma regulamentação tem esse poder e nem esse propósito. Os grupos não são igualmente capazes de se organizar e arregimentar recursos para a defesa de interesses”, explica. “É verdade também que alguns grupos possuem maior financiamento para suas ações que outros. Quando se conjuga essas duas questões, podemos ter um desequilíbrio de influência em favor de lobbies que defendem interesses particularistas. Este desequilíbrio pode levar os tomadores de decisão a conceder privilégios injustificáveis — ainda que não ilegais — a esses grupos”.
No entanto, Gozetto ressalta que é de responsabilidade do membro do poder público tomar a melhor decisão. Afinal, em última instância, o profissional que exerce a atividade de lobby não possui e nunca possuirá a mesma legitimidade de um representante eleito. “Se o tomador de decisão leva em consideração todos os interesses legítimos e relevantes em jogo, esse desequilíbrio não deveria existir”, afirma. Entretanto, essa preocupação não se limita ao Brasil. “Há experiên cias de lobby no Parlamento Europeu que procuram exatamente minimizar essa assimetria de poder, que está ligada a capacidade econômica de seus atores”, afirma Santos. “Por exemplo, uma das formas, se dá financiando determinados grupos hipossuficientes em termos financeiros e com baixo grau de organização para que estes também participem do processo.”
Segundo o professor, nesse sentido, a regulamentação pode caminhar para uma direção de, pelo menos, facilitar o acesso à informação acerca das relações políticas e das interações dos diferentes interesses em torno de uma determinada questão. “Ao facilitar o acesso a informação, cria-se também oportunidades para que um determinado grupo ou setor da sociedade com menor capacidade financeira possa participar do processo decisório”, afirma.
No Brasil
Teoricamente, o lobby é quase um direito constitucional de todo cidadão e cidadã. Nos incisos do Artigo 5º da Constituição de 1988, há uma série de direitos que legalizam a atividade lobista — apesar de não contar com dispositivos regulamentários. Como exemplo, o inciso XVII, diz que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos”, seguindo para o XXI, que estabelece que “as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente”.
Todavia, a primeira tentativa de se regulamentar a atividade do lobby no Brasil veio do senador Marco Maciel, em 1984, antecedendo a Constituição. Mas após idas e vindas ao longo dos anos, o projeto acabou por ser arquivado em 2003. Levaria mais quatro anos até que um novo projeto de lei sobre o tema tivesse sua tramitação iniciada, a PL de Zarattini — apesar de só voltar a ganhar atenção quase dez anos depois, após receber um substitutivo da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), relatora do projeto.
Tal regulamentação também tem sido tema de debate no Senado Federal. Em setembro passado, o senador Romero Jucá apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 47/2016) que já foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde ainda aguarda um relator ser designado.
No mundo
“Em tese, todo debate (sobre o tema) é marcado pelo primeiro modelo de regulamentação, que é o norte-americano”, afirma Santos. “Mas esse modelo já começa a apresentar problemas nos próprios Estado Unidos. A Lei de Transparência do Lobby (LDA, sigla em inglês) é de 1995 e sua última revisão foi feita em 2007. De lá pra cá, não só o número de registros diminuiu, mas também o valor declarado das atividades — nos Estados Unidos, é necessário declarar quanto se gastou com essas atividades. Em 2013, o número de lobistas registrados estava em pouco mais de 12 mil — o menor número desde 2002. “Desconfia- -se que uma regulamentação muito rigorosa acabe virando um incentivo para a indústria do lobby e da representação de interesses, fazendo com que estas migrem para a informalidade”, pondera Santos, ou como o jornalista Lee Fang, em matéria para a revista The Nation, descreveu: tornado-se subterrâneo.
Enquanto trabalhava para se tornar presidente, em 2008, Barack Obama discursou várias vezes prometendo diminuir o poder dos lobistas: “Nós estamos contra a crença que está tudo bem lobistas dominarem nosso governo; que eles são apenas parte do sistema em Washington. Mas nós sabemos que a má influência dos lobistas é parte do problema e essa eleição é nossa chance para dizer que nós não os deixaremos mais ficar em nosso caminho”.
Em seu primeiro mês como presidente, Obama assinou uma ordem executiva dizendo que lobistas registrados não seriam bem-vindos em sua administração. Mas ele logo precisou voltar atrás, emitindo, ao longo dos anos, diversas exceções para tornar os não registrados em personas non grata na Casa Branca. Essa foi a única ação significativa de Obama para coibir a influência dos lobistas. Todavia, ela foi vista como um fracasso — na realidade, acabou tornando as coisas piores, pois encorajou muitos lobistas a simplesmente se desregistrarem, liberando-os da obrigatoriedade de prestação de contas.
Então, se no papel os números sugerem que a indústria dos lobistas está desaparecendo, a realidade na capital mostra que ela está crescendo, porém, nas “sombras”. Um dos exemplos mais claros dado por Fang foi que, durante a paralisação do governo forçada pelos republicanos, no final de 2013, observava-se, nos degraus do Capitólio, pequenos grupos compostos de homens e mulheres usando uma indumentária executiva, trocando cortesias com membros do Congresso. “A cidade — com suas centenas de milhares de funcionários públicos enviados para casa por não poderem trabalhar — estava longe de estar morta: no Capitólio, a verdadeira máquina financeira de Washington e a venda de acesso e influência política iam juntos em velocidade máxima.” A maioria dessas pessoas, não eram lobistas registrados. Entre eles, escreveu Fang, estava Tom Daschle, ex-congressista por Dakota do Sul, que se tornou um dos mais famosos lobistas não registrados da cidade — tanto que até mesmo criou-se um termo para a tecnicidade que permite esse “conselheiro político” ser a ponte entre líderes políticos e variados grupos de interesses corporativos: chama-se a “Brecha Daschle”.
