sábado, 16 de dezembro de 2017

Na África do Sul, cães servem de antídoto à violência


Na África do Sul, cães servem de antídoto à violência

por AFP — publicado 16/12/2017 00h26, última modificação 15/12/2017 09h57
Um projeto de adestramento de animais ajuda crianças a contornarem o passado violento
Fotos: Tadeu André / AFP
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Em Mpophomeni, os cachorros são alternativa ao ambiente violento
Quando Thobani Gasa foi pela primeira vez a um curso de adestramento, a intenção era se divertir. Mas, com o passar dos anos, o jovem encontrou um ambiente que o tirou da cultura de violência na qual vivia mergulhado na África do Sul.
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Em muitos municípios em todo o país, as gangues reinam supremas. Em Mpophomeni, perto da cidade de Howick (sudeste), um projeto tenta, por meio dos cães, driblar as leis do crime.
Numa sexta-feira ensolarada, dezenas de crianças estão perfeitamente alinhadas, cada uma com seu cachorro, segurando-o pela coleira, na quadra da Escola Primária de Zamuthule, para a sessão de adestramento semanal. "Eu pertenci a uma gangue, mas esse curso mudou minha vida", diz Thobani Gasa, de 20 anos, adestrador. "Quando comecei a me interessar por cães, desisti da vida do crime".
Há oito anos, uma professora aposentada, adestradora de cães em seu tempo livre, lançou este programa para ensinar as crianças a se comportar com um cachorro. Hoje, Adrienne Oliver reúne todas as semanas uma centena de estudantes de 8 a 15 anos.
Nomeado "Funda Nenja", "Aprenda com seu cão" em língua zulu, este projeto se baseia no aprendizado das afinidades e do respeito entre homem e animal. O curso é gratuito para as crianças acompanhadas por seu animal, muitas vezes um cachorro abandonado resgatado pela família e usado para guardar a casa.
"Quando vim para cá, aprendi a tratar os cães com respeito", conta Sihle Dubazane, de 13 anos, com orgulho, acariciando seu vira-lata chamado Lion. "Um cão deve ser tratado adequadamente, é feito de carne e sangue, pode sentir as coisas".
Segundo os responsáveis pelo projeto, compreender o comportamento dos cães permite que as crianças os controlem melhor.
A violência sofrida pelas crianças atinge níveis alarmantes na África do Sul. Em 2016, um estudo revelou que mais da metade dos menores de idade era vítima de violência, seja por parte da família ou dos professores.
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Garotos com seus cachorros na escola Zamuthule
Longe da rua 
O risco de esses jovens reproduzirem o comportamento violento é muito alto, de acordo com uma pesquisa publicada em junho pelo Children's Institute of Cape Town.
De acordo com sua família, a atitude de Vuyani Dube, de apenas 11 anos, mudou nos últimos três meses, desde que começou as aulas no "Funda Nenja".
"Ele não era muito disciplinado e nem muito responsável", admite seu tio Sipesihle Dube. "Este projeto é particularmente bem adaptado ao passado violento dessas crianças", acrescenta, "ele os mantém longe da rua, onde todos acabam fumando".
Embora nenhum trabalho científico tenha chegado a avaliar o impacto psicológico nas crianças do trabalho com seus cães, as impressões são em grande parte muito positivas. "Acredito que é precisamente porque educamos crianças (...) que eles passam então a se comunicar com o animal sem recorrer a violência ou força", comemora Adrienne Olivier. 
"Isso afeta suas interações diárias com as pessoas", acrescenta. "Se você consegue controlar um cachorro sem agredi-lo, então você certamente pode conseguir que um homem coopere graças apenas ao diálogo", insiste o ex-professor.
Nas escolas de Mpophomeni, o curso de treinamento para cães tornou-se muito popular. Toda sexta-feira, as crianças se aglomeram em frente ao portão da escola Zamuthule para participar do curso.
Neste município da província de KwaZulu-Natal, os cães são tradicionalmente usados ​​para proteger propriedades ou para caça, observa a representante do município que acompanha o projeto, Winnie Sangcosi. "As pessoas me dizem que a violência está recuando. As crianças se distanciaram do 'wunga'", afirma ela, citando uma droga de rua. "Agora elas preferem brincar com seu cão ou estudar".