Em 2008, Daschle era o principal nome para tornar-se o secretário da Saúde e Serviços Humanos da administração Obama, mas as questões levantadas sobre seus impostos implodiram tal pretensão. Isso não impediu, porém, que o ex-congressista continuasse a fazer política — chegando a participar de reuniões na Casa Branca e atuando com legisladores na formulação de políticas para o atendimento médico. Daschle possui uma consultoria, a DLA Piper, que tem em sua cartela de clientes algumas das principais corporações médicas do país. Ele, no entanto, se recusa a registrar suas atividades — e a parte mais irônica sobre isso, é que ele tem amparo legal para fazer isso.
Quando a lei foi formulada, ela incluiu em sua exigência para registrar-se como lobista um teste de tripla abordagem. De acordo com o teste, um lobista é um indivíduo que recebe pelo menos US$ 2,5 mil por seus serviços de lobby, durante três meses; tem mais de um contato lobista por seus serviços e, por fim, gasta no mínimo 20% de seu tempo, durante três meses, fazendo “contatos para lobby”.
Ironicamente, esse teste permite que os maiores defensores de grupos de interesse ignorem a lei de transparência. Se um lobista puder argumentar que pelo menos um dos três prognósticos não é aplicado a ele, ele não é obrigado a se registrar. Além do mais, se eles estão apenas coletando informações, eles não podem ser, pela lei, considerados lobistas.
Não é à toa que, enquanto lobistas registrados reportam seus pagamentos, aqueles que desviam do sistema recebem os melhores pagamentos. “Uma lei sujeita a brechas; fraca supervisão; o crescente desenvolvimento de sofisticadas estratégias que contrata terceiros ‘validadores’ e cria companhias artificiais; junto de uma ordem executiva da administração Obama que deu a muitos na profissão o desincentivo para se registrar — todas essas forças juntas produziram um quase total colapso do sistema que foi criado para manter o controle do lobby em nível federal. Como resultado, o povo norte-americano está ficando cada vez mais no escuro sobre quem está mandando dentro do governo”, resumiu Fang.
Isso não é só um problema nos EUA. De uma maneira ou de outra, em todo sistema político que tentou regulamentar a atividade, algumas partes desse segmento ficaram fora do radar. Para Santos, o Brasil não será exceção. “Até porque o contato com um político, com um gestor público, é um direito previsto pela Constituição. Então não se pode impedir que essas pessoas se encontrem. Numa democracia, é desejável que setores da sociedade interajam com agentes públicos — que um parlamentar, quando for tomar uma decisão, ouça opiniões de diferentes grupos.”
Por isso, os especialistas não usam o modelo norte-americano como o melhor exemplo a ser replicado. Para o professor, o Chile é um caso interessante a ser estudado pelas autoridades brasileiras. “O Chile regulamentou essa atividade em 2014 e é uma regulamentação que não é rígida, mas atende a um aspecto importante: ela registra todas as reuniões entre setores privados ou organizações da sociedade civil com os agentes públicos, e disponibiliza essas informações”, afirma Santos. “Assim, fica claro quem encontrou com quem, quem falou sobre o quê e isso aumenta a informação de como se dá a relação entre grupos de interesses e o setor público”.
Foi um longo debate e ainda há muita controvérsia sobre o assunto, porém, para o professor, não há dúvida de que hoje existe muito mais transparência em como são realizadas as relações governamentais do que se tinha antes no país vizinho. “Então se se cria uma lei que induz à informalidade — como dos Estados Unidos —, ao invés de uma que ajude a produzir informação, estamos indo na contramão”, diz Santos. Mas se, à primeira vista, a defesa pela falta de rigor quanto aos requerimentos para a prática da atividade sugere uma regulamentação frágil, o modelo de regulamentação canadense — um consenso entre os especialistas sobre modelo ideal —, indica o contrário. No Canadá, o objetivo principal da regulamentação é o registro dos lobistas. “Como o seu foco não é o monitoramento da atividade dos lobistas, a legislação não requer a divulgação de toda a informação financeira fornecida pelos lobbies, assim como também não responsabiliza os políticos por assegurar que aqueles que tentem influenciá-los se registrem”, explica Gozetto.
“Todos os lobistas são obrigados a fornecer informações detalhadas acerca de si mesmos e de seus clientes. O registro é feito pela internet e eles pagam uma taxa para registrar-se. Aos cidadãos é permitido acesso livre aos registros de todos os lobistas”. Ou seja, qualquer pessoa pode saber o nome e o endereço comercial do lobista e de seus clientes, assim como das filiais e subsidiárias. Se o indivíduo for um ex-dirigente estatal, constará uma descrição dos órgãos que dirigiu e em que período; descrição exaustiva sobre as matérias de seu interesse, incluindo a proposta legislativa específica; o nome de cada departamento ou outra instituição governamental que seja alvo de seu lobby; a fonte e quantia de dinheiro concedida ao cliente pelo governo e as técnicas de comunicação utilizadas. “Quanto à regulamentação do lobby, eu tenho apenas uma certeza: se vamos regulamentar a atividade, que seja a nossa maneira. Respeitando o desenho de nossas instituições, de nossa história e de nossa cultura. O grande desafio que está posto é o de construir uma regulamentação genuinamente brasileira”, conclui Gozetto.