Fonte: Carta Capital

Relatório da Volkswagen não satisfaz vítimas da Ditadura no Brasil

Repressão

Relatório da Volkswagen não satisfaz vítimas da Ditadura no Brasil

por Deutsche Welle — publicado 16/12/2017 00h30, última modificação 15/12/2017 13h19
Ex-operários boicotam divulgação de estudo encomendado por montadora, que aponta colaboração, mas conclui que comportamento não era institucional
Rovena Rosa/Agência Brasil
O historiador Christopher Kopper
Para ex-funcionários perseguidos, pesquisa do historiador alemão Christopher Kopper foi 'golpe de relações públicas'
A Volkswagen divulgou nesta quinta-feira 14 um relatório que detalha a colaboração da filial brasileira da empresa com o aparato repressivo do regime militar, que governou o país de 1964 a 1985.
Elaborado por um historiador independente contratado pela empresa, o documento de 114 páginas aponta que a montadora foi "irrestritamente leal" aos militares e que seu próprio aparato de segurança patrimonial facilitou a identificação e prisão de funcionários "subversivos" – sendo ao menos um deles torturado em uma unidade da empresa.
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A filial também demitiu trabalhadores envolvidos com sindicatos e alimentou e compartilhou com outras empresas "listas negras" com nomes de funcionários.
O texto, no entanto, aponta que não foram encontradas provas de uma colaboração institucionalizada da montadora com a repressão estatal. De acordo com o documento, os membros da segurança patrimonial – vários deles eram militares da reserva – agiram por iniciativa própria ao espionar e entregar funcionários ao regime.
Não há documentos que indiquem que a diretoria no Brasil deu ordens nesse sentido.
Uma boa parte do conteúdo do relatório já era conhecida. Em agosto, o próprio autor, o historiador Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, já havia adiantado à imprensa suas conclusões preliminares.
Comissão Nacional da Verdade (CNV) também já havia descrito em 2014 vários dos episódios de repressão relatados no documento. Restava observar como a Volkswagen e os trabalhadores perseguidos pelo regime iriam lidar com o resultado final.
Durante a cerimônia de divulgação, na fábrica da Volks em São Bernardo do Campo, o presidente do grupo no Brasil, Pablo Di Si, ressaltou que foi a primeira vez que uma montadora no país examinou sua história durante o regime.
"Lamentamos profundamente os episódios que possam ter ocorrido naquele momento histórico em desacordo com os valores da empresa", disse.
A companhia também descerrou na fábrica uma placa com uma homenagem genérica "a todas as vítimas da ditadura militar" e anunciou parcerias com ONGs.
Só que o relatório e o evento não agradaram aos maiores interessados: as vítimas. O episódio sinalizou que ex-trabalhadores perseguidos e a montadora ainda estão longe de uma reconciliação.
"Golpe de relações públicas"
Um dos insatisfeitos é o ferramenteiro e ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Lúcio Bellentani, de 73 anos, que foi torturado em 1972 por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em uma sala da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) – sob o olhar de seguranças da empresa.
Para ele, o relatório não passou de um golpe de relações públicas que indica que a montadora quer controlar exclusivamente a narrativa sobre seu passado e não está sendo honesta quando se trata de tomar medidas concretas.
"O relatório é fraco, tem pouca documentação. Não acredito que a empresa tenha aberto todos os seus arquivos para o historiador. O documento não vai além daquilo que já tinham aparecido na perícia do Ministério Público Federal (MPF), que, aliás, era mais contundente", disse.
Bellentani foi convidado pela Volkswagen junto com outros ex-operários perseguidos pelo regime para comparecer a cerimônia de divulgação do relatório. 
Todos decidiram boicotar o evento e protestaram com placas e faixas do lado de fora da fábrica. "Não iria querer posar para um foto com o presidente da Volkswagen, que vai ser usada por eles como um sinal de 'pronto, resolvemos o passado'", disse o ex-funcionário.
Segundo Bellentani, o principal problema da Volkswagen é que a empresa assumiu isoladamente a tarefa de analisar seu passado, passando ao largo do inquérito aberto pelo Ministério Público em 2015, e sem dialogar com as vítimas sobre qual seria uma compensação adequada.
"Sempre achamos que o melhor canal para o diálogo deveria ter sido feito com a participação do MPF, mas a empresa decidiu fazer tudo por conta própria", disse.
"No convite para o evento, a Volks disse que pretende fazer doações para ONGs, mas nós não fomos consultados sobre isso. Acho que esse apoio poderia ser feito, mas queremos voz ativa no processo", concluiu.
O ex-operário afirmou que recebeu o convite para o evento antes de ter acesso ao relatório. "Queriam que fossemos lá sem saber o que estava na versão final. Isso não é algo sério", disse. Ele conta que os trabalhadores tiveram que exigir da Volkswagen acesso ao relatório antes da cerimônia.
Nada de concreto
O procurador do MPF Pedro Machado, que é responsável pelo inquérito aberto em 2015, disse que ainda não leu o relatório, mas indica que a divulgação não encerra o assunto e que a empresa deveria se empenhar mais em chegar a um acordo negociado.
"Um pedido de desculpas e eventuais compensações deveriam contar com a participação dos trabalhadores e do MPF, que representa a sociedade. A matriz alemã da Volkswagen já tem experiência no diálogo quando se trata de examinar seu passado e fazer compensações – basta ver o que aconteceu em relação ao papel da Volks no Holocausto. Infelizmente, essas lições não parecem estar sendo aplicadas no Brasil", disse.
Segundo Machado, apesar de rotineiramente a imprensa publicar notícias de que a Volkswagen está negociando compensações, nenhuma proposta foi apresentada pela empresa ao MPF.
"Inicialmente, a postura da empresa, quando o inquérito foi aberto, foi de 'nós não fizemos nada de errado, que nenhum problema havia ocorrido'. Aos poucos, essa postura parece ter mudado, mas eles ainda não apresentaram nada de concreto", disse.

De acordo com o procurador, as compensações, no caso, não seriam em valores individuais para as vítimas, mas algo coletivo, como a criação de uma fundação ou memorial com a participação dos ex-funcionários.
O procurador pretende agora juntar o relatório ao inquérito. "O Brasil fez muito pelo crescimento da Volkswagen, a empresa precisa se empenhar mais no inquérito”, concluiu.
Durante a cerimônia, Di Si, o presidente da Volkswagen no Brasil, indicou que a empresa já abraçou a tese sobre a ignorância da direção em relação à colaboração da sua segurança patrimonial com a repressão. Ele evitou mencionar o inquérito.
"Reconhecemos que o processo da ditadura foi muito difícil e que pessoas da empresa colaboravam com os militares. Mas isso não configura, como explica o relatório, uma atitude institucionalizada por parte da empresa", disse.
As conclusões
Após ser preso na linha de produção e espancado em uma sala da montadora, o ex-operário Bellentani foi levado para a sede do Dops em São Paulo. Ele só saiu da prisão um ano e meio depois. Seu caso é o mais chamativo do relatório.
Segundo o historiador Kopper, a segurança industrial monitorava atividades de oposição e facilitou a prisão de no mínimo sete empregados. Outras cem pessoas que participaram de greves foram prejudicadas ao terem seus nomes colocados em "listas negras", que eram então compartilhadas com outras empresas. Demitidas, elas dificilmente arrumavam outro emprego.
A pesquisa apontou que em 1969 a colaboração da empresa com os militares se deu por meio da atuação do então chefe do departamento de segurança patrimonial da empresa, Ademar Rudge, um ex-oficial das Forças Armadas.
Já a lealdade da direção com o regime se deu no campo econômico e no entusiasmo com as políticas do governo. O documento aponta como a empresa se beneficiou de medidas autoritárias, como a repressão a greves e o controle sobre salários.
"A Volkswagen do Brasil e, em última instância também a Volkswagen AG (matriz), aproveitaram a suspensão dos direitos trabalhistas elementares", apontou o texto.
Segundo Kopper, a matriz não se interessava no que acontecia no Brasil durante a maior parte do regime militar. Mas isso mudou em 1979, quando um grupo de operários brasileiros foi até Wolfsburg durante um congresso para confrontar o então presidente da empresa, Toni Schmücker, sobre as prisões e demissões.