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Veja desta semana dedica sua capa à “Ameaça Bolsonaro”.
O Globo ocupa grande parte de sua homepage com protestos contra a interdição moralista nas artes e no comportamento.
O Estadão protesta, em editorial, contra o fato de o Supremo, em nome da moralidade eleitoral, ter rasgado a Constituição e criado a “retroatividade” da Lei da Ficha Limpa até o início dos tempos bíblicos.
Estará a nata da direita brasileira renegando seus filhos  pavorosos?
Como no velho conto de Monteiro Lobato, O mata-pau, o que eram um raminhos aparentemente inofensivos, bons para vergastar o governo democrático, envolveram o Brasil e são hoje lenhos vigorosos, que já nos constringem e ameaçam sufocar o que resta de nossas liberdades.
Sim, não é exagero falar em liberdades quando se vivem situações como a da mãe e filha, em Brasilia, terem sido agredidas por estarem abraçadas,  ou quando se dirigem os prazos de um processo judicial para tirar dele o franco favorito dos eleitores, ou quando se admite que a deduragem de qualquer histérico leve à censura, ou quando a simples nudez – até nos museus, onde habita há séculos – seja castigada por hordas hipócritas, moleques financiados pelos negocistas de mercado.
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Em quatro anos, aqueles inofensivos raminhos dos “20 centavos”, do “blacbloquismo como tática”, do “padrão Fifa”, dos “bundinhas” moralizadores de Curitiba,  com o esterco da frustração político-eleitoral da direita e  o sol da mídia a nutri-los, tornaram-se galhos grossos, fortes, porque se permitiu transformar o ódio, a vingança, a prisão, a perseguição nos valores sociais.
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Usam a (in)segurança pública como combustível de um processo de transtorno da mentalidade social, como se registra hoje na Folha, onde se vê a alta penetração de ideia de que “a maioria de nossos problemas sociais estaria resolvida se pudéssemos nos livrar das pessoas imorais, dos marginais e dos pervertidos”. E quem os classifica assim? Cada vez mais a polícia, para a qual está prestes a ser aprovado na Câmara projeto que lhes permite “acesso irrestrito a dados pessoais de qualquer cidadão brasileiro”.
Assim mesmo, sem ordem judicial ou qualquer senão. ” Em benefício da segurança pública, o cidadão não pode alegar que vai ter sua privacidade invadida quando na verdade a lei é feita para proteger o bom cidadão, não para o mau cidadão”. Qualquer PM, com isso, será Deus, para decidir que é o bom, quem é o mau.
Não podem, portanto, reclamar de que estejam surgindo estas monstruosidades.
Os que têm ideias liberais, se é que ainda existem, se tivessem alguma lucidez a restar em suas mentes agora varridas de todo o humanismo que o  impregnou (verdade que faz  tempo) entenderiam que estão prestes a destruir a única muralha que nos separa da barbárie e do fascismo.
Se impedirem que o povo brasileiro expresse no seu voto o desejo de voltar aos tempos de normalidade, de convívio, de algum grau de esperança no progresso e no bem-estar, só o que lhes aguarda é o abraço do mata-pau.
Não importa se de topete, toga ou farda, o que terão nem mesmo será um Führer.
Será a selva, a morte, a destruição de um país que se construiu, com erros e acertos, em 500 anos e ameaça ser destruído em apenas cinco.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

REITOR DA UNIVERSIDADE DO SUL DA BAHIA RENUNCIA E DENUNCIA DESMONTE PÓS-GOLPE

Reitor da Universidade do Sul da Bahia renuncia e denuncia desmonte pós-golpe


Decisão vem um dia depois do suicídio de reitor preso arbitrariamente e exposto a espetáculo midiático - outra da faceta do golpe. Para Boaventura de Sousa Santos, comunidade perde "um dos seus mais inovadores dirigentes"

O reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Naomar Almeida Filho, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira (2), denunciando o boicote a "inovações curriculares de maior potencial inclusiva", como a redução de vagas em curso de saúde, e articulações políticas que visam a sua substituição, a partir de uma eleição que, segundo ele, exclui a sociedade do processo de escolha dos dirigentes, em desacordo com a estatuto da universidade.

Em carta aberta, Naomar Almeida Filho comparou a movimentação pela sua substituição num processo, segundo ele, ilegítimo, com o contexto da atual crise política que afeta o país, desde o golpe do impeachment que alçou Michel Temer à presidência da República.

"Que tipo de política estariam praticando os que promovem esse golpe? Certamente a de mais baixo nível, incompatível com a dignidade da instituição milenar da Universidade. Qual a diferença disso para a trágica, lamentável e vergonhosa crise política do país, depois do triste espetáculo de um impedimento presidencial injusto, embora protegido pelo manto da legalidade?", questiona o reitor demissionário.

A decisão vem em seguida ao forte abalo sofrido pela comunidade acadêmica com a morte do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier. Preso, depois solto e afastado, devido a uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura supostos desvios de recursos, Cancellier foi encontrado em um shopping, em Florianópolis. Pessoas próximas afirmam que o reitor teria sido vítima do Estado de exceção que a Justiça hoje impõe ao país.