Fonte: Carta Capital

O Lula que eles temem. Assista

O Lula que eles temem. Assista

Há 36 anos, uma querida amiga, a escritora, deputada  e líder feminista Heloneida Studart, ainda no PMDB “autêntico”, inconformada com o fato de eu estar apoiando a candidatura de Leonel Brizola ao Governo do Estado, disse-me:
-Fernando, eu estive no Morro da Formiga e uma senhora me disse que não ia poder votar em mim porque votaria no Brizola para Governador (o voto era vinculado, então). E que ia votar porque Brizola ia tirar dos ricos para dar aos pobres. Fernando, você sabe que ele não pode fazer isso, não tem como…
E eu respondi que sabia que isso só poderia acontecer timidamente, com políticas públicas, mas que achava muito mais importante e transformador que um mulher pobre, de uma favela carioca, fosse capaz de sentir, pensar, falar e agir para que a renda não fosse tão escandalosamente concentrada no Brasil.
Lula, de certa maneira, sempre teve este significado: por ser quem é, por ter vindo de onde veio e por ter, nos limites da governabilidade, orientado muitas – e não todas – políticas públicas neste sentido. Embora estivesse longe de “tirar dos ricos para dar aos pobres”, deu ao povão uma fatia maior do crescimento econômico, maior que as migalhas que sempre lhe couberam.
O seu discurso, na noite de ontem, em Piracicaba (SP) mostra que o Lula de 2018 – e Lula, com sentença ou não, é o principal personagem da eleição de 2018 – é o Lula capaz de falar, com todas as letras, o que aquela senhora disse a Heloneida.
Acompanhe o seu discurso de ontem à noite, do qual não destaco um trecho porque, mais que qualquer argumento, é o sentimento o que tem, nele, a força irresistível. É um vulcão, que expõe as entranhas de um país coberto por uma crosta que a sufoca. A fria racionalidade dos tecnocratas, dos homens “práticos” sempre diz que é preciso mante-la assim. Mas, sob a capa endurecida das elites, ela teima em rugir.
Veja porque é tão importante não apenas evitar que Lula seja candidato e, mais ainda, que ele seja presidente.

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Lula não para de crescer: vale tudo para abatê-lo