Em seu site Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim observa que a delegada Érika Mialik Marena, que pediu a prisão de Cancellier, poder ser responsabilizada pelo suicídio do reitor.
"A delegada Marena teria mandado prender o Reitor sem ouvi-lo; A delegada Marena mandou prender o Reitor sem ouvi-lo porque suspeitou que ele ‘fazia manobras para criar obstáculos às investigações’. Como não provou essas suspeitas, a Juíza mandou soltá-lo; A delegada Marena acusou o Reitor de crime que teria cometido antes de ele assumir a Reitoria! A delegada Marena estaria baseada em 'delações'", enumera o jornalista, ao citar que a 'metodologia' Marena foi apreendida na década passada com Sergio Moto e o procurado Carlos Fernandes dos Santos Lima, operadores na Lava Java.

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, professor aposentado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, afirmou que a universidade brasileira "perde um dos seus mais inovadores dirigentes", e disse que parte da comunidade acadêmica está "consternada e revoltada", pelos motivos expostos por Almeida Filho para justificar a sua saída.


"Naomar foi sem dúvida, do meu conhecimento, o alto dirigente universitário que levou mais longe e mais fundo o projeto de democratizar social, política, cultural e epistemologicamente a universidade. A universidade brasileira perde um dos seus mais inovadores dirigentes e essa perda reflete-se em toda a comunidade acadêmica brasileira e latino-americana e, de maneira muito particular, no Centro de Estudos Sociais e na Universidade de Coimbra, que tinham com a UFSB um convênio de cooperação muito vinculado às inovações que estavam  ter lugar no Sul da Bahia", ressalta Boaventura.

Fonte: RBA

Mészáros: “O capital não é o simples desfrute das coisas pelos capitalistas”

Mészáros: “O capital não é o simples desfrute das coisas pelos capitalistas”

István Mészáros (1930-2017)
István Mészáros (1930-2017)

Da época em que o Roda Viva entrevistava grandes pensadores marxistas, como István Meszáros