Política

Opinião

Lula não para de crescer: vale tudo para abatê-lo

por Roberto Amaral — publicado 13/12/2017 18h18
A equação é simples: escolhido o réu, cuida-se de imputar-lhe um delito. Não há provas? Ora, sobram convicções!
Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
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As circunstâncias - sua força popular - fizeram de Lula o inimigo nº 1 do atual establishment
O fato de uma ou outra decisão judicial, uma ou outra ação policial poder mencionar, a seu favor, o arrimo, formal nalgum dispositivo legal, não as protege com o diploma da legitimidade, nem da justeza, nem as salva do peso da ilicitude, quando a isenção se aparta do julgador e a condenação do suspeito ou acusado escolhido a dedo para ser acusado e condenado torna-se mais importante do que a busca da justiça.
E, ainda, o aparato judicial assume a política e passa a geri-la, não exatamente como sujeito, mas simplesmente cumprindo o papel de despachante dos interesses do mercado financeiro – o qual, segundo importante colunista de O Globo, portanto alta autoridade nestes temas, reage positivamente à possibilidade de defenestramento da candidatura Lula, o imperativo categórico das forças dominantes.  
A equação é simples: escolhido o réu, cuida-se de imputar-lhe um delito (no caso de Lula, o tal tríplex que lhe teria sido doado pela OAS). Não há provas? Ora, sobram convicções! Para transformar o desejo em realidade todas as maquinações e manipulações e chicanas são chamadas à lide, porque é preciso manter as aparências da legalidade formal (o farisaísmo do direito), sem prejuízo da realização dos fins, a saber, condicionar as eleições de 2018 aos interesses da súcia governante, delegada dos  interesses da banca internacional e seus associados da Avenida Paulista.
Assim, avulta a partidarização ativa do Poder Judiciário, agente de primeira linha no processo golpista aberto com o impeachment. Cumpre-lhe interferir no processo eleitoral para dele afastar o pronunciamento da soberania popular: sai o povo de cena, e em seu lugar são ungidos os juízes; sai o voto e passam a valer as sentenças e os acórdãos. Quem outorgou esse mandato ao Poder Judiciário, exatamente o único dos poderes constitucionais que não recolhe sua legitimidade na soberania do voto?
Sem despertar maiores surpresas para o observador da cena política de nossos dias, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, segunda instância, marcou para o próximo 24 de janeiro o julgamento da apelação (da sentença condenatória expedida por Sérgio Moro)  do ex-presidente Lula no já mencionado caso do tríplex do Guarujá.  
O que há por trás da decisão formalmente legal? O fato de ser uma decisão política, a serviço dos que operam a sagração do regime autoritário que tomou de assalto o Estado brasileiro. Seu objetivo final é prorrogar no poder a atual correlação de forças, e para isso a condição sine qua non é retirar Lula, e o que ele representa, do  páreo eleitoral de 2018. O ex-presidente haverá de carpir a ousadia de ser o líder nas pesquisas de intenção de voto. Mas punido também será o povo, cujo poder decisório foi assenhoreado pela toga.
A segunda grande operação golpista começa, formalmente legal,  com o Tribunal da 4ª região apressando o julgamento da apelação de Lula. Dou a palavra ao insuspeitíssimo O Globo (13/12/2017):
“A ação do caso tríplex teve o trâmite mais rápido no TRF-4 entre 24 apelações já analisadas pela segunda instância. São cinco meses e 24 dias contados entre a apelação apresentada pela defesa do ex-presidente e a data prevista de julgamento. Na maioria dos casos – 18 ações – o TRF-4 levou mais de um ano para julgar as apelações. Apenas um quarto dos processos tiveram decisão em menos de um ano. O julgamento da apelação do ex-deputado Eduardo Cunha, um dos mais rápidos, levou sete meses e 22 dias”.
Essa pressa, como tudo o mais, não é fruto do acaso, dos astros e dos deuses. Há, atrás do ‘mercado’, da mídia, do Ministério Público, da Polícia Federal, da maioria no Congresso, uma ‘inteligência’ (que não está no Palácio do Jaburu) concertando as operações do sistema golpista que, neste episódio em construção, tem manobras evidentes, a começar, pela decretação da inelegibilidade de Lula, a primeira consequência da confirmação da sentença de Sérgio Moro; a segunda será mesmo a possibilidade de sua prisão, pois ainda prevalece a inconstitucional decisão do STF que legitima a execução de penas restritivas da liberdade a partir da confirmação da sentença condenatória na segunda instância.
A pressa se explica do ponto de vista processual: Lula precisa estar condenado na segunda instância antes de agosto de 2018, mês dedicado ao registro das candidaturas presidenciais.
Para todos os efeitos, 2018 já começou, trazendo para as ruas a sucessão presidencial,  e,  ao invés do povo decidindo, temos como protagonista o Poder Judiciário. Assim, em vez de um processo eleitoral, viveremos um processo judicial, hoje dependente, neste país de mais de 141 milhões de eleitores, do que pensam (três desembargadores, titulares da 8ª turma do TRF-4.