Com a morte de István Meszáros (1930-2017), autor de Para além do capital, revi trechos do Roda Viva que o entrevistou em 2002 (a bancada era formada por Ricardo Antunes, Emir Sader, Maria Orlanda Pinassi, Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Nelson Coutinho e eu: gente que, provavelmente, está num índex qualquer da Fundação Padre Anchieta…
A entrevista foi exibida em junho de 2002, foi ao ar, portanto, pouco antes da eleição de Lula para presidente. E pouco depois do 11 de Setembro de 2001, quando as torres gêmeas de Nova York foram atacadas.
Normalmente entrevistas para TV tão marcadas por acontecimentos assim envelhecem e parecem datadas. Essa, não. Vale a pena ver.
Além do Roda Viva, reproduzo aqui a reportagem de meia página que publiquei no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 9 de junho de 2002, sobre uma palestra de Meszáros na PUC-SP.
Mészáros apresenta seu Para além do Capital
A capa da edição brasileira de Para além do Capital (Boitempo/Ed. da Unicamp, 1.104 págs., R$ 87) traz imagens da destruição causada pelo ataque terrorista de 11 de Setembro às torres gêmeas nova-iorquinas. Mas é outra queda, a do socialismo soviético, que orienta o debate que seu au¬tor, o filósofo húngaro István Mészáros, pretende provocar.
Marxista como seu professor e inspirador George Lukács, Mészáros é um influente pensa-dor de esquerda da atualidade e tem traduzidas para o português pelo menos mais quatro obras, entre elas O Poder da Ideologia (Ensaio). É membro da Academia de Ciências da Hungria e já recebeu os prêmios Isaac Deutscher Memorial (1970) e Lukács (1992).
Na segunda-feira, Mészáros falou na PUC de São Paulo. Na quarta-feira, na Unicamp. Ele, que tinha em sua agenda, na sexta-feira, uma passagem por Florianópolis, deve ainda apresentar seu livro no Rio (UERJ), na próxima terça-feira, e em Belém, na quinta.
Em São Paulo, foi apresentado pelo professor da Unicamp Ricardo Antunes, organizador da coleção em que a obra foi publicada. Também esteve presen-te o professor da UFRJ José Paulo Neto.
Mészáros, em italiano (depois de deixar a Hungria, ele deu aulas em universidades de vários países, entre eles a Itália, o Canadá e o Reino Unido), contou a história de seu livro. Segundo ele, as primeiras reflexões sobre os problemas enfrentados em Para além do Ca¬pital surgiram com a invasão da Hungria pela União Soviética, em 1956.
“A ocupação”, contou ele, “colocou novas questões: como um sistema que anuncia a reforma não se mos-trava capaz de se renovar; e o que se poderia fazer para superar essa situação.”
O filósofo, que começou a trabalhar efetivamente no livro em 1971, para concluí-lo em 1995, acredita que a invasão indicava a existência de problemas que levariam à ruptura com o sistema soviético, no fim dos anos 1980 e inicio da década de 90. “Por que o sistema que queria atacar os fundamentos do capitalismo, e de fato o fez, de 1917 a 1989, acabou tão tragicamente?”, pergunta. A resposta de Mészáros diz, em essência, que o sistema soviético enfrentou a lógica do capitalismo, mas não a do capital.
Essa diferença é tão significativa que, durante a palestra, Mészáros chegou a corrigir seu tradutor, insistindo que falava da lógica do capital, e não do capitalismo.
“O capital não é o simples desfrute das coisas pelos capitalistas; o capital é um modo de controle do metabolismo social, das relações sociais”, defende Mészáros. E sua lógica funcionou tanto nos países do Primeiro Mundo quanto nos do Segundo Mundo (os socialistas). “O sistema soviético era pós-capitalista, mas fez parte do sistema de reprodução do capital.”
Assim, havia capital antes da existência do capitalismo e continuou a existir no Estado pós-capitalista soviético. Na disputa com o capitalismo, o sistema soviético ficou em desvantagem — a crescente divisão social e econômica do trabalho permitiu ao capitalismo internalizar na estrutura das empresas a hierarquia social.
“O sistema soviético causava mais conflitos, porque parecia não haver razão para a tomada de decisões, enquanto no sistema capitalista restava aos menos a ilusão de uma justificativa.” Mas, na sua opinião, a crise do sistema soviético faz parte de uma crise estrutural do capital — e uma outra manifestação disso seria a crescente interferência do Estado na vida social, apesar do discurso neoliberal.
TRECHO
Não é de surpreender que, nas atuais condições de crise, o canto de sereia do keynesianismo seja ouvido novamente como um remédio milagroso, como um apelo ao antigo espírito do “consenso expansionista” a serviço do “desenvolvimento”. Entretanto, hoje mal se ouve a canção que sai do fundo do túmulo do keynesianismo, pois o tipo de consenso mantido pelas variedades existentes de movimento operário acomodado visa tomar aceitável a inevitabilidade estrutural da expansão e acumulação do capital, em nítido contraste com as condições que tornaram possível a implantação das políticas keynesianas durante um período limitado de tempo. Luigi Vinci, um dos principais teóricos do movimento italiano da Rifondazione, notou com muita razão que a autodefinição adequada e a viabilidade organizacional autônoma das forças socialistas radicais “com frequência são fortemente prejudicadas por um keynesianismo de esquerda, vago e otimista, em que a posição principal é ocupada pela palavra mágica ‘desenvolvimento’.” Uma noção de desenvolvimento que, mesmo no ponto máximo da expansão keynesiana, não conseguiu tornar mais próxima a alternativa socialista, pois sempre aceitou as premissas práticas necessárias do capital como a estrutura orientadora de sua própria estratégia, internalizada firmemente nas restrições da linha de resistência mínima”.

DOLEIRO ESPANHOL COMPLICA A VIDA DE SÉRGIO MORO

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Analistas confirmam denúncia de Tacla Duran contra Sérgio Moro e dizem que juiz falsificou documentos. Tacla Duran é advogado espanhol e foi doleiro da Odebrecht, ele fez pagamentos à esposa de Moro.

   
O livro-bomba sobre a Operação Lava-Jato, prometido pelo doleiro espanhol Tacla Duran, começa a dar frutos.

Tacla Duran é o doleiro cuja declaração de renda comprovou pagamentos a Rosângela Moro (esposa de Sérgio Moro), ao primeiro amigo Carlos Zucolotto e a Leonardo Santos Lima.

Alguns capítulos do livro ficaram por alguns dias no site de Tacla Duran. No livro, ele diz que a delação da Odebrecht teve vários pontos de manipulação, com a montagem de documentos, provavelmente por pressão dos procuradores, atrás de qualquer tipo de prova contra Lula.

O juiz Sérgio Moro facultou apenas aos procuradores da Lava-Jato o acesso ao banco de dados especial da Odebrecht. Aparentemente, os procuradores entram lá e pinçam apenas o que interessam.

Analistas foram atrás das dicas levantadas por Tacla Duran e quase todas se confirmaram.

Mais que isso: há indícios de que alguns dos documentos foram montados.

·        Evidência 1 – extrato da Innovation tem somas erradas.

·        Evidência 2 – os extratos com erros são diferentes de outros extratos do mesmo banco apresentados em outras delações.

·        Evidência 3 – os extratos originais do banco apresentam números negativos com sinal -, ao contrário do extrato montado, em que eles aparecem em vermelho.

·        Evidência 4 – a formatação das datas de lançamento é totalmente diferente de outros documentos do banco, que seguem o padrão americano: Mês/Dia/Ano.

·        Evidência 5 – a formatação nas datas de lançamento é idêntica ao da planilha PAULISTINHA, preparada por Maria Lúcia Tavares, a responsável pelos lançamentos no Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

·        Evidência 6 – nos anexos da delação de Leandra A. Azevedo consta ordem de pagamento, com data de 28 de setembro de 2012, de US$ 1.000.000,00 da conta da Innovation para a Waterford Management Gourp Inc. Mas no extrato bancário supostamente montado, a transferência consta como saída de 27 de setembro de 2012, ou seja, antes da ordem de pagamento.


Agora, se coloca o juiz Sérgio Moro em situação complicada. Como pretende julgar o processo sem facultar o banco de dados da Odebrecht à defesa, para se identificar os documentos falsificados e os verdadeiros.

Fonte: plantaobrasil

Sob ameaça, Comissão da Anistia sofre intervenção do governo Temer

Sob ameaça, Comissão da Anistia sofre intervenção do governo Temer

Movimentos de direitos humanos organizam abaixo-assinado contra reprovação de pedidos de reparação a vítimas da ditadura