É a degradação da democracia representativa, corroendo os poderes da República, doravante uma mera figura de retórica.
O Tribunal porto-alegrense já anunciou, em julgamentos anteriores, como também nas declarações de seu presidente, a que veio, e o que dele é justo esperar.  Seu presidente,  desembargador Carlos Eduardo Thompson, em entrevista a um jornalão, declara que a sentença prolatada por Sérgio Moro, condenatória de Lula, é “irrepreensível” e “irretocável”. Esse prejulgamento põe por terra qualquer expectativa de julgamento justo da apelação de Lula
É evidente que estamos em face de uma coalizão que age em harmonia segundo os objetivos que a unificam, a saber, independentemente do destino de Michel Temer e seus asseclas, consolidar, se possível com o concurso da lei, mutável, o Estado autoritário, regressivo em seus valores, antinacional e antipovo, fundado num desenvolvimento dependente, e numa ordem econômica que mais e mais aprofundará as distâncias sociais, a concentração de riqueza e o atrito social.
Essa coalizão, liderada ideologicamente pelos meios de comunicação de massa, um ‘estado’ dentro do Estado, financiado pelo poder econômico e operado pela tríade acima referida, tem objetivos claros e opera em consenso desde 2013, primeiro visando a interromper o governo de centro-esquerda; e agora, olhando para 2018, no afã de impedir o retorno pela via eleitoral,  das forças derrotadas pelo impeachment de 2016.
As circunstâncias – sua força popular – fizeram de Lula o inimigo nº 1 do atual establishment: ele é o adversário a ser abatido. Como deve vencer, não pode ser candidato.
 A condenação está em toda a mídia, insuflando acusadores e julgadores, preparando a opinião pública para o desfecho encomendado, condenação e prisão tanto mais necessária quanto o ex-presidente se apresenta para as eleições de 2018 sem concorrente à altura. Em qualquer hipótese, mesmo preso, será, como Getúlio em 1945, o grande eleitor e as forças que representa encontrarão meios de enfrentar os desafios que estão sendo montados para assegurar a vitória da minoria.
Fracassada a tentativa de linchamento moral, tonitruada por todos os meios disponíveis, Lula não para de  crescer nas intenções de voto. Assim, foi posta em marcha a segunda alternativa do arsenal reacionário, que consiste em simplesmente em impedir sua candidatura. São muitas as operações e a primeira delas, decerto não a última, é a condenação no TRF-4, independentemente de processo, de defesa e de contraditório, porque procuradores e juiz ouvem a voz de uma ‘firme convicção’, tão forte, tão íntima, que está a dispensar demonstração.
Como os ‘milagres’ vendidos  nas seitas neopentecostais, são uma pura questão de fé. Com base nesse ‘direito subjetivo’, Lula, como combinado, foi condenado na primeira instância, a agora tem sobre si, como espada de Dâmocles, a ameaça de nove anos de cadeia. Foi condenado para não ser candidato. Agora, ditam os deuses, precisa ser condenado na segunda instância que, dependendo das contingências, poderá ser a instância final.
A imprensa faz sua parte retomando o terrorismo eleitoral de 1989 – quando, na iminência de Lula derrotar Collor, o então presidente da FIESP, Mário Amato, anunciava que com a eleição do metalúrgico 40 mil empresas abandonariam o Brasil.
O noticiário dominante, mas principalmente  as colunas assinadas por jornalistas profissionais, unânimes em seu proselitismo, e tomando o pulso de um etéreo “mercado”, anunciam ora que a Bolsa caiu porque Lula subiu nas pesquisas, ora que ela subiu porque Lula foi condenado.
Sempre de prontidão, o inefável ministro Gilmar Mendes, ainda presidente do TSE, já ameaça abertamente a candidatura Lula: se sobreviver às armadilhas que juncam seu ainda longo caminho até as eleições (TRF-4, registro de candidatura, financiamento de campanha etc.) as ‘caravanas’, consideradas propagando fora de época, poderão “levar à condenação por abuso de poder econômico e à cassação de eventual diplomação” (O Estado de S. Paulo, 12/12/2017).
Se essa manobra falhar, há ainda a cartada do parlamentarismo na qual investe o ministro do PSDB, o Palácio Jaburo, a imprensa e todas as formações reacionárias. Os jornais dizem qe o ministro e conselheiro de Temem já tem pronto um projeto de reforma constitucional no bolso do colete.
Quando juízes de piso  e ministros dos tribunais superiores julgam segundo convicções subjetivas, quando um ministro do STF se comporta segundo interesses de greis políticas, e chega mesmo a ser acusado por colega de “leniência em relação à criminalidade de colarinho branco”, o Poder Judiciário transforma-se em agente de insegurança jurídica.
Isto, pelas suas consequências, é mais perigoso para o país do que um presidente de República corrupto ou um Congresso desqualificado, ainda que tenhamos as duas pragas de uma só vez, e pode atapetar a Estrada sempre percorrida pelos adversários da democracia, mesmo dessa nossa democracia mambembe,  de que dependem os direitos dos trabalhadores e a emergência das massas. 