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Norma Odara*
Movimentos de direitos humanos promovem abaixo-assinado online, para barrar as decisões da AGU, que passam por cima da Comissão de Anistia – Créditos: José Cruz/ Agência Brasil
Movimentos de direitos humanos promovem abaixo-assinado online, para barrar as decisões da AGU, que passam por cima da Comissão de Anistia / José Cruz/ Agência Brasil
Movimentos sociais, entidades e cidadãos que defendem os direitos humanos estão organizando um abaixo-assinado para evitar o fim da Comissão de Anistia. Nos últimos meses, o governo do presidente golpista, Michel Temer (PMDB) vem realizando intervenções nas decisões da comissão, fato nunca ocorrido antes.
A Advocacia Geral da União (AGU), sob o comando do ministro da Justiça, Torquato Lorena, reprovou, recentemente, diversos processos de reparação histórica julgados pela Comissão de Anistia. Assim, vítimas da ditadura militar no país tiveram o pedido de indenização moral e econômica negados. Diante da pressão, vários integrantes do conselho pediram demissão, o que tem tornado o trabalho ainda mais difícil.
A Comissão de Anistia faz parte do Ministério de Justiça, e foi criada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Ela é responsável por analisar documentos, ouvir as pessoas e possui autonomia para julgar casos das vítimas da Ditadura Militar brasileira. Os fatos recentes geraram estranhamento diante do compromisso feito pelo próprio presidente Temer de que as atividades seriam mantidas.
Ana Lucia Marchiori, diretora do sindicato de advogados de São Paulo e membro do Comitê de Acompanhamento das Ações da Comissão de Anistia, ressalta: “o que nos causa espanto é porque é uma política totalmente contrária ao que foi dito, logo que o presidente Michel Temer assumiu o governo, ainda na gestão do ministro Alexandre de Morais”.
Ana ainda ressalta que as decisões da AGU estão sendo tomadas em caráter sigiloso e nenhum advogado consegue ter acesso às deliberações. Diante disso, diversas organizações populares e entidades ligadas aos direitos humanos lançaram um manifesto pedindo o fim da intervenção na Comissão da Anistia. A advogada ressalta que esses fatos violam a Constituição:
“Ela [a AGU] não ouviu as testemunhas, não pediu diligências e não tem legalidade para emitir um novo parecer. Isto é uma afronta à legislação, à Constituição federal, porque a anistia está prevista na Constituição federal, no artigo 8º, das disposições transitórias. Então, não há fundamento legal para essa intervenção da Consultoria-Geral da União (Conjur) sobre a comissão de anistia.
Além da ilegalidade, Saulo Gomes, jornalista e presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos, destaca a mobilização que vem sendo realizada para reverter a situação: “Estamos trabalhando pela internet, fazendo contatos por telefone” para explicar para as pessoas a importância desse abaixo-assinado. Ele diz que os ocorridos são “um absurdo, o rompimento total da lei, uma falta de compostura, de respeito, de tudo”.
A petição online organizada pelos movimentos e entidades de direitos humanos já possui mais de 3.600 assinaturas. O abaixo-assinado será entregue à Presidência da República e dos poderes Legislativo e Judiciário.
Até o momento, a comissão já anistiou 50 mil pessoas, mas ainda restam 20 mil pedidos para serem analisados.
*Agência Brasil de Fato – Edição: Vanessa Martina Silva

Celso Amorim: punição a diplomata é “medida truculenta”


Celso Amorim: punição a diplomata é “medida truculenta”

por Rodrigo Martins — publicado 05/10/2017 13h33
Após criticar publicamente o governo, Julio de Oliveira Silva foi removido do cargo de segundo-secretário do consulado do Brasil em Nova York
Antônio Araújo/Câmara dos Deputados
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'Decisão faz temer uma caça às bruxas, a perseguir e enquadrar jovens diplomatas'
Ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim lamentou a punição imposta pelo governo Temer ao diplomata Julio de Oliveira Silva, removido do cargo de segundo-secretário do consulado do Brasil em Nova York na terça-feira 3. Sem aviso prévio nem explicação, o servidor surpreendeu-se com a publicação da transferência no Diário Oficial da União.
Economista de formação e no cargo há três anos, o diplomata publicou, em 26 de setembro, na sua coluna de estreia no site de CartaCapital um artigo crítico ao “projeto de subdesenvolvimento” do governo de Michel Temer. Dois dias depois, o ex-guerrilheiro, hoje chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, assinou a portaria que o afasta de suas funções e determina o regresso do servidor a Brasília.
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Segundo Amorim, a decisão contraria a tradição do Itamaraty. “É uma medida truculenta e desnecessária, até porque ele poderia ser transferido, no momento certo, para outro posto”, afirmou, em entrevista à CartaCapital. “Há uma expectativa normal dos jovens diplomatas de ocuparem ao menos dois postos no exterior antes de regressar ao Brasil”.
Apesar das contundentes críticas feitas ao governo, Amorim não vê motivos para a punição. “Um diplomata deve respeitar a hierarquia, mas também exercer o espírito crítico, indispensável à execução da política externa. Dado o quadro político do País, essa decisão faz temer uma ‘caça às bruxas’, a perseguir e enquadrar jovens diplomatas”.