OMC: acordo Mercosul-União Europeia fracassa na Argentina

OMC: acordo Mercosul-União Europeia fracassa na Argentina

Entre os dias 10 e 13 de outubro aconteceu na Argentina a 11ª Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) que terminou sem acordos devido às críticas dos Estados Unidos ao órgão e aos vetos de países importantes, como a Índia. Paralelamente, estavam ocorrendo novas negociações do acordo Mercosul-União Europeia que também não foram conclusivas.
Antes do começo da reunião, o governo de Maurício Macri foi extremamente autoritário ao impedir que cerca de sessenta pessoas, muitas delas jornalistas, desembarcassem no país para acompanhar o evento. A justificativa foi que elas poderiam incitar protestos, ou seja, foi uma ação deliberada de censura.
Nos discursos durante a Conferência vários países defenderam, ironicamente até o Brasil, o comércio como mola propulsora do desenvolvimento e o multilateralismo. Os votos para fortalecer a OMC também foram compartilhados pela China e pela União Europeia que, no atual recuo da presença dos Estados Unidos nas organizações internacionais, vêm ganhando mais protagonismo.
Os principais temas na pauta da reunião eram a questão da pesca ilegal e o comércio eletrônico, além de temas tradicionais como o subsídio agrícola e, em todos eles, os participantes não chegaram a acordos. Para chegar a um acordo, a OMC impõe que todos países membros, 164 ao total, estejam em consenso.
Além das críticas dos Estados Unidos, o que já era de se esperar com o governo de Donald Trump e sua política externa que prioriza o bilateralismo e o protecionismo ao mesmo tempo que rechaça os órgãos e acordos multilaterais, a Índia também foi uma pedra no caminho das negociações. O país, que representa um grande ator dentro da OMC, não se mostrou disposto a negociar qualquer coisa, enquanto não conseguir respaldo para subsidiar seus estoques agrícolas que considera importante em sua política de segurança alimentar. Motivo mais válido e compreensível do que as posições dos Estados Unidos, vale dizer.
Os governos neoliberais do Mercosul, principalmente o de Macri e Temer, amargaram outra frustração ao não conseguirem chegar a uma conclusão nas negociações referente ao acordo Mercosul-União Europeia. Da mesma forma que nos fracassos das negociações anteriores (retomadas em 2010 depois da paralisação em 2004) as partes declararam que nunca estiveram tão perto de fechar negócio.
O primeiro período das negociações, iniciado em 1995 com o Acordo-Quadro Inter-regional de Cooperação, terminou em 2004 por causa, em grande parte, da ascensão de governos progressistas nos membros do Mercosul que deram outros contornos ao projeto de desenvolvimento e de política externa.  Porém, a diferença é que, dessa vez, devido à disposição do presidente argentino e do golpista brasileiro em fazer qualquer negócio, é possível que o acordo seja assinado em breve, ameaçando ainda mais o futuro de nosso desenvolvimento.

Fonte: FPA

Congresso aprova Orçamento de Temer que reduz salário mínimo PARA AONDE CAMINHA O BRASIL?

15 de dezembro de 2017 - 14h01 

Congresso aprova Orçamento de Temer que reduz salário mínimo


Reprodução da Internet
  
O governo Michel Temer já havia reduzido a proposta de aumento do mínimo de R$ 979 para R$ 969 no mês de agosto. Em outubro, revisou o valor para baixo mais uma vez, caindo para R$ 965, valor que foi mantido na votação do Congresso Nacional.

A redução traz impactos diretos na renda do brasileiro que vê o salário encolher, enquanto o custo de vida se eleva. Desde junho, por exemplo, quando a Petrobras alterou a política de preços para o combustível, a alta acumulada no preço de venda do gás de cozinha pelas refinarias soma 67,8%. Nas revendas, o preço do botijão teve aumento de 15%.

Segundo pesquisa Datafolha, para os brasileiros que têm renda de até dois salários mínimos (R$ 1.874), 80% dizem que o orçamento é altamente comprometido pelo preço do gás.

Deficit

O texto ainda prevê um deficit primário de R$ 157 bilhões para o governo federal no próximo ano. O número é um pouco menor do que os R$ 159 bilhões estabelecidos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO, Lei 13.473/17) como meta fiscal para o próximo ano.

Para a oposição, a medida afeta principalmente os programas sociais, entre os quais o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Os recursos destinados aos programas sociais, que totalizaram cerca de R$ 5,3 bilhões, foram remanejados para atender às demandas das bancadas dos partidos aliados de Temer, que queriam contemplar suas bases eleitorais, sobretudo em ano de campanha. Só o Minha Casa, Minha Vida sofreu um corte de cerca de R$ 1 bilhão.

Segundo o relator-geral da proposta orçamentária, deputado Cacá Leão (PP-BA), o parecer aprovado, com a Emenda 95, a “margem de manobra foi praticamente nula” no remanejamento das verbas.

“Não tive condição de atender nenhum pleito na totalidade”, disse Leão.

Assistência social

Ao final da votação, houve reivindicação de parlamentares para elevar recursos para algumas áreas, como as dotações para pesquisas da Embrapa, que receberam mais R$ 14 milhões, totalizando R$ 240 milhões, e para ações de assistência social. Neste último caso, a pressão foi para atender integralmente uma emenda da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, que destinava R$ 1,5 bilhão para custear Centros de Referência da Assistência Social (Cras).

Estes centros prestam atendimento a famílias instaladas em áreas de maior vulnerabilidade e risco social. O dinheiro federal é repassado para estados e municípios. O relator-geral atendeu parte da emenda (R$ 300 milhões).

A senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) alertou para a falta de recursos na assistência social. “Em um período de desemprego tão elevado, precisamos fortalecer a assistência social do país”, disse.


Do Portal Vermelho, com informações da Agência Câmara

A vontade popular quem está para ser condenada a 4 anos de prisão

A vontade popular quem está para ser condenada a 4 anos de prisão

Com toda a relativização que pesquisas eleitorais, longe das urnas, deve ser encarada e com as distorções de peso social que uma pesquisa deita por sorteio – aleatório, portanto – de números de telefone pode ter, o resultado da pesquisa publicada hoje pelo site Poder360, mostra quem estará sendo julgado no dia 24 de janeiro, no Tribunal Federal de Recursos.
Não é apenas o cidadão Luís Inácio Lula da Silva, mas a vontade do povo brasileiro quem está para ser condenada a uma pena de 4 anos de silêncio e frustração.
A liderança de Lula, claro, é outra vez confirmada, assim como é evidente que Jair Bolsonaro segue sendo a ameaça do impensável para o nosso país e que se novamente se comprova que, com Lula ou sem Lula, Geraldo Alckmin não empolga ninguém: só 8% dizem ter certeza que votariam nele.
Mas há um dado que vai na contramão do discurso da mídia: Lula é o menos – é isso – menos rejeitado entre os principais candidatos, e o único sobre o qual a resposta “não votaria de jeito nenhum” fica abaixo de 50%, com 46%, deixando para Alckmin (62%) a maior taxa de recusa.
A verdade é que, porém, pouco importa isso a juízes que, mesmo antes de aberto o processo, já se disporiam a condenar Lula em razão de seu ódio de classe.
Juízes, querendo ser lobos, têm dentes e aos que tem as presas assim não importam as razões, a vontade alheia e o Brasil